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Eles fingem que sofrem

Leia o post original por Rica Perrone

É tudo mentira.  Eu estive lá algumas vezes em 2016 e 2017 e lhes afirmo: é uma farsa.

Esse drama que eles fazem, a cara de medo enquanto o jogo acontece e a lamentação por ter sido sofrido, tudo mentira.

Eles sabem que vão ganhar. E se pudessem escolher como, escolheriam exatamente como hoje.   O baile de Lanus é maneiro, mas eles gostam é da porra da Batalha dos Aflitos.

Se fosse 4×0 hoje eles sairiam de lá felizes. Sendo nos pênaltis um perrengue do cacete, eles sairam de lá de alma lavada.

Ao final, pelas rampas da Arena ou nos bares na frente do estádio, se abraçam e dizem artisticamente que “quase morreram”  de nervoso. Mentirosos! Eles sabiam.

Eles sempre sabem.

O ritual pré jogo, a tensão do jogo, o desespero na prorrogação. Tudo combinado. Eu tenho alguma convicção que gremista se reune antes do jogo e combina a cena.

E segue tudo como sempre foi. Copeiro, guerreiro, sofrido e campeão.

Renato, Grohe, a calma do Luan, as maravilhosas entradas no limite do duro e violento do Geromel.  O Grêmio tem seu ritual.

E como todo ritual, sabemos o final.

abs,
RicaPerrone

Até filme de terror tem final feliz

Leia o post original por Rica Perrone

Era impossível. Mas aconteceu. E como em diversas vezes na história do futebol o inacreditável nos fez relembrar porque amamos tanto esse negócio.

O Vasco fez tudo pra ter uma das piores noites da sua vida. E por 90 minutos até teve. Era um misto de impotência com constrangimento, levando o pequeno Jorge a um patamar de Vasco e vice-versa.

Quando vieram os pênaltis a tendência era piorar. Times brasileiros tem dificuldade em bater no gol na altitude. Ela sobe demais. E não é que o Vasco conseguiu impedir uma história fabulosa que sua própria incompetência havia rascunhado?

São Martin.

É óbvio que há nisso um mérito absurdo nos bolivianos. Mas é impossível não notar a partida sonolenta, ridícula e os gols quase de pelada que o Vasco sofreu.

Era pra ser uma noite histórica. Mas até nisso a bola tem seus preferidos.

O Vasco consegue sair quase herói de um fiasco. E se obviamente preocupa o que foi apresentado, empolga a caminhada até aqui. Dos 4 jogos, fez 3 viraram baile. Um virou história.

Mas história dele, não do Jorge.

abs,
RicaPerrone

A prova do fim

Leia o post original por Rica Perrone

Ontem o Flamengo foi campeão da Taça Guabanara.

É um torneio charmoso, antigo, mexe com o carioca desde que me conheço por gente.  Mas ontem acho que vi o fim dos estaduais ainda mais próximos.

Enquanto o Grêmio campeão da América é lanterna do Gaúchão e ri, em SP e Minas os times andam em campo e testam mil coisas esperando Libertadores porque sabem que estarão classificados até se jogarem de costas.

No Rio, onde o formato tenta salvar o torneio que já não funciona mais, o domingo foi melancólico.

Ninguém comemorou. Pouca gente se importou. Eu tive o “azar” de estar na rua na hora do jogo. Havia uma tv e ninguém dava a mínima. Nem o gol comemoraram.   Era como se “cumprissem tabela”, afinal, mesmo campeão, invicto, a porra toda…. se ganhar com o River valeu mais que os 12 jogos do estadual.

Nem na final está garantido o campeão, porque além de ultrapassado o torneio é feito por um Federação de gente completamente maluca, incapaz de formatar um campeonato com critérios mais simples, embora faça uso das tradicionais finais de turno para torna-lo menos morto.

O time mais popular do Brasil foi campeão ontem, senhores. E ninguém fez nem barulho.

Porque?

Porque ao contrário das federações os clubes evoluem. E parte dessa evolução é se acostumar com alto nível.

A tv passa Real x PSG, as pessoas querem sentir algo de importância semelhante e não mais jogos políticos para agradar dirigente de 120 anos com charuto na boca.

Ontem os estaduais deram mais uma prova de que não tem fôlego pra mais do que um mês de competição, se é que ela ainda existirá em 10 anos.

Mas como os grandes seguem reféns da tv, devendo até as calças, antecipando cotas e com medinho de se posicionar, vamos aturar mais 2 meses de jogos ruins porque a final do estadual rende uma puta audiência pra Globo por ser individualizada em praças e interesses locais.

Até que a morte nos separe.

Ah! Parabéns, Mengão! O time não tem nada com isso…

abs,
RicaPerrone

A Grande Rio não pode ser rebaixada

Leia o post original por Rica Perrone

Parece absurdo, e até seria não fosse o passado. Existe um termo no direito que chama-se “Jurisprudência”, que é onde um caso anterior e uma decisão anterior se torna referência para dizer que a lei não pode ser uma pra cada um e portanto pede-se o mesmo tratamento.

Eu não sou advogado. Obviamente estou sendo superficial. Mas é isso basicamente.

A Grande Rio quebrou um carro e não entrou. Ok? Ok.

Em 2017 duas escolas quebraram carros. Uma na pista, machucando pessoas. A outra forçando um carro a entrar e matou uma pessoa, além de ferir dezenas. Refiro-me a Tijuca e Tuiuti.

As duas escolas ficaram livres de rebaixamento porque “acidentes acontecem”, segundo as co-irmãs. Não todas, mas a maioria.

Rica, você concorda? Não. Eu rebaixaria.

Mas não foi assim.

E então em 2018 um carro da Grande Rio quebra. Ela não força sua passagem e nem coloca a vida de ninguém em risco. Por prudência, abandona o desfile daquele carro e vai sem ele.  No final ele é seguramente guinchado e ninguém se machucou.

Aí eu pergunto a você: A Grande Rio tem que cair?

A regra é pra todos. Goste você da escola, concorde ou não com a lei. Se a regra permitiu em 2017 que escolas que chegaram a causar a MORTE de alguém ficassem por um “acidente” no carro, como você rebaixa a penultima de 2018 que também teve problemas e não feriu ninguém, sendo que só caem duas esse ano exatamente por causa da aliviada nelas em 2017?

Eu odeio ir contra as regras. Mas quando elas são quebradas pra um, ou você quebra pra todos ou você está cometendo um erro maior que o infrator.

A Grande Rio não é diferente da Tijuca e da Tuiuti. E se a Liga teve a “coragem” de rasgar o regulamento pela Tijuca em 2017 e por tabela segurou a Tuiuti, como ela explica pra Grande Rio que “esse ano não vai rolar”?

Uma feriu pessoas, foi absolvida. A outra não. Será punida com o rigor da lei?

abs,
RicaPerrone

É a história

Leia o post original por Rica Perrone

Eu sei que você espera mais um texto cheio de clichês sobre “a humanidade não deu certo”, “cenas lamentáveis”, “até quando…?”, etc. Mas não vai rolar.

Primeiro porque qualquer sujeito por mais estúpido que seja sabe que “lamentamos” a briga. Gostaríamos de um jogo sem a violência, embora ela seja tradicionalmente parte do show. E sim, toda vez que houver uma disputa de muita rivalidade e contato físico, haverá o risco de briga.

Na sua rua, no seu colégio ou na Copa do Mundo. Pessoas são pessoas e não há cargo ou faculdade que faça alguém ter total equilibrio sobre seus sentimentos e instintos.

A cara de “Ohhh que surpresa!” da mídia me irrita um pouco. Não é a primeira, nem a última. E qualquer pessoa que viva futebol sabe que isso acontece de vez em quando. Talvez não com tantos expulsos, mas eu já vi umas 10 brigas bem piores que essas.

Sou a favor do direito do jogador em provocar. E do direito do rival em reagir.

Como ele vai reagir? Não sei. Mas se ele agredir, cartão vermelho. Se só tirar satisfação, amarelo. Existem regras que protegem todos os tipos de reação. Basta arcar tanto com a provocação quanto com a reação.

Eu adorei as embaixadinhas do Edílson. E adorei o pontapé do Paulo Nunes. Simplesmente porque é parte do jogo você tomar uma atitude debochada, e também causar uma reação exagerada.

Não se trata de politicamente correto ou não. Trata-se de cobrar os cartões, condenar quem agrediu, JAMAIS condenar o direito a tirar um sarro na hora do gol, e segue a vida.

É feio. É lamentável. Mas em 10 anos expira o discurso de 100% das pessoas e numa mesa de bar todos dirão com a cerveja nas mãos: “Porra, lembra daquele Ba-vi?!”. E que esquecerá?

abs,
RicaPerrone

É bom, ruim, ou os dois

Leia o post original por Rica Perrone

Futebol é um esporte simples: a bola entra, foi bom. Não entra, foi ruim.

Essa visão deveria se limitar ao torcedor, que está ali meramente para olhar 11, nao 22. Meramente para esperar a vitória e não o jogo em si. Imagina-se que comentaristas esportivos são os caras que ficam entre a real capacidade de entender futebol, que são os profissionais do futebol, e a maluquice plena, que são os torcedores de futebol.

A partir do momento que comentaristas analisam o jogo exatamente com os olhos do torcedor ou achando que tem a capacidade de avaliação do profissional de futebol, estão sendo pior que ambos.

Ontem era 30 do segundo tempo e Neymar jogava bem. O PSG não se intimidava, tocava a bola e estava bem mais perto do gol. Era unanime. A bola estava mais perto de consagrar o Neymar do que o Cristiano, e então todos se inclinavam pra isso.

Aí a bola bate, rebate, vai no joelho e entra. Minutos depois uma jogada do craque Marcelo e 3×1. Fim de papo, o Real Madrid jogou muito, o PSG, nada.

Hoje todas as discussões sobre o jogo cobram o que “faltou” ao Neymar, e na mesma linha discutem o individualismo dele. Se não é pra ser individualista, cobrem do time de estrelas inteiro do PSG. Por exemplo de alguns deuses da imprensa que atuam por lá.

Mas não. Neymar tem que ser “mais coletivo”, que é pra quando não der certo apanhar sozinho.

Em 90 minutos o PSG jogou uma partida melhor que o Real Madrid.  Fez o que tinha que fazer, a bola não entrou, a do Real entrou. Mas daí a entender que por causa de 2 gols no fim a análise de tudo que havíamos visto some é um atestado da que não temos a menor função.

O Casagrande dando aula no Neymar toda semana é algo pra mim surreal. Ele pode critica-lo, é claro. É sua função hoje.  Mas um sujeito com o histórico dele não pode ser soberbo pra falar do comportamento de ninguém. Ainda mais de um garoto que aos 25 tem menos risco de fazer uma merda do que ele aos 54.

 

Cadê a porra do Cavani, que tanto idolatram? E o Rabiot que ficou olhando pro Marcelo no segundo gol? Quantas bolas alguém do PSG carregou pro campo adversário sem procurar o Neymar?

O Real jogou coletivo por acaso? Ou esperou a sorte da bola cair no craque?

Mas entrou. E se ela entra, avaliamos uma coisa. Se não entrar, outra. Ou seja, fazemos o que qualquer chipanzé faria olhando pra uma tela com os melhores momentos do jogo.

O Real ganhou porque o PSG é um time pequeno. Tal qual o Barcelona virou aqueles 6×1.  O Thiago Silva tá fazendo mimimi em rede social porque não sabe ficar no banco e vocês tão batendo em quem? No Neymar.

E depois cobram que ele não seja individualista? Vocês individualizam o PSG inteiro na figura dele. Porque ele pensaria coletivamente se só ele apanha?

Semana que vem bastam 2 gols. Menino é gênio, Cristiano em queda, Real em crise, PSG rumo ao título e Casão dirá: “Ele me ouviu! Por isso os 2 gols hoje!”.

Ninguém no mundo é mais arrogante do que jornalistas. Os caras que estudaram pra aprender a colocar virgula e se sentem pós graduados em todas as palavras que ficam entre elas.

abs,
RicaPerrone

Luan e Geromel precisam ir à Copa

Leia o post original por Rica Perrone

Eu nem acho o Thiago Silva tão fundamental assim. Aliás, a história prova ano após ano que sua apurada técnica não basta para ser o que ele almeja.

Acho que ele é melhor que o Geromel se você der a mesma bola na altura do joelho para ambos. O Thiago vai dominar melhor, sim.

Se der a bola nos pés de um rival frente a frente, na velocidade, possivelmente o Thiago roube a bola antes do Geromel.

Mas se você for jogar uma grande partida, fora de casa ou contra um time muito forte, eu também não tenho a menor dúvida em quem confiar mais.

Luan é a mesma coisa. Não deve jogar mais que o Jesus, Coutinho, Firmino, talvez.  Mas se você precisar jogar contra o Boca em Buenos Aires, desses todos o único que vai entrar na área dos caras andando e dar um tapa por cima é o gremista.

“Bandido”.

Não o que comete crimes. O que não tem medo de cara feia. O que adora o desafio. O sujeito que quanto pior, melhor.

Copa do Mundo são 7 jogos, 3 pedreiras, sem jogo de volta. É matar ou morrer. E toda vez que ganhamos isso tivemos em campo ou ao menos no grupo diversos jogadores que se divertiam com o pânico.

Não me interessa quem vai sair. Me interessa saber que teremos na defesa e no ataque os jogadores mais decisivos possível. E que eles não gostem tanto de brilhar no domingo a tarde.

Craque brilha na quarta-feira.

abs,
RicaPerrone

Acadêmicos do Vasco da Gama

Leia o post original por Rica Perrone

Ja é quinta-feira.  Chove no Rio de Janeiro como há tempos não chovia. Falta luz, o transito está um caos, há indícios de alagamento e até em show já deu merda.

Há dois lugares na cidade em que não falta luz, não alaga, não há qualquer preocupação e essa “garoa” é só pra refrescar: Nilópolis e São Januário.

A primeira comemora mais um título. O segundo comemora ainda sem saber se já pode. Mas pode. É claro que pode.  Deve.

O Vasco encontrou sem Nenê uma forma de jogar coletiva, que não obriga a equipe a ir numa direção.  Se com saudades do ídolo ou não, outros 500. Mas é fato que o time ficou mais leve.

Fez 10 gols em 3 jogos, não sofreu nenhum.  Está com os pés na fase de grupos, aterrorizando a noite daqueles que juravam que seria um fiasco.

Zé, o “culpado” de lá, pouco pede holofotes. Mas merecia. Seu time sabe exatamente até onde pode ir, como e joga perto do limite.

Não dá pra dar show. Mas dá pra entender que o coletivo é a única salvação deste Vasco. E através dele o time se encontrou, destroçou os dois adversários e segue firme na Libertadores que pra muitos era tombo certeiro.

A luz voltou. A chuva diminuiu.  Não há nada alagado e só não vai abrir o sol porque não tem como.

Avisa lá que altitude é distância do nível do mar. Grandeza é a distância que separa o Vasco do tal do Jorge.

abs,
RicaPerrone

Outra (boa) aposta

Leia o post original por Rica Perrone

A quarta aposta seguida do Botafogo está correta. Tal qual as outras 3, diga-se.  Apostar algo dá a qualquer apostador o risco de perder muito e também de ganhar mais do que se esperava.  Vide 2016/17 com Jair. Também como a Libertadores anterior onde a aposta não funcionou.

A de 2018 foi precipitada. Uma aposta dada como perdida em 20 dias. E então a nova aposta já chega com contrato de 2 anos, o que indica convicção. Mas o histórico recente do clube atesta que não há.

Do que tem hoje no mercado, TODO time seja ele rico ou pobre, deveria buscar um novato.

Simplesmente porque o antigo está antigo demais. Porque os novatos tem uma escola mais moderna, uma cabeça mais profissional e porque entre a certeza do mediocre e a dúvida do brilhantismo, sempre a segunda.

Valentim nunca fez nada demais. Mas chega com mais moral do que o anterior. Porque? Sei lá. Mas chega. Talvez porque vem de fora.

Escolha acertada. Aposta de gente grande. Mas banque-a! Porque se em 20 dias não funcionar, talvez seja mais fácil ser mediocremente conservador do que correr riscos e não contar com eles.

abs,
RicaPerrone

Incontestável

Leia o post original por Rica Perrone

Talvez você não concorde com a nota da fantasia, ou quem sabe de harmonia.  Pouco importa. A escola de samba campeã deveria ser sempre a escola que mexe com as pessoas e consegue dizer sem um manual o que está passando na avenida.

A Beija Flor proporcionou um dos maiores desfiles dos últimos anos, uma crítica brilhante, bem colocada e que arrastou a multidão num samba antológico.

Os detalhes que separam uma escola do título as vezes são mero medo da Liga de entender que a forma de disputa é um equívoco.  Se você não sabe, vou te contar.

As escolas entram na avenida com 10 e tem que “não errar”.  Elas não buscam pontos, apenas tentam não perde-los. É um erro tremendo, pois se você fizer 20 paradinhas e errar uma vez, perde 1 décimo. A escola que não arriscar nenhuma não errou, e leva 10.

Premia-se o conservadorismo. E então se tem sempre um resultado controverso. Não hoje.

Tanto a campeã quanto a vice mexeram com o público e fizeram duas coisas muito importantes: samba e enredo de fácil leitura.

Quem tá lá não quer olhar no livrinho o que é. Quer olhar, pensar no tema e entender a ala. E as duas fizeram isso brilhantemente.

A Tuiuti é o primeiro jabuti na arvore que subiu sozinho. A ala da discórdia não interfere em avaliação de quesito nenhum, então apenas os 99% de leigos em carnaval do Brasil achavam que isso teria algum reflexo na nota da escola.

Salgueiro, Portela, Mangueira e Mocidade fecham as campeãs. E separadas todas por miséria. Em um quesito a Mocidade foi de campeã pra sexto. Mas é exatamente isso. Um equilibrio separado por detalhes que não saltam aos olhos facilmente.

Poucas vezes concordei tanto com um resultado quanto o deste ano. Inclusive pela queda da Grande Rio, que me surpreendeu pela grife, mas que deu um atestado de confiabilidade ao carnaval diante de um desfile cheio de problemas técnicos.

Parabéns Beija-Flor! Parabéns a todas as campeãs! E viva o carnaval do Rio de Janeiro.

abs,
RicaPerrone