Ronaldo

Leia o post original por Wanderley Nogueira

Eu tive o privilégio de assistir de perto todos os gols que Ronaldo marcou em Copas do Mundo.

Nem sei ao certo quantas vezes entrevistei o “Fenômeno”.

A Seleção viajando pelo mundo e eu ao lado dela.

Pude acompanhar o interesse que Ronaldo provocava nos órgãos de informação. Nos bons e maus momentos do goleador.

Quando o Corinthians o contratou, eu disse publicamente que, se fosse o presidente do clube, também o teria contratado.

Só a repercussão já valeria a pena.

Ronaldo chegou, jogou e ajudou o Corinthians. Fez o clube ganhar dinheiro, e ele também recebeu alguns milhões.

Foi um ótimo negócio para as duas partes. Virou parceiro do clube e tem até poder de decisão.

Mas as queixas dos repórteres setoristas do Corinthians eram diárias. “O Ronaldo só aparece na TV Globo… Em todos os programas da Globo. Com a gente que cobre o clube diariamente, ele nem fala .”

De quando em quando, uma rara entrevista coletiva – e mesmo assim, em momentos que interessavam muito mais ao clube e ao Fenômeno.

Distante, eu dizia que “o Ronaldo nunca foi assim… Sempre dava um jeitinho para atender todo mundo. Estranho que esteja agindo assim…”.

Mas os repórteres que “respiravam” Corinthians foram conhecendo um personagem que eu não conhecia. É alguém, diziam eles, que “não tem nenhuma consideração pelos jornalistas setoristas” .

Para saber o que Ronaldo pensava sobre os mais diversos assuntos, era preciso ser telespectador da TV Globo.

Quando Ronaldo anunciou que iria parar de jogar e virar empresário, eu disse na redação que “agora ele vai curtir a relação… Como fizeram Zico e Pelé, por exemplo”.

Vai conversar, vai dizer o que pensa, ficará mais leve , não ficará mais com um pé atrás. Afinal, jornalistas e Ronaldo caminharam juntos durante muitos anos.

O empresário Ronaldo, de terno ou sem roupa formal, vai “cruzar” com jornalistas toda hora. E uma palavrinha do ex-Fenômeno sempre terá uma atenção especial da imprensa. Pensei e disse isso muitas vezes.

Até agora, não tem sido assim. Continua distante da imprensa. Menos da emissora para qual ele dedica toda a sua gratidão.

Eu soube que no último domingo, Ronaldo e Adriano saíram do Pacaembu pouco antes do final do primeiro tempo do jogo entre Corinthians e Bahia. Foram dar uma voltinha no carro do Fenômeno.

Enquanto aguardavam o veículo, Ronaldo foi abordado por dois repórteres. Queriam apenas algumas palavras de Ronaldo sobre o nível técnico do Campeonato Brasileiro. Nada mais.

Ronaldo, novamente, se negou a dar a “entrevista” de um minuto.

O jovem repórter de TV disse que precisava da palavra dele. Era importante para a emissora e para ele, como profissional. Disse mais: “pôxa, Ronaldo… Eu preciso ouvi-lo. É rápido. E mais: você é um ídolo que eu tenho. Chorei quando você sofreu aquela grave contusão”.

Ronaldo respondeu rápido: “todos vocês falam a mesma coisa”. E foi embora com Adriano para aquela “voltinha” rápida. Retornaram depois de alguns minutos.

Ronaldo talvez não dê importância… Mas o repórter não mentiu, nem inventou.

Todos choraram com ele, todos sentiram as dores que ele sentiu.

Mas isso é passado…