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Jogo quente e bom em Avellaneda

Leia o post original por Antero Greco

Quando tem brasileiro e argentino em final de campeonato, a gente espera catimba, provocações, entradas ríspidas, cuspidas, nervosismo e um pouco de futebol. Pelo menos essa é a imagem que se criou do duelo entre as duas maiores escolas de bola das Américas, seja de infantis, aspirantes, times ou seleções.

Felizmente, as coisas mudam. Ou tendem a isso.

Independiente e Flamengo fizeram jogo bonito, quente, acelerado, aberto, na noite desta quarta-feira, em Avellaneda, na grande Buenos Aires. O público que foi ao estádio Libertadores de América se divertiu e acompanhou disputa intensa, com cara mesmo de decisão de título. E limpa.

Isso mesmo, foi uma partida em que prevaleceu a vontade de as duas equipes mostrarem serviço – e da forma correta. Claro que houve uma ou outra jogada mais dura; mas faz parte, acontece até em pelada da firma. Mas não sobressaíram aqueles aspectos negativos.

Por isso, valeu a pena acompanhar o clássico, do princípio ao fim com placar escancarado. Os argentinos venceram de virada por 2 a 1. Nem por isso o Fla está morto para o tira-teima definitivo, na semana que vem, no Maracanã. Dá para pelo menos para vencer por um gol de diferença e provocar prorrogação e até pênalti. O rival tem valor e não é insuperável.

O Fla teve início melhor, tanto que abriu vantagem, com gol de cabeça de Réver: uma testada daquelas, após cobrança de falta, que não permite ao goleiro não fazer nenhum outro gesto a não ser olhar desconsolado para a “menina” escorregar nas redes. E só com 8 minutos. E ainda criou outras ocasiões para aumentar.

O Independiente mostrou maturidade, não se abalou, se recompôs logo e passou a pressionar. Insistiu, martelou, acelerou a marcha, Barco e Gigliotti deram uma correria danada, deixaram Pará, Cuellar, Réver e Juan atarantados. Resultado: empate, aos 28 minutos, numa bonita finalização de Gigliotti.

O pessoal da casa terminou o primeiro tempo melhor. E voltou com uma vontade que vou te contar: cada disputa de bola era como se fosse a última da noite. Deu certo de novo, com o golaço de Meza aos 7 da segunda etapa. Um susto e tanto para o Flamengo.

O Independiente tentou ampliar a diferença, não tirou o pé do acelerador, aproveitou que o Fla se abriu na busca do empate, e ficou perto de aprontar estrago maior. Depois, cansou um pouco, sentiu a pressão e se deu por satisfeito com o placar. Melhor não arriscar.

A primeira parte de dois grandes esteve à altura da história. Tomara seja assim no ato derradeiro. O futebol sairá vencedor.

 

Corinthians na turbulência

Leia o post original por Antero Greco

Você já pegou turbulência em voo? Mas daquelas fortes, que chacoalham o avião por vários minutos? O bichão sobe e desce, numa montanha-russa no ar. Dá um medo danado. Sorte que, depois, tudo volta ao normal, para alívio geral…

Pois o Corinthians está numa fase de turbulência. Ainda não a ponto de botar medão nos passageiros (torcedores). Mas o suficiente para assustar um pouco. São três derrotas em quatro jogos no returno do Brasileiro, com futebol oscilante. A elas se soma, agora, o empate com o Racing – 1 a 1, em casa, pelas oitavas de final da Sul-Americana.

O povo que esteve em Itaquera, na noite desta quarta-feira, ficou perplexo, preocupado, como se viu pelo pouco barulho no segundo tempo e pelo ar de preocupação ao final do jogo. No primeiro tempo, viu um Corinthians melhor do que nas últimas apresentações, mais próximo daquele que deitou e rolou no turno do campeonato nacional.

Tanto que ficou em vantagem, com gol de Maycon aos 29 minutos. Gol à parte, o importante foi mostrar controle dos nervos e das ações. Houve troca de passes, Jadson e Rodriguinho melhoraram, construíram bons lances. A marcação funcionou, os argentinos tiveram pouco espaço para se esparramarem na arena alvinegra.

No segundo tempo, prevaleceu o Corinthians recente, ou seja, lento, dispersivo, aparentemente “cansado”, com criatividade baixa. A turma do Racing percebeu, acelerou, forçou, empatou com Triverio (também aos 29 minutos) e quase virou. Isso mesmo: foram os gringos que levaram perigo para Cássio em noite instável.

Não por acaso o pessoal da “Academia”, apelido do Racing, saiu mais satisfeito, ao final da partida. Agora, o time argentino avança se empatar por 0 a 0 em Avellaneda, grande Buenos Aires. O Corinthians continua bem, obrigado, no Brasileirão, porém com a pulga atrás da orelha: estaria acabando o encanto?

A resposta vem no final de semana, de novo em Itaquera, desta vez diante do imprevisível Vasco. Vamos ver se a turbulência fica para trás.