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Vitória no sufoco

Leia o post original por Flavio Prado

Foi um sufoco novamente. O São Paulo teve um primeiro tempo de domínio de bola mas sem a menor pressão ao adversário. No segundo tempo o Atlético Paranaense fez um gol e parecia que o enredo seria o mesmo. Um grupo desesperado e exposto a mais contra ataques.

Mas não foi assim. A equipe de Dorival Junior saiu para o risco com tranquilidade. Sabia que poderia tomar o segundo e não se abateu. Empatou e virou. Foi sufocante sim. A equipe está bem longe de não ter mais riscos de rebaixamento. Só que dessa vez fez o que tinha que fazer. Levou um pouco de sorte, compensando os azares de outras jornadas. Vai passar essa rodada fora da zona do rebaixamento.

Que consiga aproveitar para acertar o que falta e finalmente dar algum sossego ao seu torcedor. O ano foi péssimo. A gestão é vergonhosa. Mas com tantas equipes fracas no atual Campeonato Brasileiro, dá para escapar. E nesse quadro o São Paulo já abusou do direito de perder pontos em casa.

Faz 40 anos

Leia o post original por Flavio Prado

Eu era o próprio punk da periferia como lembrava uma música de Gilberto Gil. Largado, cabeludo, cheio de adereços, calça boca de sino e correntes estranhas no pescoço. Foi assim que cheguei na Tv Record, na Avenida Miruna, em São Paulo. Éramos 3. Milton Peruzzi, o chefe e narrador, Galvão Bueno, o comentarista e eu, o repórter faz tudo. Chegamos numa televisão com muitas dificuldades, num tempo em que se compravam jogos no varejo. Fazia quem queria e na hora que decidisse. Bastava pagar a diferença que completasse a lotação do estádio.

Na Record de vez em quando transmitiam partidas. Dependia de buracos na programação. E aí o diretor artístico, o grande Hélio Ansaldo, comentava, e o chefe de operações, o ex árbitro Silvio Luiz, narrava. Nossa chegada incomodou. Faríamos um programa diário, o Telesportes, que ninguém mais lembra. Até aí tudo bem, mas e o jogos eventuais,  quem transmitiria? O primeiro embate veio quando a Record resolveu, como todas as outras emissoras, bancar a final de 1977. Afinal a cidade estava parada. Pode-se dizer que o país.

O drama do Corinthians de nunca vencer um título transformou-se num bom mote de alienação, também fomentado pela ditadura militar, que não gostara do resultado da eleição para o Senado, um antes em São Paulo, quando Orestes Quércia, da oposição, vencera o candidato da famigerada Arena, Carvalho Pinto. E aquela final de Campeonato Paulista, então muito importante, acabara com todas as discussões paralelas. Era o único assunto que se comentava.

Na Record a decisão sobre quem faria a transmissão estava tomada. Seria uma mescla. O narrador Silvio Luiz  e o comentarista Hélio Ansaldo. Mas como prêmio de consolação, a “turma” do Perruzzi teria o repórter, Flavio Prado. Eu chegara de Lins onde fora cobrir, pela Gazeta Esportiva, São Paulo e Linense na volta ao futebol de Mirandinha, depois de um ano de fratura na perna. Chamado pela chefia descobri que participaria da transmissão da final badalada. Resmunguei. Afinal fora para a Record com Peruzzi e Galvão Bueno e eles estariam de fora.  Mas Peruzzi pediu que eu fosse.

E lá estava eu no ônibus do Anhangabaú, junto com a torcida do Corinthians, a caminho do Morumbi. Tudo lotado, gritaria, insegurança de alguns por causa da importância do momento e em hora cheguei ao estádio rumando não em direção às arquibancadas, como sempre. Mas sim para o gramado.

E aí começou aquela gritaria maluca, fora do convencional, com palavreado de duplo sentido do tal Silvio Luiz. Hélio Ansaldo falava pouco. Eu era muito acionado e tinha boas informações. E assim passaram-se os 90 minutos. No gol do Basílio me emocionei com a emoção dos  corintianos e no fim assisti de perto pessoas atravessando o campo de joelhos, comendo grama, “roubando” pedaços da rede numa alucinação coletiva. Não tinha noção do momento histórico que vivia. Nem me despedi dos telespectadores pois meu fio arrebentou-se no meio da confusão.

Passei a noite na rua. Não tinha como atravessar a cidade no transporte público com as ruas tomadas por tanta gente. Na manhã seguinte cheguei na Record e o clima lembrava o do Morumbi. As pessoas estavam felizes. A chefia tinha adorado e os índices de audiência foram ótimos. Alguns meses depois fomos chamado à sala de Paulinho de Carvalho, o presidente da emissora. Ele avisou que tinha os direitos do Mundial da Argentina. E que a Record estaria lá.

Minha missão seria cobrir a seleção brasileira de Claudio Coutinho. Fiquei pasmo. De repente tudo mudara. O “maloqueiro” da periferia estaria numa Copa do Mundo. E assim foi. A narração da final de 77 mudara a minha vida, como a de Basílio, o querido Pé de Anjo. Hoje conto essa história quase como uma ficção. Parece que não existiu. Mas as imagens que sobraram daquele dia me mostram correndo atrás dos jogadores campeões, junto com Cândido Garcia, Fausto Silva, Henrique Guilherme e tantos outros nomes importantes da imprensa brasileira.

Passado não leva a nada. O passado passou. Olho o futuro com muita alegria e poucas vezes me remeto ao que já se foi. Mas ontem encontrei Basilio, o Professor Teixeira, preparador físico daquele time e seu auxiliar Benê Ramos. Eles comemoravam o feito de 1977 com o sobrinho do treinador, Osvaldo Brandão. Conversamos e rimos muito. Faz 40 anos que Deus me levou àquela transmissão. A Silvio Luiz, a Hélio Ansaldo e a tanta gente decisiva na vida da minha família. Há 40 anos eu ouvia pela primeira vez:

– O que é que só você viu, Flavio Prado?

E hoje responde com orgulho:

-Vi que as coisas mudaram para muito melhor. E que Deus usou aquele jogo para abrir não só as boas portas para Basílio, mas para mim também.

 

Bem vindos, melhores

Leia o post original por Flavio Prado

Foi muito emocionante a última rodada da Eliminatórias Sul Americana. Os melhores, os que estão jogando futebol mais bonito, passaram, inclusive o Peru que foi para a repescagem. O Chile de Pizzi está muito longe dos criativos times recentes de Marcelo Bielsa e Jorge Sampaoli. O Paraguai, apesar da brilhante recuperação na fase final, tem um jeito feio de jogar futebol, enquanto o Peru de Gareca atua de forma bem mais agradável.

O Brasil de Tite é muito bom. A Argentina tem Messi e a Colômbia, apesar das irregularidades, merece estar no Mundial. Só o Uruguai com seu jeito bruto e competitivo tradicional é que destoa no grupo sul americano que vai à Rússia. Brasil e Argentina devem brigar pelo título. A Argentina quase não foi pelos seus próprios erros. Mas está lá e agora Sampaoli tem 8 meses para passar seus conceitos a jogadores de grande categoria, entre eles Messi.

Quando José Mourinho disse que se divertia mais com a eliminatória daqui do a europeia, ele tinha seus motivos. Foi uma linda noite de bola com grandes emoções. Um grande trailler do que teremos no ano que vem. O nível do jogo por certo será dos mais elevados. Já foi dessa forma no Brasil há 4 anos. E em 2018 deveremos ter um Mundial com um número tal de favoritos, que não me lembro de ter visto antes.

São Paulo de Sidão

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foi o humilde Sidão que tirou o São Paulo da zona de rebaixamento, depois de 13 rodadas. Ele, limitado e criticado, fez duas defesas no minuto final, que evitaram nova decepção da torcida. A vitória foi além do que o time mereceu. A bola continuou curta. Nos primeiros minutos o Sport dominou o jogo e só não marcou por falta de melhores individualidades. Só a partir dos 25 minutos o São Paulo cresceu fez um gol e terminou o primeiro tempo na frente.

Mas na segunda fase não mostrou nada melhor. Ao contrário tomou enorme sufoco e novamente a falta de competência ofensiva dos pernambucanos, impediu que saíssem os gols. Até que veio o minuto final. Aí o Sport acertou o gol. Duas bolas que valeriam o empate. E então surgiu o herói improvável: Sidão.

Foram duas defesas impressionantes e um final de jogo com os companheiros invadindo o campo para abraçá-lo. Era o dia do Sidão. Muito longe de ser um grande goleiro, mas que ouviu quase 50 mil pessoas gritando seu nome no Morumbi, como só faziam com Rogério Ceni.

Assim é o futebol. Vai-se de vilão a herói em frações de segundos. Ou o contrário. Sidão teve seu momento de glória, provando que esse time do São Paulo ainda sofrerá muito. Afinal o adversário era o Sport em queda livre na competição e que não tem incomodado ninguém. E ainda assim foi melhor na maior parte do tempo contra o São Paulo, mesmo na casa do adversário.

Dorival Junior precisava sair da zona de rebaixamento. Conseguiu. Mas não há como ter qualquer ilusão. A atual situação da equipe está mais do que justificada. Nem todo dia aparecerá uma mão mágica improvável. Que Sidão curta o seu momento e que o torcedor são paulino continue preparado para sufocos. Será assim até o fim.

Santos vence na única chance do segundo tempo

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Difícil falar do primeiro tempo de Palmeiras x Santos. O gramado alagado impediu um jogo melhor, mas vale ressaltar que os dois times normalmente usam a ligação direta, não trocam muitos passes e preferem um jogo mais vertical.

No segundo tempo, o Palmeiras melhorou e dominou o jogo, empurrou o Santos para o campo de defesa, mas não conseguiu transformar o domínio em chances claras de gol.

O Santos em alguns momentos ficou acuado, uma coisa é a proposta do contra-ataque, outra coisa é não conseguir sair de trás e era isso que acontecia.

Na única oportunidade que teve, o Santos aproveitou. Assistência de Bruno Henrique, jogador fundamental para o time na temporada, gol de Ricardo Oliveira e mais uma vitória santista.

O ano do Santos é curioso. A pontuação é muito melhor que o desempenho e faz tempo. De qualquer forma é inegável que o time consegue resultados, vamos ver se em algum momento o desempenho ruim vai pesar.

São Paulo perdeu chance

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Mais uma vez o São Paulo deixou escapar a chance de ganhar após uma boa partida. O primeiro tempo foi muito bom. No segundo vinha bem até sofrer o gol de empate. Aí novamente se perdeu e teve dificuldades nos momentos finais. Dorival Junior fala sempre que a equipe está melhorando. É verdade, menos no aspecto psicológico. E isso por certo passa pelos problemas criados pela direção.

O presidente Leco passou o sábado inteiro sendo xingado pela torcida, após uma entrevista onde disse que a “imagem de Rogério Ceni está desgastada”. Falta de sensibilidade. Ele deveria esquecer tudo que ocorreu no primeiro semestre, quando usou o “Mito” para se eleger e depois o demitiu na hora da dificuldade. Foi vergonhoso.

O Corinthians não é mais o mesmo da primeira fase. Nem seria possível, já que tudo foi anormal em termos de pontuação. Talvez a queda seja excessiva, mas ainda assim há sobras pensando em título. Depois do clássico pouca coisa mudou. O Corinthians está disparado na frente e o São Paulo segue ameaçado de rebaixamento. Continua não passando confiança.

Em termos de bola pouco será discutido. Outra vez os debates serão em cima da arbitragem ou dos excessos de Gabriel comemorando o gol corintiano. O nível de jogo não dá margem a muita conversa. E essa sim é a maior preocupação, que precisamos ter, se quisermos preservar o amor dos brasileiros pelo futebol, nesse lado do mundo.

Vitória depois da eliminação

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Foto: Djalma Vassao/Gazeta Press

O Santos conquistou importante vitória contra o Atlético-PR. Além do lado matemático, o emocional também é importante para um time eliminado na Copa Libertadores da América e muito criticado.

Os resultados do Santos no Campeonato Brasileiro são melhores do que o futebol apresentado. O time mudou radicalmente o modelo de jogo e isso tem um preço. Um dos principais problemas do futebol no Brasil é exatamente esse, mudanças são feitas sem critério e o jogo é coletivo, apesar de muitas vezes ser analisado de forma individualizada.

A vaga na Libertadores deve ser conquistada pelo Santos, a pontuação e o número de vagas disponíveis indicam isso, mas preocupa o desempenho, mesmo quando o time lidera um campeonato deve buscar evolução e o Santos parece conformado no atual modelo de jogo.

Papelão

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Foto: Djalma Vassao/Gazeta Press

O Barcelona de Guayaquil é bem pequenininho. Toda a folha de pagamento não conseguiria, nem de longe, pagar o salário do Bruno Henrique. Mas, a exemplo do que que fez contra o Palmeiras, veio ao Brasil e eliminou o Santos. Pior, o Bruno Henrique ainda perdeu a cabeça e cuspiu no rosto de um adversário, coisa que o desqualifica até como ser humano. Um papelão. Só sobrou o Grêmio e mesmo assim porque pegou outro brasileiro. Um deles teria que passar.

Mais uma vez fica claro que o que se gasta no futebol brasileiro não tem a menor justificativa. Os clubes são infinitamente mais ricos que todos os seus vizinhos da América do Sul. Mas ano após ano são eliminados de forma vexatória. Some a desculpa da “riqueza” dos times europeus por serem tão melhores do que os brasileiros. A proporção do Brasil para qualquer país sul americano em termos financeiros é, talvez, até maior do que o espaço entre nós e os europeus.

Fica claro que falta gestão. Que se gasta mal, que não há planejamento de nada. Trocam-se treinadores de estilos diferentes com enorme facilidade. Vendas e compras ocorrem durante todo ano, sem o menor critério e sem qualquer lógica. Assim, temos na semifinal da Libertadores 2017, um brasileiro junto com um equatoriano. O mesmo número. E um boliviano, o Jorge Wilsterman, quase na mesma condição. Mais um vexame do esporte brasileiro. Gasta-se muito, sem qualquer retorno, pelo menos para a condição técnica dentro de campo. Talvez essas compras e vendas sirvam apenas para enriquecer gestores, os mesmos que estão destruindo o nosso futebol.

Grande rodada para Corinthians e São Paulo

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Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

São Paulo e Corinthians se enfrentarão no próximo domingo no Morumbi, depois de uma rodada positiva para os dois, cada um dentro do seu objetivo.

O São Paulo venceu um confronto direto contra o Vitória. Nas rodadas anteriores , o time não conseguiu superar seus adversários mais próximos. Além do resultado, um aspecto muito positivo do jogo foi a atuação de Cueva. O peruano é um dos jogadores mais qualificados do elenco e faz péssimo campeonato. Cueva bem ajuda muito o São Paulo.

O Corinthians abriu ainda mais vantagem no campeonato. Mesmo com 3 derrotas em 5 jogos no returno, o time não sofreu na matemática. O líder somou 6 pontos na segunda etapa da competição, o segundo colocado fez apenas 4. A vantagem é enorme, dificilmente o título vai escapar e com a vitória o time poderá seguir mais tranquilo seu caminho na competição.

Empates na América

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Foto: RODRIGO BUENDIA/AFP

Corinthians e Santos empataram seus compromissos pelas competições continentais. O santista dormiu mais tranquilo do que o corintiano.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

O Corinthians pela Copa Sul-Americana ficou no 1×1 em casa contra o Racing. O time brasileiro fez ótimo primeiro tempo, abriu o placar com Maycon em bela jogada de Marciel e poderia ter feito mais. O segundo tempo foi bem diferente. O time argentino dominou o jogo, tirou a velocidade e o espaço do Corinthians e merecidamente chegou ao empate. O time argentino joga pelo 0x0 em casa.

A situação do Santos na Libertadores é mais tranquila. Conseguiu o empate com gols no Equador contra o Barcelona. O Santos não perde faz tempo, mas preocupa o recuo exagerado quando está em vantagem. Tomou sufoco desnecessário e correu riscos nos minutos finais em Guayaquil. Lucas Lima e Bruno Henrique saíram com dores musculares, são os jogadores mais importantes do Santos no momento, é fundamental para o time que a dupla chegue bem na Vila Belmiro.