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Gilmar e De Sordi. Dizer mais o quê?

Leia o post original por Quartarollo

São dois monstros do futebol que partiram neste fim de semana. Dias atrás outro monstro foi embora, Djalma Santos. Agora Newton De Sordi e Gilmar dos Santos Neves, ou Gylmar, como é a grafia correta na sua certidão de nascimento. … Continuar lendo

O risco de comparar*

Leia o post original por Antero Greco

Difícil fugir da tentação de fazer comparações. Pegue nas artes, por exemplo. Toda hora vemos que tal ator é melhor do que aquele do passado, que não existe escritor como o monstro sagrado de séculos atrás, que esta banda enfim vai superar uma antiga como a maior de todos os tempos. É a necessidade de cotejar, de reavaliar conceitos e, de preferência, de encontrar novos ícones.

No esporte acontece o mesmo. Só de sucessores de Pelé já surgiram uns 120 desde a década de 1960. Da maioria a gente hoje em dia nem lembra mais o nome. Por quê? Porque em geral esses paralelismos não levam a nada – e não raro prejudicam carreiras promissoras.

A mais recente, por aqui, é a de elevar o Santos tricampeão paulista destes anos 2000 ao mesmo patamar do esquadrão que foi tri duas vezes na época de ouro da Vila Belmiro. O PVC abordou o assunto, na coluna dele de segunda-feira, e por isso não vou me estender em repeteco. Vale o que foi escrito.

Mas, se não der mesmo para fugir do ato de comparar, adianto que a formação de 60, 61, 62 – que vi em ação – é superior, e muito, mas muito mesmo, à atual. A começar pelo número 1, Gilmar, sinônimo de goleiro para diversas gerações, não só de santistas, mas de quem curte futebol. Elegante, seguro, tinha pinta, postura, temperamento e uniforme de goleiro! Camisa, calção acolchoado nos lados e meião preto. Que estampa! E quanto de liderança! O jovem Rafael que me desculpe, mas não o vejo como sucessor. Tem talento, precisa aprender e a segurar muita bola ainda.

Aliás, pra que compará-lo com Gilmar? Viu só como isso é injusto? Não faz sentido, porque só servirá para juízos de valor que tendem a pesar sobre o moço atualmente responsável por segurar a onda sob as traves santistas. Quando a gente se mete a confrontar, em vez de exaltá-lo o colocamos pra baixo. Daí para impaciência, perseguição e malhação é um passo, ou alguns frangos. Penosas que Gilmar também engoliu, mas sem embaçar-lhe a carreira porque não era comparado com nenhum antecessor.

Raciocínio semelhante vale para Neymar. O moço é bom de bola, daqueles talentos que não surgem a todo momento. Tem técnica, carisma, amadurece a cada desafio e esteve no centro deste tri doméstico. A perspectiva de crescimento se mostra extraordinária. Vai longe, apesar dos narizes torcidos dos que duvidam de sua capacidade, ou por serem do contra ou por dor de cotovelo. Você sabe, uma das atitudes tortas da vida é a de falar mal de quem faz sucesso.

Pois bem, Neymar joga muito e vai desfilar alegria pelos gramados por bastante tempo. Mas, não foram poucas as oportunidades em que já vi, na mídia, números que o comparam a Pelé – às vezes, com indisfarçável euforia em seu favor, se em algum quesito é superior ao Rei. Pra quê? Pelo prazer de ver um novo mito, como se o de ontem já não tivesse mais valor? Só pra mostrar que vivemos época de superação? Só por graça ou pirraça?

Daí Neymar não vai bem numa partida, como aconteceu no meio da semana diante do Velez Sarsfield, para parte do mundo desabar sobre a cabeça dele. Pululam, então, as críticas exageradas: farsante, pipoqueiro, fanfarrão, perna de pau e por aí vai. Tremenda injustiça, mas provocada pelo exagero também na exaltação.

Rafael precisa ser conhecido como um grande… Rafael. Neymar deve ganhar fama enorme como… Neymar. E o Santos de hoje, tomara, conquiste o mundo, como… o Santos de hoje. Sem comparações. Se possível…

*(Esta crônica foi publicada apenas na primeira edição do Estado de hoje, 20/5/2012. Depois, foi substituída por outra, sobre o Chelsea.)