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Seleção brasileira vira atração de segunda linha e justifica críticas de ministro

Leia o post original por Perrone

 Depois do mico na cidade argentina de Resistencia, a seleção brasileira (14ª do ranking Fifa) se apresenta para outro público desacostumado com a elite do futebol Mundial. A partida contra o Iraque, 80º na lista da Fifa, em Malmo, na Suécia, diante de menos de 30 mil torcedores, reforça a recente vocação do Brasil para protagonizar espetáculos de segunda linha. E dá razão a críticos de peso da preparação para a Copa do Mundo, como o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

Na próxima terça, mais um jogo seguirá o script. O duelo será com Japão (23º colocado no ranking da federação internacional) na polonesa Wroclaw, que também não tem time de primeira classe na Europa, mas ao menos conta com um estádio moderno e que recebeu jogos da última Euro.

Recentemente, em entrevista à Veja, Rebelo falou em “vulgarização” da seleção e criticou os amistosos escolhidos por critérios apenas comerciais.

Vexame no jogo do apagão na Argentina

E se não fosse por uma questão comercial, o Brasil não faria um bate-volta entre Polônia e Suécia para jogos que pouco devem ajudar Mano Menezes a montar o time para Copa. Independentemente dos resultados, o ministro ganha força para pressionar a CBF, entidade privada e que nunca deu bola para o pensamento do Governo.

Mas os tempos mudaram. Ricardo Teixeira chegou num estágio em que fazia doce até para falar com Lula. José Maria Marin, seu substituto, não consegue chegar perto de Dilma Rousseff. O cartola vai se afastar ainda mais do Planalto se o ministro aumentar o tom das críticas. Rebelo tem um bom motivo para pressionar por uma equipe melhor. Ele sabe que vencer a Copa no Brasil em ano de eleição presidencial é fundamental para o Governo.

República Tcheca e Grécia: o improvável desfecho do Grupo A

Leia o post original por André Rocha

O maior pecado de russos e poloneses foi não ter definido os jogos (e o destino do grupo) quando dominaram gregos e tchecos no primeiro tempo. A seleção mais qualificada entre as quatro por um certo desleixo. A anfitriã pelas enormes limitações técnicas.

A Grécia reencontrou a solidez defensiva com o retorno de Sokratis à zaga e a entrada de Tzavellas na vaga de Holebas, “mapa da mina” nos dois primeiros jogos. Para encaixar a marcação no 4-3-3/4-1-4-1 russo, Katsouranis e Maniatis atuaram plantados à frente da zaga cuidando de Shirokov e Glushakov, substituto de Zyrianov.

Karagounis foi o armador central, alinhado a Salpingidis e Samaras atrás de Gekas no 4-2-3-1 grego. Marcando, tentando trabalhar a bola sem rifá-la e esperando o erro da Rússia sem abdicar do ataque, já que só a vitória interessava. O plano teve êxito no imperdoável vacilo de Zhirkov e Ignashevic em uma cobrança de lateral que Karagounis aproveitou no último lance da primeira etapa e começou a viabilizar o improvável.

O 4-2-3-1 grego que travou e puniu a preguiçosa Rússia, novamente no 4-3-3/4-1-4-1, com o gol de Karagounis.

A Rússia, que tocava a bola com tranqüilidade e certa preguiça em vários momentos, entrou em parafuso com o anúncio do gol na outra partida do grupo. Dick Advocaat foi empilhando atacantes e inexplicavelmente abandonou o lado direito com a troca de Anyukov por Izmailov, além das entradas de Pavlyuchenko e Progbenyak nas vagas de Kherzakov e Glushakov.

Fernando Santos respondeu com o óbvio, em se tratando de Grécia: retranca feroz com Holebas, desta vez como “assistente” de Tzavellas pela esquerda, no lugar de Gekas, o volante Makos na vaga de Karagounis – suspenso pelo cartão amarelo após protestar além da conta, inclusive se benzendo, contra um pênalti no mínimo duvidoso de Ignasevich – e Ninis substituindo Salpingidis.

No 4-1-4-1 com Samaras lutando sozinho na frente, os gregos defenderam a própria área com aplicação, fibra e experiência para gastar o tempo e confirmar a primeira vitória grega na Euro desde a final de 2004. Recursos que não privilegiam o bom futebol, mas são absolutamente legítimos. E o segundo gol quase saiu na bela cobrança de falta de Tzavellas no travessão.

A retranca grega com Samaras sozinho na frente conteve a Rússia com quatro atacantes e sem presença ofensiva pela direita.

Pior para a favorita Rússia, que não mostrou inspiração, nem objetividade em Varsóvia– apenas uma conclusão na direção da meta nos 90 minutos em Varsóvia. Muito pouco para quem fez jus aos elogios pela bela estreia.

Sem Rosicky, a República Tcheca aguardou a Polônia no próprio campo em Breslávia para administrar a vantagem na tabela e esperar a Rússia ratificar a eliminação da Grécia. No 4-1-4-1, teve dificuldades na marcação pela esquerda, com Pilar deixando o lateral Limbersky sozinho contra Kuba e Piszczek, novamente a melhor opção ofensiva do 4-1-4-1 polonês.

Equipes no 4-1-4-1; Polônia forte pela direita, como de costume, e República Tcheca sem Rosicky recuada e sem ideias.

Talvez percebendo a chance de terminar em primeiro com o triunfo grego e fugir da Alemanha nas quartas-de-final, os tchecos avançaram as linhas no segundo tempo com os quatro meias se aproximando de Milan Baros e Gebre Selassie voando pela direita. A equipe de Michal Bilek também corrigiu a marcação pela esquerda abafando desde a saída de bola e passou a valorizar mais a posse (terminou com 58%).

No entanto, foi a movimentação de Jiracek em contragolpe rápido que surpreendeu a retaguarda adversária e o meia aberto pela direita, um dos destaques da equipe até aqui, limpou Wasilewski e concluiu com precisão pela esquerda belo passe de Baros.

Smuda já havia trocado Polanski por Grosicki para equilibrar as ações de ataque reforçando o setor esquerdo. Brozek entrou no lugar de Obraniak para fazer companhia a Lewandowski no 4-4-2 polonês e Mierzejewski na vaga de Murawski foi outra substituição do treinador para aumentar a presença física no campo adversário, já que técnica e tática não eram suficientes.

Bilek trocou os wingers e Baros, que cansaram com a intensidade da segunda etapa e a necessidade de fôlego para defender a vantagem. No “abafa”, a Polônia só ameaçou de fato no lance final, que não classificaria mais a seleção e só beneficiaria os rivais russos: Kuba encobriu Cech, mas Sivok salvou.

No final, Polônia no 4-4-2 atacando mais no abafa, sem organização e os tchecos administrando a vantagem construída no ótimo início de segundo tempo.

Difícil imaginar República Tcheca e Grécia se impondo diante dos classificados do forte Grupo B nas quartas-de-final. Mas como duvidar da dupla que protagonizou o inacreditável desfecho da disputa sem gigantes e favoritos ao título no Grupo A?


Equilíbrio em Varsóvia e seis minutos tchecos abrem disputa no Grupo A

Leia o post original por André Rocha

A República Tcheca precisava dos três pontos contra a Grécia em Breslávia para se redimir do duro revés na estreia. Para isso, Michal Bilek optou pela mudança que equilibrou o segundo tempo contra a Rússia: Hubschman à frente da zaga e Jiracek à direita em um 4-1-4-1.

Marcando à frente, os tchecos jogaram com intensidade e aceleraram pela direita com Jiracek e o bom lateral Gebre Selassie, em infiltrações em diagonal entre Holebas e Kyriacos Papadopoulos. Assim saíram os gols do próprio Jiracek, melhor em campo, e de Pilar completando centro de Selassie. O massacre em seis minutos parecia encaminhar a goleada que compensaria o estrago no saldo de gols.

No entanto, a equipe de Bilek recuou as linhas e atraiu a Grécia, que tinha Samaras no comando do ataque no 4-2-3-1 armado pelo técnico Fernando Santos para proteger a zaga reserva. Não conseguiu, nem melhorou a produção ofensiva.

A República Tcheca seguiu controlando o jogo, com grande atuação de Rosicky na articulação e chutes de fora da área que deram trabalho ao goleiro Sifakis, substituto do lesionado Chalkias logo após o segundo gol tcheco.

República Tcheca forte pela direita com Gebre Selassie e Jiracek acionados por Rosicky; Grécia sofrendo com zaga reserva e Samaras isolado.

Gekas entrou na vaga de Fotakis após o intervalo e a Grécia voltou ao 4-3-3. As ações de ataque não ganharam consistência, mas o gol saiu. Presente do goleiro Petr Cech e do zagueiro Sivok, que falharam grotescamente e Gekas aproveitou.

Sem Rosicky, mais uma vez contundido, os tchecos perderam posse de bola (terminaram com apenas 46%), velocidade e o volume pela direita. Só não sofreram mais porque os gregos foram obrigados a fazer o que não sabem: criar espaços em um sistema defensivo bem postado. Nos últimos minutos, Fernando Santos apelou para um 4-2-4 com Salpingidis, Gekas, Mitroglou e Samaras na frente e seguidos centros para a área.

No final, Grécia no 4-2-4, mas sem ideias para superar o sistema defensivo dos tchecos, que perderam criatividade sem Rosicky.

Mesmo com a pressão durante quase todo o segundo tempo, a Grécia não superou o adversário sequer nas conclusões: sete contra oito. Difícil imaginar os gregos seguindo na Euro, ainda que a matemática garanta chances remotas na última rodada.

A Rússia teve a chance de garantir a vaga nas quartas-de-final, mas não superou o clima de rivalidade histórica com os poloneses que transbordou para o gramado em Varsóvia e, principalmente, a boa atuação da seleção anfitriã.

Reorganizada por Smuda em 4-1-4-1 compacto e bem coordenado, com Dudka entre as linhas de quatro, a Polônia negou espaços às rápidas transições em velocidade dos russos e travou Shirokov, o meia organizador do 4-3-3/4-1-4-1 da equipe de Dick Advocaat.

Ofensivamente, a receita era a mesma da estreia: aproveitar a empolgação da torcida e buscar o gol explorando o entrosamento de Piszczek e Kuba pela direita para cima de Zirkhov, reconhecidamente frágil na marcação, e acionando Lewandowski.

Polônia no 4-1-4-1 compactando as linhas e bloqueando os contragolpes da Rússia, que repetiu a variação 4-3-3/4-1-4-1.

No entanto, a Rússia resistiu bem e foi ocupando o campo de ataque com toque de bola e movimentação. Dzagoev e Arshavin trocavam de lado pelos flancos e buscavam as diagonais. Mas a dupla só foi decisiva na bola parada: terceira assistência de Arshavin, desta vez em cobrança de falta pela esquerda, e o terceiro gol de Dzagoev, artilheiro da Euro.

A Polônia voltou do intervalo avançando as linhas e apostando na movimentação de Kuba e Probaniak pelos lados e os avanços de Polanski pelo centro. Os meias, porém, não concluíam e sempre procuravam Lewandowski, bem marcado pelos zagueiros Berezutski e Ignashevich. Ainda assim, o atacante quase empatou com menos de um minuto depois de receber belo passe de Polanski, driblar o goleiro, mas bater para fora.

Até que o lado direito voltou a funcionar: Kuba recebeu passe em profundidade de Piszczek e desferiu arremate certeiro, sem chances para Malafeev.

Com o empate, os times e a torcida aprumaram. Mas não se acomodaram e protagonizaram boa disputa, em técnica e tática. Em nova incursão pela direita, Kuba arriscou mais uma vez, mas Malafeev salvou a Rússia.

Advocaat trocou Kerzhakov – útil pela mobilidade e rapidez, mas com desempenho ridículo nas conclusões (onze conclusões erradas em dois jogos) – por Pavlyuchenko e depois Dzagoev por Izmailov, sem mexer na estrutura tática. Já Smuda voltou ao 4-2-3-1 com Mierzejewski no lugar de Dudka e manteve a fluência pela direita, mas sua equipe perdeu força no meio com a lesão de Polanski, substituído por Matuszczyk.

Rússia manteve a estrutura tática; Polônia passou a atuar no 4-2-3-1 e seguiu forte pela direita, com Kuba.

Os números reafirmam o equilíbrio e as diferenças nas propostas de jogo: a Rússia teve nítida vantagem na posse de bola (57%), mas concluiu muito menos: sete contra quinze dos poloneses ( 2×7 na direção da meta). Troca de passes versus verticalidade, a tônica da disputa tensa e perigosa apenas fora do estádio. Melhor assim.

Vantagem para a Rússia, que deve confirmar a liderança do Grupo A contra a Grécia. Já Polônia e República Tcheca podem fazer o primeiro “mata-mata” da fase final da Eurocopa. Disputa imprevisível, mas a anfitriã é ligeiramente favorita, pela evolução contra a melhor do grupo e o fator campo.


Eurocopa – Grupo A – 1ª rodada

Leia o post original por André Rocha

POLÔNIA 1×1 GRÉCIA

A seleção anfitriã teve início de favorita ao título na abertura do torneio. Rápida, envolvente, moderna na execução do 4-2-3-1 e abusando do entrosamento do Borussia Dortmund de Piszczek, Kuba e Lewandowski. Pela direita, a Polônia criou quatro chances no primeiro tempo, inclusive o gol do camisa nove.

A vitória parecia encaminhada ainda no final da primeira etapa com a expulsão (exagerada) de Sokratis, que desmontou a zaga grega minutos depois da saída do lesionado Avraam Papadopoulos para a entrada de Kyriakos Papadopoulos. O 4-3-3 grego – prova cabal que a escalação de três atacantes não garante ofensividade – estava desmontado.

Polônia no 4-2-3-1, forte pela direita em busca de Lewandowski; Grécia no 4-3-3, porém sem força ofensiva.

A desvantagem numérica, porém, curiosamente reorganizou a equipe do treinador português Fernando Santos. Também porque o 4-4-1, com Katsouranis recuado para a zaga, ganhou força pela direita após a troca de Ninis por Salpingidis. Nada menos que o homem que marcou o gol que classificou a Grécia para a Copa do Mundo de 2010, o tento único do país na história dos Mundiais…e o primeiro na Eurocopa, completando rebote de Szczesny.

O feito heroico esteve a ponto de se transformar em milagre quando Salpingidis sofreu pênalti do goleiro polonês que custou o cartão vermelho. Mas Tyton, que entrou na vaga de Rybus, parou Karagounis, recolocou sua seleção no jogo e fez a massa no Estádio Nacional de Varsóvia crer na redenção.

No mesmo 4-4-1 do adversário, a empolgada Polônia tentou recuperar força à direita com Obraniak atuando aberto e o apoio de Kuba mais centralizado. Porém, faltou fôlego ao time e iniciativa ao treinador Smuda, que abdicou das duas substituições a que tinha direito. Mesmo sem reposição confiável, as trocas podiam ser úteis, ao menos para reoxigenar a equipe.

Fernando Santos já havia queimado a última substituição trocando Gekas por Fortounis e empurrando Samaras para o comando do ataque. Sem muito a fazer, esperou seu time gastar o tempo e levar ponto importante na luta pela segunda vaga do grupo.

No final, times no 4-1-4-1 e com poucas soluções para sair da igualdade tática e no placar.

Provavelmente com a própria Polônia, que segue contando apenas com o apoio da torcida e o trio do bicampeão alemão. Pouco, mas pode ser o suficiente.

RÚSSIA 4×1 REPÚBLICA TCHECA

Movimentação, rápida transição ofensiva e entrosamento pelos sete titulares do Zenit foram as principais virtudes da Rússia na estreia com goleada. Objetividade também. Menos quando a bola caía nos pés de Kerzhakov.

Atacante único do 4-3-3/4-1-4-1 armado pelo holandês Dick Advocaat, foi peça útil pela velocidade nos contragolpes e a movimentação que confundiu a retaguarda tcheca e abriu espaços para as infiltrações em diagonal de Dzagoev e Arshavin, além das aparições de Shirokov e Zyrianov.

Mas se transformou em personagem às avessas ao errar todas as sete conclusões na partida. Algumas de maneira pífia. Menos mal que a cabeçada na trave foi aproveitada por Dzagoev no gol que abriu o placar.

Arshavin foi outro destaque, com mobilidade, perfeito entendimento com o ofensivo lateral Zhirkov bons passes, como a assistência para Shirokov marcar o segundo gol, e participação efetiva durante os 90 minutos – raridade na carreira do brilhante, mas irregular meia-atacante.

Tão inconstante quanto o desempenho da República Tcheca. O 4-2-3-1 de Michal Bilek era vagaroso na recomposição do meio-campo com os lentos Plasil, Jiracek e Rosicky e dependente do apoio dos laterais Gebre Selassie e Kadlec, já que Rezek e Pilar pouco contribuíam e isolavam Milan Baros.

Flagrante de cima das duas equipes no primeiro tempo: 4-3-3/4-1-4-1 russo e 4-2-3-1 tcheco (Imagem: reprodução Sportv).

Com a entrada de Hubschman no lugar de Rezek, Jiracek foi jogar à direita na mudança para o 4-1-4-1. Mas foi Pilar quem apareceu do lado oposto para receber de Rosicky, driblar Malafeev e sugerir uma disputa mais parelha.

O equilíbrio durou até Advocaat trocar o infeliz e exausto Kerzhakov por Pavlyuchenko e o atacante do Lokomotiv desequilibrar com assistência para Dzagoev e um golaço, típico de centroavante: protegendo a bola até surgir o espaço para a conclusão potente e precisa.

Com equipes no 4-1-4-1, Pavlyuchenko fez a diferença.

Uma prova da força e do favoritismo no grupo da Rússia, invicta há 14 jogos.