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A falta do profeta Hernanes

Leia o post original por Antero Greco

Amigo são-paulino, 2018 mal começou e já há notícia de baixa no elenco. Péssima, por sinal. Pela forma como falou hoje, Hernanes está com a bagagem pronta para voltar para a China.

O clube que o mantém sob contrato exigiu retorno imediato, de preferência no domingo. Diz que não tem papo, pois está nos planos do técnico Manuel Pellegrino. Fim de aventura por aqui.

Uma pena, pois Hernanes foi a pedra fundamental para a reação do São Paulo no Brasileiro. Sem exagero, dá para afirmar que a chegada dele evitou a humilhação de rebaixamento inédito. Não só pelos gols que fez, mas pela postura em campo e fora. O “profeta” foi decisivo para ajudar Dorival Júnior na construção de ambiente favorável.

O São Paulo sabia do risco que corria ao repatriar Hernanes. Os chineses aceitaram cedê-lo por seis meses, com a cláusula de tê-lo de volta em janeiro, se fosse necessário. E exerceu esse direito. Parece improvável que abram mão, mesmo com a promessa de Hernanes de fazer tentativa no contato direto.

O episódio revela pela enésima vez a condição subalterna que os times brasileiros têm hoje em dia no mercado internacional. São grandes fornecedores de mão de obra super-qualificada e ganham dinheiro com venda de jogadores.

Na verdade, mesmo que queiram, não conseguem segurar os principais talentos por muito tempo. Se aparecer proposta razoável – e às vezes nem isso -, cedem, por pressão de atletas, de assessores e do caixa doméstico constantemente baixo.

No máximo, se contentam em contar com o retorno de alguns por breves períodos de “reciclagem”. Lembram das idas e vindas de Romário? E dos regressos de Robinho para o Santos? Ou de Kaká no Morumbi dois anos atrás? São inúmeros os casos. Em geral, os moços passam um tempinho por aqui, recuperam ritmo e confiança, para baterem asas novamente.

Hernanes deixará saudade – e, mais do que isso, preocupação. Para quem deseja montar elenco forte para a temporada, não poderia haver baque maior.

O pacote do Vasco e a bronca com Léo

Leia o post original por Antero Greco

O Vasco segura a lanterna do Brasileiro, é o único sem vitória e bate o medo de nova Série B. Daí a correria do coronel de engenho de São Januário na busca de alternativas para sair do buraco. A chegada de Celso Roth, Léo Moura e Herrera faz parte da estratégia de emergência. Sem contar a aposta em Ronaldinho, hoje um globetrotter da bola. Se vai dar certo ou não, fica para depois.

O que chama a atenção é a reação de torcedores do Flamengo em relação a Léo Moura. O pessoal ficou indignado porque o capitão que bateu asas para os EUA há pouco tempo volta para casa e vira casaca. Vai jogar justamente no maior rival. Por tal traição, merece apedrejamento moral. Atitude idêntica ainda não se tem com Ronaldinho; se bem que ele não marcou época na Gávea.

Entendo a parte do torcedor, ao menos daquele que não tem interesse algum a não ser o amor pelo clube. Frustra ver um atleta considerado ídolo entrar em campo com outra camisa. Proponho, porém, um choque de realidade na tentativa de entender o caso.

O jogador é profissional, e como tal vai onde lhe oferecerem mais. Assim como qualquer um de nós, em nossas respectivas atividades. Todos buscamos desafios: às vezes, nos iludimos com uma oferta e damos passo errado. Faz parte, mas não tem nada de mercenarismo, desde que as negociações sejam transparentes e ninguém se prejudique.

Outro aspecto importante a ser levado em conta. Léo Moura honrou o Flamengo na década em que o defendeu? Não há dúvida a esse respeito. Portanto, teve comportamento digno com o clube, com o patrão, com a torcida. Ao ir embora, se considerou concluído um ciclo. Saiu sem provocar mágoa, sem briga, de forma serena. Não deu certo nos EUA, apareceu a chance do Vasco e ele aceitou.

Dói para o rubro-negro, claro, vê-lo no Vasco. No entanto, por justiça a um profissional correto, que se tenha presente sempre a lisura que mostrou no Flamengo. Essa história ninguém apaga.

 

Palmeiras e o excesso de contingente

Leia o post original por Antero Greco

Está nos sites e nos jornais: a direção do Palmeiras vai reunir-se com Marcelo Oliveira e estudar redução do elenco. No momento, há em torno de 40 jogadores, sem contar com Lucas Bairros e Leandro Almeida, mais dois do interminável pacote de contratações que devem apresentar-se. Dirigentes e novo treinador chegaram à conclusão de que o inchaço dificulta a formação do time.

Bola cantada. Desde o início do ano, quando começou a onda de negociações, em diversas ocasiões escrevi aqui e comentei na tevê que era gente demais. Não tem como abrigar dar oportunidades iguais a duas dúzias de novos profissionais na casa, fora os remanescentes de 2014.

As fotos mostravam um montão de rapazes em exercício. Para impacto com o público, a jogada da cartolagem foi interessante. O efeito prático, porém, não é grande coisa. Ao contrário, como se comprova agora até complica a vida do treinador. E dificulta mesmo, pois existe pressão para rodízio, quem fica fora reclama (com razão), quem está dentro se sente inseguro.

Por esse motivo, não gosto de utilizar a palavra “reforço” a todo momento. Aliás, raramente ela é bem empregada. Reforço é o jogador de qualidade, que chega, entra no time, se encaixa e contribui para que os resultados apareçam. Poucos fazem isso. A maioria é apenas contratação.

E foi o que o Palmeiras fez. Trouxe pencas de atletas, de tudo quanto foi lugar, e até agora, com meio ano já passado, ainda não tem uma formação que o torcedor possa declinar como titular. Pior, nem esquema de jogo tem. Complicou-se Oswaldo Oliveira, e disso pretende fugir Marcelo.

Ryder, Andrei Girotto, a turma de argentinos (Tobio, Mouche, Allione), para citar exemplos, em que contribuíram? Aranha só esquentou banco e já está de saída, assim como aconteceu com Maikon Leite, Allan Patrick. Ayrton. Outros podem fazer logo as malas.

Planejamento não é atirar para todo lado; mas acertar o alvo. O grupo do ano passado era péssimo e a reformulação, necessária. Porém, contratar sem controle pode levar a erro semelhante.