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Palmeiras e o tropeço em boa hora

Leia o post original por Antero Greco

Caro amigo palestrino, você gostaria que seu time ganhasse todas? Pergunta desnecessária, com resposta óbvia. Ainda mais quando vem embalado, joga em casa, contra adversário tecnicamente inferior. Enfim, só festa.

Era esse o panorama para o duelo com o Linense, na noite desta quinta-feira, no Allianz Parque. De um lado, o líder com seis vitórias consecutivas. De outro, um franco-atirador, sem maiores pretensões. Tudo levava a crer que seria outro sparring fácil de derrubar. Sensação que aumentou após o gol de Borja logo aos 4 minutos.

Ilusão.

A vantagem estufou a autoconfiança do Palmeiras, que chegou a ter mais de 70% de posse de bola, como se isso fosse indício de superioridade absoluta. Só que, aos poucos, o Linense equilibrou, avançou, empurrou o rival para o próprio campo. Ficou cheio de graça. E empatou pouco antes do intervalo, com Adalberto.

Deu uma esfriada na turma verde.

No segundo tempo, o roteiro parecia repetir-se, ao menos em parte. A parte boa, com outro gol de Borja e os 2 a 1 no placar, após eficiente jogada de apoio de Marcos Rocha. O Palmeiras estava mais ligado do que na etapa inicial.

Outro engano.

O Palmeiras topou com a marcação insistente do Linense, de novo se viu obrigado a recuar, assistiu a tentativas do visitante e levou o gol do placar definitivo, em chute forte de Murilo, de fora da área. Depois disso, o líder do Paulistão arriou e não criou lances de destaque.

Roger Machado acertou ao manter a estrutura da equipe, com a novidade de Guerra no meio-campo desde o início. O venezuelano foi discreto e participou do primeiro gol. Depois, cedeu lugar para Scarpa, que não teve lances significativos. Ainda entraram Keno (Lucas Lima) e William (Dudu), mudanças que se têm tornado corriqueiras.

As falhas do Palmeiras, hoje: vacilou na marcação, deixou exposta a zaga, criou pouco e, por extensão, finalizou menos do que em outras ocasiões. Chutou menos a gol do que o Linense.

Mas, se serve de consolo, sustenta a invencibilidade na competição. E, com o perdão do lugar-comum, há tropeços que vêm em boa hora. Melhor ceder dois pontos agora, na fase de classificação, do que ser surpreendido nas etapas eliminatórias.

O tropeço serve também para tirar qualquer tentativa de jogadores calçarem salto alto.

 

Corinthians e a pulga atrás da orelha

Leia o post original por Antero Greco

Meu amigo, o Corinthians ainda está no prazo que costumo determinar para emitir um juízo a respeito do que um time poderá mostrar na temporada. O período de observação vai a 10, 12 jogos. Foram 7 oficiais até agora, todos pelo Paulistão. Não fico em estado de alerta, tampouco entusiasmado com a turma de Fábio Carille.

O campeão brasileiro não está com cara boa. Previam-se dificuldades, com a saída de Pablo, Arana, Jô – o que, de resto, não é muito diferente do que ocorreu em outras ocasiões. Não se trata da primeira vez em que o Corinthians passa por um desmanche, mesmo parcial.

Já comprovou poder de reação, ao se reconstruir e dar a volta por cima. Isso serve de consolo e esperança para o torcedor. Porém, o tira-gosto no Estadual não agrada. Até agora, foram quatro vitórias e três derrotas, a mais recente há pouco, nesta quarta-feira de Cinzas, no 1 a 0 para o São Bento. Em casa.

Resultados em si nem sempre refletem o desempenho de uma equipe. No caso corintiano, sim – e eis o que preocupa. A atuação não foi boa, diante de um adversário fraco, que teve o mérito de lutar e suar, qualidades corriqueiras para qualquer um que preze o que faz.

O Corinthians até teve posse de bola, que não representou grande coisa. Ciscou, apertou e criou pouco. O time de Sorocaba esteve perto, muito perto do segundo gol, e não de levar o empate. Ficou em vantagem com gol de João Paulo, no primeiro tempo, e se fartou de usar o contragolpe como alternativa para ampliar a diferença. Passou raspando para dar certo.

Carille mexeu na defesa, com a estreia de Henrique, apostou em Marquinhos Gabriel no meio e foi com Júnior Dutra no meio do ataque. No mais, apelou para os jogadores da campanha do título nacional de 2017, incluído Romero. O Corinthians não funcionou. A magia anterior desapareceu.

O treinador ainda fez alterações, até com a entrada de Danilo no lugar de Gabriel, Camacho na vaga de Jadson e Clayson em substituição a Marquinhos. Na prática não deu em nada. A estabilidade, a calma, a consciência do que fazer, que foram características decisivas para vitórias no Brasileiro, ainda não deram o ar da graça em 2018.

O Corinthians de hoje deixa o torcedor com a pulga atrás da orelha. E é pulguinha chata, daquelas que incomodam, que provocam coceira e desconforto.

Está ficando com boa cara o Palmeiras

Leia o post original por Antero Greco

Meu amigo, o Palmeiras versão 2018 está ficando com um jeito interessante. Não só por causa dos resultados – cinco vitórias enfileiradas -, mas pela maneira de jogar. E é isso o que importa. O time que o Roger Machado constrói, durante o Paulistão, pode dar o que falar…

Tanto vai bem que passou sem sufoco pelo primeiro teste para valer. O desafio foi o Santos, no clássico da tarde deste domingo, no Allianz Parque. E não houve espaço para decepção: 2 a 1, com direito a gol de zagueiro logo no início (Antonio Carlos), gol de Borja e estreia de Scarpa. Fora a casa lotada, como já virou praxe há bastante tempo.

Há dois aspectos a destacar: a movimentação e o autocontrole. A turma verde não fica parada, num esquema preso e burocrático. Os deslocamentos são constantes, desde os laterais até os atacantes e o pessoal do meio.

Marcos Rocha e Vitor Luís foram muito à frente, Tchê Tchê apareceu várias vezes para finalizar, Lucas Lima e Dudu alternaram lances pela direita e pela esquerda, assim como Willian e Borja. Só Felipe Melo ficou mais fixo na proteção à zaga.

E deu certo. Além de contar com pressão adicional sobre o Santos com o gol de Antonio Carlos com dois minutos. E, depois, com bola na trave em finalização de Lucas Lima.

Os dois episódios iniciais abaixaram a tensão palmeirense, que teve o jogo sob controle praticamente o tempo todo. Ficou mais tranquilo com o gol de Borja, aos 4 do segundo, e não se abalou com o gol de Renato, em cruzamento da direita, num erro de arbitragem. (A bola havia saído e seria escanteio.)

Keno e Bruno Henrique entraram com vontade, embora não tenham mudado o andamento da partida. Scarpa jogou menos de dez minutos; foi só para sentir o gostinho de ter contato com o público.

É um Palmeiras ok, em evolução evidente. Com falhas, ainda, em certos contragolpes adversários, com necessidade de mais arremates e melhor fôlego. Mas coleciona atuações que dão esperança para seus seguidores. A aguardar…

O Santos tem mais limitações e Jair se vê obrigado a recorrer a muitos jovens. Vai demorar um pouco mais para entrosar a tropa.

Clássico da saudade

Leia o post original por Antero Greco

Quando era jovenzinho, lá pelo final dos anos 60 e começo dos 70 do século passado, assistia a muitos jogos nos estádios. Na época, a carteirinha de estudante e a idade me permitiam entrar de graça. Para um menino de classe média baixa, do Bom Retiro, esse era programão. Por isso, não perdia partidas do meu time, claro, mas curtia ver os rivais em ação. Os cinco grandes (sim, a Lusa incluída) tinham formações de dar gosto.

Fascínio pra valer era o clássico Palmeiras x Santos. De um lado, a Academia alviverde; de outro, a fabulosa máquina alvinegra de jogar bola. Os dois juntos formavam uma seleção, com titulares e reservas. Perdi a conta de quantas vezes acompanhei de perto o duelo, sobretudo se estivessem em campo Pelé e Ademir da Guia!

Juro que não é saudosismo, nem aquele papo de “no meu tempo”… Mas vovôs de hoje, que por acaso estejam a ler esta crônica, podem comprovar: que lindeza, que majestade o encontro das duas lendas (tenho como relíquia uma cópia de foto original, do arquivo do nosso “Estado”, em que aparecem em destaque Pelé e Ademir, numa dividida que mais parece passo de balé. Uma obra-prima, cujo autor no momento me foge à lembrança).

Alguns desses confrontos se fixaram na memória afetiva. Dois deles em 1965 e, por coincidência, com surras e tanto dos palestrinos. O primeiro, pelo Rio-São Paulo, em 31 de março, no aniversário de um ano da “Redentora”, aquela…

O Palmeiras foi ao Pacaembu com time completo, enquanto o Santos mandava reservas, porque a força máxima à noite jogaria com o Peñarol, em Buenos Aires, a “negra” nas semifinais da Taça Libertadores. Caiu cá e lá. Por aqui, foram 7 a 1, com três de Ademar Pantera. Acolá, os uruguaios venceram por 2 a 1 e foram para a final.

Em dezembro, o Santos já comemorava mais uma conquista de Paulistão e foi ao Parque Antarctica despreocupado da vida, para cumprir tabela. Levou sapecada de 5 a 0, três gols de Dario e dois de Servílio. Naquela tarde, Ademir da Guia não esteve em campo.
Não esqueço o troco santista (4 a 1), dois anos mais tarde, no mesmo local, também pelo Estadual, que era importante e dava prestígio. Toninho (2), Silva e Pelé calaram o saudoso estádio verde; Tupãzinho descontou.

Você me permite?, dou as escalações, porque só tinha artista. Palmeiras com Valdir, Djalma Santos, Baldocchi, Minuca, Ferrari; Dudu e Ademir; Cardozinho, Servílio, César, Tupãzinho. O Santos com Gilmar, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Oberdan, Rildo; Clodoaldo e Lima; Toninho, Silva, Pelé e Edu.

Um pouco mais crescido, então calouro do curso de Letras na USP, numa tarde de março de 1972, fui ao Pacaembu para me deliciar com outro choque entre as turmas de Ademir e Pelé. Ganharam os palmeirenses, por 2 a 1. Tenho bem viva uma cena: com poucos minutos de bola a rolar, Pelé tenta dar uma “caneta” em Dudu, toma um sarrafo, não abre o bico. Em respeito ao volante procura outro espaço para suas diabruras. Opaco…

Recordações de felicidade que o futebol proporcionou a mim e a tantos garotos que tinham caminho livre para frequentar praças esportivas, sem medo de brigas, com as torcidas misturadas e a curtir seus ídolos. O máximo de perigo que havia era o desentendimento de exaltados e bebuns, aqui ou ali, logo apartados pela turma do “deixa disso”.

Não sei quem colocou nesse jogo o apelido de “Clássico da Saudade”, em homenagem àquele período. Mas acertou. E que esta tarde possa entrar para a lista de histórias a serem citadas no futuro pelos que estiverem no Allianz. O primeiro teste importante para o Palmeiras embalado e para o Santos em busca de afirmação. Que Dudu, Lucas Lima, Renato, Gabigol (se entrar) e demais honrem a tradição de camisas de peso.

Opiniões

Leia o post original por Odir Cunha

Um amigo já me disse que basta você dar uma opinião para fazer inimizades. Sim, imagine assistir a um jogo do Santos ao lado de outros torcedores e de repente elogiar um jogador. Veja bem que eu disse elogiar, não criticar. Pois alguém ao lado pode detestar o dito cujo e reagir de maneira agressiva, iniciando uma discussão.

Meu problema, se é que se trata de um problema, é ser crítico e sincero. Sou assim com meus amigos, irmãos, filhos e parentes. Sei que a sinceridade dói e não ajuda em nada no estreitamento de amizades e estou tentando me tornar um senhor mais comedido. Mesmo originalmente passional, hoje acredito que é possível discutir ideias, não pessoas, e por isso, entre outras coisas, este blog tem regras e não tolera palavrões ou expressões chulas.

Como toda ação provoca uma reação, cortando o mal pela raiz conseguiremos discutir o Santos de maneira mais civilizada. Isso serve para todos e, evidentemente, também para mim. Talvez muito mais para mim, que hoje sou dirigente do Santos e preciso tomar cuidado dobrado com minhas palavras.

Sei muito bem que virei vidraça, assim como meus companheiros de gestão, e aceito isso como o preço que se paga por ter a honra de ser escolhido para gerir um clube tão poderoso como o nosso querido Alvinegro Praiano. É evidente que nem todas as críticas que recebemos são justas e espontâneas, mas a situação já era esperada por nós.

Hoje a mídia social supervaloriza acertos e erros e o futebol está longe de ser uma ciência exata. Por mais que se planeje e se trabalhe, um fato inesperado, de última hora, pode mudar uma situação amplamente favorável. Paciência. Quando isso acontece, é preciso levantar a cabeça e continuar lutando. Afinal, os valores de nosso clube são Técnica, Disciplina, Garra e Ousadia. Não temos qualquer dúvida de que, ao final desses três anos de gestão, entregaremos o Santos muito mais estabilizado, transparente e próspero do que o encontramos.

Já estamos correndo para realizar os compromissos de campanha, em várias áreas. Sabemos que o futebol é a menina dos olhos de todos nós e, principalmente, do torcedor e do sócio, mas um clube também depende de vários outros departamentos para crescer com harmonia e solidez.

A ampliação do Memorial das Conquistas, projeto que toco ao lado de Alex Fernandes e a equipe do Memorial, e a restauração da Chácara Nicolau Moran, que encabeçarei com o vice-presidente Orlando Rollo e outros companheiros, já saíram da inércia. Novos capítulos virão. O selo editorial Memorial das Conquistas também está a caminho.

A 1ª Semana Santos está aberta às inscrições de empreendedores, artistas e comerciantes que queiram comemorar o 106º aniversário do Santos na semana de 9 a 15 de abril. Em meados de março divulgaremos o calendário oficial da Semana. Enfim, mesmo com a grana curta, estamos usando a criatividade e o velho e bom trabalho para fazer as coisas andarem.

O que você pode fazer para ajudar o Santos

Suas opiniões e sugestões são muito importantes e nos ajudam a corrigir a rota rumo ao futuro, mas há maneiras mais efetivas de caminhar ao lado do Santos na busca desse objetivo. As duas mais palpáveis são associar-se ao clube, ir aos jogos e adquirir produtos oficiais do Santos. Se tiver de escolher apenas uma das três, torne-se sócio.

Garanto que nesta gestão o sócio do Santos deixará de se sentir apenas um contribuinte que não recebe nada, ou quase nada, em troca. Você terá recompensas e benefícios que compensarão o seu investimento no clube e o seu apoio tornará, a médio prazo, o nosso Alvinegro muito mais forte.

Imagine 100 mil pessoas pagando, em média, 30 reais por mês. Isso dará 36 milhões brutos por ano, ou cerca de 26 milhões líquidos, um valor superior a duas verbas de patrocínio máster.

É a associação em massa que tem dado fôlego a Grêmio e Internacional e também pode proporcionar ao Santos, que tem mais torcedores do que esses times do Sul, a independência e poder que precisa para implantar seus projetos e desenvolver toda a sua ousadia também fora do campo.

Como sócio, você terá a oportunidade de votar para presidente do Santos sem precisar se deslocar para Santos ou São Paulo, pois lutaremos para implantar o voto à distância, além de participar ativamente da vida do clube, respondendo a enquetes dirigidas diretamente a você. Ou seja, finalmente suas opiniões serão ouvidas e, na medida do possível atendidas.

Como jornalista formado no Jornal da Tarde, um veículo que cultuava a crítica e a rebeldia, estou preparado para o julgamento dos santistas. Sei o quanto essa fiscalização é importante e quanto ela nos ajuda. Só peço, principalmente aos que tiveram tanta paciência com os 36 meses ruinosos da última gestão, que sejam um pouquinho mais tolerantes com uma administração que neste dia 2 de fevereiro completa apenas um mês de trabalho oficial. Fortes abraços!

E você, já se associou ao Santos?


Corinthians e SP repetem roteiros

Leia o post original por Antero Greco

O primeiro clássico do Paulistão de 2018 acabou agora há pouco, no Pacaembu, com vitória do Corinthians por 2 a 1 sobre o São Paulo. E mostrou algo que o torcedor mais ou menos já imaginava: ambos tendem a repetir roteiros do ano passado.

Como assim?! Explico.

Resultado à parte, os corintianos revelaram coesão maior, continuidade da trajetória que atingiu o auge com o título brasileiro. Mesmo com modificações em relação a 2017 (saíram Pablo, Arana e Jô), a equipe de Carille passa a sensação de que atingirá com maior rapidez um bom nível de competitividade.

A base se manteve, os jogadores sabem o que fazer, conhecem as intenções e estratégias do técnico, e isso facilita a tarefa de atingir objetivos. Falta acertar o substituto de Jô na frente. Kazim começou de novo como titular, negou fogo e cedeu lugar para Júnior Dutra. Que deu mais velocidade, mas ainda não atingiu entrosamento, o que é normal.

Já o São Paulo passa por mudança mais acentuada, também sofreu baixas significativas (Hernanes, Pratto) e está emperrado. Ok, vários nomes são os mesmos de antes e, portanto, deveria estar num nível semelhante ao do adversário. Concordo; porém, o jogo não flui.

A zaga precisa de ajustes, o meio-campo carece de velocidade e criação e o ataque desta vez não funcionou. Diego Souza, Marcos Guilherme, Brenner (autor do gol) incomodaram pouco Cássio & Cia. Chover no molhado constatar que Dorival Júnior vai suar um bocado para colocar a casa em ordem. Quem sabe melhore com Nenê e Trellez. E ainda é preciso ver qual rumo tomará a carreira de Cueva.

O placar foi definido na etapa inicial, com os gols de Jadson (pouco mais de um minuto), Brenner (no empate) e Balbuena (aos 32). Nessa fase, houve ritmo bom de ambos os lados. No segundo tempo, caiu, pois tanto corintianos como tricolores sentiram o desgaste.

A diferença está no aproveitamento: o Corinthians, que jogou quatro vezes seguidas no Pacaembu – um absurdo na tabela -, tem 9 pontos e sobra no grupo dele. O São Paulo, com 4, por ora está na ponta na chave, mas com desempenho irregular, com 2 derrotas, 1 vitória e 1 empate.

Mas ficou mesmo no ar um jeito de filme já visto, para um lado e outro… Com o que tem de bom e, sobretudo, de preocupante…

SP e vitória para espantar pressão

Leia o post original por Antero Greco

Começo de temporada é complicado, principalmente para time grande. Muitos jogadores estão fora de forma, mas os desafios aparecem de cara, com os Estaduais. Estes torneios simpáticos, tradicionais e em crise, não têm acrescentado muito. Porém, fazem cada estrago, sobretudo se as vitórias demoram para aparecer!

O São Paulo já começava a sentir os efeitos de oscilar. Estreou com derrota no Paulistão e empatou em seguida. Por isso, foi para Mirassol preocupado. Novo tropeço e tome ambiente tenso para o clássico com o Corinthians, no sábado. Sem contar o caso Cueva para resolver…

Dorival Júnior mandou a campo o que tem de melhor no momento e abandonou de vez a conversa de escalar time misto, colocar os titulares aos poucos e coisas do gênero. Foi com tudo e na base do seja o que Deus quiser. O Mirassol na dele, sem nada a perder.

E até que o São Paulo buscou o jogo. Partiu para cima, empurrou o rival para o próprio campo, tentou a sorte, finalizou. Com Petros na função que antes era de Hernanes e com Diego Souza como referência na frente. Fechou o primeiro tempo melhor. Pode não ter sido uma maravilha, mas tinha mostrado o suficiente para vantagem. Que não veio.

Na segunda parte, houve queda, o que é compreensível, pelo estágio de preparação dos times e pelo tempo quente em Mirassol. Mesmo à noite, a temperatura anda alta que só. Tanto que Petros sentiu o baque e saiu na metade. Uma maneira de preservar-se para o sábado. Entrou Lucas Fernandes.

Pouco antes, Brenner também tinha ido pro banco, com Caíque no lugar dele. E o rapaz foi bem. Deu velocidade aos contragolpes tricolores. As finalizações aumentaram, o goleiro Fernando Leal trabalhou bem e parecia que o viria outro 0 a 0 por aí.

Até que Diego Souza espantou a zica e abriu o placar aos 38. Foi um alívio, o São Paulo tirou uma tonelada das costas. Ficou tão leve que chegou ao segundo, com Marcos Guilherme, aos 44.

Agora é ver se estará relaxado (no bom sentido) para enfrentar o Corinthians. Era imprescindível vencer, e o São Paulo conseguiu. Ótimo para desanuviar.

Se liga, São Paulo!

Leia o post original por Antero Greco

Não gosto de disciplina férrea, aquela dos antigos colégios internos, de mosteiro ou de caserna. Não vejo qualquer reação mais intempestiva ou uma palavra mais dura como rupturas da hierarquia. Nem acho que time de futebol tenha de ser composto por coroinhas ou escoteiros.

Mas tem momento em que, se não se souber segurar a onda, vira bagunça. É preciso agir rápido para a casa não cair.

Veja você, caro amigo, o que acontece no São Paulo. No ano passado, foi um sufoco tremendo para driblar o rebaixamento. A salvação veio aos 39 do segundo tempo, na base do suor e da adrenalina. Após o susto, a promessa de 2018 com ordem, planejamento e caras novas no comando, com destaque para ex-astros como Raí e Ricardo Rocha.

O time mal estreou na temporada, com dois tropeços, e já aparece um abacaxi para descascar. E que atende pelo nome de Cueva. O peruano chegou das férias um pouco mais tarde do que os outros, precisa de tempo para entrar em forma e já fez cara feia porque não é titular. Ao saber que não começaria no jogo de amanhã com o Mirassol, pediu para não viajar.

Aí, já foi a primeira pisada, a “folgada” inicial. Se está relacionado, viaja e pronto. Fica no banco e aguarda a vez, como aconteceu no sábado. Foi até pedido da torcida para que entrasse no empate com o Novorizontino. A massa apostou nele.

O caldo se torna mais denso com declarações de Raí ao site tricolor. O responsável pelo futebol diz que Cueva não está plenamente comprometido com a agenda do time no momento e que, por isso, ficou fora da delegação. Mas emenda com a conversa de que o São Paulo não abre mão dele neste momento. (O clube até recusou oferta de time árabe.)

O episódio acabou aí? Não. Cueva vai pra rede social e escreve que, pelo visto, não tem tanta importância assim, já que foi afastado. E garante que tem comprometimento. Outra vacilada. Pra que o desabafo? Pra testar a popularidade? Para peitar o treinador? Para sentir o pulso dos ex-boleiros que agora estão no comando?

O São Paulo não pode brincar em 2018. Se a direção acha que Cueva não está comprometido, então que negocie saída em que não tenha grande prejuízo. Ou não venha a público dizer isso e não fazer nada. Porque a bronca pode cair no vácuo. E os desdobramentos serão piores do que eventual ausência do moço.

Fantasma de 2017 já assusta o SP

Leia o post original por Antero Greco

A torcida do São Paulo foi espetacular no ano passado. Tão logo percebeu o perigo real de rebaixamento no Brasileiro, abraçou o time, lotou estádios, deu apoio incondicional. Foi importante para a reação, no mínimo por não ter cornetado jogadores, treinador e dirigentes. Enfim, deu sossego para que a turma resolvesse dentro de campo.

O comportamento, pelo visto, será diferente em 2018 – e uma prova veio agora há pouco, na noite deste sábado, no Morumbi. Após o empate por 0 a 0 com o Novorizontino, ouviram-se vaias. Não foi uma coisa espantosa tampouco generalizada. Mas o sinal de impaciência foi mandado. Segunda partida da temporada sem vitória, um ponto no Estadual.

O indício de apreensão interna apareceu depois da derrota por 2 a 0 para o São Bento, na abertura da competição. Dorival Júnior e direção haviam programado dar mais tempo de preparação para os principais jogadores. No entanto, recuaram e recorreram à maior parte dos titulares – até com presença de Diego Souza e Cueva.

Com isso, de certa forma se abandonou o cronograma inicial, o que considero interessante. Já que a intenção é montar um time o mais rapidamente possível, que se apele para os melhores. Como não há muita folga na tabela, os ajustes vão sendo feitos durante a competição. E, também, se tenta acalmar o público.

Pois bem, o São Paulo titular teve dificuldade para criar e para marcar, além de sentir o cansaço do meio do segundo tempo em diante. Tudo normal, já que se trata de começo de trabalho. Impossível desejar eficiência em alto grau neste momento.

O problema recorrente será o de lidar, de novo, com o medo de mais fracassos. Para tanto, Dorival e cartolas terão de ter pulso firme e convicção; caso contrário, o caldo entorna logo. Não pode haver pânico, se bem que isso é um tanto difícil.

Como difícil foi chegar à área do Novorizontino. Mesmo assim, Petros e Marcos Guilherme tiveram chances, fora diversos chutes de longa distância. Na segunda parte, a turma visitante melhorou, assustou num lance de gol bem anulado pela arbitragem e soube segurar o empate.

Com o perdão do lugar-comum: pessoal, o São Paulo promete fortes emoções na temporada.

Palmeiras e as boas impressões

Leia o post original por Antero Greco

O Palmeiras ensaiou goleada sobre o Santo André, ao abrir 2 a 0 sem muita força, ainda no primeiro tempo do jogo disputado no Allianz Parque, na noite desta quinta-feira. Depois, deu uma segurada no ritmo, levou um gol na segunda etapa, tomou uma bola na trave, passou por pequeno susto. Até fazer mais um e fechar a conta em 3 a 1, na estreia no Paulistão.

Antes de mais nada, a constatação óbvia: vencer sempre é bom, sobretudo quando se dá a largada numa competição, com caras novas, incluída a do técnico. Como aperitivo, valeu o resultado palestrino diante de um público muito bom (32 mil pagantes), que respondeu “presente!”, como prova de confiança após as contratações feitas nas últimas semanas.

Claro que o desempenho foi instável, e não poderia ser de outra maneira. Além de gente que acabou de chegar, leve-se em conta que se trata de começo de temporada, com os altos e baixos normais. As equipes demoram ao menos um mês e meio para darem ideia aproximada do que poderão mostrar ao longo do ano, para o bem ou para o decepcionante.

No caso palmeirense, alguns pontos positivos podem ser ressaltados. No gol, Jailson manteve a escrita de não saber o que é perder. Marcos Rocha foi bem e basta aplicar-se para ser dono da lateral direita. Antonio Carlos e Thiago Martins não se complicaram, assim como Victor Luís esbanjou fôlego na esquerda, o que pode fazê-lo sombra para Diogo Barbosa.

No meio, Felipe Mello rachou duas vezes, esbravejou, mas compensou com movimentação e passes importantes, como aquele que originou o primeiro gol. Tchê Tchê oscilou e depois cedeu lugar para Bruno Henrique. Dudu correu; porém, esteve abaixo do habitual e foi substituído por Keno, que entrou bem e fechou o placar.

Willian continua a ser eficiente; funcionou na marcação e ainda fez o primeiro gol do time em 2018. Borja foi um leão, a ponto de funcionar como pivô e até ajudar na defesa. Lucas Lima teve estreia muito boa, de quebra com um gol.

É um Palmeiras com muito ainda por definir, com mudanças para ocorrerem. Uma delas, evidente, a entrada de Scarpa. Mas a impressão deixada foi positiva – e o desafio de Roger será o de escolher as peças certas e rodar o elenco de acordo com as circunstâncias.

Se tiver critério, bom senso, competência (e uma pitada de sorte), Roger Machado pode transformar o grupo de jogadores numa equipe vencedora, o que Eduardo Baptista, Cuca e Valentim não conseguiram em 2017.