Arquivo da categoria: Rui Costa

Cobranças de parentes de vítimas mudam opinião sobre Chape, diz cartola

Leia o post original por Perrone

Entrevista com Rui Costa, diretor executivo de futebol da Chapecoense.

Como você analisa a reconstrução da Chape até aqui?

Cumprimos com as etapas estipuladas até aqui. Reconstruímos o departamento de futebol. A meta foi alcançada no Campeonato Catarinense com o bicampeonato. Tivemos uma participação mais do que digna na Libertadores. O time estava classificado e foi eliminado por uma manobra. A Chapecoense estava classificada e começou a virar um grande inconveniente, porque ninguém esperava, mas essa é uma outra história. A Copa Sul-Americana está aberta. Tínhamos um compromisso moral (jogar na Espanha em meio ao Brasileiro) com o Barcelona, único clube que nos deu apoio financeiro, associou sua marca à nossa e isso deu um retorno incrível. Só ficamos no Z4 quando estávamos com um jogo a menos. Agora, se ganharmos do Corinthians (nesta quarta), o que já se provou que não é impossível, o resultado vai nos remeter ao que queremos (se afastar da zona de rebaixamento). Permanecer na Série A é nossa meta. Num ano difícil para o clube a meta é terminar o Brasileiro de maneira digna. Se vencermos o Corinthians, vamos nos encaminhar bem para terminar o campeonato de maneira digna.

Então, o jogo com o Corinthians é chave para o planejamento de vocês?

Não. O momento chave era contra o Palmeiras porque estávamos voltando de uma viagem desgastante (para Europa e Japão) e logo enfrentando o adversário que talvez tenha o melhor elenco da América Latina. Uma derrota poderia consolidar nossa posição no Z4, seria a segunda derrota seguida na competição  e sofreríamos muita pressão externa. Mas ganhamos (por 2 a 0). Agora, o jogo do Corinthians é a chance de confirmação do que podemos fazer. Já empatamos com eles fora de casa. Então podemos confirmar que somos capazes de conseguir um bom resultado no nosso estádio. Já ganhamos do São Paulo, ganhamos do Palmeiras duas vezes. Vamos ter uma chance contra o Corinthians de confirmar essa capacidade. Se ganharmos vamos nos distanciar do grupo de baixo e mandar um recado pra muita gente, mas o momento chave foi contra o Palmeiras.

Bons resultados contra times paulistas é só coincidência?

Vejo isso como uma forma de ilustrar que nosso trabalho tem consistência. Jogamos bem contra adversários do Estado que talvez tenha o melhor futebol do Brasil. Todos têm uma grande estrutura. Se ganhamos do Palmeiras fora, podemos buscar o melhor contra o Corinthians. Esse é o grande recado para os atletas.

O fato de o Corinthians ter perdido seu último jogo para o Vitória, que também luta contra o rebaixamento, pode de alguma forma ajudar a Chape?

Não. O Corinthians é um time que tem muito a cara do seu treinador, respeita seus adversários e até as limitações que têm. É líder mas tem limitações. O que mais chama atenção é que os atletas são abnegados, têm comprometimento tático. Eles jogam assim contra todos adversários e não vão desconsiderar o jogo (em Chapecó).

Esportivamente, foi ruim para a Chapecoense ir jogar com o Barcelona, por causa do desgaste?

Foi cansativo, mas foi muito importante para os jogadores, para o clube e para mim mesmo, pelo conhecimento que adquirimos. Ninguém foi lá a passeio. Desportivamente foi impressionante. Você olhava para o lado e o Messi estava a metros de um jogador meu da base.

Qual episódio com o Messi que mais marcou?

A gentileza e a generosidade dele. Foi ao contrário daquela imagem de que ele é quase alheio às coisas. A maneira como ele foi extremamente generoso com todos do nosso time foi o ponto alto. O lado humano pesou muito.

Ter São Paulo e Vasco lutando também contra o rebaixamento preocupa?

Sim. Eles não são da turma de baixo. Vão fazer todos os esforços para sair de lá e isso nos pressiona.

Existe na Chapecoense alguém arrependido por não ter aceitado aquela tese de alguns clubes que defendiam que o time não fosse rebaixado mesmo se ficasse entre os quatro últimos para poder se recuperar melhor da tragédia?

Mesmo nos momentos mais difíceis ninguém mencionou que seria melhor ter essa blindagem. O povo de Chapecó tem a luta em seu DNA. Não lutar (para evitar a queda) seria se apequenar. Hoje (em Chapecó), a gente é cobrado, criticado, como qualquer time. Não queremos que o clube seja coitadinho, queremos que seja o clube reconstruído.

O fato de familiares das vítimas reclamarem do tratamento que recebem do clube, cobrarem indenizações e fazerem outras críticas tem feito a Chapecoense ser hostilizada por onde passa?

Ainda não. Pode ser que aconteça. Há uma reversão de imagem. Era o clube mais querido, o que tinha mais sofrido. A partir do momento e quem versões foram colocadas, elas começaram a ganhar força. A gente lá no vestiário percebe que há uma imagem um pouco diferente da Chapecoense hoje. Se isso vai aumentar, eu não sei. Sempre que temos alguma conquista aprecem matérias das famílias (fazendo cobrança), como se estivéssemos usurpando alguma coisa, fazendo desaforo para as famílias. Não falo como dirigente, representando o clube, mas a minha opinião pessoal é que as coisas vão melhorar se os dois lados estiverem juntos.

O deputado federal Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, disse que ‘todo mundo sabe por que  Vágner Mancini saiu da Chapecoense, as coisas que ele fez,  e tudo que rola por trás disso’. Existe algo nebuloso na demissão do Mancini (hoje treinador do Vitória)?

Não teve nada nebuloso. Não sei o que o Sanchez quis dizer, mas não teve nenhuma situação excepcional, nada não revelável, nada de quebra de confiança. Ele saiu da Chapecoense pela porta da frente. Não posso fazer nenhum comentário que não seja para ressaltar a importância do trabalho dele para o clube, não tenho nenhum reparo na questão pessoal para fazer. Ele saiu porque o ciclo se encerrou, o que é normal no futebol.

Apesar de dificuldades, Chape ainda tenta Sheik e Seijas

Leia o post original por Perrone

A Chapecoense vê uma série de dificuldades para acertar as contratações do atacante Emerson Sheik e do meia Luis Manuel Seijas, mas ainda não desistiu das negociações, segundo Rui Costa, diretor-executivo do time catarinense.

“Sempre tivemos interesse no Sheik. Não dá pra dizer que acabou ainda, mas acho improvável”, afirmou o dirigente.

O blog apurou que o principal entrave é a pedida salarial do atacante, superior ao que a Chape pretende gastar. Existem também detalhes contratuais ainda sem acordo.

Em relação a Seijas, a Chapecoense terá que esperar o fim do Campeonato Gaúcho. A direção do Internacional sinalizou que não vai decidir sobre a eventual saída do meia antes da decisão com o Novo Hamburgo.

“Seijas é um baita jogador na minha opinião. Eu o monitorava desde o Santa Fé. Mas acredito que jogou fora de sua posição no Inter”, disse Costa. Ele também classifica essa operação como difícil.

Da mesma forma que acontece com Sheik, o salário de Seijas, que chegaria por empréstimo, é alto para os padrões da Chape.

Do olhar das viúvas à provocação com avião. A reconstrução da Chape

Leia o post original por Perrone

 

Pouco menos de cinco meses após o acidente aéreo que dizimou seu time, a Chapecoense celebra estar na final do Campeonato Catarinense, na qual enfrentará o Avaí. O caminho até a decisão foi marcado por dramas, desconfianças, 26 contratações de jogadores e até impiedosas provocações de rivais lembrando a tragédia. Detalhes dessa reconstrução foram contados ao blog por Rui Costa, diretor-executivo de futebol do clube e que vê a Chape pronta para chamar a atenção por seu projeto de reestruturação, não pela comoção causada pelo desastre.

 Abaixo, leia as principais declarações do dirigente.

Terra arrasada

Nove de dezembro, quando cheguei, o ambiente era devastador, muito pesado. O clube não tinha perspectiva, não tinha esperança, havia desconfiança de que não conseguira se remontar. Era algo fora de cogitação imaginar que o time seria finalista do Estadual. A missão era ainda mais difícil para quem chegava de fora. A Chapecoense já era um time que representava a cidade, depois do acidente isso aumentou. As pessoas pensavam quem são estes caras? Eles vão fazer da Chapecoense uma equipe de amigos de novo, um time ligado à comunidade? Você está chegando para ocupar o lugar de alguém que morreu. A sua presença lembra a ausência de alguém e isso gera um desconforto nas pessoas. Nossa primeira meta era reconstruir o grupo. Em quatro meses, com a liderança do (Vagner) Mancini, com a capacidade de escolher lideranças positivas, jovens com ambição, conseguimos construir um ambiente no vestiário de amizade, semelhante ao que existia antes”.

Recomeço com Camp Nou

“A apresentação foi muito emocional, muito pesada. Foi muito difícil porque não era só montar ume elenco, tivemos que remontar toda a equipe de trabalho, médicos, massagistas… A cada dia que o sol se punha pensávamos: ‘só temos três jogadores e 15 dias para montar o time’. Foram mais de 90 jogadores mapeados, 50 selecionados, 26 contratados. No começo, havia desconfiança, você procurava um atleta e ele ficava na dúvida de acertar com um time que tinha só três ou  quatro jogadores. Teve gente que disse não por achar arriscado, por não saber se conseguiríamos montar um time. Usei muito a visibilidade que a Chapecoense teria, usei várias vezes a argumentação que jogaríamos no Camp Nou (estádio do Barcelona) e que jogar no Camp Nou pode mudar a carreira de um jogador brasileiro. Deu certo”.

 

Viúvas

“O momento emblemático foi o primeiro jogo, o amistoso com o Palmeiras. As esposas dos jogadores (mortos) ficaram na frente do vestiário e elas nos olhavam de uma forma específica, não era um olhar de ravia, era um olhar de o que vocês estão fazendo aí (no lugar dos outros)? A gente representava a ausência dos maridos. Esse clima foi difícil, mas depois o vestiário foi ficando mais desportivo, entrando só quem está trabalhando. Conseguimos um equilíbrio entre o desportivo e o emocional, fazer esses caras (novos atletas) entrarem no coração da torcida. E fizemos os jogadores entenderem que a maior homenagem para aqueles que não estão mais aqui é vencer os jogos e transformar o projeto em algo saudado não por conta de uma tragédia, mas por conta de como se consegue superar um episódio dramático com profissionalismo. Ninguém quer ‘coitadismo’, a gente quer gerar atenção pelo projeto desportivo. A tragédia foi devidamente registrada. Lembrar disso em todo jogo pode atrapalhar os jogadores com o peso de representar pessoas que não estão mais aqui. Hoje, o torcedor da Chapecoense não vai ao estádio só pra prestar homenagens, ele torce, vaia”.

Provocações

Preparamos os jogadores para enfrentar eventualmente piadas de mau gosto, como as que aconteceram no jogo com o Criciúma (a torcida adversária cantou: ão, âo, ão, abastece o avião). Teve um jogo no começo, não vou lembrar contra quem, em que alguns torcedores provocaram, cantaram algo sobre o avião e isso gerou muita indignação dos nossos jogadores. Gerou raiva, alguns não conseguiram controlar a indignação, e sentimos que isso abalou um pouco o time. Então conversamos com os jogadores, explicamos que isso poderia acontecer mais vezes, apesar de ser absolutamente irracional. Dissemos que precisamos focar no trabalho, e eles não se abalaram mais. Sempre que isso acontecer, vamos reagir de maneira institucional, pela diretoria. O jogador tem que se imunizar”.

Futuro

Temos oito ou nove atletas com situações bem encaminhadas de permanência. Outros tantos com opção de compra. Então, temos possibilidade de manter 90% dessa equipe para 2018. Não fizemos um time para durar só até 2017. Não vamos ter que comprar mais 25 jogadores no ano que vem. Em relação ao (próximo) Campeonato Brasileiro, acredito que vai ser o mais difícil dos últimos anos. Então, se tivermos oportunidade de nos reforçar, vamos fazer isso”.

Discurso vendedor

Leia o post original por Pedro Ernesto

Foto: Anderson Fetter/Agência RBS

Foto: Anderson Fetter/Agência RBS

Confesso que ando um pouco assustado com o discurso do dirigente Rui Costa. Ele só fala em vender. Liberou Saimon, um jogador de Seleção que nunca foi devidamente aproveitado.
Pouco depois, declara que Rodrigo Caetano oficializou o interesse do Flamengo em ter Bressan. Como assim? Se sai Saimon, se Geromel fez cirurgia e não deve estar de volta em janeiro, como pode o Grêmio abrir mão de Bressan?
O Grêmio já perdeu laterais. Perde atacantes como Dudu, perde zagueiros. Poucos ficarão. Discurso vendedor e preocupante.

Diego Aguirre

Nada foi surpreendente na entrevista coletiva do novo treinador colorado. Ele tem o discurso muito semelhante a todos os treinadores que conhecemos. Importante é ver seu time na prática. Não me surpreenderei se ele realizar um bom trabalho.
Os uruguaios são de uma escola de jogo com muita luta, com muita marcação. Mas seu sucesso passa, necessariamente, por contratações que deverão ser feitas. O Inter não vai longe com o que tem. Classificou com as calças na mão. Todos nós sabemos que na Libertadores o furo é mais embaixo.

Interior

Não são grandes os espaços nos veículos de comunicação sobre a montagem dos clubes para o Gauchão. No ano passado, não apareceu nenhum time capaz de encarar de frente a dupla Gre-Nal.
Neste ano, espero que o Xavante venha com tudo. Espero que o Lajeadense também mostre força no campeonato. Vou precisar de cinco ou seis rodadas para entender quem é quem neste Gauchão. Mas a Caravana vai rodar o Rio Grande, levando música e alegria.

Demaaaaaiiissss

O que restou no Rio foi o Flamengo. Nos últimos dois anos, a diretoria pagou cerca de R$ 200 milhões de dividas. Ainda tem mais 500, mas está voltando para o caminho correto. Liberou R$ 30 milhões para o departamento de futebol contratar. Não é um exagero, mas já é uma boa quantia. Enquanto isso, os outros _ Vasco, Flu e Bota _ estão morrendo à míngua.

De Menos

Os médicos do Botafogo pediram demissão. Não conseguiram receber nada. O clube está desintegrado. Imagino que terá muita dificuldade para sair da Segundona, pois suas dividas são astronômicas e o dinheiro que recebe é cassado pela Justiça do Trabalho para pagar suas contas com funcionários. Um exemplo de irresponsabilidade de dirigentes.

Rui Costa, o poderoso do Grêmio

Leia o post original por Pedro Ernesto

ZÉ ALBERTO ANDRADE – interino
ze.alberto@rdgaucha.com.br

Mesmo há um ano como executivo do futebol gremista, Rui Costa está agora numa inédita condição de protagonista. Foi ativo na troca de treinador, buscando um surpreendente Enderson Moreira, bancou a saída de Dida e a contratação de Edinho, assumiu a descoberta de Pedro Geromel, efetivou a permanência de Wendell e ainda definiu mudanças que passaram pela comissão técnica e chegaram até a assessoria de imprensa.

O dirigente não parou de trabalhar no Natal e no Ano-Novo, tentando enxugar folha de pagamento e negociar jogadores para fazer caixa. Leandro foi para o Palmeiras, Elano está indo para o Flamengo e Marcelo Moreno, para o Cruzeiro. Mesmo que a saída de Alex Telles tenha sofrido uma pausa, deve ser efetivada. Tanta atividade pode ser discutida quanto à eficácia. Mas é uma demonstração de comando, algo que é fundamental em um vestiário. Está muito claro que o homem manda e que, como tal, será muito cobrado.

Inversão

Parece que o Inter festejava um início de temporada de Libertadores. O novo Beira-Rio foi palco para a volta de Abel, a apresentação de reforços e até nomes de peso da política como Vitório Piffero. Muitos sorrisos para encarar o Gauchão.

Já o Grêmio não esteve na sua moderna Arena e, em um nostálgico Olímpico, houve clima bem menos empolgado. Nem sequer o Conselho de Administração esteve completo no retorno tricolor. São apenas duas contratações. A notícia de que os jogadores serão pagos até sexta foi o que de mais animador se ouviu.

Queda

André Döring conseguirá algo inédito. Sairá do cargo de técnico sem ter estreado. O Inter colocará Clemer no comando do sub-23 no Gauchão, embora não tenha participado da preparação.

Clemer conhece o grupo e é mais maduro na função. Para André, se trata de geladeira e tanto, que já comandou o time na Copinha e, ao que tudo indica, será rebaixado novamente a assistente. Depois da passagem discreta no time principal, o ex-goleiro campeão do mundo virou espécie de ministro sem pasta. Tem que ocupar um lugar, independentemente se isso será produtivo.

A definição do Catar como sede da Copa de 2022 sempre esteve envolvida em suspeitas. Entre elas, estranha antecipação de mais de oito anos na escolha, nenhuma tradição, escândalos na federação e muito calor em junho. Há cheiro de trambique. Com tempo ainda para mudar, a FIFA acabaria com os problemas se reconhecesse o erro e mudasse o país anfitrião.