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Opinião: Neymar mostra quatro faces na Rio-2016

Leia o post original por Perrone

Um jogador comum, o maestro do time, craque que garante a vitória num lance e o esquentadinho que pode ser expulso e colocar tudo a perder. Essas quatro faces foram apresentadas por Neymar até aqui na Rio-2016, numa demonstração de irregularidade preocupante para a seleção brasileira.

Nas duas primeiras partidas da Olimpíada, os empates sem gols contra África do Sul e Iraque, o astro do Barcelona teve atuação discreta, não fez algo que o destacasse dos demais.

Já diante da Dinamarca, foi maestro, garçom e fundamental para a goleada por 4 a 0, mesmo sem balançar as redes.

Neste sábado, desequilibrou uma partida difícil com a Colômbia ao cobrar uma falta com maestria e abrir o caminho para a vitória por 2 a 0 que colocou a seleção nas semifinais da Olimpíada. Porém, no mesmo jogo, Neymar mostrou uma impressionante dificuldade para lidar com provocações e marcação dura, às vezes violenta, dos adversários. O atacante do Barça levou um cartão amarelo e ficou a impressão de que poderia cair na armadilha colombiana e ser expulso.

A maneira como se desequilibrou não combina com a experiência que o brasileiro já tem, apesar de jovem. Muito menos com a braçadeira de capitão do time nacional. Desde as categorias de base ele é caçado e provocado. Deveria saber tirar isso de letra. Mas não sabe, e quando os rivais apertam o botão certo ele vira uma bomba-relógio, capaz de explodir o sonho dourado da seleção com uma expulsão.

Essas atuações irregulares fazem a sorte do Brasil na Rio-2016 depender de qual Neymar estará em campo contra Honduras e numa eventual final ou disputa pelo bronze.

Seleção brasileira vira atração de segunda linha e justifica críticas de ministro

Leia o post original por Perrone

 Depois do mico na cidade argentina de Resistencia, a seleção brasileira (14ª do ranking Fifa) se apresenta para outro público desacostumado com a elite do futebol Mundial. A partida contra o Iraque, 80º na lista da Fifa, em Malmo, na Suécia, diante de menos de 30 mil torcedores, reforça a recente vocação do Brasil para protagonizar espetáculos de segunda linha. E dá razão a críticos de peso da preparação para a Copa do Mundo, como o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

Na próxima terça, mais um jogo seguirá o script. O duelo será com Japão (23º colocado no ranking da federação internacional) na polonesa Wroclaw, que também não tem time de primeira classe na Europa, mas ao menos conta com um estádio moderno e que recebeu jogos da última Euro.

Recentemente, em entrevista à Veja, Rebelo falou em “vulgarização” da seleção e criticou os amistosos escolhidos por critérios apenas comerciais.

Vexame no jogo do apagão na Argentina

E se não fosse por uma questão comercial, o Brasil não faria um bate-volta entre Polônia e Suécia para jogos que pouco devem ajudar Mano Menezes a montar o time para Copa. Independentemente dos resultados, o ministro ganha força para pressionar a CBF, entidade privada e que nunca deu bola para o pensamento do Governo.

Mas os tempos mudaram. Ricardo Teixeira chegou num estágio em que fazia doce até para falar com Lula. José Maria Marin, seu substituto, não consegue chegar perto de Dilma Rousseff. O cartola vai se afastar ainda mais do Planalto se o ministro aumentar o tom das críticas. Rebelo tem um bom motivo para pressionar por uma equipe melhor. Ele sabe que vencer a Copa no Brasil em ano de eleição presidencial é fundamental para o Governo.

O Brasil fará amistoso com o Iraque. Pra quê?

Leia o post original por Antero Greco

Dias atrás, li que o Brasil poderia fazer amistoso com o Iraque, pois esse era desejo do grupo árabe que tem o direito de explorar a marca da seleção até 2022. Pensei que fosse brincadeira, após a fanfarrice dos 8 a 0 sobre a China, disputada no Recife, há uma semana. Pois não era gozação, não, e nesta segunda-feira a CBF confirmou o confronto contra o time atualmente dirigido por Zico: será em 11 de outubro, em Malmoe, na Suécia. Que lindo!

É possível alegar que a diretoria atual da CBF está de mãos atadas, pois o acordo foi assinado pelo ex-dono do poder, aquele que pouco se lixava para críticas e que hoje cura seus males em algum lugar na Flórida. O próprio José Maria Marin disse, numa cerimônia em Fortaleza, que não tem controle sobre todos os jogos da seleção cinco vezes campeã do mundo e que será anfitriã da Copa, dentro de menos de dois anos. Triste constatação.

Mais triste, porém, é ver que transformaram um ícone do futebol – a seleção amarelinha – num grupo mambembe, que joga aqui e ali, contra adversários de péssimo nível, porque assim reza um contrato. Não é novidade enfrentar times medíocres, pois isso  já aconteceu diversas vezes. Há momentos em que até é bom pegar moleza, pra dar ritmo.

Não é caso de agora. O Brasil prepara-se para jogar um Mundial em casa, não pode correr risco de dar vexame, não pode repetir o desastre de 1950. Tem de entrar na ponta dos cascos, jogar como gigante e não como emergente. E o melhor a fazer é enfrentar o maior número possível de potências. Mesmo se quebrar a cara agora, pode aprender e lucrar mais adiante.

Alguém pode alegar que esses joguinhos merrecas (o Iraque é 78.º colocado no ranking da Fifa) ajudam a acalmar o ambiente, sobretudo para os lados de Mano Menezes. Importa menos, agora, a tranquilidade do treinador (seja ele quem for) e mais a consolidação da equipe. E o Brasil, salvo engano, não vai amalgamar-se diante de seleções limitadas.

Pior, ainda corre risco de quebrar a cara num jogo que vai ser disputado enquanto aí se jogará mais uma rodada importante do Brasileiro. Daí, se ganha, não fez mais do que obrigação. É o famoso bater em bêbado. Se perde, fica mal, justamente porque tropicou diante de rival sem expressão. Risco por risco, então, o melhor seria topar com Espanha, Alemanha, França, Inglaterra e outras do gênero. Isso seria o melhor para nossa seleção. Epa, se a seleção fosse nossa.