Arquivo da categoria: Nabi Abi Chedid

Quem será o homem?

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 06/01/1982

Marin e NabiTodos querem saber quem será indicado para dirigir a próxima Assembléia Geral da FPF. Muitos nomes foram citados, mas todos vetados por ambas as partes.

Henry Aidar foi chefe da Casa Civil de Laudo Natel, vetado por Marin; José Ermírio de Moraes Filho já se declarou favorável a Nabi, vetado por Marin; Armando Ferrentini, amigo de Márcio Papa, vetado por Nabi; Mário Amato, presidente da CRD, amigo de Marin, vetado por Nabi; Ulisses Gouveia. Membro da CRD, defende Marin, vetado por Nabi; Nélson Duque, diretor do Palmeiras e votou em Nabi, vetado por Marin; Esmeraldo Tarquinio, dirigente do Santos, opositor de Rubens Quincas, vetado por Nabi; Osvaldo Teixeira Duarte, ex-candidato à presidência da FPF, mas hipotecou apoio a Marin, vetado por Nabi… Muitos outros nomes “menos votados” foram lembrados, mas todos vetados por Marin ou por Nabi.

Talvez a solução seja um homem de outro Estado, mas quase todos os esportistas já tomaram uma posição, contra ou a favor… Caberá à CBF indicar o futuro presidente da Assembléia Geral e será quase impossível Giulite Coutinho encontrar no fundo da cartola um nome que seja neutro, que agradece aos dois lados. Quem será o homem?

Nabi e Marin iniciam luta pela sucessão na FPF

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 29/10/1981

Marin e NabiComeçou ontem, oficialmente a luta pelo poder na Federação Paulista de Futebol. O presidente Nabi Abi Chedid confirmou ontem a sua candidatura à reeleição, e o vice-governador do Estado de São Paulo, José Maria Marin, foi comunicar sua indicação de opositor e candidato nas próximas eleições federacionistas.

Nabi disse que “não sabia da visita de Marin, mas estou disposto a recebê-lo nesta casa”. O vice-governador chegou acompanhado de muitos assessores palacianios, além de sue companheiro de chapa – vice-presidente – Waldemar Bauab (dirigente do XV de Jaú).

Inicialmente, foi um encontro cordial e político, mas depois o rumo foi desviado. Com exclusividade, A GAZETA ESPORTIVA apresenta na íntegra todo o encontro de ontem. Aqui o leitor terá os protestos, as ameaças, as denúncias, e até os elogios políticos. Como sempre, os dois lados são ouvidos. E o início oficial da guerra pelo poder paulista, que somente será encerrada em janeiro de 1982.

A disputa será renhida, violenta, ágil, certamente golpes mortais serão desferidos. Cada um usará as mais poderosas armas da atualidade e universo político dos candidatos. Exatamente 308 votos decidirão quem dirigirá a FPF a partir de 82: 40 votos da 1ª Divisão, 56 votos da 2ª Divisão, 170 votos da 3ª Divisão e ainda mais 65 das Ligas Amadoras.

“Sou candidato – disse Marin – atendemos a inúmeros apelos que me foram dirigidos por presidentes de clubes e ligas esportivas. Após um trabalho de avaliação não tive dúvidas de aceitar esses pedidos e assumir a condição de candidato nas próximas eleições da Federação”.

“Eu sou candidato – explicou Nabi Abi Chedid – porque sinto que há a necessidade de se completar um trabalho que tem tido, uma receptividade muito grande por parte dos clubes e ligas. Por esta razão eu acho necessária a continuidade. Fiz também uma avaliação consultando todos os presidentes de clubes e das ligas e percebi que a minha eleição está segura, garantida. Fiz uma pesquisa e ela provou que a minha presença, na FPF é uma necessidade e desejo dos clubes e ligas…”

O vice-governador, José Marin, tem o apoio público do XV de Jaú e do Juventus. Quais os outros clubes que apoiam a oposição com Martin e Bauab?

– “Eu tenho a maioria dos clubes e ligas. Acho que está confirmação está ser4á mostrada após a eleições. Nas últimas disputas políticas, não éramos favoritos e após a apuração nós vencemos (referindo-se a vitória de Maluf-Marin).

       Nabi contestou eu opositor: “O Marin está dando uma colocação política. O quadro que me levou ao senhor Maluf e o meu amigo Marin ao governador de São Paulo é totalmente diferente do quadro político do futebol. Lá houve a indicação de um nome, surgiu uma candidatura, foram reunidos os descontentes e aconteceu a vitória dos senhores citados. Foi, sim, um episódio no processo de abertura. Hoje, no futebol, é diferente… São raros os descontentes. Os eleitores querem a continuidade. Conheço a gente do interior, o homem do interior quando diz que apoia, apoia mesmo. Muitos amigos de hoje votaram em Metidiert porque já estavam comprometidos com meu opositor e votaram nele. Eu respeitei tudo isso. Quero informar ao meu amigo Marin que já ganhei a eleição próxima”.

“Sei que o Marin não vai usar a máquina governamental para conseguir votos”.

Marin repondeu:

“O governo não usará nenhuma máquina. Eu entendo que já venci. Minha candidatura aconteceu porque os descontentes querem mudar o estado das coisas do futebol de São Paulo. O Nabi fará continuar tudo como está e eu mostro a alternativa para alterar a situação…”

“As taxas serão todas revistas. As Ligas não pagarão nada para as Federação…”

José Maria Marin foi interrompido por Nabi:

“O Sr. Está desinformado, as Ligas não pagam nada…”

Marin continuou:

“Vamos reduzir os custos para clubes e torcedores. Em Jaú, nas próximas horas, apresentaremos nossos planos. Não será uma plataforma porque, com todo o respeito, não vi nenhuma plataforma a ser cumprida. Quero votar para o público voltar aos estádios, que as crianças tenham maior facilidade para entrar nos jogos, que a mulher volta a ser torcedora. Ouvir as torcidas uniformizadas é outro desejo”.

“Só tenho um compromisso, por enquanto: com Waldemar Bauab. Não estamos comprometidos pessoa, entidades, instituições. O José Maria Marin será uma peça do esquema. O trabalho será de equipe”.

Nabi, com linguagem parlamentar, falou:

“O meu ilustre visitante está fora da realidade. Ao longo dos debates muita coisa será esclarecida. O público volta aos estádios quando os jogos são bons e o vice-governador poderia ajudar impedindo que a Polícia Militar não agredisse os torcedores”.

“Quero que o vice-governador assuma o compromisso com a máquina do governo não vai pressionar o dirigente, com emprego, remoção, promoção, verbas e muito mais. É isso que eu quero. O resto, vença quem vencer… eu já ganhei”.

O vice-governador contestou:

“Quero fazer justiça a esta gloriosa Polícia Militar. Os policiais trabalham honestamente e não devem se criticados. A PM fez apelos para a FPF na tentativa de impedir muitos jogos numa só noite. Condeno a violência, quero deixar claro, mas ela precisa de colaboração”.

“Co relação à máquina governamental citada pelo Nabi, confesso que estou sabendo agora que ela pode funcionar…”

Nabi interrompeu o vice-governador, tirou do bolso um papel timbrado da Secretaria dos Esportes e Turismo, delegacia de Ribeirão Preto com o seguinte texto: “CONVITE – A DELEGACIA SENTIR-SE – A HONRADA PRESENÇA COM A VOSSA SENHORIANO ALMOÇO DE 29 DE OUTUBRO PRÓXIMO NA SEDE DO CXAIÇARA CLUBE, NA CIDADE DE JAÚ, OCASIÃO EM QUE SERÁ LANÇADA A CANDIDATURA DO DR. JOSÉ MARIA MARIN E DO DR. VALDEMAR BAUAB, PARA AS ELEIÇÕES DA FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL…”

Assinou o documento, o delegado regional, José Almeida.

Marin sorriu e respondeu:

“Não posso impedir que um amigo, ocasionalmente funcionário estadual, faça este tipo de convite. Vou, entretanto,  adverti-lo por ter utilizado material do Estado”.

Nabi disse que muitos jogos são realizados num só dia por decisão dos clubes:

“Quem decidiu o volume de jogos, o sistema e tudo mais foi o Conselho Arbitral que foi coordenado por José Ferreira Pinto e Waldemar Bauab, hoje opositores”.

Waldemar Bauab quis responder:

“Conheço muito bem o presidente da FPF. Não acredito nele e tenho razões para tal…”.

Nabi protestou, Waldemar também. Muita confusão, gritos e ofensas. O clima de cotesia estava derrubado. Nabi disse que Waldemar é funcionário público, que ninguém acredita nele. Um acusava o outro de estar nervoso. O candidato a vice-presidência da FPF disse que “todos tem N razões para não acreditar em Nabi”.

O presidente da FPF acrescentou: “vocês estão brincando de futebol. Ontem, era um Deus para eles. Hoje, são opositores….”

Bauab afirmou que Nabi estava nervoso porque sabia que já tinha perdido a eleição.

“O Martin e eu – disse Bauab –viemos aqui com a finalidade de comunicar a nossa candidatura, nada mais. Quando os dois candidatos afirmam que já são vitoriosos, eu prefiro lembrar uma expressão cabocla: o peso do porco só se conhece depois de morto. Prefiro aguardar as eleições”.

Nabi ainda quis falar:

“Quero agradecer a presença de meu amigo Marin. Ele não vai admitir que a máquina funcione. Sei que ele manterá a campanha em alto nível. Eu lembro outra frase cabocla: isso é berro de cabrito”.

“O Bauab tinha-me como um Deus…”

quando o dirigente do XV protestou, foi chamado de mentiroso e falso por Nabi. Outra vez uma grande gritaria, ameaças, ofensas e protestos.

Marin tentou, politicamente, diminuir a tensão, garantindo que irá prevalecer a elegância na briga pela presidência da Federação Paulista de Futebol.

Os episódios de ontem provaram que todos entraram na luta com todas as forças e armas. Um outro fato ficou claro: serão muitos os feridos em combate nos próximos três meses.

Presa a quadrilha dos ingresos

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 13/08/1981

Depois de dois meses de árduas investigações foi desbaratada a quadrilha responsável pelo derrame de ingressos duplicados no futebol de São Paulo. As investigações começaram depois da partida entre Palmeiras e Ponte Preta, realizada no Parque Antártica. Duas pessoas foram detidas vendendo ingressos idênticos aos que estavam nas bilheterias: a mesma cor, a mesma série, os mesmos setores com carimbos iguais aos utilizados pelo setor de arrecadação da Federação Paulista de Futebol. Depois de muitos anos, finalmente, surgia uma prova concreta da evasão de renda. Anteriormente os fiscais da FPF, jornalistas e dirigentes de clubes, haviam constatado diversas irregularidades: ingressos antigos sendo utilizados por cambistas, porteiros desonestos permitindo o rodízio – conhecido também como “mole” – , porteiros, mediante propina, permitindo o ingresso de torcedores, bilheteiros “sócios” de cambistas e vendendo ao público os piores lugares, deixando os setores nobres nas mãos do “câmbio negro”.

Mas a prova de que alguém estava imprimindo ingressos, especificamente para jogos importantes, só surgiu naquele jogo entre Palmeiras e Ponte Preta. As duas pessoas foram levadas para o 23º Distrito Policial e depois o caso foi entregue ao DOPS. Dezenas de pessoas foram ouvidas e intensas investigações foram efetivadas. Ontem, o diretor do DOPS, Romeu Tuma, apresentou a quadrilha – composta por 19 pessoas – aos órgãos de divulgação.

Eis os nomes dos envolvidos: Josué Guilhermino dos Santos (advogado), Manoel Pereira dos Reis (Sabiá, Carioca, Neguinho), Juarez Silva Darian, Wilson Roberto Tamborilla, Silvio de Almeida Filho, Armando Soruto Saito, Jorge Mota de Oliveira, Antonio Pinto Araújo, Silvio Luís Gonçalves, Aderaldo Vitor Dantas, Joaquim Luís (Vitor), Marcos Gilberto Pauleto, José Carlos Ribeiro, Claudeny Fernandes de Souza, Francisco Carlos da Silva, Rubens Caetano Zamparelli, Noel de Mello, Edgard Rodrigues Silva, Moacir Colovatti.

Os policiais constataram também as participações das seguintes empresas no “esquema” dos ingressos duplicados: Artes Gráficas Puma, Paulegrafi Artes Gráficas, Gráfica Ruval, Starlito Fotolitos, Indústria Gráfica Polipress, Gráfica Transamazônica, Zelini Comercial de Placas e Carimbos.

Trabalharam nas investigações os seguintes policiais: Alcides Singillo, Luis Walter Longo, Cláudio Pitágoras, Waldomiro Bueno, David Campos, Carlos Alberto, Mário Reis e Olavo Reino Francisco. Os detidos foram indiciados em processos como infratores dos artigos 171 e 288, combinado com o artigo 51 do Código Penal (estelionato e formação de quadrilha ou bando). Se condenados, as penas poderão variar de três a cinco anos de prisão.

Manoel Pereira dos Reis é mostrado como o coordenador de todo o processo da duplicação dos ingressos e admite este fato:

“Quero dizer que todos os envolvidos sabiam perfeitamente tudo aquilo que estava sendo feito. Ninguém foi injustiçado ou detido sem nenhum fundamento. Eu comprava um ingresso na Federação Paulista de Futebol e depois o levava para uma das gráficas. Lá era impressos ingressos idênticos e depois vendidos em torno dos estádios. Além de partidas de futebol o esquema funcionava em shows realizados no Corinthians, Palmeiras e outros…”.

“Dificilmente ou mandava imprimir mais de dois mil ingressos de cada evento (os policiais afirmam que em muitos jogos ou shows os lucros foram além de quinhentos mil cruzeiros). Com relação ao advogado ele era quem na verdade promovia o financiamento. Lamento apenas que o DOPS tenha entrado na investigação. Se estivesse restrito a uma delegacia qualquer, tenho certeza que conseguiria encobrir tudo…”.

“Tudo começou na partida Palmeiras e Ponte Preta, digo, as investigações. Aliás, um funcionário superior tentou punir um bilheteiro que tinha vendido ingressos a um cambista e surgiu então o fio da meada. Foi sem querer, deu a chamada zebra…”.

“Repito: se o DOPS não entrasse no caminho conseguiria levar este esquema por muito tempo”.

Manoel Pereira dos Reis confirmou também que tentou de todas as maneiras enganar os policiais com inúmeras informações falsas:

“Apontava pessoas que não tinham nada com o caso… levava os policiais em residências de pessoas que não sabiam de coisa alguma… enfim, tentei complicar o máximo, mas não tive sucesso”.

O advogado Josué Guilhermino dos Santos, disse que possui escritório no Largo do Paissandu e que está sendo acusado injustamente:

“Nunca financiei ninguém… às vezes emprestei algumas importâncias ao Manoel, já que o conhecia há algum tempo. Passamos a nos conhecer em casas de carteado e tínhamos um bom relacionamento. Sabia que ele trabalhava no câmbio negro, vendendo ingressos, mas desconhecia que eram ingressos duplicados… Fui procurado por muitos cambistas para dar assessoria jurídica e como profissional agi assim”.

“Estou sendo envolvido mas acredito na justiça…”.

Entretanto, são poucas as pessoas que acreditam em Josué Guilhermino dos Santos. Algumas afirmam que ele “seria o líder intelectual do grupo e isso ficará provado no julgamento”.

A apresentação da quadrilha provocou muita agitação no prédio do DOPS, tendo inclusive a presença do vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Américo Egídio Pereira e do Secretário Geral, José Eduardo Chimello.

A evasão de renda vem sendo anunciada há décadas e nunca surgiu uma prova concreta ou a detenção de responsáveis. Agora, com o trabalho realizado pelo órgão dirigido pelo delegado Romeu Tuma, que desde o início das investigações havia prometido: “Os nossos policiais não estão aqui para nenhum tipo de brincadeira. O DOPS vai até o final das investigações, doa a quem doer. Temos que dar uma satisfação a todos e mais uma vez, faremos isso”.

Ontem, satisfeito, Romeu Tuma cumprimentava os policiais que trabalharam no caso, mas não esqueceu de pedir maior rigor nas fiscalizações exercidas pela FPF e pelos clubes: “As entidades também devem ajudar no trabalho de prevenção. Devem dificultar o máximo o trabalho dos malandros…”.

Transpirou ontem que só na partida decisiva do campeonato brasileiro – São Paulo e Grêmio – o lucro da quadrilha ultrapassou os setecentos mil cruzeiros. Quando os trabalhos dos policiais começaram houve um grande receio por parte dos envolvidos e foram raras as ações da quadrilha, mas “não suspenderam por inteiro o trabalho”.

Nabi Abi Chedid, não foi ao DOPS – o que fará nas próximas horas para agradecer o empenho – mas na sede da FPF demonstrou sua satisfação:

“Foi uma vitória para São Paulo. Parabéns aos policiais, ao DOPS, ao delegado Romeu Tuma. Eles cumpriram o prometido: foram até o fim”.


Nabi: previsão do campeonato superada na bilheteria

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 24 /11/1980

Dos vinte clubes da atual Primeira Divisão apenas quatro votaram em Nabi Abi Chedid, nas últimas eleições federacionistas: Guarani, Juventus, XV de Piracicaba e XV de Jaú.

Passados muitos meses após aquele dia de comportamentos obscuros de ambos os lados, Nabi garante que hoje só não teria o apoio do presidente Vicente Matheus e possivelmente do irritado presidente do XV de Piracicaba, abalado pela queda.

Ainda com a diretoria incompleta, rompido com o vice-presidente eleito e atraindo para si as decisões e atenções, neste encerramento de temporada Nabi Abi Chedid diz que o saldo foi positivo.

A FPF tem muito dinheiro em caixa, todos os campeonatos terminaram, nenhuma atitude dolosa foi cometida por árbitros, e as evasões diminuíram. Tudo isso é acenado pelo presidente da FPF.

Não protegeu aliados, não aumentou os ingressos e puniu o maior astro do São Paulo “cumprindo a lei”. Ele não esquece de citar esses fatos. Denunciou algo estranho entre os árbitros e afirmou ter vencido este “objeto não identificado”.

Um homem polêmico esse Nabi Abi Chedid, que sente hoje as críticas contrárias a sua figura política diminuírem. A presença de um deputado militante na presidência da FPF não é esquecida. É o peso da imagem. Algumas atitudes de Nabi, se tomadas por outra pessoa, seriam consideradas heróicas, mas nele são vistas como demagógicas.

Deputado há 18 anos, Nabi sabe que somente poderá convencer a todos de que possui boas intenções, mostrando um futebol paulista promocional, forte, organizado e longe de atitudes políticas e parciais.

Afirma que já é um grande passo ao encontro do sucesso final. Alguns mais íntimos garantem que Nabi poderá romper com Giulite Coutinho se a Copa Brasil impedir a realização de um forte campeonato paulista.

Quando alguns o taxam como traiçoeiro, os correligionários retrucam dizendo que sua lealdade é enaltecida há anos e citam por exemplo à presença dos retratos de Paulo Egídio Martins e Ernesto Geisel no gabinete de Nabi. Esquecem os aliados do presidente da FPF, de que numa outra sala está o retrato do João Batista Figueiredo. O Governador do Estado, Maluf, ainda não conseguiu uma vaga na parede de Nabi.

Neste final de temporada o presidente da Federação Paulista faz uma verdadeira prestação de contas, um mini-balanço do seu ano administrativo. Os bons e maus momentos estão aqui. Promete trabalhar melhor em 81, anuncia novos diretores e a dispensa do grupo atual.

Nabi nasceu no Líbano mas é naturalizado brasileiro. Não esconde que pretende “fazer muito pelo futebol do Brasil”. Aliás, no Líbano as opiniões de dividem entre muçulmanos e cristãos. Com relação a Nabi as opiniões se dividem entre herói e vilão. Ele promete provar no final da história que é o mocinho do futebol paulista.

Foram realizados 394 jogos pelo Campeonato Paulista da 1.ª Divisão de Profissionais, com 4.086.798 torcedores pagantes, 200.287 menores que não pagaram, 372.533.020.00 da renda bruta, 10.373  de média de público pagante por jogo, 945.566,00 de média de renda por jogo.

O São Paulo, campeão paulista-80, liderou também as arrecadações com um total bruto de 105.784.570.00 nos 38 jogos disputados.

Nabi Abi Chedid entende que o certame deve ser analisado em duas etapas: “O primeiro turno apresentou vários problemas que são do conhecimento do público, como por exemplo, seis clubes paulistas desclassificados na fase semifinal da Copa Brasil, o que ocasionou uma frustração para os torcedores e uma grande falta de motivação para os próprios clubes atingidos. A Seleção do Brasil jogando todo o mês de junho, aos domingos, forçou a FPF a remanejar jogos, não podendo distribuir previamente a tabela. Foram péssimos momentos. Ainda no primeiro turno enfrentou o futebol de São Paulo o frio e a chuva, que colaboraram para atrapalhar ainda mais a situação. A visita do Papa João Paulo II também impediu que algumas datas fossem utilizadas para jogos do campeonato paulista”.

“O segundo turno foi muito melhor ordenado. Quando a seleção se apresentou não tivemos rodadas, preservando os clubes que forneceram jogadores e conseqüentemente os espetáculos melhoraram”.

“A reação foi positiva e as arrecadações cresceram. Em números redondos o primeiro turno apresentou 121 milhões de renda bruta e tivemos 166 milhões de cruzeiros no segundo turno. O quadrangular do primeiro turno rendeu 16 milhões e o do segundo turno em torno de 46 milhões de cruzeiros”.

“A previsão deste campeonato girava em torno dos 300 milhões de cruzeiros e o certame passou de 370 milhões de cruzeiros arrecadados. Na minha opinião foi um maravilhoso sucesso financeiro”.

“Isso, e o que é mais importante, sem aumento dos preços dos ingressos. Os preços não foram majorados de maio a novembro”.

“No campeonato passado tivemos mais jogos e uma arrecadação menor. Este ano, menos jogos e mais dinheiro e a média de público foi à mesma do certame de 79”.

“O futebol de São Paulo enfrentou dificuldades no primeiro turno deste campeonato e se o arquivo da FPF for consultado ficará provado que sempre as rendas da primeira fase são maiores, o que não aconteceu em 80”.

“Da renda bruta é retirada à cota da Federação Paulista de Futebol. Um total de 14% – 9% da FPF e 5% taxa da arbitragem. Essa parte destinada às arbitragens paga os árbitros dos certames amadores, ligas juvenis, juniores e da 3ª divisão”.

“A Federação Paulista está sendo administrada com austeridade, equilíbrio e tem um bom saldo positivo, e este dinheiro é dos clubes”.

“Estatutariamente não pode a FPF fazer nada pelos clubes com problemas financeiros, mas quando um clube precisa por exemplo pagar salários dos jogadores, a FPF empresta sem cobrar juros e descontando aos poucos. Não há nenhum vínculo político nisso tudo. Quero esclarecer que da 1.ª divisão de profissionais, somente quatro clubes votaram na minha chapa: Guarani, Juventus, XV de Piracicaba e XV de Jaú”.

“Coincidentemente o XV de Piracicaba caiu. Mas o futebol é assim mesmo. O primeiro clube da 2ª Divisão a anunciar seu apoio a minha candidatura foi o Rio Claro, e este clube hoje disputa o rebolo. Não há protecionismo. Quero a presença da justiça, quero presidir com isenção”.

“Entendo que foi um bom ano também no campo político. O colégio eleitoral é muito grande. Antes só 24 votavam e hoje gira em torno de três centenas de eleitores. Uma eleição hoje se ganha tendo o apoio do interior e fazendo uma boa administração”.

“A FPF quer organizar o futebol. Estava todo bagunçado. Não posso pensar só no futebol principal. Há amadores, juniores, e divisões menores. O Campeonato de Amadores de 78 foi decidido em setembro de 79. Os problemas eram graves. Todas as divisões estavam truncadas e embaraçadas. Hoje, o campeonato amador acabou em setembro e até o dia 30 de novembro todas as divisões terão seus encerramentos efetivados”.

“E só não divulgamos o calendário oficial da FPF para 1981 porque estamos esperando algumas definições da Confederação Brasileira de Futebol. Dentro dos próximos dias haverá a liberação”.

“Dizem que faço política, no mau sentido. Que tipo de política é essa que permite a queda do aliado XV de Piracicaba, do outro aliado Rio Claro, que não concorda com o São Paulo quando Galvão quis aumentar os preços e pune o melhor jogador do clube, o ponteiro Zé Sérgio? Ora, tenho critérios. Se tiver que atingir aliados ou amigos para não ferir interesses dos outros co-irmãos, agirei assim”.

“Cumpro a lei e nada mais. Entretanto, quando senti que cumprindo a lei poderia poupar o melhor ponteiro do Brasil, revoguei a punição. O XV de Piracicaba é presidido por um homem que é meu companheiro de lutas, mas não pode o presidente da FPF marcar gols. Lamento, mas não posso ferir princípios adotados para o sucesso do trabalho”.

“São dois os setores mais importantes da FPF – árbitros e arrecadação. Consegui um bom saneamento no setor de arrecadação e as dificuldades foram enormes. Os problemas são complexos. Envolvem estrutura, cambistas, clubes, fiscais e bilheteiros envolvidos em esquemas. Mas fui em frente e a FPF tem grandes recursos em caixa, dinheiro que faço questão de afirmar, pertence aos clubes”.

“A arbitragem é o termômetro da administração. O meu vice-presidente – Marcio Papa – se afastou depois de eu ter delegado o DA para ele. Depois que também o senhor Américo Egídio Pereira deixou o cargo, e após ter deixado as escalas para o assessor Dirceu Fernandes, resolvi assumir o departamento de árbitros oficialmente”.

“Sou leigo no assunto, mas procuro focar o homem, suas reações, suas atitudes, seus antecedentes e assistir jogos como um torcedor em busca de um bom trabalho”.

“Desde 78 todas as decisões foram corretas e sem problemas. Mas em 80 houve um momento crítico, explosivo, algumas horas depois do atrito do Aragão com um repórter. Senti que a situação era perigosa. Eu estava acamado, recuperando-me de uma operação e proibido de sair da cama. Depois de ouvir tantos comentários da imprensa e informações de observadores resolvi reunir-me com todos os árbitros”.

“Havia algo estranho no ar, falavam em greve de árbitros, o ex-presidente da Associação de Árbitros envolvido, o interior preocupado pois as decisões estavam se aproximando. Disse uma mensagem aos árbitros mostrando que todos teriam retaguarda, mas eles deveriam colaborar. Deixei claro que admitiria o erro humano, mas nunca o dolo. Queria o menor número de erros e que eles jamais seriam afastados por imposição de algum dirigente de clube. Daquele momento em diante os problemas diminuíram, nenhum caso doloso foi registrado”.

“A Federação recebeu cumprimentos de clubes campeões e o que é mais importante: os derrotados não acusaram as arbitragens. Os árbitros paulistas são os melhores do Brasil e de todo os Estados surgem convites para os nossos apitadores”.

“Em 81 muita coisa deve ser feita. Devo anunciar a composição da diretoria, os postos que faltam ser preenchidos, em janeiro. Indicarei três vice-presidentes, um secretário e o diretor do departamento de árbitros. Irei substituir alguns que fazem parte da atual equipe”.

“A realização da Copa Brasil torna difícil o calendário regional. Um campeonato paulista tem que ter datas para eventos, promoções especiais. Quero cumprimentar o São Paulo, que investiu e teve o retorno esperado e continuará buscando ficar mais forte. Tomara que Corinthians, Palmeiras, Santos, Guarani, Ponte e outros façam o mesmo”.

“O fundamental para o torcedor é o bom espetáculo. Todas as outras providências são de ordem complementar, mas o calendário é o item principal. Há jogos que não trazem resultado algum para o futebol brasileiro. A CBF deve entender que para São Paulo o campeonato regional é mais importante que a Copa Brasil”.

“Eu acho que a Seleção Brasileira está em primeiro lugar, mas depois estão os campeonatos regionais. Copa Brasil deve ter menos tempo e reunir o mínimo de equipes. Façam torneios como a Taça de Prata, classificações regionais e outras coisas mais. O campeonato paulista para poder ter a força que todos desejam, deveria ter oito meses de calendário, onde ocorreriam muitas promoções especiais”.

“Voltariam às excursões, os torneios, os quadrangulares, que tanto sucesso já provocaram”.

“A presença da Seleção da União Soviética neste final do mês é o início do contato com o futebol da Europa. Quero outras seleções em São Paulo durante o ano de 81. Quem ganhará é o futebol brasileiro”.

“Tenho certeza de ter realizado um bom trabalho. Se a eleição fosse amanhã eu venceria. Dei estrutura a FPF, corrigi muitos erros e devo corrigir muitos outros. Lancei a semente de um trabalho profundo e sério. Aceito as críticas e estou feliz porque sinto que elas diminuíram diante de fatos positivos e inatacáveis”.