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Eder, o brasiliano que orgulha Lauro Muller

Leia o post original por Antero Greco

Depois de tanto vexame futebolístico, aparece um “brasiliano” para devolver o orgulho do mundo da bola à nossa gente. Vestido com o elegantérrimo uniforme azul, com o número 17 às costas, ele se materializou no Estádio Municipal de Toulouse. Como um raio, entrou na defesa sueca. O jogo da Eurocopa já estava no finalzinho, mas ele se livrou da zaga e mandou um balaço para o gol.

Seu nome: Eder Citadin Monteiro Martins, um legítimo Lauromulense ou Lauro-milense, ou seja, natural de Lauro Muller, cidade catarinense de 14 mil habitantes.

Enquanto Dunga caçava jogadores até desconhecidos para engrossar a lista de convocados pelo mundo afora, a Itália naturalizou o menino que começou carreira no Criciúma. Em 2015, estreou contra a Bulgária e fez gol, no empate por 2 a 2. Esta manhã fez o gol da vitória italiana, 1 a o que garantiu a classificação para a próxima fase.

Eder, 29 anos, é um dos nomes mais famosos na cidade que teve as primeiras minas de carvão da região e fica ao pé da Serra do Rio do Rastro – um dos pontos turísticos mais visitados de Santa Catarina. Joga na Inter de Milão, enquanto que em Lauro Muller os bons de bola são os veteranos do time do São José, que acabou de conquistar o título de futsal numa final eletrizante contra o Matrix: 3 a 1 no tempo normal. Vitória que veio apenas nos pênaltis. Ao time derrotado, restou o consolo de ter o artilheiro da competição Moacir Benincá.

Como se vê, o futebol não morreu no Brasil, apesar dos 7 a 1, das eliminações precoces e dos desmandos que ocorrem na CBF.

(Com reportagem de Roberto Salim.)

Falta uma Casanova no basquete feminino

Leia o post original por Antero Greco

Com certeza o técnico Antônio Carlos Barbosa viu o jogo entre Maranhão e Corinthians, pelas semifinais da Liga de Basquete Feminino. E, ao dormir, sonhou com Casanova. Se tivesse uma Casanova, o treinador teria meio caminho andado para armar a seleção brasileira para os Jogos Olímpicos.

A armadora Ineides Casanova é puro talento. Raça, técnica e perfil atlético. O time dela perdia para o Corinthians por 20 pontos, no jogo disputado no ginásio Castelinho, em São Luís; resultado normalíssimo.

Mas ela em nenhum momento se entregou. Ineides é incansável, constantemente ligada no jogo, sem demonstrar desânimo ou cansaço. Aos poucos a diferença foi caindo no placar.

Passes perfeitos, roubadas de bola, puxadas de contra-ataque, mira e confiança. O número seis da camisa dela aparecia em todas as jogadas, e logo o Maranhão Basquete estava à frente no placar.

Corinthians tem melhor elenco, melhor campanha, um técnico experiente como Antônio Carlos Vendramini, uma camisa de peso enorme. Mas não conseguia segurar o dínamo Ineides, que tinha a seu lado a compatriota Clenia Noblet.

E o que parecia impossível se torna realidade: vitória da equipe maranhense por 81 a 74.

E a bola acaba nas mãos de Ineides, a dona do jogo. Ela converteu 8 dos 10 arremessos feitos em lances livres, deu cinco assistências, pegou cinco rebotes, recuperou três bolas. Terminou o jogo com 30 pontos.

Então por que Barbosa não a convoca para a seleção que tentará recuperar prestígio na Olimpíada?

Ora minha gente, por uma questão muito simples: a menina negra, dos olhos bonitos, já defende outro país: Ineides Casanova é cubana.

(Com participação de Roberto Salim.)

São Bento enche de orgulho o mito Paraná

Leia o post original por Antero Greco

Até o mês de novembro, quando operou a mão, toda manhã de sábado ele se juntava aos amigos, colocava o uniforme de craque e ia bater uma bolinha em Sorocaba. Futebol soçaite, mas sempre futebol é. Ele ainda toca bola com categoria, não corre tanto, mas… vai dividir uma bola com ele, vai!!!

Sabe de quem se trata? De Paraná, que foi ponta-esquerda dos bons.

Jogou no São Paulo, jogou a Copa de 1966 e participou da batalha contra os portugueses (o Brasil perdeu por 3 a 1 e quebraram Pelé). E se orgulha dessa época.

Mas o que os amigos de pelada sempre querem saber é sobre as histórias da década de 60, quando o São Bento encaçapava todos os grandes que se arriscavam em Sorocaba. O time era muito forte e o ataque era formado por Copeu, Cabralzinho, Picolé, Bazzaninho e Paraná.

“Foram vários jogos memoráveis, mas lembro da estreia do Cabralzinho… foi contra a Ponte, ganhamos, demos show e ele ainda fez um gol”, relembra. O São Bento era mesmo um timaço.

Agora, os amigos de pelada querem mesmo saber é se o São Bento deste ano no Paulista se compara ao da época de Paraná.

O time atual está brilhando. Faz uma campanha invejável, está grudado no Santos no grupo “A”, ambos com 23 pontos. Só tem menos pontos do que o Corinthians (29).

Será que Paraná tem ido ao estádio? “Não… não me deixam ver o jogo”, lamenta. Será que a diretoria do time atual quer cobrar ingresso do velho ídolo? Nada disso. “Ninguém me deixa assistir… fica todo mundo querendo conversar o tempo todo”.

Então, ele prefere escutar pelo rádio. Mas sabe muito bem que o goleiro é bom, o lateral-esquerdo promete e o meio-campo é o ponto alto da equipe.

Daqui um mês, assim que o médico liberar, volta às peladas de sábado.

Afinal, Paraná é um menino que fez 74 anos na semana passada.

(Com reportagem de Roberto Salim.)

Campeão de tiro treina no quintal de casa

Leia o post original por Antero Greco

O esporte brasileiro é feito de loucos por competir e daqueles que são loucos para aparecer. Atletas competem e dirigentes lucram.

O Maracanãzinho vai ficar fechado por quatro meses para arrumar o teto. O Engenhão construído em 2007 está em reforma. A pista do estádio Célio de Barros foi concretada… E dirigente graúdo vai fazer discurso em Londres.

Mas nem isso impede o surgimento de verdadeiros campeões por aqui. O menino Felipe Wu é exemplo.

Neste sábado (dia 5), ganhou uma inacreditável medalha de ouro, na Copa do Mundo de tiro, realizada em Bangcoc. Participando da prova de pistola de ar – 10 metros, ele foi o campeão, desbancando outros 47 atiradores.

Wu é um fenômeno. Tudo bem que é filho de casal de atiradores, mas o tiro no Brasil é uma piada.

Existe o Centro Nacional de Tiro – uma obra caríssima e gigantesca –, mas pouca gente treina lá. Custou R$ 105 milhões, foi a construção mais cara do Pan de 2007 e ainda assim precisa de reformas para os Jogos Olímpicos. Sem contar que nos 9 anos de sua existência foi utilizado pouquíssimas vezes.

De volta a Wu, que é o que interessa. Ele havia conquistado ouro no Pan de Toronto, em 2015. Se não treina no Rio, se em São Paulo são pouquíssimos os lugares para aperfeiçoar a mira, a técnica, onde é que o afina a pontaria?

Se você respondeu no quintal da casa dele… acertou! É lá mesmo, e a distância para o alvo não é de dez metros como nas competições. O quintal – pequeno – tem 7 metros.

Ainda assim Wu é o 56.º ranking e agora conquista o ouro numa etapa do mundial. Do jeito que as coisas são, Wu pode até brilhar na Olimpíada.

Adivinhem: se isso acontecer, quem irá entregar a medalha pra ele?

(Com reportagem de Roberto Salim.)

O boxe não se emenda

Leia o post original por Antero Greco

O boxe profissional brasileiro tem apanhado nos últimos tempos porque não é levado a sério pelos organizadores dos eventos em ringues nacionais. Existem bons lutadores e alguns são fora de série. Caso de Patrick Teixeira, que faz carreira nos Estados Unidos e brevemente se apresenta em Las Vegas.

Mas a maioria que tem de começar a carreira no Brasil vê o caminho construído em cima de resultados enganadores.

Normalmente se confunde vitória com resultado a qualquer custo. Para isso, basta que o adversário seja um ilustre desconhecido ou um “perigoso” argentino.

Nesta sexta-feira, no Mendes Convention Center, em Santos, houve uma das tradicionais noitadas pugilísticas e a grande atração seria a disputa do título latino dos médios, versão Conselho Mundial de Boxe.

A avenida Ana Costa amanheceu com vários cartazes anunciando o combate. Vendia-se ingresso em shoppings e haveria a transmissão pela Sportv.

O brasileiro Yamaguchi Falcão estava animado, pela manhã, ao lado de sua turma – o irmão e o pai, o velho lutador Touro Moreno. Chegaram quarta-feira do Espírito Santo, onde moram e treinam.

Yamaguchi é lutador de 28 anos, que teve carreira muito boa no amadorismo. Chegou a ganhar a medalha de bronze, nos Jogos de Londres – mesma Olimpíada em que seu irmão, Esquiva Falcão, ficou com a prata, em uma derrota discutível para o lutador do Japão.

Esquiva também constrói dentro do boxe profissional uma sólida reputação nos Estados Unidos.

Yamaguchi tem recursos técnicos incríveis: luta como destro e canhoto com a mesma facilidade. Inverte a guarda, soca com a mesma potência com os dois punhos.

Esperava-se uma boa luta contra Jorge Caraballo, mesmo sabendo-se que o argentino tinha cartel sofrível: 5 derrotas e 2 empates em 20 lutas. Em 13 vitórias, só venceu duas vezes por nocaute.

Não foi a sua insossa lista de lutas que decepcionou quem esteve no ginásio.

Triste foi ver que o argentino não era tão perigoso como anunciaram e não era páreo para Yamaguchi, que venceu por nocaute técnico com pouco mais de 40 segundos do segundo assalto. Agora ele soma dez vitórias e continua invicto.

A família Falcão comemorou em cima do ringue, mas ele e o pai sabem que não se forma um campeão lutando contra adversários de mentira.

(Reportagem de Roberto Salim.)

Doping em família

Leia o post original por Antero Greco

Reportagem de Roberto Salim.

Será que existe esporte sem doping?

Cada vez mais a resposta se aproxima de um “não” enorme.

O superatleta do alto rendimento precisa treinar mais, suportar a dor, o cansaço, tem de conquistar medalhas, resultados. E a ciência avança, traz remédios, suplementos, complementos e que-tais. Tudo dentro da lei. Que lei?

Uma vez, dona Vanda dos Santos, atleta da Olimpíada de 1952 contou que era a mascotinha da equipe nacional. O xodó do grupo que viajou para Helsinque. “Doping? Naquele tempo o nosso técnico dava gemada, para a gente suportar os treinos mais duros”.

Tempo da gemada. Bons tempos.

Agora é medicamento na veia. E furosemida para disfarçar o doping. Para mascarar as substâncias proibidas.

A recém-criada ABCD – agência nacional do controle de doping – quer se fazer respeitar. Tem feito exame em cima de exame. Mas no fundo é tudo igual aos anos passados. Pega-se um ou outro de esportes populares, como atletismo e boxe. Peixe graúdo de esportes da elite, nem pensar.

É o velho e bom preconceito que reina no país desde os tempos da escravidão.

No futebol, os exames são um verdadeiro faz de conta. No ciclismo esconde-se o máximo possível o nome dos que caem na rede. E assim mesmo alguns são perdoados internamente, desafiando a autoridade da ABCD. Tudo em nome das aparências e da boa imagem do esporte.

Lá fora a Rússia é a bola da vez. Descobriram agora que lá se usa doping. E nos Estados Unidos, na Alemanha, na Espanha, na França? Ninguém usa?

É um teatro.

Mas, nesta sexta-feira, um telefonema nos deixou com a pulga atrás da orelha: era a confirmação de que a fundista Sueli Pereira da Silva, melhor brasileira na São Silvestre, deu positivo para EPO. Até aí nenhuma novidade: a notícia já tinha saído em todos os jornais. A grande surpresa é que o filho dela, o Ronald, também atleta, teve exame positivo.

Ou seja, quando mãe e filho são flagrados no uso de substâncias proibidas é porque tem algo de muito ruim a acontecer no mundo do esporte.

Olimpíada e destruição de uma comunidade

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

As obras olímpicas estão quase prontas. Segundo os órgãos oficiais e o Comitê Olímpico Brasileiro, 97 por cento. Isso é o que se conta hoje.

Mas, se um dia a história dos bastidores for contada, com detalhes, muita gente morreria de vergonha. Se é que essa palavra existe em seus dicionários.

Um dos casos inacreditáveis é o da destruição da pista do Estádio Célio de Barros. Virou estacionamento durante a Copa do Mundo, com a promessa de que seria reerguida para servir de pista de apoio durante os Jogos de 2016. Mentira deslavada.

O local onde Joaquim Cruz, Adhemar Ferreira, João do Pulo, Nelson Prudêncio, Nelsinho Santos, dona Aída dos Santos e tantos outros competiram virou terra de ninguém. E hoje se presta vez ou outra a “raves”. Esse e o caso do velódromo do Pan, que foi desmontado e enviado em carretas ao Paraná; são situações simbólicas do desmando esportivo e público do Rio.

Mas nada, nada mesmo se compara ao cerco à Vila Autódromo – comunidade de trabalhadores que foi sendo destruída com táticas de terror administrativo. Primeiro com ameaças, depois com atos hostis e agora tentando cortar a luz no local, onde cerca de 50 famílias ainda resistem.

“Isolaram duas casas dentro do Parque Olímpico e tentaram cortar a luz. Daí cortariam de toda a comunidade”, contou neste domingo cedo a jovem Natália, moradora do local. “Resistimos, buscamos nossos direitos junto à Defensoria Pública e conseguimos impedir”.

Lembro como se fosse hoje do dia 9 de junho do ano passado, quando encontrei Natália e sua mãe, dona Maria da Penha, chegando em casa. Dona Penha com o rosto inchado.

A líder dos resistentes pesa 47 quilos, mas tem uma tonelada de determinação. Enfrentou a tropa de choque, que queria desalojar moradores, apanhou e uma semana depois ainda fazia compressa no rosto. Ela, o marido e a filha continuam na luta. Inglória.

Até o início dos Jogos, quando 100 por cento das obras estiverem prontas e políticos e dirigentes estiverem dividindo os louros, Dona Penha estará bem longe de onde morou quase a vida toda. Mas estará como sempre de mãos limpas.

Da minha mente não sai uma das frases pintadas nas casas semidestruídas: “Nem todos têm preço”.

A volta do velho samurai

Leia o post original por Antero Greco

Ano de Olimpíada tem histórias incríveis, além do superfaturamento de obras.

O mais novo milagre deste 2016 é a volta do velho samurai: aos 74 anos e ainda inconformado em ter ficado “só” com a medalha de bronze na Olimpíada de Munique, em 1972, o pioneiro Chiaki Ishii está treinando. Ele vai disputar o Campeonato Mundial Master em Miami.

Para quem não acompanha o judô ou a nossa história olímpica, seria como se o Pelé resolvesse colocar chuteiras e calção e voltar a treinar na Vila Belmiro para jogar agora uma revanche contra Portugal, por tudo que aconteceu na Copa de 1966 na Inglaterra.

Tudo bem que mestre Chiaki continuou este tempo todo em atividade, dando aulas em sua academia na Vila Pompéia. Mas sua filha Vânia e dona Keiko, sua esposa, só ficaram sabendo quando tudo já estava definido – caso contrário teriam impedido a inscrição.

Inscrição feita, não há como mudar de ídéia.

Pelo menos na vida deste imigrante que chegou ao Brasil, em 1969, atrás do sonho de ir para uma Olimpíada e defender a nova pátria.

Por estes dias, ele está treinando na cidade de Bastos, interior de São Paulo, na academia de um velho discípulo: o sensei Uichiro Umakakeba. Diz a lenda que lá os treinos são tão duros e tradicionais, que o filho chora e a mãe não vê.

É a esse treinamento que seu Chiaki está se submetendo.

Nenhuma grande novidade em sua vida: o pai era mestre e o avô foi aluno de Jigorô Kano, o criador do judô, em 1882, no Japão.

Vânia Ishii, que também foi judoca de destaque e medalhista de ouro no Pan-americano de Winnnipeg, afirma que a volta do pai não é exatamente para provar nada a ninguém: “Ele e um amigo estavam falando de lutas e, quando souberam do mundial de veteranos, resolveram lançar um desafio.”

Aliás, aceito na hora pelo Velho Samurai.

Agora é esperar para ver.

Faixa preta, nono dan, Chiaki Ishii se prepara para fazer justiça ao resultado de Munique em 1972, quando se sentiu prejudicado pelos juízes da luta em que perdeu a chance de sonhar com o ouro.

(Com Roberto Salim.)

Darlene e Rio Preto campeão no feminino

Leia o post original por Antero Greco

Gostava tanto de jogar futebol que, quando os meninos não permitiam a presença dela, pegava uma faca e furava a bola. Com isso arrumou muita encrenca no Jardim Alice, na periferia de São José do Rio Preto, até que seus pais resolveram fazer um time só para suas três meninas: Milene, Sharlene e Darlene – especialmente para Darlene, a bravinha que pegava a faca.

Mamãe Dorothéa é a supervisora do time. “Desde que ela tinha dois anos dizia que seria jogadora de bola”, recorda. E papai Chicão, o treinador, mas como não anda de avião, dirige o time por telefone, quando os jogos são fora de São Paulo. “Eu queria um menino, mas Deus me deu três filhas”, resigna-se.

Pois neste domingo, o sacrifício de Dorothéa e Chicão finalmente valeu a pena: o time de Rio Preto tornou-se campeão brasileiro de futebol feminino, tendo a camisa 7 Darlene como destaque. A menina que arrumava confusão é hoje, aos 25 anos, atacante da seleção brasileira e deve assinar contrato com um time chinês.

Na finalíssima do Campeonato Nacional, o time de Rio Preto empatou com o São José, por 1 a 1, e levou a taça por ter vencido o primeiro jogo por 1 a 0.

Foi uma caminhada difícil, num campeonato confuso, em que jogadoras desmaiaram em campos de todo o país por conta do calor, partidas quase foram suspensas por falta de ambulância e médico e a desorganização andou solta por todo o torneio. Como sempre, a CBF despreza o futebol feminino do país que sobrevive graças a histórias como a da família de Darlene.

Todo time tem uma artilheira, mas só a artilheira Darlene tem um time campeão: o Rio Preto.

(Reportagem de Roberto Salim.)

Vida longa à cigana*

Leia o post original por Antero Greco

Fabiana Diniz estava triste, mas aliviada, em sua casa na cidade de Guaratinguetá. Era o dia 3 de junho. O susto tinha passado. O risco de uma trombose tinha sido afastado. Não poderia disputar os Jogos Pan-americano de Toronto, mas logo voltaria à seleção brasileira.

“Eu estarei no mundial”, garantiu a jogadora da seleção brasileira de handebol numa tarde chuvosa.

A outra promessa quem fez foi dona Neusa, a mãe de Fabiana. “Quando as dores na perna aumentaram e ela foi levada às pressas ao hospital, eu fiz uma promessa a Frei Galvão”.

Fez… cumpriu e a mulher da camisa número 2 estava na tarde deste sábado defendendo novamente o Brasil na estréia do Campeonato Mundial, contra a Coréia do Sul, na cidade de Kolding, na Dinamarca.

Fabiana Diniz não é uma jogadora qualquer. É campeã do mundo, tricampeã pan-americana e tem o apelido de Dara, porque as companheiras de quadra a achavam parecida com a cigana protagonista da novela “Explode Coração”, que foi um tremendo sucesso.

Mais: Dara é líder, capitã da seleção. E como tal marcou o primeiro gol do Brasil no mundial. O jogo contra as coreanas foi tenso e não fosse a goleira Babi e suas defesas maravilhosas dificilmente o Brasil não teria perdido na estréia. Aliás, depois de uma defesa inacreditável de Babi, a seleção nacional chegou ao empate a um segundo do encerramento da partida: 24 a 24 – gol salvador de Ale.

Além de prever sua volta no mundial, a cigana Dara viu em sua bola de cristal particular a conquista do bicampeonato do mundo e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

É esperar e conferir.

O segundo jogo da seleção será segunda-feira contra o Congo.

*(Com reportagem de Roberto Salim.)