Arquivo da categoria: Euro-2016

A dor de Cristiano e a alegria de Portugal

Leia o post original por Antero Greco

Exatamente 50 anos atrás, o Brasil entrou em campo para enfrentar Portugal, pela Copa do Mundo, em Liverpool. Os lusitanos promoveram uma caçada a Pelé, que deixou o campo machucado, apoiado no massagista Mário Américo, em uma das cenas inesquecíveis do futebol.

Em Saint-Denis, neste domingo, algum velho torcedor português há de ter se lembrado da velha imagem. Só que os franceses precisaram de um golpe apenas para tirar Cristiano Ronaldo de campo. Uma entrada dura de Payet, que dobrou o joelho direito do craque, logo aos 16 minutos.

Cristiano chorou, tentou voltar, teve a perna enfaixada, chorou de novo, mas acabou saindo da partida 3 minutos e 58 segundos depois. Não, sem antes, passar a faixa de capitão ao parceiro Nani.

Desta vez, o time agressor não foi beneficiado: ao fim da prorrogação, Portugal calou a torcida francesa, venceu por 1 a 0 e conquistou o título europeu – proeza inédita.

Se o herói do título não foi Cristiano Ronaldo, houve um responsável pela taça: o goleiro Rui Patrício que, durante, os 90 minutos normais da partida fez pelo menos sete boas defesas. Sim, a França foi melhor, mas seus adversários sempre podiam surpreender nos contra-ataques.

Na prorrogação, a honra de ser o personagem da conquista coube ao atacante Éder: ele disputou cada bola com incrível vontade, enquanto que na defesa o zagueiro Pepe devolvia tudo. E, quando ele não conseguia o objetivo, aparecia Rui Patrício para neutralizar o ataque francês.

Houve um momento em que parecia que a decisão iria para os pênaltis. Mas, aos 4 minutos da segunda etapa do tempo extra, o atacante Éder dominou a bola fora da área e bateu rasteiro, sem chances para o goleiro Lloris: 1 a 0 para Portugal.

Ao contrário de Pelé, que saiu de campo em Liverpool envolvido em tristeza e numa coberta, Cristiano Ronaldo voltou ao palco, colocou a camisa 7, enrolou-se na bandeira portuguesa e levantou a taça.

O joelho? Com certeza não doía mais.

Eder, o brasiliano que orgulha Lauro Muller

Leia o post original por Antero Greco

Depois de tanto vexame futebolístico, aparece um “brasiliano” para devolver o orgulho do mundo da bola à nossa gente. Vestido com o elegantérrimo uniforme azul, com o número 17 às costas, ele se materializou no Estádio Municipal de Toulouse. Como um raio, entrou na defesa sueca. O jogo da Eurocopa já estava no finalzinho, mas ele se livrou da zaga e mandou um balaço para o gol.

Seu nome: Eder Citadin Monteiro Martins, um legítimo Lauromulense ou Lauro-milense, ou seja, natural de Lauro Muller, cidade catarinense de 14 mil habitantes.

Enquanto Dunga caçava jogadores até desconhecidos para engrossar a lista de convocados pelo mundo afora, a Itália naturalizou o menino que começou carreira no Criciúma. Em 2015, estreou contra a Bulgária e fez gol, no empate por 2 a 2. Esta manhã fez o gol da vitória italiana, 1 a o que garantiu a classificação para a próxima fase.

Eder, 29 anos, é um dos nomes mais famosos na cidade que teve as primeiras minas de carvão da região e fica ao pé da Serra do Rio do Rastro – um dos pontos turísticos mais visitados de Santa Catarina. Joga na Inter de Milão, enquanto que em Lauro Muller os bons de bola são os veteranos do time do São José, que acabou de conquistar o título de futsal numa final eletrizante contra o Matrix: 3 a 1 no tempo normal. Vitória que veio apenas nos pênaltis. Ao time derrotado, restou o consolo de ter o artilheiro da competição Moacir Benincá.

Como se vê, o futebol não morreu no Brasil, apesar dos 7 a 1, das eliminações precoces e dos desmandos que ocorrem na CBF.

(Com reportagem de Roberto Salim.)

Irlanda arranca empate heroico contra a Alemanha; raça, humildade e cruzamentos mantêm a tradição da ” Green Army”

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

O neo-futebol globalizado e ultra-comercial influenciou no estilo de vários países jogarem.

Antigamente, ninguém improvisava como os brasileiros, marcava com a competência dos italianos, tocava a bola com a classe dos argentinos, tinha a disciplina de tática e chute de fora da área dos alemães e o jogo aéreo dos britânicos.

Hoje em dia, algumas seleções agregaram valores e outras, como Brasil e Argentina, se distanciaram um pouco de suas raízes.

Irlanda e Escócia são símbolos da resistência a essas mudanças.

Contam com torcidas que fazem mais barulho, dentro ou fora de casa, que as de quaisquer outros países europeus.

Superam até os fanáticos turcos e gregos.

E, dentro de campo, os jogadores, cientes de seus limites,  lutam com garra e humildade exemplares, e, por tradição e incapacidade de realizarem mais, levantamentos de bola na área.

Quem acompanhou o heroico empate de Alemanha 1×1 Irlanda, em Gelsenkirchen, viu tudo isso e entende o resultado surpreendente.

Foi uma aula de respeito à camisa ministrada pelos comandados de Martin O’Neill.

Se tivessem perdido – conseguiram o empate nos acréscimos – a opinião sobre eles seria igual.

Atuaram no limite de suas forças físicas, técnicas e psicológicas contra o campeão do mundo que passou a impressão de acreditar ser capaz de vencer quando queria.

O beabá do futebol ensina que isso aumenta a chance da zebra.

 

Gangue de seguranças despreparados agride torcedores em jogo de alto risco na Europa

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

http://youtu.be/Vhi_QdGO0VM

Eis os torcedores húngaros saindo de Budapeste para o clássico contra a Romênia pelas eliminatórias da Eurocopa.

A rivalidade entre os países é enorme.

Ambos se consideram o maior adversário da outro.

Há quem carregue a disputa para fronteiras além do futebol, pois já houve guerra declarada entre eles e nem todo mundo é capaz de entender que batalhas mortais deveriam ensinar a gente a não repeti-las em vez de alimentar o ódio que impede a sociedade de caminhar.

Por isso, o jogo foi tratado como de alto risco pelo governo romeno.

Houve 30 prisões e desrespeito dos húngaros ao hino nacional do adversário no confronto que terminou com o empate por 1×1.

Cerca de 12 mil policiais foram envolvidos na fracassada tentativa de manutenção da paz no estádio.

Além deles, foram contratados seguranças despreparados, como você poderá ver no vídeo.

Pareciam torcedores violentos na arquibancada agredindo pessoas que nem reagiram.

Se comportaram como se fizessem parte de uma terceira via de hooligans na capital do país de Lacatus, Piturca, Hagi, Popescu e Radiucioiu, diante do público de 54 mil na Arena Națională.

http://youtu.be/zM2nugZeSyM

Apenas para explicar aos que não conhecem, Lacatus e Piturca eram destaques do Steaua Bucuresti vencedor da Liga de Campeões da Europa, numa final contra o Barcelona que não fez gol com a bola rolando e nem na decisão por pênaltis após quatro cobranças.

Hagi, Popescu e Raducioiu jogaram na seleção romena do Mundial que o Brasil foi campeão sob o comando de Carlos Alberto Parreira, eliminaram a Argentina e mostraram, liderados pelo primeiro, o futebol mais bonito da competição.