Serginho no fim, César no começo

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 06/05/1981

Pelo jeito, a carreira de Sérgio Bernardino (23 de dezembro de 1954), o Serginho, está definitivamente encerrada na Seleção Brasileira. Na verdade, Telê Santana, ao assumir a direção do quadro nacional, custou a convocar Serginho, vivendo instantes de dúvida, enquanto ia observando (ou mandava observar) o craque tricolor. E tanto isso é verdade que existe uma ficha completa de Serginho, com anotações totais, envolvendo, sobretudo, a parte disciplinar nas partidas em que esteve em ação. O moço parecia mesmo ter mudado, após aquela lamentável atitude do dia 12 de fevereiro de 1978, em Ribeirão Preto, ao desferir um pontapé em um auxiliar de arbitragem, o que tirou do jogador todas as possibilidades de disputar o Mundial argentino. E olhem que houve quem lutasse para que Serginho fosse perdoado.

Inutilmente, porém, Serginho teve que cumprir a punição.

Serginho Chulapa pela Seleção Brasileira

E ia continuando

Mas, finalmente convocado por Telê Santana, desde junho do ano passado, o artilheiro tricolor foi sendo mantido pelo treinador, porque na Seleção sempre agira com muita correção. E tanto isto é verdade que, ao tratar de fazer sua lista de 18 jogadores para esta viagem a Europa, Telê manteve Serginho, como centroavante, ao lado de Reinaldo. Claro esta lista foi feita antes da decisão da Copa de Ouro no Morumbi, mas foi nesse jogo, aos 88 minutos, que o artilheiro do tricolor “caiu do galho”, com aquele gesto triste sobre Leão.

O resto da história todos conhecem:

Serginho viajou para o Rio com o Dr. José Carlos Ricci, porém, não junto com o grupo de jogadores paulistas, gaúchos e mineiros. Apresentou-se no Hotel das Paineiras, mas com o médico tricolor já apresentando o argumento de que o craque não tinha condições. Foi uma apresentação “pro forma”, Serginho estava cortado.

Chances foram dadas

A carreira de Serginho, na Seleção Brasileira, antes de Telê assumir, foi muito curta, sobretudo porque o jogador ficou suspenso durante uns dez meses, pelo pontapé naquele auxiliar de arbitragem.

De qualquer modo, há que se reconhecer que foi Telê quem deu a Serginho as maiores chances, as oportunidades mais amplas, o que parece provar a confiança que o treinador mantinha pelo jogador.

No entanto, aos 88 minutos do jogo da decisão da Copa de Ouro, cessou a confiança de Telê por Serginho. E, se não houve tempo hábil para mudar a lista de convocados, distribuída no Morumbi, já se poderia calcular como certa a desconvocação do artilheiro, o que se concretizou na segunda-feira, à noite, em pleno Hotel das Paineiras.

Sem seqüência

Aqui está a carreira de Serginho na Seleção Brasileira:

Com Cláudio Coutinho:

12 – 10 – 77: 3×0 sobre o Milan, no Rio – 1 gol

31 – 05 – 79: 5×1 sobre o Uruguai, no Rio

Com Telê Santana:

01 – 05 – 80: 4×0 sobre combinado mineiro, em Brasília – 1 gol

08 – 06 – 80: 2×0 sobre o México, no Rio – 1 gol

24 – 06 – 80: 2×1 sobre o Chile, em Belo Horizonte

29 – 06 – 80: 1×1 contra a Polônia, em São Paulo

21 – 12 – 80: 2×0 sobre a Suíça, em Cuiabá

07 – 01 – 81: 4×1 sobre a Alemanha Ocidental, em Montevidéu – 1 gol

10 – 01 – 81: 1×2 contra o Uruguai, em Montevidéu

01 – 02 – 81: 1×1 contra a Colômbia, em Bogotá – 1 gol

08 – 02 – 81: 1×0 sobre a Venezuela, em Caracas

25 – 03 – 81: 2×1 sobre o Chile, em Ribeirão Preto

29 – 03 – 81: 5×0 sobre a Venezuela, em Goiânia

Portanto, no total, 13 jogos com a camisa do Brasil, destacando-se, como dissemos, que Telê Santana, deu mesmo a Serginho as maiores oportunidades, embora, no caso de Cláudio Coutinho, tivesse havido aquele problema da suspensão do craque, por agredir a um bandeirinha.

Tivesse Serginho mantido a serenidade, talvez chegasse mesmo a disputar a Copa do Mundo de 1982. No momento, porém, depois do que houve, do desligamento em 24 horas, parece terminada a carreira do moço-artilheiro na Seleção. Por culpa exclusiva do jogador, que voltou a perder a cabeça, com uma facilidade terrível. Infelizmente.

Depois, aquela longa reunião no Hotel das Paineiras, as especulações todas em torno do jogador que substituiria Serginho: Baltazar ou Careca, Cláudio Adão ou Roberto Dinamite? Os dois últimos, como se sabe, estão sem condições físicas, enquanto Careca está discutindo ainda a reforma de seu contrato com o Guarani. E Baltazar? Com Telê, apenas 20 minutos em Fortaleza, naquele amistoso contra o Uruguai.

O substituto “driblou” todo mundo:

Júlio César Coelho de Moraes (25 de julho de 1954).

Bom futebol, o centroavante César, que jogou no Palmeiras, onde chegou a ter boas atuações, embora nem sempre mantendo a regularidade, transferido posteriormente para o Vasco da Gama, pelo qual também andou jogando bom futebol. Na Seleção que vai à Europa, César se junta a Paulo Sérgio e Vitor, como os “caras novas” entre os 18.