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Dario Pereyra: todo mundo espera do Palmeiras um timaço

Leia o post original por Craque Neto

O ex-jogador aponta que, pelo investimento no Palmeiras, todos esperam que o time faça grandes jogos. Sobre a classificação, ele diz estar aberta e que não dá para saber quem passa para a próxima fase da Copa do Brasil.

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Críticas exageradas? Maicon pensa que é Dario Pereyra!

Leia o post original por Craque Neto

Acabei de acompanhar a entrevista coletiva desta sexta-feira onde o zagueiro Maicon afirmou de forma categórica que as críticas ao time do São Paulo são exageradas. Querem saber? Até certo ponto concordo com ele. Sinceramente. Afinal o time comandado por Rogério Ceni perdeu apenas dois jogos dos 20 realizados em 2017. Tem também o melhor ataque do Paulistão com 27 gols marcados em 13 partidas. Se ganha por 1 a 0, é porque só fez um gol. Se ganha por 2 a 1, é porque tomou um gol. O São Paulo vai ser sempre o mais cobrado. Quando você é […]

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Dario Pereira: o coração

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 29/11/1981

Dario Pereyra, ex-São PauloO São Paulo precisa da vitória, não tem alternativa, atacar e marcar é o eu último cartucho. A equipe precisa ser arrojada, corajosa, ousada. Diante da Ponte Preta, os jogadores do São Paulo precisam ser criativos, eficientes, inteligentes, mas acima de tudo precisam ter extrema vontade de vencer, caso contrário perderão a partida e o título. Numa decisão, o coração é talvez o fato mais importante, algo verdadeiramente primordial, peça de desequilíbrio.

Dario Pereira constitui-se num fator de esperança para o torcedor do São Paulo. O uruguaio que um disputante de título precisa. Tem o coração que um candidato a campeão paulista deve ter.

O zagueiro do São Paulo – se aproxima muito ao estilo de Juninho – grita em campo, empurra os companheiros, elimina falhas, impulsiona o grupo. Durante todo o jogo dedica-se inteiramente e não aceita passivamente ser envolvido pelo adversário.

O torcedor do São Paulo gosta de vê-lo jogar. Dario Pereira identifica-se com a filosofia dos apaixonados das arquibancadas. Faz aquilo que  torcedor faria se estivesse em campo. Sabe ser técnico e tem a coragem de dar um “bico” num momento difícil. E até dando chutes, Dario Pereira é aplaudido. Este “gringo” – como é carinhosamente chamado – arrebanhou o carinho de todos aqueles que gostam de um futebol jogado com o coração.

O São Paulo precisa da fibra de Dario Pereira neste dia de coração. O time nunca precisou tanto da explosão interna de cada um de seus jogadores, como agora.  Torcedor espera que aquela força interior que caracteriza o zagueiro Dario Pereira seja refletida em todos os outros jogadores do São Paulo. Caso isso não aconteça, a derrota será certa.

“Todos sabem que eu mudei. Felizmente, todos os obstáculos existentes no início foram ultrapassados. Quero ser campeão paulista este ano. Admito que o São Paulo tem necessidade de conquistar esse título. É uma equipe composta por outros jogadores e precisa ratificar essa condição, assumindo o poder da taça.”

“Sou otimista, enquanto o árbitro não encerra uma partida eu não aceito o resultado, seja ele positivo ou negativo. Se o time estiver vencendo, quero mais gols.  se a equipe estiver perdendo, quero virar o jogo. No cérebro não deve entrar outro pensamento a não ser vencer, vencer…”

“A Ponte Preta é um time competitivo. Rápido, eficiente, técnico. Possui ótimos jogadores e provou ao longo do campeonato as suas inúmeras qualidades. Não se pode desmerecer o adversário. Se o São Paulo pecar em campo, perderá o jogo.”

“Ao longo deste campeonato paulista foram várias às vezes em que o São Paulo conseguiu sair de um resultado negativo e chegar a vitória. Foram partidas difíceis, emocionantes, duras, mas no final prevaleceu o futebol do São Paulo. Mas o futebol tem que ser misturado com a garra.”

Ninguém contesta situação de Dario Pereira no time do São Paulo. É um ídolo entre os torcedores. Tem uma impulsão impecável, colocação perfeita e sempre atente nos lances de cobertura. Sua presença marcante dentro da área, indiscutivelmente, preocupa os adversários.

Nos últimos dias Dario Pereira em nenhum momento deixou de transmitir a segurança e a confiança que o procuraram no Morumbi. Seu olhar garante que o São Paulo ganhará o título, mas “a equipe precisa ter garra, lutar muito, senão…”

Naturalmente, surgiu uma espécie de liderança. Os companheiros respeitam a sua opinião e posições de Dario Pereira. Suas reações, seus alertas, suas críticas são construtivas.

O jogo de hoje perigou. Quase que a Ponte Preta não vem a capital. Mas para Dario Pereira esse fato nunca o preocupou. Em nenhum momento ele diminui sua preparação para disputar o título. Ele já está concentrado consciente e inconscientemente.

Na última partida contra a Ponte Preta, inúmeras vezes Dario Pereira apareceu na área adversária, como um verdadeiro atacante, com volúpia de gol, como um vingador, como um herói. E em todos os momentos de coragem de Dario Pereira, a torcida estava com ele. Nunca foi vaiado, jamais preterido.

O torcedor sabe respeitar a dedicação, o respeito, o trabalhador. O torcedor não aceita o irresponsável, o acomodado, o passivo.

Se depender do arranque do grupo, o São Paulo estará bem próximo da vitória. Dario, entretanto, admite que “nomes” não ganham jogos:

“Ouvi muitos comentários dizendo que time por time o São Paulo é superior e já é o dono do título. No futebol a coisa é diferente. Se conquistar títulos e pontos, o time demonstra superioridade dentro de campo. Prestígio não marca gol. O prestígio ajuda se a luta e a dedicação estiverem junto com ele.”

Uma coisa o torcedor do São Paulo pode ter certeza: quando Dario Pereira entrar em campo, terá dentro dele um enorme coração, latejando, batendo forte, com vontade de vencer. Seus companheiros verão nele um homem com desejo de conquistar um título. O torcedor verá no gramado um outro torcedor, vestido com o uniforme do clube.

Garra: “Vencer, Vencer ou Vencer”

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 03/05/1981

GremioDario Pereira constituiu-se num fator de esperança para o torcedor do São Paulo. O time paulista precisa da vitória, não tem alternativa, atacar e marcar é o seu último cartucho. O São Paulo precisa ser forte, ter coragem, arrojo, ousadia. Os jogadores do São Paulo precisam ser eficientes, criativos, inteligentes. O uruguaio Dario Pereira tem o vigor que o time necessita. Tem a garra que um candidato a campeão brasileiro deve ter. Ele grita em campo, empurra os companheiros, elimina falhas, motiva o time. Exige dedicação durante todo o jogo e não aceita ser envolvido pelo adversário. É esse o espírito de jogador que interessa ao torcedor. Sabe ser técnico, tem a coragem de atuar como jogador medíocre. Quando o perigo está presente, Dario Pereira se dispõe a dar um “bico” na bola. E até assim ele é aplaudido. Dario Pereira conseguiu conquistar a torcida do São Paulo, arrebanhou o carinho de todos aqueles que gostam de um futebol bem jogado. Além das suas qualidades como jogador, o que mais atrai em Dario Pereira é a sua fibra. E o São Paulo nunca precisou tanto de uma explosão interna de cada um, como agora. O torcedor espera que aquela força interior que caracteriza o zagueiro Dario Pereira seja refletida em todos os outros jogadores do São Paulo. Numa decisão a garra é a primeira e principal arma.

“Todos sabem que eu mudei muito. Hoje sou um homem muito mais tranqüilo e consciente. No início foi muito difícil mas consegui ultrapassar todos os obstáculos. Agora, estou muito próximo de um título importante. Não é só importante por ser um título nacional, mas pelo fato do meu momento dentro do futebol ser agradável, uma conquista agora teria um sabor todo especial”.

“Desde pequeno tenho a filosofia de que para se conquistar alguma coisa, ou uma pessoa, é preciso lutar muito. Com atitudes, com ações, com reações, com maneiras sinceras e fortes. Mas não há alternativa: é preciso que a pessoa seja otimista e tenha força interior. No cérebro não deve entrar outro pensamento a não ser vencer, vencer ou vencer…”.

“O São Paulo cometeu falhas no Rio Grande do Sul e não pode voltar a cometê-las aqui em São Paulo. No primeiro tempo o nosso time foi bem e tinha o jogo praticamente nas mãos. Depois, permitiu que o Grêmio subisse de produção e esse foi o erro. Aliás, a reação agressiva do Grêmio já era esperada, pois para os jogadores gaúchos a única maneira de prosseguir na disputa era vencer, vencer ou vencer…”.

“O São Paulo possui maior força técnica e criativa, mas numa decisão, o primeiro item deve ser a garra, a decisão, a força de vontade. Tudo isso aliado ao bom futebol jogado permite o surgimento de uma equipe quase imbatível”.

“Ao longo deste Campeonato Brasileiro, foram muitas as vezes em que o São Paulo conseguiu sair de um resultado negativo e chegar à vitória. Foram partidas difíceis, emocionantes, duras, mas no final prevaleceu o futebol do São Paulo. Um futebol mesclado de garra”.

Dario Pereira tornou-se de um tempo para cá um verdadeiro ídolo entre os torcedores do São Paulo. Nos últimos jogos o zagueiro não perdeu uma disputa de bola sequer. Foi preciso, marcante, impulsão magnífica, colocação ideal, personalidade palpável.

Com Oscar forma uma dupla muito afinada e os resultados negativos ocorridos contra o Botafogo e contra o Grêmio não conseguiram abalar em nenhum momento o quarto zagueiro do São Paulo.

Nos rápidos diálogos com os torcedores, Dario Pereira consegue projetar confiança, certeza de uma vitória solucionadora. São palavras que praticamente garantem a conquista do título brasileiro:

“Não é excesso de otimismo. Apenas a certeza de que o São Paulo tem condições de vencer, e bem, qualquer adversário. É só uma questão de jogar bem, com vontade, mordendo o adversário, não dando espaço, impedindo a criação de jogadas, marcando o campo todo e sendo inteligente do início ao fim do jogo”.

E depois destas palavras ficou comprovado mais uma vez que aquele Dario Pereira inseguro não existe mais. O novo Dario é um moço feliz. Seu futebol ressurgiu e com ele a mudança foi fácil. É tão importante quanto Serginho, Zé Sérgio, Oscar, Getúlio, Paulo César, Waldir Peres…

Naturalmente surgiu uma espécie de liderança. Os companheiros respeitam as opiniões de Dario Pereira, suas reações, seus alertas, suas críticas…

Logo mais o São Paulo estará em campo, as arquibancadas estarão lotadas e a arrecadação da partida deverá satisfazer aos dirigentes. Mas os jogadores e os torcedores não estarão se importando com o “resultado financeiro”.

Haverá uma espécie de ligação direta entre Dario Pereira e o torcedor. Cada vez que Dario impedir uma jogada do adversário, o torcedor estará com ele. Em cada impulsão eficiente do zagueiro, o torcedor subirá junto. Nos instantes em que Dario Pereira atacar, levar com ele o time do São Paulo, o torcedor estará atacando junto.

Existem jogadores que conseguem fazer no campo aquilo que o torcedor faria, desejaria ver, sentir, aplaudir. Dario Pereira é um deles. Se depender do arranque deste uruguaio, o São Paulo tem enormes possibilidades de deixar o estádio hoje com o título de Campeão Brasileiro.

“Uma coisa precisa ficar bem esclarecida: só é o melhor time do Brasil, aquele que conquistar o título de Campeão Brasileiro. É uma colocação muito fria, eu sei, mas é a realidade…”.

“Os arquivos, os jornais, as rádios, mostrarão como Campeão do Brasil aquele que levar a Taça e é o correto. Não importa as pessoas dizerem que este ou aquele é melhor, que possui um time superior, o que realmente é importante é a conquista do título. Diante desta posição, o São Paulo precisa jogar bem e vencer, caso contrário, um time comprovadamente bom, será visto como o segundo melhor do país…”.

“Esse negócio do Grêmio dizer que já está satisfeito, feliz por ser no mínimo vice-campeão brasileiro é balela… O Grêmio quer conquistar o título e fará tudo para isso”.

“Estão tentando deixar o São Paulo com uma excessiva carga de responsabilidade e isso é prejudicial para o nosso time. É preciso entrar com a mesma disposição do Grêmio. É preciso atacar. Marcar gols, não permitir nenhuma jogada do Grêmio, não ser violento, mas truncar as descidas adversárias”.

Dario Pereira antes de entrar em campo fará mais uma vez aquele ritual. No túnel, próximo dos companheiros, segundos antes de subir os degraus que levam ao gramado, fechará as mãos, com os olhos bem abertos, cabeça erguida e falará: “Vamos vencer, atacar, impedir que eles joguem, nós vamos ganhar…”.

Dario Pereira: a transformação

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 21/04/1981

Dario Pereyra, ex-São PauloA vida de Dario Pereira sofreu uma total transformação. Mudou o homem, mudou o jogador. Com 24 anos de idade, este uruguaio forte, simpático, um pouco introvertido, passa por ótimos momentos. Conseguiu conquistar a torcida do São Paulo, arrebanhou o carinho de todos aqueles que gostam de um futebol bem jogado e alcançou o calor humano que num largo período foi algo carente em sua permanência em São Paulo.

É profissional há sete anos e está há três anos jogando no Morumbi. Atuou como médio volante, jogou como meia esquerda, mas seu futebol aflorou como quarto zagueiro. Houve um “casamento” perfeito entre ele e Oscar. Há a afinidade natural, a amizade fundamental, tão necessárias numa dupla.

As contusões constantes não existem mais. A carga estava sendo pesada demais: alimentação diferente, longe da família e dos amigos, treinamentos estranhos, novo sistema de jogo. As cobranças eram intensas por parte da torcida, dos companheiros, da imprensa, dos dirigentes e principalmente por parte dele mesmo. Dario Pereira não estava compreendendo aquele Dario Pereira.

Onde estava aquele campeão pelo Uruguai no campeonato sul-americano como Juvenil? Aquele que venceu duas vezes as copas da Liga Maior, tinha desaparecido? Campeão Brasileiro, Campeão Paulista, não existia mais?

Carlos Alberto Silva decidiu prestigiá-lo. Alguns diretores foram amigos sinceros, diversos companheiros demonstraram apoio irrestrito e Dario Pereira começou a subir de produção. Surgiu a oportunidade de atuar como quarto zagueiro e, contrariado, ele aceitou. Pensou com seus botões: “Minha posição é médio volante… acho que realmente não tenho mais vez no São Paulo. Vou jogar para colaborar, mas acho que é o fim…”.

E desde o primeiro jogo como quarto zagueiro, foi exuberante a sua precisão. Abraçado, cumprimentado depois do jogo, ainda deixava claro a intenção de jogar no meio de campo.

Mas na medida em que os jogos iam acontecendo Dario Pereira aprovava cada vez mais. Ganhou a posição, destaque do time e Carlos Alberto Silva, sorrindo, dizia: “Deixem o gringo reclamar… ele é um grande jogador e vai continuar na quarta zaga. Deu certo para o bem do São Paulo e para o próprio bem dele que precisava acertar”.

Corajoso, técnico, arrojado, oportunista, seguro, Dario Pereira simplesmente tornou-se num dos mais importantes jogadores do São Paulo e os próprios companheiros admitem que a sua presença é importante e tem salvo o time em muitos momentos. Contra o Internacional, no sul e aqui na capital por exemplo, impediu dois gols certos, com Valdir Perez vencido nos lances.

Dario Pereira mora sozinho. No mesmo prédio em que Serginho reside com a esposa e filhas. Um local tranqüilo, zona sul, apartamento encontrado pela diretoria do São Paulo. Um edifício onde vivem cerca de 200 pessoas apenas, apesar dos 130 apartamentos.

É uma construção luxuosa e envolvente. É ali que o uruguaio passa quase todo o tempo, quando não está treinando ou jogando pelo São Paulo. Aproveita a piscina, disputa partidas de tênis e tenta ganhar de alguém no bilhar. Segundo o síndico do prédio, um italiano rigoroso, Dario é “horrível jogando tênis e pior ainda jogando bilhar, mas é o melhor quarto zagueiro que eu vi na minha vida. Como gostaria de vê-lo no Palmeiras…”.

Dario é uma espécie de ídolo dos moradores. Com Serginho, divide as honras dos dois moradores mais conhecidos do edifício. Ontem, Dario Pereira acordou por volta das 11 horas e ficou sentado sozinho por muito tempo, num pequeno muro frontal ao prédio. Aos poucos os moradores foram se aproximando e o assunto não poderia ser outro a não ser a nova e brilhante apresentação do zagueiro, contra o Internacional.

Solteiro, cobiça e é cobiçado. Coisa de jovem. Conseguiu quebrar a barreira que o envolvia. Não é tão introvertido. Tem amigos sinceros, conversa, dialoga, crítica, aceita sugestões. Enfim, mudou muito esse Dario Pereira.

A transformação, nem mesmo Dario Pereira consegue explicar totalmente:

“Muitas coisas estavam me prejudicando. Quando cheguei ao Brasil, tinha apenas 20 anos e não possuía estrutura suficiente para resistir ou enfrentar obstáculos que se apresentaram”.

“Foram momentos difíceis. Pensei mesmo em abandonar tudo, fugir para o Uruguai e fim de conversa. Mas depois reagi e resolvi que as coisas iriam melhorar e eu faria tudo para que isso acontecesse”.

“Lembrei-me de outros jogadores que enfrentaram problemas e tiveram que voltar para seus países: Oscar, Marinho Chagas, por exemplo. Mas a amizade que encontrei dentro do São Paulo deu-me forças para continuar tentando. Os diretores foram bons, o treinador amigo, o ex-fisicultor do São Paulo, Pedro Pires de Toledo, outro que ajudou-me intensamente”.

“Agora tudo é alegria. Admito que estou jogando bem, mas não é o meu melhor momento. No São Paulo mesmo tive ótimos momentos, mas fui pouco observado. Há uma explicação para isso: a defesa do São Paulo não estava sendo tão forçada como agora. No Campeonato Paulista, o nosso time não enfrentou grandes dificuldades, mas agora, jogando com grandes equipes do Brasil, o sistema defensivo é muito mais visto”.

“Não sei se o São Paulo conseguiria chegar aonde chegou, se não tivesse um meio de campo tão bom. Almir, Renato, Heriberto e outros companheiros que atuaram, deram resistência ao time. Os próprios laterais descem nos momentos corretos e são raros os momentos de falhas. O ataque nem precisa de referências elogiosas”.

“Mas o São Paulo não é o melhor time do Brasil, ainda. Admito que tem o melhor time de São Paulo e é o atual campeão paulista, mas está distante de acenar com um título que ainda não conquistou. Está brigando para ganhá-lo e assim poderá assumir a condição de superior”.

“Futebol se ganha em campo e não importa se um adversário é melhor ou pior antes do jogo. Futebol não é lógico e todos sabem disso. Quem ganhar é o melhor. Mesmo que durante o jogo dê apenas um chute no gol adversário, se conseguir marcar, será o melhor”.

“Ganhamos do Internacional e isso é importante. Ganhamos de um grande time. Tradicional, forte, competitivo. Fiquei satisfeito quando ouvi o Mário Sérgio dizer que ninguém no Brasil tem condições de ganhar do São Paulo. Mas ainda é cedo para acreditar nisso e felizmente não há entre os meus companheiros um excesso de otimismo. Ser precavido num momento assim é muito importante. Quando um grupo acha-se imbatível está próximo de uma derrota desastrosa”.

“Seria idiota não admitir que o São Paulo é uma boa equipe, mas todo o cuidado é pouco. Já vi grandes equipes serem derrotadas por uma enorme autoconfiança”.

“Quero continuar jogando como quarto zagueiro apesar de continuar atraído pelo meio de campo. É uma posição que sempre me cativou e que posso render muito bem. Aqui no São Paulo não deu certo, vou bem onde estou, mas se um dia precisar jogar como médio volante, será bom. Claro que o Almir é o titular e nesse momento o São Paulo não tem o menor problema, mas sou uma opção e o treinador sabe disso. Faço questão de ressaltar este fato porque gostaria ainda de provar que sou eficiente também como meio campista”.

Dario Pereira nos últimos jogos, um jogador imbatível. Não perdeu uma disputa de bola sequer. Foi preciso, marcante, seguro. Impulsão magnífica, colocação ideal, personalidade palpável.

A transformação foi total, plena, abrangente. Aquele Dario Pereira inseguro não existe mais. O novo Dario é um moço feliz. Seu futebol ressurgiu e com ele a mudança foi fácil. Lembrado até para ser o titular da Seleção Brasileira se fosse naturalizado – algo impossível – Dario Pereira depois de três anos é respeitado por todos. É tão importante quanto Serginho, Waldir Peres, Renato, Oscar, Getúlio, Paulo César, Zé Sérgio…

Dario Pereira: “sou contra o chutão”

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 10/04/1981

“Se Dario Pereira fosse brasileiro, estaria disputando com Luisinho a posição de quarto zagueiro da Seleção do Brasil” – esse comentário foi quase que unânime depois do jogo entre São Paulo e Santos, realizado no Pacaembu, na última quarta-feira.

A exibição de Dario Pereira foi algo marcante. Seguro, firme, sério, hábil, técnico, forte, ele foi considerado por muitas pessoas como o melhor jogador em campo.

Ninguém podia imaginar que Dario Pereira, um jogador que atravessou muitos problemas no São Paulo, fosse de adaptar dessa forma na quarta zaga do São Paulo, formando com Oscar uma das melhores zagas do futebol brasileiro. No princípio, ele não desejava jogar nessa posição. No final, acabou gostando e agora é titular absoluto.

Nos treinamentos, Dario Pereira é um verdadeiro leão. Treina com dedicação impressionante, parecendo um garoto em início de carreira. Sempre de cabeça erguida, seu futebol é muito elegante.

Não é mais aquele jogador com ares de tristeza. O otimismo tomou conta desse uruguaio amigo. Falando um português arrastado, ele comenta com satisfação a atuação da zaga do São Paulo, que tem sofrido poucos gols:

“Desde o início eu esperava que ia dar certo a dupla Oscar-Dario Pereira, pois somos bons jogadores. Só podia dar certo…”.

“É mais fácil jogar na quarta zaga que no meio de campo. É diferente, pois a gente tem que se preocupar em marcar principalmente. É uma posição menos desgastante”.

“Chutão é o último recurso. Em determinadas situações, precisa-se dar o chutão, mas quando dá para sair jogando, o zagueiro tem que sair. Para mim, sair com a bola dominada fica mais fácil”.

“Agora, felizmente, ninguém mais discute o meu valor. Sem falsa modéstia, sempre fui um jogador de talento. As contusões atrapalharam muito, mas as coisas ruins não devem ser recordadas”.

Dario Pereira recorda que em outubro de 1980, o seu passe foi colocado a venda por 700 mil dólares. Ele não aceitou a proposta do São Paulo. Depois de muitas reuniões o acordo aconteceu.

“Pedi aquilo que entendia como justo e felizmente continuei no Morumbi. Sinto-me feliz, meu futebol está crescendo, meu entrosamento com o time também, e as contusões que andaram me perseguindo, desapareceram”.

No último clássico com o Santos, Dario Pereira foi aplaudido muitas vezes. Suas intervenções foram entusiasmadas e precisas. O próprio treinador Telê Santana comentou com alguns amigos que o zagueiro uruguaio estava “numa ótima fase”.

Os jogadores que estavam no banco de reservas do Santos, foram unânimes também: “O melhor jogador da partida é o Dario Pereira…”.

Dando cobertura pela direita e pela esquerda, o gringo esbanjou eficiência. Seu momento é muito bom, mas ele resolveu lembrar os maus momentos:

“Foram várias as oportunidades em que pensei em voltar para o Uruguai. Nada estava dando certo, meu futebol não estava aparecendo, as contusões eram muitas e perturbadoras e as críticas estavam sendo duras demais. Eu posso até admitir que não tinha condições para resistir a uma carga tão grande. O técnico Carlos Alberto Silva sempre demonstrou confiar no meu futebol e num determinado jogo, pediu uma colaboração e resolvi aceitar jogar na quarta zaga, fora da minha posição. E deu certo. Desde o primeiro momento comecei a sentir o sucesso da experiência”.

Dario Pereira tem 25 anos de idade e com 18 anos vestia pela primeira vez a camisa da seleção uruguaia. Uma emoção toda especial. Era uma partida importante contra o Chile, em Santiago. O Uruguai venceu por três a um e Dario Pereira, jogando de médio volante, saiu de campo aplaudido:

“Na véspera da partida, eu nem consegui dormir direito. Ficava pensando como seria o Chile. O que eu faria em campo. Foram mil pensamentos, que me deixavam nervoso. Não consegui me livrar disso. Virava de todos os lados na cama e os pensamentos eram os mesmos”.

“Fui bem naquela partida e todos me diziam que havia passado no grande teste. O teste dos nervos”.

Depois dessa partida, por mais 36 vezes, Dario Pereira foi convocado para a seleção uruguaia. Aquele jovem que começou em 74 no Juvenil do Nacional de Montevidéu, teve uma carreira interessante:

“Joguei duas vezes contra o Brasil. Perdemos as duas. Uma foi por três a um. A outra? Não me lembro. Também enfrentei muitas equipes brasileiras, inclusive o Palmeiras. Sempre tive uma atração especial pelo futebol brasileiro e agora que a situação está bem, a felicidade é acentuada”.

O São Paulo adquiriu o passe de Dario Pereira por 250 mil dólares e se depender do treinador Carlos Alberto Silva, não deve mais liberá-lo jamais:

“Sabe, o Dario é o tipo do jogador que faz bem a qualquer equipe, pela garra, dedicação, categoria e pelo caráter. O São Paulo deve ter muita satisfação em tê-lo no elenco”.

Quando Dario soube que observadores importantes afirmaram que se ele fosse brasileiro, estaria disputando a posição com Luisinho, ficou emocionado:

“Para muitos esta declaração pode não ter muito significado, mas para um jogador que pensou em até em parar, deixar São Paulo, voltar para o Uruguai, sofrendo um grande desgaste, o reconhecimento da minha boa fase é maravilhoso”.

Outro pronunciamento que deve ser destacado é de Oscar, companheiro de Dario Pereira:

“Gosto de jogar com ele. É sério, sabe sair jogando, sabe liquidar uma jogada, é tranqüilo, ótima impulsão e segurança. Estamos nos dando muito bem e o entrosamento resolve muitas situações difíceis”.

O Santos precisa marcar três gols no São Paulo para alcançar a classificação. Dario Pereira respeita o adversário do próximo domingo, mas entende que é algo quase que impossível:

“O Santos é uma equipe de tradição e que joga um bom futebol. No último jogo, no primeiro tempo principalmente, os jogadores do Santos também tiveram grandes chances. Mas pelo futebol apresentado pelo São Paulo, não posso crer que o Santos tenha condições de marcar três gols no domingo”.

“Isso não é falta com o respeito, mas apenas analisar a situação dentro de um ângulo real. Getúlio deverá retornar ao time e então todo o entrosamento estará presente. Há muito tempo, Getúlio, Oscar, eu e o Marinho estamos jogando juntos e isso para uma defesa é muito importante”.

“Surgiram algumas informações que a federação do meu país pretende chamar-me para integrar o selecionado uruguaio e isso seria uma grande honra. Acho que o São Paulo também ficaria muito satisfeito. Afinal, não é todo jogador que atua no exterior que é lembrado para a seleção do seu país. Continuarei treinando, jogando, levando a sério o meu trabalho, porque o reconhecimento tem acontecido de maneira geral”.

Papo Reto com Darío Pereyra

Leia o post original por Neto

Um dos maiores zagueiros da história do futebol esteve essa semana nos estúdios do UOL Esporte. Trata-se de ‘Dom’ Darío Pereyra, o uruguaio que começou a jogar bola no Nacional de Montevidéo e se consagrou vestindo a camisa do São Paulo entre as décadas de 70 e 80. No final da carreira ainda defendeu as cores de Flamengo e Palmeiras. Aliás, tive a oportunidade de jogar ao lado dele no Verdão em 89. Experiência incrível! Batemos uma resenha super descontraída onde falamos da carreira dele como atleta, treinador e as atualidades do nosso futebol. Acompanhe todas as quintas-feiras, às 17h, o ‘Papo Reto com Neto’ ao vivo. Não perca!