Corinthians e Vasco pagam por descuido histórico

Leia o post original por Antero Greco

O tribunal esportivo condenou Corinthians e Vasco a terem quatro mandos de jogos sem público – ou com público apenas parcial (os seguidos dos visitantes). A punição é consequência do vandalismo de representantes de organizadas dos dois clubes, no clássico disputado dias atrás em Brasília. O tribunal entendeu que as agremiações tiveram responsabilidade na atitude descontrolada e violenta de seus torcedores. Por isso, pagam o pato.

Quer dizer, pagarão o pato, se a sentença for mantido e se logo mais não aparece uma liminar… Não me surpreenderá.

A decisão provoca polêmicas pra mais de metro. Há os que se alinham a favor de cobrar dos clubes a parcela que lhes cabe de culpa pelo comportamento dos fãs – seja com multas e/ou com perda de mando de jogos, portões fechados e similares. Assim como existem os que discordam e preferem ver a força da lei recair apenas sobre os baderneiros.

Ambos os lados têm argumentos aceitáveis e esdrúxulos para justificar suas convicções. Para não ficar em cima do muro, adianto que sou a favor de punição ampla, para times e torcida. Vou mais longe: e cobrança de autoridades públicas, quando for o caso.

Para não fazer um comentário longo aqui e tomar seu tempo, resumo. Clubes e federações deveriam cuidar de todo o espetáculo, sobretudo na parte interna. Não é só levar porteiros, sorveteiros, gandulas, ambulância e outros apetrechos. Mas sobretudo cuidar da segurança. Não é ter milícias internas, mas gente preparada para orientar o espectador e conter tumultos. Quem sair da linha, sai do espetáculo – e encaminhado para autoridades policiais.

A polícia tem de cuidar do entorno, das ruas, que são públicas. Para tanto, pagamos impostos. Dentro dos estádios, em que são realizados eventos com fins lucrativos, a responsabilidade precisa ser delegada a quem se beneficia dela. Clubes e federações.

Clubes também devem assumir culpa por aquilo que fazem os torcedores, pois só assim tratarão de cuidar desse aspecto. Como raramente sobra pra eles, então pra que se incomodar com detalhe tão banal? É mais fácil empurrar com a barriga e para o Poder Público. De vez em quando, ficam indignados por pagar por um descaso histórico.

Sem contar um detalhe fundamental: clubes têm ligações com, digamos, parcela privilegiada das torcidas (para ficar em politicamente corret). Por mais que neguem, há fãs especiais, muitos são sócios dos respectivos clubes, frequentam a sede, vão a churrascos. Há até comissões de representantes recebidas para dar palestras de incentivo para atletas. Ainda mais quando as coisas não vão bem para o time, eles aparecem para animar…

E, finalmente, é evidente que os vândalos precisam ser punidos. Enquanto eles não pagarem, de diversas formas, por delitos que cometem dentro (e fora) de estádios, continuarão a pouco se lixar para a Justiça. Querem mais é que o mundo se exploda – e levarão terror, aqui, em Brasília, no Rio, em Oruro, em Tóquio, na Conchinchina…

O mistério está no fato de que raramente são identificados. Ou, quando o são, preenchem uma ficha e são liberados. Vai entender…