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Zé Sérgio: A Resistência

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 19/07/1981

zesergioZé Sérgio está conseguindo resistir com vigor, coragem e eficiência… Há alguns meses os obstáculos têm aparecido repentinamente e todos muito difíceis de serem ultrapassados ou vencidos, mas o ponteiro esquerdo vai conquistando melhores posições nesta verdadeira batalha. Pontapés violentos, marcações desleais, árbitros incompetentes, acusação de doping precipitada, esquemas montados para segurá-lo, fratura ocorrida no México, queda de produção dentro do selecionado, outra fratura recente no braço direito. Num curto espaço de tempo, Zé Sérgio teve que provar que tinha estrutura para resistir a tudo isso. E apesar de alguns momentos com os olhos tristes, Zé Sérgio está vencendo.

Sofreu uma operação ontem e já está falando em voltar, em jogar, em participar da Copa do Mundo. Seu abatimento é quase inexistente e sua força espiritual é flagrante.

A resistência de Zé Sérgio é mais uma das suas armas além da habilidade com a bola nos pés, da velocidade entusiasmante e da produtividade constatada inúmeras vezes.

A vitória é apenas uma questão de tempo e a paciência é outro dos instrumentos usados por alguém que participa de uma resistência.

Junqueira, Novelli, Pardal, Teixeirinha, Canhoteiro, Paraná e muitos outros jogaram pela ponta esquerda do São Paulo através dos anos. Mas na opinião de muita gente nenhum foi melhor que Zé Sérgio. O atacante, há bem pouco tempo foi considerado o melhor do Brasil e do Mundo, na posição:

“E isso não acabou. Aqueles que me conhecem sabem que eu voltarei a ser o melhor ponteiro esquerdo do Brasil, jogando e provando isso dentro do campo. Sei que muita gente acha que o Zé Sérgio acabou, mas vou provar que isso não é uma verdade”.

“Sou profissional há cinco anos e tenho 24 anos de idade. Há momentos inesquecíveis: quando fui promovido a profissional… quando consegui um título brasileiro pelo São Paulo… quando fui convocado para participar da Copa do Mundo de 78”.

“Há momentos horríveis. Mas nada foi pior que aquele episódio do doping. Eu estava passando por uma fase maravilhosa e recebi uma verdadeira ducha gelada. Foi uma injustiça mas consegui assimilar o golpe. Foi um terrível pesadelo. Quando ia participar das finais do Paulistão surgiu a notícia e a correria foi grande. Mas nunca deixei de ter a consciência tranqüila. Aquilo prejudicou-me muito. Ainda ouço piadas, comentários irônicos, mas já era algo esperado…”.

“Pelo o que eu fiz na Seleção Brasileira tenho certeza que aproveitei. Acho até que joguei melhor pelo selecionado do que pelo São Paulo. Posso jogar na Seleção Brasileira, sem nenhuma dúvida”.

“Algumas pessoas disseram que eu só jogava bem no Morumbi. As minhas melhores paridas foram exatamente foram do Morumbi e isso é flagrante… Tive muitas oportunidades no selecionado e de repente fui expulso e perdi o lugar. Fiquei um pouco abalado realmente. Mas amadureci e estou mais vivido. Acho que não estou fora dos planos do técnico Telê Santana, sempre nos demos muito bem e sempre soube respeitá-lo. Sou um jogador regular e ele sabe disso”.

“O Éder soube reagir e subir de produção e quero que ele seja feliz, mas eu também sei das minhas possibilidades e voltarei a ganhar a posição”.

“Eu aprendi muito, sei quem são os meus amigos, os conhecidos, os falsos, conheci muita coisa”.

“Nos últimos cinco anos fiz bons contratos com o São Paulo, meu pai sabe administrar os negócios, comprar algumas propriedades, mas não deixo de divertir-me um pouco. Não é porque o futebol passa rapidamente que um jogador deve ficar 10 anos trancado dentro de casa, guardando tudo aquilo que consegue ganhar…”.

“A presença do Rivelino na minha vida ajudou muito. O meu primo sempre foi amigo, um verdadeiro irmão. Nunca pensava em ser um jogador e quando apareci alguns diziam “ele não passa do primo do Rivelino”. Mas soube ser profissional como ele e dentro de campo segui o meu caminho”.

“Na minha fase técnica negativa, conversamos muito. Mas o Rivelino também passou por péssimos momentos e soube superá-los…”.

“Na Seleção eu queria entrar em campo e dar tudo, ganhar sozinho, e a coisa foi ficando cada vez mais difícil”.

“Mas eu ainda acho que sou o melhor ponteiro esquerdo do Brasil. Passei por um período em que tinha medo de driblar ou perder a bola. Os pontapés nunca me assustaram e sempre fui bem contra zagueiros violentos”.

“Não enfrentei problemas financeiros, sentimentais, familiares. Meus problemas foram e ocorreram dentro do campo”.

“Quero dizer que sei chutar, entretanto às vezes sou precipitado”.

“Trabalhei com José Poy, Rubens Minelli, Cláudio Coutinho, Mário Juliato, Carlos Alberto Silva, Telê Santana e Chico Formiga. Alguns são semelhantes, outros são bem diferentes”.

“O treinador atual é super tranqüilo e projeta tranqüilidade”.

Zé Sérgio fala de muita coisa:

“Esta bíblia eu ganhei do João Leite e em momentos como hoje leio e dá uma maior força espiritual. Aliás, no episódio do doping li muito a bíblia”.

“Atualmente não estou lendo nenhum outro livro, o último foi AINDA RESTA UMA ESPERANÇA e realmente identifiquei-me muito com os personagens que enfrentaram muitos problemas”.

“Já que vocês querem saber, depois da minha noiva a mulher mais bonita do Brasil é a Bruna Lombardi…”.

“Não sou oposição nem situação. A vida está cara e eu sigo o meu caminho. Os salários são baixos e o povo enfrenta dificuldades. Acho que o presidente Figueiredo tenta fazer o melhor possível, mas o sistema está errado e a estrutura vem provocando erros há muitos anos. O presidente não pode ser considerado culpado pela situação”.

“Aqui no Brasil ninguém está contente com o que acontece. A oposição existe em qualquer coisa no mundo. Sempre há alguém contrário… Mas o principal, a abertura, parece que realmente é uma realidade. Hoje o Brasil ainda não conseguiu criar ou reviver um líder. Eu pelo menos não conheço nenhum”.

“Acho que ainda vamos vencer o petróleo”.

“Não conheci o homossexualimo dentro do futebol”.

“Encontrei muita gente boa e má. Há amigos verdadeiros e falsos. Dentro do futebol isso é comum”.

“Eu me considero uma pessoa com a missão de dar alegria às pessoas. Gosto de crianças, sei que elas gostam de mim. Procuro tratá-las bem. As que me procuram merecem respeito. Há pessoas que precisam de um sorriso, de um cumprimento, de algumas palavras. Um depende do outro…”.

“Procuro agir corretamente: não bebo, não fumo, procuro ser educado. Preocupo-me realmente com isso. Tenho que cuidar da imagem, comportar-me dentro dos padrões de respeito que a sociedade exige”.

“Gosto de música popular brasileira e norte-americana. Ultimamente tenho ouvido Gilberto Gil. São músicas que geram a tão necessária esperança de dias melhores”.

“Enfrentei muitos momentos terríveis. Chorei algumas vezes, dentro do futebol. Há certas críticas que machucam, principalmente quando são injustas… Ao longo da carreira, entretanto, nenhuma dor foi pior do que aquela notícia do doping. Aquilo machucou intimamente, moralmente e não há nada pior”.

“Eu preciso da torcida e a torcida precisa de mim. A vida é assim. Vou começar a subir dentro do futebol, novamente…”.

Deixamos para o final aquilo que Zé Sérgio quis dizer a respeito das contusões:

“Ao longo da carreira sofri algumas, mas nada grave. Entretanto em abril, no México, recebi um soco e trincou o osso do antebraço direito. Fiquei fora do São Paulo e não fui convocado. Voltei aos treinamentos, ao futebol e relativamente bem. Mas contra o Noroeste sofri uma falta e caí sobre o braço. Outra fratura e foi necessário uma operação que sofri ontem mas não irá influir no período de recuperação: cerca de 60 dias. Não estou abatido ou arrasado. Estou com esperanças de voltar e bem ao time do São Paulo”.

O médico José Carlos Ricci afirmou que “a cirurgia realizada pelo Dr. Amatuzzi foi perfeita e tudo terminará bem. O Zé Sérgio é um jogador equilibrado e compreendeu a necessidade de se realizar uma operação que só trouxe benefícios para o seu braço. Foi feita uma osteossintese com enxerto ósseo e dentro de dois meses ele já deverá estar jogando…”.

Zé Sérgio sorriu e comentou: “Ainda bem que ainda há tempo de jogar algumas partidas pela Seleção antes da Copa do Mundo…”.

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