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Nuzman sai de cena. Quando sairão outros?

Leia o post original por Antero Greco

Deu a lógica: Carlos Arthur Nuzman deixa o cargo de presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, depois de 22 anos de poder. O ex-cartola assinou documento de renúncia no presídio de Benfica, onde está detido desde a semana passada, sob suspeita de envolvimento em esquema de corrupção para a indicação do Brasil como sede dos Jogos de 2016.

Agora, pretende dedicar-se somente à sua defesa. O que é um direito dele, certamente. E, dessa maneira, também libera o COB de punições impostas pelo Comitê Olímpico Internacional. Ou seja, tira o time de campo porque não havia mesmo como contornar a situação. No lugar, assume o vice Paulo Wanderley, ex da Confederação Brasileira de Judô.

Muito bem. Com a saída de Nuzman, significa que o esporte nacional está limpo? Entrou nos eixos? Expurgou um “mau elemento”, a erva daninha, e vida que segue? O ex-presidente era a razão do desprestígio da instituição?

Não.

Nuzman ficou mais de duas décadas no cargo porque foi confirmado, reconfirmado, reeleito por aclamação seguidas vezes. E por quem? Pelos presidentes de Confederações, alguns deles há tanto tempo, ou mais, à frente das respectivas entidades do que o ex no COB.

Ou seja, os integrantes do Colégio Eleitoral têm responsabilidade no furacão que atinge o COB. Porque eles referendaram Nuzman e seus métodos, lhes eram aliados, ou no mínimo simpatizantes. Devem ser cobrados.

Não adianta sair Nuzman, se a estrutura do COB permanecer inalterada. Apenas saiu alguém que se queimou, diante da humilhação de ir para a prisão (mesmo que temporária). Para que se possa vislumbrar novos rumos, é preciso que ocorra reação em cadeia.

Pro Bolt não tem vaias. Ele é dos nossos

Leia o post original por Antero Greco

Muita gente bacana ficou indignada com as vaias do público brasileiro para o francês Renaud Lavallenie, na final do salto com vara e na premiação, no dia seguinte. O moço tem direito de ficar aborrecido, assim como a plateia daqui pode comportar-se como quiser, como ditam nossos costumes e não os internacionais. Ponto e página virada.

Mas a propósito de público local, o que dizer da relação com Usain Bolt? O jamaicano se sente em casa, diante do carinho que recebe cada vez que pisa na pista do Engenhão. É só sair do túnel de acesso que das arquibancadas do estádio carioca despencam aplausos, em pé, assobios, gritos, coros para enaltecê-lo. O moço é ídolo nacional!

O torcedor, fã, cliente, sei lá qual o termo mais adequado, reverencia o astro porque se reconhece nele. O brasileiro vê Bolt como conterrâneo, está perto do rapaz, o sente como um “parça”, um amigo de roda de samba, de mesa de boteco, de peladas de fim de semana. E assim se manifesta porque Bolt age como se fosse nativo destas bandas.

O brasileiro, que alguns brasileiros consideram vergonha internacional, é caloroso com quem cai nas suas graças. É receptivo, amoroso, tieta sem nenhuma vergonha, como se tem visto nos últimos dias com Bolt. Dá valor a um fenômeno do esporte, responde ao carisma, exalta quem se identifica como “um dos nossos”.

E Bolt é “brasileiro”, por suas reações, pela descontração, por ser negro, por vir de um país ferrado como o nosso. E, acima disso tudo, é um fenômeno, um monstro, um implacável vencedor. Definitivamente, uma lenda, como provou, novamente, ao vencer com um pé nas costas os 200 metros, na noite desta quinta-feira.

Foi de arrepiar, de fazer vir lágrimas nos olhos, episódio pra não esquecer jamais. E pra não sair da memória a maneira despojada, simples e interativa com que ele reagiu aos aplausos. Bolt definitivamente é dos nossos; tem alma de brazuca.

Ora, e depois engomadinhos vêm meter bronca no jeito passional de o brasileiro manifestar-se?! Façam-me o favor!

As fotos com Neymar

Leia o post original por Antero Greco

O Brasil está de novo na final do futebol masculino olímpico. Que bom, que bacana! Quem sabe agora vem o tal do ouro inédito, que parece tirar o sono de muita gente.

A classificação ocorreu na molezinha que foi o duelo com Honduras: 6 a 0, fora o baile. Neymar, que abriu e fechou a conta, mais Gabriel Jesus (2), Marquinhos e Luan estufaram as redes do adversário. A seleção cumpriu a obrigação. Só faltava ser surpreendida por um timeco.

Erros e acertos não me chamam a atenção. Escrevi diversas vezes que, mais do que medalha, queria ver jogadores evoluírem e serem aproveitados no time principal. Wallace, Luan, Gabriel Jesus, por exemplo, são três que devem estar em alta com Tite. A lista está pronto e será conhecida na semana que vem.

Mas o que gostaria de ressaltar, neste breve comentário, é o pós-jogo no Maracanã. Isso mesmo, um episódio assim que o juiz soprou o apito de encerramento. Bola parada e lá vai Palacios pedir a camisa de Neymar. Justo ele, que errou no lance do gol-relâmpago brasileiro, aos 14 segundos, e fez outras lambanças, além de distribuir caneladas.

Para Palacios, a “batalha” foi durante os 90 e tantos minutos. Acabado o jogo, aflorou o lado tiete, o espírito esportivo. E lá foi confraternizar com Neymar. Assim como fizeram diversos jogadores e integrantes da Comissão Técnica hondurenha. Fotos, abraços, cumprimentos, autógrafos até numa bola. E o capitão brasileiro curtiu.

Uma lição para aprendermos: futebol é “guerra” apenas na simbologia, enquanto se disputam pontos. Acabou a partida, acabou o confronto. E viva a paz. A mesma paz que deveria existir entre torcedores.

Não tem a ver com Olimpíada, nem com fairplay. Tem a ver com a vida.

Marta seria a vilã. Foi salva por bárbaras mãos

Leia o post original por Antero Greco

Não entro nos detalhes do jogo entre Brasil e Austrália, no futebol feminino. Creio que muitos dos que leem este blog acompanharam pela televisão. Foi pesado, complicado, difícil, para os dois lados. O empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação desgastou as moças. A turma da casa se deu melhor, na cobrança dos pênaltis, e venceu por 7 a 6; está nas semifinais.

O foco principal é em Marta, se bem tem uma coadjuvante decisiva na história. Jogadora, especial, diferente, magnífica, a melhor que já surgiu nesta terra. Símbolo de regularidade e eficiência. Pois, por essas ironias da vida, por pouco, por um triz, ela não vira a vilã de uma desclassificação chorada.

A melhor do mundo em tantas ocasiões ficou para cobrar a última das penalidades, para fechar a série, coroar a sequência perfeita das colegas. Para encerrar uma batalha em que, de novo, foi uma das protagonistas.

Correu, bateu e… E errou.

Marta chutou nas mãos da goleira australiana. Para espanto dela, do restante da equipe, dos milhares de torcedores no Mineirão, dos milhões de brasileiros que torciam por ela. Até dos milhões de australianos que secavam à distância. A nossa “Pelé” falhou.

A rainha desabou a chorar, pressentiu que cairia sobre os ombros dela a responsabilidade por uma frustração tremenda. Injustiça, como tantas que ocorrem na vida, principalmente por ter sido uma das melhores em campo. Como sempre.

Um castigo que me fez lembrar do italiano Roberto Baggio. Ele carregou a Azzurra no Mundial de 1994, nos EUA, tinha tudo para tornar-se o herói da decisão com o Brasil. E chutou para fora, nos deu o tetra. Ficou com o estigma de perdedor, do pé-frio.

Isso poderia ter atingido Marta nesta sexta-feira, 12 de agosto, na verdade já madrugada do dia 13, dia azarento, lazarento.

Mas a luz brilhou, na pontaria das demais brasileirinhas que se apresentaram para a decisão. E nas mãos santas de Bárbara, que pegou o quinto pênalti da Austrália, provocou a sequência alternada e defendeu também o oitavo chute.

A coadjuvante virou heroína da noite e, por tabela, impediu que a espetacular Marta topasse com a maior tristeza da carreira.

Ufa, que bom! Um viva para as duas. E para as demais também, ora, ora!

Seleção tira a barriga da miséria

Leia o post original por Antero Greco

Ufa, acabou o jejum – e com direito a (quase) congestão. A seleção brasileira tirou a barriga da miséria e, depois de 0 a 0 contra África do Sul e Iraque, descarregou um caminhão de melancias sobre a Dinamarca: 4 a 0. E o mais interessante, com bom futebol, como se viu na noite desta quarta-feira em Salvador.

O Brasil passou do risco da desclassificação a primeiro do grupo A com apenas um jogo bem jogado.  E graças a algumas alterações feitas por Rogério Micale. Ele voltou a ter quatro jogadores de frente, só que em distribuição diferente. Deixou Luan, Gabibol e Gabriel Jesus formando o “3” do esquema, com Neymar na função de “1”. Na marcação, sobraram Renato Augusto e Wallace. A defesa permaneceu intacta.

Nenhum grande segredo, portanto; apenas ajustes e a bola rolou fácil. Quer dizer, entraram também em cena outros o ânimo dos jogadores e a qualidade do adversário. A rapaziada brasileira estava mordida pelas críticas das apresentações anteriores e correu como nunca. Além disso, os moços toparam com uma Dinamarca que é ruim de doer.

Nível dinamarquês à parte, interessa que saíram as tabelas, os deslocamentos foram intensos, a pontaria foi apurada. Luan jogou muito, assim como Neymar, que não mandou a bola para as redes, porém participou da maioria dos melhores lances. A festa dos gols ficou para Gabigol aos 25 e Gabriel Jesus aos 30 minutos do primeiro tempo. Luan aos 5 e Gabigol aos 36 da etapa final.

O resultado foi excelente, óbvio. Só despreza goleada quem for ruim da cabeça. Porém, a ressaltar foi a produção. Por mais que Micale e atletas dissessem que o Brasil jogou bem nos empates, a realidade era bem diferente. O time mostrou-se no mínimo intranquilo naquelas ocasiões. Mereceu restrições e vaias.

Desta vez, teve postura de vencedor, autoconfiança. Sobretudo, jogou bola. Simples, não parece? E às vezes é.

Não tem mais bobo no futebol? Tem. Somos nós

Leia o post original por Antero Greco

Impressionante como o Brasil perdeu a capacidade de impor-se no futebol, independentemente do adversário e da competição. Tanto fez se seleção principal, juvenil ou olímpica. Os vexames se sucedem.

Também pouco importa se o rival é a Alemanha, ou a Holanda ou o Peru, ou a África do Sul ou o Iraque. E daí que o torneio seja no Chile, nos Estados Unidos ou aqui mesmo? O fracasso é idêntico. A “amarelinha” está anêmica e não assusta mais ninguém.

Claro que há evolução mundo afora. Muito bem, todos têm direito de crescer, aprimorar-se, obter feitos inéditos. Nada contra sul-africanos ou iraquianos. Ao contrário, trata-se de povos sofridos, com história recente de mudanças, de guerras, perseguições. Que tenham alegrias no esporte e em qualquer atividade da vida.

Mas, pelo amor de Deus, é obrigação do Brasil ganhar deles. Não por presunção, por soberba – por camisa, história e tradição. E pelos jogadores de cada um. Os sul-africanos jogam todos em casa, com uma exceção. Os iraquianos vão pelo mesmo caminho. E só domésticos porque não atraem olhares nem dos centros periféricos do mundo da bola.

Os brasileiros ou atuam na Série A daqui ou, em muitos casos, são astros internacionais ou na mira dos gigantes europeus. Caramba, não pode um time que tem Neymar, integrante do trupe milionária e badalada do Barcelona, jogar bola murcha como essa que mostrou nas duas primeiras rodadas da Olimpíada.

Não é admissível uma equipe passar 180 minutos sem um golzinho, sem a bendita de uma bola na rede! Contra África do Sul e Iraque. Gente, não se fala aqui de alemães, espanhóis, italianos, franceses, ingleses. Mas de duas seleções sem história. Mesmo que tenham obtido progressos – e, de novo, parabéns para eles -, não poderiam ser páreo para a turma da casa.

Só que foram, e por demérito nosso. O Brasil comportou-se como um bando, um catadão, no segundo desafio seguido no Mané Garrincha. No primeiro tempo contra os iraquianos, até houve esboço de organização. A partir do intervalo, tudo foi pro espaço.

O técnico Rogério Micale sentiu a pressão da falta de gol e de novo colocou Luan, na ilusão de que um quarto atacante transformaria a equipe numa artilharia pesada. Desajustou o meio e não arrumou na frente. Virou um bumba meu boi ou um festival de tentativas individuais de resolver sozinho.

Ah, teve bombardeio contra o gol do Iraque. Grande coisa. Se pressiona direto, claro que algum perigo surge. Mas sem coordenação, sem brilho – e sobretudo sem calma. Na Copa, a seleção teve em Thiago Silva um capitão que chorava fora de hora.

Agora, com Neymar, tem um capitão com chiliques frequentes.  Em vez de ser a luz e a referência, foi outro ponto de tensão. E saiu mudo, do campo e do estádio. O capitão acha que não tinha o que falar para o torcedor? Então, preferiu o refúgio dos fones de ouvido.

Seria essa a resposta para as vaias? Vaias duras, mas merecidas? Se sim, que pena.

Sabe o papo de que não tem mais bobo no futebol? Tem sim, e pelo visto somos nós.

8 fatos para serem lembrados ao fim da Rio-2016. Aconteça o que acontecer

Leia o post original por Perrone

Juma, onça morta depois de ser exibida no revezamento da tocha. Imagem: Ivo Lima/ME

Juma, onça morta depois de ser exibida no revezamento da tocha. Imagem: Ivo Lima/ME

Passada a cerimônia de abertura, a Olimpíada do Rio começa pra valer neste sábado. Como sempre acontece em grandes eventos, assim que os melhores atletas do mundo começarem a dar show, os problemas de organização ficarão em segundo plano. Phelps, Bolt e companhia terão mais espaço na mídia do que eventuais falhas.

Ao fim dos Jogos é natural que fique a última imagem, a das grandes disputas esportivas, camuflando o que a competição realmente representou para o Rio e o Brasil.

Para ajudar na sua avaliação final sobre a Rio-2016, o blog listou oito fatos que não podem ser esquecidos na hora de julgar se a Olimpíada foi um sucesso ou nem tanto ou ainda um fracasso.

1 – Gasto por dia

Cada um dos 17 dias dos Jogos Olímpicos e dos 12 dias da Paraolimpíada vai levar pelo menos R$ 31, 9 milhões dos cofres públicos, como mostrou reportagem do UOL Esporte. Na conta estão só itens que não serão usados depois do evento. Com os cerca de R$ 925 milhões desembolsados no total daria para construir seis hospitais ao custo estimado de R$ 145,6 milhões cada, como o que começou a ser erguido no ano passado pela prefeitura de São Paulo no bairro de Parelheiros.

2 – Segurança

Por causa de uma das maiores falhas envolvendo a preparação da Rio-2016 até aqui, o governo federal deve gastar R$ 20 milhões a mais com seu plano de segurança para os jogos, como mostrou o UOL Esporte. Às vésperas da abertura da Olimpíada, o Comitê Organizador descobriu que a empresa contratada para cuidar da revista na entrada dos locais de competição, operando máquinas de raio-X, não estava conseguiria realizar o serviço contratado. Ela não tinha experiência na área. O governo, então, gastou uma nova bolada para contratar policiais militares da reserva para assumirem a missão. Com o gasto extra seria possível comprar 334 viaturas como as entregues em junho deste ano pelo governo paulista para a polícia civil.

3 – Despoluição

No projeto, um dos legados dos jogos seria a despoluição quase que total da Baía de Guanabara. Ainda que a poluição tenha diminuído, a promessa não foi cumprida. Em junho, o UOL Esporte mostrou que uma obra com custo de R$ 40 milhões para o governo do Rio com o objetivo de ajudar na despoluição da baía ainda não tinha sido colocada para funcionar.

4  – Juma

Recordes derrubados e histórias de superação nos jogos não devem apagar um dos casos mais tristes da fase de preparação da Rio-2016, a morte da onça Juma, mascote do exército em Manaus, abatida depois de ser exibida durante o revezamento da tocha olímpica e tentar fugir do zoológico militar e quem vivia. Alguém discorda que ela jamais deveria ter sido atração do evento olímpico?

5 – Transporte gratuito

No documento oficial de candidatura aos Jogos, o governo prometeu transporte gratuito para os locais da competição. Porém, abandonou o plano e decidiu vender bilhetes que custam R$ 25 com direito a viagens ilimitadas por um dia.

6 – Vila dos problemas

Os organizadores da Rio-2016 e a prefeitura da cidade passaram vergonha logo que as primeiras delegações começaram a chegar reclamando das instalações da vila dos atletas. Vários países tiveram que botar a mão no bolso para realizar obras de acabamento e fazer a limpeza dos apartamentos.

7 – Portão fechado

Nos próximos dias, provavelmente, você vai ouvir gente ligada à organização da Rio-2016 repetir que pequenos problemas são normais em grandes eventos. Mas, certamente, deixar um portão fechado com cadeado sem chave uma hora antes de uma partida olímpica não é normal. O vexame aconteceu logo no primeiro evento oficial da Olimpíada no Brasil, no Engenhão, antes de Suécia x África do Sul, pelo futebol feminino, como mostrou a Folha de S.Paulo. O Corpo de Bombeiros precisou arrombar o cadeado.

8 – Desapropriações

Rio-2016 é sinônimo de ser forçado a sair de sua própria casa para parte dos moradores da Vila Autódromo. Depois de prometer que ninguém sairia de lá se não quisesse, o prefeito Eduardo Paes decretou que casas do bairro eram de utilidade pública e determinou a desapropriação com urgência, para revolta dos moradores vizinhos ao Parque Olímpico que não queriam sair de suas residências.

Festa linda, emocionante. E acima de tudo brasileira

Leia o post original por Antero Greco

Pessoal, costumo ficar com pé atrás, quando se trata de festa de abertura de grandes eventos. Em geral, é muita pirotecnia, muita embromação, muito padrão Hollywood. Enfim, uma chatice de doer, recheada de lugares-comuns. E ocasião para políticos, cartolas e outros arrivistas faturarem prestígio.

Foi com esse espírito de prevenção que me acomodei diante da televisão, para ver a cerimônia inaugural dos Jogos Olímpicos. “Lá vem xaropada”, pensei. Depois das diversas apresentações, das músicas, das infindáveis referências à cultura brasileira – teve até homenagem ao nosso Santos Dummont -, admito com a maior sinceridade e alegria: achei lindo, me emocionei pra caramba, me flagrei com lágrimas nos olhos.

Sei lá, pode ser idade, caretice, bobeira, mas me arrepiei em muitos momentos, já com músicas de Chico, de Tom, de Vinicius; Sorri, ao ver Jorge Benjor empolgando a plateia. Viajei no tempo com a citação dos inúmeros mestres do samba. Coisa meiga Caetano e Gil no palco. E bateria de escola de samba. Sim, meu amigo, escola de samba é das manifestações mais legítimas que temos.

Vi muito de nossa terra no espetáculo. Ele foi internacional, mas verde-amarelo na essência.

Mais bacana: foi engajado, tocou em assuntos importantes, como a preservação da natureza; homenageou gente que tem projeto social; mostrou o brasileiro com suas diversas caras e cor de pele. Não teve vergonha de nos revelar, assim como não se  intimidou com celebrações semelhantes, históricas, como a de Moscou 80, ou a de Atenas 2004, ou a de Pequim 2008. Não ficou a dever a nenhuma delas, se é que, em diversos aspectos, não se mostrou até superior.

Mas pouco importa se foi maior, menor, mais longa, mais curta. Importa que foi bonita, aliás linda, aliás lindíssima. Tão especial que relevo a presença, as palavras de alguns personagens repugnantes; não vale sequer citá-los. A festa não foi deles, não foi de oportunistas. Foi do povo brasileiro.

Temos tendência a nos desvalorizarmos, a nos vermos aquém dos outros. Ficamos sempre à espreita de quando vai aparecer a besteira, a cag… homérica. E, só com muita má vontade, para achar defeitos  relevantes numa festa que terminou com a emocionante homenagem a Vanderlei Cordeiro, convidado a acender a pira olímpica mais linda de quantas já existiram.

Enfrentamos problemas graves, topamos com uma crise econômica preocupante, é uma época política deprimente e incerta. Sim, surgirão escândalos, depois dos Jogos, equipamentos serão abandonados. Isso é bola cantada desde 2009 e vai surpreender se todas as contas estiverem corretas.

Porém, façamos uma pausa no baixo-astral, no mau humor e digamos para nós mesmos: merecemos, por algumas horas, por duas semanas pelo menos, levantarmos a cabeça e nos sentirmos poderosos. Teve Copa, sim senhor, está a começar a Olimpíada. Quem disse que não teríamos? Essas coisas não são só para gringos, são também para uns pobres diabos da América do Sul.

Fiquei tão emocionado que, pela primeira vez na vida, relevei até o “Sou brasileiro, com muito orgulho…”

Tô ficando velho…

 

 

Deixemos Pelé em paz. Ele sempre será imenso

Leia o post original por Antero Greco

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos será logo mais, no início da noite. Com ela, terminarão (espero) as polêmicas, os factoides, a busca por notícias. Prevalecerão recordes e os feitos dos atletas.

Mas, antes da festa no Maracanã, tem a última celeuma: Pelé vai ou não vai acender a pira? O Rei foi convidado, deixou dúvidas no ar, recusou, aceitou e voltou a recusar nesta sexta-feira. Alega não se sentir em condições de tal gesto. O motivo? A saúde debilitada por cirurgias no quadril.

Levantou-se a suspeita de que o maior astro da história do futebol tirou o corpo fora por causa de patrocinador. Ele tem acordo com uma bandeira de cartão de crédito e os Jogos são bancados por outra. Assim, para evitar saia-justa teria usado a saúde como desculpa.

Sabe-se lá se foi isso mesmo, se é limitação física ou outro motivo qualquer. Lamenta-se a eventual ausência de um ícone do Brasil. Mas se deve respeitar a decisão. A vida é dele, ele sabe onde lhe apertam os calos, tem seus medos, seus sonhos, suas incertezas.

Não se deve culpá-lo se ficar fora da festividade. Isso não diminui em nada a importância. Não cabem comparações – “Ah, mas o Mohammad Ali estava mal e participou de Atlanta, “Ah, mas o Stephen Hawking”. Cada pessoa é um ser diferente, pensa de uma maneira, tem suas próprias experiências de vida.

Chega de policiar Pelé em cada coisa que faça na vida. Ele é um gigante do esporte mundial, admirado, querido, respeitado, venerado em qualquer lugar. Menos na terra dele, o que é enorme injustiça. O brasileiro tem raiva de seus ídolos. Maltrata Pelé como já maltratou outros personagens relevantes.

Pelé foi, é e continuará a ser uma estrela imensa, primeiro e único Rei do Futebol. Viva o Rei. E que orgulho de tê-lo como patrício.

 

Seleção tem muito para crescer. E para dar calafrios

Leia o post original por Antero Greco

Você ficou aborrecido com o empate por 0 a 0 da seleção diante da África do Sul? Pra ser sincero, fiquei. Esperava mais de um time que tem Neymar, Gabriel, Renato Augusto, Gabriel Jesus, Felipe Anderson. Ainda mais diante de uma formação com cara amadora.

Mas, no fundo, não surpreendeu tanto assim o resultado da tarde desta quinta-feira no Mané Garrincha. A rigor, a seleção está sendo moldada agora por Rogério Micale. Mais da metade do time que entrou em campo não estava no amistoso de março, em que o Brasil bateu a mesma África do Sul por 3 a 1.

Ou seja, numa visão otimista, há muito o que crescer, e também para causar calafrios. Não descarto a briga por pódio – e, vá lá, pelo tal de inédito ouro olímpico. Não vejo a seleção fora da primeira fase, como já li um ou outro mais desesperado escrever. Claro que não dá para prever o futuro – e se ocorrer desclassificação agora, ou até nas quartas de final, é o fim do fim do fim da picada. Mais vergonha do que os 7 a 1.

No entanto, é preciso melhorar. Talento há; conjunto, não. Isso ficou claro em Brasília. Houve esboço de trocas de passes entre Neymar, Gabrigol e Gabriel Jesus. E não passou disso. Na maior parte do tempo, cada um deles tratou de decidir sozinho, o que serviria diante da falta de entrosamento. Mas também nisso falharam.

Neymar prendeu a bola, errou passes e deslocamentos. Teve o mérito, porém, de duas excelentes finalizações, que pararam nas mãos do ótimo goleiro sul-africano. Gabigol esteve um tanto apagado e Gabriel Jesus perdeu no final um gol que foi um escândalo. Renato Augusto esteve aquém do que mostrava no Corinthians. Já Thiago Maia e Felipe Anderson estiveram ok.

A defesa não comprometeu, embora tenha mostrado que, se topar com um adversário que forçar bem, entrega o ouro – ops!, a rapadura. Em várias lances, ficou exposta, por demora na recomposição da marcação do meio e do ataque.

Como diria aquele famoso locutor, “Bem, amigos” o futebol do Brasil hoje em dia é isso. Não bota medo nem em sul-africanos com um a menos. Os Bafana Bafana tiveram jogador expulso antes dos 15 do segundo tempo e não sentiram tanto. “Que fase”, acrescentaria outro talentosíssimo narrador.