Respeito

Leia o post original por Mauro Beting

Zoar pode no futebol. Melhor: deve. Não basta o seu time ganhar – é preciso o rival perder. Quando não há adversário pela frente (e nem abaixo), toda gozação é válida. Estamos neste mundo para isso. Ou por isso. Quem se leva muito a sério não merece ser levado a sério nesta série de desventuras da vida.

Mas quem não entende a distinção entre zoar alguns e desrespeitar todos é ainda mais menos educado que o sabido.

Tirar sarro de rebaixamento, vice, vixe!, vício, falta de título, dinheiro, estádio, compostura, passado, presente, futuro, selo, zelo, sheik, shake, cheque, CBF, CPF, … Vale.

Vale para atleta, ex-atleta, ídolo, mito, craque, escroque. Ainda que muitos exagerem e percam a razão com tanta emoção.

Só não vale cuspir no prado onde jogou. Onde foi campeão brasileiro em 2010. Com gol marcado por ele próprio. Emerson.

Pode detonar a pessoa física com que teve problema – e não foram poucos nas Laranjeiras. Pode até falar mal da instituição.

Mas não zoar toda uma torcida. Toda uma história. Do mesmo jeito, aliás, que Emerson faz com o São Paulo, clube onde cresceu como atleta.

Brincar é do jogo. É do gozo. É do gosto popular. E Sheik sabe tanto brincar quanto jogar. Embora há ano e meio não.

Um pouco mais de responsabilidade é necessário em dias de intolerância e incultura. É preciso saber ganhar tanto quanto saber perder. É preciso saber respeitar ao menos a própria carreira

O público pode fazer o que quiser para exaltar seu amor e até seu ódio. A figura pública não pode se exaltar. É preciso respeitar.

Felipe Melo até pode zoar o Fluminense por quem nunca torceu e sempre jogou contra. Ele que segure a bronca.

O ex-atleta de um clube pode não gostar da instituição e da história que lá construiu ou foi destruída.

Mas aproveitar um mau momento para detonar toda uma história e uma gente?