Arquivo da categoria: Modesto Roma

Mirem-se no Vasco

Leia o post original por Odir Cunha


Na Copa do Brasil do ano passado foi assim…

O Vasco é o adversário que o Santos precisa vencer logo mais, às 21h45, na Vila Belmiro, para continuar sonhando com o título brasileiro, mas também é o clube que em sua eleição presidencial, concluída ontem, nos deu uma lição do que não fazer para dividir as oposições e deixar o poder novamente nas mãos de um cartola do futebol adepto de velhos e discutíveis métodos de dirigir um clube, como é o senhor Eurico Miranda.

Das três chapas que concorriam à eleição vascaína, uma era a do atual presidente, o eterno Eurico Miranda, e outras duas de opositores: Julio Brant e Fernando Horta. Apenas pouco antes de começar a apuração Horta resolveu desistir e passou a pedir a seus seguidores que votassem em Brant, mas já era tarde. Eurico acabou sendo reeleito com 2.111 votos, contra 1.975 de Brant. O detalhe é que o desistente Fernando Horta teve 421 votos, que somados aos de Julio Brant teriam dado uma vitória folgada a este oposicionista.

Tememos que o mesmo possa ocorrer no Santos. Se Andrés Rueda e Nabil Khaznadar não se unirem a José Carlos Peres em uma chapa única de oposição, a reeleição de Modesto Roma se tornará bastante provável na eleição de 9 de dezembro. Como as filosofias de Peres, Rueda e Nabil são bem parecidas, o mais sensato é que estejam juntos, tornando a eleição santista um embate de ideias e procedimentos opostos e dando aos eleitores duas opções de voto claramente distintas.

Jogo é perigoso, mas Santos é favorito

Quanto ao jogo de hoje, vejo o Vasco com um elenco inferior ao do Atlético Mineiro, que o Santos derrotou sábado, porém com um espírito competitivo maior. Quem sabe aliviado pelo fim da eleição no clube, o time se solte e se empenhe em busca de uma vaga na Copa Libertadores. Respeito o atacante Nenê, que sempre joga bem contra o Santos. Apesar disso, porém, não dá para não considerar o Alvinegro Praiano como o favorito do confronto.

O técnico Elano, até agora com três jogos e três vitórias, deverá escalar o time com Vanderlei, Victor Ferraz, Lucas Veríssimo, David Braz e Caju (ou Jean Mota); Alison, Renato e Lucas Lima; Arthur Gomes, Bruno Henrique e Ricardo Oliveira. Essa equipe tem um bom sistema defensivo, melhorou muito no meio de campo com o crescimento de Alison e a volta de Renato, e também possui um ataque respeitável, em que a experiência de Ricardo Oliveira combina bem com a impetuosidade do garoto Arthur Gomes e a onipresença de Bruno Henrique, que vive a sua melhor fase no Santos.

O Vasco, do técnico Zé Ricardo, deve iniciar a partida com Gabriel Félix, Gilberto, Breno, Paulão e Henrique; Jean, Wellington, Pikachu, Mateus e Nenê; Andrés Ríos. A arbitragem será de Rafael Traci, auxiliado por Pedro Martinelli Christino e Rafael Trombeta, todos do Paraná. O jogo será transmitido pela TV Globo para quase todos os Estados.
Caminhada para o título

Faltam seis rodadas para acabar o campeonato e alguém pode dizer, com razão, que é muito difícil o Santos ganhar seis jogos consecutivos, três deles fora de casa. Eu concordo. Porém, a matemática tem as suas mágicas. Analisados um a um, todos os embates santistas até o fim da competição são ganháveis, a começar pela partida de hoje.

Os adversários de melhor técnica serão o Grêmio, na Vila, e o Flamengo, no Rio, porém estes estarão mais interessados em outras competições e provavelmente joguem com times mistos. Considero Chapecoense e Bahia, que receberão o Santos em suas casas, adversários difíceis também, mas é inegável que o Alvinegro Praiano tem mais possibilidades que ambos.

Quanto ao líder da competição, terá apenas um jogo em que é franco favorito: o Avaí, no Itaquerão. No mais, sairá para enfrentar Atlético Paranaense, Flamengo e Sport, e receberá os tradicionais Fluminense e Atlético Mineiro. Como vem cumprindo uma campanha muito fraca no segundo turno, não me surpreenderia se o alvinegro paulistano perdesse pontos em todos essas cinco partidas.

Mudança de domicílio eleitoral
Você que é sócio do Santos e quer votar em São Paulo no dia 9 de dezembro, deve enviar um e-mail para o endereço domicilioeleitoral@santostd.com.br avisando que pretende votar em São Paulo. O e-mail deve conter o seu nome completo, número do CPF e número de sua carteirinha de sócio do Santos. No dia da eleição, compareça à sede da Federação Paulista de Futebol, na rua de mesmo nome, Barra Funda, com sua carteirinha do Santos e um documento de identidade com foto.

E você, o que acha disso?

EMPREGO PARA TODOS

chapa cabide gigante pintada

Meus amigos e minhas amigas, a imagem acima me foi enviada por um amigo que mora em Santos e a recebeu esses dias. “Veja Odir”, diz ele, “o gesto generoso da chapa Santos Gigante, do candidato à reeleição Modesto Roma, pois quer acabar com o desemprego, ao menos entre os seus seguidores”. No começo não entendi muito bem, já que não sou dos santistas mais inteligentes, mas depois notei o inusitado e generoso item que pergunta ao pretendente a uma vaga no Conselho Deliberativo do Santos: “Você pleiteia ocupar cargo remunerado no clube? ( ) Não ( ) Sim. Se sim qual?“

Que maravilha. Como todos gostaríamos de ser tão astutos a ponto de desvendar a mágica desta dadivosa chapa. O país ainda está em crise e o número de desempregados beira os 13 milhões, a Prefeitura de Santos sofre com seus cofres às moscas, a dívida do nosso querido Alvinegro Praiano aumenta a cada trimestre e já ultrapassa meio bilhão de reais, a falta de pagamento de obrigações e impostos pode fazer o Santos perder o CT Rei Pelé e o CT da base, não há dinheiro para contratações e muito menos para obras patrimoniais, mas esse brilhante presidente oferece cargos no clube como quem serve omelete de bacon.

O curioso é que o Santos já tem o dobro de funcionários do Bayern de Munique, apesar de não alcançar nem sombra da eficiência do clube alemão. Como conselheiro, testemunhei o Conselho Fiscal alertar reiteradamente a direção do clube para que reduzisse as despesas, mas elas só aumentaram nesses três anos, principalmente com a contratação desmedida de funcionários. Falei sobre isso com o meu amigo santista e ele contou o que ouviu de um velho funcionário do clube:

“Trabalho no Santos há muito tempo e há anos não tenho um aumento. Mas todo dia esbarro com gente no corredor que nunca vi antes e que já ganha mais do que eu”.

Não se sabe ao certo a quantidade desses novos funcionários vindos pela agência de empreg…, ou melhor, pela administração Santos Gigante, mas os relatórios apresentados pelo Conselho Fiscal indicam que são mais de 300. Como a chapa terá de reunir 240 nomes para o Conselho Deliberativo, e como a maioria pedirá um empreguinho na sagrada instituição alvinegra, fico aqui imaginando como o presidente Modesto Roma fará para acochambrar todo mundo no Santos e ainda arrumar dinheiro para pagar as dívidas do clube. Quem sou eu, porém, para duvidar da capacidade de líder tão brilhante e altruísta.

Vejo, evidentemente, um lado bastante criativo nessa iniciativa de oferecer emprego aos que apoiam a chapa Santos Gigante. Isso evita a burocracia e diminui a perda de tempo nas negociações. É o tipo da coisa: “Você me ajuda a continuar no poder e eu uso o dinheiro do clube para lhe dar um emprego”. É cômodo para os dois lados. Confesso, porém, que na Somos todos Santos jamais cogitamos e jamais faríamos algo assim. Acreditamos em algo que parece fora de moda no momento, que se chama ÉTICA.

Sei que esse meu papo parece careta. Para muitos, a pergunta inserida na ficha de inscrição da chapa Santos Gigante abre mil oportunidades. Esse meu amigo de Santos disse que pretende dizer que quer trabalhar no clube no cargo do superintendente Dagoberto dos Santos. Outros podem preferir o lugar do técnico Elano, ou do centroavante Kayke, ou do milionário reserva Leandro Donizete… Enfim, vai que sobra uma vaga e, de repente, você está empregado com um salário acima do mercado. Todos os sonhos são possíveis em uma administração inchad…, ou melhor, gigante.

Em uma coisa eu e meu amigo concordamos: esse milagre, infelizmente, tem prazo de validade e ele é bem curto. A previsão de despesas e receitas indica que 2018 será um ano muito difícil para o Santos. O aconselhável seria tomar medidas urgentes para o equilíbrio financeiro do clube, e se a chapa Santos Gigante ganhar a eleição e continuar contratando funcionários a torto e a direito, essa estará longe de ser uma decisão sensata. Porém, repito, quem sou eu para duvidar de gênios da economia e da política?

E você, o que acha disso?


Emprego para todos

Leia o post original por Odir Cunha

chapa cabide gigante pintada

Meus amigos e minhas amigas, a imagem acima me foi enviada por um amigo que mora em Santos e a recebeu esses dias. “Veja Odir”, diz ele, “o gesto generoso da chapa Santos Gigante, do candidato à reeleição Modesto Roma, pois quer acabar com o desemprego, ao menos entre os seus seguidores”. No começo não entendi muito bem, já que não sou dos santistas mais inteligentes, mas depois notei o inusitado e generoso item que pergunta ao pretendente a uma vaga no Conselho Deliberativo do Santos: “Você pleiteia ocupar cargo remunerado no clube? ( ) Não ( ) Sim. Se sim qual?“

Que maravilha. Como todos gostaríamos de ser tão astutos a ponto de desvendar a mágica desta elástica chapa. O país ainda está em crise e o número de desempregados beira os 13 milhões, a Prefeitura de Santos sofre com seus cofres às moscas, a dívida do nosso querido Alvinegro Praiano aumenta a cada trimestre e já ultrapassa meio bilhão de reais, a falta de pagamento de obrigações e impostos pode fazer o Santos perder o CT Rei Pelé e o CT da base, não há dinheiro para contratações e muito menos para obras patrimoniais, mas esse brilhante presidente oferece cargos no clube como quem serve omelete de bacon.

O curioso é que o Santos já tem o dobro de funcionários do Bayern de Munique, apesar de não alcançar nem sombra da eficiência do clube alemão. Como conselheiro, testemunhei o Conselho Fiscal alertar reiteradamente a direção do clube para que reduzisse as despesas, mas elas só aumentaram nesses três anos, principalmente com a contratação desmedida de funcionários. Falei sobre isso com o meu amigo santista e ele contou o que ouviu de um velho funcionário do clube:

“Trabalho no Santos há muito tempo e há anos não tenho um aumento. Mas todo dia esbarro com gente no corredor que nunca vi antes e que já ganha mais do que eu”.

Não se sabe ao certo a quantidade desses novos funcionários vindos pela agência de empreg…, ou melhor, pela administração Santos Gigante, mas os relatórios apresentados pelo Conselho Fiscal indicam que são mais de 300. Como a chapa terá de reunir 240 nomes para o Conselho Deliberativo, e como a maioria pedirá um empreguinho na sagrada instituição alvinegra, fico aqui imaginando como o presidente Modesto Roma fará para acochambrar todo mundo no Santos e ainda arrumar dinheiro para pagar as dívidas do clube. Quem sou eu, porém, para duvidar da capacidade de líder tão brilhante e altruísta.

Vejo, evidentemente, um lado bastante criativo nessa iniciativa de oferecer emprego aos que apoiam a chapa Santos Gigante. Isso evita a burocracia e diminui a perda de tempo nas negociações. É o tipo da coisa: “Você me ajuda a continuar no poder e eu uso o dinheiro do clube para lhe dar um emprego”. É cômodo para os dois lados. Confesso, porém, que na Somos todos Santos jamais cogitamos e jamais faríamos algo assim. Acreditamos em algo que parece fora de moda no momento, que se chama ÉTICA.

Sei que esse meu papo parece careta. Para muitos, a pergunta inserida na ficha de inscrição da chapa Santos Gigante abre mil oportunidades. Esse meu amigo de Santos disse que pretende dizer que quer trabalhar no clube no cargo do superintendente Dagoberto dos Santos. Outros podem preferir o lugar do técnico Elano, ou do centroavante Kayke, ou do milionário reserva Leandro Donizete… Enfim, vai que sobra uma vaga e, de repente, você está empregado com um salário acima do mercado. Todos os sonhos são possíveis em uma administração inchad…, ou melhor, gigante.

Em uma coisa eu e meu amigo concordamos: esse milagre, infelizmente, tem prazo de validade e ele é bem curto. A previsão de despesas e receitas indica que 2018 será um ano muito difícil para o Santos. O aconselhável seria tomar medidas urgentes para o equilíbrio financeiro do clube, e se a chapa Santos Gigante ganhar a eleição e continuar contratando funcionários a torto e a direito, essa estará longe de ser uma decisão sensata. Porém, repito, quem sou eu para duvidar de gênios da economia e da política?

E você, o que acha disso?


A culpa de Levir

Leia o post original por Antero Greco

Descer a ripa em cartola é esporte de preferência nacional. Em grande parte das vezes, merecem; eles fazem muita lambança. Vez ou outra acertam, oras, porque ninguém é de ferro.

Modesto Roma, do Santos, não foge à regra.

Desta vez, porém, tendo a não discordar dele, na “segunda” demissão de Levir Culpi em menos de dez dias – agora pra valer. A decisão irrevogável foi tomada no sábado, depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo. Elano, como era previsto, assume interinamente até o final do Brasileiro.

Na verdade, Modesto errou de novo. Porque deveria ter mantido a dispensa de Levir na outra semana. Havia voltado atrás a pedido dos jogadores, então fechados com o “professor”. Dera um voto de confiança ao chefe da equipe e ao elenco.

Levir, no entanto, chegara ao limite. O Santos empacou de uns tempos para cá. Embora tenha 53 pontos e teoricamente continua na briga pelo título, o futebol que mostra está longe de empolgar. Ah, os números com o treinador não são ruins: 14 vitórias, 12 empates, 5 derrotas.

Desculpem-me os que acham essa estatística satisfatória, mas não é. Por quê? Porque há excessivo número de empates. E está mais do que provado de que empate não leva a lugar nenhum. No máximo, serve para curiosidades do gênero “Time tal está há tantos jogos sem perder”…

O Santos não sai do lugar, mesmo com a ressalva de que “está na zona de Libertadores” etc e tal. Também não vale alegar que “Levir foi longe demais com esse elenco”. O grupo de atletas não é de primeiríssima grandeza – e, como demonstra o campeonato, ninguém tem uma tropa fora de série. Está o líder Corinthians para comprovar.

O Santos não é de agora que se comporta de forma indolente. Vive mais de lampejos individuais do que de estratégia bem definida. Depende da inspiração de Lucas Lima (que anda em baixa), da instabilidade de Bruno Henrique, do oportunismo de Ricardo Oliveira, dos milagres de Vanderlei no gol.

A oscilação tem sido enorme, e não há como aliviar para Levir; ele tem culpa, com perdão do (quase) trocadilho involuntário.

Para quem gosta de cifras: não é por acaso que deixou para trás a imagem de “equipe ofensiva”. Com 33 gols a favor, é o 15.º ataque da Série A. O fato de a defesa ser a segunda menos vazada (22 gols) ameniza, mas não tranquiliza. Para ser campeão precisa, também, fazer gols, de preferência muitos.

Levir merece descanso. E Elano necessitará de sorte para mostrar competência na emergência.

 

Amador x Profissional

Leia o post original por Odir Cunha

A cada dia mais clubes brasileiros de futebol têm sido administrados de forma profissional e rapidamente estão deixando para trás as agremiações que insistem em apelar para velhos métodos amadores. Os primeiros se baseiam na meritocracia, na transparência e na competência, os asmadores costumam usar todos os subterfúgios possíveis para manter no poder pessoas despreparadas, que pouco ou nada têm para acrescentar aos clubes e apenas os usa para satisfazer seus interesses pessoais.

O método amador de administração se baseia em preconceitos, crendices, tabus, dogmas, bordões, acusações, ofensas, tudo o que puder criar estigmas favoráveis a quem comanda o clube e ao mesmo tempo prejudicar a imagem dos opositores. Nada é científico, nada é provado. O boato e a fofoca se sobrepõem às informações fidedignas, o modus operandi se baseia em ações oportunistas e improvisadas. “Planejar” e “trabalhar” são os verbos menos conjugados por quem adota esse amadorismo mal intencionado.

O amador em questão acredita, ou finge acreditar, no acaso, na sorte, nos raios, na ajuda dos deuses… O profissional planeja, trabalha e faz o que deve ser feito para ajudar a sorte e convencer os deuses de que ele merece uma benção. O amador está sempre cansado, sempre reclamando de ter de trabalhar. O profissional sabe que toda meta tem um preço e arregaça as mangas para alcançá-la.

Bem, como eu disse, os clubes que dominarão o futebol brasileiro daqui para a frente são os que levarem o profissionalismo a sério. Clubes de futebol não podem ter lucro, mas se permitirem que a dívida atinja níveis irrecuperáveis, poderão falir. E os que querem ser ou se manter competitivos precisam fazer um bom caixa para as despesas, é óbvio.

Não dá mais para perder dinheiro com as arrecadações dos jogos, com a falta de vontade e organização para atrair mais e mais sócios e mantê-los, com a falta de visibilidade provocada por maus acordos com a tevê, com a venda subestimada de patrocínios de camisa e de material… Enfim, não dá para deixar de usar todo o potencial de sua marca, pois só assim terá dinheiro suficiente para contratar e revelar grandes jogadores e, o que é mais importante, mantê-los no clube quando se consagrarem.

Mesmo sendo um clube nacional, com ao menos 1% de torcedores nas cinco regiões do País, hoje o Santos vem sendo administrado com métodos amadores que tiram a sua marca da lista das cinco mais importantes do futebol brasileiro. Isso é um grande complicador no momento de se sentar à mesa com um potencial patrocinador.

lista dos clubes - marcas

Um dos detalhes levados em conta por um patrocinador – de camisa ou material – é a média de público do time. E a média do Santos seria até boa não fosse a insistência de jogar todos as suas partidas na Vila Belmiro, o que fez com que este ano o Alvinegro Praiano tivesse alguns públicos irrisórios, que não condizem com sua grandeza (3.195 pessoas contra o Novo Horizontino, 4.257 pessoas contra o Atlético Paranaense e 5.208 na partida conta o Botafogo de Ribeirão Preto).

Sócio morto, mas em dia com o clube

O despreparo e a desorganização para lidar com os sócios do Santos têm gerado casos hilariantes, não fossem trágicos. Além da tremenda dificuldade que alguns sócios estão tendo para pagar os seus boletos, problema que exigirá uma ação enérgica de quem defende o interesse dos associados, há fatos muito mais estranhos, como o do caso do sócio Acauã Sena Mahfuz, matrícula 50091, que mesmo pagando suas mensalidades em dia e frequentando assiduamente os jogos do Santos, recebeu do clube o aviso de que tinha falecido.

socio falecido em dia

Isso mesmo. Na mesma mensagem em que surgia como falecido, Acauã era contemplado com um “Status Ok”. Ou seja, ele havia morrido, mas continuava em dia com o clube. O episódio nos dá arrepios, não só pelo tom macabro da comunicação, mas ao pensar quantos outros casos absurdos poderão estar vitimando os pobres associados do Santos.

O desespero pela volta dos velhos caudilhos

A mente amadora tem dificuldade de imaginar novos caminhos e, diante de uma dificuldade, só consegue pensar em velhas fórmulas, mesmo aquelas que não deram muito certo. Diante da grande rejeição de Modesto Roma mesmo em sua cidade, um grupo de abnegados do ex-presidente Marcelo Teixeira está fazendo campanha, com faixas pelas ruas de Santos, para que ele se candidate novamente à presidente do clube.

Ora, Marcelo já ficou 11 anos na presidência. Emprestou dinheiro ao clube, mas depois o recebeu de volta, com correção. Saiu do Santos depois que o time quase foi rebaixado para a Série B do Brasileiro e disse que se o rebaixamento ocorresse o Santos teria muita dificuldade para voltar à Série A. Suas irmãs também não querem que ele arrisque mais o patrimônio da família no clube e preferem que se preocupe com a universidade Santa Cecília e com a tevê de mesmo nome.

Seus seguidores não querem que ele apoie mais Modesto Roma, que, segundo eles, está fazendo uma péssima gestão, além de nada transparente. Marcelo Teixeira só voltaria se tivesse o apoio geral de todos os grupos políticos do Santos, mas já percebeu que isso é impossível, pois seu nome está longe de ser uma unanimidade. O mundo do futebol exige qualidades que suas administrações não tiveram e que ele parece ainda não ter aprendido. O melhor que poderia fazer, no momento, caso realmente se preocupe com o Santos, é apoiar o melhor candidato e a chapa mais competente e profissional. E essa, positivamente, não é a de Roma.

Enfim, escolher o amadorismo ou o profissionalismo, a improvisação ou o planejamento, as informações precisas ou os boatos, a ciência ou o misticismo, as metas concretas ou a enrolação demagógica é o dilema que o sócio do Santos terá de enfrentar daqui a dois meses. E dessa escolha dependerá o futuro do clube.

E você, o que acha disso?


Aprovado por Conveniência

Leia o post original por Odir Cunha

Primeiro, o Conselho Fiscal do Santos elencou uma série de incongruências no balanço fiscal de 2016, depois sugeriu que o Conselho Deliberativo aprovasse o documento. Ora, o enunciado não combinou com o seu desfecho. É óbvio que assim como ocorreu com o balanço de 2015, o de 2016 também não deveria ter sido aprovado, pois as práticas da gestão de Modesto Roma continuam obscuras, enganadoras, suspeitas.

Anuncia-se um superávit, mas não há superávit nenhum; anuncia-se um patrocínio de 18 milhões da Caixa, mas na verdade será de 11 milhões e mais 5 hipotéticos milhões em caso de títulos; anunciou-se a “fabricação do próprio uniforme”, em parceria com a Kappa, como um grande negócio, mas isso só rendeu 5 milhões, dois a menos do que se ganhava com a Nike. Enquanto isso, as despesas previstas com o marketing em 2017 alcançarão 31 milhões de reais, quase o dobro da verba da Caixa e da comercialização do uniforma somadas.

Porém, uma nova rejeição das contas da temerária gestão de Modesto Roma poderia tirar o Santos do Profut, o que seria desastroso. Profut é a sigla do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, lei sancionada em 5 de agosto de 2015 que objetiva ajudar os clubes a quitar suas enormes dívidas com a União. Quem adere ao Profut, como é o caso do Santos, pode refinanciar suas dívidas em um prazo de 20 anos (240 parcelas). Além disso, o Profut reduz 70% das multas e 40% dos juros. É um grande negócio, sem dúvida, mas para se manter no Profut, o clube tem de cumprir algumas obrigações, cujas principais, são:

Utilizar no máximo 80% da receita bruta para o futebol profissional

Não atrasar salários da carteira nem direitos de imagem

Regularizar as ações trabalhistas

Não antecipar verbas referente a período posterior ao fim do mandato

Restringir os mandatos dos presidentes a no máximo 4 anos e apenas uma reeleição

Como se vê, o clube está no fio da navalha com relação ao Profut e uma nova reprovação das contas da gestão Modesto Roma provavelmente alijaria o Alvinegro Praiano do programa. Assim, muito generosamente, Marcelo Teixeira, o dono de Santos, mexeu seus pauzinhos e fez sair conselheiros até das catacumbas da cidade para, mesmo sem ser o relatório, votar por sua aprovação, o que deu uma sobrevida à gestão MR.

Então, essa contagem final de 115 votos a favor do balanço e 53 contra, não reflete a verdade dos fatos. Na verdade, não há superávit nenhum e a situação financeira do Santos é caótica, mas a aprovação das contas impediu que a situação se tornasse ainda pior.

Dúvidas antigas, como: que empresa levou 2,5 milhões na comissão da venda de Geuvânio? ou quem levou o mesmo valor na venda de Gabriel? continuam sem resposta. Não se sabe também quem do clube coordena a fabricação e a comercialização dos uniformes do Santos. Tudo indica que as empresas parceiras fazem tudo e depois informam quanto venderam e quanto devem pagar ao clube. Amadorismo maior, impossível.

Outro fato que me despertou a curiosidade, apesar do valor baixo, comparado a outros citados, foi o de um “pagamento a maior” no valor de 104 mil reais. O tal pagamento, feito em 2015, jamais foi ressarcido ao clube e nem ao menos cobrado. Quem sabe esses 104 mil reais estão voando por aí. Cheque a sua conta, caros leitor e leitora. Quem sabe… Pois é. As perguntas sem resposta são tantas, que esses 104 mil nem foram citados pelos oradores contrários à aprovação.

Enquanto puderem, Roma e seus assessores venderão a ideia de um clube que caminha para a solidez financeira e de que tudo está sob controle. Para isso, iludem os que se deixam iludir e ignoram muita coisa, como as ações da Doyen, que cobra na Justiça direitos nos casos de Leandro Damião, Felipe Anderson, Geuvânio, Gabriel e outros. Já teria sido arbitrada uma multa diária de 300 mil reais a serem pagas à Doyen enquanto o clube nãso quita a dívida, mas o caso nem foi mencionado no balanço e o clube finge desconhecê-lo.

E você, o que acha disso?

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Fluência. É isso que falta

Leia o post original por Odir Cunha

Fiquei de fazer um post analisando a situação do Santos, e como estou com a cabeça voltada para as excursões internacionais do Alvinegro Praiano nos anos 60, devido ao livro que escrevo em parceria com o amigo Marcelo Fernandes, a tarefa não me parece tão difícil. É só lembrar o que dava certo naquele grande Santos para se chegar à conclusão de que o que falta no Santos atual é fluência.

“Espere aí, Odir”, dirão meus críticos, e não são poucos. “Fluência é um termo muito vago. Você quer dizer incompetência, intransparência, ou qualquer outra “ência” mais objetiva?” Sim e não, responderei. Fluência envolve isso tudo. Mas, para evitar maiores delongas, vou ao ponto.

Veja, querido e querida santista, que o Santos de Athié, Lula, depois de Antoninho, fluía naturalmente. Aliás, fluência quer dizer exatamente o que flui, é natural e espontâneo. Há uma atitude que pressupõe outra consequente, e mais outra e outra. Quanto os atos têm consequências lógicas, fluem e nos dão uma sensação de confortável previsibilidade. Se o processo natural é interrompido, fica a sensação desagradável de incompletude.

Como isso se manifesta no futebol? Olha, é o caso do jogador que faz uma partida bem, ou está em uma sequência boa, e é tirado do time e não volta mais. Ou, caso inverso, do perna de pau que está sempre afundando a equipe, mas é sempre escalado. São coisas que deixam o torcedor, com o perdão da palavra, com o saco na lua (no caso dos torcedores masculinos, claro).

Assim, quando o goleiro Lalá veio do Ferroviário para o Santos, em 1959, já foi integrado à delegação que viajou para a Europa e entrou como titular contra grandes clubes europeus, chegando a conquistar o Troféu Teresa Herrera. O mesmo ocorreu com Orlandinho, ponta-direita do Comercial de Ribeirão Preto, que chegou ao Santos no começo de 1968 e imediatamente viajou com o time para participar do Octogonal do Chile, ajudando a equipe a ser campeã do torneio.

O que quero dizer com isso? Que se o jogador era contratado, era porque merecia a confiança da diretoria e do técnico. Não tinha de esquentar banco. Se não desse certo, iria para a reserva, entraria só de vez em quando e no final do ano seria negociado. Mas, antes disso, teria sua chance. O Santos não ficava com jogadores encostados, como hoje é o caso de tanta gente no elenco. Isso é falta de fluidez.

Foi contratado? Tem de ter as suas chances. Jogou bem? Fica. Não está conseguindo render o esperado? No ano seguinte não estará mais na Vila Belmiro. Isso se chama fluidez, a maneira lógica e justa de administrar um elenco. O que está ocorrendo no Santos, hoje, é uma verdadeiro bagunça.

O técnico Dorival Junior pede contratações nominais, não dá oportunidade ou encosta os jogadores que ele mesmo pediu, e quando o clube pretende negociá-los, casos de Rafael Longuine e do próprio Léo Cittadini, interfere e pede que os jogadores continuem no clube. Ora, essa falta de decisão do técnico incha o elenco, faz o Santos pagar uma fortuna de salários, divide os jogadores em vários igrejinhas e o time não anda.

O grande Santos tinha 18 jogadores, só. E jogava bem mais do que o atual. Você sabe quantos o atual tem? Vinte e cinco? Trinta? O número é incalculável, já que tem muita gente encostada, recebendo salário para não jogar. É o cúmulo do desperdício de dinheiro, de energia e de falta da famosa fluidez.

Agora leve esse conceito para os atos da direção do clube e veja como essa mesma espontaneidade faz falta. Aqui abro um parêntese para dizer que não pode haver naturalidade sem verdade, sem sinceridade. O natural é o óbvio, o que obedece ao inconsciente coletivo do santista. Por que o Pacaembu atrai 24 mil torcedores em um domingo de sol a pino e a Vila Belmiro, em uma agradável noite tropical, não chega a seis mil assistentes? Nem, vou responder, deixarei a pergunta no ar para que as pessoas sintam o quanto é antinatural se pensar em uma arena em Santos.

Na verdade, ninguém está pensando nessa arena, só o presidente, porque ele não segue o pensamento coletivo do santista, só o seu. Uma arena sem espectadores, o que será? Um elegante ou um baleia branca? Ainda bem que quase todos os santistas não acreditam na história da arena do Modesto, como jamais acreditaram na do superávit, pois já perceberam que para essa gestão vale tudo, mesmo as mentiras mais cabeludas, apenas para continuar sugando até a última gota do pobre Alvinegro Praiano, que consideram propriedade sua.

Uma mentira é algo que destrói a fluência de qualquer comunicação, de qualquer projeto, de qualquer relação entre o clube e o associado, entre o time e o torcedor. Não culpo apenas os jogadores pela situação depressiva em que o Santos entrou nesse início de 2017. Sei que têm, sim, sua responsabilidade, mas também estão sendo usados por uma gestão sem… sem… sem… digamos, sem fluência.

E você, o que pensa sobre isso?

A seguir, dois livros meus sendo lançados. O do Guga, que escrevi com o amigo Ricardo Lay, nesta quinta-feira na Livraria Travessa, do Rio de janeiro. E o Lições de Jornalismo, dia 14 de março, na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis.

Convite-Guga

Convite - Lições de jornalismo


Hora de pôr ordem na casa

Leia o post original por Odir Cunha

A derrota para a humílima Ferroviária, na Vila sagrada, ainda ribomba nas nossas cabeças. É óbvio que há muita coisa errada no Santos e é natural que o torcedor se preocupe com a sorte do time na Copa Libertadores, a competição mais importante de 2017 (fora o Mundial, claro).

Não finjamos o contrário, por favor. Paulista, Copa do Brasil, Brasileiro, todos os títulos têm a sua importância, mas a Libertadores vale mais, até porque pode colocar o Santos em um patamar acima de todos os outros clubes brasileiros.

Porém, se a equipe tem dificuldades em sua própria casa, o que esperar do Glorioso Alvinegro Praiano em 9 de março, uma quinta-feira à noite, quando iniciará a competição sul-americana de clubes enfrentando o respeitável Sporting Crystal, do Peru, em Lima?

Se o clima entre diretoria e comissão técnica, comissão técnica e jogadores, jogadores e torcida não melhorar, será mais sensato tirarmos o cavalinho da chuva, ou o peixe do mar, pois nem passaremos da primeira fase da Libertadores. Digo nós porque o momento é de união entre os santistas.

Um espírito de porco pode dizer: “Mas Odir, se o Santos for campeão da Libertadores, você jamais será eleito presidente do clube”. Pois eu respondo: ser campeão da Libertadores em 2017 é de importância fundamental para a história do Santos, perto desse feito quem será o próximo presidente santista não tem importância.

E como a gente critica, mas sugere soluções, apelo para que o presidente Modesto Roma, a direção de futebol, o técnico Dorival Junior e a comissão técnica tenham uma longa reunião para detectar o que está havendo e estabelecer metas e compromissos. Depois, que outra reunião, entre a direção do clube e os jogadores, seja realizada.

É preciso botar para fora tudo que está engasgando todo mundo. Sem lavar a roupa suja e colocar ordem na casa, o Santos vai passar um ano difícil. Não é hora de beicinho, nem de mimimi, nem de mentiras ou desculpas. Quem estiver incomodado, peça para sair. O time está diante de seu maior desafio desde 2012. É hora de ser forte, determinado, corajoso e de fazer jus a ser lembrado, para todo o sempre, na história do Santos e do futebol.

Sete providências recomendadas

1 – Priorizar a Libertadores, Usar o Campeonato Paulista para testar e dar ritmo a todos os contratados e aos garotos da base, mas não estafar os titulares absolutos nos jogos do Estadual.

2 – Criar um sistema de jogo mais precavido para os jogos fora de casa. Que Dorival e seu filho não se iludam. Fora de casa o bicho vai pegar. Mesmo o grande Santos, no seu melhor ano, que foi 1962, empatou em 1 a 1 tanto com o Cerro Porteño, em Assunção, quanto com a Universidad Católica, em Santiago, e só ganhou do Deportivo Municipal, da Bolívia, por 4 a 3, porque virou ao final da partida, após estar perdendo por 3 a 2.

3 – Escolher jogadores com espírito de Libertadores, ou preparar o espírito de quem for escolhido. Além de ter calma, será preciso inteligência, além de tranquilidade para não revidar ao ser provocado, e nem afrontar o árbitro.

4 – Oferecer um bom prêmio em dinheiro a cada jogador em caso de título. Sabemos que eles já ganham bem, mas é uma regra de mercado. Todos os outros clubes motivam, o Santos não pode deixar de fazê-lo.

5 – Ficar atento às arbitragens. Há muito direcionamento nas arbitragens do campeonato sul-americano de clubes.

6 – Promover uma pacificação com a torcida. Se não houver o famoso pacto, o ambiente se degringolará e os jogadores, em vez de motivados, se sentirão enojados e temerosos. Se não der para ganhar o Paulista, dane-se, o que importa é a Libertadores.

7 – O jogador deve encarar cada partida da Libertadores como se fosse a última de sua vida. Para ter força, deve lembrar dos ídolos do passado e se espelhar neles. Enfim, fazer jus a vestir essa camisa.

O quarto título da Libertadores colocará o Santos como o time brasileiro mais vitorioso em competições internacionais. É uma meta difícil e ousada, mas, como diz o outro, se não for para sonhar, é melhor nem viver.

E você, o que acha disso?

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Crise de comando

Leia o post original por Odir Cunha

Desculpem-me mas nem vou analisar uma derrota na Vila Belmiro para a Ferroviária treinada por um técnico de futsal diante de 5.500 testemunhas em uma maravilhosa noite de sábado. As evidências dizem tudo. Só gostaria de lembrar que:

Quando os jogadores não queriam jogar no Pacaembu, o presidente e a diretoria acharam ótimo, porque preferem o Santos só para Santos, ou melhor, só para eles.

Quando o técnico e os jogadores se recusaram a fazer a pré-temporada nos Estados Unidos, ou em Marrocos, alegando desgaste excessivo, a presidência e a diretoria também aceitaram.

Quando, em 2015, resolveram sacrificar uma vaga na Libertadores pelo Brasileiro para se poupar para a final da Copa do Brasil, a presidência e a diretoria se calaram.

Era evidente que haveria problema na primeira vez em que os jogadores fossem contrariados, o que ocorreu com a demissão do gerente de futebol Sérgio Dimas.

Agora, a presidência e a diretoria do Santos estão em uma sinuca de bico, pois as opções são as seguintes:

Limpar o elenco dos jogadores indisciplinados e paneleiros.

Contratar de novo o Sérgio Dimas e se desmoralizar.

Substituir o técnico Dorival Junior por um que tenha mais personalidade, mas aí a crise entre o técnico e os jogadores será ainda maior.

Dirigir o clube com isenção e profissionalismo e fazer o que é melhor para o Santos, não para o grupo que se apossou do clube.

E pior disso tudo é que a Copa Libertadores está logo aí. Ou a presidência e a diretoria agem com liderança e responsabilidade, ou a vaca vai pro brejo.

Qual é a sua opinião sobre isso?

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A Roma o que é de Roma

Leia o post original por Odir Cunha

Os méritos das pessoas precisam ser ressaltados, mesmo quando elas são nossas adversárias. Esse é o lema do bom desportista e é por isso, por exemplo, que nos emocionamos quando Roger Federer e Rafael Nadal se abraçam depois de uma refrega como a que tiveram na final do Australian Open. A disputa pela presidência de um clube de futebol deve seguir as mesmas regras, o mesmo fair play. Assim, mesmo sendo seu concorrente político, enxergo todas as qualidades do presidente Modesto Roma.

A mais destacada delas tem sido manter os melhores jogadores do Santos para esta temporada de Copa Libertadores e ainda reforçar o elenco com algumas boas contratações. Apoiei também a assinatura de contrato com o Esporte Interativo. A Globo é um mato de onde não sai coelho para o Santos. A emissora carioca continua com seus sonhos desvairados de promover a espanholização no futebol brasileiro, e ainda não percebeu que o bonde já passou. As presenças de Atlético Paranaense e Botafogo na Libertadores e as ausências de Corinthians e São Paulo provam que o futebol jogado apenas no campo ainda tem muita força.

Manter um time competitivo em 2017 e assinar com o Esporte Interativo são, portanto, méritos de Roma. Quem entrar no site oficial do clube ainda encontrará outra notícia, assinada por André Mendes, que pretende vender o presidente como um grande administrador financeiro. A nota diz:

Apesar do cenário de dificuldades econômicas configurado no ano passado, o Santos FC obteve o maior superávit financeiro (Ebitda) de sua história, no montante de R$ 95 milhões, resultado do compromisso da atual Diretoria em continuar trabalhando em prol da recuperação das finanças do clube. Os números constam das demonstrações contábeis referentes a 2016, encaminhadas […]

Bem, isso veremos quando as contas forem encaminhadas ao Conselho Deliberativo. Até agora, nesse quesito, o que propaga a diretoria nunca bate com os números reais apresentados. De qualquer forma, seria mesmo maravilhoso que o Santos estivesse com um grande elenco e com as contas em dia. Porém, assim como um dirigente tem suas qualidades, também tem defeitos, e no caso de Modesto Roma estes últimos são determinantes para que o clube não cresça, não volte a ser o que já foi.

Mesmo o santista menos ilustrado perceberá que a mesma vontade de se divulgar um superávit – gerado, na verdade, pela venda de jogadores e pelas luvas recebidas do Esporte Interativo – desaparece quando o assunto é média de público e arrecadação de bilheteria nos jogos, número de sócios adimplentes, valores reais do faturamento com a confecção do material em parceria com a Kappa e a situação e montante do patrocínio máster anunciado com a Caixa.

Enfim, o que é, ou pode parecer, positivo para essa gestão, é divulgado com estardalhaço até no site oficial do clube e também defendido com unhas e dentes por uma tropa de choque cooptada para espalhar versões positivas da gestão Roma na mídia social e em blogs e sites que falam do Santos. Todo mundo está percebendo essa avalanche de romistas infiltrados em qualquer grupo que discuta os futuros do clube.

A diferença entre passageiro e essencial

Um superávit gerado por aportes eventuais, como vendas de jogadores e verbas de tevê, não configura uma boa gestão. Um clube de futebol tem meios permanentes de arrecadação que estão sendo ignorados ou negligenciados. Movido por uma persistente visão regional, o clube continua jogando para uma média de público que não alcança dez mil pessoas, tem um número pequeno de associados, recebe bem menos do que os outros grandes pelas variadas formas de patrocínio e não demonstra vontade de se abrir para a maior parte de seu mercado consumidor, que são seus torcedores de todo o Brasil.

A aparente transparência existe apenas para divulgar fatos positivos, ou pretensamente positivos, produzidos por essa gestão, mas se cala ou desvia o assunto quando a discussão passa para as iniciativas que efetivamente tornarão o Santos um clube eficiente, transparente, sem fronteiras e totalmente voltado para uma grandeza da qual ele tem abdicado.

Caso fizesse o que precisa ser feito, Roma nem sequer teria oposição nas próximas eleições, pois o que interessa, ao menos a mim, não é o poder em um clube de futebol, mas sim ver esse clube, que eu amo, que amamos, trilhar o caminho que o tornará, novamente, um dos mais respeitados do mundo. Mas Modesto Roma continua com seus sonhos excludentes de uma areninha em Santos, quer fazer o time jogar só em sua cidade, não faz questão de atrair sócios de outras cidades, mas, ao mesmo tempo, também quer que santistas do Brasil inteiro continuem prestigiando esse seu projeto regional. Assim, positivamente, ele não terá o meu voto.

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Quanto menor, melhor

Leia o post original por Odir Cunha


Agora Modesto Roma fala em erguer a areninha no Estádio do Jabaquara.

A cada vez que Modesto Roma visita o Conselho Deliberativo, os conselheiros saem com a impressão de estarem sendo enrolados. Na quinta-feira à noite, misturando esquecimentos importantes com discursos batidos, ele deixou claro que não fará nenhum acordo com a Prefeitura de São Paulo para o uso do Pacaembu, reafirmou seu desejo de construir uma areninha em Santos – nem que tenha de fazer uma parceria com o Jabaquara –, justificou o aumento do quadro de funcionários e de sua elevada despesa, tentou explicar, ainda, sua parceria com o empresário Taveira, assim como a fabricação do próprio uniforme, anunciou que hoje iria para Brasília assinar um patrocínio com a Caixa, confirmou que é candidato à reeleição e disse que pretende terminar o ano como campeão mundial.

Digo esquecimentos importantes porque ele não se lembrou da comissão paga a Taveira pela venda de Geuvânio. Falou em sete, depois cinco por cento, e por fim, como faz sempre que esquece os números corretos, convidou quem quisesse para, em outro dia qualquer, ir à sua sala para ver os documentos.

Sempre muito despreparado, Roma dá a impressão de que vai ao Conselho confiante na sua morosa oratória e no fato de ter maioria de conselheiros ao seu lado. Assim, por mais direta e incisiva que seja a pergunta, ele sabe que poderá tergiversar à vontade e no final sempre será aplaudido pelos seus fieis correligionários.

O caso das contas de 2015 reprovadas é tratada pelo presidente do Conselho, o senhor Fernando Bonavides, como sub judice, o que significa o mesmo que seguir em frente, sem nenhuma consequência imediata. Conselheiros advogados têm alertado que não é assim, que o caso deve voltar para a decisão do órgão, mas Bonavides faz ouvidos de mercador.

O acordo do Santos com a Kappa para o clube produzir o seu próprio material esportivo, que, conforme o prometido, deveria gerar produtos bem mais baratos e uma grande lucratividade para o clube, tem sido um enorme fracasso em todos os sentidos, mas o presidente disse que continuará do mesmo modo em 2017.

Sobre o Pacaembu, disse que o Santos só alugará o estádio, e de vez em quando, mas não tem interesse de fazer uma parceria com a prefeitura de São Paulo. Prometeu alguns jogos na capital, “se a PM deixar”, mas não falou mais em 15 partidas neste ano, como se chegou a anunciar.

Um representante da comissão formada para estudar o caso da areninha no terreno do Portuários disse que ainda não sabia nem o nome do pretenso investidor e não tinha elementos sequer para analisar a viabilidade do negócio. Mesmo diante da recusa, por unanimidade, dos conselheiros da Portuguesa Santista, Roma alegou que o clube vizinho ainda está indeciso e que ainda pode fechar o negócio (na verdade, só o presidente da Portuguesa Santista parece indeciso, pois todos os 41 conselheiros da Briosa são radicalmente contrários a essa parceira com o Santos).

Obviamente não se falou em planos de aumentar o número de associados, nem de melhorar as arrecadações, pois isso, inevitavelmente, incluiria jogar mais em São Paulo, o que atrairia mais sócios de fora da cidade e colocaria em risco o plano de poder em curso. Assim, a marca Santos, tão forte e universal, é amputada para caber no tamanho dos medíocres anseios regionais do atual presidente e sua trupe.

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