Atletiba

Leia o post original por Cristian Toledo

Engraçado. Não lembro exatamente qual foi o primeiro Atletiba que trabalhei como radialista. Deve ter sido em 1998, na rádio Cidade, equipe do Capitão Hidalgo, fazendo chegada de torcedores, coisa e tal. Não era setorista, então talvez por isso não tenha marcado.

Mas lembro depois de quase todos os clássicos que cobri como setorista, no tempo em que estive no Atlético (um ano) e no Coritiba (cinco anos). Posso me orgulhar de ter acompanhado o jogo mais tradicional do Estado dos dois lados. E nesse período de setorista eu recordo que era uma expectativa especial pelo Atletiba, pois era um momento em que o nosso trabalho aparecia mais. As entrevistas eram mais apimentadas, sempre havia um personagem (jogador, técnico, dirigente) para agitar o jogo.

O tempo foi passando, deixei a reportagem pelos caminhos da carreira, fui ficando mais velho. Trabalho há quinze anos. E hoje, ao mesmo tempo em que é sempre muito legal viver um Atletiba, é um período de profundas decepções. Porque se de um lado você cresce como pessoa, entra no espírito do jogo e busca fazer ainda mais do que o melhor, de outro nota-se claramente que a intolerância e a falta de educação são cada vez maiores.

Parece que nessas horas há quem só enxergue o que lhe interessa. Mas já falei disso aqui, e por isso não vou ficar me estendendo.

Tento levar sempre o Atletiba pro lado bom. No Tribuna, nos seis anos e meio em que trabalhei por lá, havia a brincadeira, a tiração de sarro, até mesmo a aposta que tanto fez sucesso, mas havia sempre o pedido por um jogo tranquilo, dentro e fora de campo. Acho que hoje, sábado, temos condições de – mais uma vez – fazer um espetáculo pra servir de exemplo pra outras praças, com qualidade no jogo e sossego nas arquibancadas, nas ruas próximas ao Couto Pereira, nos terminais e nas cidades da região metropolitana.

É com esse espírito que me preparo pro clássico. E é esse espírito que ainda me faz crer que a maioria silenciosa vai derrotar a minoria barulhenta, intolerante e violenta. Mesmo que isso pareça cada vez mais distante.