No Maracanã, erro a olho nu

Leia o post original por Antero Greco

Um tempo atrás, as cabeças pensantes do futebol decidiram aumentar o número de olhos atentos numa partida de futebol. Para tanto, colocaram pra trabalhar mais dois auxiliares, além do trio de arbitragem e do quarto árbitro. Os profissionais extras, situadas na linha de fundo, bem atrás dos gols, tinham como função ajudar o juiz central em lances duvidosos.

Pronto, se descobriu o ovo de Colombo que evitaria erros grotescos, sobretudo em lances de bola espirrada em dividida na linha de fundo, eventualmente pênalti e sobretudo determinar se a bola entrou ou não no gol. Os moços (e raras moças) que ficam ali, grudadinhos quase às traves, seriam os guardiães da verdade. Se não desapareceriam, pelo menos diminuíram a níveis desprezíveis, as jogadas polêmicas, aquelas do entrou-não-entrou.

Pois não é que na tarde deste domingo surge lance que justifica a presença do árbitro adicional, auxiliar, juiz de linha, assistente, olheiro ou sei lá que nome tenha e dá erro? Vocês viram (ou ouviram falar) da bola chutada pelo Douglas, logo no começo do clássico Vasco x Flamengo, pega no travessão e, ao bater no chão, beija o gol, atrás da linha fatal.

Lá estava o atento auxiliar e… o que ele faz? Nada, fica impassível a olhar a bola voltar. Hipnotizado pela rapidez com que ela subiu, desceu, entrou e saiu. Tudo tão veloz que o deixou abobalhado, assim como o goleiro Felipe, que olha, mas, digamos, não vê a bola no gol. Lance, portanto, que seguiu normalmente, para desespero dos vascaínos. A menos de meio metro do gol, a olho nu. E ainda assim ficou como barata tonta.

Claro que na hora surgiram comentários de que o Fla foi beneficiado, que os árbitros são coniventes, que tem safadeza e etc e tal. Não creio em favorecimento tão descarado. Acredito em erro, grotesco, constrangedor, mas erro. Erro que eu, você, qualquer um teríamos. Quer dizer, qualquer um não. Se o bandeirinha é treinado para isso, deveria fazer bem a função dele. Mas, em suma, não entro na pilha da teoria da conspiração.

Só não consigo entender uma coisa: se já fizeram testes com a bola com chip, desenvolvida justamente para ‘apitar’ quando passa da linha do gol, por que diabos não a colocam em prática sempre? Há a conversa corriqueira de que custa caro, está em testes e coisas do gênero. Até quando partidas serão decididas dessa maneira? Pra que dar sopa pro azar? Esse tipo de vacilo antes parecia insolúvel. Agora, a gente sabe que não é. Pra que desgastar pessoas – de árbitros e seus auxiliares a jogadores, técnicos e torcedores?

Isso é atitude impiedosa.