Arquivo da categoria: volta

Não espere nada do Flamengo

Leia o post original por Rica Perrone

Seja qual for o time, contra quem for o jogo e em que estádio for, nunca espere nada do Flamengo. Flamengo não é um clube para te dar o que você espera. Flamengo é a materialização do inacreditável. E portanto, quanto mais você acredita em algo, mais distante da realidade ele fica. Não há regra. …

A imprensa e seu amor bandido

Leia o post original por Rica Perrone

Você já tirou um minuto do seu dia para avaliar o absurdo que está acontecendo na seleção argentina e o quanto é desproporcional a opinião da mídia brasileira sobre o assunto? Um jogador de futebol rejeita e diz que não quer mais a seleção.  Faça isso na sua cabeça com Coutinho, Neymar, Firmino, a puta …

La vuelta de Dios

Leia o post original por Rica Perrone

O momento onde você mais ouviu falar de Orlando City não foi num jogo ou numa eventual conquista. Foi na apresentação de Kaká.  As maiores festas descontroladas e portanto espetaculares do Rio de Janeiro foram protagonizadas pelas chegadas de Romário e Ronaldinho ao Flamengo. Os três maiores eventos do SPFC nos últimos anos foram apresentações, recordes …

#RonaldoVoltou

Leia o post original por Rica Perrone

Ele sempre conviveu com a expectativa do retorno.  Entre ele e o fim, Ronaldo sempre deixou dúvidas em seus fãs pelo mundo todo, mas invariavelmente voltou. Não é diferente em 2015. Após uma carreira já gloriosa, Ronaldo surpreende e mais uma vez reaparece para competir em alto nível. Eu nunca duvidei, e você? “O pôquer vem […]

Voltou!

Leia o post original por RicaPerrone

A Vila Belmiro só faz sentido se houver um negro vestido de branco humilhando a simplicidade com os pés.

Se não for Pelé, que seja Neymar. Que seja Robinho. Mas que haja sempre um jogador digno de fazer com a camisa do Santos o que a eternizou: ser genial.

Pouco me importa se Robinho venceu na Europa, se soube ou não dar passes rápidos e curtos por lá. O Robinho que me interessa dá risada, pedala, dribla meio time e mesmo quando perde a bola faz ter valido a pena a tentativa.

Se há no futebol brasileiro um lugar onde não tentar o drible deveria ser pecado é a Vila Belmiro.

E então, a volta do driblador Robinho faz todo sentido.  Pelo ídolo, pela referência, pelo passado e pelo futuro que o espera.

O Santos não precisa ser campeão, nem ter uma multidão lotando estádios por onde passa. O Santos precisa ser brilhante, ousado, “moleque” e nos fazer gostar de futebol.

Robinho me faz gostar de futebol.

abs,
RicaPerrone

Zé Sérgio buscando a volta

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 10/05/1981

Zé SergioVendo um cão puxando majestosamente a trela, conduzindo o seu dono sem hesitação pelo parque magnífico existente no Campo do Banco da Inglaterra, Zé Sérgio parece ter ficado mais leve, mais feliz, menos tenso, com desejo de falar. Antes, olhou para o alto e viu quase parado um gigantesco Zepelim sobrevoando o local de treinamento da Seleção Brasileira. Sorriu ao ver alguns automóveis luxuosos, predominando a cor “preto-status”.

Zé Sérgio estava demonstrando uma aparente tranqüilidade, mas isso não significava paz. Antes de explodirem, as bombas, são inofensivas. O ponteiro esquerdo do São Paulo precisava ser ouvido, falar, mostrar quando voltaria a condição de intocável dentro do time de Telê Santana. Há alguns meses o futebol de Zé Sérgio não é o mesmo. Não é tão colorido, alegre, eficiente, vibrante. Ele está num processo de recuperação de uma posição que foi só dele, sem necessitar dividi-la com Éder.

O fato de ter treinado na equipe reserva parece estar provocando uma reação importante em Zé Sérgio. Deixa claro que não aceitará passivamente a perda da posição;

“Entendo que todo jogador deve respeitar a boa fase do outro. Sou de opinião de que ninguém pode desmerecer um companheiro. Mas não admito perder sem lutar honestamente. Vinha atuando como titular do selecionado e entrei numa fase não muito boa. Isso é natural na vida de qualquer jogador de futebol e aceito ter perdido a posição para o Éder, mas provisoriamente. Futebol é assim. No time do técnico Telê Santana joga quem na visão dele estiver melhor e o outro tem que concordar. Um critério que merece respeito, entretanto é uma questão de tempo. Sinto que o meu futebol, que os bons momentos estão voltando. Fisicamente estou muito bem, fiquei triste com a perda do título brasileiro, mas psicologicamente todos os jogadores já estão recuperados. Este contato com o futebol da Europa é importante, estava faltando para a maioria dos meus companheiros e tudo gira em torno do selecionado. Quero recuperar a posição de ponteiro esquerdo titular. Só depende do meu esforço. Tenho que acostumar-me coma rígida marcação adversária e também com o sistema empregado pelos laterais. É só uma questão de total adaptação, algo perfeitamente viável”.

Zé Sérgio não diz, entretanto, são muitos os comentários de que investidas desordenadas dos laterais prejudicam a ação dos ponteiros.

Além disso, principalmente no futebol brasileiro, a violência empregada nos atacantes impede a evolução da habilidade e esse último ponto Zé Sérgio ratifica prontamente:

“Nos últimos jogos do São Paulo, praticamente joguei deitado. Os marcadores foram muito violentos, principalmente o Rodrigues Neto do Internacional. Não tenho nada contra ele, mas ele deu muitos pontapés e infelizmente a ação dos árbitros não é tão rigorosa. Alguém deveria orientá-los para proteger jogadores hábeis. Fica difícil a luta de alguém que pretende jogar futebol com alguém que quer agredir”.

Zé Sérgio ficou apreciando, por um bom tempo, uma partida entre equipes amadoras realizada no Campo do Banco da Inglaterra e apreciou o condicionamento físico dos participantes:

“É bonito vê-los jogar, mas ainda prefiro deixar a bola correr muito mais que o jogador. É claro que a Seleção Brasileira não pode ser lenta, mas se conseguir de vez aliar a habilidade a uma razoável velocidade, será uma força indiscutível na Copa do Mundo. No Mundialito o Brasil enfrentou equipes velozes e saiu-se bem, sem fugir das suas verdadeiras características”.

“Tenho uma opinião muito simples sobre fases de um jogador de futebol. Ninguém aprende a jogar de um instante para outro e ninguém esquece de um momento para outro. Acho que sou um bom jogador de futebol e não deixei de ser hábil ou deixei de conhecer o que é uma bola. Existem momentos em qualquer profissão que provocam uma queda no rendimento do profissional e no futebol também é assim. Acho que não deve ocorrer uma crucificação”.

“De qualquer maneira este giro pela Europa definirá muita coisa. Alguns ficarão em suas posições, outros ganharão lugares, uns serão aplaudidos, vários serão criticados. Enfrentar escolas da Europa, que eu desconhecia, sempre provoca reações , comportamentos, resultados diferentes”.

“Para uma Seleção que pretende ganhar a Copa do Mundo de 1982, o Brasil na opinião dos jogadores, deveria ter mais contato internacional. Parece que a CBF está providenciando isso e ainda não é tarde para este trabalho ser executado”.

“Sou de opinião que muito pouco o futebolista sul-americano pode absorver dos europeus. Entretanto nunca é demais um processo de análises. É bom ver os estilos, como estão atualmente os nossos adversários de amanhã. De minha parte, quero dizer que volto logo ao time principal”.

Mundialito elevou o prestígio

Depois da participação brasileira em Montevidéu, durante o Mundialito, o prestígio do futebol brasileiro subiu muito aqui na Inglaterra.

O futebolista brasileiro passou a ser mais respeitado. Não é segredo para ninguém que antes da Copa de Ouro, a imagem do Brasil no futebol estava muito arranhada, por ausências de contato internacional e vitórias sem expressão.

O hotel Royal Garden, local da concentração da Seleção Brasileira, fica ao lado do Read Park, região das mais caras de Londres. Apesar do excelente serviço de Metrô – que cruza toda a cidade de Londres – o tráfego diante da concentração brasileira é muito intenso. Não há entretanto poluição sonora.

Como treinador brasileiro, o técnico Telê Santana dirigiu o selecionado em quatro partidas contra europeus: perdeu para a União Soviética, no Rio de Janeiro; empatou com a Polônia, em São Paulo; venceu a Suíça, em Cuiabá; derrotou a Alemanha Ocidental, no Uruguai. A Seleção Brasileira dirigida por Telê Santana enfrentou seleções da Europa, mas em ambiente sul-americano. Críticos ingleses dizem que trabalho da Seleção Brasileira está certo, pois além de conhecer de perto as arbitragens da Europa, disputará jogos em território europeu. A Seleção Brasileira teve a sua chegada retardada em duas horas.

O vôo da Varig ficou retido em Lisboa devido a uma “operação tartaruga” – algo que está acontecendo em toda a Europa.

Lotação esgotada em Wembley

Está sendo destacada pela imprensa inglesa a presença do selecionado brasileiro, em Londres. Zico, Reinaldo e Oscar são os mais citados. Nos últimos dias tem chovido em Londres e no final da tarde a temperatura fica em torno dos 10 graus. A partida entre a Seleção Brasileira e a Seleção Inglesa está marcada para a próxima terça-feira, com horário previsto para às 15 horas (Brasília), 19 horas, Londres.

Cem mil ingressos foram colocados à venda há cinco meses e todos já foram adquiridos. Aliás, os ingressos foram vendidos em apenas 10 dias de venda

Os preços

O ingresso mais caro custa em torno de trinta dólares e o mais barato cerca de dez dólares. A seleção inglesa acena com o fato de nunca ter perdido em Wembley para um selecionado sul-americano. O técnico Greenwood dirige a seleção inglesa desde 1978 e não está agradando à maioria. Torcida e imprensa têm exigido muito do time inglês, principalmente depois das ausências nas copas de 74 e 78. A seleção da Inglaterra venceu a Noruega, pelas eliminatórias, por quatro a zero. Perdeu para a Romênia em Bucares por dois a um. Perdeu para a Espanha, uma partida amistosa, por dois a zero.

A vitória em 79, diante da Argentina, por três a um, tem servido como bom argumento para que Greenwood permaneça no posto.

Keegan, ainda é dúvida

O jogador vem sendo atormentado por inúmeras contusões e não tem presença garantida contra o Brasil. Com 30 anos de idade e com 55 jogos pela seleção da Inglaterra, Keegan é considerado um jogador que pode derrotar o futebol brasileiro.

Hoje a Inglaterra está falando de futebol, esquecendo até os graves problemas que estão ocorrendo na Irlanda. Ontem foi decidida a centésima edição do “Fa Challenge Cup”, o mais cobiçado troféu do Reino. Todos os ingressos foram vendidos e estavam em ação o Totenham e o Manchester City. O Totenham de Ardiles e Vilas, era o favorito. A televisão mostrou a decisão para todo o país. A tradição determina que em todos os segundos sábados de maio, todos os anos, ocorra esta decisão e isso vem acontecendo através dos anos.

Havelange ausente

O presidente da FIFA, João Havelange, não assistirá a decisão da Taça da Inglaterra, nem a partida entre brasileiros e ingleses. Havelange está seguindo para Moscou onde presenciará a decisão do campeonato soviético.

Oscar já conhece

Oscar esteve com a Seleção Brasileira em Londres, em 1978, mas não jogou por estar contundido:

“É emocionante estar em Londres pela segunda vez e agora é para ganhar mesmo. Sei que os ingleses são quase imbatíveis quando jogam em Wembley. Nunca perderam aqui para sul-americanos, mas agora a situação será diferente. De qualquer maneira entendo que o jogo mais difícil será entre Brasil e Alemanha, principalmente pela goleada imposta pelo Brasil sobre os alemães, no Mundialito”.

“Estamos nos aproximando da Copa do Mundo, e as partidas entre o selecionado brasileiro e escolas da Europa só podem construir uma experiência que há muito todos nós buscamos”.

“São momentos decisivos, apesar do caráter amistoso dos jogos.

A confiança de Júnior

Júnior nunca esteve em Londres e apesar da ausência da experiência em contatos internacionais, o lateral esquerdo da Seleção Brasileira entende que prevalecerá mais uma vez o futebol brasileiro:

“Ficou provado no Mundialito que o Brasil é uma força que merece respeito. Quando poucos acreditavam, o futebol brasileiro conseguiu o vice-campeonato no Mundialito”.

“Por muito pouco não chegou ao título. A filosofia está certa, a direção é a mesma, e na medida em que a Copa se aproxima, o trabalho vai aflorando. O Brasil vai ganhar dos seus próximos adversários”.

Alegria de “Calouros”

Próximo da portaria do Royal Garden Hotel, os novatos Paulo Sérgio e Vitor conversavam. Demonstravam sintomas de cansaço, principalmente pelo fato do avião ter ficado retido por mais de duas horas no Aeroporto Internacional de Lisboa.

Para os dois este giro pela Europa é um instante de valorização profissional sobre todo os aspectos:

“Uma viagem à Europa é sempre proveitosa. A gente sempre absorve alguma coisa e também verifica que tem muita coisa boa. Enfrentaremos outros estilos e esses confrontos são ótimos” – disse Paulo Sérgio.

“Só pelo fato de ter sido convocado já estava feliz. Com esta viagem para Inglaterra, França e Alemanha, buscando reforçar ainda a imagem do futebol brasileiro, a responsabilidade aumentou mais, entretanto é tudo muito bom”.

Getúlio: pausa para a volta

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 15/02/1981

 

Getúlio sofreu uma contusão e perdeu a posição para Edevaldo, descoberto por Telê Santana. Mas ambos se equivalem a esse conceito é praticamente unânime. Mas o treinador gostou do futebol de Edevaldo, suas avançadas, seus chutes a seu vigor físico. Getúlio chuta bem, marca muitos gols e é comprovadamente um jogador forte. É a posição que não preocupa.

É descontraído, alegre, amigo e está integrado no grupo de jogadores do selecionado brasileiro. Muitos poucos jogadores que já prestaram serviço à Seleção Brasileira encaram a perda da posição com tanta confiança em si mesmo, pois tem certeza absoluta que mais dia menos dia poderá voltar a ser o titular. Aliás, este espírito permite a Getúlio treinar com tranqüilidade e com isso a sua volta para o time principal não é um fato que deve ser desprezado.

Getúlio não diz, mas sabe-se que até agora não encontrou um motivo real para a sua saída da equipe, aceitando-a, pelo menos oficialmente, como uma preferência do treinador.

Mas nos treinamentos está provado que Getúlio não aceitou passivamente a condição de reserva. Quer voltar ao time e isso é só uma questão de paciência, algo a mais nos mineiros.

“Gosto de jogar. Não aceito como algo natural, ficar fora de uma equipe. Acho que um jogador não pode aceitar tranqüilamente uma reserva, principalmente numa Seleção Brasileira”.

“Respeito a opinião do técnico Telê Santana e respeito também o Edevaldo, entretanto quando surgir uma oportunidade, para mim será definitiva, vou jogar para não sair mais da equipe e permanecer como titular. Sei que tenho condições para ficar no time. Estou chutando bem. Fisicamente como todos os outros companheiros estou num bom estágio, absorvi razoavelmente a filosofia do treinador no que diz respeito à participação do lateral dentro de um jogo. Enfim, acho que posso perfeitamente ser titular”.

“Jogar quinze ou vinte minutos, de quando em quando, não ajuda em nada o surgimento de uma boa fase técnica, mas é uma questão de tempo. Como o Edevaldo entrou no time, ele pode sair. Há vários fatores numa escalação e ainda sou da opinião que se ganha uma posição dentro dos treinamentos e o técnico Telê Santana já mostrou isso mais de uma vez. Procuro, sempre que é exigido, provar que não saí da equipe por deficiência técnica e apenas e tão somente por uma contusão, dando lugar ao Edevaldo, que aliás aproveitou jogando muito bem”.

Getúlio recorda o atrito que ocorreu entre ele e Telê Santana, num treinamento realizado no estádio de El Campin, em Bogotá na Colômbia:

“Deu muita exploração àquela rápida discussão com o nosso treinador. Eu dei um pique a parei a bola, então o treinador exigiu que eu não mais parasse a bola, sugerindo dribles, chutes, passes, mas que não parasse a bola. Irritado, eu devolvi para o goleiro e o Seo Telê Santana ficou muito nervoso. Eu confesso que errei e tanto é verdade que logo após o treinamento fui até o nosso técnico e pedi desculpas, prometendo nunca mais ter qualquer ato de desrespeito. Tudo está superado, felizmente”.

“Tenho treinado muitos chutes ao gol e esse tipo de exercício tem aprimorado ainda mais a minha precisão. Quando voltar a São Paulo sentirei falta de ritmo, mas os chutes sairão muito bem”.

“Fisicamente o retorno não provocará nada, mas estou longe do time há algum tempo e não estou jogando”.

“Isso para um jogador, que está acostumado a atuar duas ou três vezes por semana, é horrível”.

“E o meu desejo de voltar a jogar é ainda mais justificável pelo fato de tentar encontrar uma boa fase antes de voltar ao São Paulo. Um clube sempre espera um jogador que integra uma seleção, muito melhor do que quando ele saiu…”.

“Entendo também este esquema atual do selecionado. Permitir os avanços dos laterais é muito importante para uma equipe que só pensa em vitórias. Claro que há necessidade de um bom sistema de cobertura, mas o time fica mais forte, agressivo e a vitória é um fato quase que natural. Quem procura primeiro a vitória, chega na frente…”.

“Parece que estou falando na condição de titular, mas realmente entendo que na minha posição a briga é boa. E tanto eu como o Edevaldo possuímos condições de entrar jogando. Repito, é uma preferência do treinador e ele tem esse direito, mas voltarei a ganhar a preferência através dos treinamentos. O Seo Telê diz que quando um jogador está jogando pessimamente, nunca chega perto do treinador e pede para sair da equipe e isso é uma verdade. Então, segundo o nosso técnico, não há necessidade de grandes explicações do treinador, quando este resolve promover uma alteração, acho que neste aspecto o Telê Santana está certo. Os jogadores, todos, devem conscientizar-se de que ninguém é dono de uma posição. Jogará quem estiver melhor ou quem mais se adaptar ao estilo da equipe, e não há preferidos, ou protegidos nesta seleção e isso eu posso garantir. Se um profissional jogar bem nos treinos, for responsável, pode ter certeza que cedo ou tarde terá uma oportunidade ou uma nova chance. Todos confiam no treinador…”.

“A partida contra a Venezuela foi muito importante, ficou provado que não existem mais equipes fracas. Quando o nível técnico não é bom, surge o físico e depois a violência. O árbitro não proibiu as pancadas e houve nivelamento, além do estado lamentável do gramado”.

“Não são desculpas mas apenas realidades que não podem ser escondidas ou emitidas, devem sim ser divulgadas”.

“É uma viagem muito longa, com dezenas de treinamentos e aos poucos o entrosamento vai surgindo, numa equipe comum, o entendimento às vezes demora umas duas temporadas e numa seleção os resultados obrigatoriamente devem ser muito mais rápidos e todos são muito mais exigentes e às vezes as coisas não saem como as pessoas esperam”.

“Entretanto, o trabalho na minha opinião é sério, os jogadores sabem de suas responsabilidades, da importância que tem esta disputa eliminatória. Acho mesmo que a seqüência do desenvolvimento do futebol brasileiro depende dos próximos jogos. Ganhamos dois pontos contra a Venezuela, e temos que conseguir mais dois contra a Bolívia. No Brasil, também necessitamos vencer nossos adversários e depois haverá tempo para corrigir problemas que certamente são vistos e entendidos pelo técnico Telê Santana. Todos os erros são eliminados e dentro dos treinamentos e isso acontecerá também no selecionado…”.

Getúlio deixa claro através dos seus atos, comentários, reações que o desejo de jogar na equipe principal é cada vez mais acentuado e arrisca-se a analisar os treinamentos em busca de explicações e soluções:

“O nosso treinador não quer bola parada, quer um time rápido e eficiente, buscando gols e vitórias, sabe, este tipo de filosofia. Ninguém aprecia prender a bola, jogar para trás, na retranca, com preocupação apenas defensiva”.

“A tese do Seo Telê é a tese de todos os jogadores. Exatamente por isso existe afinidade entre técnico e jogadores. A derrota é algo que nem se comenta aqui dentro, faz parte do esporte, mas deve-se fazer de tudo para não conhece-la”.

“O torcedor brasileiro não admite resultados, para ele o futebol do Brasil é imbatível, irresistível e cabe a este grupo de jogadores não decepcionar o povo”.

Sempre sorrindo, agitando as mãos, brincando com outros jogadores do selecionado, Getúlio diz que está passando ou curtindo uma pequena pausa para voltar ao time:

“Na primeira chance vou voltar e não sairei mais. Estou, digamos, esperando o momento e quando o Seo Telê Santana decidir dar-me uma oportunidade saberei agarra-la”.

Fala, Fiel! – A volta das bandeiras!

Leia o post original por Yule Bisetto

Um clube de futebol tem, tradicionalmente, três símbolos sagrados: o distintivo (ou escudo), o uniforme e a bandeira.

O distintivo, aquele carregado junto ao peito, é a assinatura do clube. Tudo deve levar essa marca, que define uma pessoa ou objeto como pertencente ao clube.

O uniforme é a armadura, o manto sagrado, a indumentária com a qual os iguais se reconhecem na multidão.

E a bandeira?

A bandeira é a expressão viva e em movimento do amor ao clube, sem tamanho ou formato definido, onde o portador dessa bandeira exibe a intensidade do seu sentimento.

Infelizmente, no estado de São Paulo, este símbolo vibrante e contagiante é proibido nos estádios, pois numa bela manhã de domingo, os responsáveis pelo nosso futebol acharam seguro fazer uma final de campeonato entre dois rivais com entrada gratuita em um estádio cheio de materiais de construção nas arquibancadas. O resultado, claro, foi uma tragédia que até minha filha de 6 anos seria capaz de prever: um torcedor morto a pauladas e vários feridos. E o Poder Público, perfeito e indefectível, tinha que responsabilizar alguém pelo ocorrido. De preferência alguém que não pudesse se defender e ao mesmo tempo, justificasse os fatos.

Como o rapaz foi morto a pauladas, encontraram nos mastros das bandeiras a desculpa perfeita.

E passados mais de 15 anos (a proibição ocorreu em 1995), o Governador Geraldo Alckmin se recusou a corrigir esta sandice, vetando o projeto que devolveria a alegria aos nossos estádios.

Todos os lugares do Brasil permitem o acesso das bandeiras com mastros aos estádios. Será que elas são feitas de material diferente das bandeiras paulistas?

E de tempos em tempos somos obrigados a ouvir nas transmissões que “os cariocas é que sabem fazer festa no estádio!” ou “Olha como o Mineirão está lindo!”.

Quantas pessoas morrem por ano no Brasil vítimas de “bandeiradas”? Bandeiras sozinhas saem andando por aí, agredindo pessoas nas arquibancadas?

Esta característica brasileira do proibicionismo é um dos maiores entraves para a evolução do nosso povo. Somos proibidos de fazer nossas escolhas: de comer um sanduíche de pernil duvidoso, de tomar uma cerveja quente e aguada no estádio, de fumar em lugar fechado.

Imagina um pai proibindo um filho de aprender a escrever porque usou o lápis pra riscar a parede da sala?

De repente eleger a Super Nanny pra presidente seria melhor, já que em vez do Estado cumprir seu papel regulador e mediador das relações sociais, prefere ser babá do cidadão.

Quem ofende, agride, fere ou mata é o ser humano, não é a bandeira, a pedra, o álcool, o carro ou a bala. O problema em questão é o ser humano, que deve ser educado. Ou proibido.

Leandro Bergamin é Corinthiano e colaborou com este texto para a discussão sobre a volta das bandeiras ao estádio!

Deixe a sua opinião!