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Até filme de terror tem final feliz

Leia o post original por Rica Perrone

Era impossível. Mas aconteceu. E como em diversas vezes na história do futebol o inacreditável nos fez relembrar porque amamos tanto esse negócio.

O Vasco fez tudo pra ter uma das piores noites da sua vida. E por 90 minutos até teve. Era um misto de impotência com constrangimento, levando o pequeno Jorge a um patamar de Vasco e vice-versa.

Quando vieram os pênaltis a tendência era piorar. Times brasileiros tem dificuldade em bater no gol na altitude. Ela sobe demais. E não é que o Vasco conseguiu impedir uma história fabulosa que sua própria incompetência havia rascunhado?

São Martin.

É óbvio que há nisso um mérito absurdo nos bolivianos. Mas é impossível não notar a partida sonolenta, ridícula e os gols quase de pelada que o Vasco sofreu.

Era pra ser uma noite histórica. Mas até nisso a bola tem seus preferidos.

O Vasco consegue sair quase herói de um fiasco. E se obviamente preocupa o que foi apresentado, empolga a caminhada até aqui. Dos 4 jogos, fez 3 viraram baile. Um virou história.

Mas história dele, não do Jorge.

abs,
RicaPerrone

Acadêmicos do Vasco da Gama

Leia o post original por Rica Perrone

Ja é quinta-feira.  Chove no Rio de Janeiro como há tempos não chovia. Falta luz, o transito está um caos, há indícios de alagamento e até em show já deu merda.

Há dois lugares na cidade em que não falta luz, não alaga, não há qualquer preocupação e essa “garoa” é só pra refrescar: Nilópolis e São Januário.

A primeira comemora mais um título. O segundo comemora ainda sem saber se já pode. Mas pode. É claro que pode.  Deve.

O Vasco encontrou sem Nenê uma forma de jogar coletiva, que não obriga a equipe a ir numa direção.  Se com saudades do ídolo ou não, outros 500. Mas é fato que o time ficou mais leve.

Fez 10 gols em 3 jogos, não sofreu nenhum.  Está com os pés na fase de grupos, aterrorizando a noite daqueles que juravam que seria um fiasco.

Zé, o “culpado” de lá, pouco pede holofotes. Mas merecia. Seu time sabe exatamente até onde pode ir, como e joga perto do limite.

Não dá pra dar show. Mas dá pra entender que o coletivo é a única salvação deste Vasco. E através dele o time se encontrou, destroçou os dois adversários e segue firme na Libertadores que pra muitos era tombo certeiro.

A luz voltou. A chuva diminuiu.  Não há nada alagado e só não vai abrir o sol porque não tem como.

Avisa lá que altitude é distância do nível do mar. Grandeza é a distância que separa o Vasco do tal do Jorge.

abs,
RicaPerrone

Você não vai se livrar dele

Leia o post original por Rica Perrone

No dia da eleição do Vasco devo ter ouvido uns 20 amigos dizendo que “chega!”.  Já havia sofrido demais, não aguentava mais isso e que não perderia mais tempo com o Vasco por um bom tempo.

Eu entendi. A dor de ver o Eurico vencer uma eleição é consideravelmente forte pra quem ama o clube. Mas também entendi o prazo. E ele seria determinado pelo primeiro momento digno de Vasco do clube.

“Ah mas o adversário é fraco!”.  E você faz o que contra adversários fracos?

Joga bem e goleia.

O Vasco jogou o que ninguém esperava, venceu com enorme facilidade e passou de fase na Libertadores.

Mais do que obrigação? Não. Ninguém tem obrigação de nada numa Libertadores. E os que acham que tem são normalmente os que raramente chegam.  Exatamente por não compreende-la.

Não é exatamente pela vitória. Mas pela conduta. O Vasco entrou em campo como time grande que é, se postou como Vasco o tempo todo e não pediu licença.  Arrebentou o Concepcion em sua propria casa sem a menor piedade.

Vai brigar por título? Provavel que não.  É parâmetro? Não.

Então porque a euforia?

Porque o Vasco foi dormir pequeno na noite da eleição, e não é.  Vai dormir enorme hoje, e é.

Mas a maior vitória desta noite não aconteceu no Chile. Aconteceu na casa de cada vascaíno que, desiludido, puto, previamente disposto a nem se importar com uma eventual derrota, se viu novamente sorrindo em frente a tv, batendo no escudo no peito e “ganhando tempo” com seu clube de coração.

Perda de tempo é achar que um dia você pode se livrar dele. Aceita. Tu vai morrer vascaíno, seja qual for o presidente.

abs,
RicaPerrone

Ateus tricolores

Leia o post original por Rica Perrone

Dizem que Deus existe e quase todo mundo acredita nisso. Alguns por medo de duvidar e ser punido, outros por ter no que se apegar, outros por mera lavagem cerebral. Há quem diga conversar com ele, há quem acredite ter visto.

Existe de tudo, menos a certeza.

Certeza teríamos se a lógica da tal justiça divina fosse clara todo santo dia. Não é. E não sendo, testa nossa fé.

A fé nada mais é do que uma dose de esperança no imponderável.  É a não justificativa do que esperamos para nós mesmos, merecendo ou não.

Torcedor do Flu tem fé. Poderia te-la perdido quando na série C, mas manteve. A testou em 2008 exaustivamente e lá estava ele, o tal “Deus”  dando provas de sua existencia naquele gigantesco Maracanã.

Contra o Arsenal, Deus desenhou. Contra o São Paulo, Deus existiu. Contra o Boca, Deus se divertiu. Na decisão, onde usou sua geografia para equilibrar o impossivel através da altitude, preparou um cenário perfeito para mais um de seus milagres.

Lá estavam seus fiéis, seus instrumentos e a hora marcada. O mundo todo assistiria ao milagre ao vivo, mas Deus não entende nada de futebol.

Em 82 mostrou isso e foi “suspenso” por si mesmo permitindo que naquilo não houvesse lógica ou qualquer senso de justiça. Desde então transformaram um esporte numa “caixinha de surpresas”, excluindo qualquer justiça divina de seus placares.

Ele voltou. Queria provar que os anos de observação lhe deram o dom do entendimento sobre o tal futebol. Deus criou o homem, o homem criou o futebol e Deus achou graça no que fez.

Durante todo o caminho acreditavam ser dele as ordens para um roteiro tão dramático, perfeito, justo, épico e cruelmente apaixonante.

Até que ele permite a virada, o herói, o espetáculo, o drama, menos o final feliz.

Naquele dia quase 100 mil tricolores no estádio e outros milhões de suas casas dormiram ateus. Não havia lógica, justiça, argumentos suficientes para convencer ninguém, nem mesmo o diabo, de que aquela gente sairia dali chorando e não sorrindo.

Todo o caminho para se chegar a lugar algum? Cadê seu Deus, perguntava o ateu?

E de fato, ninguém sabia.

O diabo, que se vestiu de Hector Baldassi naquela noite para assistir sua arte de perto, sorria.

Infiéis, sairam calados, aplaudindo por obrigação o que nunca entenderão ter tido um final infeliz.

A maior e mais dramática história de um torneio jamais será contada como glória, mas sim como tragédia. Talvez porque tenha que ser assim, se sua fé for tamanha para acreditar.

Ou talvez porque ele nem exista, se sua razão lhe permitir ponderar.

Ou, na mais provável das alternativas, porque ele não tenha tido nada com isso e os milagres tenham sido operados pelo Fluminense, não por alguém lá em cima.

Deus, existindo ou não, dizem controlar todas as coisas. Só o futebol que não.

Este ele deixou pro diabo se divertir.

Mas a incompetência satânica é tamanha que mesmo para verdadeiros atentados terroristas como aquela final em 2008 há uma injustiça divina.

Assim como Thiago Neves, mesmo sua enorme competência pode passar desapercebida num dia incomum.

E por isso o diabo fez o que fez, e no final todos levavam as mãos a cabeça para dizer: “Meu Deus do céu…”, incrédulos.

Porque o título pode ficar onde o diabo quiser. A história ficou nas Laranjeiras.

Graças a Deus.

abs,
RicaPerrone

O contrato

Leia o post original por Rica Perrone

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Enfim, o que todos os torcedores de Fluminense, Botafogo e Vasco sempre desconfiaram chega a conhecimento público.  Este blog conseguiu com exclusividade um termo de contrato assinado em 1895 que pode explicar muito das viradas espetaculares do Clube de Regatas Flamengo.

Confira.

CONTRATO DE PARCERIA

Parceiro Outorgante: Clube de Regatas Flamengo, com sede na Av. Borges de Medeiros, 997 – Lagoa Rio de Janeiro – RJ – Brasil. CEP – 22.430-040.

Parceiro Outorgado: Lucifer Gallardo, com sede no Inferno, sub solo, sem cep, próximo a Bangu, Rio de Janeiro, Brasil.

As partes acima identificadas têm, entre si, justo e acertado o presente Contrato de Parceria, que se regerá pelas cláusulas seguintes e pelas condições descritas no presente.:

DO OBJETO DO CONTRATO

Cláusula 1ª – O presente contrato tem como OBJETO a troca de favores entre as partes. Sendo o Flamengo capaz de proporcionar momentos de muito terror aos seus quando tudo caminha para a paz e vice-versa. Sempre que precisar, porém, o Flamengo terá uma ajuda não justificável no plano físico do Lucifer.

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGANTE (C. R. Flamengo)

Cláusula 2ª – Se manter sempre numa divisão igual ou acima dos três concorrentes da cidade sede.

Parágrafo primeiro – Prometer, sempre, mesmo que seja impossível, estar num nível incrivelmente superior a maioria

Parágrafo segundo – Exalar fé e confiança mesmo sem motivos para tal.

Parágrafo terceiro – Aumentar de forma constante o número de fiéis seguidores.

Parágrafo quarto –  Causar dúvida na presença divina sempre que possível contrariando a lógica com algum milagre que cause dor a seus fiéis.

Parágrafo quinto – Usar em seu uniforme sempre um pedaço de cor vermelha em respeito ao Lucifer

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGADA (Lucifer) 

Cláusula 3ª –  Lucifer fornecerá ao Clube de Regatas Flamengo, a força do mal suficiente para manipular zagueiros, árbitros e até mesmo tufos de grama tendo como objetivo o resultado acordado entre as partes.

Parágrafo primeiro – Não negará jamais uma queda rival de, pelo menos, 10 em 10 anos.

Parágrafo segundo – Havendo necessidade e interesse, Lucifer solicitará ao Clube de Regatas Flamengo um vexame de proporções nacionais para gerar sofrimento entre os seus.

DAS COMPETIÇÕES

Cláusula 4º –  O Clube de Regatas Flamengo fica responsável por se manter na primeira divisão do campeonato nacional. Lucifer será responsável por evitar a queda quando o Clube de Regatas Flamengo não for auto-suficiente.

Parágrafo primeiro – Será de responsabilidade de Lucifer a conquista de um torneio mata-mata de alto nível por década. O Clube de Regatas Flamengo não precisa manter um elenco digno para tal.

Parágrafo segundo – Em torneios continentais, o Clube de Regatas Flamengo poderá solicitar uma vez por década ajuda a Lucifer para conquistar o título.

Cláusula 5º –  Não haverá ajuda entre as partes nas decisões contra clubes mexicanos

DA PRIVACIDADE E SEGURANÇA

Cláusula 6ª – Fica proibida a captação de dados particulares dos clientes do Clube de Regatas Flamengo pela parte de Lucifer e vice-versa.

Cláusula 7ª–  O contrato em questão jamais será divulgado.

DA RESCISÃO CONTRATUAL

Cláusula 8ª – A parte que desejar rescindir o presente instrumento, notificará de forma expressa sua intenção à outra parte, com antecedência mínima de 60 (sessenta) anos.

Parágrafo primeiro – No casso do disposto da Cláusula 9ª, não caberá indenização em nenhuma hipótese.

Cláusula 9ª – Estará rescindido automaticamente o presente contrato de parceria, em ocorrendo a violação de qualquer cláusula, por dolo ou culpa, constante neste instrumento pelo Clube de Regatas Flamengo.

DA VALIDADE E PRAZO DO CONTRATO

Cláusula 10ª – O presente instrumento de contrato de parceria, passa a vigorar na data de assinatura de ambas as partes.

Cláusula 11ª– O presente contrato de parceria vigorará pelo prazo de 12000 anos, a contar da data de assinatura.

DISPOSIÇÕES GERAIS

Cláusula 12ª – Fica compactuado entre as partes a total inexistência de vínculo trabalhista entre as partes contratantes, excluindo as obrigações previdenciárias e os encargos sociais, não havendo entre CONTRATADA e CONTRATANTE qualquer tipo de relação de subordinação.

Por estarem assim justos e contratados, firmam o presente instrumento, em duas vias de igual teor.

Rio de Janeiro, 13 de março de 1895.

(Lucifer Gallardo)

(Clube de Regatas Flamengo)

Só o Grêmio se deu “bem”

Leia o post original por Rica Perrone

O sorteio da Libertadores tem essa coisa de evitar confrontos entre times do mesmo pais. E nessa acaba equilibrando os grupos, considerando que os brasileiros estão num degrau acima de investimento, nível de elencos, etc.  Dos 8 brasileiros, só um pode “sorrir” após o sorteio.

O Vasco pra chegar tem um trabalho não tão duro. Mas chegando é com Cruzeiro, U. De Chile e Racing. Grupo dificílimo! Um dos piores, até.

O Cruzeiro, por consequência, idem.

O Santos tem um grupo “ok”. Mas vamos esperar sempre a lógica, e ela indica o Nacional do Uruguai por ali, o que torna o grupo de 2 vagas com 3 grandes.  Mais uma pedreira.

Corinthians tem um argentino campeão da Sulamericana e o atual campeão colombiano. Pedreira.

Grêmio tranquilo, só tem o Cerro com tradição ali. O resto é moleza.

O Flamengo terá uma baba vinda das fases anteriores e o River, que dispensa apresentações.  O Emelec é o divisor de águas em tese. Grupo não é mole não.  Também não chega a ser o inferno que se meteu o Palmeiras.

Boca, Alianza Lima e provavelmente o Olímpia…. O Palmeiras vai precisar estar muito bem já em fevereiro. Não dá pra vacilar. É o pior grupo junto do Cruzeiro, embora os dois casos ainda esperem a “lógica” não confirmada das fases anteriores.

Com uma “sorte” os dois recebem adversários mais fracos. Mas a tendência não é essa.

E o Grêmio, se focar, já sai dessa fase garantindo decidir em casa até a final.

abs,
RicaPerrone

Vocês não tem o direito de baixar a cabeça

Leia o post original por Rica Perrone

Torcedor gremista,

Em 2017 pela primeira vez na vida tive a oportunidade de estar próximo de vocês.  Os torcedores nunca entendem o que eu faço, e vocês serão os próximos a não entender quando o Inter for campeão e eu for viver isso perto deles, escrevendo sobre e vivenciando o ambiente de cada clube.

Já me acostumei.

O ano acabou agora, faz 20 minutos. O Real Madrid confirmou o favoritismo e ganhou o mundial. Eu acho uma pena, torci muito, mas independente do resultado deste torneio – que é menos importante que a Libertadores – eu espero que não tenha nenhum de vocês de cabeça baixa.

Poucas torcidas são tão devotas ao clube. Poucas torcidas tem tanto empenho em participar.  E nenhuma torcida tem tamanha paixão e vocação por decisões. O famoso “copar” de vocês.  Viu? Já aprendi.

Não foi um título apenas. Foi uma Copa do Brasil na semifinal, um Brasileirão brigando por título com time reserva, um tricampeonato da América jogando uma final brilhante, e um Mundial com toda dignidade de quem hoje não pode peitar abertamente um adversário do alto escalão europeu.

O Grêmio de 2017 foi maior do que o título. Ele nos deu futebol bem jogado, padrão de jogo independente das peças, conceito, elo entre torcida e time, além de um trabalho muito bom de um grupo unido, reduzido, mas ainda assim muito capaz.

Vocês foram a Buenos Aires e calaram um estádio “de bairro”, que tanto se orgulham por lá. Vocês foram ao Mundial e o Cristiano Ronaldo não passou nenhuma vez pela sua defesa.

Dói. Porque a gente sonha. E quando a gente sonha a realidade fica bastante sem graça. Mas não sonhar é para os pequenos. Pés no chão é pra quem não voa. E a distância entre a tristeza de hoje e a euforia de voltar à Arena, rever os amigos, refazer o ritual e “querer a Copa” é de apenas 2 meses. Em fevereiro o sonho recomeça.

Quem disse que em dezembro de 2018 ele não pode ser ainda mais real?

Levanta essa cabeça, beija essa camisa, abraça o amigo ao lado e comece a falar em “tetra”.  Você tem todos os motivos do mundo pra isso.

Até ano que vem! E obrigado por tudo que me permitiram  conhecer desta gente e deste clube.

abs,
RicaPerrone

Eu também faria

Leia o post original por Rica Perrone

Não sei se o Galo que apagou a luz.  Nem sei se o Cruzeiro entregaria o jogo pro Botafogo ao ouvir no rádio que o Galo estava vencendo.  Nunca saberemos. Mas tem uma coisa que eu sei, e que não vou omitir pra parecer fofo: eu faria os dois.

Se eu fosse atleticano, apagaria a luz porque na minha cabeça o Cruzeiro sabendo que um gol sofrido eliminaria o Galo e não lhe causaria NENHUM dano, eu amoleceria, como já vimos campeonatos e mais campeonatos serem decididos dessa forma. Não é ética, é lógica.  Se meu gol ajuda meu rival e não me dá nada de bom, ele é um gol contra. Logo não o farei.

Se fosse cruzeirense, sabendo que o Galo está ganhando, não faria a menor questão de endurecer pro Botafogo e veria com ótimos olhos o gol alheio.  Seja hipócrita na rede social, lá funciona. Mas na vida real, qualquer torcedor do Cruzeiro preferia tomar o terceiro do Botafogo se já soubesse do gol do Galo.

Os dois times estão com o regulamento, o direito anti ético de ser prático e de ostentar a rivalidade entre eles.  Fazer gol pra nós dois é uma coisa. Só pra ajudar meu rival? Não. Ninguém faz.

Nunca saberemos se a luz apagou de propósito, nem se o Cruzeiro entregaria o jogo. Mas por dignidade ou desapego a ele, confesso: Faria os dois. Só depende do lado que eu estivesse.

abs,
RicaPerrone

Sem raiva

Leia o post original por Rica Perrone

Já vi time ganhar campeonato de todo jeito.  Já vi time perder campeonato e passar a semana falando em “e se”, ou inventando algum lance polêmico pra justificar o mérito alheio. Já vi vitória roubada. Já vi título achado. Vi título dado por um super herói de chuteiras. Em todos eles há uma dose de ódio no desabafo da comemoração.

Como esse, nunca tinha visto.

Vi entre eles, da arquibancada. Fui à Arena nos jogos de mata-mata e andei aquele estádio 300 vezes pra lá e pra cá. Conheci gente, vi reações, reza, desespero, lágrimas, euforia, medo. Vi famílias, vi gente maluca. Vi de tudo.  Mas vi sobretudo futebol.

Não apenas bem jogado. Me refiro a tudo em volta. Paixão de fato, loucura, limites quebrados, doença por um clube, amor doentio por um torneio.

Se a Libertadores fosse um ser humano ela estaria bebada na porta da Arena usando uma camisa antiga do Grêmio por superstição e gritando “Queremos a côôôpa….” feito um argentino, que diga-se, é o unico defeito dessa gente.

A Libertadores não é um ser humano. Então ela pode ser vencida ou conquistada.  Raros são os que a conquistam.

O Grêmio conquistou a América de uma forma poucas vezes vista. Indiscutível, simpática a todos, com um futebol bem jogado, domínio completo dos jogos, vencendo as duas finais. E com um treinador que todo mundo odeia amar, ou ama odiar. Tanto faz.

O primeiro tempo da final foi pornográfico.  Poucas vezes vi algo parecido e se o Grêmio puder, faça um quadro em sua sede transcrevendo a narração destes 45 minutos, ou um quadro de imagem viva reprisando em looping eternamente esses minutos.

Sua gente chorava de alívio e alegria no gol do Luan, de joelhos, abraçado ao desconhecido ou ao próprio pai. Mas agarrado a camisa como quem agradece por ter tido o privilégio de ser um deles.

Filhos, avôs, netos, pais, amigos, conhecidos e desconhecidos.  Bêbados, sóbrios, a base de remédio ou de alcool, mas suportando a semana que levou mais de 45 dias pra passar.

Ao gol do Luan, que foi uma obra de arte, o gremista desmoronou.  A minha volta não havia um só torcedor comemorando com raiva, socando o ar, desabafando contra o Lanus.  Era uma alegria deles para com eles mesmos.  De joelhos, chorando, abraçado a alguém, mas era uma declaração de amor “muda” que poucas vezes eu vi na vida.

Tu és muito bem amado, Grêmio.  Tua gente te merece, e vice-versa.

Salve Luan, Portaluppi, Geromel, Grohe, Arthur e os 5 mil heróis que estiveram em Buenos Aires.

Salve o Grêmio! Salve banda da Geral!

Salve  o povo da Arena no telão!

Salve cada lágrima que tu derrubou por este clube na vida.

Parabéns! Vocês são diferentes. Tal qual seu clube.

abs,
RicaPerrone

Grêmio atropela o Lanús, conquista a Libertadores e já assusta até o Real Madrid!

Leia o post original por Milton Neves

 

Lanús 1 x 2 Grêmio

Santos e São Paulo não são mais os únicos clubes brasileiros com três conquistas da Libertadores.

Com uma atuação memorável em Buenos Aires, especialmente no primeiro tempo, o Grêmio trucidou o Lanús e agora também é tri da América.

Pois é, peguei tanto no pé do Renato Gaúcho durante a temporada, e o pior é que ele estava certo!

Valeu a pena poupar tanto os seus jogadores no Campeonato Brasileiro que, convenhamos, hoje em dia tem 62% da importância da Libertadores.

Mas, mesmo assim, ainda acho que o Imortal tinha time para ganhar os dois campeonatos.

Paciência…

Sobre o jogo, o time da casa simplesmente não viu a cor da bola no primeiro tempo!

O Grêmio, desde o início, dominou as ações ofensivas e toda hora levava perigo ao gol defendido por Andrada.

E o primeiro tento da equipe gaúcha saiu aos 27 minutos, quando Fernandinho puxou contra-ataque, correu mais do que o Bolt e, com uma pancada, balançou as redes do Lanús.

Minutos depois, Luan, também em um contra-ataque, driblou meio time adversário antes de ampliar o placar com uma cavadinha simplesmente fantástica!

Essa jogada garantiu o atacante gremista na Copa de 2018!

Depois, na etapa final, o Tricolor tirou o pé e chegou a levar um gol.

Mas, com muita inteligência, soube “cozinhar o galo” e segurar o adversário até o apito final.

Além de Luan, destaco também neste time gremista o zagueiro Geromel e o volante Arthur.

É bom Tite ficar bem de olho neles!

E é bom Tite ficar de olho também em seu emprego!

Afinal, se a seleção vacilar na Copa do Mundo, é bem provável que queiram colocar Renato Gaúcho, o primeiro brasileiro a conquistar a Libertadores como jogador e como treinador, em seu lugar.

E o Real Madrid que se cuide no Mundial de Clubes, hein?

Afinal, o Cristiano Ronaldo não é ruim, mas o Luan está numa fase…

Opine!