Juninho: questão de honra

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 25/11/1981

“Chega de derrotas amargas. É até uma questão de honra. A Ponte Preta tem qualidades para ser campeã paulista deste ano”. O zagueiro Juninho representa a raça, vitalidade e valentia da Ponte Preta, de Campinas. O jogador da Seleção do Brasil garante que seu time já aprendeu a disputar títulos e ira provar isso a partis de hoje á noite., no Morumbi, contra o São Paulo.

Para ele as derrotas da Ponte Preta nas finais de 1977 e 1979 foram importantes no sentido de conscientizar a equipe da maneira mais acertada para se decidir um título. Alto, forte, jeito de zagueiro, Juninho demonstra segurança e chega quase a afirmar que “nada irá tirar o título da Ponte Preta”. Nasceu em agosto de 1958, em Olímpia, e começou a treinar nas equipes inferiores da Ponte Preta em 1974. Juninho continua morando na concentração do clube e talvez por esse motivo tem ainda um amor maior pela Ponte Preta. Quando o time entrar no Morumbi o torcedor campineiro pode ter a certeza que lá estará um time com cicatrizes, calejado, vivido, experiente e que sabe o que pretende. Nunca a Ponte esteve tão perto de um título paulista , apesar do adversário ser o São Paulo, comprovadamente forte e não menos maduro.

“Parecia incrível, mas hoje nós sabemos, o quanto éramos um time ingênuo, despreparado para disputar um campeonato, uma decisão. Hoje, nós temos consciência que necessário marcar, disputar o jogo com mais combatividade, durante os 90 minutos e que a beleza somente não será suficiente para que a vitória seja alcançada. A Ponte era um time de jogo bonito e muitas vezes improdutivo. De nada adiante nosso domínio sobre os adversários, se não conseguíamos marcar gols. hoje a beleza do nosso futebol está aliada a eficiência e a combatividade que não tínhamos.”

“Esta interrupção forçada pode ser vista como algo positivo. Muita gente vai dizer que time sem jogo sente e é verdade, mas não estamos sem jogar por muito tempo e além do mais é importante que fisicamente uma equipe esteja recuperada para disputar uma decisão”

Juninho não justifica mais aquela fama de carrasco, violento, maldoso. É um zagueiro viril, duro, implacável, mas distante de atitudes desleais. E talvez  próprio coração de defesa da Ponte Preta. Quando é necessário um “bico salvador” aparece Juninho, surge a mais vistosa impulsão, marca presença com um estilo técnico e eficiente quando ideal. É com este jogador que a Ponte Preta vem para São Paulo para disputar o campeonato.

“O torcedor da Ponte está entusiasmado. Há décadas que todos esperam uma conquista consagradora e emocionante. Chega de títulos de turnos, agora é maior, o mais importante que interessa.”

“Todos os jogadores e os torcedores acharam estranho a Federação Paulista marcar o primeiro jogo para o Morumbi e não marcar desde já o segundo para Campinas. O campo do São Paulo não pode ser chamado de neutro, apesar de sua grandiosidade.”

“Mas mesmo assim,. Mais um motivo para todos nós estejamos feridos e mordidos com tais atitudes. Será que é porque não acreditam na Ponte? Provaremos dentro de campo que estão enganados. Há algum tempo que o nosso time está nas grandes decisões e as derrotas surgiram por inúmeros motivos, mas agora, como diz a música, tudo será diferente.”

“Eu e meus companheiros precisamos desse título. Ele será histórico. É disso que um jogador precisa é uma questão de afirmação profissional. Uma conquista estadual é uma maravilhosa recompensa, não pode ser tratado com indiferença.”

“Aqueles que forem ao Morumbi verão uma Ponte aguerrida, lutadora, jogando ofensivamente, apesar de ter vantagem do empate e tentando liquidar o São Paulo. Já disse, é uma questão de honra.”