Apontando os culpados

Leia o post original por JC

Vasco, jogando em casa, com uma formação ofensiva, abrindo 2 a 0 contra o modesto Bonsucesso (que, vale lembrar, tomou dois vareios contra os grandes do seu grupo) e tendo essa vantagem até os 17 minutos do segundo tempo.

O resultado da partida? 2 a 2. E poderíamos ter perdido.

Há alguma explicação para o inesperado placar?

  • • O time lembrou do estigma dos “100% de aproveitamento” e pisou no freio propositalmente;
  • • Vendo que menos de 1000 torcedores estavam em São Januário, pensaram que valia a pena pagar o mico, já que eram poucas as testemunhas;
  • • Inveja do Fluzim, que perdeu para o Resende;
  • • Depois da mudança de camisas no intervalo – começamos com a preta e terminamos com a branca – os jogadores pensaram que não estavam em um jogo, mas numa apresentação de uniformes (se houvesse prorrogação, voltaríamos com a camisa azul);
  • • Sabendo que um time misto jogará contra o Olaria na próxima rodada, os titulares jogaram mal para que os reservas causem boa impressão no sábado.

Brincadeiras e ironias à parte, nada pode justificar uma atuação como a de ontem. Se foi o esquema tático diferente (o que certamente prejudicou o entrosamento do time), abatimento por ter perdido a Taça Guanabara, a cabeça na Libertadores, ou pior, o desinteresse dos jogadores, não importa. O Vasco, ainda mais dentro da sua casa, não pode fazer uma apresentação desse nível. Não se trata do nível do nosso adversário: fosse o Bonsucesso digno de uma goleada ou fosse o melhor time do Brasil, o Vasco não pode nunca entrar em campo sem ter um compromisso total com a vitória. E não foi isso o que vimos ontem em São Januário. Pelo contrário.

Quando o time vai mal, a torcida imediatamente aponta os culpados, alguns para o treinador, outros para a diretoria. Todos têm uma parcela de culpa, mesmo que uma partida mal jogada não seja o bastante para afirmar que exista uma crise. O problema é quando o grupo começa a sinalizar que há alguma insatisfação. Quando a situação foi o atraso nos salários, o jogadores deixaram de se concentrar. Se a questão é com o comando técnico da equipe, as consequências podem ser muito mais graves.

Empatar um jogo da Taça Rio pode não ser o fim do mundo. Mas em cinco dias teremos um jogo importantíssimo pela Libertadores e os possíveis problemas do grupo precisam ser resolvidos agora. O mais importante, antes que os indicadores comecem a apontar para possíveis responsáveis, é procurar a solução para o que há de errado na equipe.

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Daqui a pouco vai ao ar no site Os 4 Grandes mais um pouco sobre a partida de ontem.

Update: se ainda interessar a alguém, a coluna sobre o jogo no site Os 4 Grandes está no ar.