Obrigado

Leia o post original por Mauro Beting

A maior homenagem que meu pai recebeu em 55 anos de jornalismo foi a placa que Pelé deu a ele (em 1999) por ele ter dado a Pelé uma placa (em 1961).

A maior homenagem em 75 anos de vida de Joelmir, 70 de Lucila, 48 de Gianfranco, 46 de Mauro, e na vida dos netos, e dos bisnetos que ainda não vieram, foi o Palmeiras ter entrado em campo na Vila Belmiro com 11 jogadores vestindo a camisa 10 de Joelmir. Ao mesmo tempo em que a placa que o Santos deu ao meu pai era entregue por Neymar a mim, no centro do gramado sagrado.

Nunca fiquei sem palavras. Mesmo tendo dito algo a Neymar.

Nunca deixei de ouvir algo dito a mim. Mas, Neymar, confesso que não lembro o que você falou. Foi carinhoso e atencioso como você é. Por isso você será ainda maior do que já é. Mas, gênio, não sei o que você me disse. Não consigo lembrar.

Por que a emoção de estar na Vila, no gramado, com Palmeiras e Santos perfilados, os santistas aplaudindo um palmeirense, e um palestrino que é meu pai, com meus filhos, sobrinhos, primos, com a minha noiva Silvana e a nossa filhota, isso também não esqueço. Como a emoção de ver um gênio como Neymar bem à nossa frente, no camarote cedido pelo Santos e pela Geo.

Parecia que eu estava dentro do gol. Tentando evitar o inevitável baile de Neymar. Por alguns momentos, colado à meta de Vila, quase torci por Neymar. Pela vitória do talento contra a fragilidade dos nossos jogadores. Me senti inerte e inerme. Como em tantos momentos desta semana tão triste quanto feliz pelo carinho das pessoas pelo meu pai.

Neymar encantava a minha pequena palmeirense Manoela que via o time dela pela primeira vez. Mesmo que não sendo o Palmeiras de sempre, ela se orgulhava pelo time que via tão de perto pela primeira vez. Mas tão distante de tantos Palmeiras de primeira.

A minha Mano celebrou o golaço de Maikon Leite. Tirou foto do placar com a vantagem parcial. Meio que imaginando que ela não durasse tanto. Meio que acertando o tudo que o time dela errava.

Veio a virada. Só não veio o vexame que Neymar e o amigo Muricy seguram a onda no segundo tempo.

Mas eu não consegui segurar a emoção. A família toda, agradecida a Palmeiras e Santos, também não.

Como também agradecemos ao Corinthians pelo texto em que dizia que “Joelmir Beting só tinha um defeito…”.

E mais não preciso escrever. Como não tenho palavras para descrever a emoção que tive ao ver o senador Eduardo Suplicy lendo o texto deste blog no Senado. Ou melhor: tentando ler e não conseguindo.

Suplicy e seu Santos, família Zioni Beting e nosso Palmeiras, corintianos e torcedores de todas as cores e credos, obrigado.