O jogo

Leia o post original por Cristian Toledo

Está chegando a hora. Cada minuto que passa faz com que aumente a expectativa de jogadores, treinadores, dirigentes, torcedores e jornalistas. Como há muito tempo não se via, o Atletiba deste domingo, na Arena, tomou a atenção do curitibano. O assunto domina as conversas, passa por cima de todos os outros temas (mesmo que tenhamos passado por uma semana conturbada na política, mesmo que a economia não esteja tão aquecida como se esperava, e ainda com a Fátima Bernardes saindo do Jornal Nacional!). E certamente o clássico seguirá na boca do povo até alguns dias depois da partida.

Tive a oportunidade de conversar, ao lado do meu colega de comentários Guilherme de Paula, com os treinadores de Atlético e Coritiba. Com Antônio Lopes, no hall do hotel onde mora, na manhã de quinta-feira. Com Marcelo Oliveira, pouco antes do treino de quarta-feira, no Couto Pereira. Eles estão tão ansiosos quanto os torcedores, admitiram que perderam o sono na semana, que rezam pelo êxito de seus times. Nenhum falou de tática ou escalação – mas falou-se muito de motivação, entrega, dedicação.

É um dos pontos que pode resolver o jogo. Quem entrar mais ligado leva vantagem – apesar de eu não conseguir imaginar que algum time entrará “desligado” em uma partida tão emocionante como esta. Rendimento físico também entra nessa conta, e daí o fato dos dois times estarem reduzindo a carga de treinamentos e até poupando jogadores para que estejam tinindo no domingo.

Há o fator emocional, que gera mais vontade de resolver as partidas, mas que pode transformar empolgação em nervosismo. Semana passada, o Atlético mostrou tensão em demasia contra o América, e acabou perdendo. E o Coritiba entrou devagar demais contra o Avaí, e penou muito para vencer.

Os objetivos da dupla são claros. O do Coritiba, que é o de chegar à Libertadores, depende apenas das próprias forças. O do Atlético, que é o de fugir do rebaixamento, depende de combinação de resultados. Entre disputa no G5 e no Z4, são oito jogos que interessam – incluindo aí, claro, o próprio Atletiba. Obriga o torcedor a acompanhar de tudo, estando dentro da Arena ou não. E fará as emissoras de rádio acompanharem os jogos com dezenas de profissionais, cada um de olho em um estádio espalhado pelo País.

O Atlético joga em casa, o Coritiba tem um time mais qualificado. Técnica, tática, rendimento físico, perfil emocional, motivação, entrega, confiança, resultados combinados – é muita coisa que se apresenta no entorno do jogo, que já é espetacular apenas por existir, e que pode ser ainda mais com dois times buscando a vitória, uma arbitragem serena e a festa das torcidas. E com o triunfo de quem for melhor nos noventa minutos. É disso que é feito o futebol. E é disso que tem que ser feito o Atletiba sensacional deste domingo.

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A preocupação de todos é com a segurança. O poder público já anunciou seus planos, a Polícia Militar promete esquema com a grandeza do espetáculo, os torcedores tentam manter a calma e lembrar que é um esporte, e que no dia seguinte todo mundo tem que tocar a vida.

Acho que o sucesso de uma campanha de paz no Atletiba não depende apenas da disseminação de pedidos de boa convivência – principalmente através das redes sociais. Neste momento, além de contar com o maior número de pessoas possível nesta corrente positiva, temos também que trabalhar pra que isso realmente ocorra. Precisamos ter uma postura pacífica. Precisamos cobrar segurança das autoridades. E precisamos colaborar, colocar a mão na massa – denunciando quem aproveitar o clássico pra praticar a violência contra pessoas e contra patrimônio público ou privado. O #AtletibadaPaz tem o meu apoio e o meu compromisso.