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Incoerente

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Embora um universo de trinta e quatro jogos seja insuficiente para avaliar um time de futebol e todos os aspectos do trabalho de um treinador, uma coisa Cuca não foi capaz de fazer: salvar a temporada do Palmeiras dos riscos que as pessoas que tomam decisões no clube identificaram nos primeiros dias de maio, quando resolveram demitir Eduardo Baptista após vinte e três partidas. Mesmo a caminho de classificar o time para as oitavas de final da Copa Libertadores, Baptista foi considerado inapto para conduzir o planejamento do Palmeiras aos objetivos do ano. Faltava-lhe estofo. O campeão brasileiro de 2016 foi trazido de volta e apresentado como a solução para problemas imaginários.

À época, neste espaço, o desvio de rota futebolística que o Palmeiras tomava foi abordado, com ênfase nas incompatibilidades entre o tipo de jogo pregado por Cuca e o que o elenco foi montado para praticar. Felipe Melo e Miguel Borja terminaram enquadrados como os rostos da questão, mas é possível que Alejandro Guerra tenha sido a principal vítima da decisão tomada pela diretoria. O meia trazido para exercer um papel central em um time de construção se viu, a partir da troca no comando, obrigado a se adaptar a outra linguagem de futebol. Seu declínio é produto de um erro cometido dois andares acima dele, pelas mesmas pessoas que o contrataram com uma visão de equipe e suspeitaram que alterar a visão, com a mesma equipe, era uma ideia inteligente. Obviamente não era.

O resultado: o técnico que resolveria os problemas que o Palmeiras não tinha não completará o Campeonato Brasileiro, medida anunciada, em nome do “planejamento de 2018”, por quem rasgou o planejamento de 2017 após três meses. A confusão é de tal ordem que a saída de Cuca, em si, não é um despropósito a partir do momento em que não há mais objetivos ao alcance e se pretende outro técnico para o ano que vem. Mas não se pode ignorar o que levou o Palmeiras a esta situação durante uma temporada em que havia tanto a conquistar e se fez tanto investimento. A sensação de desperdício, não só dos recursos, é bem pior do que a da derrota.

Não, o Palmeiras não dava exibições de futebol quando o trabalho de Eduardo Baptista foi interrompido. E nunca se saberá como seria o ano de 2017 se ele tivesse recebido os suportes necessários a alguém em sua posição, formando um novo time sob máxima exigência. É possível que, na metade de outubro e sem nada para mostrar, a diretoria entendesse que o melhor caminho era dispensar Baptista e tratar do futuro. Ao menos seria uma decisão bem informada, coerente, após uma temporada de convivência e com parâmetros claros de avaliação sobre o desempenho do time, do técnico e de cada jogador. O Palmeiras perdeu essa oportunidade em maio, e nada andou bem desde então.

Quanto a Cuca, talvez seja o momento propício para o descobrimento de um mundo de futebol que não faz parte de seu dia a dia. Mesmo em um ambiente que comete o pecado supremo de rejeitar o conhecimento, Tite mostrou que treinadores estabelecidos e financeiramente confortáveis podem – devem? – reservar tempo para avançar na profissão. O jogo de futebol está em constante transformação, em ciclos cada vez mais curtos que precisam ser acompanhados por aqueles que pretendem se manter, no melhor dos sentidos, em evidência.

MOEDOR

Na temporada, Argel Fucks, Ney Franco, Roger Machado, Marcelo Cabo, Milton Mendes e Cuca foram demitidos após enfrentarem o Bahia. Cuca foi o único que não perdeu.

SEM PRESSA

Mano Menezes deve se reunir com a diretoria do Cruzeiro no início da semana que vem, para tratar de sua permanência ou não no clube mineiro. A renovação do contrato não está relacionada ao interesse do Palmeiras ou de outro(s) clube(s). De qualquer maneira, não haverá novidades durante o fim de semana.

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O czar preso

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O reinado de Carlos Arthur Nuzman, por um motivo ou outro, já estava no epílogo. A prisão – temporária, preventiva, ou simplesmente a imagem de sua condução a um prédio da Polícia Federal – do czar do esporte olímpico brasileiro é importante, simbólica, pela mensagem que envia aos súditos e pela possibilidade de alimentação das investigações a respeito de outras figuras. É fundamental não esquecer que a conduta do político do esporte nacional é baseada em um modelo replicado de cima para baixo, como gremlins em contato com a água. Há aprendizes de Nuzman com tempo, método e intenção de preservar esse modelo, pois ele permite uma vida pilhando o esporte sob o disfarce dos serviços prestados e a farsa da abnegação. Só haverá avanço se os mini-nuzmans forem detidos e a estrutura for modernizada.

Não fosse este o Brasil, a carta de renúncia de Nuzman já estaria entregue e muitos de seus colaboradores diretos no Comitê Olímpico Brasileiro teriam acompanhado o cartola encarcerado, com declarações de lisura, confiança na inocência do chefão, amor à pátria e etc, mas ansiosos pela retomada de suas rotinas particulares, carreiras paralelas, quem sabe à procura daquele diploma universitário que remete a uma formação profissional há tempos esquecida. É evidente que há pessoas honestas e honradas em uma organização como o COB. Assim como no COI, na Fifa, na Conmebol, na CBF, nas federações… são aquelas pessoas que, embora sintam o impacto de operações como a “Unfair Play”, provavelmente se encontram aliviadas. E não enfrentam problemas para dormir, ao contrário dos espertos que, desde a primeira visita da PF à casa de Nuzman, imaginam há quanto tempo estão sendo monitorados.

Calcule. Se até o ilustre Nuzman assinou a confissão de retificar sua declaração de imposto de renda após o depoimento no início de setembro, incluindo as barras de ouro guardadas em um cofre na Suíça, o que não fizeram os integrantes menos dotados de sua turma? Quantos equívocos, talvez tão graves quanto tentativa de obstrução de Justiça, teriam cometido sob a pressão da investigação e a impressão de que conseguiriam se esconder? Aquele serviçal que, desde a realização dos Jogos Panamericanos de 2007, vivia às gargalhadas se arriscando em inconfidências sobre as operações do COB, estaria rindo agora? O tamanho da operação que prendeu Nuzman e Leonardo Gryner interessa tanto a quem está ansioso por seus efeitos quanto a quem os teme. E entre os que vestiam com orgulho o terno do comitê e ajudavam Nuzman a sujar as mãos, não devem ser poucos.

Ainda que pareçam duras, as sanções do Comitê Olímpico Internacional – suspensão de Nuzman e do COB – apenas mostram a família olímpica, irritada, distanciando-se de um membro que se colocou em posição prejudicial “ao sobrenome”. Não pelo que fez, mas por ter sido pego. O comunicado da entidade com sede em Lausanne ressalta o interesse na investigação, “a fim de proteger sua reputação como organização”. O efeito prático principal é o corte da mesada. No aspecto esportivo, nada se altera, e esse é o problema maior. Mesmo que a Polícia Federal alcance todos os envolvidos e os retire do cenário, só uma estrutura diferente de poder e administração fará com que a prisão do czar signifique um novo momento.

RECORDAR…

É desagradável, mas obrigatória, a lembrança de que muitos alertas foram feitos antes e depois da escolha do Rio de Janeiro para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Fez-se pouco de argumentos que chamavam a atenção exatamente para o risco de esquemas como os que agora estão expostos, encabeçados por políticos profissionais e esportivos, que se aproveitaram das obras e dos serviços relacionados à Olimpíada. A empolgação com a proximidade do evento dispensou esses alertas, desqualificando-os como manifestações antipatriotas ou bairristas. Um equívoco explicado, talvez, pela vontade de ser enganado.

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O vício da culpa

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Quando a disputa de pênaltis que decidiria o título da Copa do Brasil estava para começar, na noite de quarta-feira, a primeira pessoa responsabilizada pelo fracasso da temporada do Flamengo provavelmente olhava para a tela da televisão com um interesse distanciado no desfecho das cobranças. Seria natural que Zé Ricardo torcesse pelos amigos que deixou no clube em que trabalhou por tanto tempo, assim como censurá-lo por estar mais preocupado com seus objetivos atuais é injusto. Fato é que outro profissional ocupava sua posição, a minutos de uma frustração que obviamente teria repercussões. A exemplo do Coronel Fábio, em “Tropa de Elite”, o problema não era mais do técnico que hoje dirige o Vasco.

O segundo culpado por um ano desperdiçado estava em campo, no círculo central, ao lado dos companheiros. Alguns já lidavam com o pacote psicológico-técnico da longa caminhada até a grande área para colocar a bola na marca e chutá-la na direção do gol, única situação no jogo de futebol para a qual não existe preparação possível. Márcio Araújo sabia que, exceto no caso da noite se tornar inacreditavelmente longa, tal responsabilidade não pesaria sobre seus ombros. Após assistir a todo o encontro entre os jogadores suplentes do Flamengo, o papel do volante criticado em doses muito além das aceitáveis permanecia o mesmo: apenas torcer.

Outros dois escolhidos para suportar o que deveria ser compartilhado por todos também estavam no gramado do Mineirão, envolvidos diretamente no balanço imprevisível desse tipo de decisão. Um deles seria o autor da terceira cobrança pelo Flamengo. O outro teria ao menos cinco chances para se fazer notar diante dos batedores cruzeirenses. Ambos entrariam pela madrugada processando, cada um a seu modo, os elementos que convertem jogadores que não vencem em párias, vítimas de um julgamento imaturo que projeta neles a satisfação da vaidade alheia. Fábio negou a Diego o único destino que se permite a futebolistas contratados para “fazer diferença”. Todos os pênaltis cobrados pelos mineiros encontraram a rede que Muralha tinha a obrigação de defender com a própria vida.

A noção de que um jogador de futebol deve ser incriminado por uma derrota é tão infantil quanto a tese de que existem vitórias individuais neste jogo. Falhar em compreender as complexidades coletivas que levam a resultados de partidas e competições é se contentar com um dos níveis mais miseráveis de ignorância. O futebol é um confronto de equipes, que, como tais, escrevem seus caminhos de acordo com os próprios comportamentos. A análise deve ser ainda mais sóbria quando se trata de disputas de pênaltis, quando caprichos como um palmo ou um escorregão determinam distâncias gigantescas. Mas essa é a era do desconhecimento, em que opiniões descompromissadas fingem tratar de um esporte que, de perto, é completamente diferente do que se imagina. A discussão precisa se aproximar do que acontece de fato, sob pena de se tornar irrelevante.

CHANCELA

A frase de Mano Menezes após a conquista do Cruzeiro ilustra os problemas de entendimento de futebol que devem ser superados: “A gente precisa coroar o trabalho com um título, se não as pessoas pensam que estamos velhos”. Título é validação de trabalho. Ausência de título não significa, necessariamente, ausência de trabalho.

DISTÂNCIA

Carlo Ancelotti foi o quarto técnico demitido pelo Bayern de Munique, durante a temporada, nos últimos vinte anos. Há quem consiga enxergar o tradicional resultadismo brasileiro na decisão do clube alemão, um equívoco estatístico mesmo sem considerar todos os aspectos de trabalho, ambiente e elenco em questão. De repente, o cinismo foi capaz de notar, em um clube que acredita em formação de grupo e tempo de amadurecimento de equipe, um tipo de administração semelhante ao que tem caracterizado o Atlético Mineiro.

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Sqn

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Em um evento sobre gestão esportiva, na última quarta-feira, em São Paulo, o secretário-geral da CBF teve a ousadia de defender Marco Polo Del Nero durante um debate cujos temas eram a integridade e a transparência nas práticas de entidades ligadas ao esporte. Quem esteve no “Seminário Nacional do Esporte” pode ter ficado com a impressão de que o presidente da CBF é uma espécie de mártir das cartolas do futebol brasileiro, uma vítima de perseguição internacional que deve ser aplaudida por conduzir a confederação com o mais alto nível de responsabilidade. Não era a intenção dos organizadores, claro, mas a participação de Walter Feldman ofereceu uma experiência de realidade virtual, com uma releitura do que se sabe a respeito de Del Nero.

É difícil selecionar as pérolas mais valiosas proferidas por Feldman no encontro realizado pelo Lide Esporte e Atletas pelo Brasil (as aspas mencionadas pela coluna estão na reportagem de Bruno Grossi, do portal Uol). Talvez mereça maior destaque a tentativa de minimizar o processo que Del Nero enfrenta na Justiça dos Estados Unidos: “Sim, [o presidente da CBF] sofre um processo de investigação de uma agência chamada FBI”, admitiu. Atenção ao uso de “uma agência…”. É inacreditável que o secretário pretenda qualificar a polícia federal americana como um organismo que não justifica maiores preocupações, como uma associação de bairro. É por consequência do trabalho do FBI que ex-dirigentes de futebol lidam com restrições de liberdade desde a operação no Baur au Lac, no final de maio de 2015.

Colegas estão em situação mais penosa, é fato, mas o próprio Del Nero teve de ajustar sua rotina às repercussões do chamado “escândalo Fifa”. Embora seu passaporte não tenha sido confiscado, o efeito prático é o mesmo. O presidente da CBF não embarca em um avião com destino internacional porque sabe quais serão as implicações. Uma vez mais, nota-se o esforço de Feldman: “Por isso ele não viaja, por pura orientação dos advogados, para evitar constrangimentos”. Que sensacional peça de ficção. Para “evitar constrangimentos”, é possível que as irmãs Kardashian deixem de ir a um local público, por exemplo. Del Nero não vai ao exterior porque será preso. Não se trata de uma opção, ou zelo exagerado, mas de uma situação imposta pela investigação de corrupção no futebol feita pelo Departamento de Justiça dos EUA.

O que impede que Del Nero saia do país para uma simples viagem turística e represente os interesses do futebol brasileiro em jogos da Seleção ou reuniões da Conmebol e da Fifa, como exige o cargo que ocupa (importante lembrar que Carlos Arthur Nuzman, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro que possui passaporte russo, também está impossibilitado de passar por nossas fronteiras). Feldman sugere que seu chefe não tem conhecimento das acusações que pesam contra ele e não pode contra-argumentar: “Não temos maiores informações e, logo, possibilidade de defesa. (…) É apenas uma dificuldade de formular uma defesa por sua inocência sem saber do que ele é julgado”. Não, não é apenas isso. A dificuldade é tratar do assunto com franqueza.

Eis um trecho de um documento que se tornou público há dois meses: “O governo vai provar que, assim como Marin, outros dirigentes de futebol – incluindo Teixeira e Del Nero – receberam propinas relacionadas à compra e à venda de direitos de transmissão e de marketing da Copa do Brasil”. Como revelou o repórter Martín Fernandez, do Globoesporte.com, à época, a peça dos promotores americanos tem quarenta páginas e informa que provas serão apresentadas durante o julgamento de José Maria Marin, no início de novembro, em Nova York. As informações podem servir como ponto de partida para a defesa de Del Nero, a não ser que, resultantes da investigação de “uma agência chamada FBI”, não mereçam consideração.

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Renovado

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O anúncio da renovação do contrato de Fábio Carille no Corinthians foi um movimento acertado. Relacionar a retomada das conversas entre as partes à recuperação do time no Campeonato Brasileiro, como se cogitou, seria arriscado e, com o perdão da franqueza, pouco inteligente. Ficaria evidente a sugestão de que, se o líder do campeonato não tivesse perdido nove pontos dos últimos doze que disputou, a permanência do técnico já teria sido anunciada. E transferiria a resolução da questão para um momento hipotético: o que seria essa “recuperação”? Vencer os próximos dois jogos? Reestabelecer dez pontos de vantagem para o segundo colocado? E se nada disso acontecer?

Uma coisa é agendar as reuniões sobre a renovação para o fim da temporada, quando os contornos do ano seguinte estão definidos e se pode partir de uma visão concreta. Permite-se que o técnico concentre suas energias no trabalho de preparar e dirigir o time, sem nenhum tipo de distração (embora agentes sirvam exatamente para esse fim: negociar enquanto os representados trabalham). “Congelar” as conversas que se iniciaram com interesse mútuo é algo inteiramente diferente, uma decisão que transmitiria a impressão de dúvida e desperdiçaria a oportunidade de tornar pública a confiança do clube em Carille, justamente no trecho do campeonato em que as coisas não vão bem.

A única explicação aceitável para a suspensão do diálogo – previsto para ser concluído durante o período em que o campeonato ficou paralisado por causa das Eliminatórias – seria uma decisão do próprio treinador, o que revelaria falta de habilidade por parte da diretoria do clube ao permitir um entrave. Pois à exceção de exigências tresloucadas de Carille para prosseguir em sua posição, não haveria justificativa para que o Corinthians falhasse ao alcançar as pretensões profissionais do técnico que conduz o time em uma campanha que, mesmo com a queda recente, merece todos os elogios. Alguns bons resultados não deveriam ser necessários para acertar a sequência do relacionamento.

Ao dar a Carille um novo contrato de duas temporadas, com opção de mais uma, o Corinthians oferece uma demonstração de convicção no trabalho de um técnico que está no clube há muitos anos e já provou que merece a oportunidade que recebeu, ainda que não fosse a escolha inicial para 2017. Mais: reforça que crê na conquista do título brasileiro, embora esse objetivo não seja uma condição para a permanência do treinador. Aliás, a renovação do vínculo faz total sentido mesmo que o Corinthians não seja campeão. A possibilidade da conquista, que não se vislumbrava em janeiro, só é um assunto hoje por causa do desempenho do time sob o comando de Carille.

E até no que diz respeito ao relacionamento entre técnico e jogadores, aparentemente positivo em todos os aspectos, o anúncio feito ontem age para preservar o bom ambiente. Está claro para todos quem dará as ordens no futuro próximo. O Corinthians responde com estabilidade ao primeiro momento instável que experimenta em 2017, e se redime do equívoco que cometeu no começo do ano, quando recorreu, reticente, a Fábio Carille, após ficar sem opções. Carille sempre esteve ali, e ali seguirá, agora com o suporte devido. Ele representa a continuidade das ideias que propiciaram ao clube o que se pode considerar um período sustentável de vitórias.

SELEÇÃO

Não resta dúvida de que o santista Vanderlei merece uma convocação para a Seleção Brasileira. Mas o fato de um dos goleiros suplentes, provavelmente o terceiro, ser o grande ponto de discordância na lista apresentada por Tite revela o suficiente sobre as escolhas feitas. E é curioso que esse tema se sobreponha ao aparecimento de Arthur, jogador de controle, visão e inteligência, da classe que o futebol brasileiro sente falta. Quem o conhece bem afirma que veio para ficar. Tomara.

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Contágio

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A verdade inescapável sobre o jogo de ida da final da Copa do Brasil é, como na maioria das vezes, incômoda: estivesse em uso o árbitro de vídeo no Maracanã anteontem à noite, o gol do Flamengo não seria validado. Simples, indiscutível e grave. Após o desvio de Willian Arão, Lucas Paquetá está impedido com clareza cristalina. Gol irregular em uma decisão, parabéns. Deve-se lamentar não apenas o ocorrido, mas tudo o que não é feito para evitar esse tipo de atrocidade no futebol de hoje, exposto a um constrangimento, no caso do Brasil, quase tão ridículo quanto o aparecimento de torcedores que adquiriram ingressos falsos em pleno ano de 2017.

É comum o argumento que prefere culpar a qualidade da arbitragem a aceitar a urgência do apito eletrônico. O sujeito se utiliza do replay de vídeo – disponível a toda a Via Láctea, menos a quem tem de decidir no ato – para, descaradamente, dizer que “o impedimento foi tão claro que nem é preciso usar a tecnologia, é um erro inexplicável”. Não, Einstein, o tamanho do equívoco não pode ser usado para desprezar a solução, o caminho é o oposto. E no exemplo do gol de Paquetá, importante salientar, a situação é diferente: a arbitragem humana não tem a menor chance em lances como esse, que lembram o que ocorre com a bola nas antigas máquinas de fliperama.

Há também o apelo ao resultado para minimizar a relevância do absurdo. O Cruzeiro empatou, 1 x 1 é como se fosse 0 x 0, então está tudo ok. Não, não está. O jogo poderia ter tomado outro rumo após a abertura do placar, levando a um desfecho em que o impacto do erro seria amplificado. O que o gol de De Arrascaeta fez foi salvar o confronto de um placar contaminado em sua primeira metade, um cenário horrendo. Felizmente não aconteceu, por nada mais do que sorte. E o pior é que o flerte com o perigo não bastará para que providências sejam tomadas o quanto antes. Prefere-se seguir convivendo com o risco e administrando as suspeitas que erodem a relação do público com o futebol.

Os testes com o sistema do árbitro assistente de vídeo indicam que é necessário diminuir ao máximo sua interferência no fluxo do jogo. Na Liga Italiana, em que a tecnologia está em utilização nesta temporada, uma crítica de Gianluigi Buffon gerou repercussão internacional: “Não é futebol, é polo aquático”, reclamou. Ele se referiu às constantes paralisações (não há VAR no polo) nas partidas, não ao uso do vídeo para corrigir erros e tornar o esporte mais justo. “É algo que, usado com moderação, pode nos dar excelentes resultados e ser uma coisa boa para o futebol”, completou o ídolo na mesma entrevista, em uma declaração menos comentada, embora seja igualmente útil ao debate.

O tipo de ocorrência sujeita à revisão também é uma questão fundamental. Neste âmbito, não deveria haver discussão sobre lances como o gol de Lucas Paquetá, que provocam a sensação desagradável dos produtos com defeito e a esperança de que o jogo encontre, por conta própria, o remédio para neutralizar o dano. A partida de ida da final da Copa do Brasil encontrou, e é só por isso que o título do torneio dependerá unicamente do que Cruzeiro e Flamengo fizerem em campo no dia 27. Desde que, é claro, nada semelhante aconteça no Mineirão.

EXAME

O Corinthians não deve querer recuperar, na Vila Belmiro, os pontos que deixou escapar em casa em duas atuações que não foram tão ruins quanto os resultados sugerem. Além de uma impossibilidade matemática, seria um erro estratégico. O maior desafio para as equipes que constroem vantagem na classificação é seguir trabalhando, com base no planejamento de pontos pré-determinado, como se a folga não existisse. No momento em que se começa a pensar na diferença para os perseguidores, deixa-se de pensar no que a permitiu e uma porta se abre para a doença da dúvida. Não é fácil, assim como não é fácil jogar em Santos.

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Separado

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No início da década de 1970, havia na televisão brasileira uma série infantil chamada “O Elo Perdido”, contando a saga de um guarda florestal que saiu para um passeio de barco com seus filhos e, atravessando um portal no tempo, chegou a um mundo pré-histórico em que conviviam seres de diversas eras. Na vitória do Brasil sobre o Equador, anteontem, o comportamento de Neymar fez uma parcela da audiência – a faixa de público que era criança há cerca de cinquenta anos – se lembrar das aventuras da família Marshall naquele ambiente estranho.

Talvez a maior transformação que se deu na Seleção Brasileira desde o jogo contra o mesmo Equador, há um ano, tenha sido a atuação de seu jogador mais famoso e decisivo. Do papel de super-herói a quem o time recorria em situações de desespero sob Dunga, Neymar, com Tite, passou à posição de definidor das diferenças construídas pelo sistema que se desenvolve antes dele. De líder técnico irritadiço e figura a ser contida para fazer o Brasil se desintegrar, o camisa 10 foi convertido no maior causador de danos de um time ordenado e capaz. Até voltar no tempo na Arena do Grêmio.

É curioso, porque esse “antigo” Neymar da Seleção foi visto em campo no ano passado, como astro solitário de um time disfuncional. Não faz tanto tempo assim. A questão é que as distâncias entre aquele jogador e o que se associou aos companheiros – especialmente Gabriel Jesus – a partir de setembro de 2016 são tão dramáticas que causam a impressão de que eles estão separados por épocas. Na noite de quarta-feira, em Porto Alegre, o craque pareceu um enviado do passado na companhia de parceiros que não conseguiram reconhecê-lo ou encontrar uma forma de se comunicar com ele.

Neymar não só se permitiu enervar pela marcação por vezes violenta dos equatorianos, como entrou na perigosa dinâmica de procurar a agressão e a elevação da temperatura do jogo. Ao exagerar nas ações individuais, comprometeu movimentos coletivos que poderiam dar frutos. E quando se deslocou despreocupadamente por todos os setores do ataque, facilitou a vigilância do adversário. Gestões típicas de quem confunde protagonismo – que ele não apenas merece, como precisa exercer para que a maneira de jogar funcione – com a necessidade de estar envolvido em todas as etapas do jogo.

É fácil, até lógico, relacionar a postura personalista à mudança profissional que levou Neymar de Barcelona a Paris. Parece natural que, alçado ao posto de jogador-alfa em seu novo clube, ele tenha intensificado a posição – em termos de categoria, frise-se – que sempre ocupou na Seleção e extrapolado limites, para prejuízo próprio e da equipe. Mas, amostra insuficiente, pode ter sido uma noite equivocada de um futebolista que sempre quer fazer mais. Em qualquer dos casos, Tite providenciou a correção quando injetou Philippe Coutinho em uma linha de três meias e limitou a maior parte das ações de Neymar ao setor do campo em que ele é mais perigoso.

Se Coutinho por dentro provou ser uma alternativa estimulante para solucionar problemas de circulação e contundência (veja nota abaixo), o que conduz ao luxo de tê-lo ao lado de três jogadores ofensivos, a noite de Neymar deve ser compreendida e reajustada para o futuro. A Seleção Brasileira precisa de um Neymar associado, paciente e confortável para ser acionado no momento preciso. Explosões individuais diminuem as possibilidades de sucesso na Rússia no ano que vem, até em relação aos reconhecimentos pessoais que possam fazer parte de seus planos de carreira.

BRILHOU

Questões de transferência à parte, o período em inatividade não pareceu atrapalhar Philippe Coutinho. Sua entrada como distribuidor resolveu a partida para a Seleção Brasileira, acelerando o jogo e envolvendo os companheiros de ataque. A maravilhosa jogada do segundo gol, iniciada e concluída por ele, com formidável colaboração de Gabriel Jesus, foi o ponto alto da noite.

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Cotação

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Mino Raiola, o agente que alguém urgentemente deveria converter em personagem de um filme, foi quem definiu com mais precisão: “O mercado, como tal, não existe mais. Agora são países que contratam jogadores, e isso não é futebol”, disse ao diário espanhol Marca. É exatamente isso. Em Paris, Neymar veste a camisa de um time cujo proprietário não é um magnata à procura de status ou um grupo de acionistas milionários, mas um estado, uma nação. Para clubes de futebol, pagar duzentos milhões de euros por um jogador é um investimento ousado, algo que a imensa maioria não pode nem mesmo cogitar. Para um país como o Catar, é o equivalente à compra de um avião de caça. Não apenas faz sentido, como, de fato, é barato.

O mais “romântico” dos treinadores de futebol também qualificou a chegada de Neymar ao PSG como um dinheiro bem empregado. Marcelo Bielsa, hoje no comando do Lille, tinha todos os motivos para condenar o gesto de força desproporcional feito por um competidor doméstico, mas sua leitura considera o que o astro brasileiro significará para o ambiente do futebol francês nos próximos anos. Bielsa é um conhecido crítico do impacto da escalada da remuneração de futebolistas no distanciamento do que é a razão de ser – o torcedor – do jogo, o que não o impede de avaliar que “para o que agrega ou produz, o que foi pago não é exagerado. Segundo essa lógica, Neymar não é caro”, declarou o argentino.

O que Raiola, Bielsa, a diretoria do Barcelona e todas as pessoas que trabalham no futebol ou o acompanham de perto sabem é que os parâmetros do que se chama de mercado, na Europa, foram reajustados. Após Paul Pogba quebrar a marca dos cem milhões de euros na transferência da Juventus para o Manchester United, no ano passado, esperava-se que este patamar perdurasse por algum tempo. Neymar o dobrou e Ousmane Dembélé será seu substituto no Camp Nou, concluindo a segunda transação mais cara da história (105 milhões de euros, com mais 40 milhões variáveis). Não se pode ignorar a posição desconfortável em que os dirigentes catalães se colocaram, obrigados pelas circunstâncias a negociar em ampla desvantagem, mas o atacante francês tem apenas vinte anos e dez gols marcados na Bundesliga.

Dembélé também tem controle e chute com os dois pés, habilidade rara, e o atrevimento que normalmente caracteriza quem sabe que é bom desde cedo. Falta-lhe a compreensão de jogo que só se adquire com tempo, além de ajustes de comportamento que o vestiário do Barcelona deve proporcionar. A principal explicação de sua estratosférica valorização (o Borussia Dortmund o adquiriu em maio de 2016 por 15 milhões de euros) é a capacidade de desequilibrar jogos na região do campo em que o espaço tem mais valor. O drible próximo à área é o bem de consumo mais procurado do futebol, um prenúncio de ocasiões de gol diante de organizações defensivas competentes e linhas situadas de forma a negar profundidade.

Não é coincidência, portanto, que parte substancial do dinheiro que Neymar gerou tenha sido utilizada para contratar características similares. O mercado pode estar em um momento de insanidade nos valores, mas não nas tendências. A mágica que cria um gol importante seguirá produzindo emoções que não podem ser calculadas em numerários ou em retorno de imagem, como o Maracanã pôde constatar na noite de quarta-feira.

EM GRUPO

Escala de prioridades da temporada do Grêmio: 1) título da Copa Libertadores, 2) título da Copa do Brasil, 3) vaga na Libertadores de 2018, 4) título do Campeonato Brasileiro. Hoje: 1) possível, 2) impossível, 3) muito provável, 4) improvável. Não é uma posição ruim a esta altura. Se há um equívoco na ideia, é o nível de importância dado ao Brasileirão. Supõe-se que esse tipo de decisão é tomado em conjunto no clube, motivo pelo qual é injusto responsabilizar apenas Renato Gaúcho se as coisas não andarem bem.

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Gracias

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O atraso do futebol brasileiro é tão dramático que os técnicos ainda são classificados aqui com etiquetas nas quais cabe apenas uma palavra: o “boleiro”, o “disciplinador”, o “estrategista”, o “motivador” e o “estrangeiro”. Em muitos casos, as etiquetas substituem os nomes e as distintas características das maneiras de ser e trabalhar, pois a falta de interesse em conhecer a rotina de quem dirige equipes de futebol facilita a redução desses profissionais a um rótulo. O caso do “estrangeiro” é ainda mais sério, pois a redução coloca histórias, formações e ideias radicalmente diferentes na mesma prateleira. O estrangeiro pode ser boleiro ou estrategista, mas não importa; o que interessa é estabelecer que ele veio de outro lugar, informação suficiente para quem não precisa saber de mais nada.

Nesta ótica, é cômico como são analisadas as passagens recentes de treinadores que nasceram em outros países pelo futebol brasileiro, de forma a responsabilizá-los por insucessos em que os defeitos do ambiente são evidentes. Os males decorrentes do imediatismo – principal causa da morte de trabalhos feitos por técnicos locais, independentemente do perfil – são agravados pela necessidade de adaptação e o final da história é o mesmo de sempre. Conclui-se, brilhantemente, que o “estrangeiro” não era “nada demais”, pois teve o mesmo desempenho dos que o antecederam, tornando-se um investimento desnecessário. “Mais do mesmo”, diz o sábio, incapaz de notar onde estão os verdadeiros problemas.

Em sua apresentação no Flamengo, Reinaldo Rueda foi questionado sobre o “estigma” do técnico estrangeiro no Brasil. Exatamente. Criou-se um estigma, algo como uma maldição, uma profecia. E se decidiu apresentá-lo como um drama cuja resolução é uma tarefa para esses treinadores condenados ao fracasso longe de casa, até o surgimento de um oráculo que supere todas as dificuldades impostas e revolucione um time em três meses. Há até quem veja nessa fábula uma prova da força do futebol brasileiro, o que infelizmente carrega a discussão para o território do complexo do pombo enxadrista. Embora a humanidade atravesse um momento recompensador para ser idiota, é preciso identificar que esse não é o caminho a seguir.

É preciso abolir o uso de “técnico estrangeiro”, preferencialmente junto com as etiquetas mencionadas no início. Além de exalar desconhecimento, a expressão destina um olhar negativo a quem foi chamado para trabalhar no Brasil e, assim como ocorre com os jogadores de outros países contratados por clubes brasileiros, não está ocupando injustamente o lugar de ninguém. E se o Flamengo presentear Rueda com a quantidade de tempo e paciência que ele necessita para instalar sua forma de trabalhar, que a exceção se transforme em norma e seja um agente de avanço nas relações entre clubes e técnicos. A questão é o futebol que se pratica no país e para onde ele vai, não a origem de cada treinador.

Outra discussão relevante é a certificação de técnicos no Brasil, também, naturalmente, atrasada. A categoria parece disposta a se movimentar e solicitar à CBF uma reforma nas condições de trabalho, além de uma solução que permita dirigir na Europa. Mas não há motivo para que não se beneficie da troca de conhecimentos com técnicos que para cá vierem, que, por sua vez, certamente se tornarão profissionais melhores a partir dessa experiência. Aliás, é curioso que o debate tenha sido aceso pela contratação de Rueda, mal digerida em vestiários espalhados pela Série A. Nesse aspecto, já há um motivo para agradecer ao colombiano.

ESPERA

Logo mais, em Itaquera, o líder do Campeonato Brasileiro encontrará mais uma “expectativa” a ser superada: a de que um período de duas semanas sem jogar é capaz de atrapalhar o que, até agora, funcionou quase perfeitamente.

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Sabotagem

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É possível que a noite de quarta-feira tenha deixado ensinamentos para os dirigentes e as bases de torcedores do Palmeiras e do Atlético Mineiro, dois clubes que sabotaram seus times durante o curso da temporada, e agora se perguntam o que deu errado em um jogo, ou um confronto, quando a questão real é muito mais ampla. As ideias valem mais do que o orçamento e a exigência que resulta do simples olhar para os elencos, imaginando que se transformarão espontaneamente em equipes vencedoras. Ideias e trabalho com um mínimo de continuidade, mesmo que seja nos padrões do futebol brasileiro.

O presidente do Atlético Mineiro, Daniel Nepomuceno, proferiu a brilhante frase “futebol é resultado” para justificar a demissão de Roger Machado, provavelmente esquecendo que o clube que ele comanda tem média recente de um treinador a cada seis meses. Não, futebol é planejamento, convicção, formação de grupo e de equipe. O resultado – o resultado sustentável, diga-se, não o episódico – é produto da satisfação desses aspectos, e sua ausência em um intervalo curto de tempo não pode ser usada para corrompê-los. Alguém poderá dizer que, com Roger, o Atlético estaria na mesma situação, ou pior. Futurologia rasteira que serve apenas para sustentar a “cultura” da troca de treinadores como solução de problemas.

O Palmeiras fez ainda pior, interrompendo a montagem do time de Eduardo Baptista ainda na fase de grupos da Copa Libertadores, com o argumento da substituição preventiva que permitiria o alcance dos objetivos da temporada. A noção de “trocar antes que seja tarde” foi agravada na própria execução, pois a Cuca, em quem se projetou uma aura de salvador, foi entregue um elenco diferente do que ele escolheria se pudesse. Ainda mais equivocada é a conta time caro + técnico estabelecido = sucesso. No futebol não existem garantias e nem obrigações, duas suposições que estão distantes dos conceitos que efetivamente minimizam as chances de derrotas surpreendentes.

O uso do termo vexame também é inadequado, porque apenas fruto da análise financeira dos times em campo, apagando tudo o que torneios como a Libertadores sempre mostraram. Equipes em estágios iniciais de formação frequentemente são vítimas das expectativas que geram, e continuarão sendo até que tenham o tempo necessário para fazer valer a diferença de potencial sugerida pelos salários de seus jogadores. Comparar folhas de pagamento pode ser fútil do ponto de vista do que acontece em campo, como, por exemplo, o controle que os jogadores de meio de campo do Barcelona de Guaiaquil exerceram no Allianz Parque. Ou a inefetividade de Robinho.

Embora essa seja a leitura geral, o ano não acabou na quarta-feira para o Palmeiras e para o Atlético Mineiro. As dezenove rodadas do segundo turno do Campeonato Brasileiro apresentam a oportunidade de posicioná-los para a temporada de 2018, não apenas no que diz respeito a um lugar na próxima edição da Copa Libertadores, mas – o que é mais importante – como equipes no sentido coletivo do jogo que praticam. O problema é que a visão de quem toma decisões no futebol brasileiro não alcança nem mesmo essa distância, razão pela qual dirigentes insistem em declarações que simulam pulso firme para transmitir a impressão, falsa, de que sabem o que estão fazendo.

LEVE

É branda a suspensão de 120 dias imposta pelo STJD a Modesto Roma Júnior, presidente do Santos, pela acusação formal e nominal, sem provas, de interferência externa no jogo contra o Flamengo. A confissão do advogado do clube de que tudo foi feito sem a devida apuração revela um caso grave. A defesa do dirigente de que estava fora do Brasil evidentemente não pode isentá-lo de responsabilidade, mas deveria causar a punição dos outros participantes dessa demonstração de leviandade. Está claro que há mais envolvidos.

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