Arquivo da categoria: Futebol brasileiro

Rueda pisa na bola com o Fla

Leia o post original por Antero Greco

Direto ao assunto, como zagueiro antigo ia nas canelas do centrovante: não gostei da forma como Reinaldo Rueda deixou o Flamengo. Com a ressalva, repito: é direito dele, como qualquer cidadão livre, trabalhar onde bem entender.

E que bom que tenha mercado; muita gente padece com desemprego.

Só poderia ter escolhido outra estratégia para ir cantar em outra freguesia, no caso a seleção do Chile. Faz pelo menos duas semanas que imprensa de Santiago (e de Bogotá) trazia informações sobre as conversas entre dirigentes locais e o técnico colombiano. A perspectiva de ruptura crescia à medida que o tempo passava.

E Rueda em silêncio, mesmo com tentativas – segundo afirmam cartolas rubro-negros – de contato para esclarecer a situação. Nada de nada. Ele ficou num mutismo só, enquanto oficialmente curtia as férias do futebol brasileiro.

Como bola cantada, deixou a Colômbia na noite de domingo para supostamente se apresentar ao Fla nesta segunda-feira. Foi o que fez, mas para dizer adeus. Ok, pode-se alegar que, por um lado, agiu corretamente, porque veio pessoalmente se desligar. Perfeito.

Por outro, há a mancada: se estava propenso a aceitar a oferta de novo emprego, por que não antecipou a volta para liberar-se a si e ao Flamengo? Sei lá, podia ter feito isso cinco, seis dias atrás, logo após as festas de fim de ano.

Ah, mas ainda não estava certo… Ora, pelo andar da carruagem o papo com os chilenos sempre evoluiu; em nenhum momento empacou. Sendo assim, teria sido elegante Rueda deixar bem clara a tendência à ruptura.

O Flamengo também vacilou. Assim que espoucaram as notícias sobre o interesse chileno, deveria ter pressionado o treinador, sem chance para enrolação. Era encostar na parede e cobrar: vai ou fica? Com isso, ganharia tempo para buscar substituto. O Fla comeu mosca.

Vá lá, anunciou Paulo Cesar Carpeggiani agora à noite. Nome conhecido no clube e disponível. Mas teria sido a alternativa principal, se estivesse evidente que perderia Rueda? Tenho cá minhas dúvidas. Assim como prefiro ser cauteloso no prognóstico sobre o desenvolvimento do projeto com o novo técnico.

No mais, está claro que o futebol doméstico virou trampolim para os gringos se ajeitarem com “coisa melhor”. Vêm para cá, fazem uma firulinha e logo se mandam…

Flamengo sem tempo para perder

Leia o post original por Antero Greco

Tomara que nas próximas horas termine o mistério em torno do futuro de Reinaldo Rueda. O treinador colombiano neste momento (final de domingo) está no voo que o trará ao Rio na manhã da segunda-feira. E, assim que desembarcar, vai reunir-se com a direção do Fla e informar se fica para a temporada 2018 ou se baterá asas e se mandará para o Chile.

Não se discute o direito de Rueda, como cidadão livre e profissional autônomo, decidir o que pretende na vida e na carreira. Ele vai para onde lhe convier. Se permanecer no Fla, ótimo; assim cumprirá contrato que tem em vigor. Se optar pela seleção chilena, sem problema também, desde que respeite os termos do acordo com o clube carioca.

O que não pode se estender é a dúvida que paira desde a primeira quinzena de dezembro, quando se intensificaram as especulações em torno da mudança de ares. Os chilenos não escondem desejo de tê-lo num processo de recuperação da seleção local. Antes, fizeram muito barulho e todo dia deixaram vazar na imprensa novidades sobre as negociações.

Rueda é que se manteve calado – e isso desencadeou boatos e incerteza. Ok, ele estava de férias e, portanto, sem obrigação de manifestar-se. Mas, diante do zumzunzum internacional, também não custava nada mandar um comunicado oficial para o Flamengo ou colocar um filminho ou texto qualquer em mídias sociais.

Na base do “Olha, gente, nada disso é verdade e logo estarei de volta ao Rio.” Ou: “Recebi propostas e estou estudando se valem a pena ou não. Assim que houver novidades, falarei.” Simples e direto. Hoje em dia as mídias sociais são usadas para banalidades e para uma ou outra informação mais séria. Seria o caso…

Mas o que interessa mesmo é o Flamengo. Não pode passar desta segunda-feira a definição sobre Rueda. Se ele for embora, imediatamente é preciso buscar alternativa. Na verdade, se fosse dirigente rubro-negro, eu teria pressionado o técnico para que se pronunciasse logo. E, se enrolasse, sondaria o mercado na mesma hora. Teria plano B na manga.

O Fla não pode ficar à mercê de treinador, ou de jogador, ou de quem quer que seja. Ele está acima de tudo isso. E, é bom lembrar, há desafios importantes em 2018, sem tempo a perder. Planejamento, elenco, programação, tudo passa pelo crivo de uma Comissão Técnica. Se Rueda pegar o boné, o Fla já larga em desvantagem em relação aos concorrentes.

A escapada de Scarpa

Leia o post original por Antero Greco

Foi-se o tempo em que jogador era escravo de clube, ao qual permanecia ligado independentemente da própria vontade. Só saía se fosse conveniente para o empregador. Agora, como todo trabalhador, tem o direito de emprestar seus serviços onde achar interessante – desde que o mercado lhe seja generoso.

Que bom. Assim não há mais necessidade de permanecer num local que não lhe agrade. A pior coisa é ficar com colaborador descontente.

Isto posto, vamos ao motivo desta crônica: Gustavo Scarpa pisa na bola com o Fluminense. O moço anda descontente com a situação nas Laranjeiras e antes da virada de ano deu a entender que gostaria de troca de ares. Até se animou com acenos de Palmeiras, Corinthians e outros grandes.

Está correto em abrir-se para propostas, não vem ao caso nenhuma restrição. Só não pega bem a estratégia de não reapresentar-se, após as férias, nem dar satisfação para técnico ou dirigentes. Ignorou o cronograma, mantém-se incomunicável, não fala com ninguém. Nem o “staff” (pois é, jogador hoje tem vários assessores) se manifesta. Silêncio e fim de papo.

Por que isso? Para mostrar que se aborreceu com críticas de torcedores? Demonstração de inconformismo com salários e outros direitos atrasados? Compreensível a decepção, outro aspecto que não merece repreensão. Mas, daí a fechar-se vira alternativa antipática.

Scarpa agiria bem, e sem trair o desejo de ir embora, se aparecesse para treinar e deixasse bem claro que o faria apenas por obediência ao protocolo. Passaria por testes, faria exames, seguiria o programa da Comissão Técnica sem abrir mão de negociar eventual saída. E, ainda por cima, tornaria público o descontentamento; bastava dar entrevista e explicar o caso.

Isso não impediria sequer que recorresse à Justiça, para reclamar ruptura de vínculo, se é de fato o que deseja. Se o Fluminense não gostasse, que então optasse pelo afastamento. Tudo dentro dos conformes.

Mas cada um é livre para escolher que caminho seguir.

Mancini se desculpa

Leia o post original por Antero Greco

O episódio de final de semana mexeu com Vagner Mancini e teve repercussão ainda nesta terça-feira. Aliás, episódios. Lembra quais foram? Não?! Faço um resumo.

O Vitória ganhou do Corinthians, em Itaquera, e botou fim na invencibilidade do líder no Brasileiro. Após o jogo, Mancini não gostou da forma como Felipe Garraffa, repórter da Rádio Bandeirantes, abordou o desempenho da equipe. Na opinião dele, o jornalista se errou ao dizer que o time baiano “jogou por uma bola”. De fato, o Vitória jogou bem.

Só que, para reforçar o argumento e rebater a crítica, o treinador sugeriu que o rapaz era corintiano. Um falou, outro respondeu, e a entrevista acabou. Na sequência, justiceiros de internet foram procurar posts de sete anos para provar que Garraffa de fato era corintiano. Detalhe: em 2010, não passava de um adolescente de 13 anos, ainda no ensino médio…

No domingo, vazou áudio no qual Mancini conversava com um amigo, comemorava a proeza e dizia que tinha sabor especial ganhar do Corinthians. E, além disso, estava eufórico por ter dado “uma patada num jornalista corintiano babaca”.

Ficou chato. Sem contar que ali houve, aparentemente, comportamento de amigo urso. Injusto, desonesto e reprovável tornar público um áudio pessoal, privado, particular. Fosse comigo, eu cortava papo com o sujeito. Com amigos desses, nem precisa de inimigo.

Pois Mancini comunicou nesta terça-feira que telefonou para Roberto Andrade, presidente do Corinthians, e para Felipe Garraffa, para desculpar-se. Afirmou, em nota, que nunca desrespeitaria o clube e desejou sorte ao jornalista. Desce o pano.

Entendo o gesto de Mancini como preocupação com a imagem – e é um direito que tem. Ele sabe o quanto prejudica ser malvisto por uma torcida, seja ela qual for.

Poderia também enxergar gesto de boa vontade com Corinthians e Garraffa. Atitude de maturidade e humildade. Tomara seja isso mesmo. Com um detalhe: teria agido ainda no domingo mesmo, para sufocar na raiz episódios que não levam a nada.

Nunca foi tão bom

Leia o post original por Rica Perrone

É esporte nacional, mais do que futebol, procurar defeitos e reclamar de tudo. Mas com todos os problemas que nosso futebol tem  – e são muitos – você já parou pra pensar que nunca foi tão bom e ainda assim achamos que está ruim e temos saudades do que era pior? Quando se fala em …

Santos é futebol. Ponto

Leia o post original por Odir Cunha


Benfica 2 x 5 Santos – o jogo mais importante de um time brasileiro em toda a história do futebol. Ponto.

Cada time tem uma característica pela qual é lembrado. Uns, mais por mérito de seus torcedores, são chamados “times do povo”, outros são conhecidos pela “raça”, alguns por serem “copeiros”, outros, ainda, pelo acúmulo de títulos. O Santos, senhoras e senhores, representa o futebol. Sim, o Santos encarna o melhor e o mais romântico desse esporte, do futebol arte, dos grandes craques, enfim, o Glorioso Alvinegro Praiano é, simplesmente, o futebol.

Time mais vezes campeão paulista na era profissional, duas vezes campeão mundial na época do futebol-arte, três vezes campeão da Copa Libertadores, oito vezes campeão brasileiro, cinco vezes do Torneio Rio-São Paulo, campeão das Recopas Sul-americana e Mundial, clube que revelou alguns dos maiores craques da história do futebol brasileiro, pensar em futebol é pensar no Santos, e vice-versa.

Além de toda a sua história incomparável, há o estigma de revelar virtuoses. Um time de garotos do Santos entra em campo, como nessa Copinha, e não há quem não fique curioso para descobrir novos craques. Por isso, os outros clubes têm infanto-juvenis, o Santos tem os Meninos da Vila.

Se o Brasil fosse um país sério e se a chamada crônica esportiva tivesse o mínimo conhecimento e reconhecimento, todo programa esportivo deste país deveria começar com o hino do Santos e imagens de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito, Gylmar, Maruco, Dorval, Lima, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Robinho, Neymar… Só depois viria o resto.

Veja você, leitora e leitor, que o auge do futebol brasileiro e mundial coincidiu com o auge do Santos. A Seleção Brasileira tricampeã em 1958, 1962 e 1970 era baseada no Santos bicampeão mundial em 1958/62 (fora a Recopa Mundial de 1968 e as três Libertadores que não quis jogar). Futebol arte = Santos e não se fala mais nisso.

Mas se eu, que sou santista, falo, dirão que sou suspeito. Então, lembro aqui o que me disse o ponta-esquerda Antonio Simões, do inesquecível Benfica, melhor ponta da história do futebol português e adversário do Santos na final do Mundial de 1962:

“É muito difícil encontrar tanto craque, tanto jogador inteligente como naquele time. Comparo o Santos de 1962 com a Seleção do Brasil de 1970. São as duas melhores equipes de futebol que vi até hoje. A Seleção de 70 é a confirmação de um modelo de jogo que o Santos já demonstrava há muito tempo.”

É óbvio que a Seleção Brasileira trouxe do Santos os craques, o espírito indomável e vencedor que a transformou na melhor Seleção de todos os tempos. Só não enxerga isso quem não quer ver ou é burro. A propósito, lembro agora uma frase do francês Gabriel Hanot, ex-jogador, jornalista esportivo e criador da Champions League. Maravilhado depois de assistir Santos 5, Benfica 2, no Estádio da Luz, ele disse:

“Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved.”

Aqui, abro um parêntese para perguntar às pessoas de boa vontade: é possível comparar uma final de mundial interclubes decidida em uma melhor de três entre o campeão europeu e o sul-americano, com outra definida em uma única partida, no Japão, em Dubai ou no raio que o parta? Uma decisão em que a torcida local recebe bandeirinhas dos clubes finalistas para balançar durante o jogo? Me poupem!

A melhor e mais importante partida de um clube brasileiro em toda a história foi Santos 5, Benfica 2, no Estádio da Luz, então o maior estádio da Europa. Quem quiser debater sobre isso, estou à disposição. E a segunda maior foi Santos 4, Milan 2, no Maracanã. O resto, como diriam os cronistas antigos, não pagam nem placê.

Pois é. Os idiotas da objetividade torceram para o Santos acabar quando Pelé parou. Estavam loucos para ter uma oportunidade de falar de seus times, de dourar a pílula da mediocridade até que se tornassem pérolas. Bem, esses não estavam e não estão interessados na história do futebol, mas sim em seus decadentes times “do povo”. Mas aí veio Juary, Pita, Nilton Batata, João Paulo, Ailton Lira, Robinho, Diego, Neymar, Ganso, Ricardo Oliveira, Lucas Lima…

E, contra tudo o que se vê nos viciados noticiários de tevê, neste século XXI, que já tem 17 anos completos, o retrospecto do Glorioso Alvinegro Praiano contra os chamados grandes clubes brasileiros não poderia ser melhor: o Santos tem saldo positivo contra todos eles.
A informação vem do amigo Guilherme Gomez Guarche, responsável pelo departamento de memória do Santos Futebol – um departamento que deveria ser ampliado e melhor aparelhado, pois a história é o melhor marketing do Santos.

Bem, mas como eu ia dizendo, o Guarche me passou o retrospecto do nosso querido Santos contra os chamados grandes de São Paulo e Rio de Janeiro. Vejamos essa informação que, sei lá por que, a imprensa esportiva brasileira ignora. Escreve-me o Guarche:

Contra o Corinthians foram 57 partidas, com 25 vitórias santistas,14 empates e 18 derrotas. Portanto, sete vitórias de saldo.

Contra o São Paulo, em 56 partidas, 28 vitórias do Santos, 10 empates e 18 derrotas, ou seja, saldo de 10 vitórias!

Contra o Palmeiras, 49 partidas, com 19 vitórias, 13 empates e 17 derrotas, duas vitórias de saldo.

Contra o Flamengo, 35 partidas, com 11 vitórias, 14 empates e 10 derrotas, uma vitória a mais.

Contra o Fluminense, 37 partidas , com 14 vitórias, 7 empates e 13 derrotas, outra vitória de saldo.

Contra o Botafogo, 32 partidas, com 14 vitórias, 9 empates e 9 derrotas, cinco vitórias a mais para o Santos.

Contra o Vasco da Gama, 29 partidas, com 13 vitórias, 7 empates e 9 derrotas, ou seja, quatro vitórias a mais para o Santos.

Então, minha cara e meu caro, se a imprensa esportiva brasileira não vê ou finge ignorar um time que neste século supera, no confronto direto, todos os outros chamados grandes de São Paulo e Rio de Janeiro, podem estar certos de que o problema não é do Santos, mas da nossa míope imprensa esportiva.

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Um goleiro à altura do São Bento

Leia o post original por Antero Greco

Um goleiro de 1,82m está à altura do São Bento?

Se o nome dele for Rodrigo Viana Conceição, ele está sim. Esse é o novo goleiro que entra para a história do tradicional clube da cidade de Sorocaba que, no próximo dia 14, completa 103 anos.

Isso mesmo, o time da Manchester Paulista é centenário e mais um pouquinho!

Mas não estou aqui falando do alviceleste só por causa do aniversário. No domingo, o São Bento reviveu grandes momentos no estádio Walter Ribeiro, com público de quase 10 mil pessoas. Obteve com a vitória sobre o Itabaiana, por 2 a 0, uma das quatro vagas para a disputa da Série C de 2017. E ainda pode ganhar o título do Brasileiro da Série D. Nas semifinais enfrenta o CSA, enquanto o Volta Redonda pega o Moto Clube.

Para chegar a essa campanha, o São Bento contou com goleiro pra lá de eficiente: Rodrigo Viana, 26 anos, canhoto. Ele começou carreira no Botafogo do Rio e passou por Tupi, de Juiz de Fora, Caldense (onde foi o goleiro menos vazado do Campeonato Mineiro) e Sampaio Correia.

Pois não é que, em 12 jogos, na Série C, Rodrigo sofreu apenas 2s gols?! Isso mesmo! Até agora só 2 gols – o que o leva a ser comparado pelos torcedores mais fanáticos aos grandes goleiros que já vestiram a gloriosa camisa centenária.

Chicão jogou lá e teve seus momentos de glória no Palmeiras, onde foi um dos responsáveis pelo título do Torneio Ramon de Carranza, pegando pênaltis em 1969. O São Bento teve também o paredão Abelha, que depois passou por Flamengo e São Paulo.

Mas o maior de todos continua sendo Walter, que ajudou o São Bento a subir para a elite do futebol paulista, numa disputa memorável com o América de São José do Rio Preto, no torneio de 1962. Era uma muralha. Se bem que o ataque era memorável e formado por Raimundinho, Cabralzinho, Picolé, Bazaninho e Paraná.

Era ruim aquele time do São Bento dirigido por Wilson Francisco Alves?

Sonho de quase primavera

Leia o post original por Antero Greco

Acordei neste setembro com sonhos de primavera. Está certo que a vitória sobre o Equador me ajudou nesses pensamentos irreais, mas os fatos que se seguiram aos 3 a 0 do Estádio Atahualpa foram determinantes: só boas notícias esportivas, culminando com a permanência de Gabriel Jesus no Palmeiras.

Como em sonhos vale tudo, a negociação do menino artilheiro foi desfeita porque faltava a assinatura da mãe no contrato para que possa pegar avião sozinho… E, arrependido da venda para o Manchester City, o presidente palmeirense resolveu devolver pessoalmente o dinheiro adiantado pelos ingleses.

“Sorry!”, disse, em perfeito e nobre inglês ao presidente do time deles.

“E o seu Pep? Quem telefona para ele?”, perguntou Gabriel Jesus meio sem jeito. Afinal, o técnico espanhol teve o cuidado de consultá-lo via telefônica no começo das negociações.

“Seu Pep”, pergunto?

Banana pro seu Pep espanhol, que é um tremendo técnico de jogadores dos outros…

Melhor ir tomar conselhos e aprender com o seu Pepe de verdade, seu José Macia, na rua México, em Santos.

Afinal foi o ponta-esquerda artilheiro que, em tempos idos, na Arábia Saudita ensinou os segredos do futebol brasileiro ao Pep Guardiola – um jogador em fim de carreira que queria ouvir histórias verdadeiras do grande Santos, que escutou a vida inteira, contadas pelo seu pai.

Enfim, moral da história ou do sonho: quanto o Palmeiras ganhou por vender precocemente a sua joia? Quem lucrou com o grande negócio? O que um dos artilheiros do Brasileiro vai aprender na Europa que já não sabia aos 19 anos? O que Romário aprendeu na Holanda? O que Rivaldo aprendeu na Espanha?

Antes de acabar a historieta, e antes que os grandes conhecedores e teóricos de futebol comecem a me xingar, vou dar uma boa notícia para a torcida corintiana também: o senhor Vicente Matheus acaba de baixar no terreiro do Pai Jaú, ex-zagueiro campeão corintiano da década de 30. Inconformado com o que está acontecendo no Parque São Jorge, ele liberou uma linha de crédito do Além e recontratou de uma só tacada Gil, Felipe, Elias, Renato Augusto e Jadson. Só não decidiu ainda se traz Vagner Love.

“Quem entra na chuva é pra se queimar!”, bradou seu Vicente.

Se é para sonhar, é melhor sonhar grandão!

PS. Na Vila Belmiro já tem gente falando em trazer Neymar de volta, mas ainda é boato.

Desafio para Gabriéis*

Leia o post original por Antero Greco

Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa, o popular Gabigol, tiraram bilhetes premiados e serão milionários com menos de 20 anos. Ambos mal saíram da fase de juvenis e já conseguiram fixar-se nos respectivos clubes, ganharam medalha de ouro olímpica, caíram nas graças do público e de Tite. Mais do que isso, receberam cheques gordos para concordar com a transferência para a Europa. O primeiro vai para o Manchester City em janeiro; o segundo se deixou seduzir por proposta da Internazionale de Milão.

Ambos se veem diante de guinada estupenda na vida e com pouquíssimo tempo de carreira. Jesus completou 19 anos em abril e Gabigol assoprará 20 velinhas depois de amanhã. Mas devem preparar-se para defrontar-se com o desafio de vencerem em dois centros glamourosos, porém difíceis e exigentes do futebol. Itália e Inglaterra oferecem muito, com a contrapartida de exigirem demais de profissionais.

Até aí, ok. Eles logo terão consciência do tamanho da responsabilidade. Além disso, terão de superar o estigma que acompanha jovens atacantes brasileiros que se aventuram no exterior. Não são muitos os que, na era moderna do futebol, vingaram digamos, com tenra idade. Em média, se deram bem na arte de fazer gols aqueles que bateram asas um tanto mais maduros.

Foi assim com Careca (Napoli), Bebeto (Deportivo La Coruña), Jardel (Porto), Jonas para lembrar um quarteto importante – e só o último está em atividade, a divertir-se no Benfica. Primeiro cansaram de carimbar redes por estas bandas; só então, calejados e com cicatrizes de botinadas nas canelas foram encarar zagueiros europeus.

Mesmo emigrando com alguma experiência, nem todos brilharam. Roberto Dinamite saiu com 25 anos, passou uma temporada no Barcelona e fez o caminho de volta para casa. Luizão tinha 22 anos, quando se mandou para o La Coruña e resistiu a um campeonato. Adriano partiu para a Inter com 19 anos, mas rodou por Fiorentina e Parma até se fixar em Milão, entre os 22 e os 26 anos. Dali em diante, vida e obra entraram em parafuso. Pato saiu quase adolescente do Inter e nunca foi ídolo no Milan. Aos 21, Keirrison se maravilhou com a perspectiva de vestir a camisa do Barcelona e quebrou a cara.

Com 18 anos, Jô embarcou para o CSKA, de Moscou, e parecia exceção à regra. Desandou a fazer gols até despertar interesse do Manchester City. Na Inglaterra, travou. Ainda passou pelo Everton antes de ir para o Galatasaray. No regresso ao Brasil, jogou no Inter, teve o melhor momento no Atlético-MG – defendeu a seleção na Copa de 14! –, até ir pra Arábia e de lá pra China.

Exceção pra valer só Ronaldo. Não por acaso ganhou o apelido de Fenômeno. Saiu do Cruzeiro para o PSV, com 18 anos; e, da Holanda, ganhou mundo com Barcelona, Inter, Real Madrid, Milan. Conquistou títulos e prêmios, superou duas contusões terríveis e terminou a carreira no Corinthians.

A conversa toda nesta crônica não é para secar, agourar, zicar os Gabriéis (com o perdão do plural que magoa os ouvidos). Serve para mostrar que a Europa implica riscos para atacantes em formação. Ressalve-se que os rapazes são talentosos e atualmente o amadurecimento se processa de maneira rápida.
Na teoria, a missão de Jesus será menos árdua, pois jogará numa equipe que tende a ter sistema leve e de muito toque de bola, à maneira de Guardiola. Já Gabigol entrará num clube com dinheiro farto (de indonésios e chineses) e pressionado pela ausência de títulos, após o penta italiano entre 2006 e 2010. Gabriel pode esquivar-se do comando do ataque, com a alegação, correta, de que funciona bem na armação. Assim não o verão como homem-gol.

Por ora, resta curtir o que for possível. Gabigol voltou da Itália e jogou o segundo tempo do jogo com o Figueirense. Gabriel Jesus desfila a arte dele no Mané Garrincha, no clássico que o Palmeiras faz hoje com o Fluminense. E a torcida verde já começa a ter saudades dos prodígios dele…

*Crônica publicada em parte da edição deste domingo do Estadão.

Medo

Leia o post original por Antero Greco

Vira e mexe torcedores invadem centros de treinamentos para tirar satisfações ou para “incentivar” jogadores. Não há um grande clube que não tenha passado por situação semelhante. Que, nem por isso, deixa de ser grave, constrangedora, aviltante. Covarde.

Comum, nessas ocasiões, ocorreram depredações, ameaças e agressões. Depois, um grupo é recebido por comissão de atletas e dirigentes para uma conversa apaziguadora. Os valentões passam o recado, quando não dão palestras para elencos, e vão embora tranquilamente, sem serem incomodados. Alguns dão declarações para meios de comunicação.

Na sequência, ao serem questionados a respeito de desdobramentos, cartolas e jogadores desconversam. Mostram indignação para inglês ver, prometem romper com as torcidas, avisam que o caso será entregue à polícia e… não se fala mais nisso. Até o próximo episódio semelhante, com as mesmas cenas e os mesmos personagens de sempre.

Por que o esquecimento? Por medo e, em alguns casos, por conivência. O pessoal do mundo do futebol sabe com quem lida nesses momentos de tensão. Sabe que não é o fanático que perde a cabeça e vai xingar; esse “zé mané” é fácil de driblar, na boa vontade ou até no mano a mano. Nas invasões está gente da pesada, com a qual é melhor não bulir. E sabe-se lá a mando de quem foram badernar…

Dá para entender – e lamentar -, quando uma multidão invade um local privado de trabalho, coloca em risco segurança de funcionários e tudo acaba se resumindo num comentário ameno, algo como: “Foram só uns tapinhas e uns chutinhos.”

A violência no futebol brasileiro está longe de virar fumaça. Ao contrário…