Errei

Leia o post original por luiz.carlos

Alertado pelos fieis torcedores Coxas-Brancas Francisco D. Silva e Bruno Cezário, identifiquei um erro cometido por mim no editorial “Entre números e palavras” que foi ao ar na sexta-feira, 06. No texto, com base numa matéria de um jornal de Curitiba,  foi citada a frase de Felipe Ximenes, abaixo transcrita:

“O Leandro Donizete, por exemplo, de 72 partidas, não disputou 35 como titular. O Willian jogou mais partidas (34 como titular e 16 como substituto, totalizando 50)”.

Citei o seguinte:

Entre números e palavras de Ximenes, tenho uma discordância. A conta dele usa um artifício inteligente, que pode, mesmo sem ser este o interesse, pode vir a a realidade na análise do torcedor. Se Donizete jogou 37 partidas como titular, ele foi mais vezes titular que o Willian, que jogou 34 vezes como titular do Cori em 2011.

Uma dúvida que eu não teria: se não estivesse contundido, Donizete teria jogado ainda mais vezes do que o Willian. Mas esta é uma hipótese, afinal, não sou o treinador. Então, deixo de lado a hipótese e fico com o fato: 37 é maior do que 34. E Donizete jogou mais vezes como titular do que Willian”.

 

Errei nesse ponto da análise.

Interpretei erradamente a frase, pois não foi dito textualmente quantas partidas destas 37 que Donizete atuou como titular. Pode ter sido o mesmo número de vezes, ou então, menos vezes do que o Willian (na condição de titular).

Lembrei disto depois da publicação do editorial, após ser alertado pelos dois torcedores: pelo menos uma delas, Donizete começou como reserva. E pode ter sido duas ou mais, minha memória me falta agora.

Por isto, faço a retificação pública, pela justiça dos fatos.

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Em alguns textos, propositalmente deixo portas em aberto para o torcedor refletir. Instigo a curiosidade, instigo a memória. Crio cenários propositalmente feitos para o torcedor relacionar fatos, depoimentos, acontecimentos.

Foi o que ocorreu no editorial em questão.

Onde queria chegar? No ponto em que ter jogado mais vezes do que um atleta tido como titular, num primeiro momento, não garante necessariamente uma maior qualidade individual deste substituto.

Não é o caso do Willian, pois ele está próximo em desempenho, apesar de Donizete ter maior qualidade na saída de bola. Mas, por ser mais jovem, Willian poderia superá-lo futuramente. Acredito que isto venha ocorrer se Willian se dedicar mais nos fundamentos de saída de bola.

E era justamente este o ponto principal do editorial: a análise de qualidade individual e não de jogos realizados como sendo o fator mais relevante na análise diretiva.

E um atleta formado nas categorias de base do Coxa ter qualidade para substituir um ídolo da torcida coritibana, penso, deveria ser motivo de maior destaque pelos dirigentes alviverdes (assim como poderia ter ocorrido com Luccas Claro, atleta que foi titular do elenco principal e foi titular na seleção de base).

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Esta situação de ter jogado mais vezes vem bem a calhar com um exemplo dado por um amigo: e se o Messi ficasse seis meses fora, contundido, e com isto tivesse que ser substituído por outro atleta do elenco? Quando o Messi fosse liberado pelos médicos, voltaria ou não como titular? E por ter tido menos jogos numa temporada do que o seu substituto, tal substituto teria mais condições do que o Messi? E se não estivesse machucado, Messi teria sido titular sempre que fosse possível ou não?

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Percebo por outras declarações que há uma linha diretiva adotada há tempos, a de que há um elenco homogêneo e que as eventuais saídas não trariam grandes alterações de desempenho do conjunto. Esta linha de raciocínio deixou de ser usada num exemplo dado pelo superintendente de futebol do Coxa, quando da citação ao Willian, mas que poderia voltar a ser usado dias depois, caso a negociação de Jonas ocorresse. Até porque Jonas, o titular, jogou muito mais vezes do que o reserva Maranhão.

Se fosse eu o treinador, teria escalado Donizete e Willian no mesmo time (deixaria o Léo de fora). E Maranhão também seria o titular em 2011. Mas esta análise não vem ao caso, pois é uma situação subjetiva. A situação objetiva foi a de quem jogou, definido pelo treinador, que pode levar em consideração fatores técnicos, físicos, psicológicos, estratégicos/táticos, disciplinares.

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Lembrei de uma frase divulgada em 03/01/2012:

“(O grupo) nunca está totalmente fechado. Contratamos os substitutos para o Leandro Donizete (Junior Urso) e Léo Gago (Lima). Estamos atentos aos pedidos da comissão técnica e oportunidades de contratação”.

A frase é do presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, ao jornalista Fernando Rudnick , sobre a situação do elenco do Coritiba para a temporada 2012 e a possibilidade de reforços.

Note que há uma relação a quem é o substituto direto de Donizete, no caso o Junior Urso e não o Willian…

Essa frase mostra-me que há um padrão na escolha diretiva da formação do elenco: a busca (no próprio elenco e fora dele) de atletas capazes de substituir os antigos titulares que foram negociados. E daí, o referencial número de jogos disputados na temporada anterior fica em segundo plano. Entendo que um padrão feito acertadamente…

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E lembrei de outra frase. Em 11/12/2011 o jornalista Luiz Ferraz assinou uma matéria com uma entrevista com o superintendente de futebol do Coritiba, Felipe Ximenes.

Em determinado momento da entrevista, disse Ximenes. “Não analisamos atletas por jogos pontuais e sim pela temporada inteira. Continuaremos trabalhando dessa forma e teremos assim um crescimento sustentado, sempre agindo passo a passo”.

Essa outra frase mostra-me que há um padrão na escolha diretiva da formação do elenco: a análise do desempenho sistêmico. E daí, o referencial número de jogos disputados na temporada anterior fica em segundo plano, pois jogar não significa necessariamente jogar bem. Novamente foi estabelecido um padrão acertado…

Essas duas situações me fazem acreditar que a análise só do número de jogos disputados não deve ter sido o fator preponderante na análise qualitativa do desempenho de atletas.

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Se fosse minha, a frase seria diferente: “O Willian é um jogador jovem, formado nas categorias de base –  e isto é importante para o Clube -, com identificação com o Clube. Um jogador que fez aproveitou a oportunidade para substituir um ídolo da torcida, devido a uma contusão do Donizete. E William fez vários jogos em 2011, a maioria deles como titular e a maioria jogando bem. Ele foi observado durante um ano por uma equipe de profissionais, tanto pelo que fez em campo, como pelo que fez fora dele. Por isto tudo, pelo seu próprio mérito, foi reconhecido teve seu contrato prorrogado por mais tempo e por isto terá a oportunidade de ficar no Coritiba, pelo que fez e pelo que acredito que possa vir a fazer, servindo, inclusive, como exemplo para os atletas mais novos que estão nas categorias de base do Coxa”.

Espero mais destaque positivo, sempre que merecido, quando o assunto é avaliar o trabalho dos atletas formados em casa...