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O tick-tack virou top-top. Espanha perde para o Chile e está fora da Copa

Leia o post original por Quartarollo

A Espanha está fora da Copa. Acaba de perder para o Chile, 2 x 0, no Maracanã que repetindo 1950 gritou olé contra La Fúria. Naquela ocasião tomando de 6 x 1 do Brasil o Maracanã em uníssono cantava “Touradas … Continuar lendo

Xavi deu a receita para vencer o Barça. O Santos ignorou

Leia o post original por Odir Cunha

Minha coluna desta sexta-feira no jornal Metro de Santos também fala sobre técnicos: http://issuu.com/metro_brazil/docs/20131129_br_metro-santos/17?e=3193815/5812939

Xavi
“A chave é onde surge superioridade numérica, a fim de criar espaços em outros setores do campo…”

Na tentativa de ajudar o Santos a derrotar o Barcelona na final do Mundial da Fifa de 2011, o santista radicado na Alemanha e leitor deste blog, Tana Blaze, traduziu uma entrevista do meia Xavi, do Barcelona – na qual este revelava que tipo de marcação complicava mais a vida do Barça – e enviou a carta para a Teisa. Pelo que ocorreu depois, entende-se que Muricy Ramalho não deve ter levado em conta as dicas de Xavi para parar o time espanhol. Leia abaixo a carta de Tana Blaze e, a seguir, as respostas mais reveladoras de Xavi na entrevista para o jornal Süddeutsche Zeitung (SZ), de Munique.

Estou dando essa matéria agora porque, mesmo aparentemente defasada, ela trata de um tema crucial no futebol brasileiro, que é a pouca aplicação tática de nossas equipes. Nossos técnicos, mesmo aqueles considerados com “t” maiúsculo, não se reciclam, não evoluem, não se preocupam com aliar técnica e tática em treinamentos mais científicos e menos acomodados. Esta entrevista de Xavi revela como Pep Guardiola trabalhou para tornar o Barcelona o melhor time do mundo.

Carta de Tana Blaze à Teisa, em 19 de outubro de 2011

No dia 26 de Julho de 2011 o jornal Süddeutsche Zeitung de Munique publicou entrevista com o meio-campista Xavi do Barcelona, que estava na cidade para disputar a Copa Audi.

Ainda entusiasmado com a vitória na final da Champions League sobre o ManchesterU, ocorrida pouco tempo antes da entrevista, Xavi estava à vontade, com a língua solta, deslumbrado e cheio de si, quando diz coisas do tipo que pensa mais rápido que seus marcadores, que faz o Messi jogar e que só 2% das pessoas entendem de futebol. Não é uma dessas entrevistas típicas de jogador com chavões politicamente corretos, sendo por isto interessante como informação.

Revela alguns detalhes sobre o treinamento e o jogo do Barcelona, que por si só não chegam a ser novidade. O interessante é a ênfase dada pelo técnico Pep Guardiola à posse da bola e à superioridade numérica na zona da bola, com Xavi narrando que se necessário corre da esquerda para a direita, tentando sempre reestabelecer a superioridade numérica. Aliás um sistema aplicado pela seleção brasileira que ganhou o Mundial nos Estados Unidos em 1994, na qual havia quase sempre um jogador livre na proximidade para receber a bola e iniciar uma nova jogada em outro setor.

Xavi revela também, que os times que mais dificultam a vida do Barcelona, são os que marcam homem a homem “como soldados”; lembrando também as seleções do Chile e do Paraguai, contra as quais jogou na Copa do Mundo da África do Sul em 2010. O Paraguai chegou a desperdiçar um penalti defendido por Casillas e foi derrotado por 1×0 com gol aos 82 minutos de jogo, perdendo ainda no finalzinho uma grande chance para empatar; poderia ter eliminado a Espanha, futura campeã mundial com o motor do Barcelona em campo, a dupla Xavi e Iniesta.

Embora a entrevista não revele nada de extraordinário, achei por bem traduzi-la e mandar para o Santos FC; talvez um ou outro tiquinho de informação possa ser útil na véspera da Copa do Mundo de Clubes. Como não achei o número da sede do Santos FC, envio via Teisa.

Saudações, Tana Blaze

Entrevista de Xavi ao Süddeutsche Zeitung (SZ) de Munique em 26 de Julho de 2011, na qual descreve o sistema do Barcelona (traduzida do alemão para o português por Tana Blaze)

Xavi Hernández, 31 anos, é considerado como o melhor meio-campista do mundo. Ele não é tão espetacular como o atacante argentino Lionel Messi, mas é o ritmo do seu pé, que cadencia o jogo do Barcelona e da seleção espanhola. Xavi, que nasceu em Terrassa / Catalunha começou a jogar com dez anos no Barcelona, foi treinado na famosa academia do clube de La Masia. Com o Barcelona ganhou o título de campeão espanhol por seis vezes, ganhou três vezes a Liga dos Campeões e com a equipe nacional se tornou campeão europeu (2008) e campeão do mundo (2010). Na terça-feira e quarta-feira o mestre do penúltimo passe jogará com o Barcelona na Copa Audi, em Munique. Eis uma manifestação de entusiasmo pelo Barcelona em forma de entrevista:

SZ: O treinador do Manchester United, Alex Ferguson disse que nunca antes seu time tinha levado tamanha surra.
Xavi: Foi um jogo milagroso. ManU não tinha qualquer chance de nos pressionar! Nós dominamos o jogo inteiro, exceto nos últimos 20 minutos, quando eles tinham algumas opções. Mas nesta fase já não acreditavam mais em si, isto se via em seus rostos, nos seus gestos. Wayne Rooney veio até a mim dizendo: ‘Não podemos fazer nada, nada”. E, ‘hostia’, ver isto acontecer com um time como Manchester, do qual tínhamos um respeito brutal, que já havíamos derrotado dois anos antes numa final da Liga dos Campeões e que procurava a revanche…- ufa!

SZ: Como se atinge tal perfeição?
Xavi: Treinando-a. Trabalhando nela todos os dias. Claro, existem coisas que simplesmente não se pode atingir com treinos, o talento por exemplo. Não dá. E nós temos naturalmente uma serie de jogadores que trazem um monte de qualidades natas. Mas Pep (treinador Josep Guardiola / nota da redação), nos proporcionou uma outra vantagem, porque através dele nós conhecemos a razão de cada ação. O porquê!

SZ: O porquê?
Xavi: Sim. Há muitas equipes que jogam muito bem, mas não sabem porquê. Onde tudo acontece por acaso. Por que defendemos arremessos laterais de tal forma e não de outra? Por que batemos escanteios curtos e não longos? Por que nos movemos para um lado do campo para terminar a jogada que está sendo feita no outro lado do campo? Por que fazemos pressão para recuperar a bola numa zona de dez metros? Pep explica isto. E ele o faz com muita didática.

SZ: Foi este o porquê da final contra o Manchester?
Xavi: A chave de tudo é sempre a questão aonde surgem situações de superioridade numérica, a fim de criar espaços em outros setores do campo (introduzido na tradução), Pep nos diz antes de cada jogo: “Hoje, a superioridade numérica vai ocorrer aqui ou ali ou lá”. E ele quase sempre acerta a mosca.

SZ: Antes do jogo?
Xavi: Sim. Ele fica planejando o dia inteiro. Sua máquina funciona 24 horas. Então ele está dois lances adiante de todos. Na realidade fomos surpreendidos apenas por Hércules Alicante um ano atrás, no dia da abertura da última temporada. Eles abarrotaram o centro do campo e deixaram as laterais do campo livres. Nós solucionamos isto muito mal. E perdemos.

SZ: Como foi contra o Manchester?
Xavi: Eles tinham uma linha defensiva de quatro homens, tivemos três atacantes; eles tiveram dois volantes e Rooney, nós tivemos Iniesta, Xavi, Busquets – e Messi, que caía de volta ao meio-campo para produzir situações de quatro contra três. E então começou. Toque, toque, toque (toque de bola, toque de bola, toque de bola, acrescentado pela redação), até surgir uma jogada de ataque. Isto às vezes pode durar meia hora, e para isso precisamos de jogadores que não perdem a bola, que são brilhantes. Você se lembra de nosso primeiro gol contra o Manchester?

SZ: O gol de Pedro após seu passe de trivela? Depois de você poder conduzir a bola 20, 30 metros sem ser marcado?
Xavi: Quando recebi a bola perto do círculo central e me virei, pensei, ‘hostia’, estou sozinho aqui! Os defensores não saem! Eles simplesmente não saem! E por que? Porque os defensores têm, digamos assim, respeito do Villa, Pedro e sobretudo do Messi, a ponto de não se atreverem a deixar suas posições.

SZ: O ex-atacante do Liverpool Michael Robinson, um dos maiores especialistas de futebol da televisão espanhola, lhe atesta de ter junto com o Barcelona democratizado o futebol: Ninguém nunca vai novamente enxotar um adolescente, porque ele é pequeno ou franzino demais.
Xavi: Isto tem algo de verdade. Alguns anos atrás, os jogadores como eu eram ameaçados de extinção, porque meias tinham que ter uma altura de 1,8 metros e ser fortes fisicamente. O meu futuro foi questionado. Não faz três anos, que as pessoas diziam, que Andrés Iniesta e eu não poderíamos jogar juntos. E agora? Todos concordam que somos a chave para o sucesso desta equipe. Felizmente, o futebol ainda é um esporte no qual o talento está acima da força pura. E eu digo isso não porque eu sou um jogador tecnicamente dotado.

SZ: Então por quê?
Xavi: Porque é uma bênção para o esporte, para o espetáculo para o público. E porque eu sou um romântico. Quando eu vejo um cara que mata uma bola que cai de 30 metros de altura com um simples toque, eu digo: `hostia!‘ Isso é talento! O mais simples é uma equipe fechar atrás com oito jogadores, uma situação em que qualquer pessoa pode jogar, até o meu irmão que não está em forma. O difícil é acertar três passes em seqüência. Passar a bola quatro vezes em seguida com toques únicos. É isto que importa.

SZ: Passes diretos são a chave do jogo?
Xavi: Você se lembra do Hugo Sánchez? Muitos antigos defensores dizem hoje: No Hugo Sanchez eu nem conseguia dar um pontapé. Numa temporada marcou 38 gols todos com chutes de primeira sem matar a bola! (acréscimo do tradutor) O que quero dizer: não há defesa contra o jogo direto. Você pode me marcar. Mas a bola vem para os meus pés, e, pum, já passei para um outro. Como se defender contra o toque direto? Impossível! Pode se defender contra ações individuais. Dribles.

SZ:Houve quem dificultasse o jogo do Barcelona?
Xavi: Sim, com marcação homem a homem. Os russos e ucranianos são os mais irritantes. Como soldados. Ou, Paraguai e Chile na Copa do Mundo. Mesmo assim continua valendo: quanto mais direto for o jogo, maior dificuldade o adversário terá em se defender.

SZ: Como vocês treinam isto no Barça?
Xavi: Tanto faz se o treino for de força, velocidade ou condicionamento. Cada unidade de treinamento começa com o “Rondo”, uma forma de jogo em que você, se perder a bola, tem que ir ao meio – um treinamento mental bestial. E sempre termina com uma forma de jogo em que se deve manter a posse da bola. Jogos de posicionamento, nos quais que se deve pensar rápido, onde se pode tocar na bola apenas uma vez. Num espaço confinado. Sem tempo para pensar em perder a bola. E ninguém perde. Ninguém. Às vezes, digo a Pep: “deveríamos filmar nosso treino. É melhor do que qualquer jogo. Muito melhor.

SZ: Quando se avalia as estatísticas dos jogos do Barça, chama atenção que um quarto dos seus passes são feitos a Messi e Iniesta, e que um terço dos passes de Messi, Iniesta, Daniel Alves e Busquets, são feitos a você. Isto corresponde a uma orientação?
Xavi: Não Se eu tiver a bola, tento avançar. Quando percebo, oh, o Messi não tocou na bola por cinco minutos, penso: isso não pode ser! Não deve ser. Onde está ele? (Xavi olha para a esquerda e direita), até encontrá-lo. Então pego o Messi e digo”(Xavi faz um movimento de chamada com a mão): vem, vem. Vem aqui, venha perto de mim, comece a jogar”… Ele é atacante, atacantes desligam as vezes. Como se estivessem ‘off’. Muitas vezes ele está apenas chateado porque não recebe a bola com freqüência suficiente, ou porque sofre marcação cerrada. Mas se ele, em seguida, volta para nós no meio-campo, fica novamente feliz. Ele aprecia isto, porque ali pode tocar na bola uma vez, duas, três vezes, e então inicia uma jogada de ataque… esse cara é uma bomba. Eu nunca vi um jogador que sequer chegasse a seu nível Eu não quero atingir os Pelés e Maradonas, nem mesmo os Di Stefanos e Cruyffs. Dos quais eu nunca vi dez jogos em série. Mas aqui, Messi é o melhor do mundo. Em todos os jogos!

SZ: Mas no campo você mesmo é o rei da posse da bola.
Xavi: Se não estiver em constante contato com a bola, me falta algo. Eu estou sempre indo para o lugar onde a bola está, para ajudar um colega, para produzir superioridade numérica. Se eu estou no lado direito e Andres Iniesta e Abidal com seus respectivos marcadores estiverem no lado esquerdo, apresso-me para me juntar a eles e provocar uma situação de três contra dois.

SZ: Como você consegue manter sempre a visão de jogo, mesmo sendo permanentemente pressionado de todos os lados?
Xavi: É o instinto de sobrevivência. Eu não tenho físico privilegiado, então tenho que pensar rápido. No futebol existem dois tipos de velocidade. Por um lado, a velocidade de execução da ação, como a tem Messi, que faz tudo a 100 por hora, ou Cristiano Ronaldo. E depois há a velocidade mental. Alguns têm na cabeça um” top” de 80, outros de 200 km / h. Eu tento chegar perto dos 200. Isso significa, acima de tudo, saber sempre onde você está no campo. Saber o que você faz com a bola antes de recebê-la: Você aprende isso no Barça desde pequeno. Se um adversário vier em minha direção, é em 99 por cento dos casos mais forte do que eu. A minha única chance é pensar rápido. Fazer um passe, um movimento, me livrar da marcação, uma finta, deixar o adversário correr para o vazio… Este tipo de velocidade hoje quase vale mais do que a velocidade pura física.

Para você, o que falta aos técnicos brasileiros para se equipararem a um Pep Guardiola?

Sim, é possível*

Leia o post original por Antero Greco

A Espanha joga muito, dá gosto de ver como acaricia a bola, envolve adversários, acumula títulos, etc e tal. Merece elogios e hipérboles. Mas não vem de outro mundo, não é imbatível, tem pontos vulneráveis e, se apertar com jeito, se enrosca. A Itália deu o exemplo, no duelo de ontem em Fortaleza, que terminou só na 14.ª cobrança de pênalti, após o 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação.

A gente se acostumou a acompanhar equipe insinuante, envolvente, traiçoeira como o Coisa Ruim. A Vermelha se especializou em se fingir de indiferente, de testar a paciência de rivais e plateia com o vaivém da bola, pra lá e pra cá, de pé em pé, sem sofrer arranhões, como nas brincadeiras de aquecimento antes do treino. De repente, o bote certeiro, o gol, o golpe de misericórdia, que deixa zagueiros mais tontos que pinguços de boteco.

Só que os bailarinos de Vicente Del Bosque quase atravessaram a dança, no único empate da Copa das Confederações. Ensaiaram botar a Azzurra na roda, como havia ocorrido na decisão da Euro de 2012 (4 a 0), e encontraram um grupo atento e atrevido. Sobretudo nos primeiros 45 minutos, os italianos abafaram qualquer iniciativa da Espanha, cercaram Xavi e Iniesta e isolaram Pedro, Torres, Davi Silva. Eles receberam poucos passes, e sempre vigiados pelo trio Bonucci, Chiellini, Barzagli, acostumados a essa tarefa na Juve.

Enganou-se quem imaginou a Itália atrás; Cesare Prandelli armou bem o time para explorar descidas de Maggio e Giacherini pelas laterais, e Casillas suou frio. No segundo tempo, houve equilíbrio, mas sem que a Espanha jamais impusesse ritmo hipnotizante. Na prorrogação, ambas alternaram boas situações, mandaram bolas na trave, criaram chances; os pênaltis foram consequência da igualdade. Partida com muita emoção, taticamente admirável.

O público optou pela Itália – por farra e provocação. No momento atual, inegável a superioridade dos espanhóis em relação a qualquer time. Daí, pela lógica das arquibancadas, melhor secar um obstáculo complicado, ao menos na teoria, para facilitar o caminho do Brasil à conquista da taça. Deu certo até Bonucci desperdiçar a penalidade número 13 (para supersticiosos) e mandar pro espaço a vaga para o clássico de domingo no Maracanã. Com isso, contribuiu para a final desejada, e ótima para o Brasil. Já que é para testar a capacidade da seleção que seja contra tubarões.

A tarefa de Felipão e seus rapazes não será simples – nem com o desgaste adicional do outro finalista. Claro que os campeões do mundo levam desvantagem pela correria no Ceará, pelo deslocamento e pelo dia a menos de recuperação física e emocional. Compensarão com talento que lhes sobra e com economia de energia. (Pausa: ressaltou-se à exaustão o calor no Castelão, como se italianos e espanhóis não saibam o que seja temperatura alta. Tente ir a Madri, Sevilha, Roma, Nápoles em julho e agosto pra ver como a moleira esquenta.)

O Brasil pode ter como modelo a Itália, irretocável na marcação, como de costume, além de prática e eficiente na armação. Fundamental, nesse aspecto, a agilidade de Pirlo, De Rossi (e, depois, Montolivo), Candreva, Marchisio, que puxavam os contragolpes com velocidade e pontaria calibrada. Dessa maneira, várias vezes pegaram a defesa desprevenida. Em jogos oficiais recentes, a Azzurra foi a equipe que mais endureceu a vida para os espanhóis.

Felipão talvez não queira mexer na escalação habitual, mas poderia considerar a alternativa de começar com Luiz Gustavo, Paulinho e Hernanes no meio. Sobraria para Hulk ou Oscar. Com o primeiro em campo, aumenta o poder de combate; com o mais jovem, ganha nos dribles, desde que ele caia pela direita.

No papel, parece moleza, tá certo. Mas sei que dá para espantar o bicho papão. Daí o título desta crônica. Pensou que copiei a frase de Barack Obama (“Yes, we can”)?! Nada disso. Giorgio Gaber, artista italiano genial e morto em 2003, escreveu em 1991 a canção “Si può” (“É possível”). A homenagem é pra ele.

*(Minha crônica no Estado de hoje,  sexta-feira, 28/6/2013.)

Segredo do sucesso da Fúria?

Leia o post original por Neto

Alguém aí viu o jogo da Espanha neste domingo contra o Uruguai? Acho que a maioria, né? Que partidaça fez a Fúria! Aliás, nada anormal para a equipe que detém os títulos da Copa do Mundo e o bi da Europa. Mas querem saber, depois de ver as imagens que a TV Barça divulgou recentemente, não me estranha tamanho entrosamento e posse de bola. Essa turma com Xavi, Iniesta, Busquets, Piqué e o próprio argentino Lionel Messi (que não vem ao caso por ser argentino) joga junta desde os 13 anos. Impressionante o rosto de molequinho dos caras. Já estão acostumados a vencer desde sempre. Já se conhecem, sabem onde o companheiros estará na jogada. A bola corre naturalmente.

Espanha se diverte nos 2 a 1 sobre o Uruguai

Leia o post original por Antero Greco

Muitos anos atrás, numa conversa com Pedro Rocha, perguntei para ele como tinha sido enfrentar a Holanda, na Copa de 1974. Ele disse que foi dos maiores tormentos da vida profissional, porque parecia que havia 18, 19 adversários em campo. Um pesadelo, que terminou com placar de 2 a 0 para os futuros vice-campeões.

Imagino que suplício semelhante sentiram os uruguaios que jogaram na noite deste domingo contra a Espanha, na Arena Pernambuco. Do apito inicial aos 49 minutos do segundo tempo, passaram a maior do tempo a ver a bola passear de pé em pé dos atuais bicampeões europeus e campeões mundiais. Um toca pra lá, toca pra cá de endoidecer. Não foi por acaso que os sul-americanos perderam por 2 a 1.

Impressionam o controle de bola e o autrocontrole da antiga Fúria, que agora se chama a Vermelha. Sei que não é novidade, a turma do Vicente Del Bosque faz isso pelo menos desde a Eurocopa de 2008. Mas sempre vale ressaltar a confiança que cada um passa para o outro, como as funções são bem definidas, como há entrosamento e união. Não há como fazer reparos à ação de artistas do futebol.

Sei que às vezes parece monótono. Lembro que na competição europeia do ano passado cheguei a dizer que a Espanha era sonolenta. Admito que foi com uma ponta de dor de cotovelo, diante da altivez daquele time. Comportava-se de forma tão superior aos demais, com tanta certeza de que venceria, que chegava a irritar.

Mas esse é o objetivo: desconcentrar, estontear, minar o adversário. Isso Xavi, Iniesta e colegas fazem com maestria. Há momentos em que parecem desinteressados do jogo, trocam passes como se fosse obrigação enfadonha a cumprir. Até os rivais caírem na pegadinha e relaxarem. De repente, o bote, o lance fatal, o gol. Pedro e Fábregas foram os contemplados com essa tática e fizeram 2 a 0 ainda no primeiro tempo.

Como de praxe, a Espanha botou o oponente nas cordas e se divertiu com aquele interminável toc-toc-toc da bola indo aqui, ali, acolá. Poderia ter aumentado a diferença, pois mesmo nessa toada criou ocasiões de gol no segundo tempo. Não se abalou com as chances desperdiçadas, nem com o gol de Suarez aos 42 minutos. Aquilo não passou de cócegas para despertar no final do jogo.

Os espanhóis, salvo cataclismos que ocorrem no futebol, chegarão à final. De novo.

Medido, examinado e apresentado! Neymar veste a camisa do Barcelona e começa uma nova etapa em sua carreira!!! O craque terá problemas para se adaptar ao futebol do Barça?

Leia o post original por Milton Neves

Sonho realizado: Neymar é jogador do Barcelona.

Com contrato assinado, festa no Camp Nou e mil petecadas para os novos fãs.

Tudo que o astro tem direito.

Mas ver o “Pelezinho da Vila” com outra camisa é um pouco melancólico.

Pelo menos para o santista.

É como se deparar com um grande amor nos braços de outro.

E ter que aplaudir.

O Peixe só tem motivos para agradecer o atacante pelo que fez dentro de campo.

Jogando com alguns “surdos”, regeu a orquestra de um instrumento só.

Agora, chega à “Filarmônica da Catalunha”, onde não será mais a atração principal, mas sim uma parte importante do espetáculo.

Xavi, Iniesta e Messi devem ajudar muito o brasileiro.

Que precisará desta “forcinha” para adaptar-se o quanto antes ao estilo de jogo do Barça e da Europa.

*Durante a coletiva de imprensa, o vice-presidente do Barcelona confirmou o valor de R$ 158 milhões, que envolve os direitos federativos e econômicos do craque, além de seus vencimentos

E para você, amigo internauta, o brasileiro se juntará a Romário, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, no panteão tupiniquim do Barça?

Ou Neymar corre o risco de ser um novo Roberto Dinamite – que chegou badalado e saiu esquecido – em solo espanhol?

Opine!!!

O Barça acabou? Pergunte ao Milan

Leia o post original por Antero Greco

Hoje foi um dia especial para quem curte futebol, mas futebol de verdade, bem jogado, com trocas de passes, dribles, gols. Magia e emoção juntas. E quem proporcionou momentos de prazer, mais uma vez, foi o Barcelona. A turma comandada por Xavi, Iniesta e Messi botou o Milan na roda, fez 4 a 0 e avança na Copa dos Campeões.

O resultado foi importante ¬– ganhar sempre é ótimo. Mas, mais do que isso, conta o que representou o placar final no Camp Nou. O luminoso mostrou que o encanto do Barça não morreu, como se chegou a prever, após tropeços recentes, na Copa do Rei, no Campeonato Espanhol e na Champions. Segue saudável. Ainda bem, porque seria uma tristeza vê-lo acabar, embora a hegemonia não seja duradoura.

O Barcelona entrou em campo com a pressão dos 2 a 0 no jogo de ida, com a cobrança da torcida, com a desconfiança de críticos. E esfarelou com tudo antes de ir para o intervalo, com os 2 a 0 que garantiam pelo menos a prorrogação. E gols de quem? Dele, sempre ele, Messi, o incansável, inabalável, o virtuose maior dessa trupe especial. O Milan teve uma chance, ainda no 1 a 0, mas Nyang mandou na trave. E mais não fez.

A superioridade continuou no segundo tempo e se ampliou com o gol de David Villa, em passe de Xavi. O Milan esboçou reagir, com a entrada de Robinho e Bojan, para chegar ao gol que poderia dar-lhe a classificação. Bobagem. Quanto mais tentava abrir espaços, mais se expunha e deixava o contragolpe para o Barça. E assim surgiu o quarto gol, já nos acréscismos: Messi roubou bola na intermediária italiana e ela terminou nos pés de Jordi Alba, para coroar uma noite de gala para o futebol.

O Barça fez o que quis com o Milan, como nos melhores momentos. A equipe italiana não é extraordinária, como também não é ruim. O Barcelona é que foi exageradamente melhor. Nós aqui sabemos bem o que isso significa…

O Celtic quase surpreende o Barcelona. Quase…

Leia o post original por Antero Greco

A sabedoria popular diz que alegria de pobre dura pouco. (Será que pode escrever isso ou agora é politicamente incorreto? Sei lá.) E dura mesmo, sobretudo no futebol, esporte em que time que pode mais chora menos. E foi o que aconteceu com o Barcelona, agora há pouco, no jogo que fez com o Celtic, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa dos Campeões.

Os escoceses saíram na frente e surpreenderam o povo que lotou o Camp Nou. Depois, permitiram o empate e, em cima da hora, viram os espanhóis virarem. (Ou seriam catalães? Hoje só tenho dúvidas…) Com 2 a 1, o Barça segue com pontuação total na chave, se firma como favorito (de novo) ao título e segue na frente dos demais.

Mas foi dureza, sobretudo no primeiro tempo, em que Celtic fez marcação rígida e, com economia e eficiência, foi ao ataque quando possível. Se deu bem, com gol de Samaras aos 18 minutos do primeiro tempo (a bola pegou em Mascherano). Daí, se fechou e jogou na base do seja o que Deus quiser. E Ele quis que os donos da casa empatassem aos 44, depois de troca de passes entre Xavi, Messi e Iniesta. O último é quem tocou pra dentro do gol.

O filme do segundo tempo você certamente já imagina: só deu Barcelona. Foi um tal de pressiona aqui, toca ali (72% de posse de bola), chuta acolá. Messi teve duas chances pelo menos e ambas morreram nas mãos de Forster. O goleiro do Celtic fez mais umas duas defesas espetaculares, que garantiam o empate e evitavam uma goleada. O argentino não teve desempenho fenomenal desta vez. (Nem é obrigado a jogar demais sempre…)

A torcida do Barcelona, fato raro!, ensaiou até umas vaias para o time. Tímidas, é verdade, mas dava para escutar na transmissão pra lá de competente de Paulo Andrade, na ESPN. O Celtic já festejava a proeza de roubar pontos dos poderosos anfitriões, quando tomou o segundo, aos 48 minutos, numa resvalada de Jordi Alba. Que mancada!

O Celtic pode consolar-se com a possibilidade de dar o troco na volta, em casa. Será?

Espanha e os medíocres

Leia o post original por Wanderley Nogueira

A vitória da Espanha foi incontestável. Goleou por 4 a 0 uma grande rival.

Os italianos tiveram seu méritos e chegaram ao jogo final. Mas, de um lado a ópera, a música clássica, o violino e o piano. E do outro, um afinado grupo de músicos com seus pratos, triângulos, guitarra elétrica e uma esforçada cuíca.

O time espanhol, faz tempo, tem mostrado um futebol apaixonante. A bola se transforma num som doce para olhos e ouvidos. A seleção da Espanha joga por música. Combina timbre, altura, duração e intensidade.

Venceu a Espanha, e perderam aqueles que não gostam do futebol bem jogado, pensado, com a bola rolando de pé em pé, com os jogadores se deslocando, procurando espaços sem marcação.

A Espanha tabela e triangula. Tudo em velocidade e sem produzir hematomas na bola.

Nos últimos dias, li, ouvi e assisti depoimentos contrários ao futebol jogado pelos espanhóis. Sem nenhuma explicação lógica. Torcer contra a beleza na prática esportiva é gostar de pichação e rinha de galo.

Muitos jogadores e treinadores brasileiros, sem dúvida, torceram para a derrota de Xavi e Iniesta.

Vitória da Espanha provoca um desejo dos bons torcedores em ver seus times jogando bonito. E esse anseio é uma “punhalada” no peito dos medíocres.

Já que não vão conseguir mostrar a qualidade do atual futebol da seleção espanhola (e do Barcelona), a grande esperança é vê-la derrotada. Felizmente, o belo prevaleceu.

Um dia, aqueles que gostam da mediocridade vencerão.  Infelizmente, como tanta coisa na vida, esse futebol da Espanha tem um ciclo. Vai acabar. Não é imortal.  O Santos de Pelé acabou. E tantos outros espetáculos.

Tem uma diferença no relato da história. Quando esse futebol arte passar, provocará saudade. Se um dia o futebol padrão acabar, provocará alívio.

O futebol da Espanha está cheio de inimigos pelo mundo todo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.

Quando se ouve que o futebol do Barcelona ou da seleção da Espanha também perdem de times normais, e que outros “estilos” também vencem, é uma verdade.

Mas aí entra o gosto pela arte e pelo esporte refinado, que também perde. É do jogo.

Enquanto a Espanha resistir e não voltar ao futebol comum e insosso, vou aprecia-la com prazer.

A Espanha acorda e fecha Euro com chave de ouro

Leia o post original por Antero Greco

A Espanha voltou a jogar bola e fechou a Eurocopa com chave de ouro e diamantes, com os 4 a 0 sobre a Itália. Invicta na competição, fez 12 gols e sofreu um, justamente dos italianos e na estreia. Com isso, levou o título europeu pela segunda vez consecutiva e acumula três nos últimos anos, com o Mundial de dois anos atrás na África do Sul.

É a equipe do momento, sobretudo para os que medem grandeza e valor só por conquistas (ou por cargos ou por poder ou por conta bancária). Fascina pela eficiência, e nem sempre pela beleza do estilo de jogo. Foi assim na competição encerrada neste domingo, na Polônia e na Ucrânia. Com exceção dos dois duelos com a Azzurra, nos demais a Fúria foi segura, confiante, mas por isso mesmo burocrática.

Jogou e ganhou, contra Irlanda, Croácia, França e Portugal, não com prazer, mas como se fosse obrigação, para se desencarregar de uma tarefa. No jogo inicial, e mais do que tudo no de encerramento, foi Espanha parecida com o Barcelona, em que combinou toque de bola e passes certos, com atrevimento, criatividade, jogo ofensivo e gols. Agiu como campeã europeia e campeã do mundo. Foi a Espanha que, aí sim, aliou pragmatismo e arte. Essa Espanha não tenho medo de elogiar.

A Itália resistiu no primeiro tempo, mesmo ao sofrer gols de David Silva aos 14 e Jordi Alba aos 40. Em muitos momentos, houve equilíbrio, mas do lado italiano não apareceram Cassano e Balotelli, que poderiam mudar o panorama. A Espanha, mesmo sem aparecer no ataque a todo momento, se mostrou mais empolgada do que nas rodadas anteriores.

O jogo acabou para a Itália, na prática, antes dos 20 minutos, quando Thiago Motta, que havia entrada pouco antes no lugar de Montolivo, se machucou. Como havia feito as três mudanças, a Azzurra ficou com 10. Se com 11 estava difícil, daí se tornou impossível. A Espanha se acalmou de vez e os outros dois gols (Torres aos 38 e Mata aos 43) vieram naturalmente.

A Espanha revelou, contra a Itália, que pode ser ter tudo os que seus admiradores elogiam. E pode também brindar com futebol ofensivo, porque tem gente da qualidade de Xavi, Iniesta, Xabi Alonso, Torres. Desde que queira – e é isso que pede quem aprecia o joguinho de bola, independentemente de resultados.