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Desempenho acima do resultado

Leia o post original por Rica Perrone

Cobra-se do futebol um melhor critério de avaliação na hora de demitir pessoas. Eu concordo, tanto concordo que acho a demissão do Micale justa. Porque ele não merecia créditos após o ouro olímpico? Não. Porque a seleção conquistou o ouro sem jogar um bom futebol.  Acontece? Sim, pra caralho, o tempo todo. A gente tem “pena” …

Brasil deve seguir um caminho

Leia o post original por Flavio Prado

O Brasil sofreu nos últimos anos no futebol e deve continuar sofrendo pelo menos por mais algum tempo. A eliminatória para a Copa de 2018 promete ser equilibrada e difícil até o final. Existe sim a chance real do Brasil não estar na Rússia.

A chegada de Tite é positiva. A seleção será dirigida pelo melhor técnico brasileiro. Em quase todas as derrotas o maior questionamento é sobre a postura dos jogadores, a análise fica superficial, quase sempre tudo fica resumido a raça e vontade.

O jogo em si é pouco discutido. Quase não falamos de modelo de jogo, consideramos normal uma interrupção da linha de trabalho e a troca por um estilo completamente diferente, ainda não entendemos as mudanças dos últimos anos e a força cada vez maior do jogo coletivo.

A seleção olímpica de Rogério Micale não foi brilhante, começou mal, ajustou, reagiu e cresceu. Fez bons jogos, uma ótima semifinal contra Honduras, independente da qualidade do adversário e uma final abaixo do adversário no jogo coletivo.

Mas um fator foi muito positivo, o Brasil tinha uma proposta e isso ficou claro. Uma das ideias de Micale era tentar uma formação utilizando os quatro atacantes, Gabriel, Neymar, Gabriel Jesus e Luan. Treinou essa alternativa em Teresópolis, tentou fazer no amistoso contra o Japão, desistiu em 17 minutos, contra a África do Sul funcionou um pouco melhor, contra a Iraque foram apenas 9 minutos, a ideia na prática não estava funcionando. Mas Micale não desistiu e iniciou com os 4 contra a Dinamarca, jogo em que corria risco de eliminação. Gabriel e Gabriel Jesus pelos lados, Neymar e Luan por dentro, deu certo, o time fez boa partida e cresceu na competição.

Ajustes foram feitas, Walace entrou no time, Renato Augusto recuou e qualificou a saída de bola, Neymar e Luan conseguiam entender o momento de acelerar e cadenciar e Gabriel e Gabriel Jesus eram perigosos entrando na diagonal e fechavam os lados sem a bola.

O objetivo sempre foi propor o jogo e isso não deixou o time exposto. Com a linha adiantada, Marquinhos e Rodrigo Caio encaixaram bem pela velocidade e técnica e o time todo apertava o jogador que tinha a bola, dificilmente o adversário ultrapassava as linhas com tranquilidade.

Focamos muito nos resultados, claro que são importantes, mas para chegar em grandes resultados um caminho precisa ser percorrido. O Brasil deve buscar esse caminho, normalmente é feito o caminho inverso, mudanças radicais a cada derrota e normalmente o novo caminho escolhido é o oposto do anterior. O Brasil precisa buscar uma identidade, um modelo de jogo e seguir, derrotas e tropeços vão acontecer no meio do caminho, mas se não seguir em frente, o time não sai do lugar.

Vitória tranquila do Brasil

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: NELSON ALMEIDA/AFP
Foto: NELSON ALMEIDA/AFP

A Seleção Brasileira venceu a Dinamarca com tranquilidade em Salvador e agora enfrenta a Colômbia nas quartas.

Micale iniciou com os quatro atacantes. Manteve Gabriel na direita, abriu Gabriel Jesus na esquerda e colocou Neymar e Luan por dentro, com o gremista dentro da área na maior parte do tempo.

Nos jogos anteriores, o time caiu de produção com os quatro juntos, mas desta vez foi diferente. Neymar fez muito bem a função pelo meio, soube o momento de cadenciar e o momento de acelerar.

O gol cedo deu tranquilidade. Nos outros jogos, a ansiedade tomou conta, conforme o tempo passava e o gol não saía.

Foi a primeira boa atuação coletiva da Seleção, com isso o individual cresce. Gostamos de criar heróis e vilões, claro que existem os destaques negativos e positivos, mas se o coletivo não funcionar o time não anda. O individual pode resolver alguns jogos pontualmente, mas não um campeonato.

Brasil começa mal

Leia o post original por Flavio Prado

(Foto: Evaristo Sá/AFP)
(Foto: Evaristo Sá/AFP)

Não foi boa a estreia do Brasil na Olimpíada. O resultado, claro que não foi bom, mas a atuação é sempre o que mais preocupa.

Como já falei em outras oportunidades, gosto da ideia de jogo do técnico Rogério Micale, mas ela não foi bem executada contra a África do Sul.

Com a marcação adiantada, contra um adversário fechado, as inversões de jogo são necessárias para mexer com a linha de defesa adversária e isso pode abrir espaços. Faltou também paciência para trabalhar a bola, o time acelerou muito, isso dificulta para entrar em uma defesa fechada e dá chance para o contra-ataque.

O Brasil tem um time forte, está com praticamente sua força máxima sub-23, pode e deve crescer ao longo da competição, mas algumas situações dentro da proposta de jogo de Micale devem ser melhoradas.

Seleção deixa boa impressão

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: AFP
Foto: AFP

No último amistoso antes da Olimpíada, o Brasil fez boa partida contra o Japão. O principal ponto não é o resultado do jogo e nem a qualidade do adversário.

Rogério Micale tem conceitos de jogo que me agradam. Marcação adiantada, pressão para rápida recuperação de bola e movimentação ofensiva, isso cria um ótimo volume de jogo.

No início do jogo, alguns pontos dificultaram a atuação do time. A defesa japonesa muito fechada não permitia espaços, neste momento faltou usar um pouco mais as inversões de lado, que é outro conceito importante nesta proposta de jogo.

Algumas observações podem ser feitas:

-O trio Gabriel, Neymar e Gabriel Jesus se entendeu muito bem, todos rápidos, habilidosos e goleadores.

-Com os pontas caindo muitas vezes para o meio, é necessária a passagem dos laterais, Douglas Santos faz muito bem essa função, Zeca ainda está tímido.

-Com Marquinhos e Rodrigo Caio, o Brasil tem dois zagueiros rápidos e com boa técnica, ótimo para o conceito aplicado.

– Renato Augusto pode ajudar muito na saída de bola, o jogador para encaixar um passe no meio da linha adversária.

-A experiência com os 4 atacantes juntos não foi boa, sem Felipe Anderson o time acelerou muito e perdeu um pouco do controle do jogo.

As ideias são boas, o conceito é legal e acho que não deve ficar limitada aos jogos olímpicos, a seleção precisa ter um caminho, uma ideia de jogo e esta é muito boa.

Brasil é o único com força total no futebol olímpico

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: Lucas Figueiredo/MoWA Press
Foto: Lucas Figueiredo/MoWA Press

Nas últimas edições das Olimpíadas, a seleção de futebol tem sido cobrada pela conquista da medalha de ouro. Com os jogos no Rio de Janeiro, a cobrança ficou ainda maior e o Brasil prioriza a competição. Neymar, a grande estrela da seleção, ficou fora da Copa América com o time principal para disputar os jogos com a equipe sub-23.

As outras seleções chegarão ao Brasil bastante desfalcadas. O futebol olímpico não está incluído no calendário oficial da Fifa e isso dificulta a liberação dos atletas e os outros países não fazem tanta questão de reverter a situação.

O Brasil vem com seus melhores jogadores sub-23, apenas Ederson, Fabinho e Fred não foram liberados. A CBF lutou e conseguiu as liberações de Marquinhos e Felipe Anderson. Entre os convocados acima da idade, a seleção terá Neymar, sua grande estrela, Renato Augusto, titular nos últimos jogos com Dunga e o goleiro Fernando Prass.

Alemanha e Portugal são as principais seleções da Europa na competição. Muitos jogadores sub-23 disputaram a Eurocopa e não jogarão no Rio. A Alemanha não terá Kimmich, Sané, Draxler, Tah e Weigl. Portugal virá sem Wiliam Carvalho, Raphael Guerrero, Renato Sanchez e João Mário. Além disso, nem pensaram em convocar suas grandes estrelas acima da idade limite, assim como a Suécia não convocou Ibrahimovic.

Na América do Sul, a Argentina não conseguiu a liberação de atletas como Kranevitter, Vieto e Dybala e perdeu Lanzini machucado. O único acima dos 23 anos é o goleiro Rulli, que não é o titular da seleção principal, Messi nem foi cogitado. A Colômbia trará entre os jogadores mais velhos o atacante Pabón, que teve uma passagem apagada pelo São Paulo e que não faz parte do time principal, entre os mais jovens o grande destaque é Borja, artilheiro do Atlético Nacional.

Existe uma clara diferença entre a forma que o Brasil encara o futebol na Olimpíada em relação as outras seleções. No papel, o Brasil tem o time mais forte e se preparou com amistosos nos últimos anos. Gosto muito das ideias de Rogério Micale, o Brasil deve apresentar um futebol ofensivo, com marcação adiantada e alta posse de bola, será um aspecto interessante nos jogos e pode deixar algum legado.

A dúvida é de como será a reação da seleção que chega com uma cobrança enorme de vitória. Na Copa do Mundo em casa, o time não reagiu bem, mas era uma outra seleção, em 2014 não era um time pronto para conquistar o Mundial e era cobrado como se fosse. Agora parece ser realmente o time mais bem preparado.