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“Mais que um jogo”

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Para quem se importa com as entrelinhas, as palavras do presidente da Conmebol a respeito da final da Copa Libertadores em jogo único são especialmente interessantes. “Esta emocionante disputa oferecerá um espetáculo esportivo de nível mundial e uma melhor experiência em casa e no estádio”, declarou Alejandro Domínguez, ao anunciar a mudança na decisão do torneio a partir de 2019. A ideia, aprovada sem contestações, “é uma grande oportunidade para que a América do Sul dê um salto de qualidade de infraestrutura esportiva, produção, organização, segurança e projeção mundial do futebol do continente”, acrescentou o dirigente paraguaio.

A estratégia não poderia estar mais evidente. A partida única, em campo neutro, permite a criação de um evento que talvez se aproxime daqueles em que se espelha (a final da Liga dos Campeões e o Super Bowl, mesmo que em galáxias diferentes), provocando, com sorte, a impressão de que os saltos mencionados por Domínguez representam a realidade do futebol nesta região do mundo. Não importa que seja uma imagem fictícia e, menos ainda, que a maneira como o futebol sul-americano se acostumou a viver esses momentos seja distinta, sobretudo por uma questão de identidade. Seria menos problemático organizar uma ocasião para vender a ideia de que a Copa Libertadores subiu na vida se… bem, se a Conmebol fizesse esforços para que fosse verdade.

Mas não, claro que não. O plano é envelopar a decisão em um ambiente controlado, acrescentar um sabor local de acordo com a sede, agradar os clubes envolvidos com mais dinheiro (dois milhões de dólares a mais do que em 2018, e 25% da bilheteria) e promover “um grande evento esportivo, cultural e turístico” que fatalmente estará deslocado de tudo o que se passa no torneio. Os estádios despreparados, os riscos à segurança, os gramados ruins e as arbitragens curiosas permanecerão como características marcantes da Libertadores, mesmo que a decisão pretenda apresentar um caráter evoluído. A opção pelo caminho mais simples é típica desta parte do mundo, sempre inebriada pela sedução de uma festa que afaste os problemas por algumas horas. É a reunião entre o futebol e os embalos de sábado – dia escolhido para a final – à noite.

Que não se confunda a crítica com uma defesa “dos valores tradicionais do futebol sul-americano”, como apologia da arquibancada de concreto, das dificuldades para chegar, entrar e sair, dos chutes na porta do vestiário da arbitragem e outros atrasos que ainda estão muito presentes. A questão é que a noite de gala da Conmebol inverte a ordem do que precisa ser feito para que um salto de verdade aconteça. A Copa Libertadores deve oferecer “uma melhor experiência em casa e no estádio” em todos os seus jogos, não em apenas um, e é óbvio que essa é uma transformação que não ocorre de um ano para outro. E nem é necessário salientar, por ora, as dificuldades de deslocamento na América do Sul e a injustiça de privar o torcedor de ver seu time disputar o título. Basta imaginar como seria incrível um Atlético Nacional x Tigres na Arena do Grêmio.

MALES

Sobre o Ba-Vi da vergonha, com perdão pela demora: a irresistível tendência à cafajestagem é tão danosa ao futebol quanto a síndrome do xerife. Mas o maior prejuízo é causado pela eterna relativização.

INFÂNCIA

Ainda é fevereiro… Dorival Júnior resistirá a mais uma derrota do São Paulo? Fábio Carille – campeão estadual e brasileiro – será pressionado se o Palmeiras vencer o clássico? A quem interessa esse tipo de questionamento no segundo mês da temporada? Há esperança de que o debate sobre futebol deixe o pré-primário?

SUSTO

Desde a primeira entrevista, a trajetória de José Carlos Peres como presidente do Santos sugere alguém que não está preparado para desempenhar o papel a que se propôs. Ou, pior: alguém que não imaginava estar na situação em que está.

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Sozinhos

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A individualização do futebol atingiu um pico na última quarta-feira, quando Real Madrid e Paris Saint-Germain se encontraram pela Liga dos Campeões da Uefa. Entre tantas tramas incluídas em um jogo de equipes, nenhuma foi capaz de superar a narrativa Cristiano Ronaldo versus Neymar. A figura do craque emergente que pretende desbancar a realeza estabelecida se encaixa quase que perfeitamente no enfrentamento entre o gigante espanhol e o novo-bilionário francês, mesmo que uma partida não seja suficiente para determinar qualquer coisa. O que serve como promoção acaba alimentando teses para consumo rapidíssimo, pois haverá um jogo de volta e tudo o que foi dito talvez tenha de ser desmentido.

Diante de um objetivo da importância do torneio continental europeu, a glória pessoal domina atenções na figura de um prêmio. Neymar deixou o Barcelona para ser o melhor do mundo. Neymar precisa ganhar a Liga dos Campeões para ser o melhor do mundo. Se Neymar ganhar a Copa, será o melhor do mundo. É como se o troféu entregue pela Fifa após cada temporada estivesse em sua mente em todos os treinos e jogos, em seus sonhos em todas as noites, em seu prato em todas as refeições. E é como se o objeto estivesse na lateral do campo, à vista do público, quando detentor e pretendente se enfrentam, cada um ao lado de dez companheiros totalmente alheios ao que se passa.

Nesta visão do futebol como uma disputa entre duas personalidades, a vitória do Real Madrid sugere que Ronaldo ganhou. Um gol de pênalti e outro feito com o joelho, no rebote do goleiro, podem ser revestidos como uma “atuação decisiva”, o tipo de leitura que recorta jogadores do contexto coletivo. Neymar não apareceu no placar, o que instantaneamente o envia ao purgatório e supostamente explica o fracasso francês no Bernabéu. A estatística que não revela nenhum passe trocado entre o brasileiro e Cavani (depois corrigida, pois houve um) é utilizada para traduzir seu egoísmo e o dano causado aos planos do time. Ronaldo também não se conectou nenhuma vez com Benzema, mas esse dado não tem valor para o enredo.

Pois o enredo é mais interessante do que o jogo, local em que o Paris, embora tivesse controle, não gerou o suficiente para alcançar um segundo gol fora de casa. Em que a reunião de futebolistas talentosos, síntese deste Real Madrid, voltou a funcionar em uma noite crucial. E em que as decisões tomadas pelos técnicos tiveram impacto direto na forma como o resultado foi construído, com clara vantagem para Zidane. Nenhum comportamento individual pode ser apresentado como fator de desequilíbrio, mas é preciso personificar o placar ao preencher os papeis pré-estabelecidos, e, assim, reduzir o futebol.

A era do jogador-empresa depende da exploração comercial de tudo o que pode ser vendido, uma decorrência inevitável da inclusão do futebol no mundo do entretenimento. Cada pós-jogo é ocupado por análises que podem elevar o preço de ações ou desvalorizá-las até a próxima exibição. Esse parece ser o caminho do futebol dos astros planetários, em que times têm uma só face e nada escapa de sua influência, embora o jogo real jamais permita essa simplificação. Nem mesmo os melhores futebolistas do mundo, premiados ou não com o troféu que lhes fascina, são tão formidáveis a ponto de vencer sozinhos.

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Pré-Carnaval

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O futebol brasileiro já tem um técnico da Série A demitido antes do Carnaval. Não é um feito a ser subestimado. A saída de Oswaldo de Oliveira do Atlético Mineiro – clube que tenta desesperadamente se estabelecer como especialista em fazer futebol ao contrário – guarda uma diferença em relação ao manual básico de encerramento de trabalhos no país: ocorreu dois dias após o lastimável desentendimento entre o treinador e um repórter. Mas estão presentes, também, as críticas às apresentações do time neste amanhecer de temporada, o que sugere que o episódio foi usado como pretexto para puxar o plugue. Assim como em acidentes de avião, a causa nunca é uma só.

Em um plano teórico, não resta dúvida que a atitude de Oswaldo é motivo para rescisão de contrato, independentemente de ter sido ofendido. A posição de treinador é também a representação de uma instituição, e deve ser exercida de maneira respeitosa em qualquer circunstância. O problema é que, na prática, o que determina o tratamento a questões dessa natureza é o desempenho. Se o Atlético estivesse decolando, o clube jamais dispensaria seu técnico por algo semelhante ao que se viu pela televisão na noite de quarta-feira. O campo se sobrepõe aos princípios e, nele, as pessoas que tomam decisões no clube – exatamente as mesmas que, nos últimos dias do ano passado, confirmaram Oswaldo para 2018 – resolveram recomeçar.

Oswaldo de Oliveira foi um dos três treinadores do Atlético em 2017 (após Roger Machado e Rogério Micale). Que ninguém acuse o clube de incoerência, pois, na temporada anterior, se deu o mesmo (Diego Aguirre, Marcelo Oliveira e Diogo Giacomini). A julgar pela temperatura das redes antissociais, a reação das massas a mais uma demissão revela o sucesso do processo de adestramento. Nota-se o aplauso angustiado de quem já está domesticado pela insanidade, sempre com algum argumento distante, porém enfático. Contratado pela caneta nervosa de Daniel Nepomuceno, Oswaldo muito provavelmente não era o técnico certo para o Atlético, mas a diretoria que decidiu mantê-lo em dezembro dá, agora, uma amostra de sua convicção.

O fanático só sabe enxergar o que julga ser a correção de um erro (a contratação do treinador ora dispensado), vivendo a eterna esperança da escolha bem sucedida e ignorando que, no futebol, o acerto está no momento seguinte. A frequência de interrupções prova que o Atlético não tem sido um exemplo de suporte a treinadores, maneira de trabalhar que mantém a porta giratória em constante movimento. Ademais, quem entende ser possível a avaliação de um trabalho quando um time ainda deveria estar na pré-temporada colabora para a banalização do jogo. É uma cultura nociva ao futebol que Alexandre Gallo conheceu por dentro durante o período em que atuou como técnico.

Importa pouco quem será o próximo se o método não for alterado. Aguirre (cinco meses), Marcelo (sete), Roger (sete), Micale (dois) e Oswaldo (quatro) foram experimentos suficientes para que se percebesse um padrão de comportamento baseado em “futebol é resultado”, essa máxima de dirigentes populistas comprada pela arquibancada sem questionamentos. Não por acaso, não há resultado faz tempo.

VALOR

A notícia da semana, felizmente, é importante e confortante. Ederson está recuperado de um câncer de testículo, de volta às atividades no Flamengo e ao futebol. A carreira deve ser retomada entre março e abril, após um período que somente ele e aqueles que lhe são próximos podem descrever. A crescente distância entre jogadores de futebol e o público dificulta a percepção da gravidade de determinadas situações, dramáticas para todos os que precisam enfrentá-las. E ainda se perde muito tempo com o que não é relevante. Que Ederson nunca mais tenha de lidar com essa doença e desfrute do futebol e da vida com a plenitude dos que sabem o que tem valor.

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O idiota orgulhoso

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O Nacional expulsou um dos torcedores que usaram a tragédia do voo da Chapecoense para fazer provocações na Arena Condá, na última quarta-feira. A medida, uma obrigação no ponto de vista humano, é também um argumento de defesa do clube uruguaio diante da possibilidade de uma punição imposta pela Conmebol. Identificar e castigar um dos envolvidos são providências que talvez impeçam este cretino específico de reincidir, mas e os demais? Indo além: como é possível evitar que a imbecilidade encontre maneiras de contaminar o ambiente de jogos de futebol?

Veja, este é um caso distinto de violência no estádio. Frequentadores de partidas estão avisados sobre as transgressões “comuns”, ou seja, confrontos, invasões, objetos atirados no gramado, ofensas racistas, etc. A noção do que não se pode fazer não é suficiente, tampouco as punições, mas pelo menos existe um código. Ao que parece, chegamos ao ponto em que é necessário explicar a idiotas que não, não é aceitável que a morte de setenta e uma pessoas seja convertida em abuso. Ocorre que esse recurso impensável também não terá efeito, porque sempre haverá iluminados que responderão com menções ao “politicamente correto”, dizendo que “o futebol está muito chato”.

Sim, o mundo está chato. Especialmente, nesta semana, para quem tinha familiares e amigos dentro daquele avião e viu, in loco ou pela televisão, um exemplo do que a mais miserável falta de educação pode fazer. Pessoas que talvez sejam capazes de bloquear o desrespeito de alguns poucos, mas não de ignorar o sentimento provocado por eles. Aqueles que demonstrarem indignação ainda correrão o risco de ouvir que foi apenas uma brincadeira de péssimo gosto ou um epísódio que pertence ao território desgovernado do futebol, onde pessoas assumem comportamentos só ali permitidos.

Por alguns dias, depois do acidente, o mundo do futebol foi inundado por gestos de humanidade que sugeriram que a atmosfera ao redor do jogo podia ser diferente. Como se a tragédia fosse um alerta do tempo que se perde em uma relação envenenada com o que se deveria proteger. Da cerimônia organizada pelo Atlético Nacional, em Medellín, ao escudo da Chapecoense praticamente onipresente onde houvesse um jogo para acontecer, é possível recordar inúmeras ofertas de respeito e generosidade. Mas o que parecia a breve exposição do que existe abaixo de uma superfície ruidosa se revelou um espetáculo de ficção. A realidade feia, fedida, repugnante, é o que se presenciou nesta semana.

O Nacional pode divulgar os nomes e excluir de seus jogos todos os que insultaram o futebol na Arena Condá. A Conmebol pode punir o clube uruguaio – a Chapecoense informa que pedirá a exclusão do Nacional da Copa Libertadores – com rigor jamais visto. Mas, além de causar náusea em quem é capaz de raciocinar, as imagens das provocações comprovam que o dilema é mais complexo do que parece. O verdadeiro adversário é o orgulho de ser estúpido, um fenômeno que caracteriza os tempos atuais, estampado no rosto de quem acha graça na dor alheia.

REDONDA

A história das pizzas interceptadas por torcedores da Portuguesa, como protesto após uma derrota do time no Canindé, aumenta o folclore sobre o que se passa em um futebol dito profissional. E embora a ação tenha fracassado no objetivo de privar os jogadores de uma refeição pós-jogo (uma segunda encomenda entrou por outro portão), o caso expõe um dos motivos que explicam a situação em que o clube se encontra. A notícia não é futebolistas deixarem de comer pizza no vestiário por obra de torcedores contrariados, mas a escolha de “alimentação” feita pelo clube. Nada contra pizzas, obviamente, mas elas não são a melhor opção para quem precisa iniciar a recuperação do desgaste de uma partida de futebol. A interceptação, portanto, não seria um castigo, mas uma colaboração.

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Bina

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O ambiente era tão ruim na redação paulistana de um canal de televisão aberta, durante os anos noventa, que um conhecido narrador desenvolveu uma estratégia para não cair em “armadilhas” de colegas – alterações na escala de trabalho motivadas por problemas pessoais, nem sempre verificados – e parou de atender telefonemas originados do prédio. Identificado o número pelo BINA, ele deixava a ligação cair na secretária eletrônica e, dependendo do motivo, não a retornava. A falta de comunicação protegia sua agenda de ataques e sua consciência da sensação de ser feito de tolo por pessoas em quem não confiava. Os contatos só aconteciam quando lhe interessavam.

Eram os primórdios da telefonia celular, quando a tecnologia engatinhava, as baterias duravam pouco e desaparecer não causava suspeitas imediatas. Na era das mensagens instantâneas, tal expediente não seria possível. Motivo pelo qual não há como crer que um técnico seja capaz de deixar o clube em que trabalha no escuro, mesmo no período de festas, aguardando o momento em que lhe convém retornar os contatos e esclarecer se cumprirá o contrato que assinou. A mentira dá voltas ao mundo antes que a verdade vista as calças, Churchill teria dito, numa época em que não se imaginava algo como o WhatsApp. Não é plausível que o Flamengo seja o marido traído, aquele que sempre é o último a saber, no episódio com Reinaldo Rueda.

Porque se este for o caso, seria não só uma flagrante falta de profissionalismo por parte do técnico, como também uma exibição de inabilidade por parte do clube. Uma combinação na qual é difícil acreditar. Nesses dias misteriosos em que se divulga, no Chile, o acerto definitivo entre Rueda e a federação local, e o Flamengo aguarda pelo retorno de seu treinador para o início da pré-temporada, o cenário mais provável é a tentativa do clube de controlar o que se diz enquanto trabalha para garantir a manutenção do que planejou para 2018. Só isso explica o silêncio de Rueda e a repetição incessante da mensagem enviada pela direção rubro-negra. Isto, é claro, assumindo que a informação da mídia chilena está errada.

Ontem, o site do diário La Tercera informou detalhes do contrato para que Rueda dirija a seleção chilena. Duração, cláusulas, salário. De acordo com a reportagem, o técnico do Flamengo será apresentado na próxima semana, após ir ao Rio de Janeiro para comunicar pessoalmente sua decisão. O Flamengo sustenta que segue em comunicação constante com o treinador colombiano, que não fez qualquer comentário a respeito de uma eventual saída. A realidade provavelmente está no meio do caminho entre dois pontos tão distantes, ou seja: o Chile quer contratar Rueda e o Flamengo quer mantê-lo. São duas negociações paralelas. Rueda não se manifesta publicamente porque não se decidiu, e como não pode afirmar que continuará no Flamengo, o melhor para o clube é que não diga nada.

Um quadro diferente desse seria muito negativo, especialmente na hipótese da negociação com a federação chilena ter sido concluída enquanto o clube olhava para o telefone, ansioso. Pensando nessa possibilidade assustadora, o que poderia levar Reinaldo Rueda, treinador que até agora deu todas as mostras de um relacionamento respeitoso com o Flamengo, a adotar a estratégia do narrador que não atendia os telefonemas da redação?

ERAS

Ronaldo, o Fenômeno, talvez tenha razão sobre a maior concorrência para ser considerado o melhor jogador do mundo na época em que brilhava nos campos. Essa é mais uma questão em que a comparação entre eras é um exercício impreciso, e, como tal, com forte tendência à futilidade. Mas há um exame que pode ser feito apenas por diversão, porque é prejudicado pelas mesmas imprecisões: se Lionel Messi fosse contemporâneo de Ronaldo, a competição por prêmios individuais como a Bola de Ouro seria ainda mais acirrada.

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Futebol mágico

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O tweet do ex-atacante norueguês Jan Aage Fjortoft (jogou a Copa de 1994 e foi parceiro de Juninho no Middlesbrough) surgiu na timeline na última quarta-feira, gerando, como é frequente, uma torrente de admiração e dramas de interpretação: “Era uma vez um campeonato chamado Bundesliga. Torcedores ingleses a chamavam de ‘liga do Mickey Mouse’, porque um clube chamado Bayern, com o rei Pep, disparou para ganhar o troféu antes do Ano Novo. Agora, o rei Pep do Manchester City dispara na Premier League antes do Ano Novo. O que aconteceu com o Mickey Mouse?”, provocou Fjortoft, hoje comentarista em seu país. Os quinze pontos de vantagem do City na liga que é considerada a mais competitiva do mundo têm se mostrado um desafio para as concepções de tanta gente que gosta de se ocupar com o futebol.

Uma parte significativa das respostas ao tweet tratou de lembrar seu autor que o Bayern conquista o Campeonato Alemão “em quase todos os anos” – o clube caminha para o sexto título seguido, que seria o oitavo nas últimas onze temporadas -, um cenário que não se aplica à Premier League. Também houve menções automáticas, e tolas, ao poderio financeiro do Manchester City. Como se o argumento do que foi escrito tivesse qualquer relação com esses aspectos. Neste caso, aconteceu o encontro do analfabetismo voluntário que caracteriza as redes antissociais com o analfabetismo futebolístico que impede o debate. E estamos falando de uma audiência predominantemente europeia, o que poderia causar uma sensação de alívio, mas, na verdade, apenas aumenta o desânimo.

Fjortoft se refere ao “como”, não ao “o quê”. E o fato de algo tão óbvio escapar a tantos revela a incapacidade de enxergar o verdadeiro presente do futebol. Como já se escreveu, as pessoas sem ideais são quantitativas; podem apreciar o mais e o menos, mas nunca distinguem o melhor do pior. Por essa razão, o Manchester City apresenta um quadro que não lhes diz nada além de pontos conquistados em sequência, o que só pode ser explicado pelo tipo de devaneio que levou José Mourinho, técnico do clube mais rico do mundo, a reclamar mais dinheiro para poder competir com um adversário que ele quase não consegue ver. Às vezes, a maneira menos incômoda de conviver com um problema é atribui-lo a razões que julgamos conhecer, ainda que a solução pareça inalcançável. Mesmo assim, não deve ser fácil.

A distância do primeiro para o sexto colocado na Premier League é de vinte e um pontos. Do sexto para o décimo-sétimo, dezenove. Ao construir o melhor desempenho (dezenove vitórias, um empate) nas primeiras vinte rodadas em toda a história das cinco maiores ligas da Europa, o Manchester City é o time que mais fez gols (61) e o que menos sofreu (12) na Inglaterra. Novamente, quase todos conseguem detectar números, mesmo que não possam identificar o jogo que os produz. Disse-se, sobre o tipo de futebol pregado por Pep Guardiola, que ali não se poderia vencer sem concessões às virtudes de um campeonato superior. Algo na linha paródica de “será que Messi seria capaz de jogar em um campo enlameado, numa noite fria em Newcastle?”. As fantasias terão de ser reescritas junto com os registros de recordes.

Voltando ao tweet de Fjortoft, qualquer campeonato está arriscado a ser a ‘liga do Mickey Mouse’ diante de um time capaz de reduzi-la. A ignorância está em querer reduzir campeonatos por causa da existência de um ou dois grandes clubes. E não se trata de quem será campeão, ou quantas vezes, porque todas as ligas do mundo são vencidas por alguém em todos os anos. A questão é como se vence, com quais argumentos, e que sensações ficam ao longo do caminho. Nesta temporada, torcedores em Manchester estão descobrindo o que já se conhecia em Barcelona e em Munique: o inesquecível sabor de ter uma ‘liga do Mickey’ para chamar de sua.

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Guilty

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Os vereditos foram anunciados quando já se imaginava que o dia terminaria no Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York, sem que o julgamento do “caso Fifa” tivesse um desfecho antes do Natal. Mas, ao que parece, os doze jurados não estavam dispostos a passar as festas pensando em mafiosos do futebol sul-americano. Pelo menos não em relação aos réus sobre os quais pesava o maior número de acusações feitas pelo governo dos Estados Unidos. Ontem, na conclusão dos trabalhos, ainda faltava a decisão sobre o peruano Manuel Burga, acusado de apenas um crime (conspiração para formação de organização criminosa). O júri voltará a se reunir na próxima terça-feira.

Para o paraguaio Juan Ángel Napout e o brasileiro José Maria Marin, o julgamento chegou ao fim com a certeza de que passarão os próximos anos encarcerados em uma prisão federal americana. As sentenças serão anunciadas apenas em 2018. Napout foi considerado culpado de três crimes (eram cinco acusações); Marin, de seis (sete). Ao se declarar inocentes e enfrentar o Departamento de Justiça dos EUA diante de um júri popular, ambos sofreram uma goleada muito mais penosa do que jamais experimentaram em suas carreiras como dirigentes de futebol, mesmo porque, como restou provado, o jogo sempre foi para eles apenas um mecanismo de enriquecimento pessoal. Na prisão, descobrirão que as fortunas que amealharam não lhes proporcionará conforto.

Marin e seus advogados levaram 6 x 1 dos promotores do caso: condenações por conspiração para formação de organização criminosa, fraude financeira (Copa América, Copa Libertadores e Copa do Brasil) e lavagem de dinheiro (Copa América e Copa Libertadores). Os jurados absolveram o ex-presidente da CBF do crime de lavagem de dinheiro relativo à Copa do Brasil. Embora a derrota no tribunal tenha sido humilhante, a defesa de Marin merece ser condecorada pelas consequências de sua estratégia: a caracterização do ex-político e ex-cartola como um fantoche de Marco Polo Del Nero não só colaborou para sua prisão, como também complicou a situação de seu sucessor, suspenso pela Fifa. Um desempenho histórico.

Del Nero e Ricardo Teixeira são acusados dos mesmos crimes que levaram Marin ao encarceiramento imediato (apesar dos argumentos da defesa, a juíza Pamela Chen ordenou o transporte dos condenados ao presídio). A diferença entre eles é que Marin foi preso em Zurique, em maio de 2015, enquanto o Marco Polo que não viaja e o Dr. Ricarrrrrrrrrdo não saíram do Brasil, país que não extradita seus cidadãos. A conclusão do julgamento em Nova York obriga a Fifa a banir Del Nero do futebol e deixa a Justiça brasileira em posição extremamente desagradável. A inédita condenação de um alto cartola do futebol brasileiro foi obra de investigadores, promotores, juízes e doze membros do público de outra nação.

Fosse o final de um desses filmes de tribunais, a imagem de Marin sendo retirado do recinto por dois policiais seria uma das poucas sequências lógicas de um enredo quase inverossímil. Del Nero, o cartola hoje impedido de entrar no prédio que tem o nome de um hóspede do sistema carcerário americano, elegeu-se na CBF prometendo “continuidade administrativa” após uma gestão criminosa. Protegido por uma legislação desprovida das normas anti-máfia que vigoram nos Estados Unidos, ele segue sendo tolerado pela estrutura do futebol brasileiro, formada, de maneira geral, por réplicas disseminadas nos clubes e federações. Não há perspectiva de mudança.

Marin pediu para voltar a seu apartamento na Trump Tower e ir à missa no dia de Natal. A juíza Chen concordou com os argumentos da promotoria de que havia risco de fuga. Pouco mais de dois anos e meio depois da operação do FBI no Baur au Lac, o fim da linha chegou, mas só para ele. Tudo segue rigorosamente igual no futebol no Brasil, exposto ao ridículo no dia em que a justiça venceu.

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Invasões bárbaras

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Foi Márvio dos Anjos, editor de esportes do jornal O Globo, quem melhor descreveu a terrível viagem da Copa Sul-Americana no intervalo de um ano: “(…) saiu do espetáculo de humanidade de Medellín para com a Chape e chegou na canalhice pela vitória-a-qualquer-custo no Rio.”, escreveu o jornalista em seu perfil no Twitter. A mensagem, anterior aos horrores que se apoderaram do Maracanã antes e depois do empate entre Flamengo e Independiente, referia-se ao foguetório diante do hotel onde o time argentino se hospedou. “Não se aprende nada”, concluiu Márvio. Fato. Não se chega nem perto de aprender qualquer coisa.

O sujeito de baixa contagem neuronal – independentemente de origem, ocupação, nível educacional e time escolhido -, aquele que sabe utilizar as redes antissociais, mas tem enormes dificuldades para pensar, sempre cospe uma resposta cretina para tudo. No caso, tratou-se de um rastejante argumento de “reciprocidade” ao que se passa com clubes brasileiros quando jogam na Argentina e com seus torcedores nos estádios daquele país. Foge a esse tipo de “raciocínio” a noção de que nada é pior do que ser igual ao que deploramos. E que qualquer pessoa que deseje ser respeitada tem a obrigação de ser superior ao desrespeito. Certamente são conceitos complexos.

As invasões ao Maracanã em jogos do Flamengo são eventos recorrentes, e, como tais, não podem ser interpretadas como manifestações do destino. Há inúmeras circunstâncias em ação, a falência do Estado entre elas, mas – assim como no foguetório – a ideia de que o futebol é um território em que não existem normas está evidente. Não é tolerável que se pense que todos os tipos de comportamentos são permitidos em estádios, começando por quem diz a crianças que ali se pode ofender, mas não em outros lugares. Ademais, o Maracanã recebeu a final da última edição da Copa do Mundo, o que exclui a desculpa de que há defeitos estruturais que impedem operações para controle de acesso, obrigatórias em jogos como o da última quarta-feira.

O futebol exacerba a violência de uma sociedade doente, em que ganhar é mais importante do que tudo. O Flamengo não foi capaz de ser um time (porque a diretoria impediu a construção) durante todo o ano, mas tem de ganhar. Reinaldo Rueda está trabalhando há quatro meses, mas tem de ganhar. Os jogadores mais capazes fazem parte de um coletivo que não funciona, a linha defensiva joga muito próxima à própria área, os adiantados se distanciam demais… Mas o Flamengo tem de ganhar porque o alto investimento ilude quem não compreende como o jogo funciona, em um processo que garante a frustração, a eleição de culpados, as mudanças que atrasam projetos.

A obsessão pela vitória é tamanha que um goleiro permaneceu em campo após perder a consciência e houve quem aplaudisse, incapaz de perceber o risco. E não, que não se responsabilize o médico, porque a decisão não pode ficar nas mãos de alguém sob todas as pressões – mais ainda em uma final – para que o espetáculo prossiga, e rápido. É imperativo que se estabeleça a regra em vigor na Premier League inglesa, obrigando a substituição imediata de um jogador que perde os sentidos. É a única forma de proteger futebolistas de acordo com as atuais regras do jogo. César teve sorte, felizmente. Mas, como escreveu Márvio, não se aprende nada.

SUSPENSÃO

Marco Polo Del Nero é um fenômeno. Alcançou o feito de ser julgado em Nova York sem sair do Brasil e foi suspenso por noventa dias pela Fifa. Agora não pode nem entrar na sede da CBF, que tem o nome de seu antecessor, acusado de sete crimes pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e aguardando a decisão dos jurados. Enquanto isso, o coronel Nunes lidera o futebol brasileiro, sob o silêncio dos clubes e o som do esfregar das mãos dos presidentes de federações. Os políticos do esporte no Brasil são insuperáveis.

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Mudar o meio

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Em agosto, durante a gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, Raí foi questionado sobre quando reuniria sua experiência como jogador de futebol com o conhecimento adquirido em administração esportiva, assumindo uma posição em que pudesse colaborar diretamente para o avanço deste ambiente. A resposta foi, de certo modo, evasiva. O ícone são-paulino expressou o que a maioria das pessoas já sabia: naquele momento, suas prioridades eram o trabalho na associação Atletas pelo Brasil, na Fundação Gol de Letra e a conclusão de sua graduação no Mestrado Executivo da Uefa para jogadores. Raí também lembrou que era membro do conselho de administração do São Paulo, sem afastar a possibilidade de, um dia, ter uma participação mais ativa no clube em que se tornou ídolo.

Esse dia foi ontem, quando Raí foi apresentado como diretor de futebol, prova de que ele entende que a hora de agir finalmente chegou. Uma decisão corajosa mesmo para quem possui todos os atributos para esse tipo de trabalho, embora as possibilidades não sejam generosas. Uma trajetória teórica de carreira como executivo de futebol para Raí teria como destino final a presidência da CBF, quando/se existirem as condições para que alguém como ele seja candidato. No nível de clubes, exceto uma experiência fora do Brasil que não parece lhe interessar, o São Paulo é o único lugar em que ele poderia dar o primeiro passo. Um dos problemas é que esta é a administração que tratou Rogério Ceni – um astro são-paulino da mesma ordem de grandeza – com a frieza e o desdém de quem não se importa com os verdadeiros legados.

É natural que o nome de Raí seja recebido com certa apreensão. A presença como protetor de um presidente que se habituou a colecionar diretores de futebol, associada à forma como Ceni foi dispensado, indica o risco de suas ideias e suas intenções se tornarem vítimas (ver: Flamengo, Zico, Patrícia Amorim, 2010) da política e do forno de vaidades permanentemente ligado nos clubes brasileiros. O São Paulo tem dado sinais de enxergar uma estrutura profissional de futebol como necessária, mas, no fundo, a rotina da tomada de decisões é caracterizada pelo mesmo amadorismo que impera desde sempre no país. É precisamente por isso que a chegada de Raí ao trabalho do dia a dia deve ser encarada como uma oportunidade relevante não só para ele, não só para o São Paulo, mas para o futebol no Brasil.

O que se pretende para o jogo que ocupa um espaço tão caro na vida de tanta gente? Que continue a ser um ambiente refratário a pessoas sérias, que não tenham planos de se servir de um meio não regulamentado? Um “negócio diferente”, para o qual é preciso “ter estômago”? No âmbito que o aguarda, Raí não é um produto do meio e tem a chance de ser um agente de mudança. Ex-jogador com vivência internacional e dotado de capacitação acadêmica, ele representa o atleta que se preparou para exercer funções para as quais a carreira como esportista não é suficiente. É um símbolo. A estrutura existente se esforçará para repeli-lo, pois é alérgica ao progresso. O próprio clube, contaminado, apresentará dificuldades que Raí sempre soube que encontraria, mas só agora decidiu enfrentar.

CASO FIFA

A apresentação de uma conta bancária em nome de uma empresa de José Maria Marin como destino de propinas pelos direitos da Copa América complicou a situação do ex-presidente da CBF. Os depósitos feitos por uma empresa de Wagner Abrahão, antigo parceiro de logística da confederação, aconteceram em 2013, quando Marin era o presidente da entidade. A origem foi a Torneos y Competencias, negociadora dos direitos. Os promotores americanos ainda mostraram que a conta foi movimentada para pagamento de despesas pessoais, comprovando não apenas o caminho, mas a utilização do dinheiro. As provas desafiam os argumentos da defesa de Marin no julgamento em Nova York.

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O facilitador

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É conhecida a história do dia em que Maicon levou Arthur ao Centro Digital de Dados do Grêmio, para mostrar ao jovem volante como ele poderia incrementar suas atuações com passes mais profundos, endereçados às proximidades da área do oponente. O que pouca gente fora do âmbito do clube sabe é o que aconteceu depois. No primeiro jogo após a visita, a goleada sobre o Sport, em setembro, Arthur colaborou para a criação de um gol de Fernandinho com um passe longo para a assistência de Ramiro. “Ele passou a nos pedir os relatórios de passes, para ver se estava crescendo em verticalidade”, conta Eduardo Cecconi, responsável pelo departamento de inteligência do futebol gremista.

Cecconi acrescenta que Maicon vê em Arthur uma espécie de sucessor no controle da posse do time. No meio da temporada, ambos tinham números semelhantes em relação à quantidade e ao acerto de passes, mas a média de Maicon em conexões para o terço final do gramado era quatro vezes maior (16 a 4 por jogo). O que o companheiro de meio de campo talvez tenha notado antes dos outros é que o trabalho mais difícil já era parte natural do futebol de Arthur: a capacidade de organizar o jogo a partir da intermediária defensiva, com o pescoço sempre girando para identificar espaços e facilitar o papel dos que estão ao redor. Como diz Alex, ex-meia do Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, “Arthur abre todas as possibilidades pela frente e por trás da linha da bola, é um facilitador absurdo”.

A torcida do Lanús foi testemunha ocular. Durante o primeiro tempo do segundo jogo da decisão da Copa Libertadores, Arthur ofereceu uma clínica de serviços de um meiocampista, ajudando o Grêmio a mandar no encontro na casa do rival. Leitura de posicionamento impecável antes e depois do passe, movimentação constante para determinar a sequência de jogadas ou socorrer uma possível perda de posse. O movimento do segundo gol começou com ele. Passe, recuo para receber de volta, drible, avanço, outro passe, e, de Jailson, a bola chegou a Luan. Talvez seja a baixa estatura (1,72m) e a facilidade para sair para ambos os lados, talvez seja o fato de a bola colar em seus pés, mas ver Arthur jogar na Argentina gerou flashes dos melhores do mundo nesta função, o que explica o interesse do Barcelona.

“O Arthur teve de vencer uma resistência histórica no clube, volante baixinho…”, diz Cecconi. Uma descrição que teria o efeito contrário no clube catalão. Se é verdade que a partida contra o Lanús era o “exame final” para uma oferta do Camp Nou, o período em que o volante ficou em campo foi mais do que suficiente para convencer quem estava em dúvida. Em Porto Alegre, não há traços de incerteza sobre esse encaixe. “No Barça, ele seria, acredito, protagonista do tripé de meio”, prevê o analista do Grêmio, privilegiado por acompanhar de perto o desenvolvimento de um time em que Arthur atua como armador no estágio de construção de jogadas e Luan causa desequilíbrio próximo ao gol. Eles são as duas principais revelações do futebol brasileiro nas últimas duas temporadas.

É possível que Arthur tenha um apelo maior a clubes que valorizam o senso coletivo de futebolistas que Alex qualifica como “dinâmicos”, pelo impacto que geram em diferentes fases do jogo. Aos vinte e um anos, ele possui a compreensão de futebol que normalmente exige mais tempo para alcançar, com espaço para se aperfeiçoar, como nos passes mais profundos e na chegada ao ataque. Os adversários argentinos que o procuraram em campo na quarta-feira – sem sucesso, exceto para contê-lo com faltas – entenderão se, em breve, Arthur causar problemas similares em estádios europeus. E talvez, quem sabe, na Rússia.

GRUPO E

A questão é a mesma do copo meio cheio ou meio vazio, mas um grupo teoricamente fácil na Copa do Mundo permite crescimento como equipe e manutenção do bom ambiente. O sorteio sorriu para o Brasil.

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