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Corinthians ainda de ressaca da Flórida

Leia o post original por Antero Greco

Fábio Carille fez o certo: na rodada inaugural do Paulistão, colocou em campo o Corinthians que mais deve aproximar-se do titular. O resultado não foi animador: derrota por 1 a 0 para a Ponte Preta, no Pacaembu. A largada em 2018 não foi entusiasmante.

A noite quente em São Paulo não ajudou o campeão estadual e brasileiro. Ainda meio sonado, depois da semana passada na Flórida, teve dificuldade diante de uma Ponte firme na marcação. Carille optou pelo retorno do 4-1-4-1, que não empolgou.

Não foi apresentação abaixo da crítica; nada disso. Apenas o Corinthians não teve desempenho que se espera de um grupo parecido com o do ano passado e que teve duas grandes conquistas. Por mais que se dê desconto por viagem, início de trabalho, etc, etc, claro que o torcedor “mal-acostumado” sempre deseja divertir-se – com vitória.

No primeiro tempo, houve movimentação interessante dos dois lados, com bola na trave a favor dos corintianos e expulsão do ponte-pretano Felipe Cardoso, por acúmulo de amarelos (o segundo um pé no peito de Cássio!).

Os alvinegros da capital tiveram escalação muito parecida com aquela que terminou 2017. Claro, com três mudanças importantes: Pablo, Arana e Jô bateram asas. Pedro Henrique já havia sido muito utilizado no ano passado e não destoou na zaga. Romão não foi bem e ainda tomou vermelho no segundo tempo. Kazim, já da casa, mostrou que, no máximo, é opção. Não tem estofo para ser o dono da posição no comando do ataque.

Na segunda parte, bateu cansaço no Corinthians, até natural pelo desgaste dos últimos dias. O jogo ficou em ritmo lento e só melhorou após o gol, decisivo, de Felipe Saraiva, aos 23 minutos. Houve chance do empate, em pênalti desperdiçado por Jadson. Dali em diante, as jogadas de ataque eram na base do chutão, lançamentos longos e cruzamentos para a área.

Para repetir imagem usada anteriormente no comentário que fiz sobre o jogo do São Paulo, foi somente um tira-gosto, uma entradinha no cardápio corintiano – e não teve sabor. No entanto, ainda é muito cedo, cedo demais, para achar que o prato principal desagradará.

Aperitivo tricolor sem graça

Leia o post original por Antero Greco

Você gostou da estreia do São Paulo no Estadual, na noite desta quarta-feira? Eu não. Como aperitivo, o time que entrou em campo para encarar o São Bento, em Sorocaba, não teve graça. Cheio de jovens, criou pouco, incomodou quase nada o adversário e ainda amargou derrota por 2 a 0.

Sei, sei, é apenas início de trabalho e estava combinado que Dorival Júnior colocaria só reservas, para dar mais tempo de preparação para aqueles considerados titulares. É estratégia definida com a direção e não se esperava grande coisa mesmo.

Mas, como já havia deixado claro anteriormente, preferia ver no mínimo formação mista, se possível a mais próxima possível da ideal. Como fez Jair Ventura, no Santos, que no mesmo horário enfrentou o Linense e venceu por 3 a 0. Se a intenção é usar o Paulistão como laboratório, por que não observar logo como se comportam os principais atletas do elenco?

Ok, a escolha é essa, respeita-se e aguarda-se. Costumo dizer que avaliação adequada do que pode ser a temporada se faz depois de 7, 8 partidas oficiais. E tomara Dorival tenha respaldo incondicional dos dirigentes, sobretudo os novos, os ex-boleiros Raí e Ricardo Rocha.

Na prática, o jogo com o São Bento não foi bom. Sidão, o mais experiente do grupo, teve trabalho com o sistema defensivo desentrosado. O meio-campo com Pedro Augusto, Paulo Henrique e Araruna inexistiu, assim como Maicosuel e Júnior Tavares desapareceram na frente. O jovem Bissoli não decepcionou.

O São Bento cumpriu o papel dele à perfeição, com boa marcação, trocas rápidos do meio em diante, e aproveitamento total nas chances de gol, com Anderson Cavalo e Maicon Souza (em jogada ensaiada na cobrança de falta), no segundo tempo.

Só largada, não custa destacar. Mas poderia ser mais empolgante por parte do São Paulo.

 

Rueda pisa na bola com o Fla

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Direto ao assunto, como zagueiro antigo ia nas canelas do centrovante: não gostei da forma como Reinaldo Rueda deixou o Flamengo. Com a ressalva, repito: é direito dele, como qualquer cidadão livre, trabalhar onde bem entender.

E que bom que tenha mercado; muita gente padece com desemprego.

Só poderia ter escolhido outra estratégia para ir cantar em outra freguesia, no caso a seleção do Chile. Faz pelo menos duas semanas que imprensa de Santiago (e de Bogotá) trazia informações sobre as conversas entre dirigentes locais e o técnico colombiano. A perspectiva de ruptura crescia à medida que o tempo passava.

E Rueda em silêncio, mesmo com tentativas – segundo afirmam cartolas rubro-negros – de contato para esclarecer a situação. Nada de nada. Ele ficou num mutismo só, enquanto oficialmente curtia as férias do futebol brasileiro.

Como bola cantada, deixou a Colômbia na noite de domingo para supostamente se apresentar ao Fla nesta segunda-feira. Foi o que fez, mas para dizer adeus. Ok, pode-se alegar que, por um lado, agiu corretamente, porque veio pessoalmente se desligar. Perfeito.

Por outro, há a mancada: se estava propenso a aceitar a oferta de novo emprego, por que não antecipou a volta para liberar-se a si e ao Flamengo? Sei lá, podia ter feito isso cinco, seis dias atrás, logo após as festas de fim de ano.

Ah, mas ainda não estava certo… Ora, pelo andar da carruagem o papo com os chilenos sempre evoluiu; em nenhum momento empacou. Sendo assim, teria sido elegante Rueda deixar bem clara a tendência à ruptura.

O Flamengo também vacilou. Assim que espoucaram as notícias sobre o interesse chileno, deveria ter pressionado o treinador, sem chance para enrolação. Era encostar na parede e cobrar: vai ou fica? Com isso, ganharia tempo para buscar substituto. O Fla comeu mosca.

Vá lá, anunciou Paulo Cesar Carpeggiani agora à noite. Nome conhecido no clube e disponível. Mas teria sido a alternativa principal, se estivesse evidente que perderia Rueda? Tenho cá minhas dúvidas. Assim como prefiro ser cauteloso no prognóstico sobre o desenvolvimento do projeto com o novo técnico.

No mais, está claro que o futebol doméstico virou trampolim para os gringos se ajeitarem com “coisa melhor”. Vêm para cá, fazem uma firulinha e logo se mandam…

Flamengo sem tempo para perder

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Tomara que nas próximas horas termine o mistério em torno do futuro de Reinaldo Rueda. O treinador colombiano neste momento (final de domingo) está no voo que o trará ao Rio na manhã da segunda-feira. E, assim que desembarcar, vai reunir-se com a direção do Fla e informar se fica para a temporada 2018 ou se baterá asas e se mandará para o Chile.

Não se discute o direito de Rueda, como cidadão livre e profissional autônomo, decidir o que pretende na vida e na carreira. Ele vai para onde lhe convier. Se permanecer no Fla, ótimo; assim cumprirá contrato que tem em vigor. Se optar pela seleção chilena, sem problema também, desde que respeite os termos do acordo com o clube carioca.

O que não pode se estender é a dúvida que paira desde a primeira quinzena de dezembro, quando se intensificaram as especulações em torno da mudança de ares. Os chilenos não escondem desejo de tê-lo num processo de recuperação da seleção local. Antes, fizeram muito barulho e todo dia deixaram vazar na imprensa novidades sobre as negociações.

Rueda é que se manteve calado – e isso desencadeou boatos e incerteza. Ok, ele estava de férias e, portanto, sem obrigação de manifestar-se. Mas, diante do zumzunzum internacional, também não custava nada mandar um comunicado oficial para o Flamengo ou colocar um filminho ou texto qualquer em mídias sociais.

Na base do “Olha, gente, nada disso é verdade e logo estarei de volta ao Rio.” Ou: “Recebi propostas e estou estudando se valem a pena ou não. Assim que houver novidades, falarei.” Simples e direto. Hoje em dia as mídias sociais são usadas para banalidades e para uma ou outra informação mais séria. Seria o caso…

Mas o que interessa mesmo é o Flamengo. Não pode passar desta segunda-feira a definição sobre Rueda. Se ele for embora, imediatamente é preciso buscar alternativa. Na verdade, se fosse dirigente rubro-negro, eu teria pressionado o técnico para que se pronunciasse logo. E, se enrolasse, sondaria o mercado na mesma hora. Teria plano B na manga.

O Fla não pode ficar à mercê de treinador, ou de jogador, ou de quem quer que seja. Ele está acima de tudo isso. E, é bom lembrar, há desafios importantes em 2018, sem tempo a perder. Planejamento, elenco, programação, tudo passa pelo crivo de uma Comissão Técnica. Se Rueda pegar o boné, o Fla já larga em desvantagem em relação aos concorrentes.

Diego Costa: gol, alegria e expulsão

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Diego Costa é atacante à moda antiga, do tipo hoje em extinção: valente, provocador, exagerado, goleador. Com ele não tem meio-termo, é radical e não se incomoda com isso. Não por acaso já se envolveu num monte de confusões e foi até dispensado por mensagem em celular, como aconteceu com o Chelsea, do técnico Antonio Conte.

Mas há ocasiões em que a intolerância ronda as atitudes de Diego Costa. Foi o que aconteceu neste sábado, no primeiro contato com a torcida do Atlético, desde o retorno a Madri.

O sergipano naturalizado espanhol fez gol nos 2 a 0 contra o Getafe e foi comemorar com o povo. Literalmente foi para os braços da galera, ao subir os degraus que ligam o gramado às arquibancadas no novo estádio do time.

Cena bacana, diferente, espontânea, que se via tanto em outros tempos, quando jogador trepava no alambrado e vibrava com os fãs. Só que agora isso não é de bom-tom, não pega bem, está vetado pelos códigos dos senhores que cuidam das boas maneiras dos boleiros.

Pois bem, o que fez então sua senhoria Munuera Montero? Mostrou o cartão amarelo para Diego Costa, aos 28 minutos do segundo tempo. Como ele havia recebido outro, seis minutos antes, veio o vermelho. O assoprador tirou os dois cartões com gosto, para ostentar autoridade. O rapaz ficou com cara de tacho e foi embora.

Ok, alguém pode dizer que a advertência está prevista nos regulamentos e outros quetais. Mas é estúpida, autoritária, broxante, negação da alegria contida no gol. O auge de uma partida, a jogada que todos esperam, é mantida em camisa de força sem sentido.

E os árbitros seguem esse estrupício ao pé da letra, sem levar em consideração atenuantes, circunstâncias do jogo, clima. Diego Costa estava de regresso para um clube onde é querido, fez um gol, festejou com o público. Sem desrespeitar ninguém, sem provocação, sem retardar o reinício do jogo (e, se atrasasse, que se acrescentasse no final). Enfim, não fez nada de anormal.

O prêmio? O cartão vermelho. Ou seja, foi punido como se tivesse dado um pontapé, uma cotovelada, uma cusparada em um adversário. Aliás, ele mesmo em muitas ocasiões apelou para a ignorância e só levou amarelo – como acontece com frequência com qualquer jogador. E ficou até o encerramento da partida.

Está na hora de acabar com essa castração, a antítese do que significa um jogo de bola. Deixem a moçada comemorar em paz, desde que não haja desrespeito contra ninguém.

Como tem juiz estraga-prazer!

 

A falta do profeta Hernanes

Leia o post original por Antero Greco

Amigo são-paulino, 2018 mal começou e já há notícia de baixa no elenco. Péssima, por sinal. Pela forma como falou hoje, Hernanes está com a bagagem pronta para voltar para a China.

O clube que o mantém sob contrato exigiu retorno imediato, de preferência no domingo. Diz que não tem papo, pois está nos planos do técnico Manuel Pellegrino. Fim de aventura por aqui.

Uma pena, pois Hernanes foi a pedra fundamental para a reação do São Paulo no Brasileiro. Sem exagero, dá para afirmar que a chegada dele evitou a humilhação de rebaixamento inédito. Não só pelos gols que fez, mas pela postura em campo e fora. O “profeta” foi decisivo para ajudar Dorival Júnior na construção de ambiente favorável.

O São Paulo sabia do risco que corria ao repatriar Hernanes. Os chineses aceitaram cedê-lo por seis meses, com a cláusula de tê-lo de volta em janeiro, se fosse necessário. E exerceu esse direito. Parece improvável que abram mão, mesmo com a promessa de Hernanes de fazer tentativa no contato direto.

O episódio revela pela enésima vez a condição subalterna que os times brasileiros têm hoje em dia no mercado internacional. São grandes fornecedores de mão de obra super-qualificada e ganham dinheiro com venda de jogadores.

Na verdade, mesmo que queiram, não conseguem segurar os principais talentos por muito tempo. Se aparecer proposta razoável – e às vezes nem isso -, cedem, por pressão de atletas, de assessores e do caixa doméstico constantemente baixo.

No máximo, se contentam em contar com o retorno de alguns por breves períodos de “reciclagem”. Lembram das idas e vindas de Romário? E dos regressos de Robinho para o Santos? Ou de Kaká no Morumbi dois anos atrás? São inúmeros os casos. Em geral, os moços passam um tempinho por aqui, recuperam ritmo e confiança, para baterem asas novamente.

Hernanes deixará saudade – e, mais do que isso, preocupação. Para quem deseja montar elenco forte para a temporada, não poderia haver baque maior.

A escapada de Scarpa

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Foi-se o tempo em que jogador era escravo de clube, ao qual permanecia ligado independentemente da própria vontade. Só saía se fosse conveniente para o empregador. Agora, como todo trabalhador, tem o direito de emprestar seus serviços onde achar interessante – desde que o mercado lhe seja generoso.

Que bom. Assim não há mais necessidade de permanecer num local que não lhe agrade. A pior coisa é ficar com colaborador descontente.

Isto posto, vamos ao motivo desta crônica: Gustavo Scarpa pisa na bola com o Fluminense. O moço anda descontente com a situação nas Laranjeiras e antes da virada de ano deu a entender que gostaria de troca de ares. Até se animou com acenos de Palmeiras, Corinthians e outros grandes.

Está correto em abrir-se para propostas, não vem ao caso nenhuma restrição. Só não pega bem a estratégia de não reapresentar-se, após as férias, nem dar satisfação para técnico ou dirigentes. Ignorou o cronograma, mantém-se incomunicável, não fala com ninguém. Nem o “staff” (pois é, jogador hoje tem vários assessores) se manifesta. Silêncio e fim de papo.

Por que isso? Para mostrar que se aborreceu com críticas de torcedores? Demonstração de inconformismo com salários e outros direitos atrasados? Compreensível a decepção, outro aspecto que não merece repreensão. Mas, daí a fechar-se vira alternativa antipática.

Scarpa agiria bem, e sem trair o desejo de ir embora, se aparecesse para treinar e deixasse bem claro que o faria apenas por obediência ao protocolo. Passaria por testes, faria exames, seguiria o programa da Comissão Técnica sem abrir mão de negociar eventual saída. E, ainda por cima, tornaria público o descontentamento; bastava dar entrevista e explicar o caso.

Isso não impediria sequer que recorresse à Justiça, para reclamar ruptura de vínculo, se é de fato o que deseja. Se o Fluminense não gostasse, que então optasse pelo afastamento. Tudo dentro dos conformes.

Mas cada um é livre para escolher que caminho seguir.

Argentinos festejam em nossa casa

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Os argentinos sabem jogar bola; isso é óbvio, antigo e escancarado. O Independiente, por exemplo, não tem sete Libertadores por obra do acaso, mas por mérito. Abriu vantagem de 2 a 1 no primeiro duelo da final da Sul-Americana e jogava por empate com o Fla no Maracanã. Ou seja, entrou em campo com uma mão na taça, saiu com as duas. Ponto.

Mas dava para o Fla, sem presunção nem desprezo pelos adversários. Havia equilíbrio nessa disputa, como se viu na semana passada em Avellaneda. No mínimo dava para a prorrogação. Durante boa parte do jogo, essa sensação prevaleceu, pela forma como o time brasileiro se comportou: com marcação boa, sem ser sufocante, com jogadas rápidas e com o gol de Lucas Paquetá. E como jogou esse moço!

Dava, ainda, quando tomou um abalo com o empate, que veio em pênalti cobrado por Barco, jovem revelação do “hermanos”. Pênalti que ainda agora me deixa em dúvida, embora tenha revisto algumas vezes. Só abalou minha convicção declaração do próprio Cuellar, que participou do lance. Depois do jogo, ele disse: “Não sei se foi pênalti ou não.” Isso em linguagem boleira costuma ser admissão de culpa…

Enfim, mesmo com o 1 a 1 era possível o Fla virar o quadro. Na pior da hipóteses, fazer outro gol e empurrar para os 30 minutos adicionais. Começou bem o segundo tempo, a todo vapor, com pressão intensa, sem deixar o Independiente sair da sua parte do campo.

Até que Reinaldo Rueda quis ser atrevido de vez, ao colocar Vinicius Júnior no lugar de Trauco e depois Everton Ribeiro na vaga de Cuellar. Uma forma de mandar o Fla para a frente, no abafa, na raça, na empolgação. A equipe até tentou, mas se desconjuntou.

Desmontou a partir do momento em que Everton recuou para compor o sistema defensivo. Levou baile pelo lado dele. Além disso, Vinicius Júnior e Paquetá correram, mas sem serem municiados por bolas boas. Nesse quesito não funcionaram Everton Ribeiro nem Diego. (A propósito, em sem caça às bruxas: Diego sucumbiu na etapa final.)

Bom, o que parecia blitz para cima do Independiente se revelou apenas uma bagunça. O Flamengo perdeu o rumo, o controle do jogo. Aquele pedido do Rueda para que o torcedor tivesse paciência foi negado por ele mesmo, com as modificações que pretendiam tornar o time mais perigoso e que, na prática, o deixou vulnerável.

O Independiente percebeu, saiu para os contragolpes, esteve perto do segundo gol (Juan tirou em cima da linha), apostou no passar do tempo e no nervosismo do rival. Deu certo. O relógio correu, Wilmar Roldán deu só 3 de acréscimos, Réver ainda mandou para o céu o último lance de perigo e… os argentinos fizeram a festa no Maracanã.

Os gringos se deram bem em nossa casa. Acontece, é da vida. Duas semanas atrás, o Grêmio havia dado a volta olímpica no campo do Lanús. Agora, não cabe procurar culpados, e sim planejar 2018 vitorioso.

Jogo quente e bom em Avellaneda

Leia o post original por Antero Greco

Quando tem brasileiro e argentino em final de campeonato, a gente espera catimba, provocações, entradas ríspidas, cuspidas, nervosismo e um pouco de futebol. Pelo menos essa é a imagem que se criou do duelo entre as duas maiores escolas de bola das Américas, seja de infantis, aspirantes, times ou seleções.

Felizmente, as coisas mudam. Ou tendem a isso.

Independiente e Flamengo fizeram jogo bonito, quente, acelerado, aberto, na noite desta quarta-feira, em Avellaneda, na grande Buenos Aires. O público que foi ao estádio Libertadores de América se divertiu e acompanhou disputa intensa, com cara mesmo de decisão de título. E limpa.

Isso mesmo, foi uma partida em que prevaleceu a vontade de as duas equipes mostrarem serviço – e da forma correta. Claro que houve uma ou outra jogada mais dura; mas faz parte, acontece até em pelada da firma. Mas não sobressaíram aqueles aspectos negativos.

Por isso, valeu a pena acompanhar o clássico, do princípio ao fim com placar escancarado. Os argentinos venceram de virada por 2 a 1. Nem por isso o Fla está morto para o tira-teima definitivo, na semana que vem, no Maracanã. Dá para pelo menos para vencer por um gol de diferença e provocar prorrogação e até pênalti. O rival tem valor e não é insuperável.

O Fla teve início melhor, tanto que abriu vantagem, com gol de cabeça de Réver: uma testada daquelas, após cobrança de falta, que não permite ao goleiro não fazer nenhum outro gesto a não ser olhar desconsolado para a “menina” escorregar nas redes. E só com 8 minutos. E ainda criou outras ocasiões para aumentar.

O Independiente mostrou maturidade, não se abalou, se recompôs logo e passou a pressionar. Insistiu, martelou, acelerou a marcha, Barco e Gigliotti deram uma correria danada, deixaram Pará, Cuellar, Réver e Juan atarantados. Resultado: empate, aos 28 minutos, numa bonita finalização de Gigliotti.

O pessoal da casa terminou o primeiro tempo melhor. E voltou com uma vontade que vou te contar: cada disputa de bola era como se fosse a última da noite. Deu certo de novo, com o golaço de Meza aos 7 da segunda etapa. Um susto e tanto para o Flamengo.

O Independiente tentou ampliar a diferença, não tirou o pé do acelerador, aproveitou que o Fla se abriu na busca do empate, e ficou perto de aprontar estrago maior. Depois, cansou um pouco, sentiu a pressão e se deu por satisfeito com o placar. Melhor não arriscar.

A primeira parte de dois grandes esteve à altura da história. Tomara seja assim no ato derradeiro. O futebol sairá vencedor.

 

Grêmio, tri impecável

Leia o post original por Antero Greco

O Grêmio fez uma final de Libertadores de manual de como ser campeão na casa do adversário. Desde o início mostrou que não se incomodava com o fato de ser visitante e se comportou como se estivesse na própria arena: tocou a bola, fechou espaços e foi pra cima do Lanús. Uma forma de mostrar que estava disposto a mandar na decisão.

Os argentinos sentiram logo que a parada seria muito, mas muito mais complicada do que imaginavam. Na verdade, acusaram o golpe, pois Marcelo Grohe passou o primeiro tempo como espectador dentro de campo. Nem apareceu no vídeo, parecia inexistente. O Grêmio foi à frente, como havia prometido na véspera o técnico Renato Gaúcho.

Enquanto isso, Artur, Jaílson, Ramiro, Fernandinho controlavam o meio-campo, protegiam a defesa e davam tranquilidade ao time. Luan prendia bem a bola, Barrios abria espaços. A consequência dessa postura confiante foram primeiro tempo irretocável, dos melhores que vi nos últimos anos em finalíssima da competição.

Para completar e enroscar de vez o Lanús, vieram os dois lindos gols – de Fernandinho aos 27 minutos e Luan aos 41. Dois golpes certeiros, mortais, que jogaram o rival nas cordas. Praticamente um nocaute técnico. Só uma reviravolta histórica para tirar o tri tricolor.

O Grêmio cadenciou o ritmo na segunda parte, atraiu o Lanús, teve o pênalti (bem marcado) contra si, tomou o gol na cobrança de Sand (aos 27) e nem deu bola para isso. Continuou na dele, apostou no tempo e no nervosismo da turma local para fazer a festa. Ramiro ainda deu sopa para o azar, ao reclamar muito do juiz, depois de tomar amarelo, e foi expulso.

Mudou o astral do Grêmio? Nem um pouco. Deixou o tempo passar e esteve mais próximo do terceiro gol do que de levar o empate. Enfim, teve a consciência, a eficiência de campeão.

Com um detalhe importante, que fica para o fim mas merece ser destacado: o que se viu no La Fortaleza foi um jogo de futebol e não uma guerra. Felizmente, não teve a bobagem de que Libertadores é provocação, catimba, violência, baixaria. As duas equipes se preocuparam em jogar – e quando isso acontece brasileiros costumam se dar bem.

Alegria merecida para o Grêmio. E agora, por que não sonhar também com o Mundial? Por acaso é proibido? Avante!