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Marketing corintiano prevê aumento de R$ 30 milhões nas receitas

Leia o post original por Perrone

Mesmo em tempo de crise e com o time caindo na tabela do Brasileirão, o departamento de marketing do Corinthians espera fechar o ano com aumento de cerca de R$ 30 milhões na receita gerada por patrocinadores, não só da camisa de jogo, em comparação com 2015. A projeção do superintendente de marketing alvinegro, Gustavo Herbetta, é de que a arrecadação seja de cerca de R$ 100 milhões em 2016. Em 2015, a agremiação registrou em seu balanço um faturamento de R$ 66.571.000 com patrocínios e publicidade.

Hoje, a camisa alvinegra rende aproximadamente 35% a mais do que no ano passado, pelas contas do clube, e as negociações de dois patrocínios estão em andamento, um nas mangas e outro nos ombros.

Segundo Herbetta, estudo realizado no ano passado reposicionou a marca do clube e permitiu o aumento das receitas.

“Baseado nesse estudo, foram feitas renegociações com patrocinadores atuais que entenderam esse novo posicionamento e renovaram com incremento de dois dígitos”, afirmou Herbetta.

O caso emblemático é o da Caixa, que assinou novo contrato pagando os mesmos R$ 30 milhões anuais de 2015, mas para estampar em 2016 sua marca apenas na frente da camisa. Antes, por essa quantia, ela tinha também direito ao patrocínio nas costas.

“Baseado nesse estudo (feito em 2015) fizemos um approach diferenciado em segmentos que poderiam trazer mais receita, como cerveja e água”, disse o superintendente. Recentemente, o Corinthians anunciou um acordo com a cervejaria Estrella Galícia, que passou a estampar os uniformes de treino, além de se transformar em fornecedora de água mineral da equipe por meio uma marca que possui.

Herbetta também credita a previsão de crescimento em meio à crise financeira no país ao modelo adotado pelo clube baseado na ativação das parcerias com ações de marketing que envolvam os torcedores.

De acordo com o gerente, a crise técnica enfrentada nesse momento pelo time, que se afastou da briga pela liderança do Brasileirão, até agora não afetou o marketing alvinegro. “O desafio é desatrelar cada vez mais o marketing da performance da equipe”. Como exemplo, ele argumenta que o torcedor que toma cerveja faz isso com o time ganhando ou perdendo. Então, o trabalho do clube é fazer o corintiano comprar a marca de seu patrocinador.

O discurso otimista, porém, não vale para a venda dos naming rights da arena Corinthians. Ainda emperrada, ela é motivo de constantes críticas de conselheiros à diretoria alvinegra. Herbetta diz que não pode falar sobre esse assunto.   

Marketing ou bola?

Leia o post original por Neto

Última aparição do Imperador foi no Atlético/PR há 6 meses

Última aparição do Imperador foi no Atlético/PR há 6 meses

Quando o Corinthians anunciou o Ronaldo Fenômeno como novo reforço fiquei com uma pulga atrás da orelha. Afinal ele estava em baixa na carreira e vinha se recuperando de mais uma das suas dezenas de cirurgias. Pois bem, o cara não só se recuperou como foi peça fundamental na nova reestruturação do clube. Mas muita gente vincula a chegada dele apenas como uma ação de marketing. Poucas pessoas acreditavam que ele poderia realmente voltar a jogar bola em alto nível. Só pra variar o R9 contrariou todo mundo e participou ativamente do título estadual invicto de 2009 e da Copa do Brasil na mesma temporada. Portanto recolocou o Timão na Libertadores da América.

Fico abismado em ver gente pensando que dá pra fazer o mesmo com o Adriano Imperador. Só pode ser piada, né? O ex-atacante já provou por ‘A’ mais ‘B’ que não se recuperou nem fisicamente nem psicologicamente para voltar aos gramados. Depois de todos os problemas o Flamengo tentou, o Corinthians também e mais recentemente o Atlético/PR cometeu a loucura de escalá-lo em uma Libertadores. Não virou. Mais do que previsível. O que significa dizer que nem pra marketing esses rapaz funcionaria.

Pelas informações que constam os interessados recentes são os pequenos Linense, do interior do futebol paulista e Le Havre, da segunda divisão francesa, além do Al-Jazira, de Dubai. Se o negócio vai virar eu não sei. A única coisa que tenho certeza absoluta é que o Adriano não quer mais jogar bola. Precisa sim é da grana. Daí em diante cada um faz a bobagem que quiser.

Anelka é do Galo e “do caralho”

Leia o post original por RicaPerrone

Quanto ainda joga Anelka?

A pergunta que a imprensa brasileira faz desde seu acerto com o Atlético MG é um exemplar comum do quanto pensamos pequeno e do porque não evoluímos tão rápido quanto deveríamos.

Hoje é dia do jornalista. Eu tenho, hoje, considerável vergonha de ter um diploma que vende pautas, negocia com uma vadia qualquer um “ops” para inventar um celebridade e que vai atrás de jogador na balada.  Mas isso não me faz sentir pena, apenas vergonha.

Quando vejo um bando de gente que vive de futebol só conseguir enxergar nele 22 caras e um resultado, aí sim, fico preocupado.

A porra do Manchester City é conhecido no Brasil e não passa de um São Caetano com investidor. Nem títulos suficientes pra sua fama internacional ele tem. Mas aparece, justamente, porque enxerga que mídia dá retorno, o retorno compra jogador, o jogador joga, o time ganha, entra mais dinheiro.

É cansativo ouvir que a contratação do Ronaldo, por exemplo, era uma questão técnica. Foi TAMBÉM técnica. Mas era muito mais pra colocar o  Corinthians no mapa internacional e por consequencia disso investir para conquistar o mundo que acabara de conhece-lo.  E assim aconteceu.

Como Backeham, Ronaldo e Zidane no Real Madrid.  Pouco importa se não ganharam o que deles se esperava. Só se falava nos caras durante um ano inteiro duas vezes por semana. Se isso não é parte do show, pelo amor de Deus, vá dar aula de geografia, mas larga o futebol.

Anelka e Ronaldinho significa mídia internacional para o atual campeão das Américas. Que, se bem usada, representa investimento, retorno, crescimento e por consequência, títulos.

Campeonato não se ganha, se conquista. E títulos são conseqüência de um processo, não o começo dele.

Eu não dou a mínima pra quanto joga o Anelka ainda. Desde que ele coloque o Atlético na capa dos jornais do mundo todo quando fizer um no domingo, mesmo que diante da Caldense. Tá ótimo!

Se isso será bem explorado ou não é um segundo assunto. Mas diminuir a vinda de um jogador internacional a uma discussão técnica e tática é de uma ignorância monumental.

Atrelar sua vinda a um gesto que fez com um amigo comediante é bem estúpido quando se pede “mais Tulios e Romarios” no futebol moderno tão chato.

Anelka é do Galo. Anelka é do caralho!

Sabe porque? Porque eu estou aqui discutindo isso. E você, lendo e discordando, ou concordando, tanto faz. O assunto é “o Galo”.

Bingo!

abs,
RicaPerrone

Futebol em transformação acelerada

Leia o post original por Emerson Gonçalves

 

Durante algumas décadas, a maior parte do século passado, o futebol mudou na mesma velocidade em que a vida mudava: em câmera lenta. Ou, como se diz no moderno e antenado linguajar pátrio, em slow motion. Na década de 90 a velocidade das mudanças mudou e continua mudando a cada novo ano, mais e mais rápida. Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, identifica a década de 80 como o momento em que “começou a complexidade do futebol”. Correto, também, sem a menor dúvida. Posso também recuar mais uma década e colocar a chegada dos tempos modernos em 1970, quando a Copa do Mundo foi transmitida ao vivo, para grande parte do mundo pela primeira vez, o Brasil inclusive. Foi o ano em que o planeta, de forma majoritária, passou a ter os satélites presentes no dia a dia.

Copa de 70, anos 80, década de 90, não importa a data, a diferença para a História é irrisória e nem conta muito, diante da verdade dos fatos: foi por aí que o futebol acelerou suas mudanças e tornou-se mais complexo, como disse o presidente rubro-negro ontem, durante o Business FC 2013 – II Fórum do Futebol Brasileiro, realizado em São Paulo.

 

Mudanças… Elas estão acontecendo em todo o mundo. A tecnologia é a turbina e o combustível, é a causa e efeito em interação sinérgica, dialética. Muito do que se falou nesse seminário refletiu o que vem ocorrendo no futebol brasileiro, dentro e, principalmente, fora de campo.

Toninho Nascimento, que responde pela Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor desde janeiro desse ano, disse ter achado o tom geral das intervenções do primeiro painel muito pessimista. Já no encerramento, o vice-presidente corintiano – Luiz Paulo Rosenberg – disse ter sentido “um pessimismo”, um “cansaço” no evento e concluiu o pensamento com um “Vocês estão brincando!”

Nem tanto, senhor vice-presidente, nem tanto senhor Secretário Nacional do Futebol. Talvez haja, sim, um certo cansaço, pois uma vez mais estamos vendo as gigantescas dívidas dos clubes serem encaminhadas para uma solução que é, na prática, um perdão, apesar do esperneio do deputado autor do projeto, do próprio Secretário e dos presidentes e diretores de clubes que nela enxergam uma medida justa e necessária para dar aos clubes condições para se reestruturarem e conseguirem realizar suas múltiplas funções – comentarei abaixo. Nesse sentido, o jornalista Paulo Vinicius Coelho fez uma pergunta que expressou o sentimento geral de quem não é presidente de clube e nem membro do governo ou do parlamento:

Será que dessa vez vai?

Será que dessa vez, depois da Timemania, do REFIS e de outras medidas menores sempre beneficiando os clubes e contribuindo para “se reestruturarem”, eles vão conseguir atingir esse objetivo mítico?

Chega a ser curioso como as autoridades públicas dizem que compete aos clubes fomentar o esporte, como preconiza a Constituição, esquecendo-se ser essa uma das atribuições fundamentais do Estado através da educação, usando para tanto as escolas. Até porque fomento do esporte é tarefa de massa, a ser iniciada na chamada primeira infância, ainda, e mantida até a entrada na idade adulta. Clube nenhum pode executar tal função. Essa colocação, entretanto, é sempre muito útil nos discursos que justificam perdões e novos e benéficos acordos para entidades que já recebem um bocado de dinheiro pelo que fazem, mas insistem em gastar mais do que recebem e, boa parte delas, não pagar os impostos e tributos correntes.

Há, porém, uma mudança no cenário e nela o Secretário Toninho Nascimento se apoiou: dessa vez, ao contrário das anteriores, há a previsão de penalidades esportivas aos não pagadores, juntamente com a responsabilização dos dirigentes por meio dos bens pessoais. Sim, pode ser que funcione desde que a lei a ser aprovada seja clara nesse sentido, sem deixar margem a recursos intermináveis. E desde que outra lei seja modificada, permitindo que clubes sejam punidos na esfera judicial com perda de pontos e rebaixamento de divisão.

Diz o povo que gato escaldado tem medo de água fria, daí, certamente, os tais “cansaço” e “pessimismo” mencionados.

 

O jogo do Santa Cruz com o estádio lotado foi muito comentado e considerado como positivo. De fato, é alvissareiro ver o Santa e também o Sampaio Corrêa na Série B. Quem sabe num futuro não muito distante…

Jogos como esse, porém, costumam mesmo atrair grandes públicos. Sempre foi assim, em todas as divisões, em qualquer formato. O desafio brasileiro é encher os estádios, ou ao menos chegar perto disso, nos jogos “pequenos”, os jogos considerados como “sem importância”, algo que, a rigor, não existe, especialmente quando se adota a fórmula simples, correta e justa dos pontos corridos.

 

Outro ponto que “pegou” foi a questão da possível proibição de terceiros poderem deter percentuais diversos do direito econômico de um atleta. Sabemos que esse é mais um desejo da UEFA que da FIFA e, pessoalmente, espero não venha a ser aprovado. O que faz mal ao futebol e ao futebol brasileiro, não é o fatiamento do direito econômico, uma realidade já há bom tempo, e sim a falta de transparência.

Contratos não são revelados, nomes de agentes, empresários e agentes FIFA – atenção! – não são divulgados, assim como nem sempre os nomes e percentuais dos que têm participação no direito econômico vêm a público. Como vimos recentemente na transferência de Neymar, ainda envolta em mistério – assumido publicamente pelo primeiro vice-presidente do Barcelona – e valores divergentes. Lembrando que toda transação internacional tem que passar por um agente FIFA e os nomes desses agentes muito raramente, para não dizer nunca, vem a público.

Explicando o “atenção” colocado acima: recordem essa colocação futuramente. Qualquer dia poderemos ter “surpresas”.

Portanto, menos proibições que, fatalmente, serão dribladas pelo mercado e pela vida real, e mais, muito mais transparência.

 

O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanches, em diversos momentos cutucou a imprensa durante sua participação no painel sobre as novas arenas, que prefiro continuar chamando de estádios até prova em contrário. Reclamando do fato da imprensa criticar os gastos excessivos, mirabolantes até, de clubes já endividados, disse que “quem com a caneta na mão (do outro lado do balcão) não sabe o que se passa”.  Ora, como poderíamos saber com o grau de opacidade que domina o futebol brasileiro, em especial nas prestações de contas? Não é sequer o caso de falar em grau de transparência, de resto muito pouco presente, e sim de opacidade mesmo.

É, pelo jeito eu sou mesmo “pessimista”.

Mas Sanches não se limitou a isso ou a criticar o rival por abaixar preços (política que também foi adotada em sua própria gestão) e ponderou, com propriedade, que os preços dos ingressos brasileiros têm alguns componentes complicados. Como, por exemplo, a “meia entrada”. Um monte de gente paga metade e tem acesso ao produto inteiro. Ou as gratuidades, que no Rio de Janeiro, por exemplo, beiram a raia do absurdo. É a velha política brasileira, dos parlamentares brasileiros, que adoram dar esmola com dinheiro alheio. Muito fácil de fazer por quem não paga as contas e fornece o dinheiro para as benemerências.

Disse mais o ex-presidente do Corinthians: cabe ao mercado determinar o preço do ingresso.

Correto. Não adianta cobrar 200 se o consumidor entender que só vale 100 ou 50 ou 10. Em algum momento, o operador vai sentir o baque no bolso e adaptar-se à realidade do mercado. Esse, porém, é um conceito meio antipático num país acostumado a esperar que o “governo” determine preços. Aprendi no decorrer da vida que temos o pior do capitalismo e praticamente nada do melhor que esse sistema econômico tem a oferecer. O futebol, infelizmente, não é exceção.

 

Repercutiu bastante a crítica de Sanches e dos executivos da OAS e Odebrecht à redução de preços praticada pelo São Paulo. Em parte essa crítica está certa, mas em parte não. O primeiro ponto é que esse é um direito do mandante, que deveria ser Iivre, sempre, para cobrar o quanto quiser. Outro ponto, e esse é merecedor de críticas, é que foi uma decisão emocional, não planejada e que da mesma forma que deu muito certo, poderia ter dado muito errado; o “fator Muricy”, algo não planejado pelos autores da medida, salvou o clube também nas bilheterias.

Futebol hoje é produto caro. Torcedor, todo torcedor, quer que seu time tenha Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar ao mesmo tempo, falando figurativamente. É justo, é muito justo, é justíssimo, recordando antigo bordão. Só que tem um preço para isso e não dá para esperar que o “dinheiro da TV” pague tudo e todas as contas. Ao reduzir muito o preço, de forma não planejada e uma diferenciação de importância e valores de cada partida, o clube corre o risco de desvalorizar seu próprio produto. Até porque quem paga pouco valoriza pouco.

 

Mais uma sobre os bandos de “organizados” que têm trazido perdas sensíveis a diversos clubes: os contratos entre as operadoras das novas arenas e os clubes contêm cláusulas de proteção contra a perda de mandos de campo determinadas pelos tribunais.

Eis um bom motivo para explicar as reclamações de muitos dirigentes – e Andrés Sanches bateu pesado nessas punições no seminário – contra as perdas de mandos de campo, dizendo que os clubes não devem ser punidos por atos de terceiros, chamados de “torcedores”.  Para ele, as penas devem ser somente “técnicas”, jamais na forma de multas ou perdas de mando.

Muito bem, então não se pune os clubes e eles continuarão cedendo entradas, fornecendo entradas para serem vendidas nas sedes dos bandos de “organizados” – prática que agora os grandes paulistas querem extinguir – e permitindo, entre outros benefícios, que lugares dos estádios estejam permanentemente reservados aos membros desses grupos. 

“A TV não deve mostrar a violência.”

É o que pensa o ex-presidente do Corinthians. Dado o absurdo de tal posição não vou comentá-la. Só completar: não é somente ele que pensa dessa forma.

 

Mercado gigante… Segundo estudo da Pluri, que será postado em breve, o conjunto de brasileiros que torcem por um time de futeve, o conjunto de brasileiros que torcem por um time de futebol tem uma receita total de R$ 142,4 bilhões. Desse total, somente R$ 90 milhões chegam aos 30 maiores clubes do país. Esse valor equivale a 0,06% da receita total mensal dos torcedores. Desnecessário dizer que o espaço para crescer é gigantesco, simplesmente.

 

Crescimento foi a tônica das apresentações e debates sobre os programas de sócios-torcedores.

Um destaque: o diretor de marketing do Grêmio apresentou um comercial que ainda será levado ao ar e que tivemos o prazer de ver em primeira mão, que é, simplesmente, espetacular. Absurdamente simples, mas extremamente convincente. Quando ele termina, sério mesmo, dá vontade de virar ST do Grêmio. Espero poder colocá-lo aqui no OCE depois que entrar em veiculação.

Entre os planos do clube e a realidade mostrada pelo representante da AmBev, falando dos resultados do Movimento Por um Futebol Melhor, ficou claro que esse é um caminho sem volta. E agora, possivelmente, com uma boa redução nas taxas de inadimplência, que acompanham automaticamente as performances dos times em campo. Time em alta, taxa em baixa. E vice-versa.

O direito do sócio-torcedor votar passou ao largo das apresentações. Sintomático e preocupante, pois demonstra que a maioria dos clubes continua querendo somente o dinheiro do “sócio” e não a sua participação efetiva.

 

Paulo André falou sobre o Bom Senso FC.

E como falou!

Entre as muitas questões abordadas, e que a imprensa vem repercutindo bastante, há um dado que merece reflexão mais profunda: há somente 678 clubes profissionais no Brasil e, desses, apenas e tão somente 60 têm o calendário inteiro ocupado por jogos. Os demais são clubes que têm times sazonais. Terminou a curta temporada, acabou o time.

 

O debate final, que aguardava com interesse, acabou por ser meio frustrante. Pouco se falou do conceito de “superclube”, e muito se falou em supertimes. De qualquer, como disse Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, há necessidade de mudança, de um verdadeiro choque de gestão, com mudanças profundas na governança, com o que concordou o presidente do Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia.

Como era de se esperar, a questão dos direitos de TV foi abordada e, novamente, sob um ângulo equivocado, como fez Petraglia ao falar na necessidade de “quebrar o monopólio da Globo”. É comum no Brasil pegar-se uma palavra forte, impactante, e usá-la para toda e qualquer coisa, ignorando seu real significado, como acontece nesse caso.

A liga “independente” voltou à tona. É curioso como todos querem, mas querem não querendo ou nada fazendo para tentar viabilizá-la. Curiosamente, tanto Petraglia como Rosenberg atacaram pesadamente o Clube dos 13. Há coisas que talvez nem Freud consiga explicar.

 

Há mudanças em curso e o II Fórum do Futebol Brasileiro deixou isso muito claro. Aguarda-se para esse ano ainda, muito provavelmente na forma de Medida Provisória da Presidência da República, como esse OCE já anunciou aos seus leitores, a aprovação do PROFORTE, objeto de desejo de onze em cada dez presidentes de clube de futebol.

A reeleição de presidentes em clubes e federações que recebem algum tipo de benefício fiscal passou a ser proibida. Fala-se muito na volta da venda de bebidas alcoólicas de baixo teor, aguarda-se a entrada em operação plena dos novos estádios, os jogadores cobram mudanças, aparecendo como agentes ativos no futebol e não mais como meros joguetes, inclusive de sindicatos, cresce a percepção da origem da violência e a necessidade de controlá-la e, dada a inevitabilidade do projeto que, apesar da já citada reação negativa dos envolvidos, talvez, quem sabe dessa vez, venha a fazer com que os clubes entrem na linha, como se dizia antigamente.

Quem sabe dessa vez?

 

Os prêmios

Tive a honra e o prazer de ser, uma vez mais, um dos 25 jurados para a escolha do Melhor Executivo de Futebol de 2012 – vencido por Edu Gaspar, Corinthians e do Melhor Executivo de Marketing de 2012 – com Jorge Avancini, do Internacional, conquistando o bicampeonato.

Por somatórias de pontos em diversos critérios, o Corinthians levou o bicampeonato como o clube com com Maior Transparência Financeira e também o Mais Eficiente na Gestão do Futebol.

O Clube Atlético Paranaense venceu a categoria Melhor Estrutura Financeira.

Nesse ano, os indicados para as escolhas que serão feitas em 2014, são profissionais do Atlético Paranaense, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio e São Paulo no Marketing. No futebol os indicados são do Atlético Mineiro, Paranaense, Botafogo, Chapecoense e Cruzeiro. Temos, portanto, alguns novos nomes na área, uma notícia excelente.

Meus parabéns aos organizadores e responsáveis pelo evento: a Brasil Sports Market, com apoio da Trevisan Escola de Negócios, Pluri Consultoria e Fanclub.

 

A brilhante (e declinante) performance do estádio Mané Garrincha

Leia o post original por Emerson Gonçalves

 

A Pluri divulgou hoje um trabalho muito interessante, analisando a brilhante performance do estádio Mané Garrincha, em Brasília. Brilhante nos números de torcedores presentes e também nas rendas, embora essas precisem de vários asteriscos, sempre. Pena que esse brilhantismo não apareceu em outras áreas, como, por exemplo, o gramado. Essa, porém, é outra história.

 

A Lei da Utilidade Marginal Decrescente

Imagine que você esteja em um deserto, precisando desesperadamente de um copo de água. Neste cenário você pagaria muito por ele, certo? Agora, imagine que você já tomou 5 copos de água e lhe oferecem um sexto… Quanto você estaria disposto a pagar? Certamente não o mesmo valor que pagou pelo primeiro e assim por diante. Ou seja, a sua percepção de valor vai caindo se não houver novos incentivos ao consumo.

Essa é a chamada Lei da Utilidade Marginal Decrescente, um dogma econômico que estabelece uma relação decrescente entre o consumo sucessivo de unidades de um bem e a satisfação que esse mesmo consumo proporciona. Minha avó, sábia economista doméstica apesar de analfabeta, diria que tudo que é demais é de sobra.

Manter o consumo elevado das mesmas coisas por todo o tempo ou o máximo de tempo possível é um dos maiores desafios do marketing e da propaganda. Para isso vale de tudo um pouco, desde promoções imperdíveis até mudanças na forma do produto. Vamos, agora, ver o desempenho do estádio Mané Garrincha com esses conceitos em mente:

 

Em apenas jogos, 331.845 torcedores deixaram nas bilheterias a belíssima soma de R$ 23.583.885,00 ao preço médio de R$ 71,00 por ingresso.

Bom demais, não? Dureza agora será manter esse nível de receita e público, porque, como mostra o gráfico/tabela abaixo, já se percebe uma nítida tendência de queda no público:

 

Os primeiros grandes números foram bastante lógicos e previsíveis em boa parte, por vários fatores:

– um estádio novo, moderno, bonito, o que por si só já é atrativo suficiente para grandes públicos; como diz o texto da Pluri, foi como a abertura de um shopping novo numa cidade de menor porte: muita gente corre para lá, ao menos para conhecer;

– Brasília é uma cidade populosa e rica;

– há uma grande demanda por jogos de futebol com times de grandes clubes; a Pluri fala em “demanda reprimida por futebol de alto nível”, mas como sou meio chato mudei um pouco o contexto;

– os grandes clubes do Rio têm a preferência da maioria dos habitantes da cidade e seu entorno, com destaque para o Flamengo, que sozinho é o preferido de cerca da metade dos torcedores.

Ora, tudo isso leva á constatação que esses jogos iniciais no Mané Garrincha foram mais que jogos, foram grandes eventos, dotados de um caráter quase único.

Hoje, o grande apetite inicial já foi satisfeito, o grande apelo já foi respondido e passamos a ver a tendência declinante citada. Até agora foi fácil, mas temos daqui por diante a fase mais difícil (em alguns casos menos fácil), que vai demandar criatividade dos promotores desses espetáculos.

Pensando a respeito, temos três possibilidades:

reduzir a oferta de jogos (o que não será bom para a manutenção do estádio, penso cá com meus botões);

reduzir os preços cobrados (aqui há gordura para queimar, com certeza, me diz o simples bom senso);

melhorar a qualidade do produto – o jogo em si (essa é braba… não, essa é muito braba, pelo que já pude ver nesse Brasileiro).

O desafio está lançado, vamos ver como serão as respostas dos envolvidos: promotores, times, público.