Arquivo da categoria: Copa-2018

Tudo que não somos

Leia o post original por Rica Perrone

Não somos raçudos como eles, nem apaixonados pela seleção. Não temos a mesma força na arquibancada, nem mesmo a declarada torcida incondicional da mídia. Não estaríamos focados em passar, mas em preparar a pauta para a eliminação.  Não somos patriotas, não somos “fechamento”. Somos um bando que cobra, não que empurra. Não flertamos tanto com …

Nada justifica

Leia o post original por Rica Perrone

Sob qualquer angulo que desejar analisar, não faz o menor sentido um brasileiro torcer pela Argentina. Queira você ou não, o próprio respeito e admiração pelo futebol deles lhe faria no mínimo incoerente. Pois se gosta do que eles fazem, então repita. Eles não torcem por nós. Eles amam sua seleção. Estão com ela na …

Os “niños” manabitas e o menino Gabriel

Leia o post original por Antero Greco

Os jornais do Equador anunciaram, mas não consegui ver pelas imagens da TV se os 16 meninos manabitas foram mesmo ao Estádio Atahualpa para se esquecer do terrível terremoto que atingiu Porto Viejo em 16 de abril.

Tremor que destruiu 280 escolas da província de Manabi. Sobreviventes, os garotos simbolizam a luta de um povo que se orgulha de sua seleção. O esporte tem esse dom, esse poder. Por isso é usado para o bem e para o mal em todo lugar.

Os meninos acabaram não vendo uma vitória da seleção equatoriana. Mas devem ter se divertido com a apresentação de outro quase menino: o número 9 de camisa azul, o Gabriel Jesus, 19 anos. Ele foi a estrela da vitória do Brasil por 3 a 0, na estréia promissora de Tite, no comando da seleção.

E, como meninos têm o espírito puro, os garotos equatorianos devem ter se encantado com a exibição dos brasileiros. A qualidade maior do time de Tite foi ter combatido a velocidade do Equador com sabedoria, tentando manter a posse de bola e não correr na altitude de Quito – o que seria um suicídio futebolístico. Assim, o Brasil passou bem pelo primeiro tempo e segurou o 0 a 0.

“Eu me adapto bem a essas dificuldades”, confessou Gabriel Jesus. “Abafei um pouco no primeiro tempo, mas depois ficou tudo normal”, explicou ele ao fim do jogo, justificando quatro jogadas de um craque de futuro garantido: na primeira insistiu na jogada, quando todos pensavam que a bola sairia pela linha lateral.

Na segunda, teimou com a zaga, ganhou a disputa e foi derrubado pelo goleiro Dominguez, sofrendo o pênalti convertido por Neymar: 1 a 0.

Na terceira, quando o Equador já estava com apenas 10 jogadores em campo, pela expulsão de Paredes, ele recebeu cruzamento de Marcelo e tocou de calcanhar para marcar o segundo gol.

Na quarta, recolheu passe de Neymar, só fingiu que iria passar para um companheiro que entrava livre pela direita e finalizou para marcar um golaço: 3 a 0. Uma estreia para ficar marcada para sempre na vida desse menino brasileiro.

Para os 16 niños manabitas ficou a certeza de ter assistido ao surgimento de um astro mundial.

E Rodrigo Tabata agora é astro do Catar

Leia o post original por Antero Greco

O mecânico Nobor apertou bem os seus olhinhos e soltou a frase: “Ele joga muito bem, mas é muito nervoso, sempre que tem um jogo difícil arruma encrenca. É briguento”.

Palavra de pai é fogo! Nobor é pai de Rodrigo Tabata, e a história é de 2003, quando o filho tinha apenas 22 anos e era um dos ídolos do Campinense, que jogaria a fase decisiva da série C contra o Santo André. Jogo no Estádio Amigão lotado, em Campina Grande.

Sábias palavras.

Os mais velhos não são bobos, como pensam os mais jovens. E a profecia se cumpriu: Tabata foi expulso, depois de uma provocação adversária, e seu time foi eliminado pela equipe do ABC paulista.

Mas a outra parte dos prognósticos de Nobor também se cumpriu: Tabata, o maestro do Campinense, ídolo da torcida local, foi para o Goiás, para o Santos, para a Turquia e agora, após cinco anos no Catar, está naturalizado e vai jogar na seleção daquele país contra Hong Kong – nesta quinta-feira, pela fase eliminatória asiática do Mundial de 2018.

Aos 35 anos, o velho Tabata continua jogando o fino da bola. É um meia ofensivo, goleador,  artilheiro do Al Rayyan e do campeonato local com 19 gols em 23 partidas.

Poderia ainda tentar a sorte em algum time por aqui. Mas quis seguir os efeitos da bola: nasceu em Araçatuba e criou-se em Nova Luzitânia, pequena cidade de 3.441 habitantes, onde o técnico Vaca Preta lhe ensinou os primeiros segredos do futebol. Depois começou a escrever história em Campina Grande, na Paraíba, e ganhou o mundo.

Quem sabe chegue à Copa na Rússia, daqui a dois anos. Mas, para tanto, terá de ouvir os conselhos do pai e do próprio Vaca Preta.

Os dois sabem como o “menino” Tabata é temperamental.

(Com reportagem de Roberto Salim.)

Seleção está eficiente. E pode melhorar

Leia o post original por Antero Greco

Calma, calma, calma. Não embarque na euforia fácil, sobretudo quando se trata de seleção brasileira. Tem uma turma que, por diversos motivos – até por patriotismo sincero –, levanta a bola da equipe nacional com a maior facilidade. Desde que ela também sirva para aumentar a audiência…

O retrospecto recente do time pela segunda vez sob o comando de Dunga é excelente. Se forem pegos os números friamente, 8 vitórias em 8 apresentações são incontestáveis. Aproveitamento de 100% e etc, detalhes que você já deve ter ouvido umas 200 vezes, desde que acabou o amistoso com o Chile – 1 a 0, no Emirates, em Londres, a casa da seleção da CBF.

Óbvio que vencer sempre é bom. Ainda mais em momento de reestruturação, como é a tarefa atual de Dunga e seus auxiliares. Só não concordo com excessos, os de sempre (“o futebol brasileiro está resgatado”, “esse é o Brasil”) porque há etapas a serem superadas. A primeira é a Copa América. Depois, Eliminatórias para a Copa de 18, eventualmente a Copa das Confederações e, daí sim, o Mundial da Rússia.

O caminho, portanto, é longo. Para mim, o que interessa é projetar, entrever o que virá adiante em termos de comportamento da seleção. As perguntas: o Brasil joga bem? Há espaço para evolução? Tomou o rumo de uma revolução na forma de atuar? Encantará o mundo novamente? Ou será mais do mesmo, com equilíbrio que não encontrou no ano passado?

Minha tendência é a de dizer sim para a primeira e para a última das indagações. A seleção, com remanescentes do grupo de Felipão, tem dado conta do recado, como mostram os placares positivos, e deve ser mais eficiente à medida que amadurecer.

No momento, porém, não faz imaginar um grupo inovador, transgressor, que marcará pelo ineditismo. Não é a cara do treinador. Dunga foi aplicado e conservador como jogador, mostrou ser assim como técnico. É adequado esperar um time correto, obediente, com lampejos de criatividade.  Que pode obter sucesso, por que não?

Os sinais de que Dunga prepara uma equipe competitiva, sem ser extraordinária, vêm nos jogos que dirigiu desde o segundo semestre de 2014. Fica evidente a preocupação com o sistema defensivo, a marcação, a roubada de bola e a saída para o contragolpe. Tão clara a opção que valeu a vitória sobre os chilenos: Danilo fez lançamento longo para Firmino marcar, no único lance de perigo, de fato, criado em todo o jogo.

Por ora está de bom tamanho. Espero que, com o tempo, aumente o repertório, para encorajar “professor” e jogadores a serem também ousados. Sim, recorro ao papo tradicional e que, para muita gente, é furado: combinar eficiência com jogo bonito. Não é impossível.