Parece ritual: falta de ritmo, “desconforto” e desgaste físico

Leia o post original por Mion

Craque, atleta, trabalhador sério. Com 37 anos, Seedorf jogou 81 jogos pelo Bota.

Craque, atleta, trabalhador sério. Com 37 anos, Seedorf jogou 81 jogos pelo Bota.

Parece ritual nos últimos cinco anos no futebol brasileiro. Além de reclamar da falta de uma pré-temporada mais elaborada, o que é justo, em seguida vem a tal falta de ritmo. Os campeonatos regionais começaram há mais de um mês e ainda tem jogador falando nisso. A partir de março surgem os tais desconfortos musculares e para fechar com “chave de ouro” em outubro o assunto é desgaste físico, final de temporada etc e tal.

Seedorf chegou ao Brasil na manhã do dia 30 de junho de 2012 e à tarde estava treinando. Após 1 ano e meio de Botafogo atuou em 81 jogos, 25 em seis meses de 2012 e 56 no ano passado. Aos 37 anos não entrou em campo poucas vezes. Chegou a reclamar de cansaço, mas nem por isso deixou de atuar.

Escolho alguns casos interessantes: Deivid deixou o Flamengo e assinou com o Coritiba em agosto de 2012. Após o mesmo tempo de contrato de Seedorf, jogou apenas 47 partidas ( pouco mais de 50% do holandês). Deixou o Coxa na semana que antecedeu o Carnaval reclamando de direitos de imagem. Tudo bem, o clube está errado porque não cumpriu o compromisso, mas qual imagem? A de Deivid no departamento médico?

Outro caso, o de Valdivia no Palmeiras. Levou 3 anos e meio para jogar 117 jogos, dá poucos mais de 30 jogos por ano. Menos da metade de Seedorf. Mesmo com problemas físicos permanentes, o Palmeiras renovou seu contrato. Inexplicável para um clube que anda em crise financeira.

Poderia citar muitos outros exemplos. Peguei Valdivia e Deivid por serem jogadores consagrados e bem conhecidos do torcedor brasileiro. Se observarmos a Europa, Messi na temporada 2011/2012 quando o Barcelona ganhou tudo atuou em 61 jogos e Cristiano Ronaldo nas últimas três temporadas atuou em 166 jogos. Somando as 31 partidas defendendo a seleção poirtuguesa de 2011 a 2013, dá 197 jogos, uma média de 65 partidas/ano.

Cito os dois maiores craques do mundo, jogaram mais de que Valdivia e Deivid. Ambos poderiam usufruir de algumas regalias e serem poupados. Não são porque ganham altos salários e precisam trabalhar forte para dar retorno aos seus clubes. Como qualquer atleta de alta performance sofrem com muitas dores, principalmente porque apanham demais em campo. Superam tudo por serem conscientes da necessidade de dar retorno para que os clubes paguem seus compromissos.

No Brasil não há este comprometimento. A responsabilidade com o clube não consta no contrato assinado. No fundo todos querem prolongar as suas carreiras, jogam pouco e vivem da fama construída num início brilhante de carreira. Boa parte vive curtindo noitadas, festas, pouco se importam se isto irá enfraquecer o organismo e ocasionar lesões ou baixo rendimento.

Outro dia estava num restaurante quando cumprimentei empresário de jogadores indignado. Ao acertar novo compromisso de um dos seus principais atletas, esse fez um pedido no mínimo incomum: ” Cara, o meu irmão quer vir do Nordeste. Vê se arranja contrato pra ele. Não precisa garantia de ser titular, qualquer 15 mil tá bom”. Não precisa ser titular? Qualquer 15 mil? Como se fosse um favorzinho qualquer. Este é o mundo da fantasia que vem afundando os nossos clubes e por consequência o futebol brasileiro.