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Primeira vez inesquecível

Leia o post original por Odir Cunha

Creio que nenhum torcedor se esqueça de seu primeiro dia em um estádio de futebol. O meu ocorreu em 13 de outubro de 1968, aos 16 anos, ao lado de meu irmão Marcos, então com 12. Afortunados, vimos o Santos de Pelé enfrentar o Cruzeiro de Tostão, dois dos melhores times do mundo na época. Difícil descrever o impacto que aquela tarde de domingo, no Morumbi, exerceu sobre nós. A arte e a emoção do futebol se miscigenam em um sonho eterno na mente e no coração de quem é tocado por ele.

Nosso Santos, do técnico Antoninho, jogou com Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho, Douglas (Edu), Pelé e Abel. O Cruzeiro foi escalado por Orlando Fantoni com Fazano, Pedro Paulo, Procópio, Darci e Murilo; Zé Carlos (Piazza) e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Rodrigues (Hilton Oliveira).

Naquela partida a bola correu de pé em pé, macia e seduzida. O primeiro gol que vimos foi o de Pelé, após sensacional jogada de Douglas. O segundo, de Toninho Guerreiro, um dos mais notáveis artilheiros que já passaram pelo Alvinegro Praiano. Como nesse domingo teremos novamente, na Vila Belmiro, esse encontro memorável, faço questão de reproduzir o texto que ocupa parte das páginas 188 e 189 do livro Time dos Sonhos, em oferta na livraria deste blog:.

O Santos ia bem, com vitórias sobre Flamengo (2 a 0), Fluminense (2 a 1), Corinthians (2 a 1) e uma goleada estrepitosa sobre o Bahia, no Pacaembu, por 9 a 2. Algo nos dizia – a mim e ao meu irmão Marcos, tão ou mais fanático do que eu –, que os bons tempos tinham voltado. O jogo com o Bahia foi numa quinta-feira à noite. No domingo, 13 de outubro, à tarde, jogariam Santos e Cruzeiro, no Morumbi. Julgamos que era o momento ideal para irmos assistir nossa primeira partida em um estádio. Eu tinha 16 anos completados dia 17 de setembro, Marcos faria 13 em 15 de dezembro.

Até ali nossa paixão pelo futebol era alimentada pelo matraquear dos locutores de rádio, ou das imagens em preto e branco da tevê. Nunca tínhamos visto um jogo de perto, ouvido a torcida com seus urros que parecem brotar do concreto, percebido o contraste entra a roupa muito branca do Santos e a grama verde.

Descemos no Brooklin e fomos a pé até o Morumbi. Comprei os ingressos da geral de um cambista, que parecia muito preocupado em não nos ver perdendo tempo na fila. O anel das arquibancadas do Morumbi não tinha sido completado. A geral ficava exposta ao sol, mas era possível sentar nos degraus largos. A primeira visão de quem vai ao estádio pela primeira vez é um sonho. Principalmente se dali a instantes você vai ver o Santos de Pelé enfrentando o Cruzeiro de Tostão. Chegamos cedo e ficamos ali embaixo, apreciando as arquibancadas se encherem.

Os times entraram em campo, posaram para as fotos e logo os jogadores se dispersaram pelo gramado, correndo, petecando a bola, aquecendo-se para o jogo. O Cruzeiro tinha um lindo uniforme azul-escuro, mas os santistas se destacavam, pareciam maiores com a roupa branca refletida pelo sol da primavera. Era como se flutuassem pelo gramado, tocando a bola com uma maciez que nunca tínhamos visto antes.

A impressão continuou com o início do jogo. Ficamos admirados com a categoria dos jogadores, que não erravam passes e tinham um controle invejável. Como eram dois times clássicos; como não corriam, desenfreados, e nem davam pontapés, era difícil alguém roubar a bola, que invariavelmente prosseguia de pé em pé até a conclusão do ataque.

Ao nosso lado, dois irmãos mais novos conversavam. A certa altura o mais velho, protetor, perguntou ao menor, mirradinho, que não deveria ter mais do que 10 anos: “Ainda tá com fome?”. O garoto, olhos vivos abertos para o campo, respondeu sem piscar: “Estava, mas já passou. Ver o Santos jogar me tirou a fome”.

Comentei isso com o Marcos. Engraçado, nós entendemos perfeitamente o que aquele garotinho dizia. Sentíamos o mesmo deslumbramento. Ainda fico imaginando, hoje, se já existiu uma paixão mais pura pelo futebol do que aquele garotinho demonstrou aquele tarde, com aquela frase. Não se tratava, simplesmente, de amor por um time, mas pela beleza, pelo encantamento do futebol.

Emoção que virou arrebatamento quando Douglas entrou driblando em zigue-zague pela meia-esquerda, passou por dois ou três jogadores e a bola sobrou para Pelé chutar quase embaixo do gol. Faltando uns quinze minutos para acabar o jogo, do outro lado de onde estávamos, o Santos atacou pela esquerda, a bola foi cruzada e Toninho entrou para fazer o segundo e definir a vitória. Percebemos que a jogada seria perigosa não só por vê-la – pois do outro lado do campo se perde a noção da distância -, mas pelo barulho crescente da torcida, que acabou explodindo no gol. Voltamos para casa felizes, de alma lavada.

E você, qual foi seu primeiro jogo em estádio?

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Torres foi um dos melhores laterais do mundo

Leia o post original por Perrone

Quem jogou mais, Carlos Alberto Torres, morto nesta terça, Cafu ou Daniel Alves? Já ouvi de amigos mais jovens essa pergunta algumas vezes. E sempre respondo assim: “Torres, sem a mínima dúvida”.

A maioria dos torcedores que ainda não chegou aos 30, 35 anos provavelmente tem dificuldade para medir quanta bola jogou Carlos Alberto. Sem medo de errar, ele foi um dos melhores laterais que jogaram pela direita do mundo.

O capitão da seleção brasileira na Copa de 70 era um lateral capaz de apoiar o ataque numa época em que os pontas estavam lá para isso. Se jogasse hoje, não deveria nada aos laterais considerados modernos. Tinha habilidade, força física e bom entendimento tático.

Carlos Alberto não desafinava numa orquestra com artistas do porte de Pelé e Tostão. Basta (re)ver seu gol na final contra Itália no Mundial de 1970 em que assinou com classe uma das mais belas pinturas do futebol brasileiro.

Capita foi brilhante não só na seleção, mas também nos clubes que defendeu, como Botafogo, Santos, Fluminense e Cosmos (EUA).

Dunga chama Coutinho e os “chineses” para enfrentar o Uruguai de Suarez

Leia o post original por Quartarollo

Seleção Brasileira foi convocada agora há pouco pelo técnico Dunga para os jogos contra Uruguai, dia 25 de março, no Recife, e Paraguai, na terça-feira seguinte, dia 29, em Assunção.

São dois jogos cruciais para a Seleção embora ainda haja uma série de partidas até o fim das Eliminatórias.

Suarez voltará ao time do Uruguai justamente na sexta-feira santa contra o Brasil na capital pernambucana. Depois da mordida será seu primeiro jogo na Celeste.

Dunga manteve Ricardo Oliveira no ataque, mesmo em má fase, e confirmou os “chineses” Gil e Renato Augusto na relação.

Por enquanto a transferência para a China não afastou esses jogadores da Seleção como aconteceu, por exemplo, com Diego Tardelli.

Cássio perdeu a convocação no gol para Diego Alves, bom goleiro do Valência que tem tudo para jogar no embora Alisson seja o escolhido do momento.

Diego teve grave contusão e ficou muito tempo afastado, mas como voltou a jogar Dunga se lembrou dele novamente. Dos goleiros convocados até agora, é aquele que mais tem condição de ser titular do time, na minha opinião.

Thiago Silva que deu entrevista nesta semana, na França, reclamando veladamente de Dunga e da faixa de capitão, além  de ter dito que caiu em depressão após a Copa de 2014, não está relacionado mais uma vez.

Caiu em desgraça com o treinador depois de tantas declarações e tantos pênaltis bobos feitos em vários jogos. Tostão, um grande analista de futebol e um dos maiores jogadores da história, no entanto, acha que Dunga está errado.

Para ele, Thiago Silva é o melhor zagueiro que o Brasil tem ainda e um dos melhores do mundo.

Concordo em parte com Tostão. Thiago está longe ser mau jogador, mas é estabanado principalmente quando se trata de Seleção. Não tem personalidade para ser capitão e já demonstrou isso várias vezes.

Mas se Dunga convoca o não menos estabanado David Luiz que vive se metendo em confusão na sua área e fora dela, então a tese passa a ser válida.

As laterais estão enfraquecidas. Tem apenas de respeito o veterano Daniel Alves, titular há anos do grande Barcelona, mas que também  fracassou na última Copa Copa. Mas ainda é o melhor que temos.

Os demais são apenas bonzinhos. Não me agradam Danilo, na direita, e principalmente Filipe Luiz na esquerda.

Ainda prefiro o “maluco” Marcelo, do Real Madrid. É o que temos para o momento.

Convocou novamente Kaká que está jogando nos Estados Unidos e sem Elias, contundido, abriu-se novamente vaga para o bom Philippe Coutinho, que sempre joga bem, mas precisa evoluir para ser aquele jogador que todos estamos esperando. Hoje é apenas bom.

Mas também admito que minha exigência talvez esteja muito alta. Estou querendo só craques e esse tipo de mercadoria está escassa nessa maldita safra brasileira cheia de jogadores médios que parecem bons.

Eis a convocação de Dunga:

Goleiros:

Alisson – Internacional

Diego Alves – Valência

Marcelo Grohe – Grêmio

Zagueiros

Miranda – Internazionale

David Luiz – Paris Saint-Germain

Gil – Shandong Luneng

Marquinhos – Paris Saint-Germain

Laterais

Danilo – Real Madrid

Daniel Alves – Barcelona

Filipe Luís – Atlético de Madrid

Alex Sandro – Porto

Meio-campo/atacantes

Luiz Gustavo – Wolfsburg

Fernandinho – Manchester City

Renato Augusto – Beijing Guoan

Philippe Coutinho – Liverpool

Lucas Lima – Santos

Kaká – Orlando City

Willian – Chelsea

Oscar – Chelsea

Douglas Costa – Bayern de Munique

Neymar Jr. – Barcelona

Hulk – Zenit

Ricardo Oliveira – Santos

A culpa é do técnico?

Leia o post original por Quartarollo

Aqui no Brasil nós da imprensa gostamos de defender o trabalho do técnico.

Quando um é demitido, e às vezes há mesmo exagero nesse ponto, há um mal estar total na imprensa.

Acho que há mudanças e mudanças. Grêmio, Santos e Cruzeiro, por exemplo, mudaram para melhor no ano passado.

O futebol é muito desgastante para todo mundo. É jogo domingo, quarta e domingo e uma enxurrada de críticas e elogios.

Quem não souber conviver com isso está perdido. Como dizia meu amigo Marco Aurélio Cunha, a crítica e o elogio estão no pacote.

Ganham bem para ganhar e perder jogos e serem confrontados com toda esta situação com as análises da imprensa e dos torcedores.

Marcelo Oliveira está na berlinda de novo. Não adianta dizer que ele perdeu para um time bem armado como a Ferroviária e que ainda tem tudo para se classificar na Libertadores.

Fazendo uma analogia com Sérgio Vieira, o técnico da Ferroviária que ontem deu um show na Arena Palestra Itália e venceu por 2 x 1, na verdade Marcelo já é muito culpado.

Vieira chegou em janeiro e já tem um time bem desenhado. A passagem de bola é pelo meio-campo, os jogadores são móveis e o time é compacto.

Para muita gente jogar com bola no chão e mais próximos uns dos outros foi coisa inventada pelo Barcelona, mas a verdade é que no futebol brasileiro verdadeiro sempre se jogou assim.

Nós é que perdemos o jeito e os europeus copiaram com muita eficiência principalmente os times que têm mais dinheiro e conseguem contratar os melhores jogadores. Tudo isso guardada as devidas proporções e do espaço do passado para o presente.

Quem viu o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes; o Palmeiras de Ademir da Guia; o São Paulo de Telê e antes dele o tricolor de Rocha e Cia.; o Flamengo de Zico; o Internacional montando por Minelli e comandado por Falcão; mais recentemente o Corinthians de Marcelinho, Rincon, Vampeta e Ricardinho; o Atlético Mineiro de Vanderlei, Cerezo e Reinaldo; o Guarani de Zé Carlos, Renato e Zenon e não vou nem falar do Santos de Mengálvio, Pelé, Coutinho e companhia bela, sabe bem do que estou falando.

Essa essência é que foi perdida. O jeito de jogar à brasileira, a nossa cultura futebolística e agora qualquer técnico que joga com time compacto e bola no chão é chamado de moderno, o que na verdade eu chamo apenas de competente.

No Palmeiras, Marcelo Oliveira tem melhores jogadores que Sérgio Vieira, mas o time é pior. Culpa de quem? Do treinador, sem dúvida nenhuma.

Era para ter um time melhor organizado, estar mais a frente que a Ferroviária e que outros times do país.

Já são 8 meses de trabalho e até agora não encontrou um time base justamente ele que diz que não gosta de rodízio.

Ah, falta um meia para fazer a passagem no meio-campo. Isso é balela, a Ferroviária não tem nenhum meia e tomou conta do jogo nesse setor apenas aproximando os seus jogadores.

Quando não tem um tipo de jogador que precisa para o seu esquema, é dever do técnico buscar outras alternativas.

Esse é o trabalho dele e nesse quesito Marcelo Oliveira também está devendo.

Tostão foi generoso e exagerado com o aniversariante do dia

Leia o post original por Quartarollo

Romário completa 50 anos hoje. Parabéns a ele. Foi um dos maiores atacantes da história.

Fisicamente não era atleta, não gostava de treinar, mas nas noitadas não bebia, aliás, dizem os seus companheiros de balada, que jamais bebeu.

Era esperto, ficava sóbrio e também podia escolher melhor as mulheres.

Bêbado topa qualquer coisa. A bebida turva as ideias e a visão e isso traz problema quando se acorda mal acompanhado no dia seguinte.

Normalmente o cara diz: “Não foi com isso aí que eu dormi, não. Trocaram ela enquanto eu dormia”

Se bem que para boleiro não falta Maria chuteira de boa qualidade. Algumas vivem disso.

Mas baladas sem bebida à parte, Romário foi gênio como jogador.

Como pessoa eu não confio. Acho que soa muito falso muitas vezes e depois virou político e eu não confio nesse classe.

Estava na foto que confirmou o Brasil como sede do mundial-2014 ao lado de Dunga, Ronaldo, Ricardo Teixeira e Lula.

Era época do apoio total esperando uma boquinha no Comitê Organizador que acabou sobrando para o Fenômeno e não para ele.

Daí virou inimigo e até bateu certo em muita gente, mas já era para ter batido antes. Eles estavam do seu lado.

Parece político que se esquece onde está ou onde esteve até ontem.

Só como dois exemplos de como isso acontece. Temer faz parte do governo e diz que o PMDB quer ser governo em 2018. Oras, o que ele é agora?

Marta Suplicy foi ministra desse governo e agora faz de conta que nunca esteve lá.

É tão responsável quanto os que lá estão, aliás demorou demais para sair e ingênua ela não é. Vai convencer quem?

Em meio a tudo que se pode falar de Romário como jogador e agora político no Senado, surge a voz sempre inteligente do Dr. Eduardo Gonçalves de Andrade, popularmente conhecido como Tostão e me surpreende.

Ele respeita muito o gênio Romário e diz que na Seleção de 70 o baixinho seria titular no seu lugar. Duvido, Tostão foi o criador das principais jogadas daquele time ao lado de Gerson.

Era um Iniesta mais completo. Jogou com problema na retina que o tirou do futebol aos 26 anos de idade, em 1973, uma pena para ele e para o futebol.

Tostão era mais completo que Romário. Jogava armando pelo meio, pelos lados e dentro da área.

Tão baixinho também se meteu a fazer gols de cabeça em algumas ocasiões como contra a Argentina no ano seguinte à conquista da Copa, em amistoso, em Buenos Aires.

O passe para o quase gol do drible de corpo de Pelé contra Mazurkiewicz, do Uruguai, foi de Tostão.

O passe para Clodoaldo empatar o jogo contra o mesmo Uruguai, foi de Tostão.

Aquela obra prima desmontando a defesa da Inglaterra no gol de Jairzinho, foi obra de Tostão.

Até mesmo o arremesso lateral para Rivelino levantar a bola para Pelé abrir a contagem contra a Itália, foi de Tostão.

Numa época que lateral tinha que ser batido pelo lateral do time, Tostão pegou a bola e resolveu a situação ele mesmo.

Pegou os italianos ainda se arrumando após a bola sair e tomaram um gol de Pelé.

Se Romário jogasse naquele time de 70, meu caro Tostão, ele não ia querer o seu lugar.

Do jeito que é marrento, iria querer o lugar de Pelé. Nesse time ele não jogaria.

Nesse, eu que tanto concordo com suas observações, eu não concordo com você. Naquele time o 9 tinha que ser você mesmo. Romário seria um bom reserva assim como foram Paulo César Caju, Edu e outros que nem foram.

Tostão foi generoso e exagerado com Romário, é o que eu penso. Mas o baixinho de Minas sempre jogou mais para o time do que para ele mesmo, ao contrário do baixinho carioca.

Santos e Cruzeiro, hoje, na Vila. Este jogão tem história…

Leia o post original por Odir Cunha

Ricardo Oliveira e Renato: experiência em campo (Ricardo Saibun/ Santos FC)

Este Cruzeiro que o Santos enfrenta neste domingo, a partir das 16 horas, na Vila Belmiro, é um time que merece respeito, mas não mete medo. Sem tantos bons jogadores como nos anos anteriores, o time mineiro ainda está dividido entre o campeonato nacional e a Copa Libertadores, pela qual joga na próxima quinta-feira, com o River Plate, que se classificou devido à justa exclusão do Boca Juniors e sua violenta torcida.

Com a única substituição de Valencia – que foi à Colômbia conhecer sua filhinha de três meses – pelo garoto Lucas Otávio, o Santos entrará em campo com boas possibilidades de vitória. E será mesmo importante ter uma boa atuação, pois o jogo será transmitido pela tevê aberta para todo o Brasil.

A Globo transmitirá para os estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais (menos Juiz de Fora, Uberlândia e Ituiutaba), Rio Grande do Sul, Goiás, Tocantins, Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Menos Corumbá). A Bandeirantes transmitirá para os mesmos estados e ainda para Sergipe.

Os elencos se equivalem, mas do meio-campo para a frente, com Lucas Lima, Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira, o Santos tem alguma vantagem. O Cruzeiro, cujo centroavante é Henrique Dourado, que teve uma passagem sem brilho pela Vila Belmiro, ainda possui outros dois ex-santistas: o meio-campo Henrique, que será improvisado na lateral-direita, e o zagueiro Bruno Rodrigo.

Este jogo é especial para mim, e para meu irmão, Marcos, porque foi o primeiro que assistimos no estádio. Estávamos entre os 29.469 pagantes que na tarde de 13 de outubro de 1968 vimos o Santos vencer por 2 a 0, no Morumbi, com gols de Pelé e Toninho Guerreiro.

Veja só qual o nível dos jogadores que, adolescentes, já assistimos na nossa primeira experiência em um estádio: Cláudio, Carlos Alberto, ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho Guerreiro, Douglas (depois Edu), Pelé e Abel. O técnico era Antoninho.

O Cruzeiro tinha Fazano, Pedro Paulo, Procópio, Darci e Murilo; Zé Carlos (depois Piazza), e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Rodrigues (depois Hilton Oliveira). Seu técnico era Orlando Fantoni. Falo sobre este jogo nas páginas 188 e 189 do livro Time dos Sonhos (que, infelizmente, está esgotado. Leia o trecho:

O Santos ia bem, com vitórias sobre Flamengo (2 a 0), Fluminense (2 a 1), Corinthians (2 a 1) e uma goleada estrepitosa sobre o Bahia, na Vila Belmiro, por 9 a 3. Algo nos dizia – a mim e ao meu irmão Marcos, tão ou mais fanático do que eu -, que os bons tempos tinham voltado. O jogo com o Bahia foi numa quarta-feira à noite. No sábado, 13 de outubro, à tarde jogariam Santos e Cruzeiro, no Morumbi. Julgamos que era o momento ideal para irmos assistir nossa primeira partida em um estádio. Eu tinha 16 anos completados dia 17 de setembro, Marcos faria 13 em 15 de dezembro.

Até ali nossa paixão pelo futebol era alimentada pelo matraquear dos locutores de rádio, ou das imagens em preto e branco da tevê. Nunca tínhamos visto um jogo de perto, ouvido a torcida com seus urros que parecem brotar do concreto, percebido o contraste entra a roupa muito branca do Santos e a grama verde.

Descemos no Brooklin e fomos a pé até o Morumbi. Comprei os ingressos da geral de um cambista, que parecia muito preocupado em não nos ver perdendo tempo na fila. O anel das arquibancadas do Morumbi não tinha sido completado. A geral ficava exposta ao sol, mas era possível sentar nos degraus largos. A primeira visão de quem vai ao estádio pela primeira vez é um sonho. Principalmente se dali a instantes você vai ver o Santos de Pelé enfrentando o Cruzeiro de Tostão. Chegamos cedo e ficamos ali embaixo, apreciando as arquibancadas se encherem.

Os times entraram em campo, posaram para as fotos e logo os jogadores se dispersaram pelo gramado, correndo, petecando a bola, aquecendo-se para o jogo. O Cruzeiro tinha um lindo uniforme azul-escuro, mas os santistas se destacavam, pareciam maiores com a roupa branca refletida pelo sol da primavera. Era como se flutuassem pelo gramado, tocando a bola com uma maciez que nunca tínhamos visto antes.

A impressão continuou com o início do jogo. Ficamos admirados com a categoria dos jogadores, que não erravam passes e tinham um controle invejável. Como eram dois times clássicos; como não corriam, desenfreados, e nem davam pontapés, era difícil alguém roubar a bola, que invariavelmente prosseguia de pé em pé até a conclusão do ataque.

Ao nosso lado, dois irmãos mais novos conversavam. A certa altura o mais velho, protetor, perguntou ao menor, mirradinho, que não deveria ter mais do que 10 anos: “Ainda tá com fome?”. O garoto, olhos vivos abertos para o campo, respondeu sem piscar: “Estava, mas já passou. Ver o Santos jogar me tirou a fome”.

Comentei isso com o Marcos. Engraçado, nós entendemos perfeitamente o que aquele garotinho dizia. Sentíamos o mesmo deslumbramento. Ainda fico imaginando, hoje, se já existiu uma paixão mais pura pelo futebol do que aquele garotinho demonstrou aquele tarde, com aquela frase. Não se tratava, simplesmente, de amor por um time, mas pela beleza, pelo encantamento do futebol.

Emoção que virou arrebatamento quando Douglas entrou driblando em zigue -zague pela meia-esquerda, passou por dois ou três jogadores e a bola sobrou para Pelé chutar quase embaixo do gol. Faltando uns quinze minutos para acabar o jogo, do outro lado de onde estávamos, o Santos atacou pela esquerda, a bola foi cruzada e Toninho entrou para fazer o segundo e definir a vitória. Percebemos que a jogada seria perigosa não só por vê-la – pois do outro lado do campo se perde a noção da distância -, mas pelo barulho crescente da torcida, que acabou explodindo no gol. Voltamos para casa felizes, de alma lavada.

Gols do primeiro jogo que vi em um estádio:

Quanto ao jogo de hoje, mesmo sem ter aqueles craques de uma era de ouro, em que o Brasil tinha os melhores times do mundo – entre eles, Santos e Cruzeiro –, creio que o time de Minas entrará precavido, buscando jogar no erro do Santos. Porém, incentivado por sua torcida, o Alvinegro Praiano buscará a iniciativa e e tem tudo para conseguir sua primeira vitória neste Brasileiro.

Santos x Cruzeiro

2ª rodada do Campeonato Brasileiro 2015
Vila Belmiro, 17/05/ 2015, 16 horas

Santos: Vladimir, Victor Ferraz, David Braz, Werley e Chiquinho; Lucas Otávio, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Ricardo Oliveira e Robinho. Técnico: Marcelo Fernandes.

Cruzeiro: Fábio, Henrique, Manoel, Bruno Rodrigo e Fabrício; Willian Farias e Willians; Marquinhos, De Arrascaeta e Willian; Henrique Dourado. Técnico: Marcelo Oliveira.

Arbitragem: Péricles Bassols (RJ), auxiliado por Rodrigo Henrique Correa (RJ) e Rodrigo Pereira Joia (RJ).

Em 2012, lá no Estádio Independência, foi assim:

E você, o que espera do jogão Santos e Cruzeiro, logo mais?


Santos merecia perder de mais. Cruzeiro ganhou sem fazer força

Leia o post original por Odir Cunha

ricardo saibun
Geuvânio entrou no final e acertou o único chute perigoso no gol do Cruzeiro (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Mais organizado, com toque de bola mais preciso, defesa mais eficiente e ataque que criou mais chances para marcar, o Cruzeiro mereceu amplamente a vitória de 1 a 0 sobre o Santos, na Vila Belmiro, e já é o campeão virtual deste Brasileiro. O gol, muito bonito, foi de Everton Ribeiro, aos 9 minutos do segundo tempo, depois de driblar Mena e Alison. Como a maioria dos leitores deste blog previa, o ataque santista, com Everton Costa e Willian José, nada produziu. Ambos foram substituídos por Geuvânio e Victor Andrade, mas não houve grandes melhoras. Ao menos Geuvânio deu o único chute perigoso ao gol de Fábio. 9.460 pessoas pagaram para ver o jogo, proporcionando renda de R$ 278.156,00. Com a derrota o Santos permanece com 44 pontos e ainda precisa de no mínimo mais seis pontos para afastar qualquer possibilidade de rebaixamento. O próximo jogo será contra o desesperado Vasco, em São Januário.

Veja os melhores lances da partida:

Enquete para escolher o técnico de 2014 continua

O post muda, pois temos de falar do jogão deste domingo – o primeiro que, ao lado de meu irmão Marcos, assisti em um estádio, há 45 anos –, mas a enquete para escolher o técnico do Santos em 2014 continua. Se ainda não votou, ela está à sua direita. Vote lá!

montillo chuta
Montillo enfrenta seu ex-time tentando, mais uma vez, corresponder às expectativas dos santistas (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

O Cruzeiro vai ser campeão, mas neste domingo tem de dar Santos

Ninguém tira o título do Cruzeiro este ano e a conquista é realmente justa. Em meio a um campeonato bagunçado e de baixo nível técnico, a Raposa sobrou em regularidade e competência. Mas neste domingo a motivação maior deve e precisa estar do lado do Santos, pois os três pontos são muito mais importantes para o Alvinegro Praiano, que precisa ganhar no mínimo cinco dos sete jogos que faltam para brigar por uma vaga na Copa Libertadores.

Com 12 pontos e quatro vitórias a mais do que os segundos colocados Botafogo e Grêmio, o Cruzeiro caminha tranqüilamente para o seu terceiro título brasileiro. A dianteira é tão grande, que mesmo com a derrota neste domingo, a partir das 17 horas, na Vila Belmiro, ainda assim sua conquista não correrá maiores perigos. Ao nosso Santos, porém, que tem 44 pontos e está em nono lugar, só a vitória interessa.

O técnico Claudinei Oliveira ao menos tem sido coerente. O time será o mesmo que vem sendo escalado nos últimos jogos, com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa e Willian José.

Cicinho e Cícero estavam ligeiramente contundidos, mas treinaram normalmente na sexta-feira e devem jogar. Claudinei continua mantendo o contestado Everton Costa no ataque. A única dúvida do técnico era entre Willian José e Victor Andrade, mas como Willian treinou bem e marcou os três gols na vitória sobre os reservas por 3 a 0, será o escalado. Victor só entra se o Santos estiver perdendo e o estádio inteiro gritar seu nome.

O Cruzeiro, que desta vez não terá o atacante Willian, com estafa muscular, deverá ser escalado por Marcelo Oliveira com Fábio, Ceará, Dedé, Léo e Egídio; Nilton, Lucas Silva, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart;Dagoberto e Borges. A arbitragem será de Marcelo de Lima Henrique (RJ), auxiliado por Bruno Boschilia (PR) e Neuza Ines Back (SC).

O Santos costuma se dar bem contra o Cruzeiro e algo me diz que isso ocorrerá novamente neste domingo. Porém, será essencial que os laterais apóiem e que os meias Montillo e Cícero também se aproximem mais do ataque. Não dá para esperar que Willian José e Everton Costa resolvam as coisas sozinhos lá na frente.

Na minha primeira vez, Pelé versus Tostão

Eu tinha 16 anos e 26 dias quando fui ao estádio pela primeira vez, com meu irmão Marcos, três anos mais novo. E vimos, no ainda inacabado Morumbi, justamente o jogo que reunia as melhores equipes daquela era de ouro do futebol brasileiro: o Santos de Pelé e o Cruzeiro de Tostão.

Treinado pelo técnico Antoninho, o Santos tinha Cláudio, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho Guerreiro, Douglas (depois Edu), Pelé e Abel.

O Cruzeiro, de Orlando Fantoni, tinha naquele domingo alguns jogadores de extrema categoria, como Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza, Procópio, Evaldo, Zé Carlos… Era um timaço, que dois anos antes tinha sido campeão brasileiro ao vencer o Santos na final da Taça Brasil por 6 a 2 e 3 a 2.

Perceba que o narrador, Fernando Solera, diz, antes do primeiro gol, que aqueles eram os dois melhores times do Brasil – justamente na era de ouro do futebol brasileiro, em que três Copas do Mundo foram conquistadas em 12 anos, de 1958 a 1970, com todos os jogadores em atividade no Brasil.

Perceba, ainda, que entre esses jogadores nada menos do que cinco seriam titulares da Seleção Brasileira na Copa de 1970: Carlos Alberto Torres, Piazza, Clodoaldo, Tostão e Pelé. Sem contar Edu, que também atuou no Mundial do México.

Eu e meu irmão Marcos estávamos atrás do gol do Cruzeiro no primeiro tempo, éramos dois dos 29.469 pagantes daquela partida. A geral é mostrada depois do gol de Pelé, aos quatro minutos de partida, após jogada magistral de Douglas, que passou por quatro jogadores adversários. De onde estávamos achamos o gol de Pelé muito fácil, pois ele só teve o trabalho de se esticar e chutar a bola, depois que Douglas limpou o lance com espantosa habilidade.

No segundo tempo, Toninho, aos 41 minutos, completou o marcador após boa jogada de Abel. Um pouco antes Procópio tinha saída de campo com o tendão rompido, depois de choque com Pelé. Enfim, recordações de 45 anos atrás que parecem brotar com frescor e clareza na memória. Quantos garotos têm a felicidade de, na sua primeira vez em um estádio, assistir a um jogo assim?

Bem, já escrevi demais, Reveja os gols de Santos 2, Cruzeiro 0, de 13 de outubro de 1968, válido pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata, competição que acabaria dando ao Santos o seu sexto título brasileiro:

E pra você, o Santos vencerá o Cruzeiro neste domingo? Como?

Fotos do Cruzeiro de Tostão viajando de trem. Emocionantes!

Leia o post original por Redação Terceiro Tempo

E hoje ainda tem “craque” que reclama dos ônibus de Primeiro Mundo e até de certos aviões e companhias aéreas!

Pode?

Vejam nestas fotos maravilhosas como o grande Cruzeiro viajava em 1966.

À época, o time era o melhor do Brasil e viajava de … trem!!!

E logo depois de ter metido 6 x 2 e 3 x 2 no Santos de Pelé, nas finais da Taça Brasil de 66…

Grandes craques como Dirceu Lopes, Tostão, Piazza e etc, eram também sinônimos de enorme simplicidade, paciência e infinita humildade.

As fotos enviadas por Levi dos Santos Xavier, de Goiânia-GO, são emocionantes, exclusivas e falam por si só.

 

No vagão refeitório, Natal e Raul Plassmann
chupando uvas e na mesa de trás, Evaldo e Neco.


Piazza sob olhares de torcedores na estação ferrovíaria de Belo Horizonte.

 Histórica foto na estação ferroviária de Belo Horizonte.
O trio de ouro da Raposa, da esquerda para a direita:
em pé, o saudoso Nicola Calichio, à época diretor-financeiro do Cruzeiro, e nas
janelas estão Dirceu Lopes, Piazza e Tostão.


Veja que foto fantástica, no vagão refeitório,
o Cruzeiro indo de trem para a região do centro-oeste brasileiro.
Da esquerda para a direita, Neco, Evaldo, Raul Plassmann e Natal.

O olhar do Procópio na janela do trem no embarque
do Cruzeiro de Belo Horizonte para o centro-oeste brasileiro. À esquerda está Wilson Almeida, ponta-direita reserva de Natal


Natal na janela do trem, com o elenco cruzeirense,
indo para o Centro-Oeste brasileiro.


Na janelinha do trem, o craque Tostão na estação ferroviária de Belo Horizonte,
pronto para embarcar com o seu Cruzeiro para jogar
na região centro-oeste do Brasil.

Jogadores que mudaram a história do Cruzeiro, sentados no vagão de descanso,
“mitos” cruzeirenses, do lado direito, Tostão e
do esquerdo, Piazza e Dirceu Lopes.

Nicola Calichio (já falecido), então diretor-financeiro do Cruzeiro, na janela do trem,
no caminho de Belo Horizonte para o Centro-Oeste.
 Na estação ferroviária de Belo Horizonte, nos “braços do povo”,
o atacante Tostão,
à frente de dois senhores de óculos, no centro da
imagem. E também o “grandalhão” Procópio, de jaqueta, sorrindo ao léu.

Espiando o ídolo Tostão pela fresta da porta

Leia o post original por Mion

Tostão um ídolo em duas versões: o genial craque e hoje o inteligente e completo colunista esportivo.

O ato absurdo causado por torcedores do Coritiba contra a menina de 13 anos, torcedora que simplesmente ganhou uma camisa de ídolo Lucas do São Paulo e quase foi linchada, me fez sentir saudades do passado. Aqui no blog, quando escrevo alguma crítica mais enfática, recebo pelo email (blogdomion@gmail.com) palavras de baixo calão, agressividade pura, ofensas até para a minha família.

Como era gostoso o futebol. Lembrei de uma passagem que até hoje está gravada nitidamente em minha memória. Fora Pelé, Tostão era o meu maior ídolo. Eu tinha uns 12 anos. Aquele time do Cruzeiro com Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Raul, Natal entre outros me hipnotizava. Até hoje considero aquele Cruzeiro um dos meus três times preferidos de todos os tempos. Fora seleções, pra mim são inesquecíveis e os melhores: Cruzeiro dos geniais Tostão e Dirceu Lopes, Mengão de Zico, Adílio e Andrade e o atual Barcelona de Messi, Xavi e Iniesta.

Estudei no Colégio Santa Maria em Curitiba e era de conhecimento dos colegas a minha veneração por Tostão. Certa vez o meu colega Humberto Bernardes me chamou num canto e disse: “sabe de uma coisa, o meu pai é amigo do Tostão e ele vem almoçar em minha casa. Você quer ir?” Topei na hora, contei os minutos para chegar o tal dia. O almoço reunia apenas adultos (não lembro se Tostão veio apenas visitar ou tratar de assuntos relativos ao deslocamento de retina que quase encerrou a sua carreira aos 22 anos). Naquela época crianças não participavam dos encontros de adultos, almoçamos em outro local da casa e depois eu e o Humberto ficamos jogando bola no quintal enquanto o almoço rolava. Em um determinado momento, a cozinha estava aberta entramos e espiamos pela fresta da porta o almoço e vi Tostão, o coração acelerou, ali estava em carne e osso ao vivo o meu grande ídolo.

Mais tarde logo após encontro, o pai do Humberto veio com o meu caderno de autógrafos. Lá estava o de Tostão, guardo até hoje junto com muitos outros: Pelé, Zico, Regina Duarte, Golias etc… O ídolo era algo supremo, quase um Deus. E o ídolo não tem prazo de validade, atualmente não perco uma coluna de Tostão nos jornais, aqui no Paraná, toda quinta-feira na Gazeta do Povo. Depois do gol de Maradona contra a Inglaterra quando driblou seis adversários, o segundo gol mais bonito em Copa do Mundo também foi contra a Inglaterra, o do Brasil na Copa de 70, quando Tostão desmontou três ingleses pela esquerda, cruzou no pé de Pelé que serviu Jairzinho e fazer 1 a 0. Foi o jogo mais difícil daquela Copa, a genialidade, habilidade e precisão de Tostão desmontaram com a defesa contrária.   

Hoje chegamos ao ponto de uma adolescente não ter o direito de receber a camisa de seu ídolo, corre risco de espancamento. Com o autógrafo do Tostão eu já fiquei em estado de êxtase, imagine uma camisa. Nunca consegui, não faz mal, mas eu vi Tostão… pra mim bastou. Saudades como era simples e salutar ter um ídolo. Hoje significa humilhação, risco de agressão e sofrimento.