Arquivo da categoria: Djalma Santos

Alma verde

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

A discussão sobre a reencarnação existe há muitos séculos. A aura dos seres humanos, as vidas passadas, tudo se discute. Tudo fica num nível de abstração. Tem quem acredite, tem quem duvide.

Mas no futebol todos concordam: a palavra alma é mais real, mais visível do que qualquer outra no mundo da bola. Um time sem alma é um time covarde. Que não empolga, que não se entrega, que não tem por que lutar. E a torcida percebe na hora que seus jogadores não estão nem aí com a tosse.

Não adianta ter o técnico campeão do Brasil. Nem o supervisor campeão do Brasil, que fala mais que jogador artilheiro ou capitão do time. Muitos menos adianta contratar 30 jogadores ou pagar em dia. Se não tem alma, o time não anda, não joga com a torcida, não empolga. Não chora.

O velho Djalma Santos dizia que quando o seu Palmeiras perdia, ele não ia à feira no dia seguinte, no bairro das Perdizes, onde morava. Tinha vergonha de sair na rua. E ele nem era a grande alma do time, que tinha no capitão Waldemar Carabina um torcedor alviverde dentro do gramado. Depois vieram outros jogadores como o inigualável Luiz Pereira, o artilheiro Evair, o goleiro Marcos. O Divino Ademir da Guia.

O Palmeiras que já teve Waldemar Fiúme anda precisando de alma.

De preferência uma bem verdinha.

 

Morre o capitão do primeiro título mundial do Brasil, o homem que eternizou o gesto de levantar a taça!

Leia o post original por Milton Neves

Clique nos nomes dos craques e veja a história deles na seção “Que Fim Levou?“.

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Morreu nosso primeiro capitão, o homem que eternizou o gesto de levantar a taça. Em um ano, perdemos boa parte da defesa campeã na Copa do Mundo de 1958. Gylmar do Santos Neves, De Sordi, Djalma Santos, Nilton Santos e, agora, Bellini. Outra coincidência, todos morreram na casa do dia 20 (Gylmar do Santos Neves – 23 de agosto de 2013; De Sordi – 24 de agosto de 2013; Djalma Santos – 23 de julho de 2013; Nilton Santos – 27 de novembro de 2013).

Temos que reverenciar esses atletas que mostraram para os estrangeiros que a capital do Brasil não era “Buenos Aires”.

Bellini foi internado ontem após sofrer uma para cardíaca. O Capitão também sofria do Mal de Alzheimer há 10 anos.

O zagueiro brilhou com a camisa do Vasco da Gama, ganhando 10 títulos com o time carioca, e ainda jogou pelo São Paulo.

O gesto de Bellini após a conquista da Copa do Mundo na Suécia é até hoje repetido em qualquer competição. Tentando fazer com que todos vissem a Taça Jules Rimet, ele a levantou por cima da cabeça e marcou a história do futebol mundial.
Documento sem título

Cliquem nas fotos de cada  herói brasileiro campeão do mundo em 1958 e veja o arquivo mais completo da memória esportiva virtual

BelliniVicente FeolaDjlama SantosZitoNilton SantosOrlando PeçanhaGylmar dos Santos NevesGarrinchaDidiVaváZagalloPaulo Amaral

 

 

Gilmar e De Sordi. Dizer mais o quê?

Leia o post original por Quartarollo

São dois monstros do futebol que partiram neste fim de semana. Dias atrás outro monstro foi embora, Djalma Santos. Agora Newton De Sordi e Gilmar dos Santos Neves, ou Gylmar, como é a grafia correta na sua certidão de nascimento. … Continuar lendo

O jogo da vida*

Leia o post original por Antero Greco

Há tendência a idealizar o futebol e enxergá-lo além e acima de qualquer atividade comum. Normal, pois o esporte dá dimensão maior e especial à vida. Nele, tudo se torna épico, bonito, vitorioso, glamouroso. Jogadores são super-heróis, com realidade melhor do que a nossa. Nos representam, para ficar em expressão da moda.

Bobagem, embora compreensível. O futebol reproduz sentimentos e situações com as quais topamos a todo momento, em casa, no trabalho, nas mais corriqueiras tarefas. Tensão, alegria, fé, inveja, intriga, derrotas, conservadorismo, perdas – tudo isso se encontra nos gramados e nos bastidores. A semana nem terminou e exemplos não faltam de fatos que fundem futebol e vida.

Superação. O título do Atlético na Libertadores. Décadas se passaram até o Galo bicar a taça que o coloca em evidência internacional. Não gosto do lugar-comum que fala, para tal time, “tudo tem de ser mais difícil”. Mas reconheço que houve esperança, tensão, temor, tudo misturado, até Gimenez perder o pênalti e garantir a explosão de alegria definitiva no Mineirão.

Fé. Em duas frentes. A diretoria acreditou em diversos profissionais renegados. Apostou em Victor, Pierre, Richarlyson, Alecsandro, Jô, Tardelli, Josué e no próprio Ronaldinho Gaúcho, que dávamos como acabado. Eles formaram a espinha dorsal campeã. E fé e perseverança, acima de tudo, de Cuca, com as orações, a certeza da ajuda de Nossa Senhora… e com muito trabalho. No início da madrugada de ontem, chutou de bico o estigma de pé-frio, estereótipo maldoso no mundo da bola.

Inveja. Mal jogadores, comissão técnica e torcedores do Atlético caíam na farra pela proeza inédita, começou a circular nas redes sociais a corrente que acusava a existência de um complô. O clube mineiro comprou a copa, chegou ao topo à custa de corrupção. Uma dor de cotovelo que não resiste ao mais singelo exercício lógico.

Decepção. Como ficou a torcida do Olimpia? Você se deu conta de que milhares de paraguaios foram dormir tristes pelo desfecho da competição? Quantos choraram? Como voltaram para casa os atletas paraguaios? Sim, perder é da vida. Quem de nós já não caiu do cavalo pelo menos uma vez?

Desespero. A situação do São Paulo. A equipe entrou em parafuso, com as oito derrotas consecutivas e a perspectiva de segurar lanterna, ao voltar de excursão para Europa e Ásia. Gente experiente como Rogério Ceni, Lúcio, Luis Fabiano (de novo contundido) não acerta uma, jovens como Ganso e Osvaldo sumiram. A consequência se materializa na pior fase da história.

Intriga em família. Os bastidores no Morumbi são um balaio de gatos. No domingo, um churrasco na sede do clube virou palco de bate-boca entre o presidente, bajuladores e opositores. Um barraco daqueles, parecido com discussão entre cunhados, genros e agregados. No final da tarde de ontem, Adalberto Baptista teve cassada a carteirinha de diretor de futebol, porque não falava a língua dos boleiros.

Reconciliação. A torcida do Palmeiras anda de mãos dadas com o time e Valdivia. As vitórias na Série B, a liderança na tabela e as atuações do chileno levaram bonança ao Palestra Itália. Já não era sem tempo.

Caretice. Alexandre Gallo, responsável pelas seleções de base, disse em entrevista ao Estado que não haverá lugar na amarelinha para jovens com brincos, cortes de cabelo exóticos, fones de ouvido. Só vai quem tiver imagem séria. Gallo, pelo jeito, esqueceu a adolescência. Ou deve ter sido muito reprimido. Agora olha para a aparência e não para a essência.

Saudade. E lá se foi Djalma Santos bater bola nas nuvens. Foi suave, manso, garboso, como a vida que levou, como o futebol que mostrou, como anjo. Fez lembrar poeminha de Manuel Bandeira, Irene no céu. “Irene preta/Irene boa/Irene sempre de bom humor./Imagino Irene entrando no céu:/- Licença, meu branco!/E São Pedro bonachão:/- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.”

Futebol e vida são uma coisa só.

*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 26/7/2013.)

Djalma Santos e o estádio da Ressacada

Leia o post original por estevesjunior

No ano de 2006 a CBF junto com a Fundação Getúlio Vargas criou o projeto de recuperação e preservação da memória do futebol brasileiro. A primeira homenagem foi para Djalma Santos e Viola e realizada antes da partida Avaí e Coritiba no estádio Aderbal Ramos da Silva, a Ressacada, válida pelo Campeonato Brasileiro da Série B.

Djalma Santos, bicampeão do mundo em 1958-1962, e Viola, tetracampeão em 1994, receberam a Comenda João Havelange, camisas da Seleção Brasileira com as cinco estrelas e com os seus nomes, carteiras da CBF e, também, deram o pontapé inicial desta partida. Para completar essa homenagem a 19ª rodada daquele campeonato foi denominada Rodada Djalma Santos/Viola.

Acredito que se esta não foi a última, foi uma das últimas homenagens que Djalma Santos recebeu em sua vida. E o palco foi o estádio da Ressacada.

Saudações Avaianas

Esteves Junior
@souavaiano

Djalma Santos, do Canindé para o Mundo!

Leia o post original por Luiz Filho

Revelado pela nossa Portuguesa e personagem marcante nas glórias da história rubro-verde, Djalma Santos foi sem dúvida nenhuma um dos maiores jogadores da nossa Lusa. Conhecido por ser um dos mais regulares atletas do futebol brasileiro.

Disputou três mundiais e ganhou dois. Foi chamado pela FIFA para fazer parte do seu selecionado em 1963 no jogo contra a Inglaterra. Disputou quatro campeonatos sul-americanos, participou de vários outros torneios continentais e fez parte da seleção brasileira que levantou o seu primeiro título no exterior, o campeonato pan-americano de 1952 realizado no Chile.

Djalma Santos nasceu em São Paulo, no dia 27 de fevereiro de 1929. Fez sua estréia na nossa Portuguesa em 9 de agosto de 1948, numa partida de aspirantes, contra o Corinthians. A estréia na equipe profissional foi em 16 de agosto de 1948, na derrota de 3 a 2 para o Santos, com os gols da Lusa marcados por Pinga e Simão.

Curiosidade

Quando Brandãozinho foi contratado da Portuguesa Santista, em 1949, e o lateral-direito Luizinho contundiu-se, Djalma Santos, que até então jogava como centromédio, passou a jogar na lateral, posição que o consagraria mundialmente.

Seu primeiro jogo pela Seleção aconteceu no dia 10 de abril de 1952, em Santiago do Chile, contra o Peru pelo campeonato pan-americano de futebol. Por causa do resultado de 0×0, o técnico Zézé Moreira foi alvo de muitas críticas. Como era Semana Santa, em tudo que era cidade brasileira, Zézé foi malhado como Judas. O Brasil, com Djalma e Zézé, dali em diante, venceu todas, trazendo para o país o primeiro campeonato ganho lá fora.

Djalma Santos jogou na Lusa Veneno de 1948 a 1959. No Palmeiras de 1959 a 1968. No Atlético Paranaense de 1969 a 1970. Foi campeão mundial nos anos de 1958 e 1962.

No período quem que atuou como jogador da nossa Lusa, fez 53 partidas pela seleção brasileira, vencendo o I Campeonato Pan-americano em 1952, no Chile, e a Copa do Mundo de 58. Realizou 453 partidas pela nossa Portuguesa. Conquistando o bicampeonato do Rio-São Paulo em 1952 e 1955 e a Fita Azul em 1951 e 1953. A sua despedida ocorreu na vitória de 6 a 3 sobre o Palmeiras, em 29 de abril de 1959 pelo Rio-São Paulo.

Neste 23 de julho de 2013, o craque visto por muitos como o melhor lateral-direito de todos os tempos deixou a vida, aos 84 anos. Fica a saudade de um ídolo que sempre estará vivo no coração dos Lusitanos.

fontes: Site da Lusa e Revista Placar

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O que é eterno – e está nos livros – e o que é passageiro no futebol

Leia o post original por Odir Cunha

O Santos que goleou o Benfica no Estádio da Luz por 5 a 2, tornou-se campeão mundial e confirmou a supremacia do Brasil sobre a Europa na era de ouro do futebol.

Como em todo ano há e haverá campeões, qualquer que seja o nível técnico ou a relevância dos times, o torcedor muitas vezes fica em dúvida sobre o que é mais importante no futebol, sobre o que ficará para a história e o que passará, esquecido entre números e fatos similares. Bem, para se avaliar com propriedade um evento, é preciso notar o contexto histórico em que ele está inserido.

Se o Brasil, ainda hoje, mesmo sem ocupar as melhores posições no ranking de seleções, ou de times, da Fifa, ainda é respeitado como o país do futebol, é porque construiu essa imagem ao longo dos anos.

Costumo chamar o período de 1958 a 1970 a era de ouro do futebol-arte e, simultaneamente, a era de ouro do futebol brasileiro, porque foram naqueles 12 anos que o Brasil ganhou três das quatro Copas disputadas e revelou ao mundo um futebol vistoso, ofensivo, repleto de craques habilidosos, irreverentes, inesquecíveis, como Pelé, Garrincha, Didi, Coutinho, Pepe, Tostão, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto Torres…

O bicampeonato de 1958 e 62 deu ao Escrete o status de melhor seleção do mundo. E o fato de o Santos se tornar o primeiro bicampeão mundial de clubes em 1962/63 confirmou que também entre os times o mais técnico futebol do planeta era praticado em terras brasileiras.

O Mundial de 1962, conquistado com duas vitórias sobre o Benfica, por 3 a 2, no Maracanã, e 5 a 2 no Estádio da Luz, em Lisboa, gerou frases de admiração e espanto dos mais respeitados especialistas do esporte. O francês Gabriel Hanot, editor do L’Équipe, ex-jogador e jornalista que criou a Liga dos Campeões, disse: “Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved”.

Honved era uma equipe húngara que fez furor na década de 1940. O depoimento de Gabriel Hanot, que nasceu no século XIX e viveu o surgimento e o crescimento do futebol na Europa, tinha uma importância fundamental ao designar o Santos como o melhor time de todos os tempos.

Em 1963, quando se sagrou o primeiro bicampeão do mundo mesmo sem Pelé, Calvet e Zito, e uniu técnica e garra para derrotar o Milan, promissor campeão europeu, o Santos ratificou sua supremacia, e a supremacia do futebol brasileiro. Enviado ao Rio para cobrir os jogos, o jornalista argentino Bernardo Neustadt escreveu: “Ainda que hoje envelhecido, o Santos é mais do que o Milan no aspecto técnico. Entendo que mesmo com problemas na última noite, ganhou bem. Que o título está nas mãos mais aptas”.

O craque Gianni Rivera, que se tornaria um dos grandes ídolos do futebol italiano, na época um atacante promissor do Milan de apenas 20 anos, concordou com o jornalista argentino: “O Santos é uma equipe madura, com jogadores veteranos, mas, tecnicamente, muito superior à nossa. A chuva nos freou e, então, morta a velocidade, sem a circunstância física, nos superaram”.

Assim, para as estatísticas do futebol, todo ano há campeões, números, porcentagens etc, mas, para a história, obviamente alguns campeões e algumas circunstâncias serão mais relevantes. As conquistas do Santos venceram as últimas resistências e consolidaram um domínio do futebol brasileiro que só foi rigorosamente questionado com o sucesso da Holanda e da Alemanha Ocidental na Copa de 1974.

Hoje, a supremacia da Europa – tanto em seleções, como em clubes – é inquestionável, e o máximo que uma vitória brasileira poderá conseguir no Mundial de Clubes é ser olhada como um gesto de resistência, como foram os títulos de Internacional e São Paulo, que nada mudaram no panorama global do esporte.

Continuamos vendo os europeus recebendo as maiores cotas de tevê para vender seus campeonatos; escolhendo os melhores jogadores do ano apenas entre os que jogam lá; elegendo suas equipes e competições como as mais bem organizadas do planeta e forçando a barra para que todos os jogadores de destaque se mudem para seus times. Ou seja: querem ser vistos como os únicos fornecedores do espetáculo futebol – e acabam conseguindo isso com a cumplicidade da própria crônica esportiva sul-americana, que deveria se apor a essa dominação.

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O que é relevante fica para a história, para os livros. Talvez por isso o Santos tenha tantos livros sobre ele. E para facilitar a difusão dessa rica história, neste Natal o Blog do Odir fará uma promoção geral que envolverá todos os títulos, incluindo o luxuoso Livro do Centenário. Aproveite! É só clicar no banner superior do blog e será direcionado aos livros, com preços beeeem promocionais!

Percebeu a diferença entre o eterno e o passageiro no futebol?