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Fosse o Levir, pegava o boné no Santos…

Leia o post original por Antero Greco

Cada um sabe de sua vida e conhece onde apertam os calos. Portanto, deve explicações a si próprio e a pessoas chegadas. Ninguém tem de dar palpite, sobretudo em questões profissionais.

Mas, como o ser humano é palpiteiro por natureza, não há como evitar. Daí digo neste espaço meu e democrático: se fosse o Levir Culpi, pegava o boné e saía do Santos hoje. Isso mesmo, ia pra casa, descansar até o final do ano, comer muita castanha e panettone no Natal e depois pensar no futuro.

Por que essa conversa?

Porque ele passou por situação constrangedora nesta sexta-feira. Chegou do Recife demitido, conforme havia antecipado a direção. Estava rifado, para ficar no Português cru e direto. Os jogadores, cobrados por torcedores no aeroporto, souberam da dispensa e intercederam em favor do chefe. A cartolagem aceitou e ficou tudo igual, como se nada tivesse acontecido.

Como assim? Claro que aconteceu – e algo grave. Bem grave.A cúpula santista tirou o voto de confiança do responsável pela preparação da equipe. Na avaliação do grupo, Levir não atendia mais aos objetivos do clube e deveria ser trocado. Mais claro do que isso impossível.

A instabilidade da equipe, a queda na Copa do Brasil, na Libertadores e agora os empates seguidos nos últimos três jogos seriam indícios suficientes para reprovar Levir e justificar a mudança na reta final da temporada.

Pode-se discutir o acerto da medida, e há argumentos a favor e contra. A favor: Levir teve tempo para arrumar a casa e não o fez, mesmo com longa série invicta. Contra: Levir conta com grupo restrito e tirou o máximo, talvez além do que o Santos poderia esperar.

Um fato, porém, é inegável: a eficiência do “professor” foi colocada em dúvida, optou-se pela saída, ela foi anunciada – ou vazou. Tanto faz, questão de sutileza linguística. Um profissional rodado como Levir não precisa submeter-se a constrangimento do gênero. Quem sabe a grana que deixaria de receber tampouco pesasse demais no orçamento doméstico.

Mas cada um é dono do próprio destino. Levir fica, apesar do olhar enviesado da direção alvinegra? Ok. Que este mês e meio até a última rodada não lhe seja pesado.

 

Valente Palmeiras de Valentim

Leia o post original por Antero Greco

Pode ser impressão, um rasgo de boa vontade, ou constatação óbvia. Ou tudo isso junto. Mas o Palmeiras das duas últimas apresentações no Brasileiro é o mais sereno e determinado da temporada.

Na vitória por 3 a 1 sobre o Atlético-GO, no domingo, e nos 2 a 0 em cima da Ponte, nesta quinta-feira, jogou com segurança, foi objetivo e preciso. Não inventou, não se complicou. Futebol simples, fácil, porém arrumado. O Palmeiras de Alberto Valentim está diferente do Palmeiras de Eduardo Baptista e sobretudo do Palmeiras de Cuca.

Epa, dá pra dizer que daqui até o final do campeonato não perderá mais? Que vai incomodar o Corinthians? Que ainda pode sonhar com o título? Das três hipóteses, a única que não se deve negar é a terceira. Porque sonhar, afinal, não é proibido para ninguém.

No mais, não se pode cravar coisa alguma. Aliás, não dá pra ter certeza de nada nesta Série A. No caso palestrino, se pode alegar que pegou dois adversários instáveis, com medo do rebaixamento e que, portanto, não fez mais do que obrigação. Concordo.

E também é possível alegar que os próximos desafios – Grêmio (fora), Cruzeiro (em casa) e Corinthians (fora). Se passar incólume por esse trio, então o torcedor pode acender mais velinhas para San Gennaro e para Nossa Senhora de Achiropitta porque o milagre está a caminho. Até lá…

Até lá, que Valentim e seu grupo continuem com a postura das últimas partidas. No duelo com a Macaca, só houve dois ou três vacilos de marcação, até a metade do primeiro tempo. Em lances de desatenção no miolo da zaga, jogadores da Ponte ficaram em boas condições para finalizar. Depois, fechado o buraco o Palmeiras mandou e não se sentiu ameaçado.

Bruno Henrique, Tchê Tchê e Moisés mandaram bem, no meio, enquanto Dudu, Keno e William estavam afinados na frente. William saiu machucado, deu espaço para Borja, que encerrou longo jejum e fez o segundo gol, na etapa final. Na primeira, Keno abriu o marcador. Mayke marcou bem na direita e Egídio esteve discreto na esquerda.

Enfim, um Palmeiras descomplicado, com direito até a breves aparições de Arouca e de Felipe Melo, em prova de que a tendência é a de apaziguar o ambiente no que resta de ano.

O Palmeiras precisava de um pouco de tranquilidade – e ela veio.Mas está valente este Palmeiras de Valentim.

Falta a sequência.

Um tricolor suspira e outro transpira

Leia o post original por Antero Greco

Torcedores de Fluminense e São Paulo são atropelados por fortes emoções – e pelo jeito será assim até o final do Brasileiro. Os tricolores do Rio suspiraram aliviados, com os 3 a 1 na noite desta quarta-feira, no Maracanã. Os paulistas transpiram, de medo, porque a ameaça de rebaixamento ainda é fantasma a rondar, sempre por perto.

O Flu tem 38 pontos, seis deles conquistados nos últimos dois jogos. Como há uma montanha de equipes emboladas, foram suficientes para fazê-lo subir da zona de descenso até, quase, a parte de cima da tabela. O São Paulo se manteve nos 34 e vai torcer para que Sport, Vitória e Ponte tropecem nesta quinta-feira. Caso contrário, retorna ao Z-4.

Abel Braga e Dorival Júnior apostaram basicamente nas formações que se deram bem no final de semana. O técnico do Flu voltou confiar em um grupo mais experiente, por considerar que o momento exige o máximo possível de jogadores rodados. O treinador são-paulino repetiu escalação, pois gostou do desempenho da rapaziada na vitória de virada sobre o Atlético-PR (2 a 1). Acredita que, quanto menos mexer, tanto melhor na reta final.

O clássico esteve equilibrado até os 22 minutos do primeiro tempo. Daí, em dois lances, praticamente foi definida a sorte das equipes. O Flu abriu o marcador com Henrique Ceifador, em cobrança de pênalti. Aos 24, Sornoza dobrou a vantagem. Pronto, o panorama mudou da água pro vinho. O tricolor carioca respirou relaxado e o paulista se apavorou.

Assim foi também no segundo tempo, com um time a cadenciar o jogo e outro a tentar de toda forma diminuir a diferença. Sem sucesso. Cueva e Pratto, importantes no sábado, não foram bem e cederam lugar para Shaylon e Thomas, enquanto Lucas Fernandes nem voltou do intervalo; na vaga dele estava Maicosuel. Sabe o que mudou na prática? Nada.

O Flu não foi ameaçado e ainda fez o terceiro, de novo em pênalti, cobrado por Robinho, já num momento em que não adiantaria reação. Shaylon contou com a sorte, no finalzinho, para diminuir. O São Paulo sofreu a 13.ª derrota no campeonato, 11 delas como visitante. Tem oito pontos ganhos fora de casa. Não é por acaso que continua com medo da Série B.

De volta: Corinthians nas nuvens e SP no Z4

Leia o post original por Antero Greco

Os jogos da tarde desta quinta-feira, 12 de outubro, Dia das Crianças, de NS Aparecida, do Descobrimento da América, interferiram na vida de dois grandes rivais paulistas. E, em situações extremas. O Corinthians ficou mais leve e solto na liderança, enquanto o São Paulo regressou para a zona de rebaixamento, depois de uma rodada de respiro.

O Corinthians reabriu vantagem folgada, depois de bater o Coritiba na quarta-feira (3 a 1), e de tabela se beneficiou com outra derrota do Grêmio (1 a 0 para o Cruzeiro) e com empate do Santos na visita à Ponte Preta (1 a 1). O líder tem 58 pontos, contra 48 dos santistas e 46 dos gremistas. O Cruzeiro está com 47.

E a via-crúcis tricolor continua, após o 1 a 0 para o Atlético-MG na noite da quarta e com uma combinação de resultados hoje. Complicou-se com os 2 a 1 do Sport no Vitória (em Salvador), com o empate da Ponte e com o 1 a 1 do Flu com o Fla. O São Paulo tem 31, contra 33 de Sport e 32 de Ponte e Flu.

A luta para fugir da Série B promete fortes emoções até as rodadas finais. Pois a diferença se mantém mínima e engloba um bloco enorme de concorrentes. O Galo, oitavo colocado com 37 pontos, tem 10 de vantagem sobre o lanterna Atlético-GO e seis apenas do São Paulo. Vai ser um sobe e desce danado, e não será surpresa se duas, quem sabe três?, vagas para a Segundona sejam definidas na jornada derradeira.

E no topo? Bem, o Corinthians só perde a taça se for incompetente ao extremo e se os outros acordarem. Como até agora a maioria dorme ou tira soneca, volta a ser questão de tempo para a rapaziada de Fábio Carille fazer a festa…

Nuzman sai de cena. Quando sairão outros?

Leia o post original por Antero Greco

Deu a lógica: Carlos Arthur Nuzman deixa o cargo de presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, depois de 22 anos de poder. O ex-cartola assinou documento de renúncia no presídio de Benfica, onde está detido desde a semana passada, sob suspeita de envolvimento em esquema de corrupção para a indicação do Brasil como sede dos Jogos de 2016.

Agora, pretende dedicar-se somente à sua defesa. O que é um direito dele, certamente. E, dessa maneira, também libera o COB de punições impostas pelo Comitê Olímpico Internacional. Ou seja, tira o time de campo porque não havia mesmo como contornar a situação. No lugar, assume o vice Paulo Wanderley, ex da Confederação Brasileira de Judô.

Muito bem. Com a saída de Nuzman, significa que o esporte nacional está limpo? Entrou nos eixos? Expurgou um “mau elemento”, a erva daninha, e vida que segue? O ex-presidente era a razão do desprestígio da instituição?

Não.

Nuzman ficou mais de duas décadas no cargo porque foi confirmado, reconfirmado, reeleito por aclamação seguidas vezes. E por quem? Pelos presidentes de Confederações, alguns deles há tanto tempo, ou mais, à frente das respectivas entidades do que o ex no COB.

Ou seja, os integrantes do Colégio Eleitoral têm responsabilidade no furacão que atinge o COB. Porque eles referendaram Nuzman e seus métodos, lhes eram aliados, ou no mínimo simpatizantes. Devem ser cobrados.

Não adianta sair Nuzman, se a estrutura do COB permanecer inalterada. Apenas saiu alguém que se queimou, diante da humilhação de ir para a prisão (mesmo que temporária). Para que se possa vislumbrar novos rumos, é preciso que ocorra reação em cadeia.

Messi resolve e Argentina está dentro

Leia o post original por Antero Greco

Gosto do Messi – e até aí é chover no molhado. Astros devem ter a admiração de quem ama futebol, independentemente da nacionalidade. O argentino está no bloco daqueles seres extraordinários, que baixaram na Terra para nos divertirem.

E para serem decisivos, também, quando necessários. Como nesta terça-feira (10/10). A Argentina estava com a corda no pescoço, corria risco de ficar fora do Mundial, de não pegar nem repescagem. Por causa de seus erros e das lambanças no comando.

Para dar um bico no fantasma da eliminação, era necessário ganhar do Equador, fora de casa. Mal a bola rola e tome gol dos donos da casa. Era para bater desespero. Era, para quem não tem Messi.

Com o moço em campo, em noite inspirada, como se estivesse no Barcelona, resolveu a parada, com três gols, um mais bonito do que o outro. Fatura liquidada, Argentina na Copa. E, na Rússia, Messi continuará sua interminável batalha com Cristiano Ronaldo, que horas antes havia ajudado Portugal e se garantir também.

Quem ganha com isso? Nós, que nos divertimos com o futebol.

Fla, ou quando pegar pênalti não resolve…

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Na semana passada, foi uma gritaria contra Muralha, por não pegar nenhum dos pênaltis do Cruzeiro, na final da Copa do Brasil. “Ah, se ele fosse melhor”, alegou muita gente, que despejou nas costas do moço o fim do sonho de título.

Nesta segunda-feira (2/10), Diego Alves, de volta ao gol rubro-negro, defendeu a cobrança de Lucca, no jogo com a Ponte Preta, em Campinas, pela 26.ª rodada do Brasileiro. Bacana, parabéns ao Diego e pouco importa se ele se adiantou bastante. Mas o Fla perdeu por 1 a 0.

Em uma e outra situação, a sutileza ficou no fato de um goleiro ser pegador de pênaltis e outro não. Mas a discussão ficará nisso? De novo? Como se esses detalhes tivessem sido determinantes para o destino do time?

A questão deve girar em torno do seguinte – e importante: nas duas vezes, o Fla decepcionou.

E frustrou o torcedor pela inconstância, pela oscilação, até por falta de agressividade. Contra o Cruzeiro, teve apresentação apagada (assim como o campeão), a rigor com uma oportunidade real, em finalização de Guerrero. Agora, diante da Ponte, repetiu erro: Aranha mal apareceu, não levou praticamente nenhum susto.

O Flamengo ficou a dever, e com o elenco que tem, com jogadores de qualidade, era obrigação oferecer muito mais. Nem pode alegar time misto ou coisa do gênero. Com exceção da ausência de Guerrero, entrou em campo com o que tem de melhor.

E esse melhor se mostrou aquém do desejado. A Ponte nem deu tanto trabalho assim, a não ser no segundo tempo, quando construiu a vantagem, com gol de Jean Patrick. A defesa nem foi apertada. Porém, o meio e o ataque sumiram. Rueda mexeu, tirou Márcio Araújo, Diego, Geuvânio, e não adiantou grande coisa.

O Fla tem necessidade de uma injeção de ânimo, de uma chacoalhada. Anda num ritmo morno demais. Por falar nisso… Diego faz tempo deve uma exibição de gala.

 

Baixou o santo salvador em Sidão…

Leia o post original por Antero Greco

Futebol é treino, é qualidade, é improviso, é sorte. E tem um quê de superstição que não se pode negar. Nem céticos, agnósticos, ateus ficam imunes ao imponderável.

Pois admito que senti que o São Paulo não cai nos segundos finais do jogo com o Sport, na tarde deste domingo. Aquele 1 a 0 raquítico, frágil persistia, dava uma agonia no torcedor – mesmo em que não fosse tricolor. Dava para pegar no ar a apreensão no Morumbi.

E o juiz Daronco, o fortão da arbitragem, a dar minuto e mais minuto de acréscimo. Começou com dois, subiu para três, quatro, cinco… E o Sport com a bola nos pés.

Até que veio o cruzamento para a área são-paulina, a cabeçada de Thomaz, firme, colocada. Sidão voou, espalmou, mandou para escanteio. O cronômetro batendo nos 50 minutos, vem a cobrança e nova cabeçada, agora de Henriquez, mais perto ainda. E lá saltou Sidão!

Daronco apita, acaba o jogo, todo mundo abraça Sidão, a torcida grita o nome do goleiro, pula nas arquibancadas, como se fosse uma conquista de título. E, de certa forma, foi.

Esse resultado era imprescindível na luta para fugir da zona de rebaixamento, para afastar o perigo de queda inédita. Até o empate seria desastroso. Nem tanto na matemática – há equilíbrio demais na parte de baixo da tabela. Mas pelo aspecto psicológico. Se cedesse dois pontos em casa, cresceria a insegurança da turma de Dorival Júnior.

O São Paulo manteve a gangorra durante o jogo. Começou em ritmo lento, acelerou um pouco, testou os reflexos de Magrão uma vez ou outra. De novo, estava dependente as ações de Cueva e do esforço de Lucas Pratto. Em compensação, no meio a marcação funcionou e a defesa ficou menos exposta.

O primeiro sinal de alívio veio aos 35 minutos da etapa inicial, com o gol de Marcos Guilherme, uma das apostas de Dorival. Uma forma de tirar a pressão. Controle do jogo até o intervalo.

A segunda parte esteve a ponto de proporcionar decepção, como em confrontos recentes e em casa. O São Paulo desacelerou, o Sport percebeu e se atreveu a ir à frente. Sem muito entusiasmo, também, e sentiu a ausência de Diego Souza.

Mesmo assim assustou, sobretudo na reta final, quando partiu para o tudo ou nada. Por um triz não estragou a tarde de domingo. Não tivesse baixado um santo salvador em Sidão…

Gente, assim o São Paulo não cai.

O Santos reabre a disputa. E o Palmeiras…

Leia o post original por Antero Greco

Não bastasse a chuva de início de noite, o Santos ainda despejou balde de água gelada sobre o Palmeiras. A vitória por 1 a 0, no clássico no encharcado gramado do Allianz Parque, deixa o atual vice-campeão brasileiro ainda vivo na disputa pelo título, ao mesmo tempo em que diminui muito, mas muito mesmo, as chances de bi alviverde.

E, de quebra, coloca alguma pressão no Corinthians, que neste domingo pega o Cruzeiro. Agora, são sete pontos que separam os alvinegros – 54 a 47. Tem tempo para ser anulada.

O jogo não foi grande coisa, longe de ser memorável. Ok, o mau tempo atrapalhou um lado e outro. Mas, se houve méritos do Santos, eles ficaram para a capacidade de marcar o adversário e para a eficiência de aproveitar uma das raras oportunidades que apareceram. Ficou na conta do talento de Ricardo Oliveira (e no cochilo da zaga) o gol decisivo.

Se houve falhas do lado perdedor, mais uma vez elas se concentraram na incapacidade para criar, impor-se em casa, acuar o rival. Vanderlei, o excelente goleiro santista, passou despercebido no duelo. Isso diz muito a respeito da ausência de apetite palestrino. A rigor, Dudu & Cia estiveram duas vezes mais próximos do gol. E ainda assim sem aquele perigo…

E Cuca viu desempenho muito bom do time dele. Acha que o placar adverso influi nas análises negativas. Ora, negativo é cruzar 42 bolas para a área, para a festa dos zagueiros do Santos e sem nenhuma conclusão, sobretudo nos minutos finais, na base do desespero.

Negativo é rodar a bola sem ser produtivo. Negativo é não emendar uma sequência convincente de vitórias, ao contrário de 2016. Negativo é finalizar até mais do que o Santos, mas apenas para preencher estatísticas, porque o alvo, mesmo, não acertou.

O campeonato entra no terço final com a perspectiva do Palmeiras reduzida à luta para ficar entre os quatro primeiros. Já o Santos tem o direito de voltar a sonhar com uma reviravolta, por enquanto ainda improvável, mas não impossível.

O craque, o goleiro, a definição

Leia o post original por Antero Greco

Pênalti, meu amigo, é coisa séria. Momento que consagra ou arrasa, que ergue ou destrói mitos. Ainda mais em decisão de campeonato. Nessas horas, necessariamente haverá um herói e um vilão. Não tem escolha, não existe meio-termo. Sem alternativa. Sem saída.

Numa hora, ocorrerá o erro – a bola na trave, pra fora, por cima chutada pelo batedor. Ou o goleiro que a deixou passar por baixo do corpo. Ou, o que é muito costumeiro, o próprio goleiro que cresceu na frente do cobrador, virou monstro, agarrou, espalmou, mandou o perigo para longe. Garantiu o troféu, arrasou o adversário.

Pois foi esta última imagem que prevaleceu na noite da quarta-feira no Mineirão. Depois do 0 a 0 no tempo normal, com esporádicas jogadas de maior emoção, Cruzeiro e Flamengo foram no tira-teima das penalidades para ver quem ficava com a Copa do Brasil.

A turma celeste foi impecável nas finalizações – cinco cobranças, cinco gols. Os rubro-negros falharam uma, a terceira, na batida de Diego que desviou nas mãos de Fábio. 5 a 3, Cruzeiro pentacampeão. O maior de todos, que de novo se junta ao Grêmio. O Fla ficou no quase. O goleiro saiu como destaque, o craque, o regente rubro-negro, baixou a cabeça…

Foi o fecho de um duelo amarrado, em que nenhum dos dois lados se arriscou. Desde o primeiro minuto, predominou a cautela. Parecia que um e outro sabiam que o menor vacilo seria suficiente para selar a sorte do jogo. O Fla esboçou impor-se nos primeiros minutos, tocou a bola, foi à frente. O Cruzeiro controlou os nervos e aos poucos se soltou.

Equilíbrio, marcação forte de lado a lado, porém sem truculência, tampouco catimba. Só mais cadência e olho vivo. Muralha e Fábio apareceram pouco, passaram batidos – ou perto disso. Já mais perto dos minutos finais, Guerrero fez jogada individual e testou os reflexos do indestrutível goleiro da Raposa. Fábio desviou para escanteio.

E só. O Cruzeiro finalizou pouco, assim como o Flamengo. Diego não brilhou – e, ainda por cima, perdeu a chance dele. Thiago Neves também esteve aquém do habitual, no Cruzeiro. Compensou com o fecho de ouro na quinta cobrança de pênaltis. As duas equipes se ressentiram de jogadas arquitetadas por seus maestros.

Defesas não comprometeram, os meias foram bem, os atacantes andaram no ostracismo. Poderia ter sido uma final mais intensa, com muitos “ohhhsss!” das torcidas. Foi discreta, embora com a tensão implícita em todo jogo desse quilate.

Deu Cruzeiro, primeiro brasileiro já garantido na Libertadores de 2018. Ao Fla, resta a Sul-Americana para ainda neste ano fazer uma festa de título. Se serve como consolo…