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Ecos da nossa infância nas topadas de futebol de rua

Leia o post original por Quartarollo

Você se lembra? Futebol de rua, futebol de várzea ou coisa assim?

A gente botava dois tijolos no meio da rua, duas garrafas, chinelo ou o que estivesse a mão para se fingir de trave e alguém ficava mais atento à esquina e avisava quando vinha carro.

Era um tal de dedão quebrado, neguinho chutando guia da calçada e perna sangrando nos carrinhos mal dados no asfalto às vezes muito quente.

No interior era muito assim. Nos bairros aqui em São Paulo acredito que também.

Quando brincávamos com carrinhos de rolimã também era assim.

Alguém tinha que vigiar a esquina porque o freio era no pé mesmo e normalmente se escolhia a descida mais íngreme para sentir toda a adrenalina.

Era montanha russa de pobre. Quem da nossa idade não se lembra?

Só para avisar, isso foi nos anos 70, tinha pouco mais de 12 anos de idade, hoje estou com 57, em dezembro 58.

Se brigasse no jogo que não chegasse chorando em casa. Apanhava de novo para aprender a não arranjar confusão à toa.

A educação era diferente e existia até palmatória na escola. Uma vez uma professora quebrou uma régua na minha cabeça e quer saber, ela tinha toda razão.

Levei várias cascudos do meu falecido pai e escapei de muitos. Todos foram merecidos e eu adorava meu pai.

Ele era rígido e carinhoso ao mesmo tempo. Não era perfeito, assim como eu não sou, mas era ótimo.

Nunca fiquei traumatizado por causa disso ao contrário do que se propõe hoje.

Acho que ainda nos rincões mais afastados a criançada também inventa suas brincadeiras e é obrigada a enfrentar a vida do jeito que ela é.

O considerado Carlinhos Eike Batista, não confundir com o Eike X que é o rico da turma, me mandou as regras (regras?) do futebol de rua e realmente revisitei minha infância.

Lá em Piracicaba, ao lado da minha casa, havia um quarteirão que na verdade dava duzentos metros e um campo atravessado bem no meio.

O campo era penso para um lado, havia uma trilha feita no meio onde as pessoas cortavam caminho para atravessar da avenida Independência para a Saldanha Marinho.

Quando as pessoas atravessavam o campo a gente parava o jogo.

Não havia redes nos gols e quando o dito gol acontecia era preciso ir buscar a bola no meio do mato, pois havia sim mato ainda por lá, ou pelo menos uma capoeira cheia de cupins.

Quando algum pé duro também  isolava a bola para as residências da rua Silva Jardim também alguém era escalado para recupera-la com muito jeito sem ofender o vizinho que normalmente dava uma bronca mas devolvia a dona do jogo.

O dono da bola era titular a hora que quisesse e nos diversos natais a preocupação da molecada era saber quem tinha ganhado uma bola.

Quanto mais bolas, melhor para jogar o ano inteiro.

Teve um ano que sobrou apenas uma bola oval e a gente se divertia assim mesmo.

Jogávamos num campo torto, eu e meu irmão Camilo, e a gente sabia mais ou menos para onde a bola ia depois de quicar.

O adversário ficava maluco até porque no nosso campo se jogava com a nossa bola.

A bola era do Nê, bom de bola, habilidoso de chufe fraco, que era irmão do Celso, que se bem me lembro era canhoto e chutava mais forte.

Tinha também o Gerson e o Rubens Nazato (posso ter errado o sobrenome, me perdoem se aconteceu).

Eram irmãos, boa gente e jogavam com a gente.

Mas tudo isso é saudade. Eis aqui a regra do futebol de rua que sempre prevaleceu nos campos da nossa infância.

REGRAS DO FUTEBOL DE RUA
(1) Os dois melhores não podem estar no mesmo lado. Logo, eles tiram par-impar e escolhem os times.
(2) Ser escolhido por último é uma grande humilhação.
(3) Um time joga sem camisa.
(4) O pior de cada time vira goleiro, a não ser que tenha alguém que goste de Catar.
(5) Se ninguém aceita ser goleiro, adota-se um rodízio: cada um cata até sofrer um gol.
(6) Quando tem um pênalti, sai o goleiro ruim e entra um bom só pra tentar pegar a cobrança.
(7) Os piores de cada lado ficam na zaga. 
(8) O dono da bola joga no mesmo time do melhor jogador.
(9) Não tem juiz.
(10) As faltas são marcadas no grito: se vc foi atingido, grite como se tivesse quebrado uma perna e conseguirás a falta.
(11) Se você está no lance e a bola sai pela lateral, grite "nossa" e pegue a bola o mais rápido possível para fazer a cobrança (essa regra também se aplica a "escanteio").
(12) Lesões como destroncar o dedão do pé, ralar o joelho, sangrar o nariz e outras são normais.
(13) Quem chuta a bola pra longe tem que buscar.
(14) Lances polêmicos são resolvidos no grito ou, se for o caso, no tapa.
(15) A partida acaba quando todos estão cansados ou quando anoitece.
(16) Mesmo que esteja 15 x 0, a partida acaba com "quem faz, ganha".
Era assim que surgiam alguns bons jogadores interior a fora. Do meu time não restou nenhum, a não ser as boas lembranças.
O grande Ataufo Alves tinha uma música que dizia "Eu era feliz e não sabia". Parodiando Ataufo, o que eu posso dizer é:"Eu era feliz e sabia.

Barraco no Morumbi como nunca antes na história do São Paulo

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Gilmar e De Sordi. Dizer mais o quê?

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São dois monstros do futebol que partiram neste fim de semana. Dias atrás outro monstro foi embora, Djalma Santos. Agora Newton De Sordi e Gilmar dos Santos Neves, ou Gylmar, como é a grafia correta na sua certidão de nascimento. … Continuar lendo