Arquivo da categoria: coluna dominical

Sabotagem

Leia o post original por André Kfouri

É possível que a noite de quarta-feira tenha deixado ensinamentos para os dirigentes e as bases de torcedores do Palmeiras e do Atlético Mineiro, dois clubes que sabotaram seus times durante o curso da temporada, e agora se perguntam o que deu errado em um jogo, ou um confronto, quando a questão real é muito mais ampla. As ideias valem mais do que o orçamento e a exigência que resulta do simples olhar para os elencos, imaginando que se transformarão espontaneamente em equipes vencedoras. Ideias e trabalho com um mínimo de continuidade, mesmo que seja nos padrões do futebol brasileiro.

O presidente do Atlético Mineiro, Daniel Nepomuceno, proferiu a brilhante frase “futebol é resultado” para justificar a demissão de Roger Machado, provavelmente esquecendo que o clube que ele comanda tem média recente de um treinador a cada seis meses. Não, futebol é planejamento, convicção, formação de grupo e de equipe. O resultado – o resultado sustentável, diga-se, não o episódico – é produto da satisfação desses aspectos, e sua ausência em um intervalo curto de tempo não pode ser usada para corrompê-los. Alguém poderá dizer que, com Roger, o Atlético estaria na mesma situação, ou pior. Futurologia rasteira que serve apenas para sustentar a “cultura” da troca de treinadores como solução de problemas.

O Palmeiras fez ainda pior, interrompendo a montagem do time de Eduardo Baptista ainda na fase de grupos da Copa Libertadores, com o argumento da substituição preventiva que permitiria o alcance dos objetivos da temporada. A noção de “trocar antes que seja tarde” foi agravada na própria execução, pois a Cuca, em quem se projetou uma aura de salvador, foi entregue um elenco diferente do que ele escolheria se pudesse. Ainda mais equivocada é a conta time caro + técnico estabelecido = sucesso. No futebol não existem garantias e nem obrigações, duas suposições que estão distantes dos conceitos que efetivamente minimizam as chances de derrotas surpreendentes.

O uso do termo vexame também é inadequado, porque apenas fruto da análise financeira dos times em campo, apagando tudo o que torneios como a Libertadores sempre mostraram. Equipes em estágios iniciais de formação frequentemente são vítimas das expectativas que geram, e continuarão sendo até que tenham o tempo necessário para fazer valer a diferença de potencial sugerida pelos salários de seus jogadores. Comparar folhas de pagamento pode ser fútil do ponto de vista do que acontece em campo, como, por exemplo, o controle que os jogadores de meio de campo do Barcelona de Guaiaquil exerceram no Allianz Parque. Ou a inefetividade de Robinho.

Embora essa seja a leitura geral, o ano não acabou na quarta-feira para o Palmeiras e para o Atlético Mineiro. As dezenove rodadas do segundo turno do Campeonato Brasileiro apresentam a oportunidade de posicioná-los para a temporada de 2018, não apenas no que diz respeito a um lugar na próxima edição da Copa Libertadores, mas – o que é mais importante – como equipes no sentido coletivo do jogo que praticam. O problema é que a visão de quem toma decisões no futebol brasileiro não alcança nem mesmo essa distância, razão pela qual dirigentes insistem em declarações que simulam pulso firme para transmitir a impressão, falsa, de que sabem o que estão fazendo.

LEVE

É branda a suspensão de 120 dias imposta pelo STJD a Modesto Roma Júnior, presidente do Santos, pela acusação formal e nominal, sem provas, de interferência externa no jogo contra o Flamengo. A confissão do advogado do clube de que tudo foi feito sem a devida apuração revela um caso grave. A defesa do dirigente de que estava fora do Brasil evidentemente não pode isentá-lo de responsabilidade, mas deveria causar a punição dos outros participantes dessa demonstração de leviandade. Está claro que há mais envolvidos.

O post Sabotagem apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Retroativo

Leia o post original por André Kfouri

A transferência mais cara da história do futebol impõe a reavaliação da saída de outro jogador brasileiro do Barcelona, história que, quando aconteceu, parecia apenas mais uma entre tantas decisões questionáveis tomadas por um clube. Transformou-se em algo muito maior, com ramificações que serão conhecidas nos próximos anos, conforme o desempenho do que se pode chamar de sucursal da Seleção Brasileira no Paris Saint-Germain. Ao tratar Daniel Alves com o que ele classificou como “falsidade”, as pessoas que dirigem o Barcelona não imaginavam a briga que estavam comprando ou a complexidade dos problemas que teriam de resolver.

O caso é público. Daniel se considerou desrespeitado pela oferta de renovação de seu último contrato no clube em que foi mais feliz, e assinou um novo compromisso sem multa rescisória. Em junho de 2016, comunicou sua mudança para a Juventus quando ainda tinha uma temporada a cumprir na Catalunha, uma “saída com classe”, como ele disse, magoado com os atuais gestores do Barcelona. Quem entendeu a eliminação do Barça para a Juventus na última edição da Liga dos Campeões como a “vingança” de Daniel errou na avaliação. O pior ainda estava por vir, e ninguém nos escritórios do Camp Nou seria capaz de evitá-lo ou estaria preparado para lidar com ele.

Foi um pesadelo em partes, como uma série de suspense com capítulos semanais. A despedida da Juventus após a campanha do vice-campeonato europeu causou certa surpresa, e a carta publicada no site The Player’s Tribune, com lacrimosos elogios a Pep Guardiola, sugeriu um reencontro em Manchester. Em Barcelona, nenhum motivo para estresse, pois a ideia de Daniel era mesmo essa. Até que o Paris surgiu com dinheiro irrecusável. O que parecia uma decisão financeira, coisa comum, mostrou-se algo mais engenhoso: uma página da estratégia para contratar Neymar, desfazendo o tridente catalão e elevando o clube da capital francesa – assim como seus proprietários – de categoria.

Se Daniel foi a última peça do mosaico para convencer Neymar, ou uma exigência do astro para se sentir mais cômodo no novo ambiente, agora é irrelevante. Em retrospecto, o erro do Barcelona ao alienar o atacante disfarçado de lateral-direito adquire proporções estratosféricas. De assistente de Messi em incontáveis gols a agente da dissolução de um trio de ataque fabuloso, Alves só está em Paris porque o clube catalão permitiu. Talvez se possa dizer o mesmo a respeito de Neymar. Entre tantos aspectos – alguns extrapolam o esporte e adentram a geopolítica – que compuseram a decisão do “próximo melhor do mundo” de passar a usar um celular francês, estava o desejo de fazer parte de um vestiário mais brasileiro.

Incapaz de substituir Daniel Alves, o Barcelona se vê diante de uma tarefa mais assustadora: substituir Neymar. Os 222 milhões de euros significam a perigosa capacidade de gastar muito dinheiro sem a devida sabedoria, talvez fazendo uma aquisição glamourosa para equilibrar o placar da percepção pública e da depressão popular. Até neste ponto as coisas se entrelaçam: Daniel é um dos símbolos de uma época em que o clube redesenhava maneiras de praticar o jogo por intermédio da máxima associação, sem fetiches por nomes, manchetes ou seguidores no Instagram. Talvez o movimento mais indicado seja fingir que essa fortuna – significativa para qualquer clube, mas não para um país como o Catar, que é quem controla o PSG – não existe, mesmo porque o mercado não ficou mais racional desde ontem.

Neymar se foi enquanto sua chegada ainda se discute na Justiça. É irônico que Sandro Rosell, sócio de Ricardo Teixeira, o presidente que levou Neymar e o Catar para o Barcelona, veja, da prisão, o Catar levar Neymar embora. É mais irônico que tudo possa ser rastreado ao dia em que, em uma reunião rotineira, ficou decidido que não valia a pena investir em Daniel Alves. Um equívoco que ainda pode doer mais.

O post Retroativo apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

A morte da idade da razão 

Leia o post original por André Kfouri

“Vocês me acusam de quebrar as regras, e eu digo a vocês que estou jogando conforme as regras. As mesmas regras sobre as quais vocês e eu concordamos. As mesmas regras que vocês e eu escrevemos juntos. Então, sim, eu sou culpado, mas todos vocês também são. Sim, o sistema é corrupto, mas vocês queriam um guardião como eu no portão, e por quê? Porque vocês sabem que eu vou fazer o que for necessário, e vocês todos gostam de ser parte disso, e beneficiados por isso.”

Este é Francis Underwood, no décimo-segundo episódio da quinta temporada de “House of Cards” (sincero perdão se aqui a surpresa se vai repentinamente), em testemunho diante de uma comissão do Congresso que investiga alguns de seus crimes. É parte da abertura de um depoimento que terminará com o anúncio de sua renúncia (ôps, de novo…) ao cargo de presidente dos Estados Unidos. Frank decidiu que não irá embora quieto, e resolveu esfregar na cara de políticos tão inescrupulosos quanto ele – ok, nem tanto, o sujeito merece o crédito – as entranhas da realidade que os faz, todos, irmãos.

Poucos ambientes são tão parecidos com o dos partidos políticos quanto o composto pelos clubes de futebol. É verdadeiramente mórbida a semelhança entre ideias, práticas, métodos, figuras e posturas. A disputa pelo poder e sua manutenção despertam o pior, com o agravante, no caso do futebol, do envolvimento do que se venha a chamar de “paixão” e a participação da massa de pessoas que deseja se ver representada por onze jogadores. Não por acaso, o protótipo do dirigente de clube brasileiro merece ser chamado de político do esporte, tal a proximidade em termos de atuação com aqueles que pedem votos a cada eleição.

Até na relação com o público as dinâmicas estão entrelaçadas, visto que eleitores assumiram o comportamento de torcedores – assim como no futebol, há os comuns, os organizados, os mercenários que apoiam quem os paga, os alienados e, claro, os bandidos infiltrados – e torcedores cada vez mais agem como cheerleaders de cartolas, defendendo com o fígado e a baba (na ausência de outras capacidades) o manda-chuva que trata o clube como se fosse dele, e com frequência o prejudica em nome do próprio benefício. A falta de visão crítica enaltece o dirigente como se ele fizesse gols, pois só o que importa é a vitória no domingo.

Mas há uma grande diferença entre as rotinas do político profissional e do político do esporte: o último precisa assumir responsabilidades sobre o que se passa no clube que comanda, tarefa que se torna mais custosa quando as coisas não andam bem com o time. Transferir o peso de resultados decepcionantes para árbitros e técnicos é a configuração padrão, que conquista porções variadas de tempo e momentaneamente desvia a atenção. Por vezes se oferece o sacrifício de um jogador específico ao público que pede cabeças, embora seja incomum por causa do prejuízo ao patrimônio. Modesto Roma Júnior, por sua vez, pode reivindicar para si uma inovação: culpou um repórter que trabalhava na lateral do campo pela eliminação do Santos na Copa do Brasil.

Provas? Nenhuma. Vídeo? O dirigente santista, em viagem, diz que ainda não viu. Mas não se opôs ao envio à CBF de um ofício em que uma pessoa é acusada nominalmente de interferir na decisão da arbitragem de mudar a marcação de um pênalti.

De volta às palavras de Frank: “Não importa o que eu digo, não importa o que eu faço, desde que eu faça alguma coisa. Vocês ficarão felizes por estar a bordo. E, francamente, eu não os culpo. Com toda a idiotice e indecisão em suas vidas, por que não um homem como eu? Eu não me desculpo. Ao final, não me importo se vocês gostam de mim ou me odeiam, desde que eu vença. As cartas estão marcadas, as regras estão manipuladas. Bem-vindos à morte da idade da razão. Não existe certo ou errado, não mais. Existe apenas estar dentro ou estar fora.”

Underwood, ao menos, renunciou. 

O post A morte da idade da razão  apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Perfumaria

Leia o post original por André Kfouri

A rodada treze do Campeonato Brasileiro foi o número da sorte para os times visitantes, que venceram oito dos dez jogos. O recorde anterior era de 2014 (trigésima-quinta rodada), com seis vitórias conquistadas fora de casa. O sucesso dos forasteiros em determinada amostra de partidas obviamente se deve a uma coincidência que não precisa ser explicada, mas o fato de todas essas oito equipes terem vencido com menor percentual de posse de bola despertou a velha – e entediante, pois se trata de um debate que não existe – conversa sobre qual estilo de jogo é “melhor”?

Não há como responder essa questão de maneira direta ou geral, embora existam trabalhos de análise capazes de mostrar ao menos um caminho. Michael Cox, autor e editor do site zonalmarking.net, compilou os números da temporada 2016/17 em sete ligas (Inglaterra, Alemanha, Espanha, França, Itália, Holanda e Portugal) europeias e encontrou uma correlação inegável entre posse de bola e saldo de gols. O gráfico é praticamente uma seta em diagonal, da esquerda para a direita, apontando para cima. O que não significa que a posse seja uma garantia de vitórias, uma fantasia tão maluca quanto afirmar que ter a bola não quer dizer nada.

De qualquer forma, índices registrados nos campeonatos europeus não podem ser transferidos para a realidade brasileira, em que o futebol reativo prevalece disfarçado como preferência, quando, de fato, é uma contingência. Times que se dispõem a controlar jogos por intermédio da posse demoram mais a se sentir confortáveis e se impor coletivamente, estágio que só se alcança com a manutenção de pessoas, métodos e ideias. Mas a curva de sobrevivência de trabalhos no futebol brasileiro é tão curta que esse nível de sofisticação é arriscado demais. Que o diga Zé Ricardo, técnico do Flamengo.

O risco cresce devido à incompreensão do processo de montagem de equipes, que leva entendidos a determinar um prazo para que certo time “jogue bem”, o que, nesse nível de sabedoria, não passa de um eufemismo para “vencer”. Tais conclusões são alcançadas sem que se troque uma palavra com o técnico/jogadores em questão ou se assista a um treino para conhecer o sistema de trabalho. São fruto de observação muitas vezes contaminada pelo que se gostaria que fosse verdade, uma idealização distante do que se passa no mundo real. O futebol é um bem comum, mas o “fazer futebol” é um mistério para a enorme maioria.

A dificuldade para entender o líder do Campeonato Brasileiro comprova o dilema. Há quem consiga ver o Corinthians como um time que espera e especula, um intérprete do pacote “defesa + sofrimento + bola parada” que se praticava no Brasil dez anos atrás. Confusão que ignora a primeira linha de marcação que acompanha a bola, ou os movimentos coordenados da última linha, de forma a restringir as possibilidades do adversário. E quem não é capaz de notar padrões tão claros, evidentemente não identifica os conceitos ofensivos do sistema com dois meias que alternam posições com os laterais para articular, os triângulos pelos lados ou o trabalho dos atacantes fora da área.

Miopias à parte, a questão do estilo é perfumaria em um ambiente no qual técnicos estão a duas derrotas seguidas do “tem a nossa confiança”, três da “obrigação de vitória” e quatro da “a diretoria entendeu que precisava tomar uma providência”. O futebol elaborado só florescerá no Brasil quando clubes decidirem trabalhar para tê-lo como identidade, e os responsáveis pela tomada de decisão se comprometerem com essa visão, sem desvios de rota por aspectos políticos, vaidade ou pressão externa.

APENAS NÚMEROS

A média de pontos do campeão brasileiro desde 2006, no formato com vinte clubes, é 75,6. Ajustando para 76 como meta, faltariam ao Corinthians 41 pontos para o título. Com 75 ainda em disputa, um aproveitamento de 54,6% a partir de agora seria suficiente. É a campanha do Sport até o momento. 

O post Perfumaria apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Fila

Leia o post original por André Kfouri

A Alemanha recentemente conquistou dois torneios com jogadores abaixo dos vinte e cinco anos, relembrando o mundo do futebol de que a fila de futebolistas para vestir a camisa da seleção continua andando. Ou, de forma mais simplista, de que o plano que atingiu o auge no Maracanã não se encerrou naquela tarde de domingo em julho de 2014. E além das campanhas vitoriosas na Copa das Confederações e no Campeonato Europeu Sub-21, deve-se citar também os Jogos Olímpicos de 2016, quando os alemães levaram o Brasil de Rogério Micale, Rodrigo Caio, Renato Augusto, Gabriel Jesus e Neymar aos pênaltis.

Não, esta coluna não pretende “aborrecer” ninguém com pormenores sobre o que aconteceu no futebol da Alemanha a partir da derrota para a Seleção Brasileira na final da Copa do Mundo de 2002. Há ótimos livros escritos sobre o tema, com conteúdo mais do que suficiente para explicar as transformações no processo de geração e educação de jogadores e capacitação de treinadores naquele país. Tão interessante quanto, o resultado desse trabalho é algo que se pode ver, expondo verdades incômodas até para o expert em futebol em rede social, aquela figura afeita a tolices como “eles praticam um futebol chato”.

Nesta semana, em entrevista ao diário argentino Olé, César Luis Menotti resumiu em algumas linhas o caminho que os alemães percorreram durante longos anos: “Antes te atropelavam fisicamente, colocavam sempre um 9 grandão e muito jogo aéreo. Na defesa, faziam perseguições e sair jogando era uma exceção, salvo na época de Beckenbauer, que por sua classe era o único que sabia fazer. Mas nas mãos de Klinsmann e Low, a Alemanha matou o líbero, os stoppers e tudo isso. Começou a juntar jogadores de bom pé, a respeitar uma ideia de ter a bola, e seguiu ganhando, mas de outra forma. Veja, não mudou porque antes não ganhava. Mudou porque esses dois loucos queriam fazer outro futebol”, disse.

Menotti recordou o dia em que foi convidado para almoçar na concentração da seleção alemã, durante a Copa de 2006. Algumas horas antes de enfrentarem a Suécia, Klinsmann – que foi dirigido pelo argentino na Sampdoria – e Low o entrevistaram sobre o que a Alemanha mostrava naquele mundial em casa, e que sugestões ele teria para oferecer. Klinsmann lhe disse que gostaria que “o povo alemão se identifique com esta equipe, que as pessoas se divirtam ao nos ver jogar”. Eram estágios ainda tímidos de uma ideia que teria de lidar com frustrações (semifinais nas Copas de 2006 e 2010 e Euro 2012; final da Euro 2008) antes da alcançar a glória no Rio de Janeiro.

O sucesso da seleção alemã – melhor seria dizer: das seleções alemãs – é o triunfo indiscutível do jogo coletivo em sua máxima expressão, embora não disponha de um megacraque planetário. “Eles têm grandes futebolistas, alguns excelentes como Kroos ou Hummels, mas nenhum craque”, disse Menotti, na conversa com o Olé. A carência, se é que há algum sentido no emprego do termo, é um motivo a mais para aplaudir, não para criticar. Se já fazem o que fazem com posição e circulação, calcule do que seriam capazes se tivessem ao menos um jogador dotado de brilho individual para ser uma ameaça, no um contra um, nas proximidades da grande área.

Com mais uma frase brilhante, Menotti afirmou que a Argentina está distante do nível de futebol apresentado pela Alemanha, e será assim enquanto Messi não atuar em algo que possa ser descrito como um time: “Você pode se meter no mar e ser salvo por um salva-vidas, se estiver se afogando a cem metros da beira. Mas se estiver a dez mil metros, mar adentro, ninguém vai te salvar. E a Argentina hoje está assim, muito longe para que Messi a salve”. Há pouco tempo, podia-se dizer essa mesma frase, substituindo Argentina por Brasil e Messi por Neymar.

O post Fila apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Imposição

Leia o post original por André Kfouri

No intervalo do espetacular 3 x 3 da última quarta-feira, o vestiário do Palmeiras não podia fugir de uma verdade desconfortável: se quisesse prosseguir na chave da Copa do Brasil, o time estava obrigado a marcar ao menos quatro gols, sem sofrer mais nenhum, em cento e trinta e cinco minutos de futebol. Os primeiros quarenta e cinco desses minutos traziam o bônus de transcorrer nas condições mais favoráveis, com o Allianz Parque lotado e – como tem sido notável – disposto a apenas ajudar.

Neste cenário, as providências que se impõem a um time que pretende continuar competindo passam longe de conjecturas posteriores como “fizemos um segundo tempo digno” ou “suavizamos o vexame”, pois imagem tem pouco valor na autópsia de uma campanha. O sistema de dupla eliminatória considera o frio cálculo de gols marcados e sofridos (no caso da Copa do Brasil, onde esses gols aconteceram também importa) para determinar quem permanece em pé, de modo que essa matemática é o único aspecto do confronto que pode ser controlado. O Palmeiras tinha de fazer gols, e tinha de começar logo.

A vantagem parcial também significava uma tarefa para os jogadores dentro do outro vestiário do estádio. Defender-se por três quartos de hora é uma proposta pouco inteligente até para times que se especializam em fingir que o campo de ataque não existe. A manutenção de um 3 x 0 construído pela ótima interpretação do futebol reativo dependia de seguir jogando, ameaçando, valorizando o percentual da bola que fosse possível extrair da inevitável pressão do Palmeiras. Porque até alguém que estivesse assistindo ao primeiro jogo de futebol de sua vida sabia que o Cruzeiro seria acossado por algo como vinte minutos de terror.

Apontar as falhas defensivas do time mineiro nos três gols sofridos é um exercício de obviedade que gera a mais equivocada das conclusões sobre o jogo: a de que, para o Cruzeiro, o resultado dependia da própria capacidade de se defender. Como se fosse possível imaginar que Mano Menezes ordenou um recuo profundo a partir do primeiro minuto do segundo tempo, com o propósito de fazer o tempo passar aguentando a tempestade. Ou que, como zumbis caminhando em fila para o abismo, os jogadores tomaram essa decisão por vontade própria. O Cruzeiro simplesmente não encontrou as saídas que utilizou no primeiro tempo, porque o Palmeiras não permitiu.

O futebol é um jogo de imposição de uma equipe sobre outra. Por intervalos de tempo variáveis, é perfeitamente razoável que um time exerça absoluto controle sobre o oponente, de forma a fazer parecer que se trata de um encontro entre categorias desiguais. Foi o que se deu durante dezenove minutos, em um vendaval físico-técnico-mental que produziu o empate. “Recuar” e “não conseguir sair” são duas coisas distintas. A primeira, um equívoco; a segunda, um problema. O grande drama do Cruzeiro no segundo tempo foi não ser capaz de retirar a bola de seu campo e mantê-la distante, o que, evidentemente, não constitui uma falha defensiva e não é uma questão de escolha.

Ademais, se fosse simples ir ao estádio de um dos melhores times brasileiros, estabelecer um placar de 3 x 0 e sustentá-lo até o final, episódios semelhantes aconteceriam com frequência. Especialmente em torneios como a Copa do Brasil, em que a diferença de gols orienta comportamentos, cada jogo pode ser vários em um. Falta um gol para a conta do Palmeiras fechar, desde que não sofra nenhum no Mineirão, onde o Cruzeiro terá apoio popular e todos os motivos do mundo para alcançar uma classificação que continua mais próxima dele, apenas não tão próxima quanto no intervalo da partida de ida.

COMOVENTE

Um aplauso ao caráter de Walter Montillo, que se recusou a roubar o futebol. E uma lágrima por sua tristeza, que demonstrou tanto amor pelo jogo.

O post Imposição apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Equação

Leia o post original por André Kfouri

A negociação de Maicon com o futebol turco impulsionará o São Paulo para além do patamar de quinhentos milhões de reais em vendas de jogadores nesta década. O levantamento foi feito por Diego Garcia, repórter do espn.com.br, de acordo com o estudo econômico-financeiro realizado pelo banco Itaú BBA. A cifra não traduz o total do montante gerado pelas transações, mas o que o clube embolsou, descontadas as comissões de agentes e demais envolvidos nas operações. No período em questão, a partir de janeiro de 2010, o São Paulo conquistou apenas um título: a Copa Sul-Americana de 2012.

O zagueiro que está a caminho do Galatasaray é mais um a acionar a porta giratória pela qual entrou há apenas um ano (esteve emprestado entre fevereiro e junho de 2016), quando o clube adquiriu seus direitos econômicos do Porto, por vinte e dois milhões de reais. A saída de Maicon gerará um lucro de quatro milhões, em um caso que resume os problemas de uma política de negociação de jogadores que não é exclusiva do São Paulo no Brasil, mas colabora para a compreensão do estado disfuncional em que o departamento de futebol do clube se encontra.

O empréstimo de Maicon terminaria na semana das semifinais da Copa Libertadores de 2016. O compromisso obedecia a um contrato em que não havia garantia da permanência do zagueiro caso o São Paulo estivesse disputando o torneio. O acordo com o Porto foi fechado dias antes do jogo de ida contra o Atlético Nacional, sob tremenda pressão externa por causa da expectativa da torcida. Como o pior negócio é aquele que você não pode deixar de fazer, o Porto se viu em uma posição extremamente favorável para apertar a corda e só levantar da cadeira quando estivesse satisfeito. O clube português recusou novo empréstimo e várias ofertas de compra antes do aperto de mãos.

No livro “El Método Monchi”, o ex-goleiro que se converteu em uma espécie de Rei Midas do comércio internacional de jogadores explica que as vontades do torcedor não podem exercer tamanha influência. Em dezesseis anos como diretor esportivo do Sevilla, Monchi desenvolveu uma conduta de trabalho que levou o clube espanhol a resultados de campo inéditos por intermédio do refinamento de um perfil vendedor, o que só é possível quando se está disposto a tomar decisões impopulares sobre quais jogadores serão negociados ou adquiridos. Uma de suas premissas é a de que o êxito coletivo faz com que a nostalgia da arquibancada se evapore.

Um trecho do livro: “As vendas são parte do jogo do mercado de jogadores e é preciso saber interpretá-las como uma ferramenta chave para crescer. Saber vender é um sintoma de habilidade, de clube com dimensão ampla. (…) Vender serve para manter um nível superior às suas possibilidades. Sim, somos um clube vendedor porque, com nossas receitas habituais, não poderíamos chegar até onde chegamos”. O lucro nas operações é utilizado para formar equipes mais fortes do que o orçamento do clube permite, um conceito que poderia ser aplicado no futebol brasileiro, em que a norma é vender jogadores para pagar salários.

Embora os clubes brasileiros operem em um ambiente muito diferente em relação ao Sevilla, há aspectos de capacidade de competição que os aproximam. O Sevilla não pode medir forças econômicas com Barcelona, Real Madrid e demais gigantes de seu continente, enquanto entidades como o São Paulo sofrem de inferioridade semelhante diante de praticamente qualquer clube europeu. No Brasil, todos são vendedores e, em tese, poderiam se valer dessa posição não para sobreviver, mas para ser manter continuamente acima de suas possibilidades orçamentárias. Claro, não é uma visão possível sem planejamento competente de longo prazo e uma “linha de produção” com substitutos avaliados e escolhidos com muita antecedência.

Quinhentos milhões de reais por um título é uma equação indefensável.

O post Equação apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Fake

Leia o post original por André Kfouri

A “nova Conmebol”, siamesa da “nova Fifa” e, claro, da “nova CBF”, tem planos arrojados para Copa Libertadores do ano que vem: a final em jogo único e local pré-estabelecido, como apoteose do futebol sul-americano em um evento feito aos moldes da decisão da Liga dos Campeões da Uefa. Alejandro Domínguez, presidente da entidade com sede em Assunção, no Paraguai, advogou em nome da ideia na reunião da comissão de clubes, nesta semana. Trata-se de um terrível equívoco.

“O dinheiro nunca mais será o fim. O futebol será o fim”, declarou Domínguez, ao discursar antes do sorteio das próximas fases dos torneios de clubes da Conmebol. Lida como um slogan, a frase certamente representa uma passagem de eras na entidade que se especializou em apresentar dirigentes corruptos ao mundo. Se Domínguez planeja evitar o destino de seus antecessores enrascados com a Justiça, precisará converter o que diz em prática para ter a mínima chance de estabelecer alguma credibilidade. 

É uma empreitada arriscada e não começou bem. Outra frase palpitante proferida no mesmo discurso revelou com quem Domínguez estava realmente falando na noite de quarta-feira: “Por trás de todo grande jogador houve um grande dirigente”, afirmou, diante do creme do creme da classe dirigente do continente. Ao massagear a vaidade de cartolas com uma inverdade que não merece discussão, o presidente da Conmebol pavimentou o caminho para conseguir apoio dos clubes para sua versão do Super Bowl.

O verdadeiro problema de uma final de Libertadores em jogo único é a incompatibilidade com o restante do torneio. As distâncias culturais em relação à forma como se vive o futebol na Europa, incluída aí a facilidade de transporte entre países, assim como a oferta de estádios que podem abrigar uma grande festa, são argumentos que devem ser considerados, mas não impedimentos. A questão é o raciocínio ao contrário que caracteriza os políticos do esporte aqui nesta parte do mundo. A final da Champions é o baile de gala que encerra uma competição elogiável em diversos aspectos. Na Libertadores, seria como passar o Natal de BMW zero após dirigir uma Parati durante o ano inteiro.

A Conmebol não deveria imitar o último jogo da Liga dos Campeões, mas todos os anteriores. A Copa Libertadores continua sendo um torneio notabilizado por defeitos estruturais que resistem ao passar do tempo, em que a falta de segurança a torcedores e jogadores é relevada – quando não é admirada por quem a enxerga como uma “característica” a ser preservada – e as arbitragens comprometedoras são a norma. Conduzir a competição nesses termos a uma celebração completamente desconectada, apenas como cópia do que se faz na Europa, é um despropósito que desvia o foco do que é mais importante.

A sondagem feita por Alejandro Domínguez mostrou aceitação dos clubes, o que não surpreende. Fala-se no Maracanã como provável sede de uma decisão em partida única em 2018, mas também se cogita realizar a finalíssima em Miami. Calcule o que isso significaria para os torcedores de um clube brasileiro, após acompanharem seu time de perto durante todo o torneio. Enquanto a Libertadores não justificar um encerramento glorioso, o título disputado nas casas dos finalistas é o modelo a ser mantido. Pode não ter tanto glamour, mas ao menos não é fake.

GRÊMIO

Entre os times que despertavam maior interesse para esta temporada, o Grêmio não é apenas o único a exibir o desempenho que se antecipava. Além dos gaúchos, não há outra equipe que esteja disputando a Copa Libertadores e apareça entre os dez primeiros colocados do Campeonato Brasileiro. E duas delas, os Atléticos, habitam a zona do rebaixamento após sete rodadas completas. O cenário não apenas evidencia a competência do Grêmio e os defeitos dos demais, mas reforça a complexidade do Brasileirão. Muito cedo para qualquer prognóstico.

O post Fake apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Incultura

Leia o post original por André Kfouri

Galeão, manhã de quinta-feira. À porta do ônibus que os esperava, jogadores do Flamengo são alvejados por trogloditas em pregação motivacional: “vocês merecem tapa na cara, cambada de filha da puta (sic), todo mundo subindo com cara de cu…”, bradam. No instante da sensível descrição das expressões faciais, é o menino de 164 milhões de reais quem olha para os ocupados analistas de desempenho do rubro-negro. No futuro próximo, do outro lado do oceano, Vinícius Junior certamente lembrará com nostalgia dessa interação com o “aqui é Flamengo, caralho!”.

Segure seu julgamento, pois também houve conteúdo no protesto de torcedores zelosos após a derrota para o Sport. Em contato com os meios de comunicação interessados em saber de suas demandas, eles exibiram conhecimento próprio de portadores da licença Pro da Uefa: “muito time para pouco técnico”, declarou um dos mais sóbrios, com invejável poder de síntese. Nada como uma bronca conceitual para reativar o melhor futebol de uma equipe em declínio, a dose certa de pressão e aconselhamento que time nenhum pode ignorar.

O equívoco de transformar situações transitórias em conclusões definitivas – produto de absoluta ignorância – leva a situações como essa, ou, como se sabe, a exemplos ainda mais extremos em que violência física é usada contra futebolistas que cometem o crime de não vencer jogos. Algo que se tolera em nome da “paixão do torcedor”, entre outras razões, porque nos clubes e na chamada “mídia especializada” há quem entenda que esse tipo de encontro é necessário para manter os jovens milionários na linha.

Uma das explicações é a tendência a imaginar times de futebol como estruturas mecanizadas e jogadores como meras peças, esquecendo que são organismos formados por pessoas, cuja dinâmica está muito distante de unidades militarizadas em que basta cumprir as ordens de quem tem a autoridade. O jogo seria incrivelmente simples se fosse assim. Como não se pretende conhecer o funcionamento desses organismos, não existe a menor possibilidade de entender as forças que agem dentro deles, ou os motivos pelos quais as coisas vão bem ou mal.

Essa incompreensão inviabiliza a avaliação correta de todos os processos, desde a formação de equipes até as transformações que acontecem em trabalhos que são mantidos de uma temporada para outra, com elencos praticamente iguais. A visão do futebol como uma atividade mecânica não admite as oscilações, as tentativas e os erros inerentes a um jogo em que não há garantias, de modo que a única conclusão possível é a da “obrigação de vitória”, que conduz à criminalização do treinador e do jogador que não vencem. Como agravante, os políticos do futebol costumam sucumbir a essa distorção.

Lionel Messi, o melhor exemplo de desempenho automático que o jogo conhece, já passou metade de uma temporada em segunda marcha, contrariado por sua situação contratual e ofertas de renovação feitas a companheiros. Em certos aspectos, times de futebol são muito parecidos com equipes de trabalho em qualquer setor profissional, sempre sujeitas a posturas ou problemas de ambiente que interferem no rendimento. A diferença crucial é que, no esporte, a capacidade de competição é colocada à prova em público toda semana, e julgada sem o devido conhecimento.

Dois dos três primeiros colocados do último campeonato brasileiro já demitiram seus técnicos em seis meses de 2017. O treinador que resiste, Zé Ricardo, provavelmente está a uma derrota neste domingo do mesmo destino. Se esse é um quadro que retrata a “cultura do futebol brasileiro”, estamos diante de uma situação em que é melhor ser inculto, o que talvez explique por que as informações que emanam diretamente do futebol real sejam rejeitadas – e até ridicularizadas – por quem acha que sabe do que fala. 

O post Incultura apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Reatar

Leia o post original por André Kfouri

O campeão brasileiro perdeu oito vezes em vinte e sete jogos oficiais em 2017, números incompatíveis com qualquer perspectiva de objetivos para a temporada. Mas antes de oficializar a narrativa “pelo investimento feito, deveria estar jogando mais”, é preciso que se chegue a um acordo a respeito de quem se fala. É o Palmeiras confeccionado para ser dirigido por Eduardo Baptista ou o time que voltou para as mãos de Cuca, após uma mudança de rumo em menos de seis meses?

Ponderar essa questão é importante para compreender o que Cuca quis dizer ao afirmar, após a derrota para o Internacional, que “o elenco melhorou, mas o time piorou do ano passado para este”. Não se trata de uma comparação direta entre os nomes disponíveis, mas de uma contextualização que leva em conta a maneira de atuar que Cuca prefere e o trabalho que está diante dele. É como o casal que decide retomar o relacionamento após meses de separação, mas mulher pintou o cabelo, passou a usar um piercing no nariz e incorporou termos ao vocabulário.

O Palmeiras de 2017 foi pensado para ser um time de mais posse e menos pressa do que o do ano anterior. Também foi feito para se defender sem os encaixes individuais que compõem o ideário de Cuca, pois o treinador contratado para a temporada trabalha com ideias distintas. Trocado o comando, a reconversão do comportamento da equipe não é um processo simples, entre outros motivos porque alguns jogadores que se destacaram em 2016 não mantiveram seus níveis de atuação. Cuca adoraria que tudo dependesse de decisões como a mudança da tintura e o abandono do adereço.

Ao voltar, ele obviamente sabia que não seria fácil. A declaração sobre a necessidade de “se adaptar e respeitar as características de certos jogadores” foi um sinal evidente de um problema a ser resolvido. Não que seja impossível convencer Felipe Melo a marcar individualmente ou Alejandro Guerra a reduzir seu tempo de posse, é apenas muito trabalhoso e, talvez, contraproducente. Não é o equivalente a obrigá-los a aprender um novo idioma, mas pedir a eles que esqueçam as três línguas em que são fluentes. A alternativa – radical, por isso indesejável – é deixar de utilizá-los.

É exagero concluir que o Palmeiras é pior do que era há um ano. A demissão de Baptista em um estágio precoce da temporada conduziu a uma sessão de terapia com competições em andamento e jogos decisivos da Copa Libertadores à vista. Supor que a simples aparição de Cuca faria ressurgir o jogo frenético e os antigos comportamentos defensivos é desrespeitar o funcionamento do futebol. Embora o tempo não seja generoso, Cuca precisará redesenhar o Palmeiras, provavelmente com uma combinação do que entende ser a melhor ideia de jogo com as virtudes dos futebolistas à mão.

O futebol caminha para premiar as equipes que dominam distintas facetas do jogo e são capazes de se modificar não só de uma partida para outra, mas dentro de um mesmo encontro. Apesar de a leitura momentânea ser preocupante, é possível que se descubra que o elenco do Palmeiras oferece diferentes versões para um mesmo time, um luxo para qualquer técnico. O que significa que a tarefa de Cuca, que se inicia agora, é mais complexa do que a da temporada passada.

O “COMO”…

Cortesia de Léo Bertozzi, parceiro na ESPN. Um trecho do artigo de Arrigo Sacchi sobre o Napoli: “O Napoli chega em terceiro no campeonato e é exaltado pelos próprios torcedores como se tivesse vencido o scudetto; Sarri tem a honra de receber no salão do Coni (Comitê Olímpico Italiano) o prestigioso prêmio Bearzot, pelo estilo e pela beleza de seu futebol. Mas esta não é a Itália onde importa apenas vencer, mesmo sem mérito? O país onde se glorificam mais os resultados do que a maneira com que são alcançados? Os torcedores do Napoli dão a todos um sinal importante de crescimento cultural e esportivo, que valoriza o empenho e a beleza, independentemente do resultado final.” 

O post Reatar apareceu primeiro em Blog André Kfouri.