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Torres foi um dos melhores laterais do mundo

Leia o post original por Perrone

Quem jogou mais, Carlos Alberto Torres, morto nesta terça, Cafu ou Daniel Alves? Já ouvi de amigos mais jovens essa pergunta algumas vezes. E sempre respondo assim: “Torres, sem a mínima dúvida”.

A maioria dos torcedores que ainda não chegou aos 30, 35 anos provavelmente tem dificuldade para medir quanta bola jogou Carlos Alberto. Sem medo de errar, ele foi um dos melhores laterais que jogaram pela direita do mundo.

O capitão da seleção brasileira na Copa de 70 era um lateral capaz de apoiar o ataque numa época em que os pontas estavam lá para isso. Se jogasse hoje, não deveria nada aos laterais considerados modernos. Tinha habilidade, força física e bom entendimento tático.

Carlos Alberto não desafinava numa orquestra com artistas do porte de Pelé e Tostão. Basta (re)ver seu gol na final contra Itália no Mundial de 1970 em que assinou com classe uma das mais belas pinturas do futebol brasileiro.

Capita foi brilhante não só na seleção, mas também nos clubes que defendeu, como Botafogo, Santos, Fluminense e Cosmos (EUA).

Para o ex-zagueiro Brito, da Copa de 70, Messi está no mesmo nível de Pelé! O que você acha?

Leia o post original por Milton Neves

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CLIQUE AQUI E CONHEÇA A HISTÓRIA DE BRITO NA SEÇÃO “QUE FIM LEVOU?”

Por Thiago Tufano Silva/Portal Terceiro Tempo

O Barcelona é o time do momento no futebol mundial. E claro que isso não é uma grande novidade para ninguém. Assim, é completamente natural que em muitas discussões sobre o esporte bretão surjam comparações entre o Barça atual, de Messi, Neymar e Suárez, com outras grandes equipes que marcaram época.

Entre todas as eleitas para as comparações, talvez a seleção brasileira de 1970 seja a preferida para o debate. Afinal, o escrete canarinho que venceu o Mundial do México é sempre o favorito em enquetes realizadas mundo afora sobre as melhores equipes de todos os tempos.

E então, como seria um possível duelo entre o Barcelona atual e a seleção brasileira de 1970? Hércules Brito Ruas, o Brito, zagueiro titular do Brasil na Copa do México, em conversa com a redação do Portal TT, preferiu não apontar um favorito. “Tenho certeza que teria que dobrar o número de lugares do Maracanã, porque o mundo todo ia querer ver. Sobre quem seria o vencedor, só jogando para saber (risos). Mas tenho certeza que seria um jogo duríssimo para os dois lados. Hoje eles têm muita qualidade, mas a gente era osso duro de roer também”, analisou Brito.


Brito (em destaque) foi titular em todos os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970

O zagueiro revelou também qual seria a sua estratégia para frear o trio MSN (Messi Suárez e Neymar) do Barça. “Não pode cochilar. Se cochilar, o cachimbo cai (risos). Não pode piscar toda hora, não. E marcar de perto. Se der espaço, já fica tudo errado. Para esse time do Barcelona não pode dar espaço. Primeiro que eles têm uma paciência danada. Eles vão, chegam na meia-lua do adversário e está tudo fechado. O que eles fazem? Eles voltam lá para o goleiro deles… E isso vai irritando o adversário. Daqui a pouco seu time vai ter que abrir, e é a hora que eles entram. Eles jogam assim! E é muito difícil enfrentá-los por causa disso”.

E Messi já chegou ao mesmo nível de Pelé? Brito também quis dar a sua opinião sobre a polêmica questão. “Apesar de ser posição diferente, o Messi também é excelente jogador. Muito, muito, muito bom mesmo! Eu acho que os dois são do mesmo nível, na minha maneira de pensar. E eu fui um atleta profissional de qualidade. Porque, para você chegar na seleção brasileira e ser campeão mundial, você tem que ter qualidade. Por isso eu me sinto à vontade para dizer isso. Então eu coloco o Messi no mesmo nível do Pelé sem problema algum”, finalizou o ex-zagueiro do Vasco, do Internacional, do Flamengo, do Cruzeiro, do Botafogo, do Corinthians, do Atlético-PR e do River-PI.

Brito atualmente curte a sua aposentadoria na Ilha do Governador-RJ

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Didi, a folha-seca e a filha seca

Leia o post original por Antero Greco

Para os mais velhos, Brasil x Peru lembra as Eliminatórias da Copa de 58. Lembra a folha-seca, o inigualável chute inventado por Didi, na vitória por 1 a 0, no dia 21 de abril de 1957. Ele cobrou a falta, a bola cobriu a barreira, subiu e desceu, enganando o goleiro peruano Rafael Asca e espantando todos os 120 mil presentes ao Maracanã.

Na família do grande Didi a explicação para o chute cheio de veneno vem de um problema da infância. O menino Valdir Pereira machucou a perna, quando vivia em Campos, teve problema sério e foi curado pelo benzimento de sua avó. Restou um defeito, um pé menor que o outro. E ele teve de criar um jeito novo de bater na bola.

“Meu pai usava uma chuteira 40 e outra era 41 … quem amaciava uma das chuteiras era o amigo Zagalo”, conta Lia Hebe, uma das filhas de Didi, que mora na Ilha do Governador, no Rio, onde guarda com orgulho o troféu recebido por Didi em 1958, como o melhor jogador da Copa.

Ela acompanhou de perto a carreira do pai. “Eu queria jogar futebol, mas naquele tempo meu pai não quis, disse que não era coisa para menina”.

Lia tinha jeito para o esporte, era seca para jogar bola, tanto que seu principal incentivador era um tal de Mané Garrincha, que a ensinava a driblar – sempre que Didi não estava por perto, claro. Lia acabou mesmo jogando tênis. Viajou pelo mundo ao lado da família.

Morou na Turquia, onde o pai era adorado pela torcida do Fenerbahce. Morou no Peru, onde seu pai treinou o Sporting Crystal, e não podia pagar nem pãozinho na padaria. “Ele era idolatrado”.

Lia só não estava com Didi na Copa do México, em 1970, quando ele enfrentou o Brasil do banco de reservas. O bicampeão do mundo era técnico da seleção do Peru e o jogo, válido pelas quartas de final, terminou com vitória do Brasil por 4 a 2.

“Nesse dia meu pai chegou a chorar”, conta Lia, pois até hoje os peruanos desconfiam que Didi não passou tudo que sabia para seus comandados. “Infelizmente papai carregou essa tristeza pelo resto da vida”.

(Com Roberto Salim.)

Félix, o Barbosa 20 anos depois!

Leia o post original por miltonneves

Foto: UOL

Morreu Félix, um de nossos heróis de 1970.

Falei muito com o “Papel” nesses últimos anos.

Ele sempre me ligava e o entrevistei trocentas vezes no rádio e TV.

E um tema era recorrente.

“Hoje, ouvi pela milionésima vez que o Brasil ganhou a Copa de 70 ´apesar do Félix´. Isso não para nunca”, reclamava, com inteira razão.

Aliás, como já fiz tantas vezes, reitero aqui um pedido aos jornalistas esportivos, principalmente aos mais jovens que nem tinham nascido em 1970: cessem com essa injustiça!

E pergunto se existe uma só pessoa no mundo que possa garantir que, com qualquer outro goleiro, se o Brasil ganharia a Copa de 70 como ganhou com ele, Félix, na meta.

E essa é a única certeza que temos: com ele ganhamos e isso ficou para sempre!

Só que os ingratos brasileiros preferem idolatrar Gordon Banks, o goleiro derrotado de 70.

Se com Ado ou Leão, que era sensacional, a gente ganharia também, só saberemos se Deus consultar seus arquivos e possibilidades e der uma entrevista coletiva no Vaticano e anunciar para todo mundo.

Como isso é impossível peço aos jornalistas e ao povo que entendam que entre os ex-jogadores a mais bonita das lágrimas é a da saudade.

O boleiro de ontem só tem exatamente na saudade seu grande alento de vida.

Eu falo, mostro e escrevo muito sobre os ex-jogadores por uma única razão: gratidão.

Eles, todos, uns mais outros menos, me nortearam na vida.

Estava perdidinho da silva lá pelos anos 60 quando me apaixonei por eles, pelo rádio e pelo futebol.

Hoje, ao registrar suas histórias em todas as mídias, retribuo um pouquinho do que eles me deram: um norte, uma profissão.

E são todos emocionantes.

Recebi uma vez no saudoso “Golaço” da Rede Mulher (hoje Record News) os ex-zagueiros Ramos Delgado e Turcão, ex-Palmeiras e São Paulo.

Ao final, perguntei aos dois o que acharam do programa-homenagem, que ia sempre ao ar às sextas-feiras.

“Me senti em Nunez”, respondeu “El Negro”, Ramos Delgado, referindo-se aos seus áureos tempos de jovem zagueiro do River Plate.

Já Turcão, o Alberto Chuairi, se levantou, me abraçou e disse: “tenho 79 anos (em 2005), joguei 25 anos e foi a primeira vez que apareci na televisão”. E chorou.

Querem algo mais gratificante do que isso?

E, agora, leiam com atenção a frase abaixo e depois republiquem, divulguem, retuitem, telefonem e também no boca a boca multipliquem aos milhares as mais lindas e sábias palavras que ouvi do saudoso Félix por várias vezes.

“Pelo menos quando eu morrer que parem de dizer que o Brasil ganhou a Copa de 70 ´apesar do Félix´. O Barbosa foi crucificado porque não ganhou a Copa de 50 e eu por ter ganho a Copa de 70. Duas grandes injustiças”, sempre bradava.

E essa frase merece ser histórica e eternizada como a de Barbosa que dizia ser o único brasileiro a cumprir uma pena superior aos 30 anos, o tempo máximo de punição imposta a qualquer criminoso no Brasil.

Assim, que agora, lá no céu, nosso “Papel” possa viver em paz livre de sua “pena” de 42 anos de enorme injustiça.

Ouça abaixo o depoimento de Milton Neves sobre a morte de Félix:

Morre o goleiro campeão do Mundo em 1970 by ednilsonvalia

Vejam Ado e o saudoso Félix no programa Golaço, da extinta Rede Mulher, contando histórias sobre a Copa de 70: