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Platini, o mito caído

Leia o post original por Antero Greco

Michel Platini é um dos gigantes do futebol que vi em ação. Nos anos 80, arrasou com a camisa da Juventus e da seleção da França. Depois, enveredou pelo rumo da cartolagem, se deu bem como organizador da Copa de 1998 e, com o prestígio, se elegeu presidente da Uefa.

Com o futebol europeu a dar as cartas, cresceu a fama de Platini como dirigente eficiente, a ponto de ser apontado como sucessor de Joseph Blatter no topo da Fifa. Agora, tanto um quanto outro caem em desgraça, com a sentença de afastamento por oito anos de cargos no esporte. Na prática, significa quase banimento – certo no caso de Blatter.

O veredito do conselho de ética da própria Fifa é consequência do envolvimento de ambos em ações consideradas ilícitas. A principal seria pagamento da Fifa para Platini, em torno de 2 milhões de euros, por “serviços prestados”. Como esses serviços nunca foram muito claros, resta a nuvem cinzenta a pairar sobre duas cabeças importantes no mundo da bola.

A queda de Blatter não surpreende e era tida como inevitável desde que vários colaboradores e integrantes da “família Fifa” foram presos, após investigações de corrupção lideradas pela polícia dos Estados Unidos. Dificilmente a lama não atingiria a célula-mãe, na Suíça, e por extensão o presidente da entidade. Sempre vale lembrar que Blatter é discípulo de João Havelange.

Blatter se diz perseguido pelos norte-americanos, como represália pelo fato de terem perdido para o Catar a organização do Mundial de 2022. Argumento frágil demais, inconsistente, que não convence nem os parceiros de Blatter. O suíço agora se diz doente e disposto a curtir aposentadoria. Mas, antes, promete limpar o nome dele.

A decepção enorme fica mesmo para Platini. Quem foi ídolo dentro de campo, e com bom trabalho na Uefa, não precisava cair em transações pouco transparentes. A troco de que sujar uma biografia vencedora? Por causa de poder? De uns trocos a mais? Que burrice. Como a tentação cega…

Zico de novo contra Platini

Leia o post original por Quartarollo

Entre 1983 e 1985, Zico brigou diretamente com Michel Platini nos campos da Itália.

Ele na pequena Udinese que se tornou maior com a sua presença e o francês defendendo a gigante Juventus, de Turim.

Já no primeiro ano, Zico marcou 19 gols, um a menos que Platini que jogou, no entanto, seis partidas a mais que o brasileiro.

Zico levantou o orgulho do povo de Udine mesmo no início tendo que enfrentar o olhar enviesado de muita gente porque um time pequeno da Itália pagou 4 milhões de dólares pelo seu passe.

Zico era destaque mundial e tinha feito uma bela Copa de 82, na Espanha, isso já servia de justificativa.

Foi eleito o melhor jogador do mundo em 1983 pela revista World Soccer.

Até o presidente italiano Sérgio Pertini teve que se envolver no assunto para liberar a contratação.

Foi também o jogador mais caro do futebol italiano contratado até então.

Zico superou essa pressão com gols e tornando a Udinese um time que impunha respeito aos adversários.

Depois dele, a Udinese nunca mais foi a mesma. Voltou ao seu lugar de time médio para baixo.

Platini jogou de 1982 a 1987 na Juventus e fez 68 gols. Zico em dois anos fez 57 na Udinese, sendo 19 de falta.

Agora os dois vão se encontrar em outro palco. Faltam detalhes ainda, mas pode ocorrer.

Platini, presidente da Uefa, quer ser presidente da Fifa e Zico também se candidatou.

Platini é favorito. Tem mais dinheiro, a exemplo da época de Juventus quando tinha uma equipe melhor por trás dele, e já está na estrada há mais tempo.

Virou um cartolão sem vergonha nenhuma.

Zico precisa ser indicado pela CBF e já enviou documentação para o presidente Marco Polo del Nero, que pode inclusive esvaziar a intenção do galinho.

De qualquer forma, eles se preparam para mais um embate.

A história da década de 80 mostra dois grandes em combate. Cada um no seu time, cada um no seu campo.

Zico foi dos poucos que ameaçaram na época o reinado de Platini, na Itália.

Os números provam tudo isso.

Entre Platini e Zico sou mais Zico. Como jogador acho que são muito parecidos e foram gênios, mas como pessoa conheço mais Zico que é do bem pra caramba.

Seria uma oxigenação para a Fifa hoje tão suja de denúncias e falcatruas.

 

Zagueiro do Corinthians sugere Mundial no Catar em dezembro

Leia o post original por blogdoboleiro

A melhor época do ano para se disputar uma Copa do Mundo no Catar é no mês de dezembro. A dica é de Anderson Martins, zagueiro do Corinthians que ainda pertence ao Al Jaish, de Doha, e já enfrentou o calor infernal do país árabe. "Jogar em junho é insuportável por causa do calor. As melhores condições climáticas estão no final do ano, talvez quando acaba a temporada aqui no Brasil", disse em entrevista à Rádio Bradesco Esportes.

O novo titular da zaga corintiana, Anderson calcula que dá para a Fifa antecipar o Mundial de 2022 até o início de maio. "Nesta época do ano, antes do verão, ainda dá para suportar. Mas de junho em diante é insuportável. O calor é muito forte e mesmo com a estrutura que estão montando para refrescar dentro dos estádios, quem está fora sofre. É muito ruim", falou.

O verão catariano chega a ter temperaturas ao redor de 50 graus centígrados. O comitê organizador garante que as arenas terão um sistema de ventilação e umidade que permitem a prática do futebol. Hoje, sem este recurso, os atletas  no Catar treinam uma vez ao dia, no final da tarde e início de noite quando a temperatura cai. Isso acaba refletindo no condicionamento físico. O meia Valdívia passou meses até se livrar de uma série de lesões musculares que sofreu ao encarar o ritmo de treinos no Palmeiras. Mas Anderson garante que não teve este problema: "Já joguei 19 partidas e não tive problemas", lembrou.

Nesta quarta-feira, o ex-jogador alemão Karl Rummenigge, secretário geral da Associação de Clubes da Europa e executivo do Bayern de Munique, apresentou à Fifa a sugestão de se antecipar a data da Copa de 2022 para o mês de abril. A entidade máxima do futebol fala em organizar o Mundial em novembro. A UEFA quer o torneio em janeiro.

O argumento dos clubes europeus é de que se a competição for organizada para abril até o meio de maio, como indicou Anderson Martins, seria possível adminitrar o calendário europeu, dando férias no verão para os jogadores. "Seria menos doloroso", afirmou Rummenigge. 

A Fifa deve anunciar a data da Copa do Mundo de 2022 na próxima segunda-feira, depois de uma reunião de seus dirigentes em Zurique (Suíça).

Bom Senso versus Tecnologia

Leia o post original por Emerson Gonçalves

 

Dias atrás vi na internet uma foto que me trouxe boas recordações de outros tempos há muito já passados: dois chinelinhos já gastos, com um metro ou pouco mais entre um e outro. Ali eles não eram chinelinhos, eles eram as traves que delimitavam o espaço do gol ou da meta, como dizem os regulamentos. Jogávamos descalços os mais pobres, de tênis os menos pobres. O gramado era o terreno de terra batida da esquina ou um trecho do asfalto da rua de casa, quando esse progresso já existia ou, imaginem só, nosso gramado era o piso de paralelepípedos, mesmo. Incontáveis dedões devem trazer recordações perenes desses gramados de nome tão comprido. Chamo esses pisos de gramados a seco, sem aspas, já que para nós, naquela fase da vida, gramado era qualquer superfície onde podíamos jogar futebol. Para referir-me aos pisos de nossos estádios e arenas eu costumo usar as aspas – “gramados” – posto que não passam de pobres arremedos do que deveriam ser.

Linhas atrás eu escrevi que jogávamos futebol naqueles pisos impensáveis.

Pois é, era e continua sendo futebol. Onde quer que duas ou mais crianças e mais uma bola, que pode ser de meias ou até de papel, se encontram, nasce um jogo de futebol. As traves podem ser chinelinhos, tênis, pedras grandes, pedaços de madeira… O piso pode ser de qualquer tipo, pois piso nenhum impede que quem gosta jogue bola. Tudo isso é futebol, tanto quanto o jogo marcado para Wembley, a “casa do futebol”, em 25 de maio próximo, que atrairá a atenção de todo o planeta: a final da UEFA Champions League.

Mesmo com toda a pompa & circunstância que cerca uma final de Champions League, o joguinho no campinho de terra e o jogão no maravilho estádio terão tudo que é essencial em comum, exceto o hino da Champions League. E assim continuará por muito tempo, pelo menos no que depender da vontade de Michel Platini, ex-craque (dos grandes) da bola e agora craque dos bastidores (em sentido literal e não pejorativo), que não pensa em implantar na UEFA a chamada “tecnologia da linha de gol”, que mostra se uma bola entrou ou não.

Eu prefiro colocar mais dinheiro no futebol juvenil e infra-estrutura do que gastá-lo em tecnologia quando acontece um lance que não foi visto pelo árbitro. Custaria cerca de 54 milhões de euros (R$139,7) em cinco anos para esta tecnologia. Isso é muito caro para um tipo de erro que acontece uma vez em 40 anos.

Tão raro como um lance desse tipo para o qual foi criada a tecnologia da “linha do gol”, é um dirigente mostrar tamanho bom senso, sobretudo num tema que, tido e havido como moderno e sinal de evolução, agrada à grande maioria. Afinal, quem nesse século pode dizer que é contra o avanço da ciência e sua filha operacional, a tecnologia? Quem o faz é chamado de muitos nomes, o mais suave dos quais é “ultrapassado”, de apegado ao passado. Não se trata disso, todavia, e sim de manter o jogo de futebol tal como ele é.

Nesse sentido, inclusive, a confederação europeia vem trabalhando intensamente no melhor preparo possível de seus quadros de arbitragem, cujo resultado prático é visível nas edições da Champions League, com pouquíssimas reclamações de arbitragem, no que também ajuda uma cultura de respeito e compreensão ao papel da autoridade (não confundir com temor, que é o contrário de tudo que significa respeito e compreensão).

O futebol é o esporte mais popular do mundo, seja como lazer, assistindo, seja jogando, por lazer ou disputa profissional. É, igualmente, o mais simples dos esportes, apesar do que falam sobre sua regra mais inteligente – a lei do impedimento. Sua compreensão é simples, tanto quanto sua prática. Enchê-lo de traquitanas eletrônicas e tirar do ser humano a decisão do que acontece numa partida é, a meu ver, descaracterizá-lo e tirar essa universalidade, criando um futebol dos ricos e outro dos pobres.

Polêmicas existirão sempre, seja com decisões humanas ou eletrônicas, pois elas são inerentes ao ser humano graças à nossa capacidade maravilhosa e única de raciocinarmos, de pensarmos, de imaginarmos como poderia ser, de julgarmos. É nossa maior riqueza. Precisamos aprender a conviver com ela, aceitando, antes de tudo, nossa falibilidade – sim, nós falhamos e isso é bom e natural, pois aprendemos com as falhas – e nossas divergências, nossas diferenças, nossa sagrada diversidade de opiniões, de pontos de vista. É nesses pontos que reside o progresso, ou melhor, que nascem e se desenvolvem as ideias e ações que melhoram nossas vidas (ok, alguns progressos nos atrasam, contraditória e paradoxalmente), física e espiritualmente.

Cinquenta e quatro milhões de euros foi o número que Platini usou para justificar a não introdução da tecnologia da linha de gol na Champions League. Acredito, entretanto, que para ele a preservação do futebol em sua essência seja mais importante que poupar “meia dúzia” de moedas. Mesmo porque moedas vão e vêm, mas o mesmo não se pode falar da tradição, da força, do magnetismo do futebol, praticado da mesma forma pelos garotos em Potosí, a 4.000 metros acima do nível e poucos graus ou até nenhum acima de zero, e pela gurizada nas praias cariocas, santistas ou baianas, centímetros acima do Atlântico, muitos e muitos graus acima do zero dos termômetros – e, às vezes, do bom senso.

 

Confusão no estádio inglês. Mas a TV não mostra

Leia o post original por Antero Greco

 No começo da tarde deste domingo, a ESPN mostrou um belo jogo de futebol, no duelo de Manchester, em que o United ganhou do City por 3 a 2, com gol em cima da hora. Um clássico como manda o figurino: estádio cheio, tensão nas arquibancadas e dentro de campo, alterações no placar. O United fez logo 2 a 0, mas permitiu o empate e ganhou no finalzinho.

Pois o que me chamou atenção e me levou a fazer estas ponderações veio justamente depois do gol de falta de Van Persie que definiu o placar. A tevê mostrou a comemoração dos vencedores e as várias repetições do lance fatal. E, de passagem, muito ligeiramente, deu um close em Ferdinand com o supercílio aberto, a sangrar.

Imagem estranha, desconexa, que deixaria o telespectador desconcertado. No caso brasileiro, nem tanto, porque os enviados da ESPN, que transmitiam do local, informaram que o zagueiro do United fora atingido por algum objeto atirado pelo público. Além disso, relataram que um rapaz havia invadido o campo, na tentativa de acertar contas com o árbitro. Foi contido logo e retirado pelos responsáveis pela segurança. O jogo seguiu.

A transmissão, para quem não estava no estádio, se manteve asséptica. Os responsáveis por selecionarem as imagens que vão ao ar decidiram omitir um fato, e nisso cometeram uma falha. Sonegaram ao telespectador uma informação. A invasão foi um incidente grave, que o jornalista tem o dever de registrar. E, no caso da tevê, a informação é a imagem.

Sei que isso ocorre com frequência em determinados países. Já fiz muitos e muitos jogos ao vivo, por campeonatos europeus e por competições sob batuta da Uefa ou da Fifa. Sei que não gostam de mostrar essas cenas, sob o pretexto de que, assim, não incentivam gestos semelhantes. Balela. Eles não querem é depreciar o produto, o negócio, o business.

Em seguida, fui aos sites dos principais jornais ingleses (e até da BBC), e lá encontrei referências aos incidentes, até com foto do rapaz que invadiu o gramado. O The Independent até registrou que “a Sky Sports não mostrou as cenas”. Ou seja, tratamento diferente em dois meios distintos: os jornais contaram, a tevê omitiu.

Então, se nos basearmos só pela televisão, concluiremos que nunca há fatos que saiam da normalidade nos estádios ingleses. Parece que a plateia é composta apenas por pessoas civilizadas, que aplaudem ou vaiam, nada além disso. Hooligns são personagens extintos. Sei não, é bom ficar com os dois pés atrás.

O tema é bom para teóricos de comunicação, especialistas no assunto, que sabem abordá-lo com argumentos sólidos. Mas fica uma leitura evidente: para ingleses, para muitos europeus, enfim, a tevê é instrumento poderoso de opinião e deve servir mais como entretenimento. Os jornais são para informar e não escamotear a realidade, não dourar a pílula.

Felizmente, no Brasil, as tevês (na maioria das vezes) entendem que episódios do gênero devam ser registrados, porque fazem parte da história daquele espetáculo. São, portanto, informação. E informação é liberdade, é democracia. O público deve ter o direito de selecionar o que quer ou não ver; essa não é tarefa de um diretor de imagens.

Fair-play e hipocrisia*

Leia o post original por Antero Greco

A mancada da semana tem Luiz Adriano como protagonista. O rapaz joga no Shakhtar Donetsk, time ucraniano recheado de brasileiros. Não sei se você assistiu ao lance na televisão ou leu reportagens a respeito. Então, repasso o caso aqui para situá-lo e para que possa acompanhar melhor a conversa.

Na terça-feira, o Shakhtar visitou o Nordsjaelland, na Dinamarca, pela Copa dos Campeões. Os donos da casa saíram na frente, e ameaçavam o plano de classificação antecipada do adversário. No meio do primeiro tempo, uma jogada foi interrompida para atendimento de jogador do time da casa. Na reposição de bola, Willian (ex-Corinthians) chuta pra frente, para retribuir a gentileza. Sem mais nem menos, Luiz Adriano aceita o passe, parte sozinho em direção à área, dribla o goleiro estupefato e faz o gol.

O atacante ignorou a bronca dos rivais, comemorou o empate com os companheiros e vida que segue. As imagens mostram a cara consternada de Mircea Lucescu, técnico do Shakhtar, e a de alguns atletas visitantes. A turma do time ucraniano ensaiou até amolecer, na nova saída, para permitir outro gol do Nordsjaelland, como forma de compensar a mancada continental de Luiz Adriano. Ficou na boa intenção, esnobou as vaias, venceu o duelo por 5 a 2 (com mais dois dele mesmo) e garantiu a vaga.

O episódio correu mundo, e Luiz Adriano tomou esculhambação de tudo quanto foi lado. Com razão. O gesto dele representou um bico na boa educação, no espírito esportivo, no respeito aos colegas de profissão e ao público. Uma atitude de rematada grosseria. Num primeiro momento, até fez pouco caso. Em seguida, se explicou, sob a alegação de que estava de costas para a jogada e pensou que ela fosse normal. Desculpa esfarrapada, sem dúvida.

Merecia puxão de orelhas dos companheiros e do treinador. Aliás, se tivesse coragem, Lucescu teria mandado Luiz Adriano para o banco imediatamente após o gol. Não esperaria sequer a bola rolar de novo a partir do grande círculo. Seria a resposta elegante do Shakhtar. Ou, então, exigiria que seus atletas deixassem os dinamarqueses marcarem, como ocorreu tempos atrás, num episódio semelhante (embora com gol involuntário, na reposição) em partida do Ajax. Ou seja, todos foram coniventes.

O desdobramento do incidente é curioso e oportunista. A União Europeia de Futebol ficou chocada com a desfaçatez do boleiro e na próxima semana vai avaliar se cabe punição. Encontrou, para tanto, artigo vago, no regulamento geral das competições, que fala em atitude antidesportiva e coisas do gênero.

Luiz Adriano foi descortês, isso é fato e indefensável. Mas, por ironia, não infringiu nenhuma regra do futebol. Não empurrou zagueiros, não estava impedido, não botou a mão na bola. Tanto foi legal a sequência que o juiz, constrangido, validou o gol.

Cabia, em seguida, algum comunicado oficial do Shakhtar ou da própria Uefa. Um voto de censura e fim de papo. Uma medida educativa e uma exortação ao fair-play. Mas, como vivemos tempos contraditórios, em que se pede liberdade e se exigem proibições, já se clama por punição severa. Os justiceiros de plantão pedem no mínimo suspensão longa, e lamentam que não haja açoite. Ou seja, sugerem mais e mais repressão.

A Uefa daria exemplo de lisura, se investigasse a fundo a origem do dinheiro farto que jorra em muitos clubes sob a jurisdição dela. Mas isso daria um trabalho do cão, mexeria sabe-se lá em quais vespeiros. Muito mais cômodo repreender um tosco.

*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 23/11/2012.)

Messi será de novo melhor do mundo. Já perdeu a graça!

Leia o post original por Mion

Messi deve repetir a cena: receber mais um troféu de melhor jogador do mundo.

Mais uma vez a escolha do melhor jogador em atividade na Europa não passará de uma simples aclamação: mesmo aqueles fãs incondicionais e passionais de Cristiano Ronaldo ou dos espanhóis Xavi e Iniesta não têm argumentos para desbancar Lionel Messi. É disparado o maior craque mundial, e em minha opinião já entre os cinco melhores de todos os tempos. Se Messi parasse de jogar hoje, aos 25 anos, ficaria na história. Se jogar mais dez anos, ninguém sabe onde poderá chegar, se mantiver o nível atual depois de Pelé será o segundo maior de todos tempos. Messi, Cristiano Ronaldo e Iniesta foram os três mais bem votados por mais de 50 jornalistas. Andréa Pirlo, Xavi Hernandez, Casillas, Drogba, Petr Cech, Falcão e Özil, os outros sete mais votados. A escolha será anunciada no próximo dia 30 em evento oficial da UEFA.

Escrever sobre Lionel é repetir o que todo mundo já sabe, o seu potencial técnico, habilidade e genialidade. Gosto de ressaltar que atingiu o patamar atual porque integra uma equipe fenomenal. O atual grupo do Barcelona também está entre as cinco melhores equipes de todos os tempos. Sem Xavi, Iniesta, e Busquets difícilmente Messi seria o craque soberano. Por isso enfrentou críticas quando não realizava as mesmas peripécias com a bola com a camisa Argentina.

A seleção Argentina tem qualidade, mas nada que se compare aos espanhóis campeões do mundo. Em 2012 Messi conseguiu amadurecer, realizou alguns jogos importantes, conquistando o respeito definitivo dos argentinos, até então era muito questionado. Na temporada de 2011/2012, Messi bateu a marca de 46 gols de Cristiano Ronaldo. O jogador do Barcelona fez 50, sagrando-se o maior goleador da UEFA Champions League pela quarta vez consecutiva, com um recorde de 14 gols. Os tentos marcados por Ronaldo foram decisivos para o Real Madrid conquistar o primeiro título da Liga espanhola em quatro anos. Iniesta está nesta colocação na lista já que foi eleito o melhor jogador da UEFA Euro 2012. Enfim, os coadjuvantes são fantásticos, mas a estrela máxima continua sendo Messi. E pelo jeito tão cedo não existe perspectiva imediata de surgir alguém que possa superar ou igualar a pulga argentina.

Obrigado, Dorival

Leia o post original por Emerson Gonçalves

 

Esses amistosos têm sido estúpidos, à exceção desses com a Argentina, que temos que respeitar. Os demais são sem uma produtividade maior, fazendo com que os clubes sejam prejudicados num momento de definição do campeonato.

Dorival Jr., treinador do Internacional, a respeito das convocações de seus jogadores para os amistosos da Seleção Brasileira contra Costa Rica e México.

 

Obrigado, Dorival.

Confesso que há muito tempo eu queria dizer exatamente isso, mas contive-me no linguajar das minhas críticas. Agora, porém, é você, treinador de sucesso, respeitado e à frente de uma das maiores equipes de nosso futebol quem usou a palavra com todas as letras para definir esses jogos e essa situação que vivemos: amistosos estúpidos, situação estúpida. Só não coloco os jogos contra a Argentina no mesmo balaio porque foram realizados em datas livres do Campeonato Brasileiro.

Karl-Heinz Rummenigge, presidente da ECA – Associação Europeia de Clubes – vem batendo forte e repetidamente nessa tecla: as federações nacionais têm abusado do número de jogos de seus selecionados. Isso ocorre porque foi criada uma grande máquina de fazer dinheiro pelas federações nacionais e pela FIFA, baseada no número cada vez maior de jogos de seleções nacionais. Que acontecem à custa dos clubes, que perdem datas e se veem privados de seus melhores jogadores. De nada adianta a UEFA pagar por algumas convocações, algo mais próximo do popular “dinheiro de pinga” do que dos custos reais de atletas que ganham fortunas. E, com muita frequência, jogadores sofrem contusões até graves e desfalcam seus clubes por meses, pelos quais ninguém ressarce o empregador do funcionário afastado por acidente ou lesão a serviço de outra entidade.

No Brasil tudo isso é muito pior e o motivo é simples: a CBF não respeita o principal campeonato do país e convoca jogadores a toda hora, privando os clubes de suas estrelas e, inevitavelmente, influindo nos rumos da competição.

Na Europa não há jogos de clubes nas “datas FIFA”. Por aqui, bom, por aqui segue o Brasileiro, mesmo porque não há datas em nosso calendário.

E não há datas porque os estaduais ocupam 23 datas todo ano.

E a Confederação ocupa mais algumas, fora aquelas que usa, a seu bel-prazer, desfalcando os clubes.

E os estaduais existem porque são a base de sustentação dos cartolas federativos nos estados, e que, por sua vez, são a base de sustentação da direção da Confederação.

Não só a CBF prejudica os clubes brasileiros, pois os atletas argentinos, paraguaios, uruguaios e de outros países sul-americanos jogando em clubes brasileiros são igualmente convocados para as “datas FIFA”, aumentando os desfalques de nossos clubes.

Por fim, ao contrário dos europeus, os clubes brasileiros nada recebem pela cessão de seus atletas. Pelo que sei, o único a pleitear esse ressarcimento foi o São Paulo, na gestão de Marcelo Portugal Gouvêa. Posteriormente, com a tentativa de trazer os jogos da Copa para o Morumbi, as cobranças cessaram e o presidente Juvenal Juvêncio nunca mais tocou no assunto, até alguns dias atrás, quando um diretor voltou a falar desse assunto.

No meio desses caminhos ficam os clubes, vítimas dos amistosos estúpidos como disse Dorival Jr. com inteira propriedade.

Até quando?