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Mercado dos paulistas

Leia o post original por Flavio Prado

Mais uma vez o Palmeiras é o time que mais contratou no mercado de transferências entre os paulistas. Chegaram Wéverton, Émerson Santos, Marcos Rocha, Diogo Barbosa e Lucas Lima. Gostei mais do mercado deste ano do que do ano passado. O elenco é forte, mas não pode repetir alguns erros de 2017. Seria importante deixar Róger Machado trabalhar durante todo o ano e não mexer muito no elenco. Entre os jogadores mais utilizados no ano passado, saíram Mina, vendido ao Barcelona e por opção do clube Róger Guedes foi envolvido na troca com Marcos Rocha, além da aposentadoria de Zé Roberto. Victor Luis e Allione que retornam de empréstimo podem ser úteis.

O campeão brasileiro Corinthians perdeu 3 titulares importantes. Deixaram o clube Pablo, Guilherme Arana e Jô. Para repor chegou o jovem Juninho Capixaba do Bahia para a lateral e estão próximos Henrique e Henrique Dourado, ambos do Fluminense, seriam bons substitutos para Pablo e Jô. O Corinthians é um dos poucos times brasileiros com uma identidade clara de jogo, isso pode diminuir o prejuízo com as saídas.

O São Paulo perdeu Hernanes e Pratto, dois jogadores importantes. Chegou Diego Souza que pelo menos no início deve ser utilizado na função do argentino. O time terminou o ano com uma base, que já começou a ser mexida, e com algumas carências que ainda não foram preenchidas, Ainda é necessária a chegada de um lateral-direito e um atacante de velocidade, sem Hernanes será preciso buscar mais um jogador para o meio. Chegou o goleiro Jean do Bahia, considero uma ótima contratação. Reinaldo e Hudson retornam de empréstimo e serão úteis.

Até aqui, o Santos é o que mais preocupa. O time mantinha uma base desde 2015 e conseguiu bons resultados no período. Vice da Copa do Brasil 2015 e do Brasileiro 2016, terceiro no Brasileirão do ano passado, além de dois títulos estaduais. Essa base não existe mais, no ano passado saíram o técnica Dorival Júnior e o volante Thiago Maia, neste ano não estarão Zeca, Lucas Lima e Ricardo Oliveira, um novo time terá que ser montado pelo técnico Jair Ventura, com pouco dinheiro. Mais uma vez a base precisará ajudar o Santos.

Palmeiras é forte, mas não tem obrigação de ganhar tudo

Leia o post original por Flavio Prado

(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

O Palmeiras é o time que mais se destaca no mercado de transferências. Felipe Melo, Guerra e Michel Bastos são nomes consagrados e que podem acrescentar ao time campeão brasileiro.

Os principais adversários estão mais tímidos no mercado. O Palmeiras tem um poder de compra maior do que os rivais e até por isso surge como o time a ser batido em 2017.

Concordo que o Palmeiras tem o melhor elenco no papel e mostrou isso no campo durante o Campeonato Brasileiro, mas não tem obrigação de ganhar tudo.

Esse peso pode atrapalhar o time na temporada. A derrota é normal, principalmente no mata-mata. O Palmeiras leva grande vantagem no elenco, nos pontos corridos é fundamental, mas em relação ao time titular a diferença para os principais times do continente não é absurda.

Um duelo na Libertadores contra Santos, Flamengo, Atlético-MG, Grêmio, River Plate, Atlético Nacional e outros é equilibrado. Não é nenhum absurdo ser eliminado por um deles e isso não pode afetar o trabalho.

A análise deve ser em cima do trabalho e não apenas do resultado e algumas mudanças aconteceram. O Palmeiras perdeu Cuca e Gabriel Jesus, duas peças importantes, dos reforços só vejo Felipe Melo como titular absoluto, os outros podem vir a ser ótimas opções e destaques nas temporada, mas não vejo uma mudança tão grande de patamar em relação ao ano passado.

O Palmeiras é forte. Entra como candidato ao título em todas as competições, mas colocar uma obrigação parece ser um peso desproporcional a realidade.

 

Gabriel vai embora, mercado brasileiro é assim

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: AFP
Foto: AFP

Gabriel foi vendido pelo Santos para a Inter de Milão. Gabriel Jesus já é jogador do Manchester City, mas fica no Palmeiras até dezembro.

Os dois campeões olímpicos ainda não completaram 20 anos e já vão deixar o futebol brasileiro.

O mercado brasileiro vive uma situação bem clara. Os grandes destaques são jovens que ainda não foram vendidos e veteranos que já retornaram depois de anos no exterior.

Os jogadores na faixa de 25, 26 anos, são na sua maioria atletas que não conseguiram mercado na Europa. Nos últimos anos, muitos jogadores sul-americanos chegaram no país, mas normalmente são atletas que também não tem espaço em um mercado maior.

A saída de atletas para o exterior começou a ganhar força na década de 80 e ficou muito comum na década de 90.

Até pouco tempo atrás, a parte financeira era praticamente a única razão para um atleta deixar o país, hoje em dia a coisa mudou. Claro que a parte financeira ainda tem grande peso, mas hoje faz parte de um pacote. Nos últimos anos o futebol na Europa cresceu muito em todos os sentidos, na qualidade, visibilidade, repercussão e também na parte financeira. Qualquer atleta de bom nível tem no seu plano de carreira a saída para a Europa.

O mundo globalizou, os clubes europeus repercutem em todos os continentes, os melhores jogadores do planeta estão lá, então todos querem estar entre os melhores.

O futebol brasileiro pode melhorar essa situação. Nosso campeonato precisa ser mais relevante, o calendário pode ser mais organizado. O futebol brasileiro tem dificuldade para lotar os estádios, nosso campeonato pode ser mais atrativo.

Um bom passo seria pensar o campeonato como um todo. Os torcedores brasileiros estão acostumados a acompanhar apenas o seu time, no máximo os rivais regionais e não o campeonato.

Um jogo entre duas equipes, mesmo que estejam disputando a liderança, só terá peso significativo nos estados das equipes envolvidas e não em todo o país como poderia ser.

Precisamos pensar o futebol como produto, o campeonato como um todo e não fragmentado e dividido de acordo com a região. O campeonato precisa ser forte e relevante no próprio país, como liga, como produto, se não for assim, dificilmente terá peso para pelo menos fazer o jogador pensar em ficar mais um pouco.

Enfim, posicionamento

Leia o post original por Rica Perrone

Eu nunca vou contestar que o futebol brasileiro perca um jogador pro Real Madrid. Talvez em breve o jogador mediocre também pondere os EUA pela questão do país, da violência local, etc. Contesto Vitinhos na Ucrânia, Ramires na China, embora entenda que quando as cifras saiam da realidade, ninguém consiga recusar. O ponto nunca foi …

River quebra jejum e conquista a Copa Sul-Americana

Leia o post original por Fernando Sampaio

comemoracao-riverplate-apForam 17 anos sem títulos internacionais.

Finalmente, jejum quebrado.

O River Plate bateu o Atlético Nacional e levou a Copa Sul Americana.

Resultado justo.

O primeiro tempo movimentado, equilibrado, com boas oportunidades, defesas importantes de Armani e Barovero.

No segundo tempo o River matou o jogo com dois gols de bola parada em 15 minutos.

Aos 9′ Pisculichi bateu Mercado marcou de cabeça.

Aos 14′ Pisculichi bateu Pezella marcou de cabeça.

Fim de papo.

Argentina vice-campeã do mundo.

San Lorenzo campeão da Libertadores.

River Plate campeão da Sul-Americana.

O futebol argentino dominou a temporada entre os sul-americanos.

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Apostas & Apostas

Leia o post original por Emerson Gonçalves

 

Ou: muitas apostas, poucos investimentos.

Três diferentes tipos de apostas dominaram o noticiário da semana. Onde eu escrevi apostas, leiam contratações, mas mantenham apostas como significado. E onde eu escrevo ou falo aposta, vocês leram ou ouviram investimentos.

Toda contratação, por mais correta e indicada que seja, tem sempre um percentual de risco, vale dizer, tem sempre um quê de aposta nela. Toda contratação é um investimento, que vem a ser uma operação pensada, planejada, para trazer lucros, das mais diferentes formas, para o investidor. E não precisa ser, necessariamente, na forma de dinheiro, apenas.

Num exemplo recente, uma contratação de alto custo e risco também elevado, fartamente apregoada como investimento inteligente e até, acreditem, revolucionário, revelou-se desastrosa num clube e, no momento seguinte, fantástica em outro, como foi o caso de Ronaldinho no Flamengo e logo depois no Atlético Mineiro. A aposta atleticana foi menos pesada que a rubro-negra, é bem verdade, mas ainda assim foi alta e, pelo menos na visão dos torcedores e dirigentes, foi compensadora. Foi, aparentemente, antes de conhecermos os números financeiros de 2013, um bom investimento.

 

Lucio no Palmeiras

A aposta do Palmeiras em Lucio tem alguns pontos de semelhança com o caso Ronaldinho. O zagueiro voltou da Europa para o São Paulo, com um salário elevado – meio milhão por mês – e um contrato de dois anos de duração. Um grande negócio… para Lucio. E péssimo para o São Paulo, pois sua chegada forçou o treinador Ney Franco a desmanchar o sistema defensivo que havia sido o melhor do segundo turno do Brasileiro 2012. Depois de alguns problemas e sem uma explicação cabal, convincente, Lucio foi afastado do elenco, tendo que treinar separado dos demais. Naturalmente, como determina a lei e determinava seu contrato, continuou ganhando o salário normalmente. Ao fim e ao cabo, o São Paulo apostou mais de R$ 12 milhões, pagou mais da metade e perdeu muito mais que o total do contrato. O Palmeiras partiu de uma outra situação, o que levou a uma outra base financeira. Foi comentado que o salário do antigo capitão da Seleção será de R$ 150 mil, menos de um terço do que ganhava no São Paulo. Porém, tal no Morumbi, também no Parque Antártica Lucio terá dois anos de tranquilidade assegurada. A aposta palmeirense é relativamente baixa, considerando  os valores malucos do futebol brasileiro: pouco mais de R$ 2 milhões anuais ou perto de R$ 5 milhões pelo total do contrato, valor que corresponde a cerca de 40% do que seria o custo total de Lucio ao São Paulo. Pessoalmente, não a considero uma boa aposta, pensando no quanto e como ele jogará, mas o futebol e seus dirigentes, mesmo aqueles razoavelmente centrados, gostam – e precisam – dessas apostas.

Detalhe: Lucio poderá jogar por terra minha expectativa, pois no Palmeiras estará turbinado por um dos mais fortes combustíveis do ser humano, que é a raiva. Associada ao desejo de se provar e provar aos demais que ainda é bom.

 

Elano – do Grêmio para o Flamengo

Eis outra aposta razoável – sempre considerando como parâmetro o mundo louco do futebol. Apesar de uma passagem pouco convincente pelo Santos, e cara, Elano foi para o Grêmio como parte de um pacote destinado a transformar o time e leva-lo a grandes conquistas. O que não aconteceu, mas o elenco, absurdamente caro, foi montado e queimou dinheiro o bastante para levar o clube, normalmente organizado, à situação de devedor de salários. Elano vai para o Flamengo sem custos de transferência e o clube da Gávea pagará “apenas” metade de seu salário e mais os benefícios, pelo decorrer de um ano. Podemos calcular isso como algo ao redor de R$ 3 milhões. Como disse, uma aposta razoável.

Nem um pouco razoável, porém, é o custo para o Grêmio, que além de não mais ter o jogador, terá, ainda, de desembolsar valor próximo desses R$ 3 milhões como cumprimento do contrato feito.

 

Bruno Henrique (provavelmente) no Corinthians

Depois de queimar, literalmente, alguns milhões com Ibson e Maldonado, apostas que até os alambrados do Pacaembu sabiam que dariam em nada, como de fato aconteceu, o Corinthians retomou a prática que deu muito certo anteriormente com seus volantes: contratou Bruno Henrique, que fez bom Brasileiro pela Portuguesa. Disputado pelo São Paulo e clubes do exterior, é um bom volante, com potencial para evoluir bastante e vai para o Parque São Jorge por um valor que pode ser chamado de baixo – levando em conta, necessariamente, sua idade – 24 anos – e, portanto, perspectivas de negociações futuras, o que não acontece com Ronaldinho, Lucio e Elano: R$ 1,5 milhão pelo seu direito federativo e 50% de seus direitos econômicos. A outra metade permanecerá em poder de um grupo de empresários do Paraná.

 

Altíssimo custo e altíssimo risco

Não há outra forma para definir a contratação de Leandro Damião pelo Santos. Tirando um pouco o foco do negócio em si, o clube alardeou ser essa a maior transação da história entre clubes brasileiros. É verdade. Não é nada, não é nada, são respeitabilíssimos € 13 milhões, dinheiro bom tanto cá como lá, em terras d’Europa, fora os juros, da ordem de 10% ao ano – veja mais nessas matérias do GloboEsporte.com aqui e aqui.

– Ah, mas o Santos nada pagou, foi o Doyen Sports que pagou tudo – já reclama o amigo torcedor santista.

Sim, é vero, bello, mas terá que pagar. Mês a mês, tanto para o atleta, como para o grupo investidor. Damião custará um mínimo de R$ 1 milhão de reais mensais aos cofres da Vila Belmiro. O atleta receberá meio milhão – R$ 450 mil como salário e R$ 50 mil como auxílio moradia – e a Doyen Sports receberá do Santos, todo mês, segundo informações da Folha de S.Paulo, outros R$ 500 mil.

Custos realmente altos como deu para ver. E os riscos?

Igualmente muito altos. Damião apareceu muito bem, mas à medida que progredia em fama, diminuía em gols. Não teve uma temporada sequer razoável em 2013, ainda que contusões possam ser usadas para explicar parte do fraco desempenho. Pensando em futura transferência, o pior que poderia acontecer, aconteceu: perdeu seu lugar na Seleção às vésperas da Copa. Claro, não é impossível que não volte, mas tampouco é provável, considerando que já estamos em meados de janeiro e o tempo para fechar a lista de convocados já é contado em semanas.

Se Leandro Damião voltar a ser o artilheiro dos primeiros tempos de Internacional, o mais provável, quase certo, é o Santos se dar bem nos gramados e ao mesmo tempo na calculadora, pois o atleta será valorizado e sua transferência quitaria toda a dívida com a Doyen Sports, deixando, ainda, um saldo de 20% ou 30% (as informações divergem) do valor da transferência para o Santos, desde que acima dos € 13 milhões.

 

Apostar é preciso?

Sim, é preciso, porque, como disse no início, toda contratação envolve um percentual de riscos – o técnico e o financeiro. É função dos gestores minimizar ao máximo esses riscos, principalmente o financeiro na condição dos clubes brasileiros.

O Corinthians, na contramão da contratação de Pato e na retomada do que fez com seus volantes antes de 2013, fez (ou está fazendo) uma contratação de baixo risco técnico e mínimo risco financeiro – Bruno Henrique. Palmeiras e Flamengo, com algumas diferenças, reduziram os riscos financeiros das contratações aqui analisadas, mas assumiram os riscos técnicos, que pelo histórico recente dos dois jogadores é muito alto.

O Santos assumiu um risco altíssimo para os cofres e razoavelmente alto na parte técnica, novamente levando em conta o recente histórico do atleta. Agiu na contramão do que indica o bom senso e do que vem preconizando o Bom Senso FC.

Causou espanto, que não foi pequeno, o valor da contratação de Leandro Damião. Antes de iniciar o Brasileiro desse ano, a Pluri Consultoria estimava seu valor de mercado em € 22,4 milhões. De lá para cá, entretanto, e passando em branco pela “janela de verão”, o valor de Damião despencou. Justificando o espanto está o fato de que o próprio Santos negociava com o Internacional a sua transferência, envolvendo dinheiro e troca, num valor que não chegava à metade do que foi negociado e pago pela Doyen: € 6 milhões – metade disso corresponderia ao valor da transferência de Arouca.

Um belo salto de 6 para 13, uma grande aposta.

Pode dar certo, pois nenhum atleta é mais valorizado que aquele que marca gols e decide jogos. O tempo e o próprio Leandro Damião dirão até que ponto foi uma aposta e até que ponto foi um investimento.

Investir é preciso.

Apostar não é preciso, mas agrada aos paladares sedentos por fortes emoções. O chato, depois, é pagar as contas.

 

Futebol em transformação acelerada

Leia o post original por Emerson Gonçalves

 

Durante algumas décadas, a maior parte do século passado, o futebol mudou na mesma velocidade em que a vida mudava: em câmera lenta. Ou, como se diz no moderno e antenado linguajar pátrio, em slow motion. Na década de 90 a velocidade das mudanças mudou e continua mudando a cada novo ano, mais e mais rápida. Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, identifica a década de 80 como o momento em que “começou a complexidade do futebol”. Correto, também, sem a menor dúvida. Posso também recuar mais uma década e colocar a chegada dos tempos modernos em 1970, quando a Copa do Mundo foi transmitida ao vivo, para grande parte do mundo pela primeira vez, o Brasil inclusive. Foi o ano em que o planeta, de forma majoritária, passou a ter os satélites presentes no dia a dia.

Copa de 70, anos 80, década de 90, não importa a data, a diferença para a História é irrisória e nem conta muito, diante da verdade dos fatos: foi por aí que o futebol acelerou suas mudanças e tornou-se mais complexo, como disse o presidente rubro-negro ontem, durante o Business FC 2013 – II Fórum do Futebol Brasileiro, realizado em São Paulo.

 

Mudanças… Elas estão acontecendo em todo o mundo. A tecnologia é a turbina e o combustível, é a causa e efeito em interação sinérgica, dialética. Muito do que se falou nesse seminário refletiu o que vem ocorrendo no futebol brasileiro, dentro e, principalmente, fora de campo.

Toninho Nascimento, que responde pela Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor desde janeiro desse ano, disse ter achado o tom geral das intervenções do primeiro painel muito pessimista. Já no encerramento, o vice-presidente corintiano – Luiz Paulo Rosenberg – disse ter sentido “um pessimismo”, um “cansaço” no evento e concluiu o pensamento com um “Vocês estão brincando!”

Nem tanto, senhor vice-presidente, nem tanto senhor Secretário Nacional do Futebol. Talvez haja, sim, um certo cansaço, pois uma vez mais estamos vendo as gigantescas dívidas dos clubes serem encaminhadas para uma solução que é, na prática, um perdão, apesar do esperneio do deputado autor do projeto, do próprio Secretário e dos presidentes e diretores de clubes que nela enxergam uma medida justa e necessária para dar aos clubes condições para se reestruturarem e conseguirem realizar suas múltiplas funções – comentarei abaixo. Nesse sentido, o jornalista Paulo Vinicius Coelho fez uma pergunta que expressou o sentimento geral de quem não é presidente de clube e nem membro do governo ou do parlamento:

Será que dessa vez vai?

Será que dessa vez, depois da Timemania, do REFIS e de outras medidas menores sempre beneficiando os clubes e contribuindo para “se reestruturarem”, eles vão conseguir atingir esse objetivo mítico?

Chega a ser curioso como as autoridades públicas dizem que compete aos clubes fomentar o esporte, como preconiza a Constituição, esquecendo-se ser essa uma das atribuições fundamentais do Estado através da educação, usando para tanto as escolas. Até porque fomento do esporte é tarefa de massa, a ser iniciada na chamada primeira infância, ainda, e mantida até a entrada na idade adulta. Clube nenhum pode executar tal função. Essa colocação, entretanto, é sempre muito útil nos discursos que justificam perdões e novos e benéficos acordos para entidades que já recebem um bocado de dinheiro pelo que fazem, mas insistem em gastar mais do que recebem e, boa parte delas, não pagar os impostos e tributos correntes.

Há, porém, uma mudança no cenário e nela o Secretário Toninho Nascimento se apoiou: dessa vez, ao contrário das anteriores, há a previsão de penalidades esportivas aos não pagadores, juntamente com a responsabilização dos dirigentes por meio dos bens pessoais. Sim, pode ser que funcione desde que a lei a ser aprovada seja clara nesse sentido, sem deixar margem a recursos intermináveis. E desde que outra lei seja modificada, permitindo que clubes sejam punidos na esfera judicial com perda de pontos e rebaixamento de divisão.

Diz o povo que gato escaldado tem medo de água fria, daí, certamente, os tais “cansaço” e “pessimismo” mencionados.

 

O jogo do Santa Cruz com o estádio lotado foi muito comentado e considerado como positivo. De fato, é alvissareiro ver o Santa e também o Sampaio Corrêa na Série B. Quem sabe num futuro não muito distante…

Jogos como esse, porém, costumam mesmo atrair grandes públicos. Sempre foi assim, em todas as divisões, em qualquer formato. O desafio brasileiro é encher os estádios, ou ao menos chegar perto disso, nos jogos “pequenos”, os jogos considerados como “sem importância”, algo que, a rigor, não existe, especialmente quando se adota a fórmula simples, correta e justa dos pontos corridos.

 

Outro ponto que “pegou” foi a questão da possível proibição de terceiros poderem deter percentuais diversos do direito econômico de um atleta. Sabemos que esse é mais um desejo da UEFA que da FIFA e, pessoalmente, espero não venha a ser aprovado. O que faz mal ao futebol e ao futebol brasileiro, não é o fatiamento do direito econômico, uma realidade já há bom tempo, e sim a falta de transparência.

Contratos não são revelados, nomes de agentes, empresários e agentes FIFA – atenção! – não são divulgados, assim como nem sempre os nomes e percentuais dos que têm participação no direito econômico vêm a público. Como vimos recentemente na transferência de Neymar, ainda envolta em mistério – assumido publicamente pelo primeiro vice-presidente do Barcelona – e valores divergentes. Lembrando que toda transação internacional tem que passar por um agente FIFA e os nomes desses agentes muito raramente, para não dizer nunca, vem a público.

Explicando o “atenção” colocado acima: recordem essa colocação futuramente. Qualquer dia poderemos ter “surpresas”.

Portanto, menos proibições que, fatalmente, serão dribladas pelo mercado e pela vida real, e mais, muito mais transparência.

 

O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanches, em diversos momentos cutucou a imprensa durante sua participação no painel sobre as novas arenas, que prefiro continuar chamando de estádios até prova em contrário. Reclamando do fato da imprensa criticar os gastos excessivos, mirabolantes até, de clubes já endividados, disse que “quem com a caneta na mão (do outro lado do balcão) não sabe o que se passa”.  Ora, como poderíamos saber com o grau de opacidade que domina o futebol brasileiro, em especial nas prestações de contas? Não é sequer o caso de falar em grau de transparência, de resto muito pouco presente, e sim de opacidade mesmo.

É, pelo jeito eu sou mesmo “pessimista”.

Mas Sanches não se limitou a isso ou a criticar o rival por abaixar preços (política que também foi adotada em sua própria gestão) e ponderou, com propriedade, que os preços dos ingressos brasileiros têm alguns componentes complicados. Como, por exemplo, a “meia entrada”. Um monte de gente paga metade e tem acesso ao produto inteiro. Ou as gratuidades, que no Rio de Janeiro, por exemplo, beiram a raia do absurdo. É a velha política brasileira, dos parlamentares brasileiros, que adoram dar esmola com dinheiro alheio. Muito fácil de fazer por quem não paga as contas e fornece o dinheiro para as benemerências.

Disse mais o ex-presidente do Corinthians: cabe ao mercado determinar o preço do ingresso.

Correto. Não adianta cobrar 200 se o consumidor entender que só vale 100 ou 50 ou 10. Em algum momento, o operador vai sentir o baque no bolso e adaptar-se à realidade do mercado. Esse, porém, é um conceito meio antipático num país acostumado a esperar que o “governo” determine preços. Aprendi no decorrer da vida que temos o pior do capitalismo e praticamente nada do melhor que esse sistema econômico tem a oferecer. O futebol, infelizmente, não é exceção.

 

Repercutiu bastante a crítica de Sanches e dos executivos da OAS e Odebrecht à redução de preços praticada pelo São Paulo. Em parte essa crítica está certa, mas em parte não. O primeiro ponto é que esse é um direito do mandante, que deveria ser Iivre, sempre, para cobrar o quanto quiser. Outro ponto, e esse é merecedor de críticas, é que foi uma decisão emocional, não planejada e que da mesma forma que deu muito certo, poderia ter dado muito errado; o “fator Muricy”, algo não planejado pelos autores da medida, salvou o clube também nas bilheterias.

Futebol hoje é produto caro. Torcedor, todo torcedor, quer que seu time tenha Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar ao mesmo tempo, falando figurativamente. É justo, é muito justo, é justíssimo, recordando antigo bordão. Só que tem um preço para isso e não dá para esperar que o “dinheiro da TV” pague tudo e todas as contas. Ao reduzir muito o preço, de forma não planejada e uma diferenciação de importância e valores de cada partida, o clube corre o risco de desvalorizar seu próprio produto. Até porque quem paga pouco valoriza pouco.

 

Mais uma sobre os bandos de “organizados” que têm trazido perdas sensíveis a diversos clubes: os contratos entre as operadoras das novas arenas e os clubes contêm cláusulas de proteção contra a perda de mandos de campo determinadas pelos tribunais.

Eis um bom motivo para explicar as reclamações de muitos dirigentes – e Andrés Sanches bateu pesado nessas punições no seminário – contra as perdas de mandos de campo, dizendo que os clubes não devem ser punidos por atos de terceiros, chamados de “torcedores”.  Para ele, as penas devem ser somente “técnicas”, jamais na forma de multas ou perdas de mando.

Muito bem, então não se pune os clubes e eles continuarão cedendo entradas, fornecendo entradas para serem vendidas nas sedes dos bandos de “organizados” – prática que agora os grandes paulistas querem extinguir – e permitindo, entre outros benefícios, que lugares dos estádios estejam permanentemente reservados aos membros desses grupos. 

“A TV não deve mostrar a violência.”

É o que pensa o ex-presidente do Corinthians. Dado o absurdo de tal posição não vou comentá-la. Só completar: não é somente ele que pensa dessa forma.

 

Mercado gigante… Segundo estudo da Pluri, que será postado em breve, o conjunto de brasileiros que torcem por um time de futeve, o conjunto de brasileiros que torcem por um time de futebol tem uma receita total de R$ 142,4 bilhões. Desse total, somente R$ 90 milhões chegam aos 30 maiores clubes do país. Esse valor equivale a 0,06% da receita total mensal dos torcedores. Desnecessário dizer que o espaço para crescer é gigantesco, simplesmente.

 

Crescimento foi a tônica das apresentações e debates sobre os programas de sócios-torcedores.

Um destaque: o diretor de marketing do Grêmio apresentou um comercial que ainda será levado ao ar e que tivemos o prazer de ver em primeira mão, que é, simplesmente, espetacular. Absurdamente simples, mas extremamente convincente. Quando ele termina, sério mesmo, dá vontade de virar ST do Grêmio. Espero poder colocá-lo aqui no OCE depois que entrar em veiculação.

Entre os planos do clube e a realidade mostrada pelo representante da AmBev, falando dos resultados do Movimento Por um Futebol Melhor, ficou claro que esse é um caminho sem volta. E agora, possivelmente, com uma boa redução nas taxas de inadimplência, que acompanham automaticamente as performances dos times em campo. Time em alta, taxa em baixa. E vice-versa.

O direito do sócio-torcedor votar passou ao largo das apresentações. Sintomático e preocupante, pois demonstra que a maioria dos clubes continua querendo somente o dinheiro do “sócio” e não a sua participação efetiva.

 

Paulo André falou sobre o Bom Senso FC.

E como falou!

Entre as muitas questões abordadas, e que a imprensa vem repercutindo bastante, há um dado que merece reflexão mais profunda: há somente 678 clubes profissionais no Brasil e, desses, apenas e tão somente 60 têm o calendário inteiro ocupado por jogos. Os demais são clubes que têm times sazonais. Terminou a curta temporada, acabou o time.

 

O debate final, que aguardava com interesse, acabou por ser meio frustrante. Pouco se falou do conceito de “superclube”, e muito se falou em supertimes. De qualquer, como disse Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, há necessidade de mudança, de um verdadeiro choque de gestão, com mudanças profundas na governança, com o que concordou o presidente do Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia.

Como era de se esperar, a questão dos direitos de TV foi abordada e, novamente, sob um ângulo equivocado, como fez Petraglia ao falar na necessidade de “quebrar o monopólio da Globo”. É comum no Brasil pegar-se uma palavra forte, impactante, e usá-la para toda e qualquer coisa, ignorando seu real significado, como acontece nesse caso.

A liga “independente” voltou à tona. É curioso como todos querem, mas querem não querendo ou nada fazendo para tentar viabilizá-la. Curiosamente, tanto Petraglia como Rosenberg atacaram pesadamente o Clube dos 13. Há coisas que talvez nem Freud consiga explicar.

 

Há mudanças em curso e o II Fórum do Futebol Brasileiro deixou isso muito claro. Aguarda-se para esse ano ainda, muito provavelmente na forma de Medida Provisória da Presidência da República, como esse OCE já anunciou aos seus leitores, a aprovação do PROFORTE, objeto de desejo de onze em cada dez presidentes de clube de futebol.

A reeleição de presidentes em clubes e federações que recebem algum tipo de benefício fiscal passou a ser proibida. Fala-se muito na volta da venda de bebidas alcoólicas de baixo teor, aguarda-se a entrada em operação plena dos novos estádios, os jogadores cobram mudanças, aparecendo como agentes ativos no futebol e não mais como meros joguetes, inclusive de sindicatos, cresce a percepção da origem da violência e a necessidade de controlá-la e, dada a inevitabilidade do projeto que, apesar da já citada reação negativa dos envolvidos, talvez, quem sabe dessa vez, venha a fazer com que os clubes entrem na linha, como se dizia antigamente.

Quem sabe dessa vez?

 

Os prêmios

Tive a honra e o prazer de ser, uma vez mais, um dos 25 jurados para a escolha do Melhor Executivo de Futebol de 2012 – vencido por Edu Gaspar, Corinthians e do Melhor Executivo de Marketing de 2012 – com Jorge Avancini, do Internacional, conquistando o bicampeonato.

Por somatórias de pontos em diversos critérios, o Corinthians levou o bicampeonato como o clube com com Maior Transparência Financeira e também o Mais Eficiente na Gestão do Futebol.

O Clube Atlético Paranaense venceu a categoria Melhor Estrutura Financeira.

Nesse ano, os indicados para as escolhas que serão feitas em 2014, são profissionais do Atlético Paranaense, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio e São Paulo no Marketing. No futebol os indicados são do Atlético Mineiro, Paranaense, Botafogo, Chapecoense e Cruzeiro. Temos, portanto, alguns novos nomes na área, uma notícia excelente.

Meus parabéns aos organizadores e responsáveis pelo evento: a Brasil Sports Market, com apoio da Trevisan Escola de Negócios, Pluri Consultoria e Fanclub.

 

Mercado já está agitado. Os clubes que se danem

Leia o post original por Mion

  O Brasileirão chega à reta final. Chegou a hora do sprint final em busca do título, vaga na Libertadores ou Sul-Americana e para outros fugir da Série B. E o que vemos e ouvimos nos noticiários? Valdivia interessa ao Flamengo, Bota está de olho em Walter do Goiás. Também alguns ensaiam o retorno ao Brasil, outros estudam propostas para saírem em janeiro. E os objetivos dos clubes? Nada muda o comportamento de empresários (principalmente), jogadores e até dirigentes. As barganhas tomam conta de seus telefones.

Qualquer jogador ao retornar do exterior vem com salários acima de 300 mil reais. Até aqui no país temos alguns ganhando quantias similares ou maiores. Sinceramente não acredito que os jogadores fiquem com toda esta grana. Deve ter muita gente “mamando na teta”. Este desespero em antecipar negociações em pleno campeonato só tem uma justificativa: muita grana correndo para todos os lados.

Não sei se empresários, dirigentes, familiares dos atletas, ou até técnicos. No campo das fofocas falam muito sobre isso, tem treinador que “belisca” uma pontinha para indicar e forçar a aquisição de determinado jogador. Sei que em pleno outubro o mercado enlouquece visando o ano que vem.

Talvez o futebol esteja no caminho de certos políticos. Há mais de 30 anos, existia um político muito malandro. Vou preservar o nome por não estar mais vivo, não vou sujar a memória do falecido e da família. Ele vivia reclamando da falta de recursos para as campanhas de reeleição, porém sempre dava um jeito e fazia milhares de votos.

Em uma conversa com amigos, após doses de whisky, contou seu segredo: “se eu faço algum esquema (corrupção com dinheiro público é lógico) e pego 500 paus, fico só com 100. O restante preciso dividir entre inimigos para calarem a boca e amigos que continuem me elogiando. Assim a reeleição fica bem encaminhada”.

Será que o futebol também segue o mesmo enredo? Vamos combinar, muita gente fatura 300 mil reais mensais e vive lesionado ou suspenso. Apesar disso os clubes renovam os seus contratos. Tem que existir algo de estranho, ainda mais em um futebol falido com clubes cheios de dívidas e sem recursos muitas vezes para pagar salários e até água e luz.

Janela de verão agitada e a UEFA à espreita

Leia o post original por Emerson Gonçalves

 

Cavani no Paris Saint-Germain – € 64 milhões.

Falcão e Rodriguez no Monaco – € 105 milhões.

Fernandinho no Manchester City – € 40 milhões.

Os dois novos ricos dominam o cenário e esbanjam euros, vindos do Qatar para o PSG e do novo bilionário russo no mundo da bola para o Monaco, agitando fortemente a atual janela de transferências na Europa.  

Guarde esse nome: Dmitry Rybolovlev. Enquanto Roman Abramovich vai ficando mais discreto (ou menos ostensivo) e seu Chelsea mais adaptado ao mercado, Rybolovlev começa a ocupar as manchetes. Podemos dizer que parte pequena de sua fortuna tem origem no Brasil, já que ele era o dono da Uralkali, empresa russa de mineração de potássio, uma das fornecedoras desse mineral essencial às lavouras (é o K da trinca básica NPK) para o Brasil. Dmitry (um pouco de intimidade não faz mal) é menos famoso por comprar o Monaco do que por comprar de Will Smith sua mansão no Havaí, ou a mansão que Donald Trump tinha em Palm Beach, por 95 milhões de dólares em 2008. Outra compra que deu o que falar foi a da casa em que mora, em Mônaco (optei por manter o nome do time pela grafia original, sem acento, usando o acento para o principado), chamada La Belle Époque, pela qual, comenta-se, pagou mais de 300 milhões de dólares.

Pois é, esse post parece mais adequado a uma revista de “quem é quem e tem o que” do que a um blog de futebol, mas essas informações têm importância, pois dão uma dimensão de quem é o dono do time e ajudam a entender a facilidade com que milhões de euros são usados para a contratação de grandes – ou simplesmente caros – jogadores.

O outro novo “novo rico” citado, o Paris Saint-Germain, dispendeu mais de € 300 milhões em contratações nos últimos dois anos. Cavani, o astro mais recente, junta-se a um grupo que conta com outras estrelas vindas do futebol italiano (a crise econômica ajuda a entender essa concentração), como Ibrahimovic, Thiago Silva, Pastore e Lavezzi, com quem jogou junto. O PSG é presidido por Nasser Al-Khelaifi em nome da Qatar Sports Investment, empresa criada para investir em esportes no Qatar e em outros países, como parte de um planejamento de estado que engloba a Copa 2022. O novo dirigente máximo do país, o Sheik Tamim bin Hamad Al Thani, o mais jovem entre os dirigentes árabes (33 anos), está por trás da QSI, segundo o diário espanhol El País. Uma garantia de que dinheiro não é e nunca será problema, mas poderá ser cada vez mais, como já começou a ser, uma fonte de problemas junto à UEFA.

O Manchester City do Sheik Mansour bin Zayed gastou pouco até o momento. O destaque fica com o brasileiro Fernandinho, contratado ao Shakhtar Donetsk por € 40 milhões. E o Chelsea, com Mourinho agora definindo claramente quem quer e o quanto poderá pagar para tê-lo, está na moita, esperando não se sabe bem o quê, por enquanto.

Certamente, o treinador/manager do Chelsea está em moita diferente da ocupada pelo pessoal da UEFA, especificamente quem tem relação com as normas do Financial Fair Play e seu cumprimento. Dos clubes citados, o que precisa tomar mais cuidado, agora que o Málaga já foi punido, é o Paris Saint-Germain, e não somente pelas contratações que custaram uma montanha de euros. De 2011 para 2012 houve uma entrada não detalhada de recursos – na categoria “outros” – no valor de € 125 milhões. Sem essa entrada de recursos, o balanço do clube fecharia com um prejuízo de € 130 milhões. Posteriormente, vazou a informação que a Qatar Investments Authority patrocinaria o clube com absurdos € 200 milhões, sem sequer ter o nome na camisa, apenas para usar o prestígio – qual? – do clube e divulgar o país. Vieram desmentidos, “não é bem assim”, mas o clube entrou definitivamente na alça de mira do comitê da UEFA responsável pela análise dos clubes em relação ao FFP.

Diante de tudo isso, não será surpresa se, subitamente, Thiago Silva for para o Barcelona (onde David Luiz, penso eu, cairia melhor) e Ibra confirmar sua saída e a declaração fora de hora do presidente do Napoli, durante a negociação de Cavani, de que ambos não jogariam juntos, pois o sueco sairia do PSG.

Essas duas saídas, desde que sem alguma outra contratação milionária, deixariam o clube em situação menos problemática em relação ao Fair Play Financeiro, tanto na conta de investimentos como na de salários, a exemplo do que ocorreu com a saída de Tevez do City, que deu uma ligeira folga ao clube. Com sua saída, Carlitos deixou uma “folga” de € 30 milhões, combinação da depreciação anual de sua contratação (tinha, ainda, um ano de contrato), salários e bônus (€ 12 milhões de salário, € 7,5 milhões de bônus e € 10,5 milhões em depreciação).

Enquanto isso, as atenções começam a se dividir, também, com o Monaco de Rybolovlev.

O Barcelona continua falando em € 57 milhões por Neymar e o Santos em 17,1. Para complicar mais um pouco, Zubizarreta jactou-se de que o que todos diziam que custaria 90 ficou por apenas 57. Segue a pergunta: para onde foram os outros € 40 milhões?

 

Atualização: Agora é Hulk?

 

O Monaco, se confirmada a transferência de Hulk (veja aqui a matéria no GloboEsporte.com), vai chegar perto de € 200 milhões somente nessa janela de verão, além de virar uma “sucursal” do Porto, com Moutinho, Falcão e Rodriguez.

Além dos cuidados com a UEFA, o Monaco, que parece gostar de viver nas bordas mais violentas de um furacâo (e não no olho, que é uma calmaria só), enfrenta também forte pressão da Liga Francesa e dos demais rivais, pois o Principado de Mônaco não tem taxação de impostos para moradores estrangeiros, somente para franceses. Essa condição faz com que um salário de dez milhões de euros anuais valha muito  mais na pequena cidade dos cassinos do que em Paris ou Lyon ou Marselha.

Complicado mesmo será escapar do peso do FFP. Em 2011/2012, por exemplo, a receita operacional do Monaco foi de irrisórios 21 milhões de euros contra 137 milhões do Olympique de Marseille. Suas despesas, principalmente salários, totalizaram 48 milhões contra 164 milhões do rival marselhês. Ou seja, enquanto o Marseille gastou 19,5% a mais do que arrecadou operacionalmente, o Monaco gastou 128,6% a mais. 

Tricolor reconquista o mercado europeu

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 22/05/1981

O São Paulo Futebol Clube começa agora a reconquistar o mercado internacional. Possui uma equipe composta por muitos jogadores que integram a Seleção Brasileira e alguns já conhecidos mundialmente. O clube agiu com arrojo, buscando atrair os torcedores e conquistar títulos. Conseguiu o título regional, foi a agremiação que mais cedeu jogadores ao selecionado e por muito pouco não alcançou o título brasileiro, entretanto, tem presença certa na Taça Libertadores da América e pode chegar ao título mundial interclubes.

Para manter um investimento desse porte o São Paulo necessita excursionar, jogar em outros continentes em busca de cotas razoáveis. Precisa usufruir de elenco que tem, trabalhando para reconquistar um mercado que foi esquecido, abandonado, mal trabalhado e que por resultados negativos ficou muito arranhado para o futebol brasileiro. Com a presença da Seleção no Mundialito, com a conquista da vaga para a Copa do Mundo da Espanha e depois da magnífica excursão pela Europa do selecionado, este é o momento do São Paulo aparecer e enaltecer ainda mais a figura do nosso futebol.

Aqui em Milão, onde o povo é entusiasmado pelo futebol, os brasileiros são vistos novamente como os hábeis e criativos jogadores sul-americanos. O prestígio voltou a superar os campeões mundiais argentinos. O São Paulo recebeu pela partida contra o Milan uma cota livre de 75 mil dólares, enquanto o River Plate consegue jogar por 40 mil dólares.

Na medida em que o São Paulo for marcando sua presença com espetáculos agradáveis, coloridos, vitoriosos, as cotas aumentarão e os convites para amistosos internacionais surgirão intensamente. A Europa aprecia bons jogos, adora a habilidade.

AQUI A TELEVISÃO JÁ OFERECEU 15 MILHÕES DE DÓLARES para transmitir diretamente o melhor jogo de cada rodada. Há a venda antecipada de todos os jogos dos clubes em espécie de carnês, publicidade nos uniformes e nos estádios. As rendas alternativas são realmente palpáveis.

O São Paulo deve estar reconhecido ao Selecionado Brasileiro que ajudou sensivelmente a promover a volta da bela imagem do futebol do Brasil. Se existe um clube que pode mantê-la, funcionando como um autêntico embaixador é o próprio São Paulo. Mas para isso precisa contar com um calendário inteligente talvez em 82 que permita a manutenção de um intercâmbio positivo entre o futebol brasileiro e o europeu. Os jogadores sabem da importância desta série de amistosos:

“É claro que o São Paulo – afirmou Waldir Peres – sabe o que quer e onde quer chegar. Estes jogos programados podem ser um pouco cansativos mas indiscutivelmente serão realizados num bom momento do futebol brasileiro. Depois dos resultados do Selecionado Brasileiro este é o instante ideal para reforçar a imagem e abrir novamente um campo que estava fechado”.

Waldir Peres falava com muita convicção, confiança, mesmo sem saber ainda que o futebol brasileiro, horas antes, tinha aparecido na bolsa de apostas de Londres, como o mais cotado para ganhar a Copa do Mundo de 82, na Espanha.

Zé Sérgio, ainda demonstra sintomas de abatimento por ter perdido a posição de titular do selecionado de Telê Santana:

“O que passou não interessa mais. Admito que caí de produção mas gostaria de ter tido maiores oportunidades nesta última excursão. O Éder está jogando bem e resta apenas treinar muito e lutar para ganhar novamente a posição de titular. Esta série de amistosos do São Paulo servirá para o surgimento do entrosamento do time do, para a valorização do clube e dos jogadores. O futebol da Europa gosta do futebol brasileiro e boas apresentações podem provocar o surgimento de ótimas propostas para agremiações e atletas”.

Renato, jogou alguns minutos na excursão do selecionado pela Europa e são muitos os que afirmam e mostram o jogador como um avante dentro dos planos de Telê Santana:

“Não podemos perder tempo dentro do futebol, não são muitos os momentos em que surgem grandes chances e oportunidades para a divulgação. Vitórias fora do País, projetam interesse de outros grandes clubes para amistosos e o São Paulo ganhará com isso e os jogadores também ganharão”.

Oscar, depois das partidas contra Inglaterra, França e Alemanha Ocidental, está sendo mostrado como titular do selecionado, um jogador de grande eficiência e tem sido procurado por jornalistas de todos os continentes:

“Sinto que estou voltando a jogar o meu melhor futebol. Precisava encontrar a minha verdadeira forma e ela apareceu na hora certa. Tenho certeza que os bons ventos atingiram o futebol brasileiro e daqui para frente tudo dará certo. A Seleção por exemplo está crescendo no momento ideal e chegará na Espanha com força total”.

“O São Paulo conseguirá reconquistar os apreciadores do futebol brasileiro. Futebol não tem segredo: dá certo com vitórias e bons jogadores e confio no time”.

O São Paulo não esconde o interesse por Enéas, mas está um tanto assustado pelo preço do passe – 1, 5 milhão de dólares. Para contragolpear aceita vender Serginho pelo mesmo preço. Diz que não liberará Zé Sérgio por menos de 2,5 milhões de dólares e não pensa ainda em abrir o preço de Renato, Oscar e Waldir Peres. Além da intenção de reconquistar o mercado internacional através de vitórias e espetáculos, o São Paulo está adquirindo experiência contatando pessoas, clubes, estilos, costumes.

O São Paulo quer jogar alto, pesado. O São Paulo fala de milhões de dólares. Sabe que os preços das passagens aéreas são altos, os custos de hospedagem, transporte, alimentação subiram muito. Têm certeza que o mercado não aceitará meias soluções. O mercado recebe com carinho e respeito grandes soluções. E o clube paulista pretende acenar com a solução para os grandes jogos e decisões.