Plano para fazer Leco gastar menos ganha apoio de grupo de conselheiros

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O Conselho de Administração (CA) do São Paulo ganhou o apoio de um grupo de conselheiros para seu projeto de cortar drasticamente as despesas da gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. O alvo principal dos cortes é o departamento de futebol, chefiado por Raí.

Na última quarta, esses conselheiros, de três alas políticas, se reuniram e decidiram que irão votar a favor do orçamento reformado que será submetido ao Conselho Deliberativo em reunião na próxima quinta (19). Porém, prometem protocolar um documento no Conselho Deliberativo (CD) exigindo que as contas do clube sejam fiscalizadas pelo menos mensalmente pelo Conselho de Administração (CA) e que as sugestões do órgão para eventuais correções de rota sejam adotadas por todas as diretorias. O pelotão deve reunir mais de 50 conselheiros.

O CA, que tem o presidente tricolor como um de seus integrantes, já tinha se posicionado no sentido de passar a fiscalizar de maneira semanal as atividades das principais áreas do clube em vez de se limitar a relatórios periódicos. A ideia é conseguir evitar prejuízos antes que eles se acumulem. A nova postura do Comitê de Gestão foi adotada depois de que o primeiro orçamento para 2020 apresentado pela direção, obviamente com o respaldo de Leco, gerou preocupação por conta das despesas.

A maioria decidiu que a peça orçamentária não deveria ser aprovada e que o CA trabalharia para fazer um relatório com menos gastos. Na reunião da última quarta, o ex-presidente José Eduardo Mesquita Pimenta, que integra o órgão, explicou a situação e os novos planos aos conselheiros que abraçaram a ideia.

O orçamento inicial previa que o São Paulo fecharia o próximo ano com superávit de R$ 6.671.396. Após os ajustes feitos pelo CA, a previsão superavitária passou a ser de R$ 68.512.268. Para essa transformação ser colocada em prática, o Conselho de Administração entende que, além de um acompanhamento quase que em tempo real dos trabalhos, é preciso estipular metas para as diretorias cumprirem. Quem seguidamente não atingir os objetivos pode ter sua saída sugerida ao presidente. Vale lembrar que controlar a direção por meio de metas é um antigo desejo do órgão.

Com a posição do grupo de conselheiros que se reuniu na última quarta, o CA ganha mais força para pressionar Leco a seguir seus planos. “Exigimos que essa fiscalização seja feita só pelo Conselho de Administração, sem interferência do executivo. Entendemos que é melhor aprovar o orçamento (ajustado pelo CA) por um simples motivo: se ele for reprovado, vale o anterior, que é pior para o clube”, disse ao blog o conselheiro José Roberto Opice Blum, ativo no recente encontro.

Crítico dos gastos da atual gestão, Blum deixa claro qual o departamento que mais precisa apertar os cintos. “O foco é o futebol. Que parem de gastar adoidado, de maneira esdrúxula, e diminuam o débito em R$ 100 milhões”, afirmou o conselheiro. O valor citado é igual ao estipulado pelo CA para que o clube reduza sua dívida bancária atual, avaliada pelo órgão em R$ 200 milhões.

O blog tentou ouvir Leco sobre o tema por meio de sua assessoria de imprensa, mas não obteve resposta até a conclusão deste post. O encontro no qual o grupo de conselheiros decidiu aprovar o novo orçamento e cobrar o aumento da fiscalização das contas aconteceu na casa de Douglas Eleutério Schwartzmann, ex-vice de comunicação e marketing do clube. A maioria dos que estavam presentes é contrária a atual gestão. Eles também discutiram as próximas eleições são-paulinas e concluíram que devem se posicionar apenas alguns meses antes do pleito. A votação deve acontecer só em dezembro do ano que vem. Também esteve em pauta o recente episódio em que um hacker vazou documentos do clube e tentou chantagear membros do CD e do departamento de futebol. Eles esperam o fim das investigações para saber o caminho a ser seguido.

 

 

Boleto

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O portal Superesportes, em trabalho de Bruno Furtado e Tiago Mattar, publicou ontem que uma funcionária do Cruzeiro foi orientada pelo filho do presidente Wagner Pires de Sá a pagar impostos de veículos que pertenciam à ex-mulher do dirigente. À época, janeiro de 2018, a proprietária dos seis carros e duas motos era legalmente casada com Pires de Sá. Foi um dos filhos do casal que enviou um email à secretária do presidente, que trabalha na sede administrativa do clube, para determinar pagamentos de IPVA, licenciamento e seguro DPVAT, no total de 11 mil reais. O que importa aqui evidentemente não é o valor, mas a prática, mais uma evidência da maneira como os clubes do futebol brasileiro são administrados.

Em resposta à reportagem, o Cruzeiro, em tom indignado, não nega as operações feitas pela funcionária, mas afirma que os cartões bancários usados para os pagamentos pertencem a Pires de Sá. Na versão dos fatos apresentada pelo clube, os assuntos pessoais do dirigente não se confundem com os afazeres de sua secretária com objetivo de lesar o Cruzeiro, apenas lhe tomam tempo. Seriam, afinal, contingências decorrentes da mais pura abnegação de um advogado e empresário que doa seus dias ao clube que ama, em detrimento das próprias obrigações. Um ato de sacrifício. Ainda de acordo com a matéria, Pires de Sá, seus dois filhos – um deles, também funcionário do Cruzeiro – e sua ex-mulher são sócios de uma empresa, acredite, de consultoria em gestão. Não se sabe se recomendam a clientes esse tipo de terceirização de funções.

O modelo de administração de clubes no Brasil impede que tenham donos, como se dá em lugares onde o futebol é mais bem tratado. Mas a engenhosidade dos políticos nacionais do esporte se encarregou de solucionar essa questão com o brilho que os caracteriza: não são donos, mas agem como se fossem. Não podem, mas fazem. O que os torna os donos de clubes mais espertos que existem, pois brincam com um patrimônio que não lhes pertence, cientes de que o próprio patrimônio jamais estará sob risco. E exceto nas ocasiões em que desrespeitam os limites do aceitável por tempo suficiente para levar um clube como o Cruzeiro ao rebaixamento, sempre haverá tolos úteis para chacoalhar pompons em sua defesa, dispostos ao papel ridículo de protetores da instituição. Não há nada como a decepção de quem é vagamente perspicaz quando percebe que foi feito de bobo.

Como contraponto a esse nível de usurpação, é frequente a aparição de argumentos como o da “entidade privada” para despistar o evidente interesse público quando o tema é a gestão do futebol. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já demonstrou como isso funciona durante a condução do chamado “escândalo da Fifa”, e, para quem ainda tem dúvida, basta lembrar que um ex-presidente da CBF é hóspede do sistema carcerário daquele país justamente por agir como se a confederação, entidade privada, pertencesse a ele. Claro, é preciso lembrar que se José Maria Marin não estivesse em Zurique quando recebeu a visita matinal do FBI – ou se tivesse sido ágil como o Marco Polo que não viaja – atualmente ainda seria visto nos seus restaurantes paulistanos prediletos.

No final de maio, reportagens de Rodrigo Capelo e Gabriela Moreira, ambos do grupo Globo, mostraram como eram feias as entranhas administrativas do Cruzeiro, objetos de investigação da polícia em Belo Horizonte. Os cheerleaders de mídia antissocial entraram em modo de escândalo, enquanto os dirigentes envolvidos – entre uma ameaça e outra a jornalistas – tentavam explicar o que filhotes de raposas podem entender por conta própria. As denúncias provavelmente impediram que a diretoria que levou o Cruzeiro à Série B contraísse um empréstimo de 300 milhões de reais. Calcule quantos IPVAs poderiam ser pagos pela secretária da presidência.

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Santos planeja ir à Justiça para cobrar multa de Sampaoli na próxima semana

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O Santos pretende entrar na próxima semana com ação na Justiça cobrando multa de cerca de R$ 10 milhões de Jorge Sampaoli por suposto rompimento contratual. Os advogados santistas trabalham na elaboração da petição inicial.

Desde a última segunda, após desastrosa reunião entre o argentino e o presidente do clube, José Carlos Peres, o alvinegro encara a relação com sua comissão técnica como uma guerra. Os passos seguintes da direção foram cuidadosamente calculados. Praticamente toda a estratégia girou em torno da multa rescisória prevista no contrato de trabalho do treinador.

Na reunião com Peres, Sampaoli não assinou um pedido de demissão, mas deixou claro que não ficaria no clube. Peres disse ao Comitê de Gestão que o treinador queria a liberação de quatro integrantes de sua comissão técnica sem pagar multa. No dia seguinte, o presidente avisou ao treinador que o CG, que ele preside, determinou que o clube cobrasse todas as multas. Eles superam R$ 3 milhões.

No final da noite da última terça (10), o Santos anunciou em seu site que Sampaoli havia pedido demissão no dia anterior. Foi um movimento tático. A divulgação do comunicado aconteceu pouco antes de se encerrar o prazo de validade da multa rescisória prevista no contrato do argentino. Assim que a quarta-feira começasse ele estaria livre para deixar o clube sem nada ter que pagar. Então, o alvinegro registrou publicamente sua versão de que a demissão teria ocorrido ainda durante a vigência da penalidade contratual.

Na outra trincheira, Sampaoli formalizou sua saída no dia 11, quando a multa já tinha caído. O treinador também fez questão de registrar publicamente sua decisão quando a penalidade não existia mais. Ele divulgou uma carta de agradecimento ao Santos. Os documentos produzidos pelas duas partes provavelmente serão usados na disputa judicial.

A reunião em que o Santos alega ter ouvido o pedido demissão aconteceu na segunda de manhã. Mas o clube só publicou a nota quase no final da terça-feira. Nesse intervalo, Peres já comandava suas tropas em direção ao combate com a comissão técnica estrangeira. Entre as primeiras decisões estava a medida de tratar os quatro integrantes da comissão trazidos por Sampaoli como funcionários sem vínculo empregatício com o técnico. A ideia era dizer que o trabalho deles continuava interessando ao alvinegro, mesmo após a saída do comandante. Isso os obrigava a pagarem suas multas rescisórias para poderem seguir o chefe, desejado pelo Palmeiras.

Por sua vez, o batalhão argentino também avançou no campo de batalha. Foi à Justiça para tentar a liberação contratual sem ter que pagar a multa. Na manhã da última quinta (12), a Justiça do Trabalho negou pedido de liminar feito por Sampaoli para se livrar do vínculo alegando que o Santos não depositou por quatro meses valores referentes ao FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). A Justiça entendeu que não há motivo para a concessão e que o treinador deve aguardar a tramitação do processo. Os assistentes do técnico também não obtiveram sucesso. Uma audiência foi marcada para 3 de fevereiro.

 

Corinthians usa conselho para tentar derrubar multa imposta pela Caixa

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O Corinthians usa seu Conselho Deliberativo como escudo para tentar dobrar a Caixa Econômica Federal (CEF) em busca de acordo para a execução judicial proposta pelo banco contra a Arena Itaquera S/A. Os representantes da agremiação argumentam que não podem aceitar um acordo no qual o alvinegro tenha que pagar multa por inadimplência porque os conselheiros não irão aprovar a medida.

A diretoria se comprometeu a pedir aprovação do conselho antes de tomar decisões relativas a seu estádio. Na ação de execução, a instituição financeira cobra da Arena Itaquera S/A, ligada ao clube e ao grupo Odebrecht, cerca de R$ 536 milhões.

Por conta de atrasos em parcelas, a Caixa exerceu cláusula que previa que ela poderia exigir o pagamento antecipado da dívida, com juros e multa, em caso de inadimplência. O dinheiro é referente ao empréstimo de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES pela CEF para ajudar bancar as obras da Arena Corinthians. O cálculo teve como base a dívida em 22 de agosto, data em que a ação foi proposta.

Durante as negociações com o banco, o clube afirmou que a direção tem a informação de que os conselheiros não vão aprovar um trato no qual o alvinegro tenha que pagar multa. Isso pelo entendimento de que a partir do momento em que há um acordo as duas partes devem ceder e que não faria sentido manter uma punição financeira em caso de pacto. Até agora a tese não colou.

Além da redução do valor cobrado, o Corinthians fez uma proposta para a Caixa com novas quantias mensais a serem pagas pela Arena Itaquera e um novo prazo. Os detalhes são mantidos em sigilo. Para negociarem, as partes pediram a suspensão do processo duas vezes. Primeiro, no final de outubro, por 30 dias. No mês passado novo pedido foi feito para prorrogar a suspensão da execução por mais 60 dias.

Embuste

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Então Argel Fucks quer que você acredite que ele evitou o rebaixamento do Ceará. Em uma das exibições de desfaçatez mais constrangedoras vistas recentemente no futebol brasileiro, o técnico que dirigiu o Ceará nas últimas três rodadas do campeonato incluiu o clube em uma lista de salvamentos que levam sua assinatura, adicionando “missão dada é missão cumprida” para se vangloriar. Não importa que os dois pontos somados no período não tenham feito qualquer diferença para a classificação final, uma vez que o Cruzeiro ficou três pontos abaixo. O que interessa é apresentar a propaganda e ver se funciona.

Não funciona, claro. Na era da imbecilidade orgulhosa, é mais importante falar sobre o próprio trabalho do que permitir que o trabalho fale por si. Gerações estão crescendo, em diversas áreas de atividade, sem qualquer apreço pelo valor de subir a escada, desde que possa mostrar uma foto no último degrau. São enfermos da “doença do eu”, sem perspectiva de cura. Argel os alimenta ao ter a coragem de exibir um “trabalho” de dez dias como uma amostra honesta de sua capacidade, embora um raciocínio de poucos segundos seja suficiente para desnudá-lo: o Ceará estava salvo quando ele chegou, e assim permaneceu.

Na infame noite de 28 de novembro, quando Argel abandonou o CSA após vencer o Cruzeiro no Mineirão, era o clube alagoano que rumava para a Série B. Eis uma oferta razoável do trabalho de um treinador: vinte e seis jogos, sete vitórias, cinco empates e quatorze derrotas. Este é o currículo de Argel no comando do CSA. Um aproveitamento de 33%, mas aparentemente suficiente para que ele declarasse que deixava o clube com o sentimento de “dever cumprido”. Dever cumprido?! Naquela ocasião pareceu apenas um exagero mal colocado, na tentativa de explicar a decisão de largar um time quase condenado antes do final do campeonato. Hoje se percebe que esse nível de abuso propagandístico é, de fato, um hábito. Também se sabe que no mesmo dia em que o CSA caiu, Argel se apropriava da permanência do Ceará na primeira divisão.

Sim, é só futebol. Sim, setores mais importantes da sociedade têm sofrido com a disseminação do que não é real, sempre com interesses embutidos em estratégias de comunicação construídas para enganar e iludir. O oportunismo desavergonhado e desafeto dos fatos talvez seja apenas um produto do tempo, mas certamente conduz a um caminho perigoso. O que pensa a torcida do CSA do ex-técnico de seu time, que se apresenta como um mago? Por que a magia não funcionou em Maceió? O que pensam desse tipo de publicidade os demais treinadores das Séries A e B, que compartilham com Argel um mercado competitivo, composto por apenas quarenta postos de trabalho? O que têm a dizer aqueles que pretendem ingressar neste mercado?

Há uma razão pela qual profissionais inteligentes e capazes não se comportam como se estivessem no set de “Tropa de Elite”, especialmente quando, ao contrário do contexto retratado pelo filme, a postura não passa de um embuste.

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Análise: Santos lamenta menos saída de Sampaoli do que você imagina

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Olhando de fora fica a impressão de que Jorge Sampaoli ganhou status de intocável no Santos por conta da campanha que culminou com o vice-campeonato no Brasileirão. Não é bem assim. Claro que o desejo no clube era de que ele permanecesse. Porém, várias críticas pontuam a passagem do argentino, que teve pedido de demissão anunciado, pela Vila Belmiro. Confira abaixo.

1 – Erros

É consenso no Santos de que o time terminou o Brasileirão com uma exibição de gala na vitória por 4 a 0 sobre o Flamengo. Porém, pelo menos parte da diretoria, dos conselheiros e da torcida não esquece o que são consideradas falhas de Sampaoli na escalação do time. As principais queixas são as partidas em que ele escalou três zagueiros e as vezes em que deixou Sánchez no banco.

2 – Falta de títulos

Existe uma corrente no Santos que entende que o elenco alvinegro não é tão fraco como aponta parcela da imprensa. Há o reconhecimento de que é um feito alcançar o vice-campeonato brasileiro, porém, o sentimento é de que faltou uma taça na era Sampaoli. A principal reclamação é a eliminação diante do River Plate do Uruguai, clube com investimento bem menor, na primeira fase Sul-Americana, com portões fechados.

3 – Reforços que não funcionaram

As contratações de Cueva e Uribe são colocadas na conta de Sampaoli e usadas como exemplo de grandes erros que ele teria cometido no Santos. Cueva já tinha histórico de indisciplina quando foi contratado. Repetiu os problemas, foi afastado do time e o clube tem que pagar cerca de R$ 26 milhões por sua contratação a partir do ano que vem. Por sua vez, Uribe foi defendido pelo treinador após suas primeiras partidas ruins, mas perdeu espaço para Sasha, indicado por Jair Ventura, ex-técnico do time. Os críticos admitem que o argentino também teve seus acertos na indicação de reforços, como com Soteldo.

4 – Últimas exigências

A cobrança por reforços de peso para 2020 irritou o presidente José Carlos Peres. O cartola sustenta que nunca prometeu investimentos pesados para o segundo ano de Sampaoli na Vila Belmiro e que sempre foi transparente sobre as dificuldades financeiras. No entorno do dirigente há quem acredite que o técnico foi tão incisivo nas cobranças porque queria uma justificativa para deixar o clube. Ele é o preferido do Palmeiras para a vaga de Mano Menezes. Porém, boa parte do Comitê de Gestão santista não concorda com a tese. Avalia que essa é a forma de trabalhar do técnico. No entanto, a ideia geral é de que o Santos não poderia gastar mais do que planeja para satisfazer o argentino. Assim, entre endividar ainda mais a instituição e perder o treinador a segunda opção era a preferida.

Inspirado em W. Disney, Corinthians prevê furo de R$ 144,8 mi ao fim do ano

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Em documento oficial enviado aos conselheiros do clube, a diretoria do Corinthians projeta que o alvinegro vai terminar 2019 com déficit de R$ 144.879.000. O valor aparece na coluna “orçamento de 2019 ajustado” presente na previsão orçamentária de 2020. Curiosamente, a introdução da peça traz pensamento sobre o gosto pelo impossível identificado como sendo de Walt Disney. O material ainda informa que foi acertada com a Nike uma opção de renovação contratual até 2029 e registra receita inferior com direitos de TV em relação ao que era esperado.

O mesmo relatório, chamado oficialmente de “Ciclo de Planejamento – 2020”, aponta que a previsão inicial era de que o clube chegaria ao próximo dia 31 de dezembro com superávit de R$ 650 mil. A diferença gerou críticas de integrantes do Conselho Deliberativo ligados à oposição. Eles alegam que números tão distantes demonstram desorganização por parte da direção alvinegra.

O blog apurou que a diretoria projetou o pior cenário possível para chegar à previsão de déficit de quase R$ 145 milhões. Isso porque costuma fazer projeções conservadoras. Porém, existe a expectativa no clube de que pelo menos uma importante venda seja feita até o final de dezembro, o que ajudaria a reduzir o déficit. Até junho, conforme balancete publicado no site oficial do Corinthians, o déficit foi de R$ 94.975.000.

Gastos acima do previsto com o departamento de futebol e a falta de boas vendas de direitos econômicos de jogadores são as principais explicações internas dadas pela diretoria para o número negativo. Em 2018, o alvinegro anotou déficit de R$ 18.766.000.

O cálculo é de que o clube encerre 2019 com R$ 35.417.000 em vendas de jogadores. Porém, por conta de despesas geradas por negociações, a previsão é de que esse valor seja reduzido para aproximadamente R$ 24,5 milhões.

Déficit em 2020

O orçamento para o ano que vem será analisado pelo Conselho Deliberativo corintiano nesta quarta (11). O documento aponta que no próximo ano o clube terá déficit de R$ 21.318.000. A projeção de receita bruta com a venda de direitos econômic0s é de R$ 66.136.000. Com despesas, a quantia cai para cerca de R$ 42,6 milhões.

Para o próximo ano também está previsto gasto de R$ 53.620.000 com direitos federativos de atletas. A projeção para o fim de dezembro de 2019 nesse item é de despesa de R$ 64.270.000. Os cálculos são conservadores no relatório inteiro.

O documento justifica o aumento com gastos salariais em 2019 com mudanças no time de futebol e projeta redução em 2020. “As despesas com salários e encargos estimadas para o fechamento de 2019 apresentam uma variação de cerca de 33% acima do previsto originalmente. Essa variação deve-se ao investimento efetuado na reestruturação da equipe de futebol para o ano de 2019”, diz trecho do documento.

Rescindir para contratar

Sobre o próximo ano, está escrito que está prevista redução de despesas com salários e encargos de 21% por conta da redução da folha salarial do departamento de futebol profissional, especialmente por conta do encerramento de diversos contratos.

“Não há previsão de aumento da folha (salarial) com contratações. Caso ocorram, as mesmas devem ser acompanhadas da redução de outro elemento de custo (rescisão com outro atleta).

Renovação com a Nike

No orçamento, a diretoria corintiana informa que foi incluída no acordo com a fornecedora de material esportivo uma cláusula de opção de renovação até 2029. A última prorrogação havia sido feita em 2017 com validade até 2026. O documento não explica como funciona essa opção de renovação com a Nike. O contrato também foi modificado para alterar valores recebidos pela agremiação por royalties e premiações referentes ao contrato.

A avaliação é de que o alvinegro receberá R$ 25.640.000 da parceira em 2020. Inicialmente, havia sido feita a previsão de que a Nike pagaria ao clube R$ 21.588.000 em 2019. Porém esse número foi alterado para R$ 25.553.000.

Globo

O documento mostra ainda que a receita corintiana com direitos de transmissão de seus jogos pela TV ao final de 2019 deve ser inferior ao previsto inicialmente. O orçamento original estipulava que essa arrecadação neste ano seria de R$ 240.139.000. Agora, a expectativa é de que o clube termine a temporada embolsado R$ 227.896.000.

A quantia inferior ao que se esperava é justificada pelo fato de o time ter em 2019 menos jogos exibidos do que havia sido projetado (em parte, a receita varia conforme a exibição) e também por uma queda na arrecadação atrelada ao pay-per-view (PPV). No relatório, a direção corintiana afirma que os sistema de venda de jogos transmitidos pelo “Premiere” apresentou queda em seus números. “Os efeitos desses elementos pode ser resumido: exibição TV –  R$ 7 milhões, PPV R$ 6 milhões”, registra o documento.

Para 2020, o cálculo é de arrecadação de R$ 230.555.000 com a venda de direitos de transmissão. A projeção foi feita levando-se em conta que o clube chegará até as oitavas de final da Libertadores e da Copa do Brasil, além do alcançar o sétimo lugar no Brasileirão. Outra fatia do pagamento é realizada de acordo com a classificação no campeonato nacional. No documento a direção reafirma que foi conservadora nas previsões. Ou seja, não significa que não espere resultados em campo melhores do que esses.

Pelo menos parte dos conselheiros reclama de que o orçamento não está assinado. O discurso na diretoria é de que não existe a obrigação de assinar a peça que foi enviada aos membros do Conselho Deliberativo por se tratar de uma apresentação.

Também há entre os conselheiros quem esteja intrigado com a reprodução de uma frase atribuída a Walt Diney, sem explicações, na introdução do relatório: “eu gosto do impossível porque lá a concorrência é menor”.

Flamengo e Cruzeiro são exemplos para times pararem de poupar jogadroes

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O Brasileirão de 2019 deixa como uma de suas principais lições o quanto pode ser maléfico para os clubes poupar jogadores pensando na Libertadores ou em outras competições. É emblemático que o campeão Flamengo tenha evitado na maioria das vezes preservar atletas e que o rebaixado Cruzeiro tenha agido de maneira oposta.

Dizendo que poupar jogadores não faz parte de sua cultura, Jorge Jesus ajudou o rubro-negro a levantar a taça continental, além da nacional. O português transformou em papo furado a prática de seus colegas brasileiros. Justamente ele, que tinha mais argumentos para colocar reservas para atuar em algumas partidas do Brasileiro por ter um elenco muito robusto.

Por outro lado, o time mineiro começou a temporada com pinta de que poderia brigar por todos os títulos que disputasse. Tinha um trabalho consolidado com Mano Menezes e uma equipe jogando um bom futebol. Porém, Mano menosprezou o Brasileirão e começou a encher o time de reservar pensando em evitar contratempos na Libertadores. Mas seu elenco não era equilibrado como o do Flamengo.

Os maus resultados começaram a aparecer na competição nacional, o time foi ficando para trás e, inicialmente, ninguém levou a sério o risco de rebaixamento. Direção e comissão técnica agiam como se a situação estivesse sob controle. Mas não estava.

Seria ingenuidade creditar o rebaixamento cruzeirense apenas à prática de poupar atletas. Uma série de fatores contribuiu para isso. Péssima gestão, falta de comprometimento de jogadores e dirigentes, remunerações atrasadas, a aposta em um técnico novato como Rogério Ceni para domar medalhões como Thiago Neves, a falta de habilidade de Abelão para fazer o time reagir e a confiança de que um ídolo do clube (Adilson Batista) seria o salvador da pátria. Paro por aqui de listar os problemas que afundaram o Cruzeiro para o leitor não perder o fôlego.

Porém, mesmo com esse caminhão de erros, quatro pontinhos perdidos com reservas em campo enquanto o clube celeste ainda disputava a Libertadores teriam evitado esse vexame histórico. Estamos cansados de saber que quando um time grande está na zona de rebaixamento a perna dos atletas pesa mais, o nervosismo é inevitável e o que parecia simples vira impossível. A torcida ameaça quem precisa de apoio, e nem todos reagem bem. Tem aqueles que somem nos momentos decisivos. Definitivamente, não dá pra brincar com o monstro do rebaixamento.

A situação cruzeirense já bastaria pra os clubes repensarem essa bobagem de poupar jogadores. Porém, se a fobia em relação à Série B não for suficiente, vale olhar para o Flamengo e realizar que dá, sim, para vencer Brasileirão e Libertadores ao mesmo tempo. Cabe às outras diretorias cobrarem uma nova postura de suas comissões técnicas a partir de 2020.

Opinião: Palmeiras reage de maneira diferente em caso de veto à sua torcida

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Ao se manifestar contra o veto à sua torcida na partida deste domingo (8) diante do Cruzeiro, o Palmeiras teve uma posição mais agressiva do que adotou quando os flamenguistas foram barrados no Allianz Parque na semana passada.

Em relação ao jogo no Mineirão, o clube paulista emitiu nota  falando em “depreciação do produto futebol” e afirmando que a torcida única “não deve jamais ser aplicada de maneira casuística, visando vantagem competitiva”. Há aqui uma insinuação de que a recomendação do Ministério Público mineiro tem a ver com ajudar os cruzeirenses a vencerem o duelo, resultado fundamental para o time de Belo Horizonte tentar evitar o rebaixamento no Brasileirão.

Porém, ao comentar a proibição aos flamenguistas em seu estádio, a direção alviverde não falou em casuísmo em busca de favorecimento competitivo. Na ocasião, apesar de argumentar que os jogos sempre devem ter a participação das duas torcidas, o clube paulista foi muito mais compreensivo com a recomendação da Polícia Militar e do Ministério Público, que culminou com a exclusão dos rubro-negros.

“No entanto, a segurança é um bem maior a ser preservado, e a Polícia Militar e o Ministério Público são as autoridades competentes para avaliar as condições de segurança de um evento, até porque são agentes ativos no processo. O Palmeiras não tem elementos técnicos para avaliar ou julgar as medidas de segurança recomendadas pela Polícia Militar ou Ministério Público e irá respeitar as orientações das autoridades competentes e da CBF”, escreveu a direção palmeirense antes do jogo com o Flamengo. É nítida a diferença de postura dos palmeirenses nos dois casos.

De fato, brigar publicamente contra uma medida de segurança sugerida pelas autoridades da área é arriscado. Se acontece algo de ruim, quem conseguiu impedir a decisão está lascado. Porém, é sabido que todos os grandes clubes do Brasil têm corrida para agir nos bastidores para fazer valer seus desejos. Seja para vetar a presença de visitantes em seu estádio ou para derrubar tal impedimento.

Na opinião deste blogueiro, o Palmeiras não se esforçou para colocar os rubro-negros em seu estádio e já levou o troco, como eu já esperava que acontecesse, mas não tão rapidamente. O Cruzeiro foi ao STJD pedir a torcida única, saiu derrotado, mas viu o MP mineiro agir e o Tribunal de Justiça do Estado conceder liminar para a realização do jogo só com torcedores do time da casa.

O desfecho do caso é mais um indício de que cada vez teremos mais jogos com torcida única no país. Palmeiras x Flamengo foi o primeiro duelo interestadual com esse tipo de determinação. Já na rodada seguinte, o Flamengo anunciou a venda de ingressos reservados ao Avaí pra os rubro-negros alegando que os visitantes não exerceram seu direito de compra dentro do prazo estipulado. Os catarinenses contestam essa versão.

Para este jornalista, está claro que  a maioria dos grandes clubes mandantes não gosta de receber visitantes. Por falta de visão comercial, a preferência é lotar seu estádio apenas com seus seguidores, criando um clima mais hostil para os adversários. Para a Polícia Militar, jogo com torcida única representa uma logística a menos: a de isolar os visitantes. É menos desconfortável.

Assim, caminhamos para um futebol ainda mais sem sal, com torcida única e notas oficiais casuísticas, como as duas emitidas recentemente pela diretoria do Palmeiras sobre o tema. Tadinho do torcedor brasileiro.

 

Por que executivos viraram protagonistas em clubes e até torcida opina?

Antes chamado de “Mittos” pela torcida do Palmeiras, Alexandre Mattos foi demitido no último domingo após um desgaste que incluiu protestos de organizada em frente ao condomínio em que mora e ameaças de torcedores. Agora, a discussão sobre seu substituto provoca engajamento de torcedores que tratam o assunto como se estivessem falando da contratação do próximo técnico ou de um grande craque. No São Paulo, virou tema prioritário se o clube deve manter ou demitir Raí, dirigente remunerado tricolor. Mas como os diretores executivos de futebol viraram “menina dos olhos dos clubes” e fizeram os torcedores se importarem tanto com eles? Para tentar responder à pergunta, o blog ouviu profissionais da área.

Entre as análises estão o excesso de exposição desnecessária de cartolas remunerados, uma visão equivocada de seus trabalhos nas agremiações e o grau de complexidade que as contratações de atletas e outras funções no departamento de futebol ganharam nos últimos anos.

A final da Copa do Brasil de 2011, vencida pelo Vasco na decisão diante do Coritiba, é um momento importante para se entender a visibilidade que os dirigentes remunerados ganharam no país. Na ocasião, recebeu destaque da imprensa o duelo entre dois cartolas profissionais: Rodrigo Caetano, então no Vasco, e Felipe Ximenes, que trabalhava para a equipe paranaense.

O interesse jornalístico nas atividades dos dois atraiu a atenção dos torcedores e ela não parou de crescer na direção dos profissionais dessa área. Porém, a função já existia há tempos, mas sem tanta badalação. Caetano é prova viva dessa transformação. Passou a ser tratado com status de craque em seu ramo. Hoje está no Internacional e divide com Diego Cerri, do Bahia, o posto de preferido dos dirigentes amadores do Palmeiras para a vaga de Mattos com direito a tratados escritos por torcedores nas redes sociais.

Mattos é um dos que mais colaboraram para a consolidação da fama dos dirigentes profissionais. Com dois títulos brasileiros durante sua gestão no Cruzeiro, ele já chegou ao Allianz Parque com pinta de ídolo.

“A importância é proporcional à responsabilidade que cada um (diretores executivos, outros profissionais e dirigentes estatutários) assume dentro da estrutura. Acho natural que, com a responsabilidade e o papel que todos esses agentes do negócio, do futebol, assumem que isso seja reconhecido”, afirmou Bruno Spindel, diretor executivo de futebol do Flamengo.

Com passagens por São Paulo e Santos como diretor remunerado, Gustavo Vieira de Oliveira, atualmente membro do conselho de administração da Botafogo S/A, ligada ao Botafogo de Ribeirão Preto, atribui, em parte, o destaque dado aos executivos de futebol à participação deles em contratações de atletas.

“Embora as atribuições do executivo sejam bem mais amplas, o que mais gera visibilidade são as negociações, e, nos últimos 15 anos, as negociações passaram a ser mais complexas, demandando maior dedicação de tempo, relacionamentos e expertise para sua condução. Soma-se a isto, o fato de a opinião pública acompanhar com maior interesse, o que tem a ver também com o fenômeno das redes sociais. O executivo personifica o clube neste mercado com mais visibilidade”, afirmou o filho do ex-jogador Sócrates.

Tal visibilidade leva os dirigentes profissionais a serem exaltados ou massacrados nas redes sociais e virarem personagens de selfies ou protestos de torcedores dependendo do resultado do time. Para Tiago Scuro, CEO da parceria entre Red Bul e Bragantino e ex-executivo do Cruzeiro, a atenção que esses funcionários das agremiações recebem tem a ver com a exposição de parte deles na mída.

“Essa situação no Brasil é única. Em outros países, esse profissional não tem a mesma relevância. Na Premier League (Inglaterra), quantas vezes você vê o executivo de futebol dando entrevista coletiva, falando na zona mista ou apresentando jogador contratado? A função do executivo é gerir o clube, não reagir a tudo que acontece. O executivo não deveria ter esse protagonismo que tem no Brasil, mas uma atuação mais discreta como acontece em outros países. Claro, alguns momentos específicos vão exigir um posicionamento (pela imprensa)”, disse Scuro. Recentemente, ele foi sondado para o lugar de Mattos no Palmeiras, mas entendeu que não poderia deixar o projeto de Red Bull e Bragantino num momento de implantação.

Para Gustavo, essa exposição passa por uma estratégia dos dirigentes amadores. “Há interesse também de conferir visibilidade ao executivo por parte da diretoria estatutária na necessidade de expor alguém que seja o contratado (e descartável) e não aquele que tem carreira política”, analisa. Ou seja, esses profissionais estariam sendo usados como escudos pelos cartolas tradicionais. “A pergunta que temos que fazer é: ‘querem um escudo contra o que?”, opina o executivo do Red Bull Bragantino.

Profissionalismo x amadorismo

A convivência entre “cartolas de carteirinha” e profissionais do futebol nos clubes tem sido conflituosa em alguns casos. E a corda costuma estourar do lado dos funcionários. Na Santos, recentemente, Paulo Autori reclamou de declarações de José Carlos Peres que sugeriam interferência dele no futebol do clube e avisou que deixará a agremiação ao final da temporada. O próprio Gustavo foi demitido na Vila Belmiro depois de uma curta passagem tumultuada por problemas políticos. No Palmeiras, após a saída de Mattos, Maurício Galiotte optou por criar um comitê de diretores amadores para atuar no futebol, sem dispensar a contratação de um novo executivo. Por sua vez, Leco, presidente do São Paulo, sofre grande pressão interna e até de parte da torcida para demitir o executivo Raí, um dos principais ídolos do clube do Morumbi.

“O (diretor estatutário)  tem o desejo de participar, o clube espera que ele participe, ele próprio fez carreira política com a intenção de participar das decisões, ele é perguntado na rua e na família por sua participação, há uma sensação geral de que fazer futebol é fácil, enfim, é muita tentação e pressão para o estatutário administrar o próprio ego e abster de interferir”, afirmou Gustavo ao ser indago sobre a relação entre diretores profissionais e amadores.

A demissão de Mattos também levantou a questão sobre como o trabalho dos executivos é avaliado. O ex-funcionário do Palmeiras não resistiu à falta de taças na atual temporada, mesmo tento no currículo dois títulos Brasileiros e um da Copa do Brasil pelo alviverde.

“Essa importância maior dada aos executivos veio na visão de tirar um pouco o poder do treinador. Mas existe uma distorção na visão sobre as responsabilidades do cargo, creditam o fraco desempenho ou o êxito ao executivo. Dão muito valor às contratações, como o se o executivo contratasse sozinho. Muitas vezes, ele contrata quem o dirigente pede. Como em qualquer indústria, o executivo deve liderar um departamento, ele é parte de uma engrenagem. Sua avaliação não pode ser só em relação às contratações e aos resultados do time. É preciso ver todo seu trabalho. Mas, não existe vítima nessa história. O executivo, muitas vezes, precisa ter um posicionamento mais discreto. Dirigentes e imprensa precisam avaliar melhor esse trabalho. Até o torcedor precisa entender mais essa função”, declarou Scuro.

Gustavo também avalia que jornalistas, dirigentes amadores e torcedores não estão preparados para analisar a atuação desses profissionais do futebol. “Seguramente não. Imagina-se que o trabalho do executivo seja somente contratar e vender atletas, sendo que as atribuições são muito mais amplas. Além disso, os clubes não definem claramente suas metas. E, quando o fazem, têm receio de comunicar ao torcedor. O executivo deveria ser executor das estratégias instituídas pelo clube”, ponderou o profissional da Botafogo S/A.

Por sua vez, o diretor do atual campeão brasileiro e da Libertadores não reclama das avaliações instantâneas de acordo com os resultados do time. “Acho que, como em toda a carreira, qualquer que seja ela, as pessoas são avaliadas pelos seus resultados. Então, é natural que tenha uma avaliação imediata. Nas vitórias e títulos uma avaliação boa. E quando acontece o contrário, dependendo como foi, que seja em sentido contrário. Acho que isso é natural, não dá para esperar nada diferente disso”, afirmou Spindel.

Sobre a maneira como imprensa, torcedores e dirigentes analisam o trabalho dos executivos, o diretor rubro-negro ainda afirma que não se pode generalizar. “O torcedor é o maior patrimônio do clube. No caso do Flamengo é a maior torcida do Mundo. Por eles que a gente faz tudo e o que a gente mais quer é que o clube vença sempre para que eles estejam felizes e que aconteça o que agente viu. Isso não tem preço, o que aconteceu no apoio ao time esse ano todo. Imprensa e dirigente também é difícil de generalizar. O fato é que quanto mais preparado o dirigente do clube, que é representante do torcedor do sócio, mais bem tomadas vão ser as decisões. Imprensa, de forma geral, acho que a qualidade da informação que a ela recebe, tem o papel do clube, dos funcionários, dos executivos de informar e dar o maior subsídio possível à imprensa para que a opinião seja formada à luz das melhores informações possíveis”, declarou o diretor do Flamengo.