Arquivo da categoria: Flamengo

Vocês precisam entender a Florida Cup

Leia o post original por Rica Perrone

Há no Brasil um erro grotesco de interpretação quanto ao torneio norte-americano.  “Não vale nada”, diz o torcedor.  Mas é óbvio que não! E nunca foi intenção do torneio que valesse algo, tanto que nem tem final.

A idéia é muito mais simples e mais interessante do que a disputa de um torneio.

Ninguém quer disputar título com 5 dias de treinamento. Mas treinar a 20 graus ao invés de 35, com estrutura de primeiro mundo, onde as famílias dos jogadores curtem os parques enquanto eles trabalham, com 5% de imprensa por perto pra perturbar e ainda jogar dois amistosos maneiros contra times de fora é um problema?

Tudo que fazem no futebol brasileiro é criticado.  É quase um hábito. Mas as vezes eles conseguem boas coisas, como por exemplo o Florida CUP.

Nao é pra dar audiência, público, título. É pra ser uma pré temporada diferenciada, em paz, aproveitando para fazer negócios e relacionamentos com clubes do mundo todo e dezenas de personalidades do esporte que estão aqui de férias e vão ao evento.

A sala vip da Florida Cup é surreal. Tem desde os craques do passado até os donos de empresas gigantes do mundo. E ali se faz negócios, enquanto os times em campo jogam amistosos e treinam pro ano que vem aí.

Parem de discutir o quanto vale o torneio. Ele não é feito pra valer título, mas sim pra valer a pena. E vale. Eu lhes digo de perto, após alguns anos, que vale!

Não há perda. Se ganha em todos os sentidos. E quando o Galo manda o sub 23, por exemplo, apenas comete mais um dos mil erros que cometemos no Brasil ao desvalorizar um negócio que estamos dentro. E depois não sabemos porque nos falta dinheiro…

abs,
RicaPerrone

Rueda pisa na bola com o Fla

Leia o post original por Antero Greco

Direto ao assunto, como zagueiro antigo ia nas canelas do centrovante: não gostei da forma como Reinaldo Rueda deixou o Flamengo. Com a ressalva, repito: é direito dele, como qualquer cidadão livre, trabalhar onde bem entender.

E que bom que tenha mercado; muita gente padece com desemprego.

Só poderia ter escolhido outra estratégia para ir cantar em outra freguesia, no caso a seleção do Chile. Faz pelo menos duas semanas que imprensa de Santiago (e de Bogotá) trazia informações sobre as conversas entre dirigentes locais e o técnico colombiano. A perspectiva de ruptura crescia à medida que o tempo passava.

E Rueda em silêncio, mesmo com tentativas – segundo afirmam cartolas rubro-negros – de contato para esclarecer a situação. Nada de nada. Ele ficou num mutismo só, enquanto oficialmente curtia as férias do futebol brasileiro.

Como bola cantada, deixou a Colômbia na noite de domingo para supostamente se apresentar ao Fla nesta segunda-feira. Foi o que fez, mas para dizer adeus. Ok, pode-se alegar que, por um lado, agiu corretamente, porque veio pessoalmente se desligar. Perfeito.

Por outro, há a mancada: se estava propenso a aceitar a oferta de novo emprego, por que não antecipou a volta para liberar-se a si e ao Flamengo? Sei lá, podia ter feito isso cinco, seis dias atrás, logo após as festas de fim de ano.

Ah, mas ainda não estava certo… Ora, pelo andar da carruagem o papo com os chilenos sempre evoluiu; em nenhum momento empacou. Sendo assim, teria sido elegante Rueda deixar bem clara a tendência à ruptura.

O Flamengo também vacilou. Assim que espoucaram as notícias sobre o interesse chileno, deveria ter pressionado o treinador, sem chance para enrolação. Era encostar na parede e cobrar: vai ou fica? Com isso, ganharia tempo para buscar substituto. O Fla comeu mosca.

Vá lá, anunciou Paulo Cesar Carpeggiani agora à noite. Nome conhecido no clube e disponível. Mas teria sido a alternativa principal, se estivesse evidente que perderia Rueda? Tenho cá minhas dúvidas. Assim como prefiro ser cauteloso no prognóstico sobre o desenvolvimento do projeto com o novo técnico.

No mais, está claro que o futebol doméstico virou trampolim para os gringos se ajeitarem com “coisa melhor”. Vêm para cá, fazem uma firulinha e logo se mandam…

Flamengo sem tempo para perder

Leia o post original por Antero Greco

Tomara que nas próximas horas termine o mistério em torno do futuro de Reinaldo Rueda. O treinador colombiano neste momento (final de domingo) está no voo que o trará ao Rio na manhã da segunda-feira. E, assim que desembarcar, vai reunir-se com a direção do Fla e informar se fica para a temporada 2018 ou se baterá asas e se mandará para o Chile.

Não se discute o direito de Rueda, como cidadão livre e profissional autônomo, decidir o que pretende na vida e na carreira. Ele vai para onde lhe convier. Se permanecer no Fla, ótimo; assim cumprirá contrato que tem em vigor. Se optar pela seleção chilena, sem problema também, desde que respeite os termos do acordo com o clube carioca.

O que não pode se estender é a dúvida que paira desde a primeira quinzena de dezembro, quando se intensificaram as especulações em torno da mudança de ares. Os chilenos não escondem desejo de tê-lo num processo de recuperação da seleção local. Antes, fizeram muito barulho e todo dia deixaram vazar na imprensa novidades sobre as negociações.

Rueda é que se manteve calado – e isso desencadeou boatos e incerteza. Ok, ele estava de férias e, portanto, sem obrigação de manifestar-se. Mas, diante do zumzunzum internacional, também não custava nada mandar um comunicado oficial para o Flamengo ou colocar um filminho ou texto qualquer em mídias sociais.

Na base do “Olha, gente, nada disso é verdade e logo estarei de volta ao Rio.” Ou: “Recebi propostas e estou estudando se valem a pena ou não. Assim que houver novidades, falarei.” Simples e direto. Hoje em dia as mídias sociais são usadas para banalidades e para uma ou outra informação mais séria. Seria o caso…

Mas o que interessa mesmo é o Flamengo. Não pode passar desta segunda-feira a definição sobre Rueda. Se ele for embora, imediatamente é preciso buscar alternativa. Na verdade, se fosse dirigente rubro-negro, eu teria pressionado o técnico para que se pronunciasse logo. E, se enrolasse, sondaria o mercado na mesma hora. Teria plano B na manga.

O Fla não pode ficar à mercê de treinador, ou de jogador, ou de quem quer que seja. Ele está acima de tudo isso. E, é bom lembrar, há desafios importantes em 2018, sem tempo a perder. Planejamento, elenco, programação, tudo passa pelo crivo de uma Comissão Técnica. Se Rueda pegar o boné, o Fla já larga em desvantagem em relação aos concorrentes.

Flamengo e a namoradinha fiel

Leia o post original por Rica Perrone

Eu entendo todos os motivos do Rueda.  Fosse ele, também manteria a possível ex e esperaria o acerto com a nova.  É cômodo, quem nunca?

A culpa dessa facilidade é sempre da atual. Na cara dela, flertando com outra, mesmo que seja outra de nível considerável que cause mais ciúmes do que raiva. Ainda assim, é outra.

Ela pode dar um basta, pode blefar, só não pode assistir.

Enquanto ele vai na academia pra emagrecer pra próxima, ela engorda depressiva pelo que está passando.  E se resolver não partir, ela ainda entenderá como uma vitória e o tratará como troféu.

O Flamengo não pode brincar de ser a namoradinha atual a um mês de começar uma Libertadores, uma temporada promissora, etc.  A montagem do elenco passa por comissão técnica, os princípios de jogo e planejamento físico idem.

É fundamental a decisão do Rueda.

Ele pode sair. Mas não pode deixar prejuízo.  Hoje, a indecisão dele já representa esse prejuízo.  Mas a culpa não é dele, qualquer um faria o que ele está fazendo.

A culpa é “dela”, que está deixando e sofrendo de amor.

O Flamengo está prestes a tomar um pé na bunda. Está esperando pra ver se ele fica, como quem depende daquela relação. E se sair hoje, com o ano começado, planejamento determinado, mercado já tendo comprado e vendido as principais peças do jogo…  É porque ficou sem e ainda ficou grávida.

abs,
RicaPerrone

E quem não quer ver o milagre?

Leia o post original por Rica Perrone

Aos 30, fora de forma, era um risco. Aos 32, uma última chance. Aos 35 anos, sem se cuidar há muitos deles, Adriano e a bola flertam, tem todo o apoio dos lados necessários, até a vontade, mas talvez dessa vez não seja mais suficiente.

Quando esse cara sorri alguma coisa nele transmite sinceridade. Não há um ser humano sensível capaz de ignorar a pureza que há no Adriano.

Eu não o via pessoalmente desde 2008, quando trabalhamos no SPFC.  Encontrei há 2 ou 3 semanas num restaurante no Rio. Ele estava com Carlos Alberto e eu não sabia se ele sequer se lembraria de mim. Parei do lado e arrisquei: “Imperador?”

Cara, ele não é daqui.

Levantou, me abraçou, me deu um beijo, perguntou como eu tava, por onde andei, foi carinhoso ao extremo.  Falou da derrota pro Flu em 2008, que foi uma das ultimas vezes que nos vimos.  Mas independente da educação, a pureza.  Eu sou jornalista. Ele tava bebendo.  Eu podia ser um dos milhões de babacas que cobrem a vida pessoal dele como novela. Que garantia ele tem?

Ele parte do princípio que as pessoas são boas a volta dele. E isso o prejudica muito, mas também faz dele um puta cara diferente. Gostar do Adriano é uma questão de bom senso. Confirmar o que ele transmite é uma oportunidade rara que tive o privilégio.

É o Imperador da favela. O cara que jogava na Inter ainda sendo um moleque que empinava pipa.  Ele nunca saiu da favela, nunca fez mais do que 19 anos, e o corpo dele não acompanha. A cobrança idem.

Ele quer voltar.  Mas aos 35, sem ser um “Zé Roberto”, tudo que ouço dos preparadores físicos é a palavra “milagre”. Todos que consultei falaram em “milagre”.

É realmente muito difícil. Improvável. Talvez, um milagre.

Mas imaginar a volta de Adriano aos gramados pode até parecer um milagre. Não sorrir com essa possibilidade é quase um desvio de caráter.

Viva o Imperador! Com ou sem chuteiras, tanto faz.  Desconfiar dos motivos que levam o povo a adora-lo é um atestado de falta de sensibilidade e, porque não, burrice.

abs,
RicaPerrone

Um domingo qualquer

Leia o post original por Rica Perrone

petkovic2

– Está completando 14 anos do “Gol do Pet” e por isso estou “ressuscitando” este post antigo de muito sucesso.  Confiram:


 

Era um dia frio, sem chuva.  Seria um dia chato, não fosse o Maracanã lotado e a expectativa de um título. Ele não era fanático, sequer tinha visto o estádio lotado na vida, até então.  Tinha 13 anos e torcia, timidamente, para o Palmeiras, apesar de morar no RJ.

Naquele domingo seu pai o levou na final.  De bandeira, camisa e ingresso na mão, chegou assustado com a multidão. Entrou faltando 15 minutos pra começar e, quando olhou em volta, disse: “Pai, quantas pessoas tem aqui?!?”.

– Muitas, filho… uma nação inteira, disse o pai.

Aquela multidão explodiu em faixas, bandeiras e papel picado minutos depois.  O garotinho se encolheu com medo e sentou.  Com 1 minuto de jogo a torcida levantou e não deixou que o guri visse mais nada. Ele ouvia, sentia, mas não assistia.

Seu pai, rubro-negro fanático, não tinha muita esperança de que seu pivete palmeirense um dia se envolvesse com futebol. Jamais mostrou grande interesse, e só torcia porque tinha um amigo que era palmeiras.

O Flamengo saiu ganhando, mas não bastava. Tinha que ser com 2 gols de diferença, ou nada. Seu pai explicou que “faltava um”, e o garotinho não entendeu. Afinal… vitória não é vitória de qualquer jeito?

Sofreu um gol, e ele não tirou sarro do pai como sempre fazia. Ficou triste, como que contagiado pela multidão. O outro lado, 40% do estádio apenas, fazia barulho, e ele ouvia o silencio da nação a sua volta. Segundo ele, o silencio mais dolorido que já escutou na vida.

O Flamengo fez o segundo, e o garotinho, se envolvendo com o jogo, vibrou. Pulou no colo do seu pai e o abraçou como se fosse um legítimo urubuzinho.

Não era, ainda.

A torcida começou a cantar o hino, que ele sabia de cor de tanto ouvir o pai cantar.  Pela primeira vez, cantou num estádio, e fez parte da nação. A angustia de milhares não passou em branco. Em mais alguns minutos o garotinho suava e já rezava de mãos grudadas ao peito.

O Flamengo virou, mas não bastava.

40 minutos do segundo tempo. Mesmo com 2×1 no Placar, a nação ouvia gozações do outro lado. Ele não entendia, e fez o pai explicar, mesmo num momento dramático do jogo.

Atencioso, o pai sentou e contou pro garoto que o Flamengo precisava ter 2 gols de vantagem, porque a vitória por um gol empataria a soma de 2 jogos, e o empate era do rival. Ele não entendeu bem, mas simplificou em sua cabeça: “Mais um e ganharemos”.

Opa… “ganharemos”?  Ele não era palmeirense?

E então, aos 43 minutos, onde alguns já se mexiam na direção da saída, uma falta do meio da rua.  Seu pai vibrou e ele questionou: “O que foi? Foi pênalti!? “

– Quase isso, filho!! Dali pro Pet é pênalti!!, profetizou o pai, ignorando a distancia da falta.

A cobrança… o silencio eterno de 1 segundo e a explosão.  Gol do  Flamengo! Petkovic! E seu pai o abraça como nunca abraçou em toda sua vida. Pula, joga o garoto pra cima, beija, chora…

O garotinho, numa mistura de susto com euforia, olha em volta e, de braços abertos, comemora em silencio um gol que não era dele.  Sem razão, ele chora. E chorando, abraça o pai que, preocupado, rompe a alegria e pergunta: O que foi? O que foi? Se machucou?

– Não…  Eu to feliz, pai!

Sem mais palavras, o pai sentou e abraçado ao garotinho deu um abraço de tricampeão. O jogo acabou, e os dois continuaram abraçados.

A festa rolando, os dois assistindo a tudo aquilo emocionados, o garotinho absolutamente embasbacado com a cena, já que nunca havia visitado um estádio lotado, muito menos uma decisão. O pai olhava pro campo e pro filho, porque sabia que, talvez, aquele fosse seu único momento na vida onde teria a imagem de seu garoto comemorando um titulo do time dele.

E chorava, sem vergonha nenhuma de quem estivesse em volta.

O menino foi embora pensativo, eufórico. Em casa, contou pra mãe com uma empolgação incomum sobre tudo que viveu naquela tarde. E não falava do jogo, apenas da torcida.  Iludido por uma frase, contou pra mãe:

– Aí, no finalzinho, teve um pênalti! E o Flamengo fez o gol…
– Não filho… não foi pênalti! Foi de falta.
– Mas você disse que foi pênalti…
– Era modo de falar…. hahahahahah
– Então, mãe…  aí, o cara fez o gol e a gente foi campeão!!!

Pronto. Aquele “a gente” fez o pai parar de colocar cerveja no copo, virar a cabeça lentamente e perguntar, com medo da resposta:

– A gente, filho?

(silencio…)

– É pai! O Mengão!!!!!

Emocionado, o pai abraçou o garoto e não falou nada. Ali, seu maior sonho virava realidade. A mãe entendeu, deixou os dois na cozinha e saiu de fininho, enquanto o pai começava a contar de uma outra final que viveu em mil novecentos e bolinha, com toda a atenção do novo rubro-negro.

Hoje o garoto  tem 21, completados há alguns dias.

Quando seu pai perguntou o que ele queria de presente este ano, a resposta foi essa:

– Dois ingressos, uma bandeira, a camisa nova e ver você chorando igual aquele dia.

E há quem diga que “futebol é bobagem”…

Abs,
RicaPerrone

Um domingo qualquer

Leia o post original por Rica Perrone

petkovic2

– Está completando 14 anos do “Gol do Pet” e por isso estou “ressuscitando” este post antigo de muito sucesso.  Confiram:


 

Era um dia frio, sem chuva.  Seria um dia chato, não fosse o Maracanã lotado e a expectativa de um título. Ele não era fanático, sequer tinha visto o estádio lotado na vida, até então.  Tinha 13 anos e torcia, timidamente, para o Palmeiras, apesar de morar no RJ.

Naquele domingo seu pai o levou na final.  De bandeira, camisa e ingresso na mão, chegou assustado com a multidão. Entrou faltando 15 minutos pra começar e, quando olhou em volta, disse: “Pai, quantas pessoas tem aqui?!?”.

– Muitas, filho… uma nação inteira, disse o pai.

Aquela multidão explodiu em faixas, bandeiras e papel picado minutos depois.  O garotinho se encolheu com medo e sentou.  Com 1 minuto de jogo a torcida levantou e não deixou que o guri visse mais nada. Ele ouvia, sentia, mas não assistia.

Seu pai, rubro-negro fanático, não tinha muita esperança de que seu pivete palmeirense um dia se envolvesse com futebol. Jamais mostrou grande interesse, e só torcia porque tinha um amigo que era palmeiras.

O Flamengo saiu ganhando, mas não bastava. Tinha que ser com 2 gols de diferença, ou nada. Seu pai explicou que “faltava um”, e o garotinho não entendeu. Afinal… vitória não é vitória de qualquer jeito?

Sofreu um gol, e ele não tirou sarro do pai como sempre fazia. Ficou triste, como que contagiado pela multidão. O outro lado, 40% do estádio apenas, fazia barulho, e ele ouvia o silencio da nação a sua volta. Segundo ele, o silencio mais dolorido que já escutou na vida.

O Flamengo fez o segundo, e o garotinho, se envolvendo com o jogo, vibrou. Pulou no colo do seu pai e o abraçou como se fosse um legítimo urubuzinho.

Não era, ainda.

A torcida começou a cantar o hino, que ele sabia de cor de tanto ouvir o pai cantar.  Pela primeira vez, cantou num estádio, e fez parte da nação. A angustia de milhares não passou em branco. Em mais alguns minutos o garotinho suava e já rezava de mãos grudadas ao peito.

O Flamengo virou, mas não bastava.

40 minutos do segundo tempo. Mesmo com 2×1 no Placar, a nação ouvia gozações do outro lado. Ele não entendia, e fez o pai explicar, mesmo num momento dramático do jogo.

Atencioso, o pai sentou e contou pro garoto que o Flamengo precisava ter 2 gols de vantagem, porque a vitória por um gol empataria a soma de 2 jogos, e o empate era do rival. Ele não entendeu bem, mas simplificou em sua cabeça: “Mais um e ganharemos”.

Opa… “ganharemos”?  Ele não era palmeirense?

E então, aos 43 minutos, onde alguns já se mexiam na direção da saída, uma falta do meio da rua.  Seu pai vibrou e ele questionou: “O que foi? Foi pênalti!? “

– Quase isso, filho!! Dali pro Pet é pênalti!!, profetizou o pai, ignorando a distancia da falta.

A cobrança… o silencio eterno de 1 segundo e a explosão.  Gol do  Flamengo! Petkovic! E seu pai o abraça como nunca abraçou em toda sua vida. Pula, joga o garoto pra cima, beija, chora…

O garotinho, numa mistura de susto com euforia, olha em volta e, de braços abertos, comemora em silencio um gol que não era dele.  Sem razão, ele chora. E chorando, abraça o pai que, preocupado, rompe a alegria e pergunta: O que foi? O que foi? Se machucou?

– Não…  Eu to feliz, pai!

Sem mais palavras, o pai sentou e abraçado ao garotinho deu um abraço de tricampeão. O jogo acabou, e os dois continuaram abraçados.

A festa rolando, os dois assistindo a tudo aquilo emocionados, o garotinho absolutamente embasbacado com a cena, já que nunca havia visitado um estádio lotado, muito menos uma decisão. O pai olhava pro campo e pro filho, porque sabia que, talvez, aquele fosse seu único momento na vida onde teria a imagem de seu garoto comemorando um titulo do time dele.

E chorava, sem vergonha nenhuma de quem estivesse em volta.

O menino foi embora pensativo, eufórico. Em casa, contou pra mãe com uma empolgação incomum sobre tudo que viveu naquela tarde. E não falava do jogo, apenas da torcida.  Iludido por uma frase, contou pra mãe:

– Aí, no finalzinho, teve um pênalti! E o Flamengo fez o gol…
– Não filho… não foi pênalti! Foi de falta.
– Mas você disse que foi pênalti…
– Era modo de falar…. hahahahahah
– Então, mãe…  aí, o cara fez o gol e a gente foi campeão!!!

Pronto. Aquele “a gente” fez o pai parar de colocar cerveja no copo, virar a cabeça lentamente e perguntar, com medo da resposta:

– A gente, filho?

(silencio…)

– É pai! O Mengão!!!!!

Emocionado, o pai abraçou o garoto e não falou nada. Ali, seu maior sonho virava realidade. A mãe entendeu, deixou os dois na cozinha e saiu de fininho, enquanto o pai começava a contar de uma outra final que viveu em mil novecentos e bolinha, com toda a atenção do novo rubro-negro.

Hoje o garoto  tem 21, completados há alguns dias.

Quando seu pai perguntou o que ele queria de presente este ano, a resposta foi essa:

– Dois ingressos, uma bandeira, a camisa nova e ver você chorando igual aquele dia.

E há quem diga que “futebol é bobagem”…

Abs,
RicaPerrone

O contrato

Leia o post original por Rica Perrone

alecsandro_emelec_flamengo_alexandrevidal1

Enfim, o que todos os torcedores de Fluminense, Botafogo e Vasco sempre desconfiaram chega a conhecimento público.  Este blog conseguiu com exclusividade um termo de contrato assinado em 1895 que pode explicar muito das viradas espetaculares do Clube de Regatas Flamengo.

Confira.

CONTRATO DE PARCERIA

Parceiro Outorgante: Clube de Regatas Flamengo, com sede na Av. Borges de Medeiros, 997 – Lagoa Rio de Janeiro – RJ – Brasil. CEP – 22.430-040.

Parceiro Outorgado: Lucifer Gallardo, com sede no Inferno, sub solo, sem cep, próximo a Bangu, Rio de Janeiro, Brasil.

As partes acima identificadas têm, entre si, justo e acertado o presente Contrato de Parceria, que se regerá pelas cláusulas seguintes e pelas condições descritas no presente.:

DO OBJETO DO CONTRATO

Cláusula 1ª – O presente contrato tem como OBJETO a troca de favores entre as partes. Sendo o Flamengo capaz de proporcionar momentos de muito terror aos seus quando tudo caminha para a paz e vice-versa. Sempre que precisar, porém, o Flamengo terá uma ajuda não justificável no plano físico do Lucifer.

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGANTE (C. R. Flamengo)

Cláusula 2ª – Se manter sempre numa divisão igual ou acima dos três concorrentes da cidade sede.

Parágrafo primeiro – Prometer, sempre, mesmo que seja impossível, estar num nível incrivelmente superior a maioria

Parágrafo segundo – Exalar fé e confiança mesmo sem motivos para tal.

Parágrafo terceiro – Aumentar de forma constante o número de fiéis seguidores.

Parágrafo quarto –  Causar dúvida na presença divina sempre que possível contrariando a lógica com algum milagre que cause dor a seus fiéis.

Parágrafo quinto – Usar em seu uniforme sempre um pedaço de cor vermelha em respeito ao Lucifer

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGADA (Lucifer) 

Cláusula 3ª –  Lucifer fornecerá ao Clube de Regatas Flamengo, a força do mal suficiente para manipular zagueiros, árbitros e até mesmo tufos de grama tendo como objetivo o resultado acordado entre as partes.

Parágrafo primeiro – Não negará jamais uma queda rival de, pelo menos, 10 em 10 anos.

Parágrafo segundo – Havendo necessidade e interesse, Lucifer solicitará ao Clube de Regatas Flamengo um vexame de proporções nacionais para gerar sofrimento entre os seus.

DAS COMPETIÇÕES

Cláusula 4º –  O Clube de Regatas Flamengo fica responsável por se manter na primeira divisão do campeonato nacional. Lucifer será responsável por evitar a queda quando o Clube de Regatas Flamengo não for auto-suficiente.

Parágrafo primeiro – Será de responsabilidade de Lucifer a conquista de um torneio mata-mata de alto nível por década. O Clube de Regatas Flamengo não precisa manter um elenco digno para tal.

Parágrafo segundo – Em torneios continentais, o Clube de Regatas Flamengo poderá solicitar uma vez por década ajuda a Lucifer para conquistar o título.

Cláusula 5º –  Não haverá ajuda entre as partes nas decisões contra clubes mexicanos

DA PRIVACIDADE E SEGURANÇA

Cláusula 6ª – Fica proibida a captação de dados particulares dos clientes do Clube de Regatas Flamengo pela parte de Lucifer e vice-versa.

Cláusula 7ª–  O contrato em questão jamais será divulgado.

DA RESCISÃO CONTRATUAL

Cláusula 8ª – A parte que desejar rescindir o presente instrumento, notificará de forma expressa sua intenção à outra parte, com antecedência mínima de 60 (sessenta) anos.

Parágrafo primeiro – No casso do disposto da Cláusula 9ª, não caberá indenização em nenhuma hipótese.

Cláusula 9ª – Estará rescindido automaticamente o presente contrato de parceria, em ocorrendo a violação de qualquer cláusula, por dolo ou culpa, constante neste instrumento pelo Clube de Regatas Flamengo.

DA VALIDADE E PRAZO DO CONTRATO

Cláusula 10ª – O presente instrumento de contrato de parceria, passa a vigorar na data de assinatura de ambas as partes.

Cláusula 11ª– O presente contrato de parceria vigorará pelo prazo de 12000 anos, a contar da data de assinatura.

DISPOSIÇÕES GERAIS

Cláusula 12ª – Fica compactuado entre as partes a total inexistência de vínculo trabalhista entre as partes contratantes, excluindo as obrigações previdenciárias e os encargos sociais, não havendo entre CONTRATADA e CONTRATANTE qualquer tipo de relação de subordinação.

Por estarem assim justos e contratados, firmam o presente instrumento, em duas vias de igual teor.

Rio de Janeiro, 13 de março de 1895.

(Lucifer Gallardo)

(Clube de Regatas Flamengo)

Identidade

Leia o post original por Rica Perrone

Acho incomparável a possível troca de Fred pelo Fla com a ida ao Cruzeiro.  Como falei sobre Kaká outro dia, o mesmo se aplica ao Fred. Ter revelado o jogador não faz dele um ídolo do clube.

A ligação Fred/Cruzeiro nem a esse ponto chega porque ele veio do América. Ou seja, é só um cara que jogou lá (e bem) por 1 ano e meio. Não vi a ida dele pro Galo como “trairagem” ou sequer “polêmica”, idem pra sua volta, embora tenha sido direta.

Ele também não é um ídolo do Galo. Foi só um grande jogador que atuou lá.

Separemos.

No Fluminense ele é um dos maiores, se não for o maior. Ir ao rival tiraria dele uma parte considerável da relação torcida/ídolo que construiu ao longo de 8 anos de clube. Lá foi campeão, jogou Copa, outro patamar.

A ida pro Cruzeiro me chama mais atenção pelo timaço que eles tão montando do que por qualquer dor de corno ou polêmica em terceiros.

Outro dia falava sobre o pensamento pequeno da diretoria do Flu e em massa sua torcida concordava.  Mas sim, achei meio “pequeno” por parte de parte torcida do Flu “comemorar” a ida dele ao Cruzeiro. Afinal, se houve proposta, ele também recusou a sua. Embora “não ir pro Flamengo” seja uma vitória, não se posta festa em família porque o primo saiu de cadeia, né?

Entre os “vencedores e vencidos”, acho que ficou bom pra todos. Eles segue ganhando uma grana, morando perto da família e jogará a Libertadores.

Ah, mas a organizada é contra!

Mais um indicativo que o clube agiu certo. Ótimo reforço. Ainda o melhor do país na posição.

E azar de quem não levou ou não pode pagar.  Simples assim.

Queria eu ter o Fred no meu time.

abs,
RicaPerrone

Só o Grêmio se deu “bem”

Leia o post original por Rica Perrone

O sorteio da Libertadores tem essa coisa de evitar confrontos entre times do mesmo pais. E nessa acaba equilibrando os grupos, considerando que os brasileiros estão num degrau acima de investimento, nível de elencos, etc.  Dos 8 brasileiros, só um pode “sorrir” após o sorteio.

O Vasco pra chegar tem um trabalho não tão duro. Mas chegando é com Cruzeiro, U. De Chile e Racing. Grupo dificílimo! Um dos piores, até.

O Cruzeiro, por consequência, idem.

O Santos tem um grupo “ok”. Mas vamos esperar sempre a lógica, e ela indica o Nacional do Uruguai por ali, o que torna o grupo de 2 vagas com 3 grandes.  Mais uma pedreira.

Corinthians tem um argentino campeão da Sulamericana e o atual campeão colombiano. Pedreira.

Grêmio tranquilo, só tem o Cerro com tradição ali. O resto é moleza.

O Flamengo terá uma baba vinda das fases anteriores e o River, que dispensa apresentações.  O Emelec é o divisor de águas em tese. Grupo não é mole não.  Também não chega a ser o inferno que se meteu o Palmeiras.

Boca, Alianza Lima e provavelmente o Olímpia…. O Palmeiras vai precisar estar muito bem já em fevereiro. Não dá pra vacilar. É o pior grupo junto do Cruzeiro, embora os dois casos ainda esperem a “lógica” não confirmada das fases anteriores.

Com uma “sorte” os dois recebem adversários mais fracos. Mas a tendência não é essa.

E o Grêmio, se focar, já sai dessa fase garantindo decidir em casa até a final.

abs,
RicaPerrone