Arquivo da categoria: Crônica

O travesti dos doces

Leia o post original por Rica Perrone

pudim-de-pao-061 (1)Me pergunto, sempre que me deparo com uma delas, quem foi a pessoa que criou algo totalmente sem sentido.

Passo horas avaliando a mente do Padre Baloeiro, por exemplo, tentando encontrar motivos para tal idiotice.

Sou assim, meio curioso. E nessa de tentar entender o motivo de tudo, acabei descobrindo algumas coisas sem resposta. Entre elas, o “pudim de pão”.

Tire um minuto do seu dia para pensar: Quem é que gosta de pudim de pão?

Não, eu não perguntei quem “até come”. Eu perguntei quem gosta. E gostar, pra mim, é quando você já acordou num domingo pensando: “Hummmm, vontade de pudim de pão!”.

Isso nunca aconteceu.

Foi uma véia desocupada que o criou, não tenho dúvidas. Ninguém ocupado faria tal bobagem. Mas o que incomoda não é o fato dele existir, mas sim o fato dele ser mau caráter.

Eu respeito o pepino. Ele parece pepino, todo mundo sabe que é uma bosta e só vai quem quer. Mas o pudim de pão é filho da puta, ele é o travesti dos doces.

Parece pudim de leite. Você almoça pensando nele, e quando corta vê que tinha um “piruzinho” naquela gostosa.

Ele se camufla de doce. Mas não é. É apenas uma forma cafajeste de não jogar fora restos de pão que nem pombo ia querer comer.

Sabe como é feito essa merda? Com tudo que é usado pra um pudim de leite condensado, mas aí você troca o leite condensado por pão velho e duro.

Quem foi a detestável vovó que resolveu fazer pudim sem leite condensado e sim com pão velho pro seu neto?

Prendam essa senhora! Ela pode ser uma serial killer de receitas e ter também no currículo o bolo de laranja.

Ninguém quer bolo de laranja. Ou é bolo, ou é fruta. Não fode, velha!

Por um mundo melhor, menos mentiroso e por infâncias menos traumáticas. O fim do pudim de pão!

abs,
RicaPerrone

A grande lição

Leia o post original por Antero Greco

Há 35 anos que a lembrança pontualmente ressurge, no dia 5 de julho. Data especial para quem ama o futebol em geral, o do Brasil em particular. Sim, a folhinha nos recorda da fatídica partida com a Itália, na segunda fase do Mundial da Espanha.

Para quem acompanhou o episódio e para os jovens que só ouviram falar ou assistiram pela tevê, é o momento de recordar dos 3 a 2 que eliminaram a seleção de Telê. Maldito Paolo Rossi! Que de maldito não tinha nada. Apenas fez o que se esperava de um centroavante – gols, três de uma vez.

Para mim, a “Tragédia do Sarriá” como o duelo ficou conhecido – por causa do nome do antigo estádio do Espanyol – tem significado decisivo. Foi um marco profissional e uma lição de vida. Quero dividir a experiência com os amigos, sobretudo com os que são ou sonham em ser jornalistas.

A Copa de 82 foi a primeira das sete que cobri ao vivo – em outras três fiquei na redação. Na época, já não era um iniciante (“foca”, na nossa gíria), tampouco muito rodado. Tinha acompanhado um pouco times brasileiros na Libertadores e contava com o Mundialito do Uruguai (80/81) no currículo. Mesmo assim, a turma do “Estadão” botou fé em mim e decidiu me mandar para aquela grande cobertura.

No entusiasmo de quem tinha 20 e tantos anos, topei a parada. E mais: fui um mês antes do pontapé inicial e voltaria só um mês depois. Quase 90 dias fora de casa – e tinha um filho de apenas três meses. O primeiro ensinamento: aguentar saudade da família. Para piorar, eu fiquei a maior parte do tempo sozinho, pois minha missão era seguir os passos da Itália.

O ambiente entre os italianos era péssimo. Os jogadores não falavam com a imprensa, irritados com críticas que recebiam e até insinuações maldosas. Era um sufoco obter notícia – e não tinha internet, smartphones, tevês a cabos e novidades do gênero. Era máquina de escrever, gravador e telex. Alguém ainda sabe o que seja um telex?

Mesmo assim, deu pra fazer coisa boa, digna da tradição do jornal. Ruim era o futebol da Itália, que passou de fase com empates com Polônia, Peru e Camarões. Por pouco, a equipe africana não tira a “Azzurra” do páreo. A certeza de todos, incluído o técnico Enzo Bearzot, era de que penariam diante de Argentina e Brasil na etapa seguinte.

A Itália saiu do nada, derrubou os argentinos (então campeões do mundo) e atropelaram o Brasil, na última vez em minha carreira em que vibrei e fiquei triste com a “amarelinha”. Para não tomar mais seu tempo precioso, chego ao ponto central desta crônica.

Na tribuna de imprensa do estádio, eu estava sentado entre Nelson Cilo, companheiro de muitas batalhas, grande repórter, e Luiz Carlos Ramos, na época o chefe de Esportes do “Estadão”. Tão logo acabou o jogo, Cilo e eu nos olhamos sem saber como reagir, tal a decepção, a incredulidade diante do que acabáramos de assistir.

Assim que me viro para o Luiz Carlos, que passou o jogo todo batucando na máquina de escrever, ouço o seguinte: “Bem, estamos todos tristes, mas amanhã o jornal sai.” Reagi: “Vai à merda, Luiz! Você tem toda razão.”

Entendi, naquela hora, que minha missão ali era contar a História e não chorar como torcedor. O jornal me mandara para o “front” por avaliar que estava preparado para qualquer situação anormal. E aquela derrota era totalmente fora do comum, um choque.

Só que eu não tinha direito de me abater. Ao menos enquanto estivesse em atividade. Deveria manter equilíbrio e serenidade para relatar para os leitores o que havia acontecido ali, por que, como, e o que aquilo representaria para nosso futebol. As pessoas confiavam que, no jornal do dia seguinte, encontrariam uma luz – e ela viria dos profissionais enviados para tal tarefa.

Levantei-me da tribuna, fui à entrevista de Telê Santana (aplaudido pelos estrangeiros), conversei com jogadores, escrevi meu material e ainda dei uma ajuda pro Cilo, que continuava abalado. Depois, sem pressa, fomos andando até nosso hotel, nos trocamos, saímos para jantar. Tomei uns dois copos de vinho (o que era um despropósito pra mim, abstêmio convicto) e só então me emocionei. Permiti que algumas lágrimas rolassem.

Na volta para o hotel, como estava difícil conciliar o sono, fui conferir a crônica do Luiz Carlos, nosso guia e experiente homem de imprensa. Ela dizia que a “história iria julgar” aquela seleção. E a História a colocou dentre as melhores do futebol.

O Luiz (“Barriguinha” para os amigos e colegas) estava certo em tudo: na previsão e no conselho que me dera ainda no calor da hora. Nunca mais esqueci que jornalista precisa manter o sangue frio enquanto a história passa na frente dele. Deve ter nervos sob controle. Terminada a jornada, então ria, chore, grite, viva como “um ser normal”.

Porque afinal de contas, como diria o sábio, “jornalista também é gente”.

 

Corinthians afobado. E Santo André aproveita

Leia o post original por Antero Greco

Os últimos dias não foram bons para o Corinthians. Primeiro, o furo n’água na tentativa de trazer Drogba como atração de 2017. Depois, teve a Ponte que pouco se lixou para negociações com Pottker, botou o moço em campo na Copa do Brasil e, com isso, tornou impossível a transferência.

Para fechar a semana ruim, veio a derrota por 2 a 0 para o Santo André, na noite deste sábado, em Itaquera. Resultado pouco comum no confronto entre os dois times. Mas o que aumenta a preocupação da torcida foi o futebol da equipe: confuso, ainda descoordenado, com a agravante de ter sido frágil no sistema defensivo. A turma do ABC desceu três vezes com perigo, em duas aproveitou e fez a festa.

Claro que há méritos para o rival. O Santo André foi aplicado, correto, atento na marcação. Nada excepcional, porém eficiente. Dentro das limitações, cumpriu à perfeição o papel dele e teve no goleiro Zé Carlos um dos pontos altos. Ele fez defesas importantes, a maior delas ao parar pênalti chutado por Jô no primeiro tempo.

É preciso sempre levar em consideração que se trata de início de temporada, o segundo jogo oficial, fora três amistosos de preparação. Ainda tem gente para ser aproveitada, como o jovem Maicon (na desastrada seleção Sub-20) e o veterano Jadson, que deve assumir o papel de astro da companhia. A ressalva vale para que o público não se desespere logo de cara.

Mas o desempenho não foi grande coisa, independentemente do resultado. Comum uma equipe jogar bem e perder. Não foi o caso. O Corinthians mostrou-se afobado, pouco prático e com criatividade baixa. Abusou dos cruzamentos, a maioria na tentativa de encontrar Jô para as finalizações. Uma ou outra, apenas, foi bem sucedida; de resto, só serviu para fazer o nome da zaga do Santo André.

A defesa corintiana não foi incomodada além da conta. Porém, em dois lances decisivos vacilou, e justamente nos gols de Edmilson (no primeiro tempo) e Claudinho (no segundo). Fagner e Moisés desceram muito ao ataque, sem perigo. Pablo e Balbuena necessitam de ajuste no entendimento. No meio, Gabriel tratou de fechar espaço, e só. Felipe Bastos procurou o jogo, mas sem regularidade. Tanto que saiu no intervalo para a entrada de Guilherme, que passou em branco. Marquinhos Gabriel esteve muito aquém do que pode, Marlone e Rodriguinho andaram perdidos à frente e não encostaram em Jô. Ainda entraram Kazin e Romero, sem acrescentar grande coisa.

A tarefa de Fabio Carille é enorme. Será necessária paciência, e ele precisará de mão forte para apoiá-lo. Terá?

Entendeu agora?

Leia o post original por Rica Perrone

Alexi, meu bom filho; Por muito tempo tive que te preparar para o que você encontraria pela frente. Foi muito difícil te ver sofrer, sem entender, pedir, me ver negar e ainda assim ouvir um “obrigado” de ti. Sua devoção e fé nunca me deixaram dúvidas de que eu preparava um cenário a quem merecia. …

Palmeiras coloca a mão na taça

Leia o post original por Antero Greco

O Palmeiras fez uma partida impecável diante do Atlético-MG? Depende. Do ponto de vista técnico, não. Mas, pela ótica de quem está próximo de uma conquista de título, o 1 a 1 no Independência foi extraordinário.

Com 71 pontos, mantém a liderança do Brasileiro, agora com quatro de vantagem sobre o Santos e cinco na frente do Flamengo. Se houver combinação de resultados, pode até fazer a festa no domingo, após o encontro com o Botafogo, no Allianz Parque. Para tanto, precisa vencer, o Santos perder e o Fla no mínimo empatar. Difícil? Sim. Impossível? Não.

O Palmeiras passou por uma prova de nervos daquelas, de tirar o fôlego de torcedores. E desde o início, pois o Galo foi pra cima, apertou, mostrou quem daria as cartas. Robinho, Luan, Fred atormentavam a zaga verde, que em contrapartida evitava que a bola chegasse perto de Jaílson. Tentava, mas esbarrava na muralha palmeirense.

O tempo fechou, quando Leandro Donizetti e Gabriel Jesus se desentenderam e partiram para o “vamos ver”. Para sorte de ambos, o juiz pegou leve e deu apenas amarelo. Melhor para o jovem atacante, que minutos mais tarde fez o gol do Palmeiras, em contragolpe puxado por Dudu. Gol de alívio, de fim de seca, de predestinado e de time com brilho de campeão.

O jogo perdeu ritmo? Nem por brincadeira. O Galo não desistiu, não jogou a toalha, enquanto o Palmeiras tratava de cadenciar o toque de bola. O prêmio para o Galo veio na etapa final, no primeiro toque de bola de Lucas Pratto. O argentino saiu do banco para fazer o gol de empate. Daí em diante, com ansiedade, tensão, divididas duras, ambos tiveram chances.

Resumo da ópera: pode ter faltado futebol. Mas, a esta altura, importa para os palmeirenses levar o troféu para casa. E, nessa estratégia, tudo continua saindo à perfeição. Para os fãs do Galo ficou a esperança de ver o time lutar com a mesma dedicação nos duelos com o Grêmio, pela final da Copa do Brasil.

Com cautela, ainda um pouco na moita, o palestrino pode ir colocando cerveja pra gelar…

Desafio para Gabriéis*

Leia o post original por Antero Greco

Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa, o popular Gabigol, tiraram bilhetes premiados e serão milionários com menos de 20 anos. Ambos mal saíram da fase de juvenis e já conseguiram fixar-se nos respectivos clubes, ganharam medalha de ouro olímpica, caíram nas graças do público e de Tite. Mais do que isso, receberam cheques gordos para concordar com a transferência para a Europa. O primeiro vai para o Manchester City em janeiro; o segundo se deixou seduzir por proposta da Internazionale de Milão.

Ambos se veem diante de guinada estupenda na vida e com pouquíssimo tempo de carreira. Jesus completou 19 anos em abril e Gabigol assoprará 20 velinhas depois de amanhã. Mas devem preparar-se para defrontar-se com o desafio de vencerem em dois centros glamourosos, porém difíceis e exigentes do futebol. Itália e Inglaterra oferecem muito, com a contrapartida de exigirem demais de profissionais.

Até aí, ok. Eles logo terão consciência do tamanho da responsabilidade. Além disso, terão de superar o estigma que acompanha jovens atacantes brasileiros que se aventuram no exterior. Não são muitos os que, na era moderna do futebol, vingaram digamos, com tenra idade. Em média, se deram bem na arte de fazer gols aqueles que bateram asas um tanto mais maduros.

Foi assim com Careca (Napoli), Bebeto (Deportivo La Coruña), Jardel (Porto), Jonas para lembrar um quarteto importante – e só o último está em atividade, a divertir-se no Benfica. Primeiro cansaram de carimbar redes por estas bandas; só então, calejados e com cicatrizes de botinadas nas canelas foram encarar zagueiros europeus.

Mesmo emigrando com alguma experiência, nem todos brilharam. Roberto Dinamite saiu com 25 anos, passou uma temporada no Barcelona e fez o caminho de volta para casa. Luizão tinha 22 anos, quando se mandou para o La Coruña e resistiu a um campeonato. Adriano partiu para a Inter com 19 anos, mas rodou por Fiorentina e Parma até se fixar em Milão, entre os 22 e os 26 anos. Dali em diante, vida e obra entraram em parafuso. Pato saiu quase adolescente do Inter e nunca foi ídolo no Milan. Aos 21, Keirrison se maravilhou com a perspectiva de vestir a camisa do Barcelona e quebrou a cara.

Com 18 anos, Jô embarcou para o CSKA, de Moscou, e parecia exceção à regra. Desandou a fazer gols até despertar interesse do Manchester City. Na Inglaterra, travou. Ainda passou pelo Everton antes de ir para o Galatasaray. No regresso ao Brasil, jogou no Inter, teve o melhor momento no Atlético-MG – defendeu a seleção na Copa de 14! –, até ir pra Arábia e de lá pra China.

Exceção pra valer só Ronaldo. Não por acaso ganhou o apelido de Fenômeno. Saiu do Cruzeiro para o PSV, com 18 anos; e, da Holanda, ganhou mundo com Barcelona, Inter, Real Madrid, Milan. Conquistou títulos e prêmios, superou duas contusões terríveis e terminou a carreira no Corinthians.

A conversa toda nesta crônica não é para secar, agourar, zicar os Gabriéis (com o perdão do plural que magoa os ouvidos). Serve para mostrar que a Europa implica riscos para atacantes em formação. Ressalve-se que os rapazes são talentosos e atualmente o amadurecimento se processa de maneira rápida.
Na teoria, a missão de Jesus será menos árdua, pois jogará numa equipe que tende a ter sistema leve e de muito toque de bola, à maneira de Guardiola. Já Gabigol entrará num clube com dinheiro farto (de indonésios e chineses) e pressionado pela ausência de títulos, após o penta italiano entre 2006 e 2010. Gabriel pode esquivar-se do comando do ataque, com a alegação, correta, de que funciona bem na armação. Assim não o verão como homem-gol.

Por ora, resta curtir o que for possível. Gabigol voltou da Itália e jogou o segundo tempo do jogo com o Figueirense. Gabriel Jesus desfila a arte dele no Mané Garrincha, no clássico que o Palmeiras faz hoje com o Fluminense. E a torcida verde já começa a ter saudades dos prodígios dele…

*Crônica publicada em parte da edição deste domingo do Estadão.

Olimpíadas no Metrô – As lágrimas

Leia o post original por Rica Perrone

Eu não fui. Na verdade voltava quando estive com as pessoas que iam. Você já foi a um velório?  Se sim, não preciso mais explicar o ambiente.  Mas era um velório diferente.  O morto estava respirando, as pessoas não queriam que ele partisse mas tinham um orgulho dele e uma vontade de homenagea-lo inacreditável. O …

Mohammed Ali, o homem e a dignidade

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

Eu tinha 10 anos e estava com minha mãe na cooperativa do Matarazzo.

Ela me comprou A Gazeta Esportiva Ilustrada e fiquei lendo, enquanto ela cuidava das compras.

Década de 60.

Foi a primeira vez que li sobre um lutador de boxe chamado Cassius Clay. Ele tinha acabado de derrotar um urso chamado Sonny Liston.

Eu era um menino. Ele era um jovem esportista.

Na verdade, um fenômeno dos ringues. Como ele mesmo dizia: voava como uma borboleta, picava como uma abelha. Era indestrutível, imbatível.

Mas era mais que isso: era homem, com H maiúsculo.

Não se curvou aos poderosos, desafiou o esforço de guerra norte-americano para pôr de joelhos os vietnamitas. Não aceitou lutar aquela guerra insana.

Por isso pagou caro. Foi ultrajado, perdeu o título, virou mau exemplo.

Virou Mohammed Ali.

Mau exemplo para os poderosos.

Exemplo de dignidade para todo um povo, para toda uma juventude, para todo o mundo.

Mohammed Ali, o maior lutador de boxe de todos os tempos.

O esportista mais corajoso de todos os tempos.

O gladiador indestrutível dentro dos ringues, que se negou a destruir seus semelhantes nas plantações de arroz.

Ele foi embora aos 74 anos, depois de enfrentar com estoicismo a doença que o perseguiu durante muitos anos.

Foi o homem, fica seu exemplo, seu caráter.

Fica a lenda: Ali, o maior de todos.

Gente como Nikita não cai nunca

Leia o post original por Antero Greco

Existem pessoas no esporte nacional que se mantém dignas. Altaneiras mesmo.

Gente da estirpe de João Reinaldo Costa, 69 anos, professor de Educação Física, pós-graduado em Ciências do Esporte e Economista.

O apelido dele é Nikita, ex-nadador da seleção brasileira da época de Sílvio Fiolo, entre outros. Turma da década de 60. Nikita nadou na Olimpíada do México em 1968 (100 metros borboleta) e integrou o revezamento 4 x 100 medley.

No ano seguinte, nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg, formou na equipe de revezamento quatro estilos que trouxe a medalha de bronze. Depois se dedicou aos estudos e à formação de atletas no seu centro de treinamento.

De lá sempre saíram os melhores nadadores pernambucanos. Entre eles Joanna Maranhão e Etiene Medeiros.

Mas o que Nikita sempre fez de melhor foi enfrentar os desmandos da Confederação Brasileira de Natação. Nunca se curvou, nunca se rendeu a qualquer tipo de negócio da entidade maior das piscinas nacionais. Por isso, homens como o professor Nikita nunca vão ao chão.

Não, vocês não o viram tropeçar e cair com a tocha olímpica que passava pela capital pernambucana nos vários sites que mostram a cena. Ele caminhava e pisou num buraco de rua de Recife. O resto é lenda. Levantou-se e continuou seu desfile sem largar a tocha.

Homens como o professor Nikita nunca ficam no chão, nem deixam a chama do esporte se apagar.

(Com participação de Roberto Salim.)