Pouco

Leia o post original por Cristian Toledo

Cena 1: Sou usuário frequente de táxis – em parte por preguiça, em parte por necessidade. E costumo ser atendido pelos mesmos, por conta da clientela para uma empresa específica. Pois aconteceu de repetir no domingo e na segunda. Motorista torcedor do Atlético. No domingo ele estava bem: “Valeu vencer o clássico pra tirar ‘eles’ da Libertadores”. Na segunda nem tanto: “Tô com a cabeça quente com esse rebaixamento”.

Cena 2: Recebo, vez por outra, mensagens via redes sociais. A maioria eu leio, agradeço. E tento responder o que for possível. No domingo, os recados dos torcedores do Coritiba eram mais comemorações do rebaixamento do rival. Na segunda, muita cobrança em cima do técnico Marcelo Oliveira por conta da não classificação para a Libertadores.

Se você ficar rondando as redes sociais, ainda vai encontrar a provocação, tão natural quando se trata de futebol. É assim, sempre será assim e precisa ser assim – a brincadeira, sempre saudável, é que faz o esporte ser tão divertido. Se as pessoas convivem bem com as provocações, ótimo. Mas e a partir de agora, o que fica?

Encerramos a temporada com um saldo fraco. O Coritiba, que foi o time que mais se destacou, conquistou números importantes, bateu recordes, chegou em decisões, lutou por Libertadores, mas acabou com o Paranaense para colocar na sala de troféus. O Atlético teve um ano de erros em sequência, falhou em todas as competições e terminou o ano rebaixado para a Série B. E o Paraná Clube envergonhou o torcedor com o rebaixamento no Estadual e fechou a temporada lutando pra não cair pra Série C. É pouco.

Não acho, de forma alguma, que os torcedores precisam ter uma visão total do futebol paranaense – e mais específico do Trio de Ferro. A torcida tem que seguir apoiando seu time, secando os rivais. Mas pra quem analisa, e pra quem comanda, o 2011 vai terminando com um gosto amargo.

Olhemos por exemplo para o início da temporada 2012 – é logo ali, o Paranaense inicia dia 21. O Coritiba e o Atlético terão que motivar novamente seus torcedores, e terão que mostrar logo de saída que estão prontos para atingir seus objetivos principais (o Coxa de buscar o título da Copa do Brasil, o Furacão de voltar à primeira divisão). Enquanto isso, o Paraná ainda deverá estar parado, pois a mais otimista das expectativas aponta para a largada da segunda divisão estadual em março (dependendo de acordo entre os clubes participantes e a FPF).

Haverá uma redução natural do interesse por futebol, que deverá crescer apenas depois do carnaval – imediatamente depois do carnaval, inclusive, pois tem Atletiba na Quarta-feira de Cinzas. Isto não é bom pra ninguém – clubes, atletas, torcedores, dirigentes, jornalistas. Perdemos espaço nacional com apenas um time na primeira divisão, e com a marca de um rebaixamento a cada dois anos desde 2005 (Coritiba em 2005, Paraná em 2007, Coritiba em 2009, Atlético em 2011). Como disse o Pedro Henrique nos comentários, “o mais vantajoso para o Estado seria que os três estivessem na elite”.

Some-se a esse momento a fragilidade da nossa federação. Sem autoridade, sem credibilidade, colocando interesses pessoais no mesmo patamar (ou acima) das necessidades dos clubes. A volta do Londrina, tão comemorada, precisa representar uma possibilidade de recuperação do futebol do interior – com fórmulas que independam da FPF.

Um 2012 positivo para o futebol paranaense necessita de ações individuais dos nossos três principais clubes (pois o êxito do Trio de Ferro movimenta o Estado – é bom lembrar que quando tínhamos três times na Série A, equipes do interior se destacavam na Copa do Brasil, e não era coincidência) e uma ação conjunta, uma espécie de pacto pelo crescimento do esporte por aqui, envolvendo clubes, FPF, atletas, treinadores, iniciativa privada e imprensa.

Uma fase ruim do futebol estadual não ajuda ninguém – nem mesmo aqueles que fazem do “quanto pior, melhor” a sua forma de pensar.