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De volta: Corinthians nas nuvens e SP no Z4

Leia o post original por Antero Greco

Os jogos da tarde desta quinta-feira, 12 de outubro, Dia das Crianças, de NS Aparecida, do Descobrimento da América, interferiram na vida de dois grandes rivais paulistas. E, em situações extremas. O Corinthians ficou mais leve e solto na liderança, enquanto o São Paulo regressou para a zona de rebaixamento, depois de uma rodada de respiro.

O Corinthians reabriu vantagem folgada, depois de bater o Coritiba na quarta-feira (3 a 1), e de tabela se beneficiou com outra derrota do Grêmio (1 a 0 para o Cruzeiro) e com empate do Santos na visita à Ponte Preta (1 a 1). O líder tem 58 pontos, contra 48 dos santistas e 46 dos gremistas. O Cruzeiro está com 47.

E a via-crúcis tricolor continua, após o 1 a 0 para o Atlético-MG na noite da quarta e com uma combinação de resultados hoje. Complicou-se com os 2 a 1 do Sport no Vitória (em Salvador), com o empate da Ponte e com o 1 a 1 do Flu com o Fla. O São Paulo tem 31, contra 33 de Sport e 32 de Ponte e Flu.

A luta para fugir da Série B promete fortes emoções até as rodadas finais. Pois a diferença se mantém mínima e engloba um bloco enorme de concorrentes. O Galo, oitavo colocado com 37 pontos, tem 10 de vantagem sobre o lanterna Atlético-GO e seis apenas do São Paulo. Vai ser um sobe e desce danado, e não será surpresa se duas, quem sabe três?, vagas para a Segundona sejam definidas na jornada derradeira.

E no topo? Bem, o Corinthians só perde a taça se for incompetente ao extremo e se os outros acordarem. Como até agora a maioria dorme ou tira soneca, volta a ser questão de tempo para a rapaziada de Fábio Carille fazer a festa…

No Santos, candidato propõe que cartola pague do bolso aumento de dívida

Leia o post original por Perrone

Abaixo, leia entrevista com José Carlos Peres, um dos candidatos de oposição à presidência do Santos na eleição de dezembro. Os outros opositores na disputa são Nabil Khaznadar e Andrés Rueda. O atual presidente, Modesto Roma Júnior, é candidato à reeleição.

Proposta para conter dívida

“Vamos propor ao Conselho Deliberativo um dispositivo no estatuto para colocar uma trava na dívida. O dirigente que aumentar a dívida terá que pagar esse aumento do próprio bolso. Se eu pego o clube devendo R$ 500 milhões e entrego com um débito de R$ 520 milhões, tenho que tirar R$ 20 milhões do meu bolso. Assim, pelo menos, a dívida não aumenta. Não é uma proposta polêmica. É técnica e responsável”.

Portal da transparência

“Nossa principal proposta é ter ética e transparência porque a gente precisa mostrar credibilidade pro mercado para conseguir bons patrocínios. Vamos criar o portal da transparência. Nele vamos publicar balanços mensais. Vai ter toda a vida do clube lá pro sócio poder acompanhar. Conselheiros e sócios vão ter uma senha. O sócio vai poder saber, por exemplo, quanto o clube pagou por um jogador. Ele não terá detalhes no portal sobre quanto pagou de comissão, por exemplo. Mas se quiser saber, é só pedir ao clube. Os conselheiros terão acesso a todos os detalhes”.

Futebol

“Vamos contratar um diretor técnico que vai cuidar do time principal, das categorias de base e do futebol feminino. Vamos tentar evitar ex-jogador no cargo. Não significa que eles não terão oportunidade. Terão, mas por competência. Assumindo o clube, vamos fazer um levantamento da situação real do Santos a fim de tornar o clube autossustentável. Isso vai ajudar na nossa meta de ter um time forte. Vamos aproveitar mais as categorias de base. Não estamos revelando tantos jogadores como antes. Vamos investir na construção de um alojamento para as categorias de base. Temos terreno para fazer um CT de primeiro mundo para a base. E existem investidores interessados. Chineses, por exemplo. O Santos nunca botou tanto dinheiro na aquisição de direitos econômicos de jogadores como na atual gestão. Queremos mudar isso”.

Novo estádio

“Achamos desfavorável construir um novo estádio a 700 metros da Vila Belmiro. O que vamos fazer é um trabalho junto a Prefeitura, tentar comprar algumas casas (em volta do estádio atual) para alargar o terreno e poder dar uma ajustada na Vila. Vamos deixar tudo preparado para uma nova Vila Belmiro no futuro, não na minha gestão. Pretendemos usar o Pacaembu. Queremos fazer 50% dos jogos na Vila e 50% no Pacaembu. Vamos conversar com todos os consórcios interessados em administrar o Pacaembu para que a nossa bandeira seja usada lá. O torcedor vai saber no início do campeonato quais jogos serão em São Paulo”.

Neymar

“A relação do Santos com Neymar hoje é um exemplo de como não tratar nossos ídolos. Nossa torcida está magoada. Ele não quer mais nada com o Santos e foi pelo tratamento dado por essa gestão. Temos que ficar bem não só com o Neymar, mas com todos os nossos ídolos. A ideia é conversar com ele e todos os outros ídolos para que tenhamos uma boa convivência. Quando parar de jogar, o Neymar tem que pensar no Santos. Hoje, ele está cutucando quem o maltratou”.

Marketing

“Hoje nosso marketing é puro, sem departamento comercial. O marketing vai embalar, e o comercial vai vender. A ideia é trazer o departamento para São Paulo onde o clube vai conseguir recursos. Teremos uma unidade de negócios em São Paulo que é onde estão as principais empresas que podem investir. Um representante de uma empresa, se pegar um comboio na estrada, leva três horas pra chegar a Santos e conversar com a gente. Temos que facilitar isso. Uma parte da população santista é progressista e entende que precisamos ter um escritório em São Paulo, como outros grandes clubes têm”.

Críticas por ter aceitado cargo remunerado na atual gestão, criticada por ele

“Fui trabalhar pro Santos num projeto com a China (entre outros), que prevê 60 escolinhas do clube lá em dois anos e 5 mil em dez anos. Fui convidado pra conversar com o Marcelo Teixeira porque  em 2014 sempre defendia essa questão de que acabou a eleição acabou a política. Você nunca será oposição fora de eleição. Não trabalhei para o atual presidente, trabalhei para o  Santos. Fui gerente sem nenhum acordo político ou com mordaça. Eu já vinha insistindo desde fevereiro pedindo para sair e ele acabou me desligando (em abril de 2017). O fato de ele ter me desligado não muda nada. Não fiquei porque não concordava com a atitude dele de fazer política fora da eleição. Ele anunciou que era candidato, então eu não podia ficar lá. Eu fui remunerado por oito meses (como gerente de marketing internacional), mas nunca exerci cargo na diretoria. Com o meu salário, eu mantinha escritório, secretária, pagava luz, aluguel, não sobrava quase nada”.

União

“Estou trabalhando pra que haja uma chapa só chapa de oposição. Nunca me senti tão preparado como agora. Estou com 69 anos, no auge da minha experiência”.

Futuro X Passado

Leia o post original por Odir Cunha

image Nesta “piscina” ficava uma das torres gêmeas

Hoje, dia em que o Santos joga sua esperança no Campeonato Brasileiro contra a sempre respeitável Ponte Preta, vou à Ilha Randal, aqui em Nova York, em busca do estádio em que o Santos venceu o Benfica 4 a 0 e, apenas um mês depois da Copa da Inglaterra, vingou o futebol brasileiro que havia sido derrotado e humilhado pela Seleção Portuguesa de Eusébio.

Faltam apenas dois dias para se encerrar a campanha de pré-financiamento coletivo do livro único “Santos FC, o maior espetáculo da Terra”, obra que tive o prazer e a honra de fazer com Marcelo Fernandes, e este será o meu último vídeo para a campanha. Espero que ajude a Editora Onze Cultural a arrecadar o suficiente para imprimir ao menos 1.500 exemplares.

Mas a veneração pelo passado não deve significar ojeriza pelo futuro, ao contrário. Das conquistas e lições vividas vêm à determinação de se construir novos tempos. O Santos não pode se esquecer de sua grandeza e sua missão no futebol, sob o risco de se tornar um eterno coadjuvante de um espetáculo do qual foi o grande astro.

Da desgraça absoluta que foi a destruição das torres gêmeas resultou um memorial visitado diariamente por milhares de pessoas de todas os idiomas do mundo. Novas construções foram erguidas no espaço ocupado pelo World Trade Center, mas duas piscinas ocupam os lugares em que ficavam os alicerces das duas torres, em monumentos que se tornam mais belos e reflexivos à noite.

Identifico-me com essa capacidade de transformar limão em limonada, pois sem ela não conseguiremos promover os muitos renascimentos que a vida nos propõe.

Hoje a velha Vila Belmiro completa 101 anos e não deve ser coincidência que seja também o Dia Da Criança. Nós, santistas, somos velhos-meninos, ou meninos-velhos, estamos sempre navegando entre o passado e o presente, às vezes sem saber ao certo em que direção seguir.

Não podemos, porém, cair na armadilha de recorrer eternamente a velhos ídolos e velhas fórmulas que já não funcionam mais. O Santos que vingou o futebol brasileiro em 1966 tem uma dimensão que não pode ser destruída. Honremos o passado, mas saibamos construir um futuro com ousadia, transparência e profissionalismo. Afinal, velhos ou meninos, Somos todos Santos.


Por que chance de reaproximação entre Neymar e Santos é pequena?

Leia o post original por Perrone

A eleição presidencial no Santos, em dezembro, promove na Vila Belmiro a discussão sobre a relação do clube com Neymar. Pelo menos dois candidatos, Nabil Khaznadar e José Carlos Peres, declaram ser favoráveis à reaproximação da instituição com o atacante. Ambos afirmaram essa intenção ao blog, por isso são citados. Aliado do presidente Modesto Roma Júnior, candidato à reeleição, disse ao blog que a direção também tem interesse em fazer as pazes. Nos bastidores, porém, a diretoria não confirma a intenção.

Apesar do desejo de parte dos conselheiros de que o relacionamento seja reconstruído, hoje a chance de isso acontecer mesmo se Modesto perder a eleição é pequena.

O estafe do jogador considera a reaproximação inviável, mesmo que Nabil Kaznadar, amigo do atacante e do pai dele, seja eleito. O entendimento é de que a instituição feriu Neymar ao pedir sua suspensão na Fifa (a entidade rejeitou o pedido) por suposta irregularidade na transferência para o Barcelona e que não houve mobilização no clube para defender o ídolo. O gesto não é visto como atitude isolada de um dirigente e que possa ser esquecida facilmente com sua saída.

Ao mesmo tempo, a atual diretoria avalia que não há um fato novo que justifique uma aproximação. O sentimento na cúpula ainda é de que Neymar e seu pai agiram com intenção de fazer o Santos receber menos do que deveria com a transferência. A direção também se defende afirmando que seu alvo principal na Fifa foi o Barcelona e que o pedido de suspensão para o atacante era uma obrigação formal decorrente das regras da entidade. Em entrevista ao UOL Esporte, Modesto diz não ver problema no distanciamento em relação a Neymar.

O cenário atual aponta como tendência que, se o atual mandatário for eleito, a situação ficará como está. E se ele perder a eleição, seu substituto terá trabalho para tentar apagar as mágoas carregadas por Neymar e seu pai.

 

Estádio: o que importa

Leia o post original por Odir Cunha

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Nesta sexta-feira, 5 de outubro, meu cunhado Eduardo me levou até Pontiac, uma cidade na área metropolitana de Detroit, para vermos o Silverdome, ex-estádio do Detroit Lions, onde o Santos empatou com o Cosmos em 1 a 1 há exatos 40 anos. Um público superior a 26 mil pessoas viu o jogo, recorde para o soccer local até então. Agora o belo estádio, que tinha uma cobertura prateada, está em demolição e é proibido vê-lo de perto.

Norte-americanos, ainda mais do show business, não gostam de jogar dinheiro fora. A cidade perdeu população com a crise da indústria automobilística e o Silverdome ficou um pouco mais distante da região em que se concentra a maioria de seus torcedores.

Há vários anos o Detroit Lions, que é um time de futebol americano, joga no seu novo estádio, o Ford Field, no centro de Detroit. O patrocínio da Ford viabilizou o estádio e o Silverdome, inaugurado em abril de 1975, portanto com apenas 42 anos de vida, já é coisa do passado.

Domingo veremos um jogo no Ford Field, que tem capacidade para 65 mil pessoas, e farei umas fotos para que percebam a beleza do estádio, hoje encravado no coração da torcida do Detroit. Creio que seja evidente a lição que nós, santistas, podemos apreender com a determinação desse gigante do futebol norte-americano.


Planos de nova chapa no Santos: dono estrangeiro, Pacaembu e paz com Neymar

Leia o post original por Perrone

Nas próximas horas, deve acontecer a confirmação de mais um candidato à presidência do Santos. Ele será indicado por uma união de parte dos grupos de oposição. O nome anunciado provavelmente será o de Nabil Khaznadar, empresário apoiado por Odílio Rodrigues na última votação, em 2014, mas que foi o menos votado.

O atual presidente, Modesto Roma Júnior, Andrés Rueda Garcia e José Carlos Peres já definiram que participarão do pleito, marcado para dezembro.

Formam a chapa defendida por Nabil os grupos Autênticos, Santos 2.1, Renovação e Santos que queremos.

Abaixo, vejas os principais trechos de entrevista com Nabil sobre as propostas de seu grupo.

Candidatura

“Tentamos a participação do Walter Schalka como candidato, mas ele declinou. Meu nome está forte, mas preciso ainda esperar a resposta de uma pessoa. Dependendo do que ela dizer, às 12h (desta quarta) serei candidatíssimo”, explicou Nabil.

Venda de ações do Santos

Uma das principais propostas é promover mudanças estatutárias para transformar o clube em empresa e vender ações. “Tudo o que eu queria é um chinês ou um americano comprando o meu clube e investindo nele. Mas é um processo demorado, precisamos preparar o clube legalmente e emocionalmente para isso. Acho difícil conseguir fazer durante o mandato, mas dá para preparar tudo”, disse Nabil.

Novo estádio

Outra medida é nterromper as negociações para a construção de um novo estádio conduzidas pela atual diretoria. Ao mesmo tempo fazer uma parceria com a prefeitura de São Paulo para realizar grandes jogos no Pacaembu, que está em processo de privatização. “O Santos não pode mais ter uma média de público de 7 mil pessoas. Não deixaríamos de jogar na Vila, mas usaríamos mais o Pacaembu e também estádios no interior para aumentar essa média de público para no mínimo 15 mil pessoas”, afirmou Nabil.

Categorias de base

A meta é estabelecer em 70% a fatia mínima do Santos nos direitos econômicos dos “Meninos da Vila”.

Liga de clubes

Transformar o Santos em líder de um movimento para a criação de uma Liga Nacional, reduzindo o poder da CBF.

Santistas notáveis

“Queremos a união de grandes santistas. Nos próximos 15 dias, devemos fazer um jantar, vamos convidar santistas como João Doria (prefeito de São Paulo), Bruno Covas (vice-prefeito) e Geraldo Alckmin (governador de São Paulo) para trocar ideias”, contou Nabil.

Paz com Neymar

Nabil é amigo de Neymar e seu pai desde 2010. Ele pretende acabar com o conflito entre clube e ídolo. A atual gestão acionou o jogador na Fifa, cobrando indenização e pedindo suspensão para ele por suposta irregularidade em sua transferência para o Barcelona. A entidade deu razão ao atleta e o clube anunciou que recorreria da decisão. “Tem que tirar essa ação na hora. A relação está estremecida por culpa das duas partes. Na minha opinião, o Santos não tem do que reclamar.  O clube levou 26 milhões de euros com um jogador que poderia ter saído de graça. Temos que trazer os ídolos para o nosso lado. Se ganharmos a eleição, ele volta (a conviver em paz com o clube). Vamos chamar o Neymar para conversar e dizer: ‘você é nosso ídolo, vai ser nosso parceiro’. Já falei pra ele que vamos fazer isso. O Santos precisa atrair seus ídolos, não afastá-los”, falou Nabil.

 

 

Estafe de Lucas Lima vê exterior como destino provável do meia

Leia o post original por Perrone

Lucas Lima vai trocar o Santos pelo Palmeiras na próxima temporada? O estafe do meia diz não acreditar nessa possibilidade. O cenário descrito como mais provável pelos profissionais que cuidam da carreira do jogador é uma transferência para o exterior.

O argumento é de que um clube médio da Europa ou uma equipe de mercado secundário, mas bilionário, como o chinês, pode oferecer muito mais dinheiro do que o alviverde ou outra agremiação brasileira.

Nos inícios de 2016 e 2017, Lucas recusou ofertas do futebol chinês. Porém, o entendimento hoje é de que, caso não apareça oferta da Europa e os chineses voltem a apresentar proposta, dessa vez o meia aceite negociar. Depois de Renato Augusto e Paulinho, hoje no Barcelona, ganharem espaço na seleção brasileira mesmo jogando na China, a avaliação é de que se mudar para o país asiático não teria influência decisiva nas chances de o meia jogar a Copa da Rússia no próximo ano.

Mas a Europa continua sendo o destino preferido do atleta. E seu estafe também acredita que é viável aparecer um clube interessado. Nesse momento, no entanto, o discurso é de que não houve oferta oficial de times estrangeiros ou brasileiros (nem do alviverde), apesar de o meia já estar livre para assinar pré-contrato, uma vez que seu compromisso com o Santos termina em dezembro.

A permanência na Vila Belmiro é vista como desinteressante. Apesar de a oferta salarial feita para a renovação ser considerada muito boa pela equipe que assessora o jogador, a aposta é de que ela será facilmente superada por um clube do exterior no final do ano.

Para o estafe do atleta, aos 27 anos, ele precisa fazer agora o grande contrato de sua carreira em termos financeiros. Ainda mais no momento que estará livre de vínculo, o que diminui os custos para os interessados e, em tese, aumenta o valor que ele pode receber de luvas pela transferência. A situação é vista como única na carreira.

10 lições da grande vitória

Leia o post original por Odir Cunha

Assim como gosto de sugerir a reflexão após uma derrota, faço o mesmo agora, após a importante vitória sobre o Palmeiras, no estádio do adversário lotado por 37.527 torcedores. Quais são as 10 lições que nós,santistas, podemos tirar desse resultado? Vem, vou listar as minhas e aguardo pelas suas.

1 – Estádio não ganha jogo

Vimos isso na semana passada, quando o Santos, mais uma vez, foi eliminado de uma competição importante na Vila Belmiro. Sabemos que ele perdeu na Vila assim como poderia ter perdido no Pacaembu, no Morumbi, em qualquer lugar. Perdido ou vencido, pois o que perde ou vence uma partida é a atuação dos jogadores, sua atitude, sua confiança, não o lugar em que atuam.

Mesmo dominado na maior parte do segundo tempo, o Santos se manteve tranquilo e focado, à espera de uma oportunidade que realmente veio e foi aproveitada magnificamente. E se venceu pela primeira vez no Alianz Parque, com o estádio todo torcendo contra, obviamente poderia vencer com um público tão imenso torcendo a seu favor.

2 – Grandes jogos têm de ser em grandes estádios

A arrecadação da partida foi de R$ 2.760.716,34. Ou seja, o Palmeiras perdeu o jogo, como poderia ter vencido, mas seus cofres receberam, em uma única partida, o que o Santos tem demorado vários jogos para angariar. Mandasse também os seus clássicos em estádios maiores e o Glorioso Alvinegro Praiano estaria em uma situação financeira bem melhor – até porque teria mais facilidade para aumentar seu quadro de sócios, melhores argumentos para fechar bons contratatos de patrocínio de camisa e de fornecimento de material, e com a tevê…

Então, se estádio não ganha jogo, mas grandes estádios arrecadam mais dinheiro e permitem ao clube dar passos mais largos rumo à sua estabilidade financeira, logicamente os clássicos e os grandes jogos do Santos devem ser realizados em estádios maiores.

3 – Quando falta técnica, a garra decide

Como santistas, preferimos o jogo técnico, a bola tratada com carinho. Mas é inegável que o espírito de luta faz milagres no futebol, principalmente em jogos com o campo pesado. O Santos fez o clássico com um meio de campo improvisado, sem dois de seus jogadores mais técnicos: Lucas Lima e Renato, substituídos pelo voluntarioso Jean Mota e o jovem Matheus Jesus. No entanto, acompanhados por Alison, que tem usado mais a cabeça do que a força, o setor resistiu ao domínio palmeirense, se empenhou na tarefa de desarmar e bloquear o adversário e acabou sendo o grande responsável pela vitória. Sem contar, é claro, a dedicação de todo o time na marcação.

4 – Trio de ouro na defesa

Mais uma vez constatamos que o ótimo desempenho do sistema defensivo do Santos – e aí entenda a zona do agrião, o último obstáculo antes da meta – se deve a três jogadores que passam por grande fase: o goleiro Vanderlei e os zagueiros Lucas Veríssimo e David Braz. O entendimento dos três tem sido exemplar. O fato de a santista ser a defesa menos vazada no segundo turno do Campeonato Brasileiro se deve a eles.

Dos laterais, é preciso dizer que Daniel Guedes tem melhorado a cada jogo. Não só no ataque, mas também na defesa, onde ao menos guarda o seu lugar e não permite bolas nas costas, o que era frequente com Victor Ferraz. Já Zeca continua instável. Desde sua experiência olímpica, no ano passado, ainda não voltou ao seu bom futebol. Assim seu passaporte italiano permanecerá virgem.

5 – Sorte existe

O técnico Levir Culpi, no livro “Um burro com sorte”, fala da influência do imponderável na carreira de um técnico de futebol. O fenômeno realmente existe e afeta a todos nós, de torcedores a analistas. Em um lance decisivo, se a bola bate na trave e entra, está tudo ótimo, se bate na trave e sai, está tudo péssimo. Testemunhamos o que ocorreu esta semana com o goleiro Montanha, do Flamengo, execrado por não ter pegado nenhum pênalti na decisão da Copa do Brasil com o Cruzeiro.

Sobre o jogo do Santos, no item 4, ao elogiar a tríade Vanderlei-Veríssimo-Braz, eu já ia escrever “agora escasseiam aqueles gols bobos, antes tão comuns, resultados de bolas levantadas na área”. Mas aí me lembrei que no finzinho do jogo o baixinho Dudu apareceu livre para cabecear na marca do pênalti e só não empatou a partida por muita sorte. O mesmo Dudu perdeu um gol, por centímetros, na boca do gol. Se essas bolas tivessem entrado, agora provavelmente estaríamos esculhambando a defesa santista.

Então, o que a reflexão sobre a sorte no futebol nos traz? Bem, ela nos ensina a analisar todo resultado com uma certa distância, pois sem a conjunção dos astros e a benção dos deuses do futebol nada se consegue no futebol, essa é a verdade.

6 – Matheus Jesus veio para ficar

Pode ser precipitado afirmar isso agora, mas quem já gastou boa parte de sua infância, adolescência e juventude nos campos de terra batida do futebol amador, sabe ao menos identificar quem tem um pouco mais de familiaridade com a bola, e esse garoto tem. Mostrou tranquilidade nos momentos em que foi apertado, soube proteger a menina e deu um destino certo à jogada. Em determinado momento empreendeu uma arrancada na qual demonstrou surpreendente personalidade, em outro conseguiu enganar dois marcadores em um espaço diminuto e no campo encharcado. Como é muito jovem (apenas 20 anos!), ainda poderá ter altos e baixos, o que exigirá paciência dos torcedores, mas algo me diz que se firmará no time.

7 – A importância dos brigadores Jean Mota e Copete

Depois que eu quebrei a perna duas vezes e em uma delas fiquei dois meses e meio de cama, confesso que passei a evitar as divididas com cheiro de sangue. Ver aquelas pernas vigorosas dos zagueiros, cravos das chuteiras à frente, saltando na direção de meus ossos e cartilagens não era uma visão agradável e me trazia lembranças traumáticas. Ainda mais em um campo molhado, em que os choques são comuns e os jogadores violentos se aproveitam para bater mais. Por isso, valorizo o jogador brigador, que se entrega à luta de corpo e alma. Nesse particular, tiro meu chapéu para Jean Mota e Copete.

Mesmo o time mais técnico do mundo precisa de um jogador raçudo, mormente nos grandes jogos. Perceba, queridos leitor e leitora, que a bela jogada do gol santista começou com o espírito de luta de Jean Mota, que roubou a bola do adversário e, mesmo sofrendo a falta, tocou para Copete, iniciando a sequência que terminou no fundo das redes de Fernando Prass.

Com o me disse, um dia, Flávio Costa, técnico do Brasil na Copa de 1950, “todo time precisa de um Obdúlio Varela”. Sim, a técnica também depende da fibra. Mota e Copete brigaram o tempo todo pela bola e pelo espaço, o que foi fundamental para que o Palmeiras não tivesse mais tempo e tranquilidade para programar os seus ataques. Esse foi o espírito que levou o Uruguai ao título de 50 e o Santos à vitória no Alianz Parque.

8 – Um gol de quem sabe o que faz

“Golaço!”. Minha reação ao ver a cabeçada de Ricardo Oliveira para o chão, no contrapé de Fernando Prass, concluindo a bela jogada iniciada por Jean Mota, foi espontânea. Realmente, pela tranquilidade, consciência e conclusão, esse gol foi um dos mais bonitos do campeonato. Pois não se tratou de um chute esporádico ou do resultado de um lampejo de genialidade de apenas um jogador. Os quatro participantes agiram de forma exemplar.

Jean Mota roubou a bola e tocou, entre as pernas do adversário, para Copete, na direita, que ergueu a cabeça e viu Bruno Henrique no lado oposto da área, passando-lhe a bola com precisão. Bruno matou a bola com calma e a colocou na cabeça de Ricardo Oliveira, que cabeceou perfeitamente, no chão, como manda a cartilha.

O Santos soube sofrer a pressão palmeirense e esperou o momento de chegar ao gol. Quando ele apareceu, agiu com calma e precisão. Não é qualquer time que, no campo do adversário, com tanta pressão contra, faz o gol da vitória com tanta tranquilidade e categoria. Nessa hora, a camisa alvinegra praiana pesou.

9 – O fator Ricardo Oliveira

Ele não tem marcado tantos gols como antes, mas nos clássicos paulistas continua sendo decisivo, como mostrou contra o Palmeiras. Um dos grandes artilheiros em atividade no Brasil, Ricardo Oliveira já marcou 315 gols na carreira, que começou em 2000, na Portuguesa de Desportos, e se marcar mais seis com a camisa do Alvinegro Praiano chegará a 93 e superará os 92 que fez pelo Al-Jazira, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, onde jogou de 2009 a 2014.

Aos 37 anos, é inegável que Oliveira está no fim da carreira e não demonstra mais a mesma vitalidade física, tem dificuldade para marcar a saída de bola do adversário e até para alcançar lançamentos, como ficou evidente diante do Barcelona de Guayaquil. Porém, sua presença ainda provoca respeito nas defesas adversárias e sua categoria e visão de jogo permite que possa definir a partida em uma jogada.

O futebol moderno exige a participação de todos os jogadores, tanto no ataque, como na defesa, e nisso Oliveira fica devendo. Porém, na área ele ainda pode ser decisivo. A decisão de renovar seu contrato, ou não, é delicada. Quando o time perde, a crítica é de que com ele o Santos joga com um a menos; quando ganha com um gol seu, volta a ser olhado como herói. O que você faria, leitor e leitora? Renovaria com Oliveira ou buscaria um centroavante mais jovem e participativo?

10 – Fechados no pacto com Levir

O empenho com que os jogadores se entregaram ao jogo mostrou que parecem ter concordado com o pacto proposto pelo técnico Levir Culpi. Estão jogando por suas carreiras e pela melhor colocação possível no Campeonato Brasileiro. Isso é ótimo. Resta saber se essa determinação, de terminar a competição sem mais nenhuma derrota, não será abalada pelos chamados incidentes de percurso.

É óbvio que é mais inteligente e produtivo, para um jogador profissional, entrar em campo sempre disposto a mostrar suas qualidades. Só assim será valorizado com propostas de outros clubes ou com aumentos de salário. O desânimo e o corpo mole levam à desvalorização e ao fim precoce de carreiras eventualmente promissoras.

Creio que, para o bem do Campeonato Brasileiro, até os amantes dos queridinhos estão torcendo para o Santos diminuir a diferença para o líder, pois isso aumentará o interesse pela competição, gerando mais espaço na mídia, maiores arrecadações nos jogos e muito mais audiência na tevê, o que, em suma, significará maior faturamento. Assim, da mesma forma que em 2016, só o Santos pode trazer alguma emoção para um dos Brasileiros mais esvaziados dos últimos tempos.

E você, o que acha disso?


Ducha de água fria no Verdão! Ainda dá pra sonhar???

Leia o post original por Craque Neto

Obviamente vai depender do resultado do líder Corinthians nesse domingo à tarde, mas a verdade é que a derrota do Palmeiras neste sábado para o Santos foi uma baita ducha de água fria na cabeça do torcedor alviverde. Muitos deles estavam bem esperançosos com a busca pelo bicampeonato do Brasileirão. Mas posso falar? A turma pensa que o Peixe é carta fora do baralho, mas não é. Trata-se de uma equipe bem competitiva que até outro dia estava disputando firme e forte uma vaga nas finais da Libertadores. Tem bastante qualidade apesar dos desfalques. Agora na minha visão o Verdão […]

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O Santos reabre a disputa. E o Palmeiras…

Leia o post original por Antero Greco

Não bastasse a chuva de início de noite, o Santos ainda despejou balde de água gelada sobre o Palmeiras. A vitória por 1 a 0, no clássico no encharcado gramado do Allianz Parque, deixa o atual vice-campeão brasileiro ainda vivo na disputa pelo título, ao mesmo tempo em que diminui muito, mas muito mesmo, as chances de bi alviverde.

E, de quebra, coloca alguma pressão no Corinthians, que neste domingo pega o Cruzeiro. Agora, são sete pontos que separam os alvinegros – 54 a 47. Tem tempo para ser anulada.

O jogo não foi grande coisa, longe de ser memorável. Ok, o mau tempo atrapalhou um lado e outro. Mas, se houve méritos do Santos, eles ficaram para a capacidade de marcar o adversário e para a eficiência de aproveitar uma das raras oportunidades que apareceram. Ficou na conta do talento de Ricardo Oliveira (e no cochilo da zaga) o gol decisivo.

Se houve falhas do lado perdedor, mais uma vez elas se concentraram na incapacidade para criar, impor-se em casa, acuar o rival. Vanderlei, o excelente goleiro santista, passou despercebido no duelo. Isso diz muito a respeito da ausência de apetite palestrino. A rigor, Dudu & Cia estiveram duas vezes mais próximos do gol. E ainda assim sem aquele perigo…

E Cuca viu desempenho muito bom do time dele. Acha que o placar adverso influi nas análises negativas. Ora, negativo é cruzar 42 bolas para a área, para a festa dos zagueiros do Santos e sem nenhuma conclusão, sobretudo nos minutos finais, na base do desespero.

Negativo é rodar a bola sem ser produtivo. Negativo é não emendar uma sequência convincente de vitórias, ao contrário de 2016. Negativo é finalizar até mais do que o Santos, mas apenas para preencher estatísticas, porque o alvo, mesmo, não acertou.

O campeonato entra no terço final com a perspectiva do Palmeiras reduzida à luta para ficar entre os quatro primeiros. Já o Santos tem o direito de voltar a sonhar com uma reviravolta, por enquanto ainda improvável, mas não impossível.