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Futebol está muito pesado

Leia o post original por Flavio Prado

Foi muito triste tudo o que aconteceu na final da Copa Sul-Americana entre Flamengo e Independiente.

Nos dois jogos um clima de guerra que fugiu da disputa normal do futebol. Uma coisa é a competição e a rivalidade, outra bem diferente é invasão, vandalismo, violência e racismo, todos esses fatores em algum momento apareceram nesta final de um campeonato de futebol.

No ano passado, infelizmente a final da mesma Copa Sul-Americana não foi realizada por causa da tragédia com a Chapecoense. O clima de comoção tomou conta do futebol, o povo colombiano foi solidário, mas muitos discursos que ouvimos no ano passado foram esquecidos neste ano.

O esporte é competição, disputa, mas também é diversão, entretenimento, lazer e é capaz sim de mostrar exemplos de solidariedade, superação e outras coisas  positivas, mas o futebol está muito pesado. O que aconteceu na final da Sul-Americana 2017 foi apenas mais um exemplo de como as pessoas estão tratando o esporte.

Invasões em centro de treinamento, pressão em aeroporto, ônibus apedrejado em chegada e saída de estádios são fatos comuns e corriqueiros no futebol brasileiro e infelizmente são tratados com normalidade. Passou da hora de discutir seriamente a forma como futebol é tratado no Brasil, mesmo em situações mais leves como a pressão enorme pelo resultado a qualquer custo. Pode não parecer, mas tudo isso contribui para tornar o ambiente pesado e hostil e não precisa ser assim.

Ah, moleques!

Leia o post original por Rica Perrone

Saio do Maracanã com a certeza de que o título esteve nas mãos de quem mereceu.  O Flamengo poderia, teve chances, não fez, foi derrotado por um time bem inferior tecnicamente ao dele. Talvez o Diego pague o salário dos 11 do Independiente.

Talvez o Flamengo esteja muito focado em algo que é culturalmente contra ele. Aliás, se tem algo que o Flamengo hoje desvia é sua história.

Ingressos caros, jogadores comprados mais valorizados que os criados em casa, a preferência pelos pontos corridos sendo um clube tradicionalmente de chegada. Vai entender.

Mas entende-se. Nem tudo pode dar certo num ano onde você tem que lidar com crise, desfalques, câncer, dopping, goleiros em má fase, entre outros tantos.  As 3 finais disputadas e a vaga na Libertadores do ano que vem não fazem de 2017 um ano “ruim”. Mas talvez um pouco frustrante.

O que me chama atenção neste fim de ano é que Paquetá, Vizeu, Juan, Vinicius Junior e César se tornam mais protagonistas do que Diego, Arão, Everton Ribeiro…

Será que é mesmo o segredo do futebol encher o cofre e contratar tendo no Brasil o maior celeiro de craques do mundo?  Porque 3 goleiros tendo o César? Ninguém viu o César?

Não há um lateral esquerdo na base melhor que o Trauco?  Será que o Guerrero faria os gols que o Vizeu fez na fase final? E se faria, seria o caso de investir umas 900 vezes mais?

O Flamengo derrotado na Sulamericana com um empate em casa é tão aceitável quanto perder a Copa do Brasil nos pênaltis. Detalhes que decidem finais. Simples assim.

O Flamengo que foca em dinheiro pra comprar, comprar e comprar, talvez não esteja tão certo assim. Pois o Everton Ribeiro nada fez, o Diego é um grande “oito” com fama de “dez”, Trauco, Pará, Arão… nada demais.

Quem fez o Flamengo de 2017 não ser um fiasco foram os meninos.  E em 2018 vamos comemorar borderô, encher o peito pra falar do faturamento e repetir os erros da era Djalminha, Marcelinho e companhia para comprar mais quantos?

abs,
RicaPerrone

Argentinos festejam em nossa casa

Leia o post original por Antero Greco

Os argentinos sabem jogar bola; isso é óbvio, antigo e escancarado. O Independiente, por exemplo, não tem sete Libertadores por obra do acaso, mas por mérito. Abriu vantagem de 2 a 1 no primeiro duelo da final da Sul-Americana e jogava por empate com o Fla no Maracanã. Ou seja, entrou em campo com uma mão na taça, saiu com as duas. Ponto.

Mas dava para o Fla, sem presunção nem desprezo pelos adversários. Havia equilíbrio nessa disputa, como se viu na semana passada em Avellaneda. No mínimo dava para a prorrogação. Durante boa parte do jogo, essa sensação prevaleceu, pela forma como o time brasileiro se comportou: com marcação boa, sem ser sufocante, com jogadas rápidas e com o gol de Lucas Paquetá. E como jogou esse moço!

Dava, ainda, quando tomou um abalo com o empate, que veio em pênalti cobrado por Barco, jovem revelação do “hermanos”. Pênalti que ainda agora me deixa em dúvida, embora tenha revisto algumas vezes. Só abalou minha convicção declaração do próprio Cuellar, que participou do lance. Depois do jogo, ele disse: “Não sei se foi pênalti ou não.” Isso em linguagem boleira costuma ser admissão de culpa…

Enfim, mesmo com o 1 a 1 era possível o Fla virar o quadro. Na pior da hipóteses, fazer outro gol e empurrar para os 30 minutos adicionais. Começou bem o segundo tempo, a todo vapor, com pressão intensa, sem deixar o Independiente sair da sua parte do campo.

Até que Reinaldo Rueda quis ser atrevido de vez, ao colocar Vinicius Júnior no lugar de Trauco e depois Everton Ribeiro na vaga de Cuellar. Uma forma de mandar o Fla para a frente, no abafa, na raça, na empolgação. A equipe até tentou, mas se desconjuntou.

Desmontou a partir do momento em que Everton recuou para compor o sistema defensivo. Levou baile pelo lado dele. Além disso, Vinicius Júnior e Paquetá correram, mas sem serem municiados por bolas boas. Nesse quesito não funcionaram Everton Ribeiro nem Diego. (A propósito, em sem caça às bruxas: Diego sucumbiu na etapa final.)

Bom, o que parecia blitz para cima do Independiente se revelou apenas uma bagunça. O Flamengo perdeu o rumo, o controle do jogo. Aquele pedido do Rueda para que o torcedor tivesse paciência foi negado por ele mesmo, com as modificações que pretendiam tornar o time mais perigoso e que, na prática, o deixou vulnerável.

O Independiente percebeu, saiu para os contragolpes, esteve perto do segundo gol (Juan tirou em cima da linha), apostou no passar do tempo e no nervosismo do rival. Deu certo. O relógio correu, Wilmar Roldán deu só 3 de acréscimos, Réver ainda mandou para o céu o último lance de perigo e… os argentinos fizeram a festa no Maracanã.

Os gringos se deram bem em nossa casa. Acontece, é da vida. Duas semanas atrás, o Grêmio havia dado a volta olímpica no campo do Lanús. Agora, não cabe procurar culpados, e sim planejar 2018 vitorioso.

Já era Mengão! Agora é sonhar com dias melhores…

Leia o post original por Craque Neto

Na noite desta quarta-feira o Maracanã esteve lotado para o duelo entre Flamengo x Independiente, que valia pela grande decisão da Copa Sul-Americana. Grande naquelas, né? Todo mundo sabe que essa competição é a segunda divisão da Libertadores, vai! De qualquer forma, após perder por 2 a 1 dos argentinos em Avellaneda, os brasileiros tinham que vencer por um placar de dois gols de diferença ou uma vitória simples para provocar a disputa de pênaltis. Não deu nem uma coisa, nem outra. O Flamengo só empatou com os hermanos e acabou perdendo a taça. Frustrou inclusive o Galo, que sonhava […]

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Sobe pra ver

Leia o post original por Rica Perrone

Eu sou jornalista, embora tenha vergonha de dizer e a exata noção de que não o pratico bem.  Não estou atrás da verdade, mas sim da paixão. Não busco furo, busco histórias fodas pra contar.  Torço, não sou isento, não quero fuder o entrevistado e nem mesmo aplaudir o adversário se ele for merecedor.

Não tenho amor pela profissão. Tenho amor pelo futebol. E se você ama jornalismo mais que futebol, você é meio bobo. Mas ser bobo não é crime. Então relaxa aí.

Quando eu não tiro minha carteirinha de imprensa para pagar ingressos e viajar com torcida é pela escolha simples de nunca deixar de ser um deles.  Pois quando deixo, meto um terno, ligo o ar e vou na TV dar aula do que já não sei mais o que é.

Eu vou pecar pelo exagero 300 vezes, outras 2 mil vezes pela paixão. Mas nunca vou cometer o absurdo que é tratar paixão com frieza ou tentar racionalizar futebol.  Não serei o porteiro da Disney avisando a criança que é um anão chinês dentro do Mickey. Deixa ele sonhar, caralho! Ele pagou pra isso.

Eu ouço todo dia que eu sou um fazedor de média com a torcida X ou Y.  São escolhas e a minha é simplesmente viver intensamente a paixão que tenho por futebol.  Então, se o Grêmio for a final da Libertadores, eu vou lá com eles e vou torcer junto. Talvez eu não esteja certo, mas com absoluta certeza eu volto de lá sabendo falar com o torcedor do Grêmio melhor do que quem ficou na cabine cagando regra.

Há quanto tempo você jornalista não paga ingresso pega fila e sobe lá? 10 anos? 20 anos? O que você ainda lembra de passar perrengue pelo seu time e tomar porrada sem saber de onde veio pra ver um jogo de futebol?  Tem “fortes emoções” no estúdio da TV?

Quantas viagens de onibus chegando num país diferente pela Libertadores você fez pra saber o que é? Quantas pedradas você levou?

É uma pica jogar fora do Brasil.  É pedrada, hostilidade, polícia jogando água, escolta mal feita pra deixar a gente apanhar, torcida encurralada, horas e horas presos no estádio.  E aqui, Arenas! Hoteis espetaculares em silêncio, translado 5 estrelas e nenhum perrengue.

Olha, meus caros. Existe uma diferença entre ser educado e o gordinho bobo “paga lanche” da escola.

Eduque o seu filho pra ser o “paga lanche”. Não tentem educar uma sociedade confundindo os bons modos com ser otário.  Talvez por serem otários vocês adorem tanto uma seleção que comprou uma Copa, nos dopou em outra e se neguem a torcer pra nossa por “isenção”.

Isso é ser otário.

Sem violência, mas com pressão e nenhuma simpatia. Porque é assim que somos tratados. Vocês, de terno, chegando de carro da emissora, não sabem o que é passar 1 hora tendo que se esconder nas cortinas pra não tomar uma pedra de 1 metro na cabeça.

Não desejo. Mas as vezes acho que vocês precisam.

O país das maravilhas que você vive não é o nosso, “Alice”.  Duvida? Então tira a credencial e sobe lá pra ver.

abs,
RicaPerrone

Entre o santo e o bobo

Leia o post original por Rica Perrone

O Independiente da Argentina é um time grande, mas argentino. E como tal, sabemos, vai usar tudo que puder dentro ou fora do esporte, para ganhar o campeonato.  Se for preciso chamar de macaco, farão. Se precisasse prender a torcida até as 4 da manhã, fariam. Se pudessem perder a chave do vestiário, perderiam. E se pudessem tirar qualquer conforto do Flamengo, o fariam, e fizeram.

Tá certo? Nao. Acho nível futebol argentino. Mas, há uma discussão maior do que essa e mais simples. Você quer ser pai do mongol que apanha no intervalo mas não revida porque mamãe disse pra ele que ele era especial ou do cara que ninguém sacaneia porque respeita?

Somos pais do mongol.

Nossos clubes jogam esses torneios sulamericanos a base de passar perrengue. E quando chegam aqui, só amor.

Afinal, somos evoluidos. Mas ser evoluido e trouxa são coisas muito conflitantes as vezes. É bonito o discursinho de alguns intelectuais que “devemos agir como maiores”, etc.  Mas pro filho deles eles não falam isso quando ele apanha na escola.

Então sejamos práticos. Não é pra bater em ninguém.  Só não manda flores.

Se tiver rojão no hotel, foda-se.  Deixa ter. Se perder a chave do vestiário, que pena! Entra faltando 20 minutos. Se não puder aquecer no campo, não pode. E se puder nem deixar reconhecer gramado, o faça.

Quando um rival te dá um tiro você não pode ir pra cima dele com as mãos gritando que acha covardia a arma. Ele vai te matar.

Pára de tratar quem nos trata como macacos com tapete vermelho. Se é ambiente hostil, então também sabemos fazer.

Gosto da lei de Mané Galinha em Cidade de Deus. “Sou bom de paz. Mas se precisar…”.

Pressão nos caras! Sem violência, mas sem qualquer facilidade. Ou o moleque leva o seu lanche e você ainda volta pra casa chorando e com fome…

abs,
RicaPerrone

Jogo quente e bom em Avellaneda

Leia o post original por Antero Greco

Quando tem brasileiro e argentino em final de campeonato, a gente espera catimba, provocações, entradas ríspidas, cuspidas, nervosismo e um pouco de futebol. Pelo menos essa é a imagem que se criou do duelo entre as duas maiores escolas de bola das Américas, seja de infantis, aspirantes, times ou seleções.

Felizmente, as coisas mudam. Ou tendem a isso.

Independiente e Flamengo fizeram jogo bonito, quente, acelerado, aberto, na noite desta quarta-feira, em Avellaneda, na grande Buenos Aires. O público que foi ao estádio Libertadores de América se divertiu e acompanhou disputa intensa, com cara mesmo de decisão de título. E limpa.

Isso mesmo, foi uma partida em que prevaleceu a vontade de as duas equipes mostrarem serviço – e da forma correta. Claro que houve uma ou outra jogada mais dura; mas faz parte, acontece até em pelada da firma. Mas não sobressaíram aqueles aspectos negativos.

Por isso, valeu a pena acompanhar o clássico, do princípio ao fim com placar escancarado. Os argentinos venceram de virada por 2 a 1. Nem por isso o Fla está morto para o tira-teima definitivo, na semana que vem, no Maracanã. Dá para pelo menos para vencer por um gol de diferença e provocar prorrogação e até pênalti. O rival tem valor e não é insuperável.

O Fla teve início melhor, tanto que abriu vantagem, com gol de cabeça de Réver: uma testada daquelas, após cobrança de falta, que não permite ao goleiro não fazer nenhum outro gesto a não ser olhar desconsolado para a “menina” escorregar nas redes. E só com 8 minutos. E ainda criou outras ocasiões para aumentar.

O Independiente mostrou maturidade, não se abalou, se recompôs logo e passou a pressionar. Insistiu, martelou, acelerou a marcha, Barco e Gigliotti deram uma correria danada, deixaram Pará, Cuellar, Réver e Juan atarantados. Resultado: empate, aos 28 minutos, numa bonita finalização de Gigliotti.

O pessoal da casa terminou o primeiro tempo melhor. E voltou com uma vontade que vou te contar: cada disputa de bola era como se fosse a última da noite. Deu certo de novo, com o golaço de Meza aos 7 da segunda etapa. Um susto e tanto para o Flamengo.

O Independiente tentou ampliar a diferença, não tirou o pé do acelerador, aproveitou que o Fla se abriu na busca do empate, e ficou perto de aprontar estrago maior. Depois, cansou um pouco, sentiu a pressão e se deu por satisfeito com o placar. Melhor não arriscar.

A primeira parte de dois grandes esteve à altura da história. Tomara seja assim no ato derradeiro. O futebol sairá vencedor.

 

Maior que a taça

Leia o post original por Rica Perrone

A Copa Sulamericana é presenteada constantemente com alguns marcos históricos que não merece.  Pro bem e pro mal, diga-se. De finais históricas que não terminam como o tosco jogo do SPFC em 2012 ao acidente da Chapecoense, esse torneio teima em não firmar mesmo que a vida insista contra ele.

Campeonatos vão ganhando peso pela sua história, não pela premiação. A Supercopa da Libertadores foi o melhor torneio que já fizeram no continente e não tinha vaga pra nada, dinheiro algum. Era só pela grandeza de quem participava e toda edição foi espetacular. Até que a Conmebol percebesse que ali havia um rival pra Libertadores, então o destruiu.

O Flamengo não estava nem aí pra Sulamericana, como ninguém está enquanto ainda puder ter um grande ano em outros torneios. É sim a “sobra”. Mas a sobra é melhor que passar fome, sempre.

Esse Flamengo bunda mole precisa muito mais de um título de superação do que de uma conquista técnica e regular.  Talvez a esse elenco seja mais importante um perrengue mesmo. E pra diretoria, que contrata tanto, seja importante aprender a olhar pra casa.

Sem Guerrero, Rever, Muralha… os meninos resolveram.  Não foi uma grande atuação, mas foi à lá Flamengo. Na medida em que ficava “impossível” aos olhos críticos, mais possível aos olhos deles.

Diria que se tivesse um expulso seria 3×0, tamanha a vocação pra gostar de passar perrengue.

Assim sendo, que perca na Argentina o jogo de ida. Porque Flamengo que é Flamengo não pode decidir nada por um empate.

A Sulamericana ganha mais um presente da vida. O mais popular do Brasil contra o maior campeão do continente que há anos não ganha nada.  Final de gente muito grande e com muita fome de vencer.

Quando o jogo em si é maior que o torneio.  Mas não é pelo torneio. É pela glória.

abs,
RicaPerrone

River leva o tri e igual São Paulo e Santos

Leia o post original por Fernando Sampaio

riverO Tigres mostrou o melhor futebol da competição.

O River Plate levou.

Faz parte, no mata-mata nem sempre ganha o melhor.

O campeão sempre tem mérito.

Isso é óbvio.

No caso do River não dá pra dizer que seja fraco. Não é como Once Caldas ou outros exemplos da Copa do Brasil. O time argentino foi melhor na final e mereceu o título. Não adianta ser primeiro na primeira fase. Cresceu na hora certa.

O River entrou para o seleto grupo de apenas 9 clubes com mais de dois títulos na competição.

Independiente tem 7 títulos, não ganha desde 1984, há 31 anos.

Boca Juniors tem 6 títulos.

Peñarol tem 5 títulos, não ganha desde 1987, há 20 anos.

Estudiantes tem 4 títulos.

Olímpia, Nacional, São Paulo, Santos e River tem 3 títulos.

Nacional é o único dos tricampeões que sumiu do mapa depois dos anos 80, não ganha há 27 anos.

 

Foto Juan Mabromata / AFP