O torcedor maltratado

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Talvez os nossos clubes de futebol não entendam bem a figura do torcedor de futebol na época atual.

Torcedor de futebol é um tipo especial de consumidor no mundo capitalista. Ele não precisa ser conquistado. Ele cria um laço afetivo com o clube sem que o clube precise provocar isso. Vem da família, vem dos amigos, vem de assistir aos jogos na televisão. E a entidade esportiva não precisa fazer propaganda para mantê-lo.

É de graça que o torcedor gosta do clube e gera receitas para o clube. É uma essencial fonte de receita. Paga ingresso, compra produtos, se associa, enfim, contribui financeiramente. É também o motivo pelo qual os clubes conseguem contratos de patrocínio. A audiência que o torcedor dá ao clube na televisão também aumenta as receitas. Em última instância, o torcedor é a razão da existência do clube.

Entretanto, o torcedor tem também expectativas. Quer que seu clube ganhe, cresça, dispute títulos importantes. Quer que o clube preserve seus ídolos. E não só assuntos de dentro de campo. Também quer ter experiências agradáveis enquanto torce. Um bom tratamento dentro do clube é fundamental. Quer sentir-se respeitado.

Nem sempre as expectativas daquele que torce são atendidas. Isso é um fato com que o torcedor vai se acostumando aos poucos, passa as respeitar as limitações dos clubes. A realidade do futebol brasileiro é deficitária em muitos aspectos. A insatisfação faz parte da experiência do torcedor no futebol. E ela pode ser externada de diversas formas. Há quem deixe de ir a jogos, há quem deixe de pagar as mensalidades de sócio, há quem pare de torcer por clubes em situações extremas. E há também quem proteste.

O futebol é um local de descarrego de tensões e emoções individuais. Mergulhado na massa, o cidadão assume comportamentos que normalmente evita como agente individual. Que torcedor nunca vaiou o time? Que torcedor nunca soltou palavrões direcionados a alguém da equipe, seja jogador, seja treinador? Quem nunca pediu a saída de algum técnico? São poucas as exceções.

Os clubes de futebol precisam saber lidar com o torcedor. Se falta racionalidade e tolerância muitas vezes entre os torcedores, não pode faltar por parte do clube e dos seus representantes, seja seguranças, seja presidente.

Quando um clube de futebol age contra um único torcedor, ele atinge indiretamente aos demais. Todos se colocam na situação do envolvido.

Na contramão de todo o exposto, o que estamos vendo em Pernambuco são atentados contra a dignidade do torcedor.

O Náutico e o Santa Cruz tiveram, cada um, uma atitude agressiva contra seus próprios torcedores nos últimos 15 dias. Os habituais palavrões e os ocasionais protestos viraram motivo de expulsão de estádio, e de forma bruta.

Nos Aflitos, o sócio Marcus Walmsley foi tirado na marra das sociais do Náutico na partida contra o Porto, no dia 7 de março. No Arruda, torcedores foram agredidos durante protesto contra a eliminação do Santa Cruz na Copa do Brasil para o inexpress…